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1 A REDE NACIONAL DE TV PÚBLICA Sumário 1. Conceito 3. Modelo de gestão 5. Modelo de financiamento 7. Modelo de construção da rede nacional

2 Conceito de TV Pública 1. Independência do Poder Político na construção da programação e conteúdo 2. Independência do poder econômico-financeiro exercido pela publicidade 3. Controle da sociedade sobre a programação e diretrizes organismo de representação com poderes efetivos 4. Programação diferenciada com finalidades artísticas, culturais, informativa e científica, buscando o fortalecimento da cidadania e da identidade nacional. 5. Estrutura produtiva leve e flexível, baixos custos de produção mediante absorção da produção regional e da produção independente

3 1. Modelo de Gestão

4 Modelos de Gestão no Mundo Não há um modelo único de gestão e controle da TV Pública nos países em que ela é forte. Mas em quase todos esses países a TV pública é gerida por uma diretoria, que cuida do dia-a-dia, e de um conselho, que zela pela observância dos princípios da TV (caráter público, pluralismo etc) Os conselheiros geralmente têm mandato fixo e são nomeados pelo presidente, pelo monarca, pelo primeiro-ministro ou pelo parlamento.

5 Grã-Bretanha A BBC é dirigida por uma diretoria executiva, nomeada por um conselho composto por 12 pessoas representativas da sociedade. Formalmente o conselho é nomeado pela rainha, mas, na prática, os nomes são indicados pelo primeiro-ministro. Não há representantes diretos do governo no conselho. Os conselheiros são personalidades independentes, sem vínculos com organizações e com a TV comercial. Os conselheiros têm mandato de quatro anos, em tempo parcial.

6 Estados Unidos A PBS têm uma direção executiva de 11 membros e é presidida por um dos membros do Conselho Diretor. O Conselho Diretor é composto por 27 representantes das estações de uma corporação que congrega 354 emissoras em todo território norte-americano. Os conselheiros são representantes das estações e obedecem quatro princípios: integridade, qualidade, diversidade e autonomia editorial. Os conselheiros têm mandato de seis anos.

7 França A France Television tem um complexo sistema de direção. O Conselho Superior do Audiovisual Presidência da República, Assembléia Nacional e Senado nomeia o presidente do Conselho de Administração, que têm a responsabilidade de nomear os diretores gerais das 4 TVs do sistema France Television. O Conselho de Administração é formado por 14 membros: 4 parlamentares, 5 do Estado e 5 pelo Conselho do Audiovisual. Os conselheiros têm mandato de cinco anos.

8 Alemanha A ARD e a ZDF integram 16 emissoras públicas estaduais de 12 estados e ambas são dirigidas por dois conselhos: o de Radiodifusão e o de Administração. O conselho de Radiodifusão da ZDF é formado por 77 membros indicados pelo governo federal, governos regionais, partidos e organizações diversas. Os conselheiros são aprovados pelos parlamentos, com forte influência partidária. Decisões consideradas difíceis são levadas à Corte Suprema.

9 Canadá A CBC é dirigida por um Conselho Curador de 12 integrantes, responsável por todas atividades da corporação. O Governador-Geral indica os integrantes do conselho, sendo vedado pessoas relacionadas à área de radiodifusão. As as atividades da corporação são prestadas ao parlamento pelo equivalente ao Ministro da Cultura do Canadá. O mandato dos conselheiros é de no máximo cinco anos, podendo ser destituídos pelo Governador-Geral.

10 Experiências brasileiras As televisões da União TVE-RJ, TVE-MA e TV Nacional não constituem uma rede. Tampouco têm o mesmo estatuto jurídico. A Radiobrás é uma empresa estatal e a Associação de Comunicação Educativa Roquete Pinto, que congrega as TVEs Rio e MA, é uma organização social (OS). Nos estados também há vários formatos jurídicos OS, fundações etc. Mas, de geral, as TVS são controladas pelos governadores ou os reitores, no caso das TVs universitárias. A TV Cultura/SP tem um conselho de 46 membros, que elege o presidente. Mas na prática, fica exposta a pressões do governo estadual. A TVE/RJ têm um conselho com maioria do governo federal, que também indica o Presidente da Diretoria Executiva. Em suma, não há no Brasil um modelo de gestão que garanta a independência da TV pública.

11 Proposta TV BRASIL Conselho Curador Será composto por 20 membros: 15 representantes da sociedade civil, 4 do Governo e 1 dos empregados. Nomeados pelo presidente da República, admitida na MP a busca de mecanismo para indicações diretas da sociedade no futuro. Mandatos de quatro anos, não coincidentes com o mandato presidencial. O primeiro Conselho terá conselheiros com dois e com quatro anos, para assegurar o rodízio sem descontinuidade.

12 TV BRASIL Poderes e atribuições do Conselho Curador Aprovar anualmente a linha editorial, o plano de trabalho e as diretrizes gerais da programação. Acompanhar e fiscalizar a implementação das diretrizes aprovadas. Emitir voto de desconfiança, que na segunda oportunidade resultará obrigatoriamente no afastamento da diretoria ou do diretor que recebeu a restrição. Diretor-presidente e diretor-geral nomeados pelo Presidente da República

13 Critérios para composição do Conselho Curador Personalidades de elevada representatividade e credibilidade, de diferentes formações profissionais, que expressem a pluralidade social brasileira Representação não-corporativa (sindicatos, partidos, entidades etc.). Inconvenientes de um conselho corporativo: representaria grupos e não o todo; a amplitude prejudicaria a funcionalidade do Conselho

14 2. Modelo de financiamento

15 Modelos de financiamento no mundo Também não há um modelo único de financiamento nos países em que a TV pública é forte. Na Grã-Bretanha, a BBC é financiada com uma taxa anual no valor de 145 libras (cerca de R$ 400) por domícilio com TV. Teve um orçamento, em 2005, de 2 bilhões de libras. No Canadá, desde 1950, a CBC têm 75% de receita do orçamento, complementada de 20% de venda de publicidade e 5% de serviços e doações..

16 Modelos de financiamento no mundo Na Alemanha, cerca de 70% da receita vêm da taxa paga pelos proprietários de aparelhos, publicidade ou patrocínio restritos a 20% da programação diária e 10% de vendas de programas. Nos Estados Unidos, a PBS é financiada pela arrecadação de recursos federais, doações de telespectadores e patrocínio de programas. Na França, o financiamento é majoritariamente com recursos do Estado, complementado pela venda de propaganda e patrocínios.

17 TV Brasil -Proposta de modelo de financiamento TV custa caro em qualquer lugar do mundo e também no Brasil. Segundo estimativas confiáveis, esses foram os custos das principais redes comerciais de televisão no Brasil em 2006: Globo R$ 5,5 bilhões Record - R$ 750 milhões SBT - R$ 750 milhões Band - R$ 350 milhões Rede TV R$ 200 milhões Hoje, as TVs públicas/estatais no Brasil são financiadas basicamente com recursos orçamentários, complementados com recursos oriundos da prestação de serviços e de patrocínios. No caso da TV Cultura/SP, há também a venda de espaço publicitário, com a inserção de anúncios nos moldes das TVs comerciais.

18 Proposta de modelo de financiamento (cont.) Orçamento da Radiobrás em 2006: Recursos orçamentários - R$ 117 milhões Publicidade legal R$ 14 milhões Prestação de serviços R$ 6 milhões Total - R$ 137 milhões Orçamento da TVE em 2006 Recursos orçamentários - R$ 45 milhões Publicidade legal, patrocínio, prestação de serviços - R$ 38 milhões Total - R$ 83 milhões Orçamento da Cultura SP em 2006: R$ 140 milhões

19 Proposta de modelo de financiamento (cont.) Não haverá qualquer cobrança de taxas extras. O financiamento da TV pública combinará diversas fontes (orçamentárias e não-orçamentárias), a saber: Recursos orçamentários Recursos oriundos da prestação de serviços Patrocínios Doações Participação em fundos já existentes

20 Proposta de modelo de financiamento (cont.) Nesse momento de largada, o objetivo é construir um orçamento anual de R$ 350 milhões aproximadamente, que é praticamente o piso das TVs comerciais hoje. 1. Recursos do orçamento A Radiobrás e a Acerp recebem hoje cerca de 162 milhões do Orçamento da União. Essa participação passaria a ser de cerca de R$ 350 milhões, piso das TVs comerciais no Brasil. 2. Prestação de serviços A Radiobrás e a Acerp recebem hoje por serviços prestados a diferentes ministérios e órgãos públicos o equivalente a R$ 23 milhões por ano. Em alguns casos, esses serviços são prestados a preço de custo. É possível aumentar o volume de serviços prestados, desde que outros órgãos da União passem a contratar seus serviços áudio-visuais de maior fôlego junto à TV pública. É razoável estimar em R$ 50 milhões anuais o faturamento nessa rubrica.

21 Proposta de modelo de financiamento (cont.) 3. Patrocínios A Radiobrás não fatura nada e a Acerp fatura R$ 8 milhões por ano com a venda de patrocínios para empresas privadas ou estatais. Com o fortalecimento da TV pública e com uma política mais agressiva de captação de recursos nessa área, é possível aumentar significativamente o volume de recursos proveniente da venda de patrocínios, sendo razoável supor a entrada de 30 milhões por ano nessa rubrica. 4. Doações No Brasil não há a tradição de doações privadas a instituições, como ocorre nos Estados Unidos, mas, do ponto de vista legal, é sempre bom deixar a porta aberta para isso. No entanto, num primeiro momento, em termos práticos, é pouco provável que eventuais doações venham a ter peso significativo no orçamento da TV pública.

22 3. Modelo de construção da rede

23 Proposta de modelo de construção de rede A espinha dorsal da nova Rede Nacional de TV Pública será a TV Brasil, formada a partir da unificação entre Radiobrás e a Acerp, sob a gestão da EBC. A nova rede nasceria com quatro canais (TVE-RJ, TVE-MA, TV Nacional de Brasília e novo canal SP. E ainda, o Canal Integración, que passará a ser a TV Brasil-Internacional. Nasceria também com dez rádios e duas agências de notícias: a Agência Brasil e a Rádio Agência Nacional. Um departamento da EBC, mediante remuneração, prestaria serviços ao Governo Federal, que disporá se seu próprio canal (cabo), o NBR, para divulgar atos do Governo. A nova instituição teria funcionários, dos quais no Rio, 219 no Maranhão e em Brasília. Desses são celetistas e 494 funcionários públicos lotados num quadro em extinção.

24 Proposta de modelo de construção de rede 2. Montagem da rede A TV Brasil comporá uma rede nacional com as TVs do campo público que façam opção voluntária pela associação (educativas estaduais, universitrárias, comunitárias etc). Essa rede trabalhará para oferecer aos telespectadores uma programação comum e simultânea nos estados, com as seguintes características: Programas produzidos pela TV Brasil Programas produzidos pelas TVs associadas Quatro horas diárias de programação local Quatro horas diárias de programação com base em produção independente Associadas terão oportunidades da grade nacional A TV Brasil apoiará a migração das TVs estaduais para a produção e a transmissão digital. Em contrapartida, os estados se comprometeriam a adotar um modelo público de gestão das TVs.

25 Empresa Brasil de Comunicação - EBC Opção pela forma de Empresa Pública por ações (sociedade anônima sob o controle da União) Vinculada à SECOM Sede e Foro no Rio de Janeiro Escritório Central em Brasília Prevista possibilidade de participação acionária de Estados e Municípios

26 Empresa Brasil de Comunicação - EBC Canais da União que vai explorar: TVE-RJ, TV-MA, TV Nacional (Brasília-Radiobrás), novo canal em SP. Canal Internacional TV/Brasil-Integración TV Brasil Internacional. 20 horas de programação diária, 4 horas para produção local e 4 horas para produção independente Operação em Rede, com adesão de outras emissoras do campo público, construção de programação conjunta. Adesão voluntária, categorias pleno, associado ou parceiro. Apoio para requalificação e modernização. Migração para modelo público de gestão.

27 Regime de Pessoal Concurso Público Pessoal da RADIOBRÁS e aqueles cedidos à ACERP constituirão o quadro inicial Contratação temporária por excepcional interesse público (prazo de 36 meses) Primeiros noventa dias: contratação por análise de currículo para necessidades prementes de especialistas

28 Empresa Brasil de Comunicação - EBC Conselhos Administração Fiscal CURADOR Diretoria Executiva

29 Conselho de Administração - Supervisiona a gestão administrativa da EBC - 5 membros Presidente indicado pelo Ministro da SECOM Diretor Presidente da Diretoria Executiva Conselheiro indicado pelo Ministério do Planejamento Conselheiro indicado pelo Conselho Curador Conselheiro indicado conforme o Estatuto

30 Conselho Fiscal - Composição 3 membros Fiscaliza os atos da diretoria executiva: Representante da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República; Representante do Tesouro Nacional; Representante dos acionistas minoritários. Na ausência deles, indicado pela Secom

31 Diretoria Executiva Composição: Diretor-Presidente Diretor- Executivo 6 diretores: Jornalismo, Programação e Conteúdo, Suporte e Tecnologia, Relacionamento e Rede, Administração Financeira, Serviços e Negócios.

32 Incorporação da Radiobrás e Repactuação do Contrato com a ACERP Incorporação da Radiobrás será completa Contrato com ACERP será repactuado, para liquidar obrigações e transferir patrimônio. Absorção gradual do pessoal da ACERP.

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