Superior Tribunal de Justiça

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1 RELATOR RECORRENTE PROCURADORA RECORRIDO ADVOGADO RECURSO ESPECIAL Nº PA (2005/ ) : MINISTRO MAURO CAMPBELL MARQUES : INSTITUTO BRASILEIRO DO MEIO AMBIENTE E DOS RECURSOS NATURAIS RENOVÁVEIS - IBAMA : MARCELA ALBUQUERQUE MACIEL E OUTRO(S) : RAIMUNDO CIRO DE MOURA - ESPÓLIO E OUTRO : OCTÁVIO AVERTANO DE MACEDO BARRETO DA ROCHA EMENTA AMBIENTAL. ART. 25, 2º, DA LEI N /98. PECULIARIDADES DO CASO CONCRETO. DOAÇÃO DO PRODUTO DO CRIME (TORAS DE MOGNO). CERTEZA DE QUE A ATIVIDADE ILÍCITA FOI PERPRETADA POR INVASORES EM FACE DOS PROPRIETÁRIOS DO TERRENO E DA COLETIVIDADE. NECESSIDADE DE, NO CASO CONCRETO, RESPEITAR O DIREITO DE PROPRIEDADE DOS PROPRIETÁRIOS LESADOS. JUÍZO DEFINITIVO ACERCA DA DISTINÇÃO, NA ESPÉCIE, ENTRE OS CRIMINOSOS (INVASORES) E OS PROPRIETÁRIOS DA PLANTAÇÃO. DÚVIDA QUE RECAI APENAS EM RELAÇÃO À PROPRIEDADE DO TERRENO EM QUE LEVANTADO O PLANTIO DO MOGNO. RECURSO ESPECIAL PARCIALMENTE PROVIDO. 1. Discute-se a possibilidade de doação de 636 toras de mogno apreendidas, na forma do art. 25, 2º, da Lei 9.605/1998, segundo o qual "[v]erificada a infração, serão apreendidos seus produtos e instrumentos, lavrando-se os respectivos autos. [...] Tratando-se de produtos perecíveis ou madeiras, serão estes avaliados e doados a instituições científicas, hospitalares, penais e outras com fins beneficentes". 2. Na espécie, já há certeza acerca de que o a atividade extrativista ilícita foi realizada por invasores, sem qualquer contribuição dos proprietários do terreno sobre o qual foi levantada a plantação. Esta peculiaridade deve ser levada em consideração e é essencial para a compreensão das linhas traçadas a seguir. 3. É imprescindível começar a análise da correta delimitação do art. 25, 2º, da Lei n /98 pelo que determina o art. 79 do mesmo diploma normativo, este dizendo que "[a]plicam-se subsidiariamente a esta Lei as disposições do Código Penal e do Código de Processo Penal". Conclusão neste sentido já era óbvia, considerando que a Lei de Crimes Ambientais traz apenas quatro artigos que versam sobre processo e procedimentos penais (arts. 25, 26, 27 e 28 da Lei n /98). 4. Diz o art. 91 do Código Penal - CP: "[s]ão efeitos da condenação: [...] II - a perda em favor da União, ressalvado o direito do lesado ou de terceiro de boa-fé: [...] b) do produto do crime ou de qualquer bem ou valor que constitua proveito auferido pelo agente com a prática do fato criminoso". 5. Singela leitura do caput do inc. I do art. 91 do CP revela que, via de regra, o produto do crime realmente não pode aproveitar a quem comete o ilícito, colocado a salvo o direito dos lesados e dos terceiros de boa-fé. 6. Na espécie, frise-se, não existe dúvidas de que houve o crime ambiental (extração ilegal de madeira), nem de que os criminosos não são os proprietários da plantação ou do terreno na qual esta foi erguida. Paira incerteza apenas no Documento: Inteiro Teor do Acórdão - Site certificado - DJe: 21/05/2010 Página 1 de 23

2 que tange ao proprietário do imóvel de onde foram retiradas as toras de mogno. 7. Ocorre que, se constatado, como alegam os recorridos, que a madeira foi extraída de sua propriedade por invasores, não é possível entender que deveria haver a doação em favor de entidades, na forma do art. 25, 2º, da Lei n /98, sem que haja resguardo de seu direito de propriedade, constitucionalmente tutelado. 8. A previsão vertida neste artigo deve ser lida em conformidade com os arts. 91 do CP e 118 e ss. do Código de Processo Penal - CPP, ou seja, para que haja a doação, é necessária a observância da ocorrência da infração e também do domínio dos bens apreendidos. 9. É evidente que, se constatado que a propriedade do terrenos é dos recorridos, a realização de conduta ilícita de extração das árvores não tem o condão de reverter pura e simplesmente a propriedade sobre os bens que se agregam ao solo. 10. Em resumo: os recorridos, sem dúvidas, se proprietários do terreno de onde extraídas, podem vir a figurar como os lesados, na forma que dispõe o art. 91 do CP. E, se assim o for, deverão ter seu direito de propriedade salvaguardado - até porque, se respeitam o meio ambiente, exercem a função social da propriedade -, vedada a comercialização, que fica na dependência da autorização expressa do Ibama. 11. Se podem vir a ser lesados, então é preciso instaurar um procedimento de restituição de coisas apreendidas para apurar o domínio e, em seguida, dar a destinação cabível (que, sendo caso de crime ambiental, poderá ser a do art. 25, 2º, da Lei n /98). É justamente para estas hipóteses que os arts. 188 e ss. do CPP existem. Trata-se, na esfera penal, da consolidação do art. 5º, inc. LIV, da Constituição da República vigente ("ninguém será privado da liberdade ou de seus bens sem o devido processo legal"). 12. Nada obstante, é preciso considerar que são três os objetivos principais deste dispositivo: (a) impedir que bens perecíveis, em poder da Administração ou de terceiro por ela designado, venham a se deteriorar ou desaparecer; (b) desonerar o órgão ambiental do encargo de manter, em depósito próprio ou de terceiro, bens de difícil guarda ou conservação; (c) dar destinação social ou ambientalmente útil a bens relacionados à prática de infração administrativa ou penal à Lei n / Por isso, é imperioso achar uma solução harmoniosa entre o direito de propriedade dos recorridos e o art. 25, 2º, da Lei n / Esta conciliação é simples e far-se-á da seguinte forma: (i) a regra é a aplicação do art. 25, 2º, da Lei n /98, independentemente de autorização judicial ; (ii) havendo fundada dúvida sobre a dominialidade dos bens apreendidos e não sendo caso de os proprietários ou terceiros de boa-fé estarem diretamente relacionados com a prática da infração (penal ou administrativa), a alienação deverá ser onerosa, com o depósito dos valores líquidos auferidos (descontadas as despesas de apreensão, transporte, armazenagem e processamento da venda) em conta bancária à disposição do juízo, cuja destinação final (se à União ou a quem ela determinar, se aos proprietários da terra) será aferida após incidente processual cabível ; e (iii) na hipótese de inviabilidade (técnica, de fato ou por ausência de compradores) da alienação onerosa, o órgão ambiental poderá doar, de imediato, os bens apreendidos, conforme disposto no art. 25, 2º, da Lei n /98, garantindo-se Documento: Inteiro Teor do Acórdão - Site certificado - DJe: 21/05/2010 Página 2 de 23

3 aos prejudicados o direito de indenização em face dos criminosos. 15. Recurso especial parcialmente provido para que, na espécie, diante de suas peculiaridades, a origem determine a aplicação das fórmulas (ii) e (iii) logo acima expostas, conforme a hipótese em concreto. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da SEGUNDA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, na conformidade dos votos e das notas taquigráficas, após o voto-vista do Sr. Ministro Herman Benjamin e da retificação do voto do Sr. Ministro Mauro Campbell Marques, por unanimidade, dar parcial provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Eliana Calmon, Castro Meira, Humberto Martins e Herman Benjamin (voto-vista) votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Humberto Martins. Brasília (DF), 09 de março de MINISTRO MAURO CAMPBELL MARQUES, Relator Documento: Inteiro Teor do Acórdão - Site certificado - DJe: 21/05/2010 Página 3 de 23

4 RECURSO ESPECIAL Nº PA (2005/ ) RELATOR RECORRENTE PROCURADORA RECORRIDO ADVOGADO : MINISTRO MAURO CAMPBELL MARQUES : INSTITUTO BRASILEIRO DO MEIO AMBIENTE E DOS RECURSOS NATURAIS RENOVÁVEIS - IBAMA : MARCELA ALBUQUERQUE MACIEL E OUTRO(S) : RAIMUNDO CIRO DE MOURA - ESPÓLIO E OUTRO : OCTÁVIO AVERTANO DE MACEDO BARRETO DA ROCHA RELATÓRIO O EXMO. SR. MINISTRO MAURO CAMPBELL MARQUES (Relator): Trata-se de recurso especial interposto pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis - Ibama contra acórdão assim ementado: PROCESSUAL PENAL. MANDADO DE SEGURANÇA. DOAÇÃO DA MADEIRA APREENDIDA. INDEFINIÇÃO DA SUA PROPRIEDADE. IMPOSSIBILIDADE. 1. Havendo indefinição quanto à real propriedade de madeira (mogno) apreendida nos autos de ação penal se extraída de reserva indígena ou de terras particulares, conforme documentos dos autos, não deve subsistir a decisão judicial que, contra a vontade dos supostos donos, autoriza o IBAMA a doar o produto antes de um juízo conclusivo sobre a matéria, levando os fatos do processo, por via de conseqüência, a um estado de irreversibilidade material. 2. Concessão do mandado de segurança. O recorrente alega ter havido violação ao art. 25, 2º, da Lei n /98. Sustenta que o referido dispositivo lhe permite proceder à doação de madeira apreendida em decorrência de crime ou infração ambiental, independentemente de autorização judicial. recurso. O Ministério Público Federal emitiu parecer em que opina pelo não-provimento do É o relatório. Documento: Inteiro Teor do Acórdão - Site certificado - DJe: 21/05/2010 Página 4 de 23

5 RECURSO ESPECIAL Nº PA (2005/ ) EMENTA AMBIENTAL E CONSTITUCIONAL. APREENSÃO DE TORAS DE MOGNO IRREGULARMENTE EXTRAÍDA POR TERCEIROS. DOAÇÃO PARA INSTITUIÇÕES BENEFICENTES. SUBMISSÃO DA DÚVIDA ACERCA DA PROPRIEDADE AO JUDICIÁRIO. POSSIBILIDADE. INAFASTABILIDADE DO CONTROLE JURISDICIONAL. 1. Trata-se recurso especial interposto pelo Ibama contra acórdão que, com fundamento na controvérsia acerca do domínio da propriedade de que retiradas toras de mogno apreendidas por infração ambiental, considerou impossível a doação da madeira a entidade beneficente (art. 25, 2º, da Lei n /98). 2. Na verdade, a parte recorrente pretende afastar o legítimo exercício do direito dos recorridos de contestar, em juízo, ameaça de lesão a seu direito de propriedade, previsto constitucionalmente nos arts. 5º, incs. XXII e XXXV, da Constituição da República vigente. 3. A controvérsia, portanto, tem muito menos a ver com o art. 25, 2º, da Lei n /98 e muito mais relacionada com direitos subjetivos constitucionais de ver apreciada a dúvida pelo Judiciário (inafastabilidade do controle jurisdicional). 4. Recurso especial não provido. VOTO O EXMO. SR. MINISTRO MAURO CAMPBELL MARQUES (Relator): Penso que não assiste razão ao recorrente. Na verdade, a parte recorrente pretende afastar o legítimo exercício do direito dos recorridos de contestar, em juízo, ameaça de lesão a seu direito de propriedade, previsto constitucionalmente nos arts. 5º, incs. XXII e XXXV, da Constituição da República vigente. A controvérsia, portanto, tem muito menos a ver com o art. 25, 2º, da Lei n /98 e muito mais relacionada com direitos subjetivos constitucionais de ver apreciada a dúvida pelo Judiciário (inafastabilidade do controle jurisdicional). Com essas considerações, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial. Documento: Inteiro Teor do Acórdão - Site certificado - DJe: 21/05/2010 Página 5 de 23

6 CERTIDÃO DE JULGAMENTO SEGUNDA TURMA Número Registro: 2005/ REsp / PA Números Origem: PAUTA: 27/10/2009 JULGADO: 27/10/2009 Relator Exmo. Sr. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES Presidente da Sessão Exmo. Sr. Ministro HUMBERTO MARTINS Subprocurador-Geral da República Exmo. Sr. Dr. EUGÊNIO JOSÉ GUILHERME DE ARAGÃO Secretária Bela. VALÉRIA ALVIM DUSI RECORRENTE PROCURADORA RECORRIDO ADVOGADO AUTUAÇÃO : INSTITUTO BRASILEIRO DO MEIO AMBIENTE E DOS RECURSOS NATURAIS RENOVÁVEIS - IBAMA : MARCELA ALBUQUERQUE MACIEL E OUTRO(S) : RAIMUNDO CIRO DE MOURA - ESPÓLIO E OUTRO : OCTÁVIO AVERTANO DE MACEDO BARRETO DA ROCHA ASSUNTO: DIREITO ADMINISTRATIVO E OUTRAS MATÉRIAS DE DIREITO PÚBLICO - Atos Administrativos - Infração Administrativa - Apreensão CERTIDÃO Certifico que a egrégia SEGUNDA TURMA, ao apreciar o processo em epígrafe na sessão realizada nesta data, proferiu a seguinte decisão: "Após o voto do Sr. Ministro Mauro Campbell Marques, negando provimento ao recurso, pediu vista dos autos, antecipadamente, o Sr. Ministro Herman Benjamin." Aguardam os Srs. Ministros Eliana Calmon, Castro Meira e Humberto Martins. Brasília, 27 de outubro de 2009 VALÉRIA ALVIM DUSI Secretária Documento: Inteiro Teor do Acórdão - Site certificado - DJe: 21/05/2010 Página 6 de 23

7 RECURSO ESPECIAL Nº PA (2005/ ) RELATOR RECORRENTE PROCURADORA RECORRIDO ADVOGADO :MINISTRO MAURO CAMPBELL MARQUES :INSTITUTO BRASILEIRO DO MEIO AMBIENTE E DOS RECURSOS NATURAIS RENOVÁVEIS - IBAMA :MARCELA ALBUQUERQUE MACIEL E OUTRO(S) :RAIMUNDO CIRO DE MOURA - ESPÓLIO E OUTRO :OCTÁVIO AVERTANO DE MACEDO BARRETO DA ROCHA EMENTA MANDADO DE SEGURANÇA. ATO ADMINISTRATIVO. AUTO-EXECUTORIEDADE. CONTROLE DO PODER JUDICIÁRIO SOBRE A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. RECURSO ESPECIAL PARCIALMENTE PROVIDO. 1. O 2º do art. 25 da Lei 9.605/1998 prevê, entre outras medidas, a doação de madeira apreendida em decorrência do cometimento de infração administrativa ou crime ambiental. 2. O Ibama argumenta no sentido da prescindibilidade da autorização judicial para que se cumpra com o disposto no art. 25, 2º, da Lei 9.605/ O caput do art. 25, 2º, da Lei 9.605/1998 pressupõe existência de infração legal. 4. Cabe ao Poder Judiciário o exercício do controle de legalidade sobre atos da Administração Pública. Não se trata, pois, da necessidade ou não de decisão judicial para que se efetive a medida. 5. O dispositivo legal em questão tem três objetivos principais: a) impedir que bens, perecíveis ou não, em poder da Administração ou de terceiro por ela designado, venham a se deteriorar ou desaparecer; b) desonerar o órgão ambiental do encargo de manter, em depósito próprio ou de terceiro, bens de difícil guarda ou conservação; c) dar destinação social ou ambientalmente útil a bens relacionados à prática de infração administrativa ou penal à Lei 9.605/ Nos termos da Lei, o órgão ambiental pode, em regra, optar, a seu critério, entre doar o bem apreendido ou aliená-lo onerosamente. 7. No entanto, havendo fundada dúvida sobre a dominialidade desses bens, a alienação deverá ser onerosa, com o depósito dos valores líquidos auferidos (descontadas as despesas de apreensão, transporte, armazenagem e processamento da venda) em conta bancária à disposição do juízo. 8. Na hipótese de inviabilidade (técnica, de fato ou por ausência de compradores) da alienação onerosa, o órgão ambiental poderá doar, de imediato, os bens, conforme disposto no art. 25, 2º, da Lei 9.605/ Recurso especial parcialmente provido. Documento: Inteiro Teor do Acórdão - Site certificado - DJe: 21/05/2010 Página 7 de 23

8 VOTO-VISTA O EXMO. SR. MINISTRO HERMAN BENJAMIN: Discute-se a possibilidade de doação de 636 toras de mogno apreendidas, na forma do art. 25, 2º, da Lei 9.605/1998, a seguir transcrito: Art. 25. Verificada a infração, serão apreendidos seus produtos e instrumentos, lavrando-se os respectivos autos. (...) 2º Tratando-se de produtos perecíveis ou madeiras, serão estes avaliados e doados a instituições científicas, hospitalares, penais e outras com fins beneficentes. (...) Clainor Scalabrin é acusado de invadir imóvel rural localizado em Altamira/PA e extrair ilegalmente essas toras de mogno. Há denúncia do Ministério Público Estadual e do Ministério Público Federal pelos crimes previstos nos arts. 38 e 46 da Lei 9.605/1998 (destruição ou danificação de floresta e recepção ou aquisição de madeira sem as licenças ambientais) e no art. 155, 4º, I, do CP, c/c o art. 59 da Lei 6.001/1973 (furto qualificado, agravado por ter sido cometido contra os índios). Houve interdito possessório em que se apreendeu o mogno irregularmente extraído, e o Juiz Federal de origem deferiu a doação para entidades beneficentes, na forma do art. 25, 2º, acima transcrito. Ocorre que os recorridos impetraram Mandado de Segurança, afirmando serem os proprietários do imóvel rural de onde as toras foram extraídas, razão pela qual o mogno lhes pertence e, portanto, não poderia ser doado a terceiros. O Tribunal de origem entendeu que há dúvida a respeito da propriedade da madeira, inclusive quanto à possibilidade de ela ter sido extraída de terras indígenas, de modo que impediu a doação, nos seguintes termos (fls , grifei): Pouco importa que, por preceito de lei, possa a madeira apreendida ter destinação mesmo sem ordem judicial. O fato é que tal preceito não opera no caso, pois existe questionamento legítimo em torno de sua propriedade, a depender de oportuna certificação, a partir do fato de ter sido extraída de terras particulares ou de terras dos índios. Documento: Inteiro Teor do Acórdão - Site certificado - DJe: 21/05/2010 Página 8 de 23

9 A questão da competência não deve ser examinada conclusivamente no momento, pois mesmo em face dos reiterados precedentes do STJ e deste TRF/1 dando pela competência da Justiça Estadual nos crimes ambientais, é preciso que antes se saiba se efetivamente a madeira foi ou não extraída de terras indígenas, fato que, se confirmado, poderá manter o processo na Justiça Federal. Quanto à questão da prova da propriedade do material apreendido, que, não existindo, levaria ao insucesso do writ, como alvitra a Procuradoria Regional da República, ela não tem o pretendido relevo, pois não se está discutindo quem é o dono ou não da madeira, e sim se é lícito ao juiz, ainda nos albores do processo, dar-lhe de logo uma destinação irreversível, como se sobre ela tivesse poder de disposição, carecendo o tema ainda de certificação, ao que, com a devida vênia, estou a responder negativamente. Em face do exposto, e confirmando os termos da decisão liminar de fl. 267, concedo a segurança, para, sustando a eficácia da decisão fustigada, determinar que a madeira permaneça em depósito, à disposição do Juízo, até que haja uma definição a respeito da questão: se foi retirada de terra indígena ou de terras particulares. O Ibama aponta ofensa ao art. 25, 2º, da Lei 9.605/1998, que "prevê expressamente a possibilidade de doação da madeira apreendida, eis que constitui produto perecível" (fl. 343). O eminente Ministro Mauro Campbell (relator) manteve o acórdão recorrido. Segundo Sua Excelência, cabe ao Judiciário apreciar o disposto no art. 25, 2º, da Lei 9.605/1998, e, no caso em análise, há incerteza quanto à ocorrência de crime ambiental, o que impede a doação pretendida. Passo ao meu voto-vista. 1. As peculiaridades do caso concreto Como relatado, o Tribunal de origem entendeu haver dúvida quanto à área em que foi extraído o mogno: se é particular (pertencente aos recorridos) ou se é terra indígena. Por essa razão, determinou "que a madeira permaneça em depósito, à disposição do Juízo, até que haja uma definição a respeito da questão: se foi retirada de terra indígena ou de terras particulares" (fl. 332). Ocorre, entretanto, que, na hipótese dos autos, aparentemente esse aspecto seria irrelevante para o deslinde da demanda, pela peculiariade de se tratar de Documento: Inteiro Teor do Acórdão - Site certificado - DJe: 21/05/2010 Página 9 de 23

10 mogno, madeira considerada em extinção e por isso de exploração rigidamente controlada. Seja a terra particular, seja indígena, o fato é que a extração do mogno foi irregular, e não há controvérsia a respeito. Dito de outra forma, nem o invasor (CLAINOR SCALABRIN), nem os supostos proprietários (recorridos), nem os índios poderiam ter extraído, legalmente, as 636 toras de mogno, pois é indiscutível que houve desmatamento sem Plano de Manejo. 2. O mogno Por se tratar de espécie ameaçada de extinção, assim declarada nos termos da lei, sua exploração dependeria de autorizações específicas do IBAMA, consoante a Convenção sobre Comércio Internacional das Espécies da Flora e Fauna Selvagens em Perigo de Extinção - CITES, firmada em Washington, em 3 de março de 1973, aprovada pelo Decreto Legislativo 54/1975, promulgada pelo Decreto /1975 e regulada pelo Decreto 3.607/2000. Tampouco foram observadas as normas internas que regulam a matéria: Decreto 6.472/2008, que proíbe a supressão (corte raso) do mogno, autorizando somente a exploração mediante manejo; Resolução Conama 378/2006, segundo a qual os Planos de Manejo relativos a espécimes do anexo II da CITES (mogno inclusive) somente podem ser autorizados pelo IBAMA; e Instrução Normativa 7/2003 do IBAMA, que estabelece os procedimentos para aprovação do Plano de Manejo relativo ao mogno. 3. Dúvida sobre a propriedade do imóvel e certeza sobre a ilegalidade do corte do mogno Documento: Inteiro Teor do Acórdão - Site certificado - DJe: 21/05/2010 Página 10 de 23

11 Reitero que a dúvida existe apenas quanto à propriedade do imóvel, sendo incontroverso que a madeira foi extraída clandestinamente por invasores (segundo o MPE e o MPF, o corte teria sido realizado por CLAINOR SCALABRIN, acusado de crimes ambientais e de furto contra indígenas). Os recorridos alegam que a madeira lhes pertence simplesmente porque seriam os proprietários da área de onde as toras foram retiradas. Não indicam, contudo, que a madeira foi extraída legal e regularmente. De fato, os recorridos afirmam peremptoriamente que as toras de mogno são produto de crime ambiental, conforme o seguinte trecho de sua petição inicial (fls. 4-5): Por essa denúncia, verifica-se que o infrator teve apreendido entre os instrumentos do crime 04 (quatro caminhões, 03 (três) tratores, 01 (uma) pá carregadeira, assim como 636 toras de mogno, todas retiradas ilegalmente das terras dos impetrantes e não, como equivocadamente se refere a denúncia, de terras indígenas Xipaía e Curuaía (...). Houve, portanto, crime e infração administrativa ambientais, ainda que se debata acerca da autoria, de modo que as 636 toras de mogno apreendidas são, indubitavelmente, resultado do ilícito, o que permitiria, em tese, sua doação, nos termos do art. 25, 2º, da Lei 9.605/1998: rt. 25. Verificada a infração, serão apreendidos seus produtos e instrumentos, lavrando-se os respectivos autos. (...) 2º Tratando-se de produtos perecíveis ou madeiras, serão estes avaliados e doados a instituições científicas, hospitalares, penais e outras com fins beneficentes. (...) 4. A doutrina Vladimir e Gilberto Passos de Freitas, dois dos co-autores da Lei dos Documento: Inteiro Teor do Acórdão - Site certificado - DJe: 21/05/2010 Página 11 de 23

12 Crimes contra o Meio Ambiente e consagrados juristas, ao tratarem especificamente da fauna silvestre, dão valiosa lição quanto à impossibilidade de restituição de espécimes apreendidos, por serem os animais considerados bem público: Assim, os espécimes de fauna silvestre, bem como os seus ninhos, abrigos e criadouros naturais, em hipótese alguma poderão ser restituídos ao agente. Por uma razão muito simples: é que eles pertencem à União Federal, conforme o art. 1º da Lei 5.197, e não ao acusado. (Vladimir e Gilberto Passos de Freitas, Crimes contra a Naturez a, 7ª ed., São Paulo, Revista dos Tribunais, 2001, p. 277). De forma semelhante, quer me parecer que mogno irregularmente extraído, público ou privado, pertence à coletividade por força da ilicitude da conduta, tal qual sucede com os instrumentos de crime e o proveito auferido pelo agente também públicos ou privados, pouco importa, nos termos do art. 91, II, do Código Penal e dos arts. 6º, II, e 120, 5º, do Código de Processo Penal. Embora as árvores acompanhem a dominialidade da terra em que se encontrem, assim seria como decorrência da natureza extra commercium do mogno ilegalmente extraído. Nicolao e Flávio Dino, e Ney de Barros Bello Filho, ao comentarem o art. 25 da Lei 9.605/1998, ratificam que essa alienação dos bens, no caso específico dos ilícitos ambientais, não está condicionada necessariamente à condenação do agente: As regras em foco [art. 25 da Lei 9.605/1998] dirigem-se tanto às autoridades policiais e judiciais, quanto às encarregadas da repressão às agressões ao meio ambiente na órbita puramente administrativa. Disposições similares já constavam da Lei nº 4.771/65 (art. 35), da Lei nº 5.197/67 (art. 33, caput e parágrafo único) e do DL nº 221/67 (art. 56). De todo modo, a apreensão pela autoridade policial dos produtos e instrumentos relacionados com o fato delituoso já seria imposta pelo art. 6º, incido II, do CPP. Neste caso, a adoção de qualquer das providências enunciadas nos parágrafos dependerá de autorização judicial. Apesar de o art. 91 do Código penal dispor que a perda dos produtos e dos instrumentos do crime é efeito da condenação, é recomendável que o ministério público e o juiz sobretudo diante da especificidade dos produtos que são apreendidos em decorrência de crimes ambientais busquem caminhos que impeçam a deterioração irreparável dos bens em questão. Tais providências têm amparo no art. 120, 5º, do CPP. Ademais, esta diretriz Documento: Inteiro Teor do Acórdão - Site certificado - DJe: 21/05/2010 Página 12 de 23

13 consta da Lei nº 9.804/99, que permite a imediata prática de atos de disposição dos bens apreendidos em decorrência do tráfico de entorpecentes, caso haja risco de perda de valor econômico pelo decurso do tempo (nova redação dada ao art. 34, 8 o, da Lei nº 6.368/76). (Flávio Dino de Castro e Costa, Nicolao Dino de Castro e Costa Neto e Ney de Barros Bello Filho, Crimes e Infrações Administrativas Ambientais Comentários à Lei 9.605/98. Brasília: Brasília Jurídica, 2ª ed., 2001, pp ). Se nem mesmo o legítimo proprietário que pretendesse extrair o mogno de sua propriedade poderia fazê-lo nas condições em que ocorreu na hipótese dos autos, parece-me evidente que a discussão do domínio da terra em que se encontravam as árvores é indiferente à correta aplicação do art. 25, 2º, da Lei dos Crimes contra o Meio Ambiente. No máximo, caberá indenização aos donos do imóvel ou aos índios (a depender da titularidade da terra) pela turbação, a ser paga pelos invasores, mas não a livre disponibilidade de uso e futura comercialização das toras irregularmente extraídas. 5. Cautelas e tratamento diferenciado em decorrência das peculiaridades do caso concreto Não obstante as considerações acima feitas, noto que o presente caso tem determinadas peculiaridades que sugerem o controle jurisdicional sobre essa doação, com a fiscalização do Ministério Público, como muito bem indicado pelo eminente Relator, em seu judicioso voto. A teleologia do art. 25, 5º, da Lei 9.605/1998 visa, entre outras coisas, a beneficiar a coletividade, que é a vítima da infração ambiental In casu, as toras extraídas, resultado da infração à legislação ambiental, foram apreendidas por determinação judicial, no bojo de interdito possessório, conforme antes relatado. Não se tratou de simples procedimento administrativo do Ibama, que poderia indicar a possibilidade de doação direta, sem intervenção do Judiciário. Documento: Inteiro Teor do Acórdão - Site certificado - DJe: 21/05/2010 Página 13 de 23

14 Por essas características do caso em análise, é imprescindível que a doação seja homologada judicialmente, sob a fiscalização, repito, do Ministério Público, como, aliás, o juiz de origem havia determinado (fl. 193). 6. Solução exegética derivada do debate em sessão Na sessão do dia defendi o entendimento acima exposto. O eminente Ministro Mauro Campbell, com o brilhantismo de sempre, fez, em seguida, interessantes e pertinentes ponderações acerca do risco de doar imediatamente as toras de mogno, em face das peculiaridades que envolvem a demanda sob análise, especialmente no que se refere à dúvida dominial e à natureza dos bens apreendidos. A partir dessas considerações e dos frutíferos debates que se seguiram, reformulei a orientação e a conclusão de meu voto-vista, sobretudo por entender válidos e pertinentes os argumentos do eminente Relator. O art. 25, 2º, da Lei 9.605/1998 apresenta três objetivos principais: a) impedir que bens, perecíveis ou não, em poder da Administração ou de terceiro por ela designado, venham a se deteriorar ou desaparecer; b) desonerar o órgão ambiental do encargo de manter, em depósito próprio ou de terceiro, bens de difícil guarda ou conservação; c) dar destinação social ou ambientalmente útil a bens relacionados à prática de infração administrativa ou penal à Lei 9.605/1998. Nos termos da Lei, o órgão ambiental pode, em regra, optar, a seu critério, entre doar o bem apreendido ou aliená-lo onerosamente. No entanto, havendo fundada dúvida sobre a dominialidade desses bens, a alienação deverá ser onerosa, com o depósito dos valores líquidos auferidos (descontadas as despesas de apreensão, transporte, armazenagem e processamento da venda) em conta bancária à disposição do juízo. Na hipótese de inviabilidade (técnica, de fato ou por ausência de compradores) da alienação onerosa, o órgão ambiental poderá doar, de imediato, os bens, conforme disposto no art. 25, 2º, da Lei 9.605/1998. Documento: Inteiro Teor do Acórdão - Site certificado - DJe: 21/05/2010 Página 14 de 23

15 A solução proposta, se por um lado se sensibiliza com a insegurança jurídica sobre o domínio, também evita grave distorção na aplicação da legislação ambiental, consistente na circunstância de o proprietário rural inescrupuloso alegar que a madeira foi extraída clandestinamente por terceiro para, em suscitando seu domínio, lucrar com o objeto do crime ou posteriormente pretender responsabilizar os órgãos ambientais pela deterioração ou perecimento dos bens apreendidos. A ninguém deve beneficiar o ilícito ambiental. 7. Recomendação 30 do Conselho Nacional de Justiça Interessante ressaltar que a providência indicada na solução apresentada atende à recente Recomendação 30 do Conselho Nacional de Justiça, de 10 de fevereiro de 2010, "alienação antecipada da coisa ou bem apreendido para preservar-lhe o valor". 8. Conclusão Reitero que o acórdão recorrido indeferiu, simplesmente, a alienação e determinou que as toras ficassem depositadas até se dirimir a dúvida quanto ao domínio da terra em que ocorreu o dano ambiental. Volto a transcrever trecho do acórdão recorrido (fl. 332): Em face do exposto, e confirmando os termos da decisão liminar de fl. 267, concedo a segurança, para, sustando a eficácia da decisão fustigada, determinar que a madeira permaneça em depósito, à disposição do Juízo, até que haja uma definição a respeito da questão: se foi retirada de terra indígena ou de terras particulares. O Ibama, por sua vez, pede reconhecimento da possibilidade de doação, incondicionalmente (fl. 351). Assim, o Recurso Especial deve ser apenas parcialmente provido, para que o mogno apreendido seja alienado onerosamente pelo órgão ambiental, por si ou Documento: Inteiro Teor do Acórdão - Site certificado - DJe: 21/05/2010 Página 15 de 23

16 por meio de outra entidade da Administração Pública Federal, e os recursos líquidos auferidos sejam depositados em conta bancária à disposição do juízo, abatidas as despesas normais comprovadamente incorridas na apreensão, transporte, armazenagem e venda. Caso a alienação judicial mostre-se inviável, de fato, por questões técnicas ou por ausência de compradores, o Ibama poderá realizar a doação, na forma do art. 25, 2º, da Lei 9.605/1998, após aferição judicial das razões apresentadas e sob fiscalização do Ministério Público. Com essas considerações, dou parcial provimento ao Recurso Especial. É como voto. Documento: Inteiro Teor do Acórdão - Site certificado - DJe: 21/05/2010 Página 16 de 23

17 RECURSO ESPECIAL Nº PA (2005/ ) RETIFICAÇÃO DE VOTO RELATÓRIO O EXMO. SR. MINISTRO MAURO CAMPBELL MARQUES (Relator): Trata-se de recurso especial interposto pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis - Ibama contra acórdão assim ementado: PROCESSUAL PENAL. MANDADO DE SEGURANÇA. DOAÇÃO DA MADEIRA APREENDIDA. INDEFINIÇÃO DA SUA PROPRIEDADE. IMPOSSIBILIDADE. 1. Havendo indefinição quanto à real propriedade de madeira (mogno) apreendida nos autos de ação penal se extraída de reserva indígena ou de terras particulares, conforme documentos dos autos, não deve subsistir a decisão judicial que, contra a vontade dos supostos donos, autoriza o IBAMA a doar o produto antes de um juízo conclusivo sobre a matéria, levando os fatos do processo, por via de conseqüência, a um estado de irreversibilidade material. 2. Concessão do mandado de segurança. O recorrente alega ter havido violação ao art. 25, 2º, da Lei n /98. Sustenta que o referido dispositivo lhe permite proceder à doação de madeira apreendida em decorrência de crime ou infração ambiental, independentemente de autorização judicial. recurso. O Ministério Público Federal emitiu parecer em que opina pelo não-provimento do É o relatório. Documento: Inteiro Teor do Acórdão - Site certificado - DJe: 21/05/2010 Página 17 de 23

18 RECURSO ESPECIAL Nº PA (2005/ ) EMENTA AMBIENTAL. ART. 25, 2º, DA LEI N /98. PECULIARIDADES DO CASO CONCRETO. DOAÇÃO DO PRODUTO DO CRIME (TORAS DE MOGNO). CERTEZA DE QUE A ATIVIDADE ILÍCITA FOI PERPRETADA POR INVASORES EM FACE DOS PROPRIETÁRIOS DO TERRENO E DA COLETIVIDADE. NECESSIDADE DE, NO CASO CONCRETO, RESPEITAR O DIREITO DE PROPRIEDADE DOS PROPRIETÁRIOS LESADOS. JUÍZO DEFINITIVO ACERCA DA DISTINÇÃO, NA ESPÉCIE, ENTRE OS CRIMINOSOS (INVASORES) E OS PROPRIETÁRIOS DA PLANTAÇÃO. DÚVIDA QUE RECAI APENAS EM RELAÇÃO À PROPRIEDADE DO TERRENO EM QUE LEVANTADO O PLANTIO DO MOGNO. RECURSO ESPECIAL PARCIALMENTE PROVIDO. 1. Discute-se a possibilidade de doação de 636 toras de mogno apreendidas, na forma do art. 25, 2º, da Lei 9.605/1998, segundo o qual "[v]erificada a infração, serão apreendidos seus produtos e instrumentos, lavrando-se os respectivos autos. [...] Tratando-se de produtos perecíveis ou madeiras, serão estes avaliados e doados a instituições científicas, hospitalares, penais e outras com fins beneficentes". 2. Na espécie, já há certeza acerca de que o a atividade extrativista ilícita foi realizada por invasores, sem qualquer contribuição dos proprietários do terreno sobre o qual foi levantada a plantação. Esta peculiaridade deve ser levada em consideração e é essencial para a compreensão das linhas traçadas a seguir. 3. É imprescindível começar a análise da correta delimitação do art. 25, 2º, da Lei n /98 pelo que determina o art. 79 do mesmo diploma normativo, este dizendo que "[a]plicam-se subsidiariamente a esta Lei as disposições do Código Penal e do Código de Processo Penal". Conclusão neste sentido já era óbvia, considerando que a Lei de Crimes Ambientais traz apenas quatro artigos que versam sobre processo e procedimentos penais (arts. 25, 26, 27 e 28 da Lei n /98). 4. Diz o art. 91 do Código Penal - CP: "[s]ão efeitos da condenação: [...] II - a perda em favor da União, ressalvado o direito do lesado ou de terceiro de boa-fé: [...] b) do produto do crime ou de qualquer bem ou valor que constitua proveito auferido pelo agente com a prática do fato criminoso". 5. Singela leitura do caput do inc. I do art. 91 do CP revela que, via de regra, o produto do crime realmente não pode aproveitar a quem comete o ilícito, colocado a salvo o direito dos lesados e dos terceiros de boa-fé. 6. Na espécie, frise-se, não existe dúvidas de que houve o crime ambiental (extração ilegal de madeira), nem de que os criminosos não são os proprietários da plantação ou do terreno na qual esta foi erguida. Paira incerteza apenas no que tange ao proprietário do imóvel de onde foram retiradas as toras de mogno. 7. Ocorre que, se constatado, como alegam os recorridos, que a madeira foi extraída de sua propriedade por invasores, não é possível entender que deveria haver a doação em favor de entidades, na forma do art. 25, 2º, da Lei n /98, sem que haja resguardo de seu direito de propriedade, constitucionalmente tutelado. 8. A previsão vertida neste artigo deve ser lida em conformidade com os arts. 91 Documento: Inteiro Teor do Acórdão - Site certificado - DJe: 21/05/2010 Página 18 de 23

19 do CP e 118 e ss. do Código de Processo Penal - CPP, ou seja, para que haja a doação, é necessária a observância da ocorrência da infração e também do domínio dos bens apreendidos. 9. É evidente que, se constatado que a propriedade do terrenos é dos recorridos, a realização de conduta ilícita de extração das árvores não tem o condão de reverter pura e simplesmente a propriedade sobre os bens que se agregam ao solo. 10. Em resumo: os recorridos, sem dúvidas, se proprietários do terreno de onde extraídas, podem vir a figurar como os lesados, na forma que dispõe o art. 91 do CP. E, se assim o for, deverão ter seu direito de propriedade salvaguardado - até porque, se respeitam o meio ambiente, exercem a função social da propriedade -, vedada a comercialização, que fica na dependência da autorização expressa do Ibama. 11. Se podem vir a ser lesados, então é preciso instaurar um procedimento de restituição de coisas apreendidas para apurar o domínio e, em seguida, dar a destinação cabível (que, sendo caso de crime ambiental, poderá ser a do art. 25, 2º, da Lei n /98). É justamente para estas hipóteses que os arts. 188 e ss. do CPP existem. Trata-se, na esfera penal, da consolidação do art. 5º, inc. LIV, da Constituição da República vigente ("ninguém será privado da liberdade ou de seus bens sem o devido processo legal"). 12. Nada obstante, é preciso considerar que são três os objetivos principais deste dispositivo: (a) impedir que bens perecíveis, em poder da Administração ou de terceiro por ela designado, venham a se deteriorar ou desaparecer; (b) desonerar o órgão ambiental do encargo de manter, em depósito próprio ou de terceiro, bens de difícil guarda ou conservação; (c) dar destinação social ou ambientalmente útil a bens relacionados à prática de infração administrativa ou penal à Lei n / Por isso, é imperioso achar uma solução harmoniosa entre o direito de propriedade dos recorridos e o art. 25, 2º, da Lei n / Esta conciliação é simples e far-se-á da seguinte forma: (i) a regra é a aplicação do art. 25, 2º, da Lei n /98, independentemente de autorização judicial ; (ii) havendo fundada dúvida sobre a dominialidade dos bens apreendidos e não sendo caso de os proprietários ou terceiros de boa-fé estarem diretamente relacionados com a prática da infração (penal ou administrativa), a alienação deverá ser onerosa, com o depósito dos valores líquidos auferidos (descontadas as despesas de apreensão, transporte, armazenagem e processamento da venda) em conta bancária à disposição do juízo, cuja destinação final (se à União ou a quem ela determinar, se aos proprietários da terra) será aferida após incidente processual cabível ; e (iii) na hipótese de inviabilidade (técnica, de fato ou por ausência de compradores) da alienação onerosa, o órgão ambiental poderá doar, de imediato, os bens apreendidos, conforme disposto no art. 25, 2º, da Lei n /98, garantindo-se aos prejudicados o direito de indenização em face dos criminosos. 15. Recurso especial parcialmente provido para que, na espécie, diante de suas peculiaridades, a origem determine a aplicação das fórmulas (ii) e (iii) logo acima expostas, conforme a hipótese em concreto. VOTO Documento: Inteiro Teor do Acórdão - Site certificado - DJe: 21/05/2010 Página 19 de 23

20 O EXMO. SR. MINISTRO MAURO CAMPBELL MARQUES (Relator): Penso ser imprescindível começar a análise das teses acima expostas pelo que determina o art. 79 da Lei n /98, segundo o qual "[a]plicam-se subsidiariamente a esta Lei as disposições do Código Penal e do Código de Processo Penal". Conclusão neste sentido já era óbvia, considerando que a Lei de Crimes Ambientais traz apenas quatro artigos que versam sobre processo e procedimentos penais (arts. 25, 26, 27 e 28 da Lei n /98). Pois bem. Diz o art. 91 do Código Penal - CP: São efeitos da condenação: [...] II - a perda em favor da União, ressalvado o direito do lesado ou de terceiro de boa-fé: [...] b) do produto do crime ou de qualquer bem ou valor que constitua proveito auferido pelo agente com a prática do fato criminoso. Singela leitura do caput do inc. I do art. 91 do CP revela que, via de regra, o produto do crime realmente não pode aproveitar a quem comete o ilícito, colocado a salvo o direito dos lesados e dos terceiros de boa-fé. Na espécie, não existe dúvidas de que houve o crime ambiental (extração ilegal de madeira), pairando incerteza apenas no que tange ao proprietário do imóvel de onde foram retiradas as toras de mogno. Ocorre que, se constatado, como alegam os recorridos, que a madeira foi extraída de sua propriedade por invasores, não é possível entender que deveria haver a doação em favor de entidades, na forma do art. 25, 2º, da Lei n /98, sem que haja resguardo de seu direito de propriedade, constitucionalmente tutelado. A previsão vertida neste artigo deve ser lida em conformidade com os arts. 91 do CP e 118 e ss. do Código de Processo Penal - CPP, ou seja, para que haja a doação, é necessária a observância da certeza da ocorrência da infração e também do domínio dos bens apreendidos. É evidente que, se constatado que a propriedade do terrenos é dos recorridos, a realização de conduta ilícita de extração das árvores não tem o condão de reverter pura e simplesmente a propriedade sobre os bens que se agregam ao solo. Documento: Inteiro Teor do Acórdão - Site certificado - DJe: 21/05/2010 Página 20 de 23

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