ENADE COMENTADO 2008 BIOLOGIA

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2 ENADE COMENTADO 2008 BIOLOGIA

3 Chanceler Dom Dadeus Grings Reitor Joaquim Clotet Vice-Reitor Evilázio Teixeira Conselho Editorial Ana Maria Lisboa de Mello Bettina Steren dos Santos Eduardo Campos Pellanda Elaine Turk Faria Érico João Hammes Gilberto Keller de Andrade Helenita Rosa Franco Ir. Armando Bortolini Jane Rita Caetano da Silveira Jorge Luis Nicolas Audy Presidente Jurandir Malerba Lauro Kopper Filho Luciano Klöckner Marília Costa Morosini Nuncia Maria S. de Constantino Renato Tetelbom Stein Ruth Maria Chittó Gauer EDIPUCRS Jerônimo Carlos Santos Braga Diretor Jorge Campos da Costa Editor-Chefe

4 Cláudia Leães Dornelles Fernanda Bordignon Nunes Laura Roberta Pinto Utz (Organizadores) ENADE COMENTADO 2008 BIOLOGIA Porto Alegre 2011

5 EDIPUCRS, 2011 CAPA Rodrigo Valls REVISÃO TEXTUAL Patrícia Aragão EDITORAÇÃO ELETRÔNICA Gabriela Viale Pereira Edição revisada segundo o novo Acordo Ortográfico. Questões retiradas da prova do ENADE 2008 da Biologia. EDIPUCRS Editora Universitária da PUCRS Av. Ipiranga, 6681 Prédio 33 Caixa Postal 1429 CEP Porto Alegre RS Brasil Fone/fax: (51) Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) E56 ENADE comentado 2008 : biologia [recurso eletrônico] / organizadores Claúdia Leães Dornelles, Fernanda Bordignon Nunes, Laura Roberta Pinto Utz. Dados eletrônicos. Porto Alegre : EDIPUCRS, p. ISBN Sistema requerido: Adobe Acrobat Reader Modo de Acesso: <http://www.pucrs.br/edipucrs/> 1. Ensino Superior Brasil Avaliação. 2. Exame Nacional de Desempenho de Estudantes. 3. Biologia Ensino Superior. I. Dornelles, Claúdia Leães. II. Nunes, Fernanda Bordignon. III. Utz, Laura Roberta Pinto. CDD Ficha Catalográfica elaborada pelo Setor de Tratamento da Informação da BC-PUCRS. TODOS OS DIREITOS RESERVADOS. Proibida a reprodução total ou parcial, por qualquer meio ou processo, especialmente por sistemas gráficos, microfílmicos, fotográficos, reprográficos, fonográficos, videográficos. Vedada a memorização e/ou a recuperação total ou parcial, bem como a inclusão de qualquer parte desta obra em qualquer sistema de processamento de dados. Essas proibições aplicam-se também às características gráficas da obra e à sua editoração. A violação dos direitos autorais é punível como crime (art. 184 e parágrafos, do Código Penal), com pena de prisão e multa, conjuntamente com busca e apreensão e indenizações diversas (arts. 101 a 110 da Lei 9.610, de , Lei dos direitos Autorais).

6 SUMÁRIO APRESENTAÇÃO... 8 Carlos Alexandre S. Ferreira, Guendalina Turcato Oliveira, Eliane Romanato Santarém, Cláudia Leães Dornelles, Fernanda Bordignon Nunes e Laura Roberta Pinto Utz COMPONENTE ESPECÍFICO NÚCLEO COMUM QUESTÃO Tabajara Kruger Moreira QUESTÃO Júlio César Bicca-Marques QUESTÃO Nelson Ferreira Fontoura QUESTÃO Eduardo Eizirik QUESTÃO Léder Xavier QUESTÃO Nelson Ferreira Fontoura QUESTÃO Ana Cristina Aramburu QUESTÃO Tabajara Kruger Moreira QUESTÃO Cláudia Leães Dornelles QUESTÃO Cláudia Leães Dornelles QUESTÃO Luis Augusto Basso e Rosane Souza da Silva QUESTÃO Eduardo Eizirik QUESTÃO Maurício Bogo QUESTÃO Leandro Vieira Astarita e Eliane Romanato Santarem QUESTÃO Clarice Sampaio Alho QUESTÃO Sandro L. Bonatto

7 QUESTÃO Clarice Sampaio Alho QUESTÃO Eduardo Eizirik QUESTÃO Maria-Rotraut Conter QUESTÃO 30 - DISCURSIVA Eduardo Eizirik COMPONENTE ESPECÍFICO BACHARELADO QUESTÃO Gervásio Silva Carvalho e Júlio César Bicca-Marques QUESTÃO Júlio César Bicca-Marques QUESTÃO Leandro Vieira Astarita e Eliane Romanato Santarem QUESTÃO Guendalina Turcato Oliveira QUESTÃO Maurício Bogo QUESTÃO Moisés Evandro Bauer QUESTÃO Beatriz Menegotto QUESTÃO Carlos Alexandre S. Ferreira e Carlos Graef Teixeira QUESTÃO 39 DISCURSIVA Sandro L. Bonatto QUESTÃO 40 DISCURSIVA Monica Vianna COMPONENTE ESPECÍFICO LICENCIATURA QUESTÃO Guendalina Turcato Oliveira e Regina Maria Rabello Borges QUESTÃO Tabajara Kruger Moreira QUESTÃO Eva Regina Carrazoni Chagas QUESTÃO Eva Regina Carrazoni Chagas

8 QUESTÃO Rosane Souza da Silva QUESTÃO Walter Filgueira de Azevedo Junior QUESTÃO Regina Maria Rabello Borges QUESTÃO Regina Maria Rabello Borges QUESTÃO 49 DISCURSIVA Júlio César Bicca-Marques QUESTÃO Tabajara Kruger Moreira LISTA DE CONTRIBUINTES... 99

9 APRESENTAÇÃO O ENADE Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes que substituiu, desde 2004, o Exame Nacional de Cursos integra o Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior (SINAES), instituído pela Lei , sendo, portanto, componente curricular obrigatório. Tal exame avalia o desempenho dos estudantes em relação ao conteúdo programático previsto nas diretrizes curriculares do seu curso de graduação, ao desenvolvimento de habilidades e de competências necessárias à formação profissional, além de conhecimentos gerais. Assim, esse instrumento tem um papel importante no aprimoramento da qualidade e no desenvolvimento de competências para as instituições de ensino superior no Brasil, funcionando também como uma ferramenta para o processo de construção do conhecimento para o aluno e futuro profissional. Nesse sentido, a Faculdade de Biociências convidou seu corpo docente a elaborar este documento que contempla as questões do componente específico da prova de Biologia do ENADE 2008, sendo estas acompanhadas dos comentários redigidos por seus professores. No curso de Ciências Biológicas da PUCRS há um esforço conjunto para que o currículo, em sua concepção ampla que envolve todas as atividades e oportunidades vividas em educação, contemple a variedade de experiências do saber, do ser, do fazer e do conviver. Dentro deste contexto nosso objetivo é que este material possa servir de apoio não apenas àqueles alunos que se preparam para concluir seu curso de graduação, mas a todos que buscam na sua prática diária recursos atualizados e de qualidade para o ensino e a aplicação das Ciências Biológicas. Agradecemos a todos que colaboraram na construção e na redação deste documento. Direção da FABIO e Comissão Organizadora do ENADE Comentado Carlos Alexandre S. Ferreira Guendalina Turcato Oliveira Eliane Romanato Santarém Cláudia Leães Dornelles Fernanda Bordignon Nunes Laura Roberta Pinto Utz 8 Cláudia Dornelles, Fernanda Nunes, Laura Utz (Orgs.)

10 COMPONENTE ESPECÍFICO NÚCLEO COMUM

11 QUESTÃO 11 A Lei nº 6.684/1979 regulamenta as profissões de Biólogo e Biomédico e em seu capítulo estabelece o seguinte. Art. 1. O exercício da profissão de Biólogo é privativo dos portadores de diploma: I devidamente registrado, de bacharel ou licenciado em curso de História Natural, ou de Ciências Biológicas, em todas as suas especialidades, ou licenciado em Ciências, com habilitação em Biologia, expedido por instituição brasileira oficialmente reconhecida; II expedido por instituições estrangeiras de ensino superior, regularizado na forma da lei, cujos cursos forem considerados equivalentes aos mencionados no inciso I. Art. 2. Sem prejuízo do exercício das mesmas atividades por outros profissionais igualmente habilitados na forma da legislação específica, o Biólogo poderá: I formular e elaborar estudo, projeto ou pesquisa científica básica e aplicada, nos vários setores da Biologia ou a ela ligados, bem como os que se relacionem a preservação, saneamento e melhoria do meio ambiente, executando direta ou indiretamente as atividades resultantes desses trabalhos; II orientar, dirigir, assessorar e prestar consultoria a empresas, fundações, sociedades e associações de classe, entidades autárquicas, privadas ou do poder público, no âmbito de sua especialidade; III realizar perícias, emitir e assinar laudos técnicos e pareceres de acordo com o currículo efetivamente realizado. Antônio foi morar no exterior e, aproveitando uma oportunidade, matriculou-se em uma universidade estrangeira. Depois de 5 anos, voltou ao Brasil na condição de portador de diploma de licenciatura em História Natural emitido por essa universidade. Recebeu, então, oferta de trabalho em empresa que desenvolve projeto cujos objetivos são implantar infraestrutura de saneamento básico em área urbana, recuperar áreas degradadas e definir áreas adequadas para conservação e preservação da biodiversidade, e que conta com equipe multidisciplinar que inclui engenheiros agrônomos, engenheiros florestais e profissionais da saúde. Acerca da situação hipotética descrita, e com base no disposto na Lei n.o 6.684/1979, é correto afirmar que Antônio 10 Cláudia Dornelles, Fernanda Nunes, Laura Utz (Orgs.)

12 (A) (B) deve validar o diploma que trouxe da universidade estrangeira, comprovando que os cursos que fez são equivalentes aos de universidades brasileiras, antes de atuar na empresa. não poderia atuar nas atividades da empresa, pois, por ser licenciado, deve restringir suas atividades como biólogo a ministrar aulas de ciências físicas e biológicas para alunos do ensino fundamental. (C) estaria impedido de elaborar projeto dirigido à criação de área de preservação da biodiversidade, pois a equipe da empresa conta com engenheiros florestais. (D) poderia atuar como consultor, mas estaria impedido de assumir cargos de direção da empresa, pois sua formação inicial foi História Natural. (E) poderia exercer, no projeto, atividades específicas de profissionais da saúde, como as de médico, desde que tivesse em seu currículo disciplinas próprias da Medicina. Autor: Tabajara Kruger Moreira Tipo de questão: escolha simples Conteúdo avaliado: Legislação Alternativa correta: A Comentário: Lei nº 6.684/1979 Regulamenta as profissões de Biólogo e Biomédico Art. 1º - Exercício da profissão de Biólogo é privativo dos portadores de diploma: I - Bacharel ou Licenciado por instituições brasileiras oficialmente reconhecidas. II- Diplomas expedidos por instituições estrangeiras devem que ser regularizados na forma de Lei (cursos equivalentes aos mencionados no inciso I). Tem que ser VALIDADO. Referências Bibliográficas LEI N º 6.684, de 3 de setembro de ENADE Comentado 2008: Biologia 11

13 QUESTÃO 12 Bioma é uma área do espaço geográfico, com dimensões de até mais de um milhão de quilômetros quadrados, que tem por característica a uniformidade de determinado macroclima definido, de determinada fitofisionomia ou formação vegetal, de determinada fauna e outros organismos vivos associados, e de outras condições ambientais, como altitude, solo, alagamentos, fogo e salinidade. Essas características lhe conferem estrutura e funcionalidade peculiares e ecologia própria. O bioma é um tipo de ambiente bem mais uniforme em suas características gerais, em seus processos ecológicos, enquanto o domínio é muito mais heterogêneo. Bioma e domínio não são, pois, sinônimos. COUTINHO, L. M. O conceito de bioma. In: Acta Botânica Brasilica, v. 20, 2006, p (com adaptações). Acerca dos temas tratados no texto acima, assinale a opção correta. (A) (B) Os manguezais constituem um tipo de domínio de floresta tropical pluvial, paludosa, composto por um mosaico de biomas. As savanas constituem um único bioma, no qual devem ser incluídas as áreas de vegetação xeromorfa, com estacionalidade climática marcante. (C) Aspectos abióticos são mais relevantes que as fisionomias em qualquer esforço de classificação de biomas. (D) A Amazônia Legal é definida por critérios biogeográficos que se aproximam mais do conceito de domínio que do de bioma. (E) A definição clara de termos como bioma e domínio é importante, pois tem implicações para a definição de políticas públicas de proteção à biodiversidade. Autor: Júlio César Bicca-Marques Tipo de questão: escolha simples Conteúdo avaliado: Ecologia Alternativa correta: E Comentário: Esta questão está baseada na diferença entre os conceitos de bioma e domínio. Embora a distinção realizada por Leopoldo Magno Coutinho entre estes conceitos esteja clara e teoricamente correta neste artigo de 2006, o trecho transcrito para a prova não é autoexplicativo para um estudante com pouca experiência na área de ecologia. Esta constatação é agravada pelo fato de o termo 12 Cláudia Dornelles, Fernanda Nunes, Laura Utz (Orgs.)

14 domínio não ser mencionado na grande maioria dos livros de ecologia, os quais geralmente usam os termos bioma e ecossistema como substitutos para domínio e bioma, respectivamente. Consequentemente, embora algumas alternativas pudessem ser excluídas com base na informação contida no texto, a escolha da resposta certa exigia a percepção desta diferença de conceituação e o conhecimento da área de biologia da conservação. Por fim, vale salientar que a definição clara dos termos bioma e domínio (ou seus equivalentes, dependendo da fonte) é de suma importância para a proteção da biodiversidade devido às suas implicações para a definição de políticas públicas. Variações entre biomas (ou ecossistemas) no tipo e profundidade do solo, temperatura, umidade, altitude, vegetação, fauna, ocorrência de incêndios e alagamentos, entre outros fatores abióticos, resultam em diferenças na viabilidade dos mesmos para diferentes tipos de exploração econômica. Da mesma forma, qualquer política pública de conservação ambiental que vise proteger a maior parcela possível de elementos da biodiversidade de ecossistemas (ou processos ecológicos) e espécies de um país deve realizar uma análise de lacunas para identificar os biomas (ecossistemas ou ecorregiões) que carecem de proteção legal (SILVA & DINOUTTI, 2001) para enfocar os esforços de criação de novas unidades de conservação. Referências Bibliográficas COUTINHO, L. M. O conceito de bioma. Acta Botânica Brasilica, 20: SILVA, J. M. C. & DINOUTTI, A. Análise da representatividade das unidades de conservação federais de uso indireto na Floresta Atlântica e Campos Sulinos ENADE Comentado 2008: Biologia 13

15 QUESTÃO 13 Comunidades naturais são o resultado da ação de processos adaptativos, históricos e estocásticos sobre o conjunto de organismos que ocupa determinada área física ou ambiente. A própria atividade humana, em certas circunstâncias, pode ser considerada uma das forças que moldam a estrutura e organização das comunidades. Além disso, o entendimento da dinâmica natural é fundamental para que se possa compreender a amplitude e os efeitos da ação humana sobre os organismos e o meio ambiente. Apesar de se terem estabelecido em ambientes muito distintos, a comunidade vegetal natural, em uma montanha, e a comunidade de organismos marinhos, em um costão rochoso, na zona entre marés, têm diversas características em comum, pois ambas se distribuem ao longo de gradientes ecológicos determinados por fatores físicos do ambiente. Considerando-se a base da montanha e o nível das menores marés baixas como os extremos inferiores dos gradientes, que características são essas e a que gradientes correspondem? (A) Maior riqueza e diversidade de espécies no extremo inferior do gradiente e rarefação de espécies no extremo superior, onde se concentram aquelas menos especializadas e com maior amplitude de tolerância a fatores físicos do ambiente. Na montanha, o gradiente inclui fatores como taxa de fotossíntese, altitude e declividade; no costão rochoso, os fatores são umidade, impacto de ondas e inclinação. (B) Maior riqueza e diversidade de espécies no extremo superior do gradiente e rarefação de espécies no extremo inferior, onde se concentram aquelas menos especializadas ou com menor amplitude de tolerância a fatores físicos do ambiente. Na montanha, o gradiente inclui fatores como declividade e umidade; no costão rochoso, os fatores são umidade, densidade populacional e salinidade. (C) Maior riqueza e diversidade de espécies no extremo inferior do gradiente e rarefação de espécies no extremo superior, onde se concentram aquelas mais especializadas ou com maior amplitude de tolerância a fatores físicos do ambiente. Na montanha, o gradiente inclui fatores como temperatura e nutrientes no solo; no costão rochoso, os fatores são umidade, temperatura e salinidade. (D) Maior riqueza e diversidade de espécies no extremo inferior do gradiente e rarefação de espécies no extremo superior, onde se concentram aquelas menos especializadas e com menor amplitude de tolerância a fatores físicos do ambiente. Na montanha, o gradiente inclui fatores como quantidade de oxigênio, altitude e declividade; no costão rochoso, os fatores são umidade, inclinação e salinidade. (E) Maior riqueza e diversidade de espécies no extremo superior do gradiente e rarefação de espécies no extremo inferior, onde se concentram aquelas mais especializadas ou com maior amplitude de tolerância a fatores físicos do ambiente. Na montanha, o gradiente inclui fatores como altitude, declividade e umidade; no costão rochoso, os fatores são umidade, inclinação e densidade populacional. 14 Cláudia Dornelles, Fernanda Nunes, Laura Utz (Orgs.)

16 Autor: Nelson Ferreira Fontoura Tipo de questão: escolha simples Conteúdo avaliado: Ecologia de Comunidades Alternativa correta: C Comentário: O padrão de distribuição de uma espécie é fruto de: (1) sua origem geográfica e dos padrões históricos de dispersão; (2) dos processos de interação com outras espécies, como competidores, predadores, presas, hospedeiros e parasitas; (3) da competência fisiológica para lidar com as adversidades e limitações de fatores abióticos, como temperatura, umidade, ph, concentração de oxigênio ou nutrientes na água ou solo. Na zona de marés, as regiões de mesolitoral inferior passam mais tempo submersas, o que confere menor probabilidade de desidratação, concentração salina mais estável, maior oportunidade de alimentação para filtradores e menor estresse térmico decorrente de exposição excessiva ao Sol. Por outro lado, nestas zonas mais amenas existe intensa competição por espaço, com organismos crescendo uns sobre os outros. Neste caso, organismos de rápido crescimento ou com mecanismos alelopáticos (liberação de substâncias que limitam o crescimento de organismos circundantes) apresentarão vantagem competitiva e maior dominância numérica. Por outro lado, o trecho menos exposto de um costão rochoso, o mesolitoral superior, apresenta grandes variações relativas a fatores abióticos, com temperaturas que podem variar em dezenas de graus no mesmo dia em função da exposição ao Sol, ou salinidades que podem ir de zero em um momento de chuva a 35 quando sob influência direta de ondas do mar. Ao mesmo tempo, organismos filtradores irão dispor de raros eventos com oportunidade para alimentação. Assim, organismos adaptados a estas condições precisam apresentar, necessariamente, grande competência fisiológica para lidar com estas variações ambientais. Por outro lado, são organismos econômicos em termos de consumo energético, alimentando-se pouco e crescendo lentamente. São poucas as espécies que apresentam especializações para sobreviver em situação de tamanho estresse, e as regiões de mesolitoral superior apresentam reduzida diversidade biológica em comparação com o mesolitoral inferior. ENADE Comentado 2008: Biologia 15

17 Um padrão similar pode ser identificado em montanhas. Nas partes mais baixas identificam-se, normalmente, maior precipitação e maiores temperaturas, fornecendo condições ambientais favoráveis a um maior número de espécies. A competição por espaço e por luz faz com que os vegetais cresçam uns sobre os outros, favorecendo espécies de maior porte e/ou de crescimento mais rápido. Por outro lado, em altitudes elevadas, a menor disponibilidade de água e a perda contínua de nutrientes por lixiviação não favorecem o rápido crescimento. Para crescer é necessário capturar CO2 da atmosfera através de estômatos abertos. Entretanto, ao abrirem-se os estômatos também se perde água. Ao mesmo tempo, para cada molécula de glicose sintetizada, seis moléculas de água são fixadas, ou seja, crescer exige água em abundância. Assim, espécies de altitude são econômicas no uso da água ao mesmo tempo em que apresentam taxas de crescimento mais baixas, exigindo também menor disponibilidade de nutrientes. São tolerantes a situações mais extremas, mas não são boas competidoras por espaço ou luz. Neste sentido, montanhas e costões rochosos são similares, apresentando maior diversidade biológica nas porções inferiores, e menor diversidade nas regiões mais altas, onde as espécies são especialmente tolerantes a condições de estresse. Está correta a alternativa C. Bibliografia sugerida BEGON, M.; TOWNSEND, C. R.; HARPER, J. L. Ecologia: de Indivíduos a Ecossistemas. 4 ed. São Paulo: Artmed DAJOZ, R. Princípios de Ecologia. 7 ed. São Paulo: Artmed ODUM, E. P.; BARRET, G.W. Fundamentos de Ecologia. 5 ed. São Paulo: Thomson, RICKLEFS, R. E. A Economia da Natureza. 5 ed. Rio de Janeiro: Guanabara/Koogan, Cláudia Dornelles, Fernanda Nunes, Laura Utz (Orgs.)

18 QUESTÃO 14 Com o aumento da visitação no Parque Nacional Yosemite, na Califórnia, a progressiva redução da população de cougars (Puma concolor, a nossa onçaparda), predadores do topo da cadeia trófica local, resultou em um aumento explosivo da população do cervo (Odocoileus hemionus) por volta de Um estudo retrospectivo recentemente realizado sobre o recrutamento populacional (isto é, o crescimento de plântulas até árvores) de carvalhos negros, cujos indivíduos mais jovens são um dos principais itens da dieta dos cervos na região, inventariou todas as plantas dessa espécie em manchas maiores que 0,5 ha e acessíveis aos cervos. De modo similar, também foram inventariadas todas as plantas de carvalho negro que ocorriam em manchas de tamanho semelhante em áreas do parque inacessíveis aos cervos. Os resultados obtidos estão apresentados na figura abaixo. Com base nos estudos mencionados, é correto afirmar que (A) (B) houve, nas manchas inacessíveis aos cervos, redução do recrutamento, enquanto, nas áreas acessíveis, observou-se a estabilização do recrutamento na população de carvalhos a partir de os resultados apoiam a predição teórica de que uma redução da predação por grandes carnívoros pode causar o aumento populacional de grandes herbívoros e a redução das populações de plantas palatáveis. (C) a reintrodução dos predadores ou o controle da população de cervos anulariam pressões evolutivas sobre as populações de carvalho que poderiam tornar suas folhas impalatáveis para os cervos. (D) Tanto as populações de carvalhos acessíveis aos cervos como as inacessíveis vivem, na atualidade, um declínio populacional no Parque Nacional Yosemite. (E) a ausência de predadores do topo de uma cadeia trófica tem efeito inexpressivo sobre a sua base, devido ao efeito de magnificação observado em cadeias alimentares. ENADE Comentado 2008: Biologia 17

19 Autor: Eduardo Eizirik Tipo de questão: escolha simples Conteúdos avaliados: Ecologia e Conservação Alternativa correta: B Comentário: A questão é bastante interessante e aborda um problema importante do ponto de vista da conservação da biodiversidade. Os impactos antropogênicos sobre os ecossistemas do planeta são extensos e altamente complexos, manifestando-se de diversos modos, muitas vezes imprevisíveis. A redução do tamanho populacional de uma espécie muitas vezes repercute de forma dramática na demografia de outros organismos, que se relacionam com a primeira através de processos como predação, competição, parasitismo, entre outras. Neste caso, há realmente uma predição teórica de que o declínio populacional de grandes predadores (ou predadores em geral) afetará a abundância de suas espécies-presa, as quais tenderão a sofrer uma expansão demográfica, por sua vez afetando em sequência a abundância de outros organismos em cadeias tróficas bem estabelecidas. O estudo reportado na questão realmente corrobora esta predição, pois o declínio dos predadores induziu um aumento na abundância dos cervos (o que está descrito no próprio enunciado), e a abundância de cervos induziu uma redução na população de plantas consumidas por estes herbívoros. O conceito implicado nesta questão é o de espécie-chave, aquela cujo papel ecológico é importante a ponto de seu declínio acarretar transformações relevantes em outros pontos da teia de interações ali presente. Este conceito é frequentemente aplicado a grandes predadores, como neste caso. Portanto, a alternativa B é correta. Além disso, a estrutura etária da população de carvalhos foi completamente alterada, o que pode trazer outras consequências à sua demografia, mas este aspecto não foi abordado na alternativa correta. As demais alternativas estão incorretas, pelas seguintes razões: (A) Ambas as asserções estão incorretas, tendo em vista o padrão evidenciado no gráfico. (C) As pressões evolutivas não seriam anuladas, apenas alteradas, e não há como prever se e quando ocorreria a evolução de impalatabilidade, já que este fenótipo 18 Cláudia Dornelles, Fernanda Nunes, Laura Utz (Orgs.)

20 dependeria da combinação de novas mutações com pressões seletivas suficientes para tal. Na verdade, o atual consumo acentuado por parte dos cervos é uma pressão seletiva muito mais intensa do que ocorreria no cenário aventado por esta alternativa, já que ocorreria uma redução no consumo e, portanto, um relaxamento desta pressão. Assim sendo, o cenário teria menor probabilidade de induzir a evolução de impalatabilidade do que o cenário atual. (D) Os gráficos não evidenciam declínio nas áreas inacessíveis, apenas nas áreas acessíveis (avaliadas em relação às áreas inacessíveis, utilizadas como controle). (E) Os gráficos demonstram justamente o contrário, já que ocorre uma mudança substancial na demografia dos carvalhos, a qual é atribuída ao aumento populacional dos cervos, que por sua vez deriva do declínio do predador. Bibliografia sugerida BEGON, M.; TOWNSEND, C. R.; HARPER, J. L. Ecologia: de Indivíduos a Ecossistemas. 4 ed. São Paulo: Artmed, ODUM, E. P.; BARRET, G. W. Fundamentos de Ecologia. 5 ed. São Paulo: Thomson, PRIMACK, R.B.; RODRIGUES, E. Biologia da Conservação. Londrina: Midiograf, ENADE Comentado 2008: Biologia 19

21 QUESTÃO 15 Com base na figura ao lado, que expressa o custo energético do deslocamento de animais adultos, julgue os seguintes itens. I Independentemente do modo de locomoção, corpos maiores resultam em menor custo energético relativo ao deslocamento. II A natação é o modo mais econômico de deslocamento por unidade de massa animal transportada. III O custo de correr pode ser maior que o de voar, dependendo do tamanho do corpo do animal considerado. É correto o que se afirma em (A) I, apenas. (B) II, apenas. (C) I e III, apenas. (D) II e III, apenas. (E) I, II e III. Autor: Léder Xavier Tipo de questão: múltipla escolha Conteúdo avaliado: Fisiologia Comparada Alternativa correta: E Comentário: Trata-se de uma questão que tem como objetivo principal verificar o grau de compreensão dos alunos em relação a um gráfico em que são apresentadas as relações entre custo de deslocamento (J/Kg/m) X massa corpórea (g), comparandose três modalidades de deslocamento em animais adultos: voo, corrida e natação. Não há necessidade de nenhum conhecimento prévio sobre o tema, fisiologia comparada, para o correto entendimento da questão e escolha da resposta adequada. Todas as informações necessárias constam no texto e no gráfico. 20 Cláudia Dornelles, Fernanda Nunes, Laura Utz (Orgs.)

22 QUESTÃO 16 A figura ao lado apresenta o crescimento de uma população de acordo com a equação logística de Pearl-Verhulst. O resultado é tipicamente uma curva de formato sigmoidal, na qual N representa o número de indivíduos da população e K, a capacidade de suporte do ambiente. Qual das opções a seguir apresenta uma interpretação correta do significado dos parâmetros N e K no modelo? (A) (B) Se K for menor que N, o termo (K N/K) terá valor positivo, e poderá haver superpopulação. Quando K = N, a taxa de crescimento Instantâneo da população é zero, e a população se estabiliza. (C) Se K permanece maior do que N, então a população para de crescer e corre o risco de extinção. (D) K representa algum recurso natural, como, por exemplo, disponibilidade de alimento, caso em que é expresso em unidades do tipo Kg/m 2. (E) O termo (K N/K) representa o efeito da densidade sobre o crescimento da própria população, quando a área ocupada estiver aumentando. Autor: Nelson Ferreira Fontoura Tipo de questão: escolha simples Conteúdo avaliado: Ecologia de Comunidades Alternativa correta: B Comentário: A razão dn/dt deve ser interpretada como a diferença de tamanho populacional (dn) entre dois momentos distintos (dt). Assim, dn/dt representa a taxa de variação do tamanho populacional ao longo do tempo. No limite em que a diferença de tempo entre dois momentos for muito pequena, a função resultante apresenta um comportamento em forma de "s", ou sigmoidal. Neste sentido, na expressão r.n.[(k-n)/k], r representa a taxa potencial máxima de crescimento populacional, N é o tamanho populacional em determinado momento, e K é a ENADE Comentado 2008: Biologia 21

23 Capacidade de Suporte, um atributo do ambiente relacionado à densidade populacional máxima suportada de forma estável. A Capacidade de Suporte decorre de um processo de interação de uma determinada espécie com suas exigências em relação a padrões de consumo e uso de recursos, e o ecossistema que a abriga. Ainda, a Capacidade de Suporte não é absolutamente estável, podendo sofrer alterações temporais em função de mudanças climáticas ou do próprio uso de recursos pelas espécies presentes. Neste sentido, qualquer recurso limitante para uma espécie, que defina o valor limite da Capacidade de Suporte, normalmente é compartilhado por várias outras espécies, em interações biológicas de competição. Na equação apresentada, a razão (K-N)/K funciona como um elemento de atenuação. Quando o tamanho populacional (N) for muito pequeno, próximo de zero, a razão (K-N)/K se aproxima de um, e a população crescerá em máximo potencial, expresso através da taxa r. Por outro lado, quando o tamanho populacional (N) se aproxima da capacidade de Suporte (K), a razão (K-N)/K se aproxima de zero, e a população para de crescer. Ainda, nas chamadas populações r estrategistas, o tamanho populacional N poderá eventualmente ultrapassar a Capacidade de Suporte K. Neste caso, a expressão (K-N)/K assume um valor negativo, e a população irá decrescer para a próxima geração. Com relação às alternativas, nas opções A e E, há erro no modo de apresentação da equação. O correto seria (K-N)/K ao invés de (K-N/K). Na opção C, enquanto K permanecer maior do que N, a população continuará crescendo. A opção D está parcialmente correta, quando define o significado de K, mas é omissa em informar o significado de N. A melhor alternativa é a opção B. Bibliografia sugerida BEGON, M.; TOWNSEND, C. R.; HARPER, J. L. Ecologia: de Indivíduos a Ecossistemas. 4 ed. São Paulo: Artmed, DAJOZ, R. Princípios de Ecologia. 7 ed. São Paulo: Artmed, ODUM, E. P.; BARRET, G. W. Fundamentos de Ecologia. 5 ed. São Paulo: Thomson, RICKLEFS, R. E. A economia da natureza. 5 ed. Rio de Janeiro: Guanabara/Koogan, Cláudia Dornelles, Fernanda Nunes, Laura Utz (Orgs.)

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