MÓDULO 2 PLANEJAMENTO LOGÍSTICO ASSOCIADO AO TRANSPORTE

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1 MÓDULO 2 PLANEJAMENTO LOGÍSTICO ASSOCIADO AO TRANSPORTE Níveis de Planejamento O planejamento logístico tenta responder aos questionamentos de: O QUE? QUANDO? COMO? Nos níveis estratégico, tático e operacional. A maior diferença entre eles é o horizonte de tempo para o planejamento. Planejamento Estratégico: longo alcance, horizonte > 1 ano Planejamento Tático: horizonte intermediário, < 1 ano Planejamento Operacional: decisão de curto prazo No planejamento estratégico os dados podem ser estimados pela média, e os planos são, normalmente, considerados bons se estiverem razoavelmente próximos do ótimo. O planejamento tático e operacional exige um profundo conhecimento do problema em questão, opera com dados muito acurados e seus métodos devem ser capazes de manipular um grande volume de dados e obter planos razoáveis. EXEMPLOS DE TOMADA DE DECISÕES NOS TRÊS NÍVEIS DE PLANEJAMENTO Tipo de decisões Estratégica Nível de decisões Tática Operacional Localização Nº de locais, tamanho e localização Posicionamento dos estoques Roteirização e despacho Transportes Seleção de modais Sazonalidade do mix de serviço Quantidades e tempo de reabastecimento Processamento de pedidos Seleção de clientes e projeto do sistema de colocação de pedidos Regras de prioridades para pedidos de clientes Aceleração de resposta aos pedidos Serviços ao cliente Estabelecimento de padrões Armazenagem Lay out, seleção de local Escolha sazonal do espaço Preenchimento de pedidos Compras Políticas Contratação, seleção de fornecedor Liberação de pedidos 2.2 Fatores que podem Afetar o Planejamento ESTRATÉGIA DE LOCALIZAÇÃO DAS INSTALAÇÕES A localização geográfica dos pontos de estocagem e suas fontes de fornecimento criam um esboço para o plano logístico. A fixação dos locais, do tamanho das instalações e a determinação da demanda do mercado para essas, determinam os meios através dos quais os produtos chegam ao mercado. Para problemas de localização das instalações, devem-se incluir todos os movimentos de produtos com os custos relacionados, passando pelo fornecedor e pontos de estocagem intermediários, até chegar ao destino (cliente). 1 de 11

2 A essência é encontrar a distribuição de mais baixo custo ou de máximo lucro. DECISÕES DE TRANSPORTE Podem envolver seleção modos, tamanho de carregamento, roteirização e programação. Essas decisões são influenciadas pela distribuição das rotas do armazém até os clientes. Os níveis de estoque também reagem a decisões de transporte por intermédio do tamanho do carregamento. ABORDAGEM POR REDES Uma rede é composta de ligações e nós, os primeiros representam o movimento das mercadorias entre os vários pontos de estocagem (nós). Pode haver ligação entre quaisquer pares de nós para representar formas alternativas de serviços de transporte, rotas diferentes e produtos diferentes Quando (Re)Planejar? Geralmente, quando os seguintes valores estiverem distorcidos quanto ao planejado: nível de demanda, nível de serviço ao cliente, características dos produtos e custos logísticos. DEMANDA Os níveis da demanda e sua disposição geográfica influenciam fortemente a configuração da rede logística. Apenas redução ou a expansão das instalações pode resolver em alguns casos. Uma elevação substancial dos padrões da demanda pode exigir que sejam localizados novos armazéns ou novas plantas em áreas de rápido crescimento, enquanto que instalações em mercado com crescimento lento ou em declínio precisam ser fechadas. Crescimentos de apenas alguns pontos percentuais por ano são, freqüentemente, suficientes para justificar o replanejamento da rede. NÍVEL DE SERVIÇO AO CLIENTE De maneira geral, inclui disponibilidade de estoques, rapidez na entrega, rapidez e acurácia no preenchimento de pedidos. Geralmente, os custos associados aumentam quando aumenta o nível de serviço. A reformulação da estratégia logística é necessária quando os níveis de serviço são alterados em função de forças competitivas, de revisões de políticas ou metas de serviço arbitrárias diferentes daquelas sob as quais a estratégia atual foi baseada. Mudanças menores nos níveis de serviço, quando já estão baixos, provavelmente não acarretarão o replanejamento. 2 de 11

3 CARACTERÍSTICAS DO PRODUTO Os custos logísticos são sensíveis a características como: peso, volume, valor e risco do produto. No canal logístico, essas características podem ser alteradas por intermédio do desenho da embalagem ou do estado acabado do produto durante o embarque e a estocagem. Quando as características do produto são alteradas o replanejamento do sistema logístico pode ser benéfico. CUSTOS LOGÍSTICOS Os custos de uma empresa para o suprimento e a distribuição física normalmente determinam com que freqüência seu sistema logístico deveria ser replanejado. Quando os custos logísticos são altos, a estratégia logística é uma preocupação-chave mesmo uma pequena melhoria, trazida por freqüentes replanejamentos, pode resultar em reduções de custos substanciais Análise do Problema e Projeções de Demanda 1- Analisar e definir os objetivos da empresa (Estratégico); 2- Planejamento das operações do sistema de forma que atenda aos objetivos previamente definidos (Tático e Operacional); Estas atividades exigem estimativas acuradas dos volumes de produtos e serviços a serem manipulados na cadeia de suprimento. São feitas tipicamente na forma de previsões. No planejamento os profissionais necessitam destas estimativas para gerar informações. A necessidade de projeções de demanda ao longo do processo de planejamento se dá de forma a ajudar na resolução de problemas como o controle de estoque, compra econômica e o controle de custo, a previsão de tempo de respostas, os preços e os custos. 2.5 Previsões de Demanda Prever níveis de demanda é vital à empresa, principalmente para a atividade de transportar. Eles também fornecem dados básicos para o planejamento e controle de outras áreas funcionais, incluindo marketing, produção e finanças. Esses níveis também afetam as capacidades gerais, as necessidades financeiras e a estrutura geral dos negócios. A previsão da demanda diz respeito à natureza temporal e espacial da demanda, à extensão de sua variabilidade e ao seu grau de aleatoriedade; 3 de 11

4 DEMANDA ESPACIAL X DEMANDA TEMPORAL Preocupação com variação ao longo do tempo; É resultado de crescimento ou declínio em taxas de vendas, sazonalidade na demandapadrão e flutuações gerais causadas por diversos fatores; A maioria dos métodos de previsão de curto prazo lida com variação temporal; O profissional de logística ocorrerá; deve conhecer onde e quando o volume de demanda A localização espacial da demanda é necessária para planejar localizações do armazém, equilíbrio nos níveis de estoque através da rede logística e alocação geográfica nos recursos de transporte; Técnicas selecionadas devem refletir as diferenças geográficas que afetam os padrões de demanda. DEMANDA REGULAR X IRREGULAR Grupos de produtos administrados de maneira diferente ou com nível de serviço diferentes formam vários padrões de demanda ao longo do tempo; Demanda regular pode ser decomposta em componentes nível, tendência e sazonalidade; Demanda intermitente, devido ao elevado grau de incerteza a respeito de quando e quanto o nível mudará, pode ser denominada "nebulosa" ou "irregular". DEMANDA DERIVADA X INDEPENDENTE Independente: quando a demanda é gerada por muitos clientes, a maioria dos quais comprando individualmente apenas uma fração do volume total distribuído pela empresa. A maioria dos modelos de previsão a curto prazo é baseada em condições de independência e aleatoriedade na demanda. Dependente: quando a demanda é derivada das exigências especificadas em uma programação de produção. Padrões de demanda derivada são altamente inclinados e não-aleatórios; Quanto se deve fabricar nos próximos dias? Quais os produtos e/ou serviços que nós devemos oferecer daqui a alguns anos? A minha tecnologia está adequada para a produção futura? Quais são os investimentos para os próximos anos? Devo ampliar e/ou construir novas instalações? Devo contratar pessoal ou investir em treinamento? Qual será a necessidade de matéria-prima futura? 4 de 11

5 FATORES IMPORTANTES PARA AS PREVISÕES Disponibilidade de dados, tempo e recursos; Determinação do horizonte de previsão; Capacidade para interpretar os dados. COMPONENTES E MODELOS DE PREVISÃO Dados importantes para definição de quais modelos utilizarem Conhecer a empresa (potencial e deficiência). Conhecer o perfil do cliente. Conhecer os fatores que influenciam a demanda (objetivos e subjetivos) Objetivos >> envolve a TI (máquinas, programas e pessoas); Subjetivos >> envolve o Potencial Humano no conhecimento do negócio (informações do mercado, potencial para se adaptar às novas exigências do cliente etc.). Fatores que podem influenciar a escolha do modelo adequado de demanda A existência de histórico da demanda passada. Planejamento das campanhas publicitárias. Localização física das instalações. Conjuntura econômica. Planejamento de descontos e preços. Ações dos concorrentes. MÉTODOS DE PREVISÃO Estão divididos em 4 grupos: qualitativo, quantitativo, causal e simulação; Se diferem em termos de acurácia relativa na previsão de longo prazo x curto prazo, nível de sofisticação quantitativa usado e base lógica da qual deriva a previsão (dados históricos, opinião de especialistas ou pesquisas). Qualitativo (subjetivo) >> apóia-se no julgamento e na opinião de alguém para fazer a previsão. Utilizado quando existem poucos dados históricos ou para apoio nas decisões finais. Quantitativo >> utilizam o histórico da demanda para realizar as previsões. Ótimo quando a situação do ambiente é estável e o padrão básico da demanda não sofre variações significativas. Causal >> quando a previsão da demanda está relacionada com alguns fatores conjunturais (p.e. situações econômicas, crises em outros países etc.). Correlaciona-se causa com previsão de demanda. Simulação >> Reproduz as escolhas dos consumidores que geram as demandas para chegar a uma previsão. Pode relacionar os modelos de Séries Temporais e Causais. 5 de 11

6 Método Quantitativo (por Série Temporal) INTERPRETANDO CORRETAMENTE O PASSADO PODEM-SE GERAR PREVISÕES ÚTEIS PARA O FUTURO. IMPORTANTE PARA OS PROCESSOS DE DECISÃO E PLANEJAMENTO, PRINCIPALMENTE QUANDO SE TRATA DE FATOS FUTUROS. Previsão do Estimativa do Demanda Observada (O) Componente Sistemático (CS) + Componente Aleatório (CA) Objetivo de qualquer modelo Componente Sistemático - CS >> Mede o valor esperado. Podem-se utilizar os dados históricos. Nível (L) >> demanda atual sem as sazonalidades. Divide-se em Tendência (T) >> taxa de crescimento ou declínio da demanda para o próximo período. Sazonalidade (S) >> flutuações sazonais previsíveis na demanda. Componente Aleatório - CA >> Não pode ser previsto. Pode-se prever a dimensão e a variabilidade, determinando-se uma medida de erro de previsão (mede o desvio entre a previsão da demanda e a demanda real). Considerando os modelos de Séries Temporais (dados históricos), pode-se dividi-los em duas categorias básicas: Estático >> faz-se estimativas para as diversas partes (nível, tendência e sazonalidade) do componente sistemático da demanda. Não atualizam o componente sistemático com base em observações de novas demandas e utilizam-se os cálculos dos valores médios ou as estimativas de regressão. Adaptável >> Atualiza-se as estimativas das diversas partes do componente sistemático da demanda após cada observação da demanda. Utilizam-se os cálculos com médias móveis, suavização exponencial simples e suavização exponencial de séries com tendências e com variações de estado. 6 de 11

7 A composição dos parâmetros do Componente Sistemático pode apresentar diversas formas, tais como: Multiplicativo >> CS L x T x S Aditivo >> CS L + T + S Misto >> CS (L + T) x S A utilização de uma das formas dependerá da natureza da demanda. MODELO PARA PREVISÃO ADAPTÁVEL Na previsão adaptável, as estimativas de nível, tendência e sazonalidade são atualizadas após cada observação de demanda. Modelo de Média Móvel Este modelo é utilizado quando a demanda não apresenta tendência ou sazonalidade. Sendo assim, pode-se dizer que: Componente Sistemático (CS) Nível (L) L t (D t + Dt Dt n n+ 1 ) F A previsão para os períodos futuros ( t + 1 L ) é igual a t. Após a observação da demanda para o período t+1, revisa-se a estimativa da seguinte forma: F t+ 2 L t+ 1 (D t+ 1 + D t Dt n n+ 2 ) Isto significa que neste modelo adiciona-se uma observação e retira-se a mais antiga. A previsão de demanda futura é expressa por iguais a do último período. F L t+ n t, ou seja, as previsões futuras são 7 de 11

8 Exemplo Utilizando os dados históricos de demanda de uma Cia de Gás, que usa dutos para o seu transporte, deseja-se calcular a previsão parcial da demanda para o período 5 utilizando a média móvel (n4). Ano Trimestre Período (t) Demanda (x10 3 cm 3 ) Demanda (x1000 cm3) /2 1998/3 1998/4 1999/1 1999/2 1999/3 1999/4 2000/1 2000/2 2000/3 2000/4 2001/1 Ano/Trimestre Para calcular a previsão parcial para o período 5 (F 5 ), utilizando-se n4, fazer: F L (D + D + D 4 + D1 ) ( ) Como a observação (valor real) do período 5 foi de , calcula-se a estimativa revisada do nível (L 5 ) da seguinte forma: ( ) L de 11

9 Exercício Continuar com o cálculo para se determinar as previsões para os períodos 13, 14, 15 e Método Causal REGRESSÃO LINEAR SIMPLES MÉTODO DOS MÍNIMOS QUADRADOS Prevê uma variável aleatória (p.e. demanda) como uma função de outras variáveis aleatórias (p.e. tempo) por intermédio de uma reta. A equação da reta de regressão é do tipo Y a + bx + ε, onde: Y é a variável dependente; X é a variável independente ε são os desvios de Y em relação ao valor esperado; a é o coeficiente linear, ou seja, é o ponto onde a reta de regressão intercepta a ordenada (o valor de Y quando X 0) e; b é o coeficiente angular (tg θ) Deseja-se ajustar a reta estimando-se os coeficientes a e b. Estimativa de y a partir da reta de regressão Par ordenado (x, y) real Y θ a Variável dependente Desvio ou erro de y ( ) Valor de x utilizado para estimar y b Variável independente ΣXY - nxy a e b ΣX 2 - nx 2 Cálculo dos Coeficientes pelo Método dos Mínimos Quadrados X 9 de 11

10 UNESA Sistemas de Transportes Currículo 108 / Exemplo Período Y X , , , , ,0 Período Y X XY X 2 Y ,5 660,00 6, ,3 150,80 1, ,4 231,00 1, ,0 101,00 1, ,0 418,00 4, Total 855 8,2 1560,80 14, Média 171 1, ,80 5 (1,64) (171) 109, ,90 5 (1,64) ,23 (1,64) 8,37 Sendo assim, 8, , 23 Exercício Utilizando os dados históricos do exemplo anterior, referentes à Cia de Gás, calcular os coeficientes da reta de regressão e as previsões para os períodos 13, 14, 15 e 16. Resposta: Y 12015, ,95 X Coeficiente de Correlação de Pearson Indica o grau em que uma equação linear descreve a relação entre duas variáveis. Varia entre -1 a 1, e assume valor negativo quando X e Y são inversamente proporcionais e, positivo quando diretamente proporcionais. Assume valor zero quando não há relação entre as duas variáveis. 10 de 11

11 r nσxy - ΣX ΣY [nσx 2 - (ΣX) 2 ] x [nσy 2 - (ΣY) 2 ] Para o exemplo anterior r 0,98. Exercício Utilizando os dados históricos do exemplo anterior, referentes à Cia de Gás, calcular o Coeficiente de Correlação de Pearson (r) da reta de regressão, interpretando o seu resultado. BIBLIOGRAFIA Ballou, Ronald H. Gerenciamento da Cadeia de Suprimentos: Planejamento, Organização e Logística Empresarial Editora Bookman, Porto Alegre, Bowersox, Donald J. e Closs, David J. Logística Empresarial Editora Atlas, São Paulo, Chopra, Sunil e Meindl, Peter, Gerenciamento da Cadeia de Suprimentos, Prentice Hall, São Paulo, de 11

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