DIREITO ADMINISTRATIVO - 2

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1 Aluno(a): Educador(a): VALDIRENE Componente Curricular: DIREITO Ano/Turma: 2º Ano ( ) A ( ) B ( ) C Turno: ( ) Matutino ( ) Vespertino Data: / /19 DIREITO ADMINISTRATIVO - 2 ORGANIZAÇÃO DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA É indispensável ao Estado, no desenvolvimento de sua função administrativa, possuir uma estrutura organizada, que se efetiva por meio de suas entidades, órgãos e agentes. A Administração Pública abrange um conjunto de entidades e órgãos encarregados de realizar as atividades administrativas, que podem ser exercidas de três diferentes formas: centralizada, descentralizada ou desconcentrada. Órgãos Públicos Segundo Hely Lopes Meirelles (2003, p. 66): Órgãos públicos são centros de competência instituídos para o desempenho de funções estatais, através de seus agentes, cuja atuação é pautada à pessoa jurídica a que pertencem. São unidades de ação com atribuições específicas na organização estatal. A Lei 9.784/99, em seu art. 1º, institui órgão como unidade integrante da estrutura da Administração direta e da estrutura da Administração indireta e entidade como unidade de atuação dotada de personalidade jurídica. Via de regra, os órgãos por não possuírem personalidade jurídica, não podem figurar em ações judiciais (a pessoa jurídica a que pertencem possuem capacidade processual), porém existem exceções. A criação e extinção dos órgãos da Administração ocorrem por meio de lei de iniciativa do chefe do Executivo (Presidente da República, Governador de Estado ou do Distrito Federal e Prefeito, dependendo do caso). Uma vez criados, são organizados com base em decreto, se não houver aumento de despesas (art. 84, VI, a, da CF). Classificação dos Órgãos Públicos Os órgãos públicos podem ser assim classificados: quanto à posição estatal: órgãos independentes, órgãos autônomos, órgãos superiores e órgãos subalternos; quanto à estrutura: simples ou unitários, órgãos compostos; quanto à atuação funcional: singulares ou unipessoais, órgãos colegiados ou pluripessoais. 1.1 Quanto à posição estatal Órgãos independentes também chamados de órgãos primários dos estados, são os originários da CF/88 e representam as três funções do Estado (legislativa, executiva e judiciária). Estão no ponto mais alto da esfera governamental, não estando subordinado a qualquer outro órgão. Exemplos: Congresso Nacional, Senado Federal, Assembleias Legislativas, Governadorias, Prefeituras, Tribunais Judiciários. Órgãos autônomos são subordinados dos órgãos independentes, mas possuem autonomia administrativa, financeira e técnica. Algumas de suas funções são a de planejamento, supervisão, coordenação e fiscalização sempre no âmbito de suas atribuições. Exemplos: Ministérios, Secretarias de Estado e de Município, Advocacia-Geral da União. Órgãos superiores são subordinados e fiscalizados pela chefia mais elevada, não gozando de autonomia administrativa ou financeira, porém têm o poder de direção, controle, decisão e comando dos

2 assuntos específicos de sua competência. Exemplos: gabinetes, secretarias-gerais, inspetorias-gerais, procuradorias administrativas e judiciais, coordenadorias, departamentos e divisões. Órgãos subalternos sua função predominante é a execução de atividades administrativas, destinam-se à realização de serviços de rotina, tarefas de formalização de atos administrativos, cumprimento de decisões superiores. Exemplos: portarias, seções, expedientes Quanto à estrutura Simples ou unitários são órgãos públicos constituídos por um único centro de competência, podendo ser singulares (composto por uma só pessoa), ou colegiados (formados por várias pessoas). Órgãos compostos constituem-se de vários órgãos em sua estrutura. Exemplos: Secretaria de Educação (órgão que possui em sua estrutura muitas unidades escolares órgãos menores) Quanto à atuação funcional Singulares ou unipessoais são formados por um único agente, mas nada impede que outros órgãos o auxilie, pois o que caracteriza a singularidade é o desempenho de sua função principal investida em um só agente. Exemplos: Presidência da República, Governadorias Estaduais, Prefeituras. Órgãos colegiados ou pluripessoais são formados por várias pessoas. Prevalece a vontade proveniente da manifestação conjunta e majoritária de seus membros. Exemplos: Senado Federal. Administração Pública Direta Conjunto de órgãos que compõem as pessoas políticas do Estado (União, Estados, Municípios e Distrito Federal), pessoas jurídicas de direito público, subordinadas ao regime jurídico-administrativo (art. 18, da CF), e sua atuação ocorre de forma direta (centralizada) e desconcentrada. Exemplos de órgãos da Administração Pública Direta: Ministérios, Polícia Federal, Secretaria da Receita Federal. Administração Pública Indireta São entidades (de direito público ou privado) vinculadas à Administração Pública Direta, criadas para a execução de atividades administrativas. Trata-se de pessoas jurídicas autônomas, dotadas de capacidade administrativa e independência gerencial, porém, fiscalizadas pela Administração Direta. Todavia, a relação existente entre a Administração Pública Direta e a Indireta é vinculação e não a subordinação. Portanto, não há hierarquia entre elas. O Decreto 2000/67, em seu artigo 4º, tratando sobre a Administração Indireta, assim dispõe: A Administração Indireta, que compreende as seguintes categorias de entidades, dotadas de personalidade jurídica própria: - Autarquias; - Empresas Públicas; - Sociedades de Economia Mista; - Fundações Públicas. Parágrafo único As entidades compreendidas na Administração Indireta vinculam-se ao Ministério em cuja área de competência estiver enquadrada sua principal atividade. A seguir, esmiuçaremos cada uma dessas categorias de entidade. 1. Autarquia 1.1. Conceito Trata-se de uma pessoa jurídica de direito público criada por lei específica para o desenvolvimento de atividades típicas e específicas do Estado. É dotada de patrimônio próprio, bem como de capacidade administrativa, financeira e orçamentária.

3 1.2. Criação É criada por lei específica (art. 37, XIX, da CF). A criação de duas autarquias depende da edição de duas leis. A extinção dela também ocorre por meio de lei. Há possibilidade de criação de autarquia na esfera administrativa dos poderes Legislativo e Judiciário (não é comum), nesses casos, a iniciativa do projeto de lei é de competência do respectivo Poder Dirigentes São nomeados pelo chefe do Executivo, de acordo com as leis e seus regulamentos. A lei pode exigir aprovação dos nomes indicados pelo Poder Legislativo. No âmbito federal, compete ao Senado Federal (art. 52, III, f, da CF) Pessoal Por força de decisão provisória do STF, estão submetidos ao regime jurídico único (estatutário). São considerados servidores públicos, detentores de cargos públicos, devendo seguir a regra constitucional do concurso público, salvo os cargos em comissão, declarados em lei de livre nomeação e exoneração Atos Em regra, são considerados atos administrativos sujeitos a regime jurídico próprio Contratos São considerados administrativos, devendo ser precedidos de licitação, salvo nas hipóteses de dispensa e inexigibilidade prevista em lei Capacidade Administrativa As autarquias são criadas para desempenhar atividades administrativas, por isso, são consideradas pessoas administrativas. Não podem legislar e para a execução de suas atividades, estão incluídas nas leis orçamentárias (CF, art. 165, 5º, inciso I): A lei orçamentária anual compreenderá: I o orçamento fiscal referente aos Poderes da União, seus fundos, órgãos e entidades da administração direta e indireta, inclusive fundações instituídas e mantidas pelo Poder Público Patrimônio Surge com a transferência de bens móveis e imóveis do ente criador ao qual se vincula. O patrimônio é considerado público Privilégios Como são pessoas jurídicas de direito público, gozam de alguns privilégios para o desempenho de suas atividades. Os principais são: Privilégios processuais: - quádruplo do prazo para contestar as ações propostas contra a autarquia; - dobro do prazo para recorrer das decisões; - pagamento de custas processuais somente no final do processo, quando vencidas; - seus procuradores não precisam de procuração para tomarem parte em processo. Privilégio tributário: por expressa determinação constitucional, devem gozar do princípio da imunidade tributária recíproca (art. 150, 2º, CF). Não pagam impostos sobre seu patrimônio, rendas e serviços. Privilégio patrimonial: como seus bens são considerados públicos, apresentam as seguintes características: - são impenhoráveis; - são imprescritíveis; - são inalienáveis Fiscalização e Controle Não sofre um controle hierárquico do ente criador, mas um controle finalístico, podendo ser exercido de várias formas, dentre as quais: político (executivo), legislativo, judicial.

4 1.11. Agências Reguladoras Não existe uma regra especifica para as agências reguladoras, porém, todas foram constituídas sob a forma de autarquia especial, dotadas de uma liberdade maior para a regularização de setores da sociedade. Exemplos: Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), Agência Nacional de Petróleo (ANP). Como autarquias, cada qual é regida por lei específica, mas algumas características comuns existem: - possuem quadro próprio de agentes; - seus dirigentes são investidos pelo chefe do Executivo após a aprovação pelo Poder Legislativo; - para maior autonomia, seus dirigentes possuem mandato fixo; - apesar de não possuírem capacidade política, têm poder para regular setores específicos da sociedade (conforme a legalidade). 2. Fundação 2.1. Conceito São entidades dotadas de personalidade jurídica, criadas por lei específica, para o desenvolvimento de atividades de interesse coletivo, de natureza assistencial, educacional, pesquisa, entre outras Natureza jurídica Os estudiosos são divergentes acerca da natureza jurídica de uma fundação (se é direito público ou privado). Podemos destacar três posições: - São pessoas jurídicas de direito privado (Hely Lops Meirelles); - São pessoas jurídicas de direito público (Celso Antônio Bandeira de Mello); - Podem ser pessoas jurídicas de direito público ou privado, depende da vontade da lei (Diogenes Gasparini). O STF entende que a terceira posição é a mais adequada. Se a fundação é de direito público, tem a mesma característica da autarquia (depende de lei específica para ser criada). Todavia, a regra geral é de que a fundação é de personalidade jurídica de direito privado. Nesse caso, lei específica é que autoria a instituição, cabendo ao Poder Executivo elaborar os atos constitutivos e determinar o registro no órgão competente, para, então, adquirir personalidade jurídica. 3. Agência Executiva É um qualificativo dado a uma autarquia ou fundação que celebra contrato de gestão como o Poder Executivo (órgão vinculado), para aumentar a eficiência. Na esfera federal, os artigos 51 e 52 da Lei 9.649/98, assim dispõe: Art. 51 O Poder Executivo poderá qualificar como Agência Executiva a autarquia ou fundação que tenha cumprido os seguintes requisitos: I ter um plano estratégico de reestruturação e de desenvolvimento institucional em andamento; II ter celebrado Contrato de Gestão com o respectivo Ministério supervisor. 1º - A qualificação como Agência Executiva será feita em ato do Presidente da República. Art. 52 Os planos estratégicos de reestruturação e de desenvolvimento institucional definirão diretrizes, políticas e medidas voltadas para a racionalização de estruturas e do quadro de servidores, a revisão dos processos de trabalho, o desenvolvimento dos recursos humanos e o fortalecimento da identidade institucional na Agência Executiva. 1º - Os Contratos de Gestão das Agências Executivas serão celebrados com periodicidade mínima de um ano e estabelecerão os objetivos, metas e respectivos indicadores de desempenho da entidade, bem como os recursos necessários e os critérios e instrumentos para a avaliação do seu cumprimento. 2º - O Poder Executivo definirá os critérios e procedimentos para a elaboração e o acompanhamento dos Contratos de Gestão e dos programas estratégicos de reestruturação e de desenvolvimento institucional das Agências Executivas.

5 4. Empresas Estatais: Empresas Públicas e Sociedades de Economia Mista A Administração Pública Indireta também abrange as empresas estatais (empresas governamentais). São de duas espécies: Empresa Pública (CEF, ECT); Sociedade de Economia Mista (BB, Petrobrás). Em síntese, temos: Empresa Pública Sociedade de Economia Mista Natureza jurídica Pessoa jurídica de direito privado Pessoa jurídica de direito privado Capital Exclusivamente público Capital misto (parte público, parte privado) Forma societária Qualquer tipo societário Somente sociedade anônima (S/A, Ltda) (S/A), também chamada Finalidade Prestação de serviço público ou exploração de uma atividade econômica Foro Processual Federal: Justiça Federal (art. 109, I, CF) Estadual ou Municipal: Justiça Estadual companhia (Cia.) Prestação de serviço público ou exploração de uma atividade econômica Justiça Estadual (independe se é Federal, Estadual ou Municipal) 4.1. Criação A Empresa Pública e a Sociedade de Economia Mista são instituídas por lei específica que, após sua edição, caberá à Administração determinar o registro no órgão competente. A iniciativa do projeto de lei é competência do Chefe do Executivo Natureza Jurídica São pessoas jurídicas de direito privado, mas vinculadas a normas do Direito Público (Ex.: concurso público para contratação de pessoal). Portanto, são pessoas jurídicas de direito privado submetidas a um regime híbrido Dirigentes São nomeados de acordo com as leis e seus regulamentos. Conforme o STF, a exigência de aprovação do nome pelo Poder Legislativo é inválida Pessoal São considerados empregados públicos, sujeitos ao regime da CLT. Porém, é obrigatório o concurso público Finalidades As empresas estatais podem ser criadas para duas finalidades: prestação de serviço público e exploração de atividade econômica. Em regra, devem fazer licitação para celebração de contratos, salvo se o mesmo estiver relacionado com a atividade-fim da empresa Observações Os bens das empresas estatais são considerados privados, salvo quando estiverem vinculados a um serviço público (nesse caso, terão o mesmo tratamento dos bens públicos). Essas empresas não podem falir. Ao atuarem como prestadoras de serviços públicos, seguem as regras do Direito Público quanto à responsabilidade civil.

6 ATOS ADMINISTRATIVOS Todos os acontecimentos da vida, causados ou não pelo ser humano, são chamados de fatos. Se não apresentarem relevância jurídica, chamamos de fatos naturais; se apresentarem alguma relevância jurídica (criar, extinguir, modificar direitos), de fatos jurídicos. O ato jurídico corresponde a toda manifestação de vontade que tenha o objetivo de adquirir, resguardar, transferir, modificar ou extinguir direitos. Contudo, para ser válido, depende de três requisitos: - agente capaz; - objeto lícito possível e determinado ou determinável; - forma prescrita ou não defesa em lei. O ato administrativo é a manifestação unilateral de vontade do Estado, expedida no exercício da função administrativa, com base no interesse público e na legalidade, com a finalidade imediata de adquirir, resguardar, transferir, modificar, extinguir direitos e impor obrigações. 1. Requisitos ou Elementos do Ato Administrativo Apesar de divergências doutrinárias quanto aos requisitos do ato administrativo, tomaremos por base o posicionamento clássico, que prevalece nos concursos. Podem ser vinculados ou discricionários. São eles: Competência (Sujeito); Forma; Finalidade; Motivo (causa); Objeto. 2. Atributos do Ato Administrativo Os atributos decorrem das prerrogativas inerentes ao regime jurídico-administrativo, são as particularidades que diferenciam um ato administrativo dos demais atos jurídicos. São eles: Presunção de legitimidade e veracidade; Imperatividade (ou coercibilidade); Autoexecutoriedade; Tipicidade. 3. Classificação dos Atos Administrativos Segundo a doutrina majoritária, constituem as principais classificações os atos: 3.1. Quanto a seus destinatários Atos gerais (ou regulamentares) são expedidos sem destinatários determinados. Apresentam um comando geral e abstrato, alcançando todos os sujeitos que esteja na mesma situação de fato abrangida por seus preceitos. São revogáveis a qualquer tempo pela Administração, porém inatacáveis por via judicial (exceto, pelo questionamento da constitucionalidade). Exemplos: regulamentos, instruções normativas. Atos individuais (especiais) se dirigem a destinatários certos, criando-lhes situação jurídica particular, podem abranger um ou vários sujeitos, desde que sejam individualizados. Exemplo: decretos de desapropriação, de nomeação, de exoneração Quanto a seu alcance Internos repercutem dentro da Administração Pública, podem ser gerais ou individuais e não dependem de publicação oficial para sua vigência. Exemplos: portarias e instruções ministeriais.

7 Externos repercutem for da Administração, alcançando os administradores, os contratantes e, às vezes, os próprios servidores, provendo sobre seus direitos, obrigações, negócios e conduta perante a Administração Quanto a seu objeto Atos de império ou de autoridade a Administração pratica usando de sua supremacia sobre o administrado ou servidor, impondo obrigatório atendimento. Exemplos: desapropriações, interdições de atividade. Atos de gestão a Administração pratica sem usar de supremacia sobre os destinatários. Atos de expediente são atos de rotina interna, destinados a dar andamento aos processos e papéis que tramitam pelas repartições públicas Quanto a seu regramento Atos vinculados ou regrados são os que a lei estabelece requisitos e condições para serem realizados, sem conferir ao agente margem de escolha para atuação. Atos discricionários A Administração pode praticar com liberdade de escolha de seu conteúdo, de seu destinatário, de sua conveniência, de sua oportunidade e do modo de sua realização. Contudo, a discricionariedade do ato não autoriza medidas arbitrárias Quanto à formação Ato simples resulta da manifestação de vontade de um único órgão, unipessoal ou colegiado. Exemplo: despacho de um chefe. Ato complexo formado pela conjugação de vontade de mais de um órgão administrativo. Exemplo: investidura de um funcionário Ato composto resulta da vontade única de um órgão, porém depende da verificação por parte de outro, para se tornar exequível. Ex.: uma autorização que dependa do visto de uma autoridade superior Quanto à eficácia Ato válido está de acordo com a lei. Ato nulo apresenta um vício insanável. Ato anulável apresenta defeito sanável. A Lei 9.784/99 admite a convalidação do ato administrativo: (...) em decisão na qual se evidencie não acarretarem lesão ao interesse público nem prejuízo a terceiros, os atos que apresentarem defeitos sanáveis poderão ser convalidados pela própria administração. Ato inexistente tem aparência de manifestação regular da Administração, todavia não chega a aperfeiçoar-se como ato administrativo. Equipara-se ao ato nulo. Ex.: ato praticado por um usurpador de função pública Quanto a sua exequibilidade Ato perfeito é o que passou por todo o processo de formação e já está pronto para ser executado. Ato imperfeito sua formação está incompleta ou carente de um ato complementar para tornar-se exequível e operante. Ato pendente embora perfeito por reunir todos os elementos de sua formação, não produz seus efeitos por não se identificar o termo ou condição de que depende sua exequibilidade ou operatividade. Ato consumado é o que já produziu seus efeitos, tornando-se irretratável ou imodificável por lhe faltar objeto. 4. Espécies de atos administrativos Em conformidade com o posicionamento da doutrina majoritária, os atos administrativos podem ser organizados em cinco espécies: 1) Atos normativos - São os que apresentam um comando geral, impessoal e abstrato, visando, principalmente, à fiel execução das leis. Ex: decretos, regulamentos, regimentos.;

8 2) Atos ordinatórios - São endereçados aos servidores e tem a finalidade de disciplinar a conduta interna da Administração. Ex.: instruções normativas, circulares, avisos, portarias, ordens de serviço.; 3) Atos enunciativos - São os que atestam ou certificam fatos ou emitem opinião sobre determinado assunto. Não há comando ou ordem. Ex.: certidões, atestados, pareceres técnicos.; 4) Atos negociais - Surgem de um encontro de vontade da Administração com o pedido do administrado. Ex.: licença, autorização e permissão.; 5) Atos punitivos - Apresentam uma sanção imposta pela Administração aos que infringem disposições legais, regulamentares e ordinárias. Ex.: interdição de estabelecimentos, apreensão de mercadorias, suspensão de atividades. 5. Extinção dos atos administrativos A extinção dos atos administrativos se dar pelo: Cumprimento de seus efeitos é uma forma natural de extinção dos atos. Uma vez criado, e com a produção de seus efeitos, o ato se extingue automaticamente. Ex.: uma licença para dirigir, quando vencido o prazo de validade, é extinta. O ato cumpriu seus efeitos; Desaparecimento do sujeito da relação jurídica Os sujeitos da relação jurídica administrativa são a Administração Pública e o destinatário do ato Ex.: a falência de uma empresa extingue os atos que autorizavam seu funcionamento; Desaparecimento do objeto da relação jurídica o objeto consiste no liame que une a Administração Pública e o destinatário do ato. Ex.: terrenos acrescidos e de marinha que forem inundados por água do mar. Contraposição o efeito de um ato é contraposto ao feito de um posterior. Ex.: exoneração (servidor deixa o cargo) que contrapõe o efeito da nomeação; Caducidade é a retirada do ato administrativo por uma incompatibilidade com um norma superveniente (que surge após o vencimento). Ex.: norma que proíbe o funcionamento de determinada atividade antes permitida. Os atos que autorizavam a atividade se tornaram incompatíveis com a nova norma; Cassação extinção do ato corre pelo fato de seu destinatário descumprir as regras que deveriam ser obedecidas. Ex.: cassação de licença para o funcionamento de um hotel que se converteu em casa de tolerância; Revogação é a retirada do ato administrativo do mundo jurídico por razões de conveniência e oportunidade. Somente a Administração Pública tem o poder de revogar o ato administrativo. Não é dado ao Judiciário o poder de entrar no mérito para avaliar a conveniência e oportunidade. Pressupõe um ato válido; assim, não extingue as relações já ocorridas, ou seja, a revogação não tem efeito retroativo (ex nunc). Só ocorre em atos discricionários; Anulação é a extinção do ato administrativo tendo em vista sua ilegalidade. Pode ser realizada pela própria Administração Pública (de ofício ou mediante provocação) ou pelo Poder Judiciário. Tendo em vista a ilegalidade do ato, a anulação retroage ao momento em que o ato foi editado (ex tunc). O direito da Administração de anular os atos administrativos que decorrem efeitos favoráveis para os destinatários decai em 5 anos, contados da data em que foram praticados, salvo comprovada má-fé. Em decisão na qual se evidencie que não acarretam lesão ao interesse público nem prejuízo a terceiros, os atos que apresentarem defeitos sanáveis poderão ser convalidados pela própria Administração. Em ti confiam os que conhecem o Teu nome, porque Tu, Senhor, não abandonas aqueles que te buscam. Sl. 9:10