M-6-PM. Polícia Militar do Estado de São Paulo MANUAL POLICIAL MILITAR MANUAL DE SEGURANÇA DE PRESÍDIOS

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1 M-6-PM Polícia Militar do Estado de São Paulo MANUAL POLICIAL MILITAR MANUAL DE SEGURANÇA DE PRESÍDIOS Setor Gráfico do CSM/M Int 1ª Edição Impresso em Tiragem: 600 exemplares Publicado Bol G PM 066/78

2 POLÍCIA MILITAR DO ESTADO DE SÃO PAULO COMANDO GERAL São Paulo, 24 de novembro de 1977 Despacho n.º 1EM/PM-178/02 O Comandante Geral da Polícia Militar do Estado de São Paulo, usando da atribuição que lhe confere o artigo 16 das Instruções para Publicações da Polícia Militar (I-1-PM), aprova, manda pôr em execução o M-6-PM (MANUAL DE SEGURANÇA DE PRESÍDIOS). Autorizo impressão nos termos do artigo 43 da I-1-PM. ARNALDO BASTOS DE CARVALHO BRAGA Coronel EB Comandante Geral

3 D I S T R I B U I Ç Ã O 1. Órgãos de Direção a. Geral: Cmt G... 1 Ch EM/PM... 1 S Ch EM/PM... 1 Sec do EM/PM (cada)... 1 CJ... 1 Asst Cmt G... 1 AG... 2 b. Setorial Dir. (cada) Órgãos de Apoio a. OPM de Apoio de Ensino: APM e CFAP (cada)... 5 EEF... 1 b. OPM de Apoio de Saúde: C Farm., C Odont. e C Med (cada)... 1 c. OPM de Apoio Logístico: CSM/MB, CSM/Int. (cada)... 3 CSM/O. CSM/S e C Fin. (cada) Órgãos de Execução: a. Gdes Cmdos (CPC, CPI e CCB) (cada)... 2 b. Cmdo de Área (CPA/M, CPA/I CPT)... 2 c. U OP (cada)... 2 d. BPGd e. OPM especiais de execução (C Mil, PMRG, C Mus e CIPGd (cada) Reserva: a. No EM/PM (1ª Seção) b. No CSM/Int. (para venda)

4 ÍNDICE DOS ASSUNTOS Capítulo 1 - Responsabilidades Penal e Disciplinar dos Componentes da guarda militar Capítulo 2 - Riscos ou ações que podem ameaçar o Funcionamento normal de um presídio Capítulo 3 - Incidentes involuntários, propositais e outros riscos Capítulo 4 Sabotagens Capítulo 5 - Situações de emergência num presídio Capítulo 6 - Serviços executados pela polícia militar em presídios legislação vigente referente ao policiamento em presídios Capítulo 7 - A guarda militar organização - postos e setores de vigilância - área de Segurança - fiscalização constante - pontos sensíveis e vulneráveis - conclusão Capítulo 8 - Plano de segurança e operações da guarda militar Capítulo 9 - Sistema de iluminação da segurança externa de presídios.. 27 Capítulo 10 - Sistema de alarme na segurança externa de presídios Capítulo 11 - Incêndio e prevenção de incêndio em presídios Capítulo 12 - Escolta de presos Capítulo 13 Competência Capítulo 14 - Busca pessoal do escoltado Capítulo 15 - A escolta de presos propriamente dita Capítulo 16 - Escolta de presos em hospitais Capítulo 17 - Escolta de presos em velório Capítulo 18 - Escolta de parque agrícola Capítulo 19 - Sistema de comunicações e sua importância para o funcionamento normal da segurança de presídios... 69

5 CAPÍTULO 1 Responsabilidades penal e disciplinar dos componentes da guarda militar ARTIGO I Introdução 1. Ao 1 Batalhão de Polícia de Guarda (1º BPGd), subordinado ao Comando de Policiamento da Capital, cabe executar os serviços de segurança externa dos Presídios e Estabelecimentos Penais de maiores e menores da Capital, competindo-lhe o planejamento, comando, execução e fiscalização do emprego operacional da Unidade, de acordo com planos e ordens do escalão superior. Tamanha é a responsabilidade relativa à segurança externa de presídios, que as autoridades estaduais atribuíram essa missão, como função específica, à Polícia Militar, visto esta dispensar maior dedicação ao cumprimento do dever, consideradas a estrutura da Corporação e a severidade da disciplina. ARTIGO II A fuga e a pena 2. O Código Penal não comina pena ao preso que foge. Considera que o anseio à liberdade é irreprimível e instintivo no homem. Conseqüentemente, não sufragou a idéia de querer abafá-lo com a ameaça da pena. A fuga de preso constitui delito, somente quando ele se evade praticando violência à pessoa (Art. 352 CP). 3. Embora condescendendo com a simples fuga, a lei não permite que outros, não impelidos pelo incoercível impulso de liberdade, contribuam para que sejam frustradas as decisões judiciárias e as imposições legais, com inegável menosprezo e desprestígio à ordem constituída. 4. De acordo com o Art. 351, comete crime quem promove ou facilita a fuga de preso ou de pessoa submetida à medida de segurança. O agente ou sujeito ativo pode ser qualquer pessoa, desde que imputável. Nada impede a co-autoria que, entretanto, não abrange a pessoa do preso ou detento. Promove a fuga quem diligencia e prepara a evasão, tornando-a exeqüível. Prescinde o agente até da ciência do preso ou detento. Facilita-a quem auxilia na fuga, afastando os óbices existentes, cooperando e colaborando para o evento. Na promoção, a iniciativa, plano e providências são do agente; no auxílio, ele secunda o preso ou detento, quer fornecendo-lhe instrumentos de fuga, quer instruindo-o a respeito. 5. A promoção ou auxílio objetivam a fuga, que consiste na subtração da pessoa à esfera de guarda ou custódia legítima. 6. A fuga se consuma, quando o preso ou detento se encontra livre, quando já

6 saiu daquela órbita de vigilância, mesmo que precariamente. E não somente dos estabelecimentos carcerários pode efetivar-se a fuga: esta também ocorre, por exemplo, quando o preso ou detento se evade da viatura que o transporta. 7. Consuma-se o crime com a fuga efetivada, que ocorre quando o preso ou detento já transpôs os limites da esfera de sua guarda ou vigilância, ainda que logo depois seja recapturado. Enquanto aquela não se dá, não se pode cogitar de promoção ou auxílio à fuga, por parte do agente. É admissível a tentativa, sempre que não se consumar a fuga. Por exemplo, o preso é detido no momento em que tenta galgar ou escalar o muro da prisão em que se encontra. 8. O 3 do artigo 351 do C. P. tem em consideração a violação do dever funcional. É natural que se é crime promover ou auxiliar a fuga de um sentenciado ou detento, maior deve ser a punição quando o fato for praticado por quem é responsável por sua vigilância. 9. Já o 4 do mesmo artigo ocupa-se da forma culposa, visando ao funcionário encarregado da custódia ou guarda. Trata-se de crime especial e que ocorre mesmo na hipótese em que a fuga é executada pelo preso ou detento, sem que terceiros a promovam ou a facilitem. É entretanto, necessária a fuga, quer por iniciativa do próprio evadido, quer de outrem com a concomitância da culpa do funcionário. Caso não haja fuga o comportamento culposo do agente poderá constituir outro delito, como ficar sujeito, a prescrições disciplinares ou ser penalmente indiferente. ARTIGO III Competência para julgamento dos Crimes Militares 10. O S.T.F. em acórdão, no «habeas-corpus» n 47111, de que foi relator o Ministro Barros Monteiro, adotou tese de grande interesse para a Justiça Militar. A Alta Corte salientou no julgado, que milicianos da Polícia Militar, em serviço de Guarda do Instituto de Reeducação de Tremembé, responsáveis por fuga de preso (reeducandos) que ali se encontravam, deviam responder pelo fato perante a Justiça Militar do Estado e não perante a Justiça Comum. No caso, consoante salientou a Corte, os policiais estavam sujeitos às autoridades militares e exerciam funções militares, razão por que não tinha aplicação a Súmula 297. (Segundo essa Súmula, o policial militar em serviço de policiamento não está sujeito às autoridades militares e exercem funções policiais; em conseqüência, o crime inerente ao serviço, se cometido, será comum, estando sujeito à Justiça Comum e não à Justiça Militar). Pelo que se depreende, os componentes da G M. poderão ser julgados pela Justiça Militar do Estado. A matéria é igualmente tratada pelo Código Penal Militar, que segue à mesma linha do Código Penal. 11. Considerando ainda as guardas Militares como lugares sujeitos à

7 administração militar, aplica-se aos componentes da G.M. o Código Penal Militar nos crimes cometidos em serviço, tais como artigo 163 (recusa de obediência), artigo 195 (abandono de posto), artigo 202 (embriaguez em serviço), artigo 203 (dormir em serviço), etc. E o Regulamento Disciplinar prevê as transgressões Disciplinares que se referem ao serviço, capitulando-as na letra «b» do parágrafo único do art. 12: «CONTRA AS REGRAS E ORDENS DE SERVIÇOS ESTABELECIDAS NAS LEIS OU REGULAMENTOS OU PRESCRITAS POR AUTORIDADES COMPETENTES» e no artigo 13, nºs 7, 8, 17, 18, 19, 20, 25, 26 e 59. ARTIGO IV Considerações gerais 12. Existem certas transgressões disciplinares que devem ser reprimidas com rigor para que seja possível manter um nível razoável de segurança: são, entre outras, as seguintes: a. desviar a atenção para qualquer assunto audiovisual; b. dormir no posto; c. abandonar o posto. 13. É preciso ter em mente que o preso só tentará fuga após estudar devidamente a sentinela e certificar-se de que pode contar com a omissão da mesma na ocasião da transposição da muralha, conseqüência da sua desatenção e negligência. E a sentinela só estará atenta se estiver acordada (não dormindo) e com a atenção voltada para o interior do presídio e certa de que o rondante constantemente a está fiscalizando. 14. Citam-se a seguir alguns dispositivos legais referentes ao assunto: a. CÓDIGO PENAL (Decreto-lei 2.848, de 7-XII-1940) «PARTE ESPECIAL... «Capítulo III - Dos crimes contra a administração da Justiça... «Art Promover ou facilitar a fuga de pessoa legalmente presa ou submetida a medida de segurança detentiva: «Pena - Detenção de seis meses a dois anos. «1 - Se o crime é praticado a mão armada, ou por mais de uma pessoa mediante arrombamento, a pena é de reclusão, de dois a seis anos. «2º - Se há emprego de violência contra a pessoa, aplica-se também a pena correspondente a violência. «3 - A pena é de reclusão, de um a quatro anos, se o crime é praticado por pessoa sob cuja custódia ou guarda está o preso ou o internado. «4º - No caso de culpa de funcionário incumbido da custódia ou guarda, aplica-se a pena de detenção, de três meses a um ano, ou multa, de mil cruzeiros a

8 cinco mil cruzeiros. «Art. 352 Evadir-se ou tentar evadir-se o preso ou indivíduo submetido a medida de segurança detentiva, usando de violência contra a pessoa: «Pena - Detenção de três meses a um ano, além da pena correspondente à violência. b. CÓDIGO PENAL MILITAR (Decreto-lei 1.001, de 21-X-1969) «PARTE ESPECIAL... «TÍTULO II «Dos crimes contra a Autoridade ou Disciplina Militar... «CAPÍTULO VIII «Da fuga, evasão, arrebatamento e amotinamento de presos. «Art Promover ou facilitar a fuga de pessoa legalmente presa ou submetida a medida de segurança detentiva. «Pena - Detenção de seis meses a dois anos. «1º - Se o crime é praticado a mão armada ou por mais de uma pessoa mediante arrombamento. «Pena - Reclusão de dois a seis anos. «2º - Se há emprego de violência contra pessoa, aplica-se também a pena correspondente à violência. «3º - Se o crime é praticado por pessoa sob cuja guarda, custódia ou condução está o preso ou internado. «Pena - Reclusão, até quatro anos. «Art Deixar, por culpa, fugir pessoa legalmente presa confiada à sua guarda ou condução. «Pena - Detenção de três meses a um ano. «Art. 180 Evadir-se ou tentar evadir-se o preso ou internado usando de violência contra a pessoa. «Pena - Detenção de um a dois anos, além da correspondente à violência «1º - Se a evasão ou tentativa ocorre mediante arrombamento da prisão militar. «Pena - Detenção de seis meses a um ano. «2º - Se do fato sucede deserção, aplicam-se cumulativamente as penas correspondentes».

9 CAPÍTULO 2 Riscos ou ações que podem ameaçar o funcionamento normal de um presídio ARTIGO V Introdução 15. O planejamento da segurança externa de um Presídio começa pelo meticuloso estudo relativo aos tipos e à amplitude dos problemas que possam pôr em risco o pessoal (componentes da G.M., funcionários civis, sentenciados, visitantes), às instalações e à vida interna desse Estabelecimento Penal. ARTIGO VI Desenvolvimento 16. Um método freqüentemente usado na solução desses problemas, consiste em examinar a situação procurando as respostas para os quesitos: QUE, QUANDO, ONDE, PORQUE e QUEM. As respostas devem, naturalmente, ser condicionadas a cada presídio em estudo, sua localização e às condições prevalentes. Determinadas respostas são geralmente aplicáveis à maioria dos estabelecimentos penais. 17. Analisemos o primeiro quesito: QUE a. QUE RISCOS OU AÇÕES PODERÃO AMEAÇAR O FUNCIONAMENTO NORMAL DE UM PRESÍDIO? São: 1) tentativa de fuga de um ou mais sentenciados; 2) fuga de um ou mais sentenciados; 3) levante ou motim; 4) incêndio; 5) ação externa de uma ou mais pessoa para propiciar ou facilitar fuga de preso; 6) ação externa de uma ou mais pessoa contra as instalações, ou pessoal de serviço; 7) ação interna (subversão, espionagem, sabotagem física ou psicológica, atividades terroristas); 8) incidentes naturais (incêndios não provocados, curtos-circuitos, por exemplo) devido a erro humano ou falta de cuidado.

10 CAPÍTULO 3 Incidentes involuntários, propositais e outros riscos ARTIGO VII Incidentes involuntários 18. Involuntários, são os incidentes que independem da vontade humana, tais como: acidentes, incêndios, explosões de munição e falhas no fornecimento de energia elétrica que podem provocar situações de emergência e afetar a eficiência da vigilância. Esses incidentes resultam de negligência, imprudência ou imperícia, falta de treinamento, manutenção defeituosa. 19. O intento deliberado, por parte de qualquer pessoa ou grupo, não concorre para tais incidentes, sendo eles perfeitamente evitáveis. Métodos positivos de prevenções podem reduzi-los ou eliminá-los. ARTIGO VIII Incidentes propositais 20. São propositais, os incidentes causados deliberadamente por pessoas ou grupos, cujos interesses são hostis ao da Direção do Presídio ou Comando da G.M. Os incidentes podem ser planejados de modo a simularem «ocorrências naturais», tais como, incêndios. Se aquele que provoca o incêndio, tiver êxito em disfarçar a ação deliberada, sua identidade permanecerá obscura e ele estará livre para atacar novamente (a suspeita não foi suscitada, tendo executado com êxito sua missão). Incidentes, assim disfarçados, são de difícil solução. 21. Todo incidente, intencional ou não, merece profunda investigação para verificação de todos os fatores contribuintes. Os dados coligidos oferecem orientação quanto às exigências de segurança, mediante cuidadosa análise e avaliação. ARTIGO IX Outros riscos 22. Muitos outros riscos enquadram-se no grupo intencional. Para os objetivos de maior importância, nos instrumentos usados incluem-se espionagem, infiltração e subversão (deverão ser objeto de palestras).

11 CAPÍTULO 4 Sabotagens ARTIGO X A Sabotagem Psicológica 23. É um método que objetiva incitar e transformar problemas, conflitos pessoais e animosidade em descontentamento geral: operação tartaruga, anonimato de rebeldia e boicote. Ela pode ser o instrumento para induzir executantes à produção de trabalho inferior ou estragos; a criar problemas entre comandantes e comandados. 24. Numa escala maior, os meios psicológicos são empregados para investigar falsos problemas políticos, sociais ou ocorrências e para disseminar propaganda inflamatória, visando causar descontentamento, criar tensões emocionais e diminuir o moral e apoio públicos ao governo e seus órgãos representativos 25. Os meios empregados são os mais diversos: meias verdades ou grandes mentiras; insinuações ou alegações vagos a respeito do caráter de uma pessoa; lançamento de dúvidas sobre a integridade, sinceridade, competência ou relações de um chefe; rumores que, iniciados, podem difundir a intranqüilidade geral. 26. Os boatos, juntamente com outros indícios, constituem importante indicação de aumento de tensões e da deterioração do clima emocional numa área. Cuidadosa coleta e análise de tais informações podem fornecer valiosa orientação quanto às necessidades de controle. ARTIGO Xl Sabotagem Física 27. A sabotagem física pode ser agrupada em duas categorias genéricas: a. Atos dissimulados ou secretos que são disfarçados com a aparência de conseqüentes erros ou imprudência, para os quais são envidados esforços no sentido de ocultar a ação do agente e a noção de que o ato foi deliberado. b. Atos ostensivos e não disfarçados que são imediatamente reconhecidos como sabotagem. 28. Entre os primeiros, temos: incêndio causado por «combustão espontânea», instalação errônea de circuitos elétricos; entre os segundos, temos por exemplo: o corte de fios elétricos sem qualquer esforço para ocultar o fato. No serviço da Guarda Militar, encontramos não muito raramente cartuchos sem pólvora e cheios de areia. Já houve casos de sirene de alarme não funcionar, no exercício de treinamento, em virtude de encontrar-se com trava de madeira impedindo qualquer

12 movimento ARTIGO XII Investigação de Acidentes 29. A investigação é uma pesquisa sistemática da verdade relativa a um assunto. Investigar é pesquisar mediante paciente averiguação e exame dos fatos. O propósito da investigação é verificar o que aconteceu, como sucedeu e porque ocorreu. Destina-se, pois, a estabelecer um relato completo dos eventos que culminaram com o incidente, a hora de cada um e todas as circunstâncias contribuintes. 30. As partes necessárias da informação incluem a identidade de todas as pessoas envolvidas; a posição e o movimento de cada uma, e os motivos que nortearam suas ações. As características físicas do local e as relações de cada um com os eventos transpirados, devem ser descobertos e detalhadamente descritos e os resultados dos incidentes e efeitos precisa e cabalmente estabelecidos. 31. A investigação objetiva, principalmente, determinar os meios e os processos de salvaguarda que devam ser aplicados para prevenir futuras ocorrências de incidentes semelhantes. A perfeita identificação de todos os fatores contribuintes aponta o meio de controlar ou eliminar um ou mais deles, para reduzir a possibilidade de ocorrências e resultados indesejados. 32. Os tipos de incidentes que exigem investigação são numerosos e variados. Em resumo, toda ocorrência não contemplada e não projetada deve ser investigada.

13 CAPITULO 5 Situações de emergência num presídio ARTIGO XIII Ocorrências 33. Existem certas ocorrências peculiares em um presídio que provocam medidas especiais, desde o início ao término. Havendo, em certos casos, necessidade da intervenção do próprio Governador. 34. São situações de emergências em um presídio: a. TENTATIVA DE FUGA: Acontece quando o preso ou presos, com ou sem meios, chegam até a muralha e a ultrapassam ou não, sem conseguir, todavia, sair das vistas da Guarda externa. b. FUGA: Quando o preso ou presos, com ou sem meios, chegam até a muralha e a ultrapassam conseguindo sair das vistas da Guarda externa. Escapar da esfera da vigilância, eis a característica de uma fuga. A recaptura poderá ocorrer posteriormente, minutos, horas, dias, meses, ou até anos após; mas nem que seja por um instante, o agente ficou fora dos limites perimetrais do estabelecimento penal, sem vigilância de funcionários civis ou da Polícia Militar. c. LEVANTE OU MOTIM: Diz o Código Penal: «Art amotinarem-se presos, perturbando a ordem ou disciplina da prisão. Pena - detenção de seis meses a dois anos, além da pena correspondente à violência». 1) O verbo amotinar é o empregado pela lei. Designa o levante, o movimento coletivo de rebeldia, desordem e indisciplina obediente a um fim comum, que indiferentemente pode ser justo ou injusto; reação contra punições impostas; contra determinação regulamentar; meio de obrigar funcionário a praticar outro ato, para facilitar a fuga, etc. 2) A rebelião há de ser de presos, isto é, reunião deles; um, jamais constituirá motim. Por conseguinte, se um preso se alia a funcionários em movimento de rebeldia, não haverá motim. 3) Consuma-se o crime, quando a ordem ou a disciplina forem transgredidas, com os primeiros atos de motim, pouco importando a permanência da perturbação. Esta deve traduzir-se em violência à pessoa ou à coisa. O não acatamento de uma determinação, a assuada, a vaia, etc., são transgressões disciplinares, não, porém, motim. É mister a prática de violência física contra funcionários, componentes da G. M., etc. ou depredações. Ocorrendo a violência à pessoa, há concurso de crimes (motim mais violência). d. INCÊNDIO: O incêndio pode ser acidental ou provocado geralmente e o provocado que causa maiores problemas, colocando a administração do presídio e o Cmt da G.M. em dificuldades, visto a série de providências a serem tomadas: debelar o fogo, salvar vidas, e maior vigilância, a fim de evitar seja aproveitada a situação para a fuga, etc. É de supor-se, ainda, que o incêndio quase sempre

14 acontece juntamente com o levante, o que gera maiores problemas. e. AÇÃO EXTERNA: Pode ser de dois tipos: uma destinada a propiciar ou facilitar a fuga de presos; outra dirigida contra as instalações ou pessoal do presídio. 1) Ambas as ações devem ser consideradas perigosas. E para combater qualquer dos tipos de ação externa, os componentes da G.M. devem estar sempre bem treinados e instruídos, o que os deixa em condições ideais de agir de imediato em caso concreto. ARTIGO XIV Conclusão 35. Existindo uma razoável segurança externa em um presídio e uma certa tranqüilidade no seu interior, dificilmente a Guarda externa é chamada par a agir em ocorrências de grande envergadura. Entretanto, devemos estar preparados para enfrentar qualquer situação mediante treinamento adequado e instrução suficiente, cientes de que pessoas ou grupos que estejam planejando as atividades ilegais tem a vantagem de escolher a hora e local, métodos e as condições mais favoráveis ao seu intento.

15 CAPÍTULO 6 Serviços executados pela Polícia Militar em presídios - Legislação vigente referente ao policiamento em presídios ARTIGO XV Introdução 36. Desde há muito tempo, a Polícia Militar do Estado de São Paulo presta serviços na segurança externa de cadeias públicas e estabelecimentos penais do Estado. Alguns presídios, como por exemplo, a Penitenciaria do Estado, tem sua história ligada à Força Pública e à Polícia Militar. 37. Até 1962 entretanto não havia uma Unidade especializada de presídios, quando então foi criado, pela Lei 7.184, de 19-X-1962, o 15 B P (posteriormente o 1º BPGd), para esse mister, cujos atribuições foram fixadas pelo Decreto , de 4-I Essa Unidade passou à disposição da Secretaria da Justiça para a execução dos serviços de Guarda externa de presídios e escolta de presos em trabalho. ARTIGO XVI Serviços Executados pela Polícia Militar em Presídios 38. Na segurança externa dos presídios 3 (três) serviços são executados pela Polícia Militar: GUARDA MILITAR, ESCOLTA DE PRESOS EM TRABALHO e ESCOLTA DE PRESOS EM TRÂNSITO. a. Considera-se Guarda Militar ou Guarda Externa de Presídios a linha de segurança que se faz em volta dos estabelecimentos penais para evitar tentativas de fuga; evasão em massa, provocada por tumultos ou incêndios; assim como a ação desencadeada em caso de tumulto ou revolta de qualquer espécie ou proporção, com ou sem auxílio de outras Unidades da Corporação. Tem-se em vista, ainda na Guarda Militar, evitar a atuação de elementos de fora do presídio em pequeno ou grande número, inclusive interferência de elementos subversivos; b. Considera-se escolta de presos em trabalho, aquela feita nas Penitenciárias do Estado, dos presos nos diversos serviços fora da linha de segurança da Guarda Militar, especialmente no Parque Agrícola, dentro do programa de laborterapia, em virtude de serem eles escoltados por tropa armada, a fim de garantir sua permanência no cárcere, uma vez que se encontram em um estágio da pena que não permite a sua utilização em prisão aberta; c. Considera-se escolta de presos em trânsito fora dos presídios, aquela que se faz conduzindo-os ao Fórum Criminal ou Varas Distritais para atender requisições do Juiz; a que se realiza na condução de presos a hospitais, destinados a exames especializados e a referente a presos em velório de parentes.

16 ARTIGO XVII Legislação referente ao policiamento em presídios 39. É a seguinte, a legislação que disciplina a matéria: a. O Decreto-lei 667, de 2-VII-1969, modificado pelo Decreto-lei 1.072, de 30- XII-1969, que reorganiza as Polícias Militares e os Corpos de Bombeiros Militares dos Estados, dos Territórios e do Distrito Federal e dá outras providências, diz no art. 3º, letra «a»: «Executar com exclusividade, ressalvadas as missões peculiares das Forças Armadas, o policiamento ostensivo, fardado, planejado pelas autoridades policiais competentes, a fim de assegurar o cumprimento da lei, a manutenção da ordem pública e o exercício dos poderes constituídos». b. Regulamento para as Polícias Militares e Corpos de Bombeiros Militares (R 200), diz no art. 29, nº 13: «Policiamento Ostensivo Ação policial em cujo emprego o homem ou fração de tropa engajados sejam identificados de relance quer pela farda quer pelo equipamento, armamento, ou viatura. «São considerados tipos desse policiamento a cargo das Polícias Militares, ressalvadas as missões peculiares das Forças Armadas, os seguintes de segurança externa dos estabelecimentos penais do Estado outros, fixados em legislação da Unidade Federativa». c. Lei Orgânica da Polícia (Lei , de 27-V-1968), que, pelo art. 9º, IV, cabe à Polícia Militar a guarda externa dos estabelecimentos Penais; d. Decreto Estadual 7.290, de 15-XII-1975, cujo teor é o seguinte: «PAULO EGYDIO MARTINS, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO, no uso de suas atribuições legais, Decreta: Artigo 1º - Fica aprovado o Regulamento Geral da Policia Militar do Estado de São Paulo, que com este baixa. Artigo 2º - Este Decreto entrará em vigor na data de sua publicação, revogados os Decretos , de 20 de junho de 1968; , de 22 de dezembro de 1969 e de 22 de julho de 1974, e as demais disposições em contrário. Palácio dos Bandeirantes, 15 de dezembro de PAULO EGYDIO MARTINS Antônio Erasmo Dias, Secretário da Segurança Pública. Publicado na Casa Civil, aos 15 de dezembro de Maria Angélica Galiazzi, Diretora da Divisão de atos do Governador.

17 REGULAMENTO GERAL DA POLÍCIA MILITAR CAPÍTULO I Disposições Gerais Artigo 1º - A Polícia Militar cumpre as missões que lhe são atribuídas pela legislação federal e estadual, através dos órgãos de Direção, Apoio e Execução. Artigo 2º - O Comandante Geral (Cmt G) é o responsável superior pela atuação da Polícia Militar. Artigo 3º - A disciplina e a hierarquia constituem a base da organização da Polícia Militar Artigo 4º - A cadeia de comando se caracteriza pelo escalonamento vertical dos órgãos, a partir do Comandante Geral até o Subdestacamento Policial Militar (Subdest PM). Artigo 5º - Todas as ordens do órgão superior a outro subordinado devam ser dadas pelo comandante superior ao comandante imediatamente subordinado. A cadeia de comando só não será observada em situações de emergência. Artigo 6º - As ordens são baixadas para o nível imediatamente inferior da cadeia de comando. Cabe a quem recebê-las difundi-las entre seus órgãos subordinados. Artigo 7º - O Comando (Cmdo) é constituído pelo Comandante Geral (Cmt G) e seu Estado Maior (EM)... Artigo 89 - O Batalhão de Polícia de Guarda (1º BPGd), subordinado ao Comando de Policiamento da Capital, é o órgão responsável pela segurança externa dos presídios e estabelecimentos penais de maiores e menores da Capital, competindo-lhe o planejamento, comando, execução e fiscalização do emprego operacional da Unidade, de acordo com planos e ordens do escalão superior» e. Decreto , de 4-I-1963, que estabelece as atribuições do 15º Batalhão Policial da Força Pública, criado pela Lei 7.184, de 18-X-1962 e dá outras providências, cujo teor é o seguinte: «CARLOS ALBERTO ALVES DE CARVALHO PINTO GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO, usando de suas atribuições legais, Decreta: Artigo 1º - O 15º Batalhão Policial (15º BP), à disposição da Secretaria da

18 Justiça e Negócios do Interior, destina-se à guarda externa de presídios e à escolta de presos em trabalho Artigo 2º - O pessoal para o 15º BP será submetido a provas de seleção e a curso de especialização. 1º - O Departamento dos Institutos Penais do Estado (D.I.P.E.) colaborará com a Diretoria Geral de Instrução da Força Pública na organização e realização dos cursos. 2º - Satisfeitas todas as exigências desse curso e após estágio probatório de seis meses, os componentes do 15º BP serão efetivados em suas funções. 3º - Uma vez incluídos definitivamente no efetivo da Unidade, somente serão transferidos: a) a pedido; b) por conveniência; c) a pedido fundamentado do Diretor do D.I.P.E.; e, d) por necessidade do serviço. Artigo 3º - Provisoriamente poderá fazer parte do 15º BP pessoal não habilitado pelo curso de especialização desde que aprovados nos exames de seleção. Artigo 4º - A apreciação dos problemas atinentes a atribuições específicas do Batalhão caberá ao seu Comandante e ao Diretor do D.I.P.E. Parágrafo único - Cabe ao Comandante do Batalhão estabelecer a ligação entre o Comando Geral da Força Pública e á Diretoria do D.I.P.E. Artigo 5º - Correrão por conta da Secretaria da Justiça (D.I.P.E.) as despesas com diárias de diligências, gratificações, viaturas e imóveis, e por verba da Secretaria da Segurança Pública, as de material e pessoal. Artigo 6º - O 15º BP reger-se-á, como Unidade Administrativa da Força Pública, pelas leis, decretos, regulamentos, instruções, diretrizes, etc., em vigor na Corporação. Artigo 7º - As sedes do Batalhão e de suas Subunidades, ou frações destas, serão determinadas pelo Comando Geral, de acordo com o Diretor do D.I.P.E., à vista da necessidade do serviço. Artigo 8º - O efetivo do 15º BP será determinado pelo decreto de distribuição de efetivos da Força Pública. Artigo 9º - Este decreto entrará em vigor na data de sua publicação. Artigo 10 - Revogam-se as disposições em contrário.

19 Palácio do Governo do Estado de São Paulo, aos 4 de janeiro de CARLOS ALBERTO ALVES DE CARVALHO PINTO, (D.O. de 5-I-1963) e (item 2 do Bol G nº 6, de 9-I-1962)». ARTIGO XVIII Conclusão 40. Ao contrário de outros países onde o mesmo corpo de funcionários (militar ou civis, fardados ou não) executa os serviços no presídio, no Brasil a segurança externa é função da Polícia Militar, enquanto que os funcionários civis prestam serviços no interior do Estabelecimento Penal sob a orientação e supervisão do Diretor. O Cmt da G.M. e o Diretor do Presídio são autoridades autônomas, que devem estar estreitamente ligadas para a consecução do objetivo comum.

20 CAPÍTULO 7 A guarda militar - organiza - postos e setores de vigilância - área de segurança fiscalização constante - pontos sensíveis e vulneráveis - conclusão ARTIGO XIX 41. A Guarda Militar é a força de proteção de um Presídio. Os indivíduos que a compõem são elementos humanos de proteção dos quais dependem o sucesso ou o fracasso da própria existência do presídio. Para isso devem estar cientes de suas missões para perfeita consecução de sua finalidade: a segurança externa dos estabelecimentos penais. ARTIGO XX Organização 42. Ainda não temos um regulamento próprio de segurança externa de presídios que dite normas para a organização das Guardas Militares e prescreva os deveres de cada um dos seus componentes. Em virtude disso, aplicamos para esse tipo de atividade o que dispõe o RISG para o serviço de dia às Unidades, e em particular, para a Guarda do Quartel, ou seja, do art. 231 ao 264, «mutatis mutandis», considerando sempre o seguinte: a. O Cmt da G. M. exerce as funções de Oficial de Dia em conseqüência, tem os mesmos deveres; b. O Sargento, auxiliar da G.M., executa as funções de Adjunto (encarregado da documentação e substituto eventual do Cmt da GM) do Sgt de Dia à Subunidade e Sgt Cmt da Guarda do Quartel; c. Dois ou mais rondantes têm, como funções, as do Cmt da Guarda do Quartel; d. Aos policiais militares competem as missões de Soldados da guarda e sentinelas, tendo, porém, em vista, que, a vigilância maior, é a do interior do presídio (sem dispensar a do exterior), ao contrário da Guarda do Quartel onde se sobressai a vigilância externa. 43. O efetivo da G.M. pode ser determinado mediante cuidadosa análise de todas as exigências de segurança, variando, assim, em número aquém ou além do efetivo de um pelotão. 44. O plano de Segurança e Operações prevê especialmente a divisão das atribuições de cada homem assim como os deveres, dentro da situação específica de cada presídio.

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