REPÚBLICA DE MOÇAMBIQUE DISCURSO DE SUA EXCELÊNCIA PRIMEIRO. MINISTRO, Dr. Pascoal Mocumbi, POR OCASIÃO DO LANÇAMENTO OFICIAL DA PESQUISA

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1 REPÚBLICA DE MOÇAMBIQUE DISCURSO DE SUA EXCELÊNCIA PRIMEIRO MINISTRO, Dr. Pascoal Mocumbi, POR OCASIÃO DO LANÇAMENTO OFICIAL DA PESQUISA NACIONAL DE BASE SOBRE GOVERNAÇÃO E CORRUPÇÃO Maputo, 27 de Novembro de 2003 Senhores Membros do Conselho de Ministros, Senhores Secretários Permanentes, Senhores Representantes da Sociedade Civil, Senhores Representantes da Comunidade Internacional, Caros Convidados, Minhas Senhoras, Meus Senhores,

2 Em Junho de 2001 o Governo lançou a Estratégia Global da Reforma do Sector Público como instrumento para a melhoria do funcionamento do Sector Público em geral e da Administração Pública em particular, concorrendo para a promoção da boa governação. O lançamento da Reforma decorre da percepção clara de que o sector público funciona com baixos níveis de eficiência e eficácia. Esta situação afecta consideravelmente a implementação das estratégias e programas de desenvolvimento, como as reformas sociais e económicas consubstanciadas no Programa de Redução da Pobreza Absoluta o PARPA e nos Planos Económicos e Sociais (PES) anuais. A revitalização e o bom funcionamento do sector público é uma condição sine qua non para a consolidação do processo democrático no País, uma vez que permitirá aos poderes públicos instituídos responderem à demanda da sociedade e, desta 2

3 forma, exercerem o papel do Estado de depositário e garante dos direitos dos cidadãos. Assim, a Estratégia Global da Reforma define cinco áreas prioritárias de acção: A racionalização, descentralização e redução de processos e estruturas de prestação de serviços; A melhoria na gestão de políticas públicas A profissionalização e desenvolvimento dos recursos humanos A Melhoria da gestão financeira do Estado e prestação de contas e A boa governação e combate à corrupção. Estas cinco áreas de força não são independentes; estão interligadas e é justamente desta relação que depende a implementação bem sucedida da Reforma. 3

4 Assim, a melhoria do funcionamento do sector púbico só é possível através de um esforço conjugado de vários processos simultâneos, tais como: A descentralização crescente e sustentável de competências ao nível local acompanhada de um processo de capacitação institucional; A redução de procedimentos burocráticos, principalmente no atendimento ao público e no licenciamento de actividades económicas; A melhoria no processo de gestão de políticas públicas, desde a sua preparação, passando pela formulação, decisão, implementação e culminando na sua avaliação; A formação dos funcionários públicos, a melhoria da capacidade de gestão, das condições de trabalho e dos incentivos e a consequente profissionalização da administração pública; e 4

5 A melhoria do modo como os fundos do Estado são geridos, bem como os mecanismos de prestação de contas; Minhas Senhoras Meus senhores A Reforma em curso, vai para além das simples mudanças nas estruturas do Aparelho do Estado e no fluxo de papeis. Portanto, o seu sucesso depende fundamentalmente da mudança da atitude e comportamento dos funcionários perante o seu trabalho. Nesse âmbito, o principal desafio da reforma, é o factor humano, que é estratégico e determinante para a prestação de serviços de qualidade ao cidadão. 5

6 Excelências, Caros Convidados Decorridos mais de dois anos após o lançamento da Estratégia Global da Reforma do Sector Público, o progresso obtido é visível. Assim, o Conselho de Ministros aprovou e está em implementação o Decreto 30/2001 de 15 Outubro, que introduz mudanças e melhorias substanciais nas normas de organização e funcionamento da Administração Pública. Na área da gestão financeira, assinalamos a introdução do novo Sistema de Administração Financeira do Estado SISTAFE, que permitirá uma maior flexibilidade, transparência e melhor prestação de contas na gestão dos fundos do Estado. No tocante à desburocratização são notórios os esforços empreendidos na redução da obtenção do 6

7 direito de uso e aproveitamento da terra, assim como no licenciamento de actividades industriais e comerciais. Neste último aspecto, realçamos a instalação de balcões de atendimento único nas províncias, visando a integração simultânea dos diversos serviços envolvidos no processo de licenciamento. Esta experiência tem contribuído para a redução das barreiras ao investimento privado. Foi também introduzido o visto de fronteira, que constitui um estímulo adicional para os investidores e turistas. No desenvolvimento dos recursos humanos, o Sistema de Formação em Administração Pública SIFAP é uma realidade, com a expansão dos Institutos de Formação em Administração Pública e Autárquica os IFAPAs, para as províncias de Sofala e Niassa e o processo de instalação do Instituto Superior de Administração Pública ISAP, em fase avançada. Paralelamente, o Sistema de Informação 7

8 de Pessoal SIP, deverá ser consolidado de modo a tornar-se um dos principais instrumentos de gestão dos recursos humanos do Estado. A Assembleia da República aprovou a Lei 8/2003, de 19 de Maio, que introduz inovações na organização e funcionamento dos órgãos locais do Estado, consagra o processo de descentralização e desconcentração em curso no País, com implicações positivas profundas para a governação tanto local como nacional. Caros convidados, Minhas senhoras, Meus senhores, O combate à corrupção, é um compromisso firme e enquadra-se nas prioridades do governo. A corrupção é um mal que afecta não só o sector público, mas toda a sociedade. Ela tem custos elevados para 8

9 todos, porque aumenta as dificuldades de acesso aos serviços públicos. Desde o pacato cidadão que suborna o funcionário público para ver o seu expediente tratado com rapidez, até ao empresário que paga comissões para acelerar a aprovação dos seus investimentos. A corrupção traz consequências negativas para a sociedade, porque retrai o investimento privado, aumenta a pobreza, retarda o desenvolvimento e limita o acesso dos cidadãos aos seus direitos mais elementares. Não é possível consolidar a democracia com a existência da corrupção. Assim, em Fevereiro de 2003, o Governo aprovou a Metodologia da Pesquisa Nacional de Base Sobre Governação e Corrupção. Esta pesquisa, cuja realização estará sob a responsabilidade da Unidade Técnica da Reforma do Sector Público - UTRESP, tem como objectivo a 9

10 auscultação da sociedade sobre as percepções existentes relativamente à governação e ao fenómeno da corrupção, e será realizada em todo o País, envolvendo três grupos sociais: Os funcionários públicos Os agregados familiares E o sector empresarial Alguns sectores de opinião, em base de simplismo, dizem sem sustentar que a pesquisa não constitui uma necessidade, que é um exercício dispensável, perante a magnitude do problema que vivemos e que de algum modo temos vindo a combater, interessando, simplesmente, intensificar o combate. O nosso entendimento é o de que os resultados da pesquisa permitirão ao Governo formular políticas e programas mais claros, consistentes e integrados, visando a melhoria da governação e o combate à corrupção, passando pela criação de uma base de 10

11 dados sobre esta matéria no País. Aliás, a pesquisa não pressupõe nem implica tréguas no combate contra a corrupção e sim a adopção de medidas mais contundentes, mais eficientes e mais eficazes nesta frente. Até ao momento, a maior parte das avaliações sobre corrupção em Moçambique provêm ou de organizações internacionais ou de instituições nacionais. Tais análises às vezes não têm em conta a complexidade e especificidades da realidade moçambicana nem a necessária abrangência em termos de cobertura do nosso território e representatividade do mosaico cultural, social e económico do país. Por essa razão, a Pesquisa Nacional de Base sobre Governação e Corrupção, terá cobertura nacional, também levando em conta as particularidades de cada província do País. Para que a pesquisa tenha os padrões de qualidade mundialmente exigidos, estamos a trabalhar com 11

12 especialistas internacionais com larga experiência neste domínio. A nível interno, para que o processo seja um exercício transparente e participativo, o inquérito será realizado por uma empresa privada, seleccionada através de concurso público. Ainda no âmbito da pesquisa foi recentemente criada a Comissão Técnica para a Supervisão da Pesquisa, composta por representantes dos ministérios, do legislativo, do judiciário, do sector privado, bem como da sociedade civil e dos doadores. A Comissão técnica é responsável pelo acompanhamento de todos os estágios da pesquisa, nomeadamente: Avaliação e selecção da empresa ou instituição de consultoria que realizará o inquérito; Aprovação dos questionários do inquérito; 12

13 Avaliação e monitoria do progresso do trabalho a ser realizado; Apreciação e aprovação do relatório de pesquisa; Decisão sobre a Estratégia de divulgação; Proposta de medidas ou políticas para melhorar a governação e reduzir a corrupção. A pesquisa terá uma duração de nove meses e o seu sucesso depende do empenho de todos nós. Os questionários serão feitos individualmente, e o Governo reafirma o seu compromisso de garantir a confidencialidade dos mesmos, pelo que gostaria de exortar a todos os cidadãos que colaborem com os inquiridores e expressem livremente a sua opinião, pois ela é fundamental para a melhoria da governação e combate à corrupção no País. 13

14 Excelências, Caros Convidados, Caros cidadãos A terminar, gostaria de agradecer aos nossos parceiros de cooperação, que juntamente com o Governo financiam não só a realização desta pesquisa, mas também todo o Programa da Reforma do Sector Público. Em nome do Governo da República de Moçambique, lanço oficialmente a Pesquisa Nacional de Base sobre Governação e Corrupção, Muito Obrigado! 14

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