UNIVERSIDADE LUTERANA DO BRASIL - CAMPUS TORRES CURSO DE TURISMO E HOTELARIA

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1 UNIVERSIDADE LUTERANA DO BRASIL - CAMPUS TORRES CURSO DE TURISMO E HOTELARIA MATEUS LEMOS DA SILVA ROTEIRO TURÍSTICO COMO PROPOSTA PARA O DESENVOLVIMENTO DO TURISMO EM TAVARES-RS Torres 2009

2 1 UNIVERSIDADE LUTERANA DO BRASIL - CAMPUS TORRES CURSO DE TURISMO E HOTELARIA MATEUS LEMOS DA SILVA ROTEIRO TURÍSTICO COMO PROPOSTA PARA O DESENVOLVIMENTO DO TURISMO EM TAVARES-RS Monografia de Bacharelado em Turismo Universidade Luterana do Brasil Campus Torres Área de Ciências Sociais Aplicadas Curso de Turismo Orientador: Prof. Carlos Alberto Krause Torres 2009

3 2 FOLHA DE APROVAÇÃO NOME DO AUTOR: MATEUS LEMOS DA SILVA TÍTULO: ROTEIRO TURÍSTICO COMO PROPOSTA PARA O DESENVOLVIMENTO DO TURISMO EM TAVARES-RS LOCAL: TORRES-RS DATA: / /. Carlos Alberto Krause Professor Orientador Banca Examinadora Professora Alexandra Marcella Zottis Professor José Alberto Chemin Banca Aprovada em: / /.

4 3 DEDICATÓRIA Aos meus pais exemplos de pessoas corajosas e batalhadoras, início de tudo e base de minha vida, que com seu amor e carinho me proporcionaram uma vida digna, e me ensinaram tudo o que sei hoje. A minha namorada Jéssica, minha companheira de TCC, por ter me amparado no momento em que mais precisei com sua dedicação, atenção, incentivo e carinho,

5 compartilhando comigo as angústias e preocupações de todo trabalho. 4

6 5 AGRADECIMENTOS Ao meu professor orientador Krause, pela paciência e dedicação, sendo uma pessoa fundamental na construção deste trabalho; A professora Alexandra, que me mostrou que tenho capacidade; A todos meus amigos, que de alguma forma me apoiaram nesse caminho, em especial ao Tom, ao Jathiel, ao Vinicius, ao Renan, ao Batista e ao Felipe e também a minha irmã Sara,

7 6 que me proporcionaram momentos inesquecíveis de minha vida. Uma viagem de mil milhas começa com o primeiro passo

8 7 (Autor desconhecido)

9 8 RESUMO O turismo é uma opção de desenvolvimento, onde acontece a atividade. O estudo tem como objetivo analisar e mostrar que os roteiros turísticos podem ser instrumentos potencializadores para o desenvolvimento de uma região, e também servir como impulso para atrair visitantes. Este trabalho verifica as potencialidades para implantação de um roteiro turístico, abrangendo a Laguna dos Patos e seu entorno no município de Tavares, através de uma revisão da literatura e pesquisa de campo, mas o setor necessita de profissionais da área e contar com o apoio da prefeitura para que o turismo se torne uma atividade geradora de renda e emprego e desenvolvimento da economia local. Diante disto, considerou-se que o roteiro cumpre um papel fundamental no desenvolvimento e, quando bem articulado, pode trazer inúmeros benefícios para todos os envolvidos no processo turístico. Palavras-chaves: turismo; desenvolvimento; roteiros turísticos; Tavares; Laguna dos Patos.

10 9 RESUMEN El turismo és una opción de desarrollo, donde sucede el actividad. El estudio tiene como objetivo analizar y muestran que las rutas turísticas pode ser instrumento potencializadores para o desarrollo de una región, y también servir como impulso para atraer visitantes. Este estudio confirma el potencial para el despliegue de una visita panorámica que abarca la Laguna de los Patos y sus alrededores en la ciudad de Tavares, a través de una revisión de la literatura y la investigación de campo, pero el sector necesita de profesionales del área y contar con el apoyo de la alcaldía para que el turismo se torne una actividad generadora de renta y empleo y desarrollo de la economía local. Delante de esto, estimo-se que el roteiro cumple un papel fundamental en desarrollo, y cuando bien articulado, pueden traer innumeres beneficios para todos los envolvimos en lo proceso turístico. Palabras claves: turismo; desarrollo; rutas turísticas; Tavares; Laguna dos Patos.

11 10 SUMÁRIO INTRODUÇÃO O TURISMO E SEU DESENVOLVIMENTO Planejamento do Turismo ROTEIROS TURÍSTICOS E SEUS VALORES ECOLOGIA E MEIO AMBIENTE ECOTURISMO TAVARES Histórico Economia Turismo uma nova alternativa econômica DESCRITIVO DO ROTEIRO PROPOSTO CONCLUSÃO REFERÊNCIAS OBRAS CONSULTADAS ANEXO A Palestra proferida por Molina em Mostardas ANEXO B Farol Capão da Marca ANEXO C Sambaquis.. 50 ANEXO D Pôr-do-sol da Laguna dos Patos. 50

12 11 INTRODUÇÃO O Turismo tornou-se um dos fenômenos mais importantes da sociedade pósmoderna. O constante deslocamento de pessoas em busca de lazer, descanso, entretenimento, atividades fora do cotidiano, rever amigos, conhecer novas culturas e novos lugares é o resultado visível e, porque não, tangível dessa afirmação. Quando falamos em turismo logo nos vem à mente a palavra viagem, o prazer de conhecer o novo, algo para além da rotina em que vivemos. A atividade turística gira em torno dos atrativos de um lugar, com destaque para as expectativas relacionadas ao descanso e reencontro do homem com a natureza através de suas paisagens. Por isso a necessidade de se preservar o patrimônio natural local, uma vez que a poluição ambiental pode comprometer os esforços para o desenvolvimento do turismo. Tavares é uma cidade cuja economia está voltada ao cultivo da cebola e do arroz, à pesca e, desde alguns anos, à extração de madeira de pinus. Esta monografia mostra que há outra economia pouco explorada, a atividade turística. E muito discreta, quase sem expressão, com pouco incentivo e a comunidade local, em sua maioria, desconhece o potencial turístico do município, potencial este que pode se tornar, através da implantação de um roteiro turístico, o responsável pelo maior desenvolvimento da economia da cidade.

13 12 Esta monografia busca mostrar e identificar a importância das contribuições de um roteiro turístico como potencializador para o desenvolvimento, tomando como produto a Laguna dos Patos e seu entorno na cidade de Tavares, Rio Grande do Sul. Tavares é uma cidade acolhedora, devida, principalmente, ao fato de que sua população, autóctone ou não, é formada por gente simples e humilde. Um povo amigável, fazendo florescer este município litorâneo do sul do estado do Rio Grande do Sul, localizado na península entre a Laguna dos Patos e o Oceano Atlântico. Diante de tantos atrativos que a cidade oferece, considera-se vantajosa a criação de um roteiro turístico, já que o mesmo poderá proporcionar ao turista e também à população da região um melhor aproveitamento destes potenciais que a Laguna dos Patos e seu entorno oferecem. Além disso, considera-se importante esclarecer a comunidade sobre os benefícios que essa atividade pode trazer, mostrando que trabalhar de maneira conjunta e integrada, acabará unindo forças na implementação da atividade turística na economia do município. A Lagoa do Peixe é o grande destino turístico no município, mas é intenção mostrar outras possibilidades, como forma de ampliar o interesse sobre os atrativos locais. O setor turístico de Tavares, ainda pouco explorado e por consequência frágil economicamente, carece de profissionalismo em todos os aspectos para receber a demanda de turista. No decurso do trabalho são apresentados seis capítulos, sendo um composto pela contextualização de Turismo, evidenciando autores como Bahl, Molina, Dias e Tavares. A evolução do trabalho baseou-se em pesquisa bibliográfica para o aprofundamento teórico, buscando apresentar, e após, analisar o relacionamento entre as questões referentes ao assunto pesquisado e sua importância para trabalhar roteiros turísticos como instrumentos favoráveis ao desenvolvimento de Tavares.

14 13 1 O TURISMO E SEU DESENVOVIMENTO A Organização Mundial do Turismo (OMT) conceitua Turismo da seguinte maneira: As atividades de pessoas que viajam e permanecem fora de seu local de residência habitual por um período que não deve exceder um ano consecutivo, para lazer negócios e outros objetivos (2003, p. 11). Segundo Beni, hoje conceitua-se turismo como um processo elaborado e complexo de decisões sobre o que conhecer, sobre o que visitar, onde, como e a que preço (2003, p.36). O turismo tornou-se grande opção para as pessoas que buscam encontrar lazer, descanso, entretenimento, adquirir cultura e novos conhecimentos, atividades que estejam fora do seu cotidiano. Segundo Oliveira: Quando uma região organiza seu patrimônio turístico e o prepara para ser comercializado, estará atendendo as necessidades dos visitantes e formando um mercado turístico, que vai ser menos ou mais procurado segundo a qualidade de sua oferta. (2000, p. 53) A qualidade será definida se a comunidade local e o setor público e privado estiverem conscientizados que, trabalhando juntos, os valores turísticos da região tornar-se-ão uma fonte de renda, trazendo benefícios a todos que estiverem participando. Dessa maneira fica claro que a atividade turística está relacionada também ao setor econômico, porque desde a partida do visitante de seu local de

15 14 origem já se observa a movimentação econômica causada por esse deslocamento. Com a decisão do individuo de efetuar uma viagem, ele já começa a gerar gastos com a compra de passagens, combustível, alimentação, equipamentos fotográficos e demais itens necessários. Estabelecimentos comerciais de cidades que ficam no seu trajeto estão de alguma forma ganhando com esse deslocamento. Os turistas encontram várias formas para se deslocar para o seu destino turístico. Os pacotes turísticos e viagens organizadas permitem que a pessoa que vai usufruir do roteiro já saiba o que vai fazer no seu destino antes mesmo de sair da sua cidade. As agências de viagens já têm pacotes com seu detalhamento completo, ou com o que o turista deseja, e até se ocorrer algum imprevisto, oferecendo outra opção. Com isso o turista encontra formas variadas para o pagamento de pacotes turísticos, o que variam possibilita planejar com um bom tempo de antecedência, porque pela oferta desses pacotes pelas agências de viagens eles começam a ser pagos bem antes do acontecimento da viagem. Tudo hoje que envolva turismo e sua atividade turística, junto com sua oferta, terá sempre por trás um planejamento turístico, importante peça para o desenvolvimento do turismo, da economia do local e do entorno onde se encontram os atrativos. A atividade deve ser tratada e planejada de maneira que favoreça a inclusão social, diminuindo as desigualdades, abrindo horizontes e melhorando o bem-estar da comunidade local, sempre planejado e voltado para atender às expectativas dos turistas. O planejamento envolve a comunidade local e tem como objetivo sensibilizar e treinar para que tenham um papel de agente e usem os recursos de receber pessoas para seu próprio beneficio. Como afirma Molina: Uno de los desafíos más importante consiste en hacer del turismo una actividad socialmente incluyente, es decir, que responda a las expectativas de los diferentes grupos por incorporarse a los beneficios del desarrollo a través del turismo. (2005, p. 58)

16 15 A atividade turística se revela de uma complexidade enorme, visto que a mesma mexe com vários fatores, sejam eles sociais, culturais, econômicos e até mesmo, aspectos físicos da localidade turística. Porém, se essa atividade for gerida de maneira correta certamente promoverá o desenvolvimento das comunidades e dos indivíduos que nelas estão inseridos. Tavares conta que atrativos turísticos não existem por si só, mas somente de forma contextualizada. Torna-se necessária a efetiva utilização turística da localidade onde estão inseridos, para que estes adquiram caráter de atrativo. (2002, p. 18) O turismo, quando realizado de forma planejada pode promover e gerar empregos diretos e indiretos com a sua atividade; é fonte de renda para o comércio em geral e serve como uma fonte de economia para ajudar no desenvolvimento de uma cidade. Entretanto, ele também eleva as condições de vida da comunidade envolvida na atividade turística, pelos avanços de sua infra-estrutura e pelos serviços proporcionados. Rabahy nos diz que: A importância do turismo em uma economia depende, basicamente, de suas precondições naturais e econômicas existência do atrativo turístico, infra-estrutura [...], equipamentos turísticos e acessibilidade ao mercado consumidor -, das características do país emissor\receptor, grau de desenvolvimento e, em função de suas alternativas, do papel reservado a esse setor em sua estratégia de desenvolvimento econômico. (2003, p.60). Todavia, tendo em mãos o produto turístico para torná-lo em oferta turística, que são os serviços que vão ser oferecidos ao turista e todos os elementos com os quais ele se envolve. Segundo Ruschmann (1997), oferta turística é a soma de todos os serviços ou produtos adquiridos pelo visitante durante a sua estada no local visitado, que vão

17 16 desde os atrativos turísticos (recursos naturais, culturais e tecnológicos), equipamentos e serviços (alojamento, alimentação, transporte, entretenimento) até a infra-estrutura básica (saneamento, iluminação, acessos) e de apoio (segurança, saúde, sinalização). (RUSCHMANN apud DIAS, 2000, p. 17) Turismo, em resumo, pode se dizer que é uma atividade que envolve o deslocamento por um tempo de pessoas por variados motivos, movimentando vários setores na economia do local visitado e o que envolva até chegar em seu destino, além de ser uma alternativa econômica lucrativa, pode também ser um agente de transformação social, proporcionando um intercâmbio cultural. 1.1 PLANEJAMENTO DO TURISMO Molina conceitua o planejamento do turismo como [...] um processo racional cujo objetivo maior consiste em assegurar o crescimento e o desenvolvimento turístico. Este processo implica vincular os aspectos relacionados com a oferta, a demanda, e em suma, todos os subsistemas turísticos, em concordância com as orientações dos demais setores de um país. (2005, p. 46) Já Dias conta que: O planejamento é uma atividade, não é algo estático, é um devir, um acontecer de muitos fatores concomitantes, que têm de ser coordenados para se alcançar um objetivo que está em outro tempo. Sendo um processo dinâmico, é licita a permanente visão, a correção de rumos, pois exige um repensar constante, mesmo após a concretização dos objetivos. (BARRETO apud DIAS, 2003, p. 88) Com base nessas citações podemos dizer que planejamento é o resultado de um processo lógico de pensamento, tendo que ser feita uma analise da realidade e, após, fazer um plano para resolver os problemas.

18 17 De acordo com Molina e Abita (1987), citados por Barreto (2005, p.21): [...] o planejamento do turismo deve ser ou participativo ou transacional, e que é preciso melhorar qualitativamente o nível de participação dos membros da sociedade. Isso implica, por parte dos governos, a decisão política de descentralizar e, por parte das pessoas, de serem menos individualistas e pensarem mais no meio ambiente natural e cultural [...]. Entende-se que a comunidade, as pessoas responsáveis pelo poder público e privado da região devem estar conscientizados de que a participação de todos juntos ha atividade turística tornará possível sua realização. A OMT defende a idéia de que: Ao elaborar planejamento turístico, as autoridades devem estar cientes da existência de uma série de tendências e exercerem influência sobre esse setor. Uma tendência básica é a de que é maior o número de turista a se interessarem por recreação, esportes e aventuras e a procurarem informações a respeito da história, da cultura e do ambiente natural das áreas que visitam. [...] É maior o número de turistas sensíveis ás questões do meio ambiente que procuram visitar lugares bem planejados, que não criem problemas ambientais e sociais. (2003, p. 17) Molina afirma também que as instituições governamentais de turismo devem priorizar a criação de projetos conjuntos, com a participação empresarial e comunitária. Conforme Dias, ao decidirmos fazer um planejamento, na verdade estamos optando por um determinado futuro, e a partir dessa escolha organizaremos o presente para que possamos atingir o objetivo traçado. (2003, p. 87) Com base nessa citação entende-se planejamento turístico como conhecimento do destino e da oferta (atrativo, infra-estrutura), onde serão todos estudados junto com a comunidade local, que interfere na atividade. Com base inicial, é importante fazer um levantamento para saber a realidade dos pontos visitados do roteiro, obtendo sua situação atual.

19 18 Para Dias (2003) o ponto de partida é o diagnóstico, que é uma análise do passado que constitui a base factual, estatística ou histórica do processo de planejamento. (HOLANDA apud DIAS, 2003, p. 96) Já Molina e Rodríguez definem diagnóstico como: [...] é a primeira etapa do processo de planejamento, na qual se analisa a situação do objeto ou objetos que se pretende modificar, com a finalidade de compreender sua estrutura, composição e comportamento no sentido atual, assim como a função que ele cumpre no âmbito geral em que se desenvolve. (2001, p. 95) No mesmo segmento, Dias conta que: Uma vez feito o diagnóstico, o plano propriamente dito é um prognóstico sobre o comportamento futuro do que esta sendo planejado. [...] prognóstico se fundamenta, em primeiro lugar, em uma previsão ou projeção de tendências que visualiza as potencialidades de crescimento e identifica os fatores que limitam ou restringem essas possibilidades. (HOLANDA apud DIAS, 2003, p. 96) Entretanto, Molina e Rodríguez dizem que: Uma vez elaborado o diagnóstico, efetua-se um prognóstico, isto é, a previsão referente ao comportamento futuro do abjeto do planejamento. Somente a partir de um diagnostico é possível efetuar um prognóstico, que consiste numa projeção das variáveis identificadas no diagnóstico. (2001, p. 95) Como vimos nas citações, no diagnóstico será feita uma análise do que e como será planejado e após procede-se à elaboração do plano, e por fim à sua implementação, o prognóstico. De um modo geral os elementos básicos de um processo de planejamento são: o agente de planejamento, a comunidade receptora, a previsão, a informação, os objetivos, os meios, os prazos, a coordenação, a eficiência, e a decisão. (DIAS, 2003, p. 95)

20 19 Mais uma vez, para Molina e Rodríguez: O processo lógico de pensamento que dá vida ao planejamento vai se concretizando na elaboração de diferentes documentos e na execução de diversas atividades. Pode-se dizer que o planejamento dividi-se em duas fases: a primeira é denominada fase de definição, e a segunda é chamada fase de aplicação. (2001, p. 90) Como diz Oliveira é essencial que os residentes da comunidade estejam envolvidos nas tomadas de decisão e na gestão de turismo, em termos de planejamento e desenvolvimento. (2000, p.138) O turismo quando, não planejado, pode gerar efeitos negativos à comunidade local. O planejamento tem um papel importante como ferramenta para tornar a pratica do turismo um fator de desenvolvimento sustentável da região. Segundo Dias: A falta de planejamento adequado dos recursos naturais de uma destinação turística poderá acarretar, a médio prazo, no esgotamento deste recursos que, na maioria dos casos, são irrecuperáveis, inviabilizando a comercialização e, consequentemente, acarretando o abandono do local por parte da demanda. (2003, p. 38) Isso mostra que a falta de planejamento, além de prejudicar a sustentabilidade, pode ocasionar a perda do atrativo devido à falta de adequação do seu uso, onde será perdida toda uma demanda turística que havia no local. Evidencia que o planejamento é uma peça fundamental na atividade turística. O processo de roteirização deve ter o foco na construção de parcerias, entre o realizador do roteiro, o poder público, o privado e a comunidade, fazendo com que trabalhem todos juntos, num modo de buscar o aumento das oportunidades de negócios na região turística onde se encontra o roteiro. Também buscar nas outras regiões e na própria região do roteiro, novos atrativos que possibilitem o desenvolvimento turístico e econômico das mesmas, sempre procurando com planejamento a melhor condição para que o turista possa aproveitar do atrativo sem depreciá-lo e danificá-lo de forma direta ou indireta.

21 20 Dias afirma que ao planejar uma cidade, uma região, ou um segmento da economia, podemos considerar possível uma participação direta daqueles que serão envolvidos pelo planejamento. (2003, p. 113) Como objetivos principais para participação dos envolvidos aparecem a sensibilização e o treinamento da comunidade no tocante à natureza, que é rica nessa região, de forma que esta possa reutilizar os recursos em benefício próprio. É imprescindível despertar a consciência para a sustentabilidade e a preservação do meio ambiente, a valorização da cultura, da história e dos recursos ambientais locais, todos aspectos importantes para o desenvolvimento do turismo que trarão maior bem estar para a comunidade localizada na região do roteiro. Molina, em palestra proferida na cidade de Mostardas, no dia 21 de novembro de 2007, falou da importância de não permitir que o turista venha interferir na identidade cultural visitada. O entendimento desta citação possibilita afirmar que o turista que compra o pacote para visitação deve ser devidamente conscientizado para respeitar a identidade local, bem como, também ser informado do valor que representa para a história da região esse atrativo. Hoje os turistas buscam novidades nos roteiros turísticos, conforme Bahl: [...] busca-se cada vez mais a apresentação de programas que evidenciem aspectos diferenciais e, com isso, incorre-se no perigo do artificialismo como recurso alternativo e induzido. Na ânsia de apresentar aspectos exóticos, algumas localidades receptoras são alteradas, criando-se verdadeiros cenários artificiais e fantasiosos, descaracterizando do cotidiano preexistente. (2003, p. 142) Na mesma linha, Molina diz que: Os mercados orientam-se de forma acelerada para novas formas de turismo, as empresas estão sujeitas a inovação que

22 21 afetam suas estruturas e seus produtos e serviços, e até mesmo seus objetivos tornaram-se comparativamente mais complexos. (2005, p. 46) Ambas as citações nos mostram que vivemos em tempo de mudanças quanto ao que é valido hoje e consumido, pois amanhã pode não responder mais às necessidades que parecia satisfazer. Com isso, os mercados buscam formas para reagir rapidamente a essas mudanças, tentando satisfazer os desejos e motivações dos turistas que procuram algo novo, que corresponda aos seus desejos ou os surpreenda. Hoje o turismo tende a diversificar cada vez mais suas ofertas. Podemos concluir que os responsáveis pelo pensar como fazer turismo devem agir para evitar o artificialismo a que se refere o autor. Não é só o turista que está descaracterizando os locais. O poder público e a população estão, de certa forma, alterando e contribuindo para essa descaracterização, fazendo com que percam sua identidade cultural por interesses financeiros, transformando-os estes em não lugares. Por outro lado, a conservação do que já existe ou foi implantado deve ser cuidadosamente mantida para que não se encontrem estruturas deterioradas, transmitindo a impressão de abandono e desleixo, consumindo altos custos de restauração e reparos (BAHL, 2003, p. 144). A conservação do patrimônio sempre contribuirá melhor para a identidade do local do atrativo turístico. A sua preservação e cuidado evitará que venham denegrir sua imagem como um todo, criando artificialidades ao invés de preservar os valores já existentes ou tentando explorar mais a região à procura de novos atrativos. Segundo Bahl: O artificialismo nem sempre é desejado, mas torna-se um recurso para a manutenção do sonho daqueles turistas sequiosos em conhecer aspectos da cultura de um local e de seu comportamento;

23 22 portanto deve-se zelar para que o fenômeno não seja tão depreciado e, ao mesmo tempo, rememore um dado momento das manifestações da comunidade e que alguma evidência ainda transpareça. (2003, p. 145) Portanto, o planejamento voltado para o turismo, deve se adequar às motivações do fluxo turístico e do núcleo receptor, o qual se preocupa em atender às expectativas do turista que visita a região. A atividade turística possui a capacidade de promover impactos de ordem positiva e negativa, vindo a tornar pública a importância da preservação e do planejamento de forma concreta e permanente, com vista do bem estar da comunidade receptora e a rentabilidade dos empreendimentos do setor. Com isso, os incentivos à estimulação de preservação dos atrativos tem que ser cada dia mais comuns e convencer a comunidade da importância da preservação não é tarefa simples. Leite afirma que a sustentabilidade é definida como a capacidade de seguir alcançando os objetivos ao longo do tempo, enfrentando um entorno agressivo. (2003, p.5) O autor chega a esta conclusão baseado no modelo Porter, que esclarece sobre forças competitivas: Aparição de competidores; Aparição de substitutos; Poder de negociação frente à demanda; Poder de negociação frente aos fornecedores; A rivalidade das empresas do setor de referência. O envolvimento da comunidade define o rumo do planejamento que, se não contar com o apoio desta, está fadado ao insucesso. Como Leite nos conta: Os novos modelos de desenvolvimento local exigem a participação de toda a sociedade e há, também, a necessidade de

24 23 uma cooperação entre as entidades que formam uma mesma cadeia de valor e gravitam em torno dela, buscando uma dinâmica produtiva e o aumento da sua competitividade. (2003, p. 8) O que Leite afirma, no caso de Tavares, irá se complementar na idéia da participação ativa da comunidade autóctone ou não. Para garantir a qualidade dessa atividade tem que por em prática alguns dos principais objetivos do planejamento turístico, promovendo os incentivos necessários para estimular a implementação de serviços turísticos, minimizar a degradação dos locais e recursos sobre os quais o turismo se estrutura, e proteger aqueles que são únicos, buscando sustentabilidade econômica, preservação à cultura e ao meio ambiente e procurando a aprovação por parte da comunidade. Frossard nos diz que: Frente a tantos desafios, entende-se que, se por um lado as exigências de um maior nível de escolaridade e de uma melhor qualificação do profissional geram perspectivas otimistas quanto a sua valorização político-economica, social e cultural, por outro lado é necessário conviver com o desemprego e o subemprego. No entanto, entende-se que o ensino é o começo para as mudanças e, para isso, a qualidade do ensino oferecido pelas instituições de ensino do turismo é fundamental. (2003, p. 401) Como demonstra o autor, a qualificação do ensino é a melhor alternativa para desenvolver o turismo na região, sendo um dos principais problemas a falta de qualificação profissional no setor. É preciso buscar profissionais que possam assumir essa proposta e ajudar na conscientização da comunidade, para saber como receber e consolidar a atividade como uma alternativa econômica. O setor turístico da região é economicamente frágil, e carece de profissionalismo. Molina afirma: O pós-turismo requer um novo perfil há força do trabalho. Apresenta a necessidade de contar com uma nova geração de trabalhadores; com cientistas e técnicos alimentados pelos conhecimentos da era da informatização, aprendidos em centros de

25 24 estudos de excelência. Esses trabalhadores se concentrarão na pesquisa, no projeto, na estruturação, na operação e na melhora continua dos componentes dos produtos/serviços pós-turísticos. (2003, p. 99) Conforme Leite, o turismo é uma das atividades que mais tem crescido no mundo e incorporado mais amplamente os requintes da moderna tecnologia, requerendo eficiência, diversificação, atendimento personalizado e qualidade nos serviços. (2003, p.4) Com a tecnologia atual, empresas no ramo do turismo tendem a substituir empregos por tecnologias, onde as mesmas são capazes de realizar trabalhos e tarefas que estavam aos cuidados do homem. Nessas empresas só vão conseguir trabalho funcionários capacitados a realizar os mais diversos processos, como, por exemplo, um recepcionista terá que ser telefonista, fazer reservas, vendas, entre outras funções.

26 25 2 ROTEIROS TURÍSTICOS E SEUS VALORES Os roteiros turísticos, quando bem elaborados e organizados, unem elementos, transformando-os em um produto, gerando oportunidades de negócio para economia da região e tendo a capacidade de transformar a oferta turística e todos elementos que a envolvem, em algo para comercialização. Entre as várias definições sobre roteiros turísticos, o Programa de Regionalização do Turismo PRT define-os como sendo o itinerário caracterizado por um ou mais elementos que lhe conferem identidade, definido e estruturado para fins de planejamento, gestão e promoção e comercialização turística das localidades que formam o roteiro (Programa de Regionalização do Turismo: Roteiros do Brasil, Diretrizes Operacionais, 2004). Segundo Bahl, é uma descrição pormenorizada de uma viagem ou do seu itinerário. Ainda, indicação de uma seqüência de atrativos existentes numa localidade e merecedores de serem visitados (BAHL apud GUEDES p.42). Já Tavares afirma que: Roteiros turísticos são itinerários de visitação organizados. [...], programações efetuadas com a finalidade de turismo. Roteiros existem em qualquer parte onde esteja sendo praticado o turismo, seja em pequenas localidades ou em grandes cidades. Podem ocorrer também em diferentes ambientações, como em áreas urbanas ou rurais, regionais, nacionais, internacionais ou entre elas (2002, p.14).

27 26 Entre esses conceitos pode se afirmar que um roteiro turístico pode e muito contribuir para o desenvolvimento do turismo de uma região. Mostra o que uma localidade tem de melhor e não somente nos serviços oferecidos pelo mesmo para consumo do turista. Tavares complementa: É uma importante ferramenta para a leitura da realidade existente e da situação sociocultural vigente na localidade. É importante que seja coeso e contextualizado, o que dará uma visão abrangente e, ao mesmo tempo, clara do local visitado (2002, p. 14). Na mesma linha, Tavares afirma que se deve tomar o cuidado para não correr o risco de o roteiro ser incoerente em relação a sua história, devendo sempre ressaltar a cultura e mostrar a alma do local. (2002, p.14). Os roteiros turísticos são de grande importância para o desenvolvimento do turismo, tornando-se peças fundamentais na organização e comercialização do turismo como um produto. De forma geral, o turismo não é feito por visitações realizadas a atrativos isoladamente, mas sim pela visitação de atrativos ou locais inseridos em um contexto maior, quer seja com referência a aspectos de sua história, de sua cultura, de sua geografia ou relativos ao seu meio ambiente. (TAVARES, 2002, p.13) Sobretudo, deve entender e aproveitar os atrativos turísticos e as suas potencialidades para a implantação de um roteiro turístico, fazer um levantamento sobre cada um deles, descobrindo os aspectos principais e suas importâncias, e compreendendo seu valor nos meios em que se encontram, sendo culturais, históricos, ambientais e comerciais. Sabendo que o mercado de hoje está cheio de exigências e expectativas, deve-se estar sempre atento a essas adversidades que o turismo atual exige. Tavares (2002) diz que, segundo o local, a elaboração dos roteiros podem ter dois critérios, sendo classificados como emissivos e receptivos. Os roteiros

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