POLÍTICAS DE DROGAS E DIREITOS HUMANOS

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1 POLÍTICAS DE DROGAS E DIREITOS HUMANOS Para a construção de um memorandum dos juízes dos países e territórios de língua oficial portuguesa (UIJLP) no âmbito da 1ª Conferência Internacional sobre Políticas de Drogas nos PALOP Dever-se-à tomar como pontos centrais de discussão tanto o texto de introdução da conferência como a arrumação sistemática dos assuntos do programa da conferência. Voltamse a remeter em anexo os ficheiros correspondentes. Para preparar a reunião preliminar à conferência e para adiantar dados para a elaboração do memorando, tal como foi referido nas reuniões que tivemos em Florianópolis, precisávamos que nos fossem enviados elementos informativos e documentais sobre cada uma das realidades nacionais tanto ao nível do fenómeno do tráfico e do consumo como ao nível da legislação, da casuística dos tribunais e da litigância em matéria de tráfico e de consumo de estupefacientes. Do mesmo modo precisaríamos de elementos informativos e documentais sobre a realidade problemática da droga nas diversas experiências nacionais, incluindo aqui os novos desenvolvimentos dos fenómenos de tráfico e de consumo das drogas, bem como das políticas públicas de prevenção e combate ao tráfico de droga / estupefacientes e também de prevenção e tratamento do fenómeno do consumo do álcool e dos estupefacientes. Não esquecendo, também, a dimensão internacional e da globalização do problema das drogas, encarando aqui a cooperação no combate ao tráfico mas também o reforço de políticas de protecção dos direitos humanos. Com tais elementos pretende-se retratar aquele que é o desenho actual sobre as políticas da droga nas diversas realidades nacionais dos países de língua oficial portuguesa. Desenho esse que se evidencia pela sua dimensão jurídica e de aplicação judiciária. Pretende-se, ainda, que seja dada relevância à questão do tratamento do utilizador de drogas / do toxicodependente por parte dos tribunais e se as decisões judiciais estão a ter em conta preocupações de salvaguarda dos direitos humanos. Do mesmo modo, pretende-se que com os elementos recolhidos se consiga perceber como se posicionam os juízes face à tutela e garantia das normas legais nos domínios da Justiça/Saúde à à luz dos direitos humanos.

2 Destina-se também, o memorandum, a ditar um compromisso com algumas metas e objectivos em torno dos princípios que devem nortear a prevenção e o combate ao flagelo das drogas. Para orientar ou facilitar o trabalho de recolha elaborámos a grelha de assuntos que se segue (e de algumas sugestões de perguntas assinaladas a vermelho) onde se abordam algumas matérias e questões pertinentes sobre estes assuntos. Muito nos ajudará se este questionário for respondido e desenvolvido com conteúdos o mais depressa possível.

3 POLÍTICAS DE DROGAS E DIREITOS HUMANOS A. Realidades nacionais (políticas de prevenção e combate do tráfico e do consumo). Produção v. comercialização e distribuição das drogas. As drogas e a questão económica. Os mercados associados à droga. Questões geográficas e de desenvolvimento económico.. Conceitos e definições de droga, estupefaciente e de substâncias ilegais. Tráfico, consumo, etc. Informação, pedagogia, educação e integração social. As questões ligadas ao fenómeno das drogas.. Problemas sociais e de saúde associados ao consumo: exclusão social, criminalidade associada, emprobrecimento, HIV/SIDA (AIDS), Tubercolose, Hepatites, doenças neurológicas. Dinâmicas do tráfico e do consumo: novas drogas. Estruturas nacionais implementadas de cariz especializado. Políticas de direitos humanos - No país existe uma política articulada sobre drogas, designadamente, planos nacionais de drogas? Em caso afirmativo, se possível, junte copia ou indique como aceder ao mesmo e indique qual o papel atribuído no mesmo aos tribunais. Existe um programa nacional integrado abrangendo o período de 2011 e No entanto este programa, não está a ser implementado.. - Existe qualquer plano estratégico que vise a realização de acções coordenadas dos diversos órgãos envolvidos no problema, a fim de impedir a utilização do território nacional para o cultivo, a produção, a armazenagem, o trânsito e o tráfico de drogas ilícitas? Em caso afirmativo, qual o papel previsto nesse plano para os tribunais? Em S. Tomé, temos um gabinete que funciona junto ao Ministério da Justiça e sob a tutela desta denominado Gabinete de luta contra droga que garante, incentiva e articula estratégias de planeamento, avaliação e controle nas políticas de educação, no que respeita ao Uso de drogas. Em termos de relação com os Tribunais ainda não existe.

4 - Existe algum organismo/instituição que garanta, incentive e articule estratégias de planeamento, avaliação e controle nas políticas de educação, assistência social, saúde e segurança pública, no que respeita ao uso de drogas? Em caso afirmativo que relação existe entre os tribunais e tal organismo. Não existe - Existe algum organismo de âmbito nacional destinado ao combate do uso e/ou tráfico de drogas? Em caso afirmativo, qual; qual a sua composição; quais as suas competências; qual o seu objecto e quais os seus objectivos; e que relação existe entre o mesmo e os tribunais? Gabinete de luta contra droga que não tem relação com o tribunal. Têm maior proximidade com o Ministério Público. - Existem registos relacionados com os fenómenos relacionados com o uso e tráfico de drogas? Em caso afirmativo, se possível, junte cópia ou indique como aceder aos mesmos. Não existem dados oficiais sobre o fenómeno relacionado com uso e tráfico de drogas. - Existindo estatísticas sobre os temas acima mencionados em A. pode juntar cópia de um quadro desses dados das últimas décadas ou indicar como aceder aos mesmos? - Os agentes policiais, agentes dos serviços públicos, ONGs, responsáveis políticos e os magistrados têm ao seu dispor acções de formação no âmbito dos fenómenos do uso e tráfico de drogas? No caso afirmativo esclareça, se possível: de que tipo, disponibilizadas por quem; e que tipo de adesão têm tido, designadamente por parte dos magistrados. Não tem havido formações nessa matéria. B. Relações internacionais, cooperação e integração regional. Terminologias, conceitos e traduções. Léxico e linguagem em torno do fenómeno das drogas. Sua abordagem comparada.. Geo-política, globalização e realidades regionais. Circuitos e rotas do tráfico internacional.. Intervenção dos organismos e das agências internacionais.. Plataformas de informação e cooperação. C. Sistema legal e judicial. Constituição e instrumentos internacionais.

5 . Qualificação e punição do tráfico e do consumo. Penal, criminal e contra-ordenação (sanção administrativa). Distinções e conceitos. Tipologias, penas e medidas alternativas. Sanções acessórias. Perdas de objectos e bens.. Criminalidade associada ao tráfico e ao consumo. Sua distinção e tratamento pelos tribunais.. Tabelas de drogas ilegais/ilícitas e as novas drogas químicas. Novos sistemas de prevenção e repressão.. Investigação criminal.. Julgamento.. Sistema de prevenção, tratamento, recuperação e reinserção social. Consumidor e traficante. A educação, a saúde e a repressão criminal. A reinserção social.. Prática jurisprudencial. Diferenciação de casos e tipologias. Escolha e determinação das penas / sanções. Prevenção v. repressão. E repressão v. reinserção social. A reincidência.. Informação jurídica. Acesso ao direito e à justiça.. Prisões, centros de recuperação e vias alternativas. - O que é que a legislação e/ou a jurisprudência consideram droga? Nos termos do nº1 do art.279º do C. Penal, são consideradas drogas, as plantas, substâncias ou preparações compreendidas nas tabelas I à III, do presente código. - O álcool é abrangido por essa definição e tratado como tal? O álcool não é considerado como tal, em virtude de não estar inserido nas tabelas acima citadas. - A título repressivo, que tipo de legislação existe e como são punidos e abordados pelos tribunais e pelos juízes em particular, o tráfico e, se for o caso, o consumo de estupefacientes? 3º O tráfico é responsabilizado severamente, pelo que nos termos do art.279º a pena vai de 2 a 12 anos de prisão. Relactivamente ao consumo, depende da quantidade. Importa nos ainda distinguir os consumidores em: ocasional e habitual. Nos termos do art.283º, se o consumo médio individual for durante o período de três dias, é condenado com pena de prisão até 1 ano e multa até 100 dias. E se o agente for consumidor ocasional, pode ser dispensado da pena, como consagra o nº3 do artigo a cima descrito.

6 Em S. Tomé é sempre penalizada, excepto o estipulado no nº3 do art.283º do C. Penal. - Que tipo de acções repressivas / sancionatórias estão previstas contra os responsáveis pela produção e tráfico de substâncias proibidas pela legislação e como é que na jurisprudência têm sido tratadas essas questões? Relactivamente a Jurisprudência, em S. Tomé ainda não temos quanto a estes casos. No que tange a moldura penal, o Código Penal vigente em S. Tomé estipula nos termos do atr.279º, multa até 100 dias e prisão até 15 anos. - No que respeita ao consumo, a legislação e/ou a jurisprudência fazem distinção e/ou qualquer discriminação entre o uso de drogas ilícitas e o uso indevido de drogas lícitas? Em caso afirmativo, especifique indicando como são tratados os respectivos consumidores. Quanto ao uso de drogas ilícitas e o uso indevido de drogas lícitas, não temos esta distinção, uma vez que na tabela anexa a este código, não faz referência daquilo que considera drogas lícitas e drogas ilícitas, como é o caso de alguns países. - Na legislação e/ou na jurisprudência é reconhecida qualquer diferença entre: consumidor ocasional, consumidor habitual e traficante de drogas, tratando-os de forma diferenciada? Em caso afirmativo especifique. No âmbito da legislação penal Santomense, existe uma diferença entre o consumidor habitual, ocasional e traficante, uma vez que o consumidor habitual é aquele que faz do consumo de droga o seu modo de vida, enquanto que o consumidor casual é aquele que usa de vez em quando, ou seja, ocasionalmente. E um traficante é aquele que visa com o tráfico de drogas a obtenção de um lucro. Por isso a pena de um traficante é mais agravada do que um consumidor, uma vez que o traficante pretende beneficiar de uma actividade ilícita e por outro lado, pondo em causa a saúde pública. Sendo certo que quanto ao consumidor ocasional, pode lhe ser concedido a dispensa da pena, enquanto que ao habitual é vedado essa possibilidade, no marco do art.283º do C. Penal. - A corrupção, a lavagem de dinheiro e o crime organizado são tratadas pela legislação relativa ao tráfico de droga e alvo de qualquer acção repressiva por parte dos tribunais? Em caso afirmativo indique designadamente que tipo de medidas já existem ou estão previstas no sentido de assegurar o combate à corrupção e à lavagem de dinheiro e que aplicação tem sido feita pelos tribunais dessa legislação. 7º Nos termos do art.285º, nº1 do C.P., os crimes organizados estão conexos aos crimes de tráfico de drogas, pois a punição é prisão de 10 a 20 anos. Relactivamente ao crime de Branqueamento de Capitais, nos termos do art.272º, nº1, está intimamente ligado ao crime de tráfico de drogas, sendo aplicável para o caso uma pena de prisão superior a 10 anos. Quanto ao crime de corrupção. Sufraga o art.452º,a punição também se faz constar, sendo a pena de prisão de 2 a 6 anos.

7 - Que tipo de abordagem é feita pelos tribunais e que legislação e jurisprudência existem no pais no que respeita às politicas e questões de intervenção nas áreas de assistência social, de saúde e segurança pública, politicas de educação e de redução de riscos relacionados com o uso de drogas? No que respeita a legislação e jurisprudência quanto a esta matéria em S. Tomé ainda não temos, cabendo ao governo definir políticas de prevenção educação e tratamento, criando centro de reabilitação em parceria com o Ministério de da Saúde. - Existe ou está prevista qualquer rede de assistência integrada, pública e/ou privada destinada a pessoas com problemas decorrentes do consumo de drogas? Em caso afirmativo especifique e indique que articulação existe com os tribunais. Não existe. - Que abordagem tem sido feita pelos tribunais e qual a posição dos juízes, em face da legislação existente, sobre o uso de drogas lícitas, sua publicidade, comercialização e acessibilidade por parte de populações vulneráveis, tais como crianças e adolescentes? Tendo em conta que não temos tido processos dessa natureza, não há uma abordagem nem posicionamento relativo a legislação. - Existem organismos e/ou entidades, nacionais ou internacionais, que tratem os fenómenos de exclusão social gerada pelo uso das drogas e de reinserção e tratamento dos condenados pela pratica de crimes relacionados com o uso de drogas? Em caso afirmativo como é que os tribunais se relacionam com esses organismos/ entidades? Não existe - Existem compilações de jurisprudência e/ ou de outros estudos relacionados com o uso e tráfico de droga e crimes conexos? Em caso afirmativo, indique por quem são feitos e como e onde é possível aceder aos mesmos. Não existe. - Os programas e políticas dirigidos à redução de procura (prevenção, tratamento e reinserção psicossocial), redução de danos e de oferta de drogas tem quaisquer medidas que previnam e resguardem o sigilo, a confidencialidade e a prática de procedimentos éticos de pesquisa e armazenamento de dados? Como é que nos tribunais têm sido tratadas essas questões. Não existe. - Existe qualquer política ou programa concreto destinados a reduzir as consequências sociais e de saúde decorrentes do uso indevido de drogas para a pessoa, a família, a comunidade e a sociedade? Em caso afirmativo, que aplicação tem sido feita pelos tribunais desses programas? Não existe. ***

8 QUESTÕES RELACTIVAS A PLATAFORMA DE DIÁLOGO ENTRE OS PALOPS NA ÁREA DAS DROGAS D. Constituição do Comité de Juízes no âmbito da UIJLP para análise e discussão dos problemas das drogas / Plataforma de diálogo entre os PALOPS na área das drogas. Quais os maiores problemas e preocupações? Os maiores problemas e preocupações seriam o Branqueamento de capitais e Tráfico de drogas.. Que procedimentos e boas práticas poderiam ser uniformizados ou homogeneizados? Deviam ser uniformizadas as legislações em matéria de branqueamento de capitais, trafico de drogas e crimes conexos, as trocas de experiências, cooperação em matéria penal, entre os países membros da Plataforma, uma vez que o problema de Trafico de drogas é transfronteiriço, sendo certo que um país só não consegue investigar os crimes de drogas, tendo em conta os contornos deste tipo de crime. A cooperação judiciária, deverá ser mais revitalizada, de forma que seja possível o combate organizado deste tipo de crime, uma vez que a troca de experiência é o elemento fundamental para se conseguir obter esses resultados.. Qual a viabilidade de um sistema de registo e de monitorização ao nível dos tribunais de cada Estado desta matéria das drogas? 3º o sistema de registo e de monotorização nível dos Tribunais, é importante, uma vez que permitirá a cada Estado ter o perfil, registo daquele que esteja envolvido neste tipo de crime, possibilitando um combate integrado e eficaz. No entanto depende de existência de legislação específica.. Qual o melhor formato e natureza para o Comité acima referido? Integração ou autonomização relativamente à plataforma? Qual a sua integração na UIJLP? O melhor formato seria o integrado, tendo a UIJLP um aliado.. Que acções ou projectos podem ser desenvolvidos por cada um dos representantes da UIJLP? Qual a coordenação possível com as instituições nacionais? Criação projectos de cooperação a nível de crimes de Tráfico de drogas, branqueamento de capitais e corrupção, entre os países membros da UIJLP; criação de projectos voltados para a sensibilização da população vocacionados a prevenção do trafico; formação de agentes sensibilizadores a trabalhar no terreno em estreita articulação com as instituições nacionais afectas a materia.. Instituição de uma agenda UIJLP em matéria de políticas de drogas e direitos humanos Criação de uma agenda anual.

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