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2 SUMÁRIO 1. BREVE HISTÓRICO O QUE É FOTOGRAFAR? A LUZ E AS CORES EQUIPAMENTOS E FORMATOS (CONVENCIONAIS x DIGITAIS) COMO A IMAGEM É REGISTRADA? OS DISPOSITIVOS DE EXPOSIÇÃO COMO FOTOGRAFAR? A COMPOSIÇÃO DA IMAGEM IMPRIMA E IMPRESSIONE ESCOLHENDO UM EQUIPAMENTO CUIDADOS ESPECIAIS Todos os direitos reservados Fernando Martins - 3 a Edição. Página: 1

3 1. BREVE HISTÓRICO 1727 Alemanha Johann Heinrich. Fenômeno da fotossensibilidade em sais de prata França - Joseph Nicéphore Nièpce. Inventa a Héliographie. Morreu antes de ver seu invento mundialmente aclamado. Nièpce (à esquerda). Primeira fotografia, 1827 (à direita), registrada da janela de Nièpce. 8 horas de exposição ao sol William Henry Fox Talbot. Inventa a Calotipia ou Talbotipia (Desenho fotogênico). Fazia uso de um tipo de negativo de papel = Reprodutibilidade França Jean Jacques Mandé Daguerre inventa a Daguerreotypie: - Placa de cobre revestida com prata polida; - Imagem única e rara; - Longas horas de exposição (ruim para retratos). Daguerre (à esquerda) e preparação de placas para registro fotográfico (à direita). Niépce de Saint Victor (sobrinho de Niépce) - Daguerreótipos com tênue coloração Hauron e Cros Imagens em cores na mesma época, sem que um tivesse conhecimento do outro Autochrome Lumiére Féculas de batata previamente tingidas (RGB) em placas de vidro. Todos os direitos reservados Fernando Martins - 3 a Edição. Página: 2

4 1935 Leopold Manner e Leopold Godowsky Filme diapositivo (slide) Kodachrome Emulsões de sais de prata em 3 camadas independentes (RGB) Kodak - Negativo / Positivo em cores Ektacolor Filme colorido que podia ser processado pelo próprio fotógrafo. Década 80 Popularização da revelação em cores (processo C41), com entrega em 24 hs. Década 90 Popularização da revelação em cores, processo C41, com entrega em 1 hora. Início dos anos Terceiro milênio Lançamento da fotografia digital (160 ANOS APÓS). Uma das principais e mais profundas revoluções tecnológicas. Todos os direitos reservados Fernando Martins - 3 a Edição. Página: 3

5 2. O QUE É FOTOGRAFAR? É registrar o cotidiano? Enxergar detalhes? Descobrir novos olhares? Captar flagrantes? Provocar reações? É luz e sombra? Estado da arte? É tudo isso! É ter a oportunidade de guardar as boas lembranças (No Japão, chega a favorecer a aprovação de pedido de casamento); É memória (Filme Titanic / Rose); É paixão. E prática. Muita prática. Exercício prático 1: Pegar uma revista sobre fotografia e criticar as obras. Todos os direitos reservados Fernando Martins - 3 a Edição. Página: 4

6 3. A LUZ E AS CORES LUZ (Aurélio) Radiação eletromagnética de comprimento de onda compreendido, aproximadamente, entre 4.000Å e 7.800Å, capaz de provocar sensação visual num observador normal. VISÃO O que vemos, portanto, é a reflexão destas ondas diante de uma superfície (Luminância). As cores (Crominância) que enxergamos acontecem porque estas ondas vibram em freqüências distintas, após incidirem em superfícies de materiais distintos. FONTES DE LUZ NATURAIS: 1) Sol Direta Luz dura, com alto contraste. Boa para detalhar relevo e texturas. Indireta Luz difusa, com baixo contraste. Boa para fotografar pessoas (atenua as marcas de expressão, imperfeições e rugosidades). 2) LUA Muito tênue e demasiadamente fraca para registro. ARTIFICIAIS: Incandescente, Fluorescente, Vapor de Mercúrio, Vapor de Sódio, Flash (Direta, difusa ou rebatida) etc. AS CORES OLHO HUMANO: A visão humana é capaz de distinguir cores a partir do infravermelho, até o ultravioleta (as cores visíveis no arco-íris), a partir de três pigmentos visuais dispostos nas células cones, no fundo da retina do globo ocular (Hearn e Baker). CORES PRIMÁRIAS (Cores puras): POSITIVAS: RGB = Red (vermelho), Green (verde) e Blue (azul). Gráficas usam o padrão CYMK. Cyan, Yellow, Magenta e K-Black. CORES SECUNDÁRIAS ou PRIMÁRIAS NEGATIVAS: CMY = Cyan (ciano), Magenta e Yellow (amarelo). Resultantes da mistura entre duas cores primárias. CORES TERCIÁRIAS são formadas por uma primária e uma secundária. Todos os direitos reservados Fernando Martins - 3 a Edição. Página: 5

7 A TEMPERATURA DE COR Cada fonte de luz possui uma freqüência de onda diferente, fazendo com que os objetos sejam vistos, pelas suas respectivas reflexões, com cores diferentes das originais. No século 19, o escocês Lord Kelvin criou uma tabela capaz de medir os desvios de proporção da luz branca, a partir de uma barra de ferro sendo aquecida. Da cor negra, abaixo dos 1000 o Kelvin, a medida em que ia aquecendo a barra de ferro, passava a emitir irradiação luminosa, com cores variáveis, do vermelho (1200 o K), ao azul (11000 o K), conforme gráfico abaixo. Por padrão, imagens iluminadas com fonte luminosa natural, do sol ao meio dia e à sombra, por exemplo, produz uma imagem tendendo à cor branca. Já ao crepúsculo, produz imagens avermelhadas. De forma análoga, cada fonte luminosa produz um padrão cromático distinto. Um bom fotógrafo sabe distinguir quais são essas tendências de aberrações, antes mesmo do registro. Veja a tabela abaixo com alguns exemplos desses efeitos com as fontes luminosas mais comuns: FONTE DE LUZ NATURAIS SOL MEIO-DIA AMANHECER / ENTARDECER À SOMBRA ARTIFICIAIS INCANDESCENTE 100w FLUORESCENTE BRANCA FRIA FLASH HALÓGENA TV OU MONITOR TEMP.COR Kelvin EFEITO NORMAL AVERMELHADO AZULADO AMARELO-AVERMELHADO ESVERDEADO NORMAL AMARELADO AZUL De forma inteligente, o cérebro humano, ao receber os pulsos nervosos normais com a imagem, automaticamente, ajusta o balanço de cor, fazendo com que as cores pareçam mais reais e naturais, se baseando nas luminâncias mais altas, deixando-as brancas. Por esse motivo, não percebemos esses efeitos. Os filmes fotográficos possuem filtros cromáticos para correção de temperatura de cor, bem como fazem os equipamentos fotográficos e filmadoras, que corrigem, manualmente ou automaticamente, essas aberrações naturais, para que as cores pareçam mais reais. Quando esse ajuste é feito manualmente, usa-se o termo bater o branco ou White Balance setting. Exercício prático 2: Ajuste a câmera para posição luz natural, com sol, e fotografe locais com diferentes temperaturas de cor. Todos os direitos reservados Fernando Martins - 3 a Edição. Página: 6

8 4. EQUIPAMENTOS E FORMATOS (CONVENCIONAIS x DIGITAIS) COMPONENTES BÁSICOS OBJETIVA Anéis de foco, zoom e diafragma. CORPO Botões de obturador, timer e de compensação de exposição, seletores de funções automáticas e de velocidade de obturador etc. CLASSIFICAÇÃO DOS TIPOS DE EQUIPAMENTOS QUANTO AO USO: AMADORES Dotada de recursos automáticos para facilitar a vida do fotógrafo, tais como foco, velocidade, abertura e ajuste de ISO automáticos ou fixos. São muito limitadas. QUANTO AO USO: PROFISSIONAIS Uso de recursos manuais e automáticos, respectivamente, para oferecer controle total da exposição e para facilitar a vida do fotógrafo, tais como ajustes de foco, velocidade, abertura e de ISO ou ASA automáticos ou fixos. A maior característica de um equipamento profissional é a presença do SLR - Single Lens Reflex - (monoreflex), na qual a imagem enquadrada passa pela objetiva e chega, por meio de espelhos, até visor (ocular). Tal recurso favorece o enquadramento e a certeza do foco, evitando o erro de paralaxe. QUANTO A FORMA DE REGISTRO: CONVENCIONAIS São os equipamentos que fazem uso de películas fotográficas negativas ou positivas (slides e instantâneos), à base de haleto de prata. Os filmes deram à fotografia a natureza intrínseca: a reprodutibilidade. Quanto maior a área do filme, maior a definição da imagem. Todos os direitos reservados Fernando Martins - 3 a Edição. Página: 7

9 > FORMATOS DE FILMES: Extintos: 110, 126 etc. Atuais: APS, 135 (mais usado) e 120 (6x6cm ou 6x7cm). > NEGATIVOS OU POSITIVOS (SLIDES) > PRETO&BRANCO OU EM CORES > INSTANTÂNEO (Polaroid). QUANTO A FORMA DE REGISTRO: DIGITAIS São os equipamentos que fazem uso de sensores eletrônicos (CCD ou CMOS) para registrar a imagem e gravam em arquivos de formatos binários (JPG, TIF, RAW etc.). Quanto maior o número de pixels (pontos de imagem) no chip, maior a definição e qualidade da imagem. Exercício prático 3: Qual formato é a sua câmera, quanto à forma de registro e quanto ao uso? Como é feito o ajuste de temperatura de cor da sua câmera? AS OBJETIVAS Levam em conta o ângulo da abordagem fotográfica e são classificadas em função da distância, em milímetros, entre o filme (ou sensor) e a primeira lente do conjunto óptico da objetiva. Com base em câmeras de filmes 35mm, podem ser: FISH EYE (Olho de peixe) Abaixo de 20mm. GRANDE ANGULAR Entre 20 e 45mm. NORMAL 45 ~60 mm. TELEOBJETIVA Acima de 70 mm. ZOOM Distância focal variável. MACRO Capaz de focar objetos muito próximos (poucos centímetros). PC PERSPECTIVE CONTROL Grande angular com capacidade de corrigir distorções. CARACTERÍSTICAS FOCAIS: OBJETIVA GRANDE ANGULAR São as objetivas com distância focal entre 20 e 45mm (filme 135); Oferecem campo de visão ampliado; Grande profundidade de campo (área em foco); Todos os direitos reservados Fernando Martins - 3 a Edição. Página: 8

10 Altera a perspectiva gerando distorções na imagem. Os assuntos mais próximos ficam muito maiores do que os mais distantes. OBJETIVA - NORMAL São as objetivas com distância focal aproximada de 50mm (filme 135); Oferecem campo de visão análogo ao olho humano; Profundidade de campo moderada (área em foco); Altera muito pouco a perspectiva. OBJETIVA - TELEOBJETIVA São as objetivas com distância focal acima de 55mm (filme 135); Oferecem campo de visão fechado; Baixa profundidade de campo (área em foco); Altera bem menos a perspectiva. OBJETIVA - ZOOM São as objetivas com distância focal ou campo de visão VARIÁVEIS; Profundidade de campo (área em foco) depende do ângulo usado e da abertura; A distorção de perspectiva altera, também, em função do ângulo. 28mm 200mm Observação: O Zoom digital é um recurso que deve ser usado de forma muito restrita, pelo fato de ser mais um mero apelo de venda da indústria do que um útil recurso. O maior problema é que ele causa deformações na imagem final, ao ampliar os pixels e ao tentar criar novos pontos semelhantes. Seus efeitos podem ser irreversíveis e nocivos à uma boa imagem. Todos os direitos reservados Fernando Martins - 3 a Edição. Página: 9

11 Exercício prático 4: Façam 3 fotos com distâncias focais em grande angular, normal e tele e anotem os resultados. Dica: Cuidado com as gordinhas! ACESSÓRIOS ÚTEIS FLASHES Fornecem luz balanceada (temperatura de cor da luz do dia = cor branca), para situações de baixa luminosidade. Podem gerar iluminação muito dura (luz chapada, com altos contrastes, deixando a imagem muito plana). Esses efeitos indesejados podem ser atenuados pelo uso de difusores ou de rebatedores, presentes nos modelos profissionais. Alguns modelos fazem leitura do ambiente, de sorte a adequar a intensidade luminosa às condições de iluminação do ambiente e ao valor do diafragma previamente escolhido. Outros ainda possuem a capacidade de ajustar o foco, automaticamente, em função da distância focal do zoom e, ainda, de trocar informações com as câmeras monoreflex (sistema TTL Through the lens), para garantir um melhor ajuste automático. RED EYE REDUCTION: Há um efeito desagradável que ocorre com as câmeras compactas, cujo flash embutido, por necessidade de projeto de desenho, fica disposto muito próximo da lente, que deixa as pessoas com os olhos vermelhos. Esse efeito ocorre porque o ângulo de reflexão da luz está muito fechado, fazendo com que a luz do flash ilumine, diretamente, o fundo do olho e retorne direto para a lente. Como o globo ocular é irrigado por vasos sangüíneos, resulta na cor vermelha da pupila. Para evitar esse efeito, algumas câmeras possuem um recurso chamado de Red Eye Reduction (redutor de olhos vermelhos), que consiste na emissão de um foco de luz ou de pequenas rajadas de flashes, para que, por esse estímulo, as pupilas se contraiam e atenuem esse efeito. CARTÕES DE MEMÓRIA (CHIP) Responsáveis pelo armazenamento da imagem nas câmeras digitais. É como se fosse a gasolina de um automóvel, portanto, é indispensável. Quanto maior a sua capacidade de armazenamento, maior quantidade de fotos podemos armazenar neles. Quadro comparativo: Megabytes X Megapixels MEGABYTES Refere-se a capacidade de memória, em milhões de Bytes, para armazenamento de imagem. Quanto maior o valor em MB, maior a capacidade de armazenamento. A quantidade de fotos armazenadas depende de uma série de fatores, como o formato dos arquivos, o tamanho em MP das imagens e a compressão. MEGAPIXELS Refere-se a quantidade de pontos para formação da imagem, em milhões de Pixels. Quanto maior o valor em MP, maior a definição da imagem e maior a qualidade de ampliação. Uma foto com 4MP, com qualidade de compressão ótima, pode ser ampliada, com qualidade fotográfica, em até 20x25cm. Todos os direitos reservados Fernando Martins - 3 a Edição. Página: 10

12 OUTROS ACESSÓRIOS: Oferecem recursos adicionais às fotografias e proteção ao equipamento: tripé, bolsas de proteção, pilhas recarregáveis, filtros (UV, Polarizador, Close-Up etc.) FILTRO: POLARIZADOR Capaz de polarizar a reflexão da luz, eliminando reflexos indesejáveis. Sem filtro Com filtro LENTE: CLOSE UP Lente de aproximação, que amplia a imagem. Exercício Prático 5: Quantos Megabytes tem o seu cartão de memória e quantos Megapixels tem seu sensor de imagem? Qual é o zoom óptico e digital de sua câmera. Todos os direitos reservados Fernando Martins - 3 a Edição. Página: 11

13 5. COMO A IMAGEM É REGISTRADA? A palavra fotografia deriva do grego Photo (luz), acrescido de Graphos (escrita ou desenho). Atualmente, fotografias podem ser registradas por meio de filmes ou papéis fotossensíveis (equipamentos convencionais) ou por sensores de imagem (equipamentos digitais). CONVENCIONAL: O Filme Fotográfico O filme negativo fotográfico em cores é composto, basicamente, por uma base plástica transparente e de três películas sensíveis à cada uma das cores primárias, compostas de emulsões à base de sais de prata (virgem), como elemento fotossensível, e de gelatina, como veículo. Cada uma dessas películas possui camadas com corantes com as cores primárias negativas, que atuam como filtros. Só passam pelos filtros as informações de cores diferentes da cor do mesmo. Portanto, cada uma das camadas só registra nuances cromáticas de cores semelhantes à mesma. DIGITAL : O Sensor Nas câmeras digitais, no lugar do filme fotográfico, há um ou mais sensores de captação de imagens do tipo CCD (Charged Couped Device) ou CMOS (Complementary Metal Oxide Semiconductor). No caso do CCD, cada célula forma um ponto (pixel) sensibilizado analogicamente, cujo valor é mensurado e convertido para sinal digital. A imagem final é composta, portanto, pelo conjunto desses valores e de outros atributos extras necessários à formação do arquivo. Já o CMOS é composto por vários transistores para cada pixel que amplificam e movem a carga por fios condutores. Como o sinal já é digital, dispensa a conversão e, com efeito, permite captações mais rápidas (refresh time). Assim como ocorre com os filmes fotográficos, também, há filtros de cores para captação das cores (em RGB, RGBK etc.). DIGITAL : Pixel (Picture Element) É a menor parte de uma imagem. É um microponto, ou um ponto discreto de uma imagem. DIGITAL : Codificação Analógico > Digital Como apresentado antes, no caso da captação por CCD há a necessidade de digitalização da imagem. Cada pixel é formado, basicamente, pelos valores analógicos de cada uma das cores (normalmente pelo RGB). Esses valores são digitalizados, de sorte a amostrar milhões de possibilidades de cores, são agrupados e, por fim, recebem os cabeçalhos e rabichos de fechamento dos arquivos digitais, formando o arquivo final, sem compressão. Todos os direitos reservados Fernando Martins - 3 a Edição. Página: 12

14 DIGITAL : Compressão JPEG Arquivos de imagem, ou tipo raster, demandam grandes quantidades de memória para amostragem e formação do conjunto de pixels. Para diminuir o tamanho da informação, em bytes, usa-se algoritmos de compressão, sendo o JPEG um dos mais usados, por causa da qualidade final dos arquivos e do alto poder de compressão. Vide no diagrama abaixo, o esquema de compressão e descompressão JPEG. DIGITAL : Anti Aliasing Como o formato original do pixel é quadrado, as imagens digitais formadas tendem a serrilhar os detalhes finos. A solução para disfarçar esse efeito indesejado foi em inserir pixels com valores intermediários nos contornos dos detalhes, formando uma escala em degradê. CONVENCIONAL x DIGITAL Fotógrafos mais conservadores ainda defendem a qualidade da fotografia convencional como superior, tal como ocorre, ainda, com outros profissionais ao preferirem a fotografia em preto&branco. Na verdade, se levarmos em conta uma mesma resolução e óptica, a fotografia digital (1:4000 = 12 pontos de f) possui uma faixa dinâmica bem maior do que a convencional (1:32 = 5 pontos f), conforme se pode observar na tabela ao lado, segundo a PMA (Photo Marketing Association). Essa vantagem para o digital permite captações com detalhamento mais fino, com sombras bem mais suaves e menos contrastadas, capazes de amostrar detalhes antes ocultados pela fotografia em cores tradicional. Exercício prático 6: Fazer 3 fotografias com uma mesma câmera digital e de um mesmo assunto e ângulo, explorando 3 níveis de compressão distintos. Compararem os resultados obtidos. Todos os direitos reservados Fernando Martins - 3 a Edição. Página: 13

15 6. OS DISPOSITIVOS DE EXPOSIÇÃO O FOCO MANUAL: Pode ser feito com o auxílio de Telêmetro de Imagem Partida ou de Microprismas, que é um recurso óptico presente em algumas câmeras profissionais e pouco usado, hoje em dia, por ter sido substituído por sistemas eletrônicos de focalização automática mais eficientes. AUTOMÁTICO: Atualmente, são várias as tecnologias de medição de distância, para ajuste de foco, tais como por emissão de raios infravermelhos, ultra-sônicos etc. São recursos bem desenvolvidos e confiáveis. Algumas câmeras contam com algoritmos inteligentes, capazes de prever onde (a distância focal) um dado objeto em movimento estará no momento do registro. A EXPOSIÇÃO É o ato de expor o sensor ou o filme fotográfico a uma quantidade exata de luz, de forma a excitá-lo plenamente e sem excesso, para que uma imagem seja bem registrada, de acordo com a leitura de fotometria (vide parágrafo abaixo). Caso falte luz (subexposição), as áreas mais escuras da imagem vão se esmaecendo, proporcionalmente à falta de luz, chegando a não ser sequer registradas. Do contrário, caso haja excesso, as partes mais claras são sacrificadas, até que cause um quadro completamente branco. FOTOMETRIA: É o ato de medir a quantidade de luz, de sorte a informar quais os números de diafragma e de velocidade do obturador são indicados para o registro da imagem. A fotometria é realizada pelo FOTÔMETRO (interno), ao se pressionar levemente (na maioria das câmeras) o botão do obturador (disparo). Os resultados da medição dependerão da sensibilidade de ISO ajustada. Há equipamentos que permitem a configuração do sistema de fotometria em: EVALUATIVE = É o modo mais inteligente presente em câmeras avançadas, que avalia vários pontos no quadro, para analisar o objeto principal, a iluminação de frente e de fundo, brilho etc., para, então, definir quais regulagens de diafragma e velocidade deve-se usar, em função do programa definido pelo fotógrafo (P, Green Zone, Av, Tv etc.); SPOT (pontual) = Analisa apenas um ponto central do quadro, ignorando as demais áreas; PARTIAL = É como o SPOT, só que mede uma área maior ao centro (+- 9% da área); CENTER-WEIGHTED AVERAGE = Calcula a média de iluminação do quadro, mas prioriza a luz presente no centro (média ponderada). FOTÔMETRO EXTERNO: Essa medição pode ser, também, realizada por equipamentos profissionais dedicados, que só são úteis para fotografia profissional. A precisão da leitura de um fotômetro resulta na qualidade do registro. CONTROLES BÁSICOS DA EXPOSIÇÃO As máquinas fotográficas mais avançadas contam com, pelo menos, três recursos essenciais a uma boa fotografia (diafragma ou íris, cortina do obturador, ajuste de sensibilidade), como forma de ajuste da exposição do filme ou do sensor à luz. Por razões econômicas ou de desenho, alguns equipamentos são construídos com um ou mais desses ajustes com valores medianos fixos. Ou seja, ao invés de contarem com conjuntos eletromecânicos de alta precisão, substituem por circuitos Todos os direitos reservados Fernando Martins - 3 a Edição. Página: 14

16 eletrônicos que simulam os seus funcionamentos (p.ex. aparelhos celulares), de forma limitada, ou mesmo não oferecem qualquer ajuste (p.ex. câmeras descartáveis, populares ou falsificadas), tendo suas funções básicas fixadas em valores medianos. Nesses casos, a qualidade final da exposição à luz fica limitada às condições às quais esses equipamentos foram pré-programados, não havendo como o fotógrafo interagir com a exposição. DISPOSITIVOS MANUAIS DE EXPOSIÇÃO Foco (Metros ou Feets) Diafragma ou Iris (Ajuste dos números de f) Velocidade do Obturador (Velocidade em frações de segundo) Ajuste de sensibilidade de leitura de fotometria. Obturador (Botão de disparo) CORTINA DO OBTURADOR É um dispositivo mecânico, controlado eletronicamente nos equipamentos mais avançados, disposto entre a objetiva e o sensor ou filme fotográfico, que é responsável por obstruir o sensor ou filme quando não estiver em registro da imagem e por abrir a cortina durante o período de tempo definido pelo fotógrafo ou pelos cálculos automáticos, de sorte a expor o sensor ou filme à luz necessária ao registro da imagem. AJUSTE DE VELOCIDADE DO OBTURADOR Regula a tempo, em frações de segundos, em que a película ou o sensor será exposto à luz. Quanto maior o número de Velocidade, mais rápida será a exposição. Escala geral: 2, 1, 2, 4, 8, 15, 30, 60, 125, 250, 500, 1000, Velocidades altas, congelam a cena. Velocidades baixas, borram os pontos com movimento. (Usar tripé) FOTOS EM LONGA EXPOSIÇÃO: São fotos registradas a velocidades extremamente baixas, capturadas com tripé e propulsor ou com Timer, para cenas com pouca iluminação (paisagens noturnas) ou quando se pretende enfatizar o movimento. DIAFRAGMA ou IRIS Regula a entrada de luz pela objetiva, de forma análoga ao íris do olho humano. Nas máquinas fotográficas, quanto maior o número de f, mais fechado está o diafragma. Escala geral: 1.8, 2.8, 4, 5.6, 8, 11, 16, 22. Todos os direitos reservados Fernando Martins - 3 a Edição. Página: 15

17 Nota: Relação óptica do diafragma: Quanto mais aberto, menor profundidade de campo, ou seja, a região em foco limita-se ao plano de foco, borrando os elementos anteriores e posteriores deste plano focal. O foco, nesta situação de lente muito aberta, fica muito crítico. À medida em que se fecha o íris ou diafragma, a profundidade de campo em foco aumenta proporcionalmente. Vale ressaltar que a arte fotográfica depende, em muito, desse conceito. Uma boa composição fotográfica pode ser conseguida na delimitação das áreas em foco, como meio de guiar o olhar do expectador para o assunto que o fotógrafo deseja que seja percebido. SENSIBILIDADE Calibra a leitura do fotômetro (dispositivo que mensura a quantidade de luz do ambiente), em função da sensibilidade à luz desejada. Em câmeras convencionais que usam filmes fotográficos, a sensibilidade é definida em ASA ou ISO e depende da quantidade de prata que foi aplicada neles durante a fabricação. Já no caso de equipamentos digitais, trata-se de um ajuste eletrônico que regula o quanto sensível à luz ficará o sensor. Quanto maior a sensibilidade à luz (porque mais sais de prata há nos filmes ou mais forçados serão os circuitos eletrônicos), menos luz precisará para o registro da imagem e, em compensação, mais granulada ficará a imagem (porque sais de prata não são translúcidos e o excesso de sensibilidade, ajustado eletronicamente, gera ruídos). Escala geral:..., 25, 50, 100, 200, 400, 800, Nota: Algumas câmeras convencionais recentes, que fazem uso de filmes fotográficos, eram dotadas com um sistema de leitura de ASA (ou ISO) automático, chamado de sistema DX. As bobinas dos filmes fotográficos 135 possuíam um tipo de código de barras, com informações da quantidade de chapas e da sensibilidade do filme. DISPOSITIVOS AUTOMÁTICOS Compensação de exposição (Pontos ou Passos) Funções Automáticas (P-Programa, A-Automático, Av- Prioridade Abertura, Tv-Prioridade Velocidade etc.) Botão Self Timer e Exposição Contínua Obturador White Balance Compensação Funções Automáticas (Programa, Automático, Prioridade Abertura, Prioridade Velocidade etc.) Todos os direitos reservados Fernando Martins - 3 a Edição. Página: 16

18 Notem que, nas ilustrações anteriores, por questões econômicas e/ou de desenho, cada câmera possui uma localização própria dessas funções, bem como de quais recursos estão disponíveis. COMPENSAÇÃO Ajustes finos para compensar aberrações de leitura do sistema de fotometria, principalmente usado para situações de forte contra-luz ou de objetos muito brancos com fundos escuros. Pode ser ajustado em passos (pontos) inteiros ou frações de exposição. Varia, em geral, de -2.0 a +2.0 pontos de exposição. Médio: 0. WHITE BALANCE: Balanço de Branco. É o ajuste necessário para que a câmera digital filtre as aberrações cromáticas das fontes de luz predominantes da cena, de sorte a deixar a imagem com cores mais naturais. Pode ser feito manualmente (posição set, para bater o branco ), por ajustes pré-ajustados (lâmpadas fluorescentes, halógenas, sol, tempo nublado etc.) ou automaticamente. Exercício prático 7: Anote quais recursos (ajustes) têm em sua máquina fotográfica, manuais e automáticos. Todos os direitos reservados Fernando Martins - 3 a Edição. Página: 17

19 7. COMO FOTOGRAFAR? A questão que mais confunde os fotógrafos iniciantes é que, para expor o filme ou sensor, os três dispositivos básicos utilizados na exposição (diafragma ou íris, velocidade do obturador e ajuste de sensibilidade) são GRANDEZAS INVERSAMENTE PROPORCIONAIS. Desta forma, para melhor explicar, apresentamos uma analogia desenvolvida pelo autor, como um interessante recurso didático: A Caixa D Água. ANALOGIA: A CAIXA D ÁGUA Tal como ocorre com a exposição de uma imagem durante um registro fotográfico, uma caixa d água conta com elementos semelhantes para que fique 100% cheia. Ou seja, o tempo gasto para que uma caixa se encha plenamente, sem jogar água fora, depende do tamanho do recipiente e de quanto aberta está a torneira. Certo? Desta forma, para encher uma caixa com capacidade de 1 litro de água, por exemplo, contando uma torneira aberta pela metade, leva-se, hipoteticamente, 3 segundos, para que se encha sem transbordar. Caso aumentemos a abertura da torneira para ¾ de vazão, para encher o mesmo recipiente, o tempo reduzirá em 1 segundo. No mesmo raciocínio, caso fechemos um pouco a abertura da torneira para ¼, o tempo gasto subirá em 1 segundo, conforme se pode notar na ilustração ao lado. Portanto, a cada passo que damos na abertura ou fechamento da torneira, diminui ou aumenta em um segundo, respectivamente, o tempo adequado para enchê-la. Seguindo o mesmo raciocínio, caso o volume da caixa seja aumentado, ou levará mais tempo para enchê-la com a mesma vazão ou teremos que compensar com uma maior abertura da torneira. Não é? Finalmente, pode-se concluir que, com a máquina fotográfica, o registro da imagem ocorre da mesma forma. Assim como há a abertura da torneira, a máquina fotográfica conta com a abertura da lente, realizado pelo ÍRIS ou DIAFRAGMA. O tempo em que o sensor ou película fotográfica ficará exposto é definido pelo ajuste de VELOCIDADE DO OBTURADOR. Já o volume da caixa d água foi usado para exemplificar como funciona o ajuste de SENSIBILIDADE, conforme pode-se ver nas ilustrações a seguir. Todos os direitos reservados Fernando Martins - 3 a Edição. Página: 18

20 Caixa D Água Volume do recipiente Abertura da torneira Tempo de vazão da água Câmera Fotográfica Sensibilidade (ASA ou ISO) Abertura do Íris ou Diafragma Velocidade do Obturador. De forma análoga ao enchimento da caixa d água, o ato de fotografar, também, segue os mesmos efeitos causados por GRANDEZAS INVERSAMENTE PROPORCIONAIS. A cada passo de velocidade de obturação que é acrescido, ou seja, que aumenta-se a velocidade de abertura da cortina, faz-se necessário que compense com um passo de abertura do diafragma ou que aumente em um passo a sensibilidade. 1 COMO TIRAR UMA FOTOGRAFIA NO MODO MANUAL, SEM FLASH? 1. Ajuste a máquina fotográfica para exposição manual (M). 2. Ajuste a sensibilidade da câmera (valores menores garantem melhores resoluções e os maiores são mais indicados para ambientes mais escuros ou que não se podem usar flashes). 3. Escolha se prefere priorizar o valor do diafragma ou da velocidade do obturador e fixe o valor desejado. Velocidades muito baixas fazem fotos tremidas. 4. Ajuste o balanço de branco, de acordo com a iluminação predominante (só câmeras digitais). 5. Faça o enquadramento da composição. 6. Ajuste o foco. 7. Faça a fotometria, apertando levemente o obturador. (Como cada máquina possui uma forma de apresentar a leitura, é indicado ler o manual. Em geral, fotometrias com iluminação deficiente fazem com que o Led verde fique piscando e que apareça uma marca na escala de compensação indicando a super ou subexposição. Quando a luz está correta, o Led fica aceso, sem piscar, e a marca de compensação situa-se ao centro.). 8. Ajuste o valor do diafragma (se preferiu fixar a velocidade) ou a velocidade (se fixou o diafragma) até que o Led verde pare de piscar e permaneça aceso. Caso em todos os ajustes o LED permaneça piscando, poderá ser necessário abaixar ou aumentar o valor fixado, por ter sido fixado além do valor possível. 9. Recomponha o enquadramento. 10. Dispare a foto. 2 COMO TIRAR UMA FOTOGRAFIA MANUAL, COM FLASH MANUAL? 1. Ajuste a máquina fotográfica para exposição manual (M). 2. Ajuste a sensibilidade de ASA do flash e o coloque na posição manual (M). 3. Ajuste o balanço de branco para a posição flash (só as câmeras digitais). 4. Saiba qual é a velocidade máxima de sincronismo entre a máquina e o flash e a ajuste com valor menor ou igual ao limite de velocidade. Velocidades ajustadas acima do limite fazem com que apenas parte da imagem saia iluminada e muito baixas fazem fotos tremidas. 5. Ajuste o foco e leia qual é a distância aferida. 1 Recomendado para câmeras que possuam posição Manual (M) 2 Recomendado para câmeras que possuam posição Manual (M) e que tenham sapatas para flashes externos. Todos os direitos reservados Fernando Martins - 3 a Edição. Página: 19

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