ESTUDO SINOTICO DE UM EVENTO EXTREMO EM 2012 NA CIDADE DE RIO GRANDE RS

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1 ESTUDO SINOTICO DE UM EVENTO EXTREMO EM 2012 NA CIDADE DE RIO GRANDE RS Dejanira Ferreira Braz¹ 1Universidade Federal de Pelotas UFPel/Faculdade de Meteorologia Caixa Postal Pelotas-RS, Brasil, RESUMO: Este trabalho apresenta um estudo sobre a tempestade que aconteceu nas cidades de Rio Grande e Pelotas,as quais foram atingidas por ventos fortes no dia 21 de Março de 2012, onde na praticagem do Porto de Rio Grande a rajada máxima alcançou 55 nós (101 km/h). A ocorrência deste e de outros fenômenos meteorológicos severos tem grande impacto na sociedade e no seu meio de vida. Vários danos são causados pelos eventos severos, o impacto econômico e os danos causados ao meio ambiente são sempre destacados nos meios midiáticos. Desta forma, o presente estudo analisou as condições sinóticas associadas ao evento, e observou a influência de um sistema frontal e de uma língua quente continental na formação do sistema convectivo de mesoescala em questão. ABSTRACT: This paper presents a study on the storm that happened in the cities of Pelotas and Rio Grande that were hit by strong winds on March 21, The occurrence of this and other severe weather phenomena has great impact on society and its way of life. Many injuries are caused by severe eventos, economic impact and damage caused to the environment are always coming from the media highlighted. Therefore, the synoptic conditions related to the storm are analyzed this work and was noted the influence of a frontal system and a continental warm tongue on formation of such convective mesoscale system. 1- INTRODUÇÃO A ocorrência de ventos fortes é uma situação que atinge diretamente a população, podendo causar prejuízos diversos, dependendo da intensidade destes ventos. A região sul do Brasil é freqüentemente afetada por este tipo de situação como ocorreu no dia 21 de março de 2012, ventos intensos castigou a cidades de Rio Grande e Pelotas. Apesar do tempestade de chuva e vento ter provocado estragos e transtornos em muitos pontos das cidades, os danos foram graves numa área limitada na localidade da Quinta,em Rio Grande.As tempestades são capazes de gerar rajadas de vento com força destrutiva (velocidade acima de 50 kt/26 m s-1) e/ou tornados (JOHNS e DOSWELL, 1992, MOLLER, 2001). As condições para o início de uma tempestade, segundo Bidner (1970) são instabilidade condicional, com uma camada úmida nos níveis baixo e um fator que dispare a convecção, esta condição forma nuvens com grande desenvolvimento vertical denominada cumulunimbus (Cb). 2 DADOS E MÉTODOS DE ANÁLISE Este estudo foi realizado para a região sul de RS, onde a análise se deteve do dia 20/04/2012 até 21/04/2012. A observação das condições atmosféricas em superfície foi realizada com os dados coletados pela estação meteorológica automática de superfície localizada na cidade Rio Grande (RS). Estes dados estão disponíveis no site do (INMet) Instituto Nacional de Meteorologia (http://www.inmet.gov.br). Imagens

2 (realçadas no canal infravermelho) e imagens (vapor d agua) geradas pelo satélite meteorológico (GOES-12) Geostationary Operational Environmental Satellite.Os campos meteorológicos utilizados no trabalho foram gerados por meio do Grid Analysis and Display System (GrADS). Os dados para plotar os campos meteorológicos foram utilizados por meio das análises finais (FNL) do (NCEP) National Center for Professional Education (http://www.esrl.noaa.gov/psd/data/reanalysis/reanalysis.shtml) que possuem resoluções temporal e espacial de 6 h e 2.5º x 2.5º graus, respectivamente. 3-RESULTADOS Os resultados mostram que entre 24hs e 12 horas antes das tempestades iniciarem sua formação na costa do Uruguai e logo após migrarem para o Brasil atingindo as cidades costeiras do sul como Rio Grande e Pelotas, onde os danos foram mais graves numa área limitada na localidade da Quinta, pode-se verificar que o Estado está sob influência de dois sistemas: um sistema frontal no Atlântico Sul e um sistema de baixa térmica (baixa do Chaco) sobre o continente, como mostra a Figura 1. Esta zona de baixa termo-orográfica esta sempre associada a sistemas convectivos, e também é comum a junção deste sistema sobre o continente com as frentes frias sobre o oceano. Figura1: Pressão em superfície (1000mb) do NCEP reanálises para o dia 20/03/2012 Esta configuração permitiu então no dia 21 de Março um transporte de temperatura positiva e também um transporte de umidade para a região, conforme as Figuras (2 e 3). Desse modo, foi favorecida a instabilidade na região, com o aumento do ponto de orvalho e queda da pressão atmosférica, devido ao deslocamento da baixa térmica mais para oeste, Figura 4. Isto é, este sistema de baixa no chaco, favoreceu o transporte de norte-noroeste na região, dando suporte para convergência de massa em baixos níveis. Os máximos de vento (Jatos) atuam ao sul de 20S, com o Jato Subtropical (JST) apresentando curvatura anticiclônica e contornando a borda sul da AB (não mostrados aqui). Na saída do JST observa-se forte difluência no escoamento, que favorece a divergência em altos níveis. Associado a isto há um cavado baroclínico em 500mb, com eixo estendido sobre o sul do Paraguai, nordeste da Argentina, RS e Atlântico adjacente, onde se conecta ao ramo frio de um ciclone extratropical em fase de oclusão, favorecendo gradiente de temperatura em superfície, Figura 5. Este acoplamento entre transporte de ar quente vindo de norte em baixos níveis com o JST

3 funciona como uma forçante, promovendo assim perda de massa nos altos níveis pela divergência e o desenvolvimento de nuvens de tempestade por convecção, isto é, ocorreu o levantamento do ar quente e úmido que foi advectado para a região. Figura 2. Advecção de temperatura (850hPa) Figura3. Geopotencial e Divergência em ises para o dia 21/03/2012 as 18Z 500hpa no dia 21/03/ás 18Z Figura4: A imagem do satélite GOES-12 Figura5: Pressão em superfície (1000mb) do das 00Z para o dia 21/03/2012 NCEP reanálises para o dia 21/03/2012 Figura.6- A imagem do satélite GOES-12 no canal infravermelho realçada dos dias 22/03/2012 ás 00Z.

4 Com isso, ocorreu a formação de um sistema convectivo de meso-escala (SCM), com rápido deslocamento para norte-nordeste, Figura 6. Tal deslocamento foi promovido pela forte advecção de vorticidade negativa, (não mostrada aqui), o que possibilitou a queda da pressão em superfície, como mostra o Gráfico da estação automática de Rio Grande (INMET). e a Figura 7. Logo, esses fatores foram preponderantes no rápido deslocamento do sistema para Norte-nordeste, disparando também a convecção sobre a região com desenvolvimento de células profundas que chegaram a valores de temperatura de -70 C, como mostra a Figura 6. Gráfico.1-Dados de pressão dos em 500mb dos dias 20 e 2122/03/2012 ás 18Z. Fonte:INMET Figura.7-Pressão em superfície(1000mb) no dia 22/03/2012 ás 18Z

5 Figura 8. Temperatura do ar (em K) no nível de 925 hpa, do dia 18 (a) ao 22 (e). Na Fig.8 nota-se uma língua quente que propicia condições para a convecção pronunciando-se desde o dia 18 sobre a Argentina, acarretando em forte gradiente de temperatura.tais características forneceram condições para o desenvolvimento de um sistema convectivo de mesoescala (SCM) que provocou a tempestade sobre as cidades de Pelotas e Rio Grande. 4 CONCLUSÕES O presente estudo mostrou que o caso de tempestade ocorrido em Rio Grande nos dias 20 e 21 de março de 2012 obtiveram as seguintes conclusões: (i) O sistema frontal induziu a formação de fortes áreas de instabilidade sobre o estado do Rio Grade do sul. (ii) O tempo severo esteve associado ao deslocamento de uma frente fria que encontrou o ar quente e úmido no que estava sobre o Estado. Dessa forma passou para um sistema convectivos de meso-escala (SCM), com rápido deslocamento. (iii) E assim com a forte queda da pressão em superfície e com o incremento de intensa vorticidade favoreceu o levantamento vertical sobre a região. (iv) Os danos na localidade da Quinta só podem ter sido causados por ventos com velocidade superior. O provável é que frente de rajada tenha passado pela cidade portuária, mas não é possível se descartar que na região da Quinta a linha de tempo severo possa ter produzido até um tornado. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BIDNER, A. The Air Force Global Weather Central severe weather threat (SWEAT) index A preliminary report. AWS RP 105-2, n 70-3, Scott AFB, IL, CPTEC/INPE. 2005: Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos - Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais. Apresenta: imagens de satélite. Disponível em <http://www.cptec.inpe.br>. INPE 2011: Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais. Apresenta imagens de satélite. Disponível em <http://www.inpe.br>. JOHNS, R. H.; DOSWELL, C. A. Severe local storms forecasting. Wea. Forecasting,v. 7, p , MARCELINO, I. P. V. O. Análise de episódios de tornados em Santa Catarina: caracterização sinótica e mineração de dados. São José dos Campos. 214

6 p.dissertação (Mestrado em Sensoriamento Remoto) Pesquisas Espaciais, 2003 Instituto Nacional de PETTERSSEN, S. Weather analysis and forecasting, New Youk, NY, McGraw-Hill.2ª ed. 1956, V.1. ROCKWOOD, T.A.; MADDOX, R.A.;1988. Mesoescale and Synoptic leading to intense UCCELLINI, L. W.; JOHNSON, D. R.. The coupling of upper and lower tropospheric jet streaks and implications for the development of severe convective systems. Mon. Wea. Rev.. 107(6): , VAREJÃO-SILVA, Mário Adelmo. Meteorologia e Climatologia. Recife: Versão digital 2, 2006

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