GESTÃO DE PESSOAS: O ENDOMARKETING NO SISTEMA PRISIONAL Penitenciária I de Balbinos SP

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1 1 UNISALESIANO Centro Universitário Católico Salesiano Auxilium Curso de Administração Itamar Aparício de Oliveira GESTÃO DE PESSOAS: O ENDOMARKETING NO SISTEMA PRISIONAL Penitenciária I de Balbinos SP LINS SP 2008

2 2 ITAMAR APARICIO DE OLIVEIRA GESTÃO DE PESSOAS: O ENDOMARKETING NO SISTEMA PRISIONAL Trabalho de Conclusão de Curso apresentado à Banca Examinadora do Centro Universitário Católico Salesiano Auxilium, curso de Administração sob a orientação do Profº M.Sc Paulo Jair Viottto e orientação técnica da Profª Esp. Ana Beatriz Lima. LINS-SP 2008

3 3 ITAMAR APARICIO DE OLIVEIRA GESTAO DE PESSOAS: O ENDOMARKETING NO SISTEMA PRISIONAL Monografia apresentada ao Centro Universitário Católico Salesiano Auxilium, para a obtenção do título de Bacharel em Administração. Aprovada em:.../.../... Banca Examinadora: Profº Orientador : Paulo Jair Viotto Titulação: Mestre em ciências gerenciais pela Universidade de Marília. Assinatura: 1ºProf.(ª): Titulação: Assinatura: 2ºProf.(ª): Titulação: Assinatura:

4 4 Dedico esta conquista, primeiramente a Deus, que, com seu amor misericordioso e paciente, me forneceu todas as ferramentas necessárias para chegar até aqui e a todos os que Ele colocou em minha vida. Ao Sr. Luiz França de Oliveira, administrador nato e meu maior incentivador. A Sra. Júlia Benedita Vasiules de Oliveira, que com seu carinho de mãe mais parece uma xerografia da Mãe Auxiliadora. Ao André, exemplo de administrador arrojado. A Dayana, fiel companheira que esteve sempre presente. Aos amigos que me suportam e acreditam nos meus ideais. Itamar Aparício de Oliveira.

5 5 Agradecimentos A Deus, Obrigado por me dar forças e abrir os caminhos para que eu pudesse ter chego até aqui. À Penitenciária I de Balbinos, Agradeço a todos os funcionários e diretores que se dispuseram a contribuir com esse trabalho. Aos Orientadores, Bia e Viotto, obrigado pelos ensinamentos e por disponibilizarem, sem medidas, atenção e conhecimentos. Aos professores e mestres, Obrigado a todos os que ao longo desses anos contribuíram, cada um com sua parcela, para o meu crescimento. A todos o meu muito obrigado!

6 10 RESUMO Com a globalização do mercado e o surgimento da era da qualidade total, estudiosos da Administração perceberam que, na maioria das vezes, as pessoas constituem o capital mais importante das organizações. Assim, muitas empresas focalizam a gestão de pessoas como estratégia gerencial para se tornarem mais competitivas, surgindo então o endomarketing, que, de uma forma resumida, se conceitua como o marketing voltado para o cliente interno. O sistema prisional tem por objetivo inserir novamente o individuo preso, de forma reabilitadora na sociedade e os agentes responsáveis por esse trabalho são expostos aos influxos deletérios da prisão que podem levá-los ao distanciamento dos valores sociais normais e muitas vezes os tornam desmotivados. A insalubridade e a periculosidade existentes nos locais de exercício dessa função, propiciam aos funcionários, situações que os levam a um baixo nível de motivação e comprometimento com a instituição, além de afetar a saúde física e psicológica dos mesmos. Os problemas existentes comumente nas organizações prisionais devem ser combatidos com ações voltadas a dar suporte aos funcionários para que eles consigam se motivar. A gestão de pessoas nesse ambiente deve ser feita com muita cautela e atenção, pois, os relacionamentos com pessoas que apresentam comportamento tido como normal pela sociedade já é instável, portanto, muito mais complexo é o trabalho dos agentes penitenciários que trabalham diretamente com pessoas que tiveram algum desvio de conduta e se distanciaram dos valores sociais. A falta de um significado no trabalho que os agentes desenvolvem é apontada como variável que inibe a motivação. Nesse contexto, o endomarketing pode ser usado como ferramenta para aumentar a motivação desses funcionários e criar condições para que eles desenvolvam suas funções de forma mais satisfatória. O endomarketing, com a utilização de uma gerencia participativa e a busca de uma valorização do funcionário, é uma das principais ferramentas gerenciais para o sucesso de uma instituição prisional. Palavras-Chave: Endomarketing. Gestão. Pessoas. Motivação.

7 11 ABSTRACT With the globalization of market and appearance of the era of total equality, experts of administration perceibed that, most of the time, people constitute the most important capital of organizations. So, many companies focus the management of people as management strategy to become more competitive, emerging the endomarketing, which, in a short way, if form as the marketing is returned to the internal client. The prison system aims to relocate the arrested person to resocialize in the society and the agents responsible for this work are exposed to inflows of the prisons that may take them to distance of the regular social values and many times make them demotivating. Unsanitary and hazard existing in places of this function, offer for the employees situations that takes them to a low level of motivation and commitment with the institution, besides to affect the physical and psychological health of them. The existing problems commonly in the prison organizations must be fight with actions returned support to the employees so that they can motivate themselves. The people management in this environment must be done with a lot caution and attention, because the relationships with people who present behavior held as normal by the society, is already unstable, therefore, much more complex is the work of the Prison Officers who work directly with people that had some diversion of conduct and have got away of the social values. The lack of meaning at work that the agents develop is pointed as a variable that inhibit the motivation. In this context, endomarketing may be used as a tool to increase the motivation of these employees and create condition so they develop their duties of forn more satisfatory. The endomarketing, with the use of a participatory management and the search of a enhancement of the employee, is one of the main management tools to the success of a prisonal institution. Key words: Endomarketing. Management. People. Motivation.

8 6 LISTA DE FIGURAS Figura 1: Projetos fundamentais de Gestão de RH Figura 2: Pirâmide de Maslow Figura 3: Entrada da Penitenciária I de Balbinos Figura 4: Veículo usado para o transporte de presos Figura 5: Sub portaria da Penitenciária I de Balbinos Figura 6: Instalações da Penitenciária I de Balbinos Figura 7: Organograma da Penitenciária Figura 8: Grau de motivação Figura 9: Grau de motivação Figura 10: Grau de motivação Figura 11: Grau de motivação Figura 12: Grau de motivação Figura 13: Grau de motivação Figura 14: Tipo de liderança Figura 15: Tipo de liderança Figura 16: Tipo de liderança Figura 17: Tipo de liderança Figura 18: Tipo de liderança Figura 19: Tipo de liderança LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS ASP Agente de Segurança Penitenciário SAP Secretaria da Administração Penitenciária

9 7 SUMÁRIO INTRODUÇÃO CAPITULO I A GESTÃO DE PESSOAS E SUA IMPORTÂNCIA NA BUSCA DE MELHORIAS GESTÃO DE PESSOAS A satisfação do cliente O cliente interno As teorias X e Y Gerencia Participativa A cultura Organizacional Análise do ambiente interno Motivação Ambiente e motivação O endomarketing Planejamento básico de endomarketing Empregando o endomarketing CAPÍTULO II A PENITENCIÁRIA I DE BALBINOS HISTÓRICO A Penitenciária I de Balbinos A Missão As instalações físicas e as atividades As instalações para os funcionários Organograma As dificuldades CAPÍTULO III A PESQUISA INTRODUÇÃO Relato e discussão sobre a motivação dos funcionários Relato e entrevista feita aos diretores Parecer final do caso... 35

10 8 PROPOSTA DE INTERVENÇÃO CONCLUSÃO REFERÊNCIAS APÊNDICES APÊNDICE A Roteiro de estudo de caso APÊNDICE B Roteiro de observação sistemática APÊNDICE C Roteiro de entrevista aos funcionários APÊNDICE D Roteiro de entrevista para os diretores... 45

11 9 O47g Oliveira, Itamar Aparício de Gestão de pessoas: o endomarketing no sistema prisional: Penitenciária I de Balbinos - SP / Itamar Aparício de Oliveira. Lins, p. il. 31cm. Monografia apresentada ao Centro Universitário Católico Salesiano Auxilium UNISALESIANO, Lins-SP, para graduação em Administração, 2008 Orientadores: Paulo Jair Viotto; Ana Beatriz Lima 1. Gestão de Pessoas. 2. Endomarketing. 3. Motivação. I Título. CDU 658 ~

12 10 INTRODUÇÃO Há muito tempo, as organizações, sejam elas quais forem e a que ramo de atividade pertençam, perceberam que a satisfação de seus clientes é um dos fatores mais importantes para o sucesso de seu negócio. A partir de então, instaurou-se no mercado uma verdadeira maratona em busca de, mais do que satisfazer, encantar o cliente. Segundo Chiavenato, (1999, p.4), em vez de investirem diretamente nos clientes, elas estão investindo nas pessoas que os atendem.... Então, o grau de motivação dos funcionários passa a ser visto como um termômetro que aponta a abertura da organização para um mercado cada vez mais competitivo. Descobrir o significado do trabalho e as vantagens que ele trás, torna-se imprescindível para que o funcionário tenha motivação em desenvolver suas atividades. Na contramão de tudo isso, estão os serviços prestados pelo funcionalismo público, que, na maioria das vezes, é apontado por grande parte das pessoas como de baixa qualidade e ineficientes. A burocratização de algumas repartições, somado à utilização de métodos e processos ultrapassados e a falta de uma fiscalização permanente nos serviços prestados talvez justifique parte desta insatisfação da população, mas, veremos nesse trabalho, que a motivação é particular a cada pessoa e o gestor de pessoas deve fornecer condições para que os seus comandados se desenvolvam. Para Dutra, (1996, p.137), a gestão de pessoas até o presente momento tem se focalizado mais no controle dos recursos humanos do que em seu desenvolvimento. Pode-se observar claramente que quando as empresas buscam desenvolver os seus colaboradores e os manter motivados, as mesmas colhem, geralmente bons frutos, principalmente a médio e longo prazo. Os funcionários do sistema prisional paulista, administrado pela Secretaria da Administração Penitenciaria SAP além das limitações comuns a todos os funcionários públicos, trabalham com a parcela da sociedade marginalizada e classificada como de alta periculosidade e o contato com essa população carcerária cria dentre outros, o fenômeno da prisionização, que é a

13 11 assimilação dos costumes da vida carcerária e o distanciamento dos padrões sociais normais. Mussak (2007, p.106) afirma que um clima saudável aceita a diferença de opinião, a discussão calorosa e até um certo nível de estresse... Buscar o aumento da motivação e uma melhoria na qualidade de vida dos funcionários pode ser a melhor maneira de fornecer condições para que os mesmos executem suas funções da melhor forma possível. A partir do que foi estudado, surgiu a seguinte pergunta: Até que ponto o endomarketing deve ser usado como ferramenta para a melhoria da motivação do quadro funcional de uma instituição prisional? Em resposta a essa pergunta, foi apontada a seguinte hipótese: Os funcionários do sistema prisional são expostos a atividades de elevado grau de estresse e baixo nível motivacional e o endomarketing é de suma importância para amenizar os problemas adquiridos com essas adversidades. Com o objetivo de demonstrar na prática a veracidade da hipótese apresentada, foi realizada uma pesquisa de campo na penitenciaria I de Balbinos no período de Fevereiro a Setembro de 2008, utilizando-se como métodos e técnicas de pesquisa: estudo de caso e observação sistemática. O trabalho conta com o Capítulo I, que trata dos conceitos de Gestão de Pessoas e o Endomarketing, o Capítulo II que tem um breve histórico do sistema prisional paulista e da penitenciária I de Balbinos SP e o Capítulo III que traz a pesquisa realizada nesta Organização. Finalizando o trabalho, teremos a proposta de intervenção e a conclusão.

14 12 CAPITULO I A GESTÃO DE PESSOAS E SUA IMPORTÂNCIA NA BUSCA DE MELHORIAS 1 GESTÃO DE PESSOAS A gestão de pessoas é uma das ferramentas mais importantes que uma empresa tem para aumentar sua produtividade e atingir seus objetivos. As empresas devem investir não apenas nos tomadores de decisão, mas em todo o corpo funcional para obter melhores resultados. Gerir pessoas consiste não apenas em controlar, mas também em buscar desenvolve-las. Mais isso nem sempre é fácil, principalmente diante da instabilidade emocional das pessoas e as suas diferentes formas de reações diante das diferentes situações que o dia-a-dia trás. A gestão de pessoas deve englobar uma série de fatores que, agindo em conjunto proporcionam as condições necessárias para as pessoas desempenharem suas funções. O mercado sofre constantes mudanças e a cada dia surgem novas tendências que devem ser acompanhadas pelas empresas. As inovações que o mercado apresenta, exige das organizações, profissionais bem preparados, que possam atender, de forma mais satisfatória possível as necessidades dos clientes. Segundo Fernandes (1996), tais inovações exigirão novas posturas, novos comportamentos, novas concepções sobre a gestão de recursos humanos. Sendo assim, faz-se necessário um projeto fundamental de Gestão de Pessoas. Por projetos fundamentais de gestão de pessoas, entendemos, uma política de cargos e salários, treinamento conectado à ascensão profissional, plano de carreira, pesquisa salarial, empowerment groups (delegação de poderes aos grupos), projetos de produtividade, estrutura de endomarketing, flexibilização hierárquica e a pesquisa de clima organizacional. Tudo isso deve estar agindo em conjunto para se obter melhores resultados.

15 13 O sucesso de uma organização depende muito das pessoas que nela trabalha e o desenvolvimento das mesmas depende de uma série de fatores que devem agir em conjunto, como podemos observar na figura a seguir: Fonte:www.skywalker.com.br/artigos/imagens/fig3/2008 Figura 1: Projetos fundamentais de Gestão de RH 1.1 A satisfação do cliente As organizações desenvolvem suas atividades, voltadas a satisfazerem às necessidades e desejos de seus clientes, que são os que as fazem viver ou sobreviver no mercado. O crescimento do mercado e o surgimento de um número cada vez maior de empresas, faz com que se crie um ambiente competitivo e as organizações se deparam com um cenário onde já não basta satisfazer, é

16 14 preciso encantar o cliente, é preciso ir um pouco além daquilo que o cliente espera. Os clientes cada vez mais estão atentos a qualidade dos produtos ou serviços que consomem e essa crescente exigência por parte deles exigem das organizações uma postura de mais empenho e atenção em relação a eles O cliente interno A melhor forma de atender a clientes cada vez mais exigentes, é a busca incessante pela qualidade dos produtos ou serviços prestados. Os colaboradores da empresa são, na maioria das vezes, os grandes responsáveis pelo sucesso ou fracasso da organização. Nesse contexto, os funcionários devem ser tratados como clientes internos da organização e tanto quanto os clientes externos, precisam de motivos para se manterem satisfeitos com organização e colaborarem com ela. 1.2 As teorias X e Y Segundo Douglas McGregor, autor da teoria X e da teoria Y, a organização tradicional, com a decisão centralizada e o controle exterior do trabalho, se baseia em suposições a respeito da natureza humana e da motivação do homem. A Teoria X, afirma que a maioria das pessoas não gostam de assumir responsabilidades e não se interessam pelo serviço, elas preferem ser dirigidas e não gostam de trabalhar. Os gerentes que aceitam a teoria X procuram supervisionar e controlar seus subordinados com muita rigidez e nem sempre conseguem bons resultados. Já a Teoria Y, supõe que as pessoas não são por natureza preguiçosas e é preciso uma compreensão mais exata da natureza e do comportamento humano e sua motivação. Segundo essa teoria, as pessoas se interessam pelo trabalho e o encaram como natural, desde que as condições sejam favoráveis.

17 Gerencia participativa Encontramos como uma das formas mais eficazes e que traz melhores resultados na gestão de pessoas, a chamada gerencia participativa, onde a principal característica é que as decisões são tomadas diante da obtenção das opiniões de todas as pessoas envolvidas. Para que a gerencia participativa ocorra, é de fundamental importância que a liderança exercida pelo gerente seja uma liderança carismática, ou seja, que ela tenha sido conquistada e não imposta de forma autoritária. O líder carismático consegue o comprometimento dos seus liderados e maior produtividade dos mesmos com muito mais eficiência do que um líder imposto pela organização e que não leva em conta a opinião dos colaboradores. Em geral, as pessoas se sentem motivadas quando visualizam que são importantes no desenvolver dos processos ou atividades que as organizações desenvolvem. Além de administrar as pessoas, o gerente deve buscar desenvolve-las, incentivando-as a melhorar suas habilidades. O gestor de pessoas deve ter atenção especial com os possíveis talentos da empresa, sem, contudo, se esquecer dos demais. 1.4 A cultura organizacional A cultura organizacional está ligada aos costumes e rituais que a empresa possui no desenvolver de suas atividades diárias e abrange todo corpo funcional. A cultura organizacional tem impacto principalmente na forma das pessoas se comunicarem e no ambiente criado no trabalho. Esse clima dentro da organização deve ser o mais saudável possível e as novas pessoas que vierem a fazer parte da empresa devem ser incentivadas a se adaptarem a essas normas e costumes. A cultura organizacional varia de uma organização para outra e é ela que define o ambiente organizacional, que deve ser trabalhado para se tornar favorável para que as pessoas sejam mais prestativas e motivadas, o que resultará em maior produtividade para a empresa. Um bom clima

18 16 organizacional resulta em boas chances de sucesso para qualquer tipo de organização. Numa cultura avançada, todos devem falar a mesma linguagem, baseada em valores consensados. Os treinamentos modernos devem introduzir conceitos culturais que facilitem o comprometimento, mas não basta treinar por treinar; é preciso globalizar, atingindo chefias e, se possível, todos os funcionários da empresa. (CERQUEIRA, 1999) O ambiente organizacional deve ser projetado com o intuito de criar condições mais favoráveis para o bom relacionamento entre as pessoas. Funcionários vindos de outras organizações devem ser logo familiarizados com as normas e costumes da nova organização e observados se não trazem algum costume que seja prejudicial ao novo ambiente. 1.5 Análise do ambiente interno Cada ambiente propicia condições diferentes que podem levar os funcionários a se motivarem ou a se frustrarem. Segundo Chiavenato (2003), a ação organizacional nem sempre cria condições motivacionais suficientes para melhorar a qualidade de vida das pessoas e trazer interesse e satisfação no trabalho. 1.6 Motivação Normalmente, ninguém trabalha de graça. As pessoas recebem algum tipo de incentivo para desenvolverem suas atividades e a esses incentivos podemos chamar de fatores motivacionais. Como vemos na teoria de MASLOW, o ser humano possui necessidades que podem ser divididas e hierarquizadas em cinco partes. A primeira necessidade é a fisiológica, que constitui o nível mais baixo de todas as necessidades humanas como alimentação, o sono e repouso, abrigo e outros, seguido da necessidade de segurança, que leva a pessoa a se proteger de

19 17 qualquer perigo, real ou imaginário. A terceira é a necessidade que as pessoas têm de serem aceitas na sociedade, de terem amizades, são as chamadas necessidades sociais. A quarta necessidade é a de estima, está relacionado com a maneira com que a pessoa se avalia. E por ultimo aparece a necessidade de auto-realização. Se o indivíduo tem necessidade de reconhecimento uma necessidade de ser visto como uma pessoa produtiva e que contribui para a construção de alguma coisa o elogio é um incentivo que o ajudará a satisfazer essa necessidade. (HARSEY 1974, p. 22) Alguns fatores materiais como o salário, por exemplo, não garantem uma motivação permanente dos funcionários, ele pode mantê-los motivados por algum tempo, mas não constantemente. Percebe-se que outros fatores, como o senso de utilidade e a satisfação em desenvolver certas tarefas podem ser mais úteis para melhorar a motivação das pessoas. Conforme os aspectos básicos que formam a qualidade de vida são preenchidos, podem deslocar os desejos das pessoas para aspirações cada vez maiores. A figura a seguir mostra as necessidades humanas segundo MASLOW e a sua hierarquização. Fonte:

20 18 Figura 2: Pirâmide de Maslow Pode-se observar que as necessidades do topo da pirâmide não podem ser alcançadas se a sua base não for atingida. Algumas empresas não conseguem um bom resultado com estratégias voltadas aos recursos humanos, justamente por buscarem ir direto ao topo dessa pirâmide e não atendem as necessidades básicas das pessoas. Algumas pessoas acham que o dinheiro é motivo para que o funcionário trabalhe motivado. Ele não deixa de ser um motivo, porém muito complexo. Ele deve estar associado com todos os outros tipos de necessidades, por isso é muito difícil de avaliar a sua importância. Em alguns casos, o dinheiro pode trazer algumas coisas materiais que posteriormente atinge a outras necessidades. Um exemplo disso é quando um indivíduo compra um carro esportivo. Isso pode trazer-lhe um sentimento de sociabilidade se ele participar de um clube de carros esportivos, ou reconhecimento, como status. 1.7 Ambiente e motivação Em 1924, deu-se inicio na fábrica da Western Electric Companhy, localizada em Hawthorne, nos Estados Unidos, uma das primeiras pesquisas para se avaliar os efeitos do ambiente no desempenho dos funcionários. Na pesquisa foi separado um grupo de moças que trabalhavam nesta fábrica e por mais de um ano e meio foram melhoradas as condições de trabalho dessas moças, como por exemplo, períodos marcados de repouso, almoços dados pela companhia e semanas mais curtas de trabalho. O desempenho delas melhorou consideravelmente. Então, repentinamente, foram retirados todos os benefícios. Esperava-se que o desempenho delas caísse com essa mudança radical, mas, ao contrario, a produção aumentava mais e mais. A resposta para isso não está nos aspectos de produção do experimento, como as mudanças nas condições físicas de trabalho e da fábrica, mas nos aspectos humanos. Graças à atenção que era dada as moças pelos pesquisadores, elas se sentiam importantes colaboradoras da empresa. Não se sentiam apenas como

21 19 indivíduos isolados, que trabalhavam juntas apenas no sentido de estarem fisicamente próximas, mas se sentiam membros participantes de um grupo. 1.8 O endomarketing Endo vem do grego e quer dizer ação interior ou movimento para dentro. Endomarketing quer dizer, então, marketing para dentro, ou marketing voltado aos clientes internos da empresa, ou seja, os funcionários. É toda e qualquer ação de marketing voltada para a satisfação e aliança do público interno com o intuito de melhor atender aos clientes externos. Segundo Kotler (1998), o Marketing interno é como uma tarefa bem sucedida de contratar, treinar e motivar funcionários hábeis que desejam atender bem aos consumidores, e ainda ressalta a associação estabelecida entre o Marketing interno, o treinamento e a motivação dos colaboradores para o atendimento adequado aos consumidores. O endomarketing deve ser usado para atrair e manter o primeiro cliente da empresa, que é o funcionário, sempre desenvolvendo melhorias nos relacionamentos entre os mesmos e a organização. Para Cerqueira (1999, p.52) o endomarketing melhora a comunicação, o relacionamento e estabelece uma base motivacional para o comprometimento entre as pessoas e das pessoas com o sistema organizacional. O endomarketing forma então um conjunto de ações que uma organização deve buscar desenvolver para consolidar uma base de comprometimento dos seus funcionários, com o objetivo de criar um clima ideal de valorização e reconhecimento das pessoas, conseguindo, consequentemente, maiores índices de produtividade e qualidade Planejamento básico do endomarketing O endomarketing deve englobar desde as necessidades básicas que os funcionários necessitam para desenvolverem suas atividades, até pequenos detalhes que os farão desenvolve-las com maior empenho e satisfação.

22 20 Segundo França (2004), dentre as atividades de gestão de pessoas, Treinamento é sem dúvida uma das áreas que melhor viabiliza as ações de preparação e desenvolvimento da gestão da qualidade de vida no trabalho. O treinamento e desenvolvimento pode ser considerado parceiro e instrumentador das metas de bem-estar no trabalho Empregando o endomarketing O Endomarketing ou Marketing Interno tem se tornado uma ferramenta de extrema importância para as organizações e a razão de tal importância é porque se constituiu em um processo cujo foco é sintonizar e sincronizar todas as pessoas que trabalham na empresa na implementação e operacionalização de ações com o objetivo de criar um ambiente mais saudável no local de trabalho. O principal benefício que se busca é o fortalecimento e construção de relacionamentos, bem como melhorar a qualidade de vida dos colaboradores da organização, compartilhando os objetivos da mesma e fortalecendo as relações, inserindo a noção de que todos são clientes de todos também dentro da empresas O endomarketing deve ser aplicado não apenas focando as atividades diárias, buscando melhorias, mas também deve-se fornecer incentivos aos funcionários para que a sua qualidade de vida melhore.

23 21 CAPÍTULO II A PENITENCIÁRIA I DE BALBINOS 2 HISTÓRICO A história do sistema penitenciário paulista começa em primeiro de março de 1892, quando o Decreto nº 28 criou a Secretaria da Justiça. Até o início de 1979, os estabelecimentos destinados ao cumprimento de penas privativas de liberdade, no Estado de São Paulo, estavam subordinados ao Departamento dos Institutos Penais do Estado - DIPE, órgão pertencente à Secretaria da Justiça. Em treze de março de 1979, o DIPE foi transformado em Coordenadoria dos Estabelecimentos Penitenciários do Estado - COESPE, à época com 15 unidades prisionais. Até março de 1991, as unidades prisionais ficaram sob a responsabilidade da Secretaria da Justiça. Em seguida, a responsabilidade foi para a segurança pública e com ela ficou até dezembro de 1992, onde, em quatro de janeiro de 1993, foi criada a Secretaria da Administração Penitenciária (SAP), a primeira no Brasil a tratar esse segmento. Ao todo, a SAP administra 144 unidades prisionais espalhadas em todo o Estado. 2.1 A Penitenciária I de Balbinos A Penitenciária I de Balbinos é uma das mais recentes unidades inauguradas, começou suas atividades em Março de 2006 e está localizada na Rodovia de acesso Arcirio Rigotto, Km 2,5 em Balbinos-SP. Atualmente, conta com de aproximadamente 120 funcionários, na maioria agentes de segurança penitenciário, que são divididos em turnos ininterruptos de trabalho, onde se trabalha 12 horas seguidas por 36 horas de descanso. Além dos funcionários plantonistas, existem os diaristas que trabalham nos setores administrativos de segunda a sexta-feira. Existe ainda outros funcionários, como os motoristas, os oficiais administrativos e os psicólogos que podem ser encontrados em algumas unidades.

24 22 Fonte : elaborado pelo autor, 2008 Fig. 3 Entrada da Penitenciária I de Balbinos O número de detentos que a unidade abriga sofre constantes oscilações, devido à transferências dos presos, chegada de novos sentenciados e livramentos por liberdade condicional ou cumprimento da pena. Mas em média, a unidade abriga entre 1200 e 1300 presos. Fonte: elaborado pelo autor Fig. 4 Veículo usado para o transporte de presos 2.2 Missão

25 23 É um órgão que tem como missão a aplicação da Lei de Execução Penal, de acordo com a sentença judicial, visando a volta à sociedade dos sentenciados. A administração penitenciária, parte integrante do processo da execução da pena, objetiva tratar e assistir o preso e o internado, prevenindo o crime e proporcionando-lhes a reintegração à convivência em sociedade. Deve constituir a base de uma política penitenciária moderna, o respeito à dignidade do homem, aos seus direitos individuais e coletivos e a crença no potencial de aperfeiçoamento do ser humano. Destaca-se ainda como missão da penitenciária I de Balbinos a reabilitação do preso, através da oferta de trabalho, da profissionalização e da educação, buscando, simultaneamente, o comprometimento da sociedade com a questão penitenciária As instalações físicas e as atividades Os detentos são divididos em oito raios, que possuem oito celas cada, com capacidade para doze presos cada cela. Em horários pré-estabelecidos, os detentos são liberados para uma quadra, chamada de pátio de sol, que se localiza em frente às celas e os agentes de segurança penitenciário são encarregados de abrir e fechar as celas nesses horários estabelecidos, bem como permanecer no meio deles, zelando pela ordem e disciplina e atendendo a alguma possível necessidade dos detentos, como por exemplo, atendimento à saúde. As refeições são preparadas pelos próprios sentenciados, monitorados por um funcionário em uma cozinha localizada próxima aos raios. A unidade de Balbinos conta também com uma enfermaria que contém vários remédios, além de aparelhos de inalação, termômetros e outros. E ainda possui salas equipadas para dentista e médico, que atendem diariamente os sentenciados. A unidade possui varias atividades de trabalho para os presos, como a costura de bolas de futebol e a confecção de equipamentos de proteção

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