FORMAÇÃO INICIAL: AS EXPECTATIVAS DE ALUNOS DE PEDAGOGIA ACERCA DA PEDAGOGIA EMPRESARIAL

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1 FORMAÇÃO INICIAL: AS EXPECTATIVAS DE ALUNOS DE PEDAGOGIA ACERCA DA PEDAGOGIA EMPRESARIAL Regina Lúcia Maciel De Sousa RESUMO As constantes mudanças econômicas e sociais configuram um novo cenário de valorização da educação. Nesse contexto, a formação de professores ocupa lugar de destaque nos debates educacionais, uma vez que o professor é um dos principais sujeitos quando se trata da educação escolar, pois ele se põe entre o aluno e o conhecimento, isto quer dizer que possui papel importante na melhoria da qualidade da educação. Por outro lado, existe uma nova percepção sobre a importância da atuação do professor em outras áreas, que não somente as escolares, colocando em evidência a Pedagogia Empresarial, que dá suporte no que se refere à estruturação das políticas de Treinamento, Desenvolvimento e Educação (TD&E) na área de Recursos Humanos e à ampliação e aquisição de conhecimento no espaço organizacional. Portanto, o objetivo desse estudo foi identificar as expectativas dos alunos concluintes de um curso de Pedagogia de uma universidade privada da cidade do Natal/RN em relação à Pedagogia Empresarial, observando-a como perspectiva de inovação no âmbito organizacional e como espaço de aprendizagem e estímulo ao desenvolvimento das pessoas. É uma pesquisa qualitativa, descritiva e interpretativa, onde a coleta de informações foi realizada por meio de um questionário estruturado de perguntas fechadas, sendo observado que a maioria dos entrevistados reconhece a importância da Pedagogia Empresarial e que ainda procura, em grande parte, uma complementação na sua formação, já que acredita que a graduação prepara apenas parcialmente para uma atuação nesse setor. Palavras-chave: Pedagogia Empresarial. Aprendizagem Organizacional. Formação Inicial. INTRODUÇÃO Vivemos hoje a era do conhecimento cujo recurso controlador não é mais o capital, a terra ou a mão-de-obra, mas o conhecimento, a capacidade e experiências dos indivíduos. Tendo por base a importância do desempenho do ser humano para o sucesso organizacional, as organizações, em todos os seus segmentos, estão sendo chamadas para atuar através de abordagens cada vez mais educativas. Considerando-se as organizações como espaços educativos e aprendentes, responsáveis pelo processo de formação e qualificação de seus colaboradores e a estreita ligação da Pedagogia com os processos de ensino e aprendizagem, observa-se que um dos grandes desafios postos para o século XXI é o de assegurar a aprendizagem de todos para fazer frente às exigências da nova era do conhecimento. É nesse contexto de valorização da educação e de estímulo ao desenvolvimento profissional das pessoas que surge a figura do pedagogo empresarial, que vem, aos poucos, se inserindo nos ambientes organizacionais. Porém, ao procurar leituras específicas referentes ao tema, Livro 2 - p

2 se encontram ainda muitas dificuldades, informações e conhecimentos sobre a atuação deste profissional nas organizações, que se denominam também como contextos não escolares, são ainda pouco encontrados nas literaturas que tem como objeto a educação. Deste modo, esse estudo teve como objetivo identificar a expectativa dos alunos concluintes do curso de Pedagogia de uma universidade privada na cidade do Natal, RN, em relação à Pedagogia Empresarial, observando-a como perspectiva de inovação no âmbito organizacional e como espaços de aprendizagem e estímulo ao desenvolvimento das pessoas. Na sequência, abordam-se a fundamentação teórica do estudo, os procedimentos metodológicos utilizados a fim de responder ao objetivo proposto, explanam-se os resultados e para finalizar, apresentam-se as considerações e as possíveis contribuições dessa pesquisa para futuros trabalhos em relação ao tema. GESTÃO DE PESSOAS E APRENDIZAGEM Para entender a atuação do pedagogo nas organizações, é preciso, primeiramente, compreender a articulação da Pedagogia com o ambiente organizacional, assim como a recente valorização dos indivíduos e da aprendizagem neste ambiente, considerando-se, principalmente, a área de treinamento, desenvolvimento e educação dos colaboradores, como responsável pela formação e qualificação de seus profissionais. Com a crescente globalização dos negócios, a concepção sobre o ser humano foi se tornando cada vez mais complexa, de modo que se passou a considerá-lo como um ser dotado de vontade própria, que procura constante e ativamente sua realização no trabalho. Nesse contexto, a expressão Recursos Humanos passou a ser vista por muitos como não adequada para se referir a este novo indivíduo que não podia ser considerado apenas como um recurso a ser explorado pelas organizações, que por sua vez também passaram a ser vistas como possuidoras de um importante papel na sociedade. Surge então a expressão Gestão de Pessoas, que considera o trabalhador como um ser integral, não apenas como mero fator de produção (MOTTA; VASCONCELOS, 2006). Diante disso, o indivíduo passa a ser considerado o principal elemento nas organizações, uma vez que se observa que é ele que compõe toda a estrutura organizacional, operando as tecnologias e interagindo com o ambiente. Nesse contexto, segundo Bomfim (2006, p. 6), os recursos humanos precisam ser vistos e considerados Livro 2 - p

3 como seres humanos nas novas relações entre capital-trabalho-conhecimento. Segundo o autor, diante da evolução da perspectiva da visão do ser humano como ser integral, o assunto, incipiente no Brasil nos anos 1990, ganha evidência e passa a ser considerado em todos os eventos em que se discutem a importância do homem como fator decisivo no processo de sucesso das organizações e da sociedade em geral. Observa-se, porém, que para que se consiga estabelecer um efetivo processo de mudança através do desenvolvimento das pessoas, as organizações devem estimular a aprendizagem como forma de manter a sua capacidade de competitividade. TREINAMENTO, DESENVOLVIMENTO E EDUCAÇÃO (TD&E) As ações de treinamento, desenvolvimento e educação do trabalhador ocupam na atualidade um dos papéis centrais no conjunto das práticas de gestão de pessoas em contextos organizacionais. Os impactos dessas ações são fundamentais tanto para os ajustes indivíduo-trabalho, quanto para as relações entre organização e seus contextos, garantindo-lhes, ou não, produtividade e competitividade (BASTOS, 2006). Frente às constantes mudanças que influenciam o mercado empresarial, tornase vital o desenvolvimento de projetos e programas voltados para a elevação das taxas de sobrevivência e competitividade nas organizações, fator que contribui para a transformação da atuação da área de Recursos Humanos e dos setores responsáveis pela formação e qualificação de seus profissionais. Essas mudanças exigem profissionais mais críticos e reflexivos para atuar nos processos de desenvolvimento pessoal e profissional dos colaboradores nas organizações, que compreendam as bases teóricoconceituais da formulação de projetos e ações de Treinamento, Desenvolvimento e Educação de Pessoas (MENEZES; ZERBINI; ABBAD, 2010). Segundo os autores, a crença de que indivíduos qualificados levarão as organizações a alcançarem patamares adequados e estáveis de competitividade precisa ser revista, e que somente a concentração de esforços em atividades executivas não é mais considerada suficiente, uma vez que a disputa cada vez maior entre as organizações aumentou os investimentos em ações de Treinamento, Desenvolvimento e Educação (doravante TD&E), o que aumentou também, consideravelmente, a pressão para que tais recursos sejam geridos adequadamente. A necessidade de se alinhar o desempenho humano e os resultados passa a exigir um novo paradigma de gestão de pessoas. Apesar da disponibilidade teórico- Livro 2 - p

4 conceitual, metodológica e empírica, ainda são necessárias práticas adequadas de TD&E que garantam que as metas de desenvolvimento de indivíduos e empresas sejam atendidas, sendo necessário para isto que as áreas responsáveis pelo desenvolvimento de pessoas reajustem urgentemente as suas práticas, sob o risco de perderem espaço nas organizações modernas. A PEDAGOGIA E O PEDAGOGO NAS ORGANIZAÇÕES A Pedagogia é a Ciência que investiga, analisa, sistematiza e define quais os objetivos da educação, pondo em prática as tecnologias e o resultado das investigações das teorias conhecidas pelo pedagogo para atingir os objetivos da educação (HOLTZ, 2006). Segundo a autora, a Pedagogia estuda e aplica doutrinas e princípios, visando a programas de ação em relação à formação, aperfeiçoamento e estímulo das faculdades da personalidade das pessoas, de acordo com ideais e objetivos definidos, articulando os ideais e os meios mais eficazes para realizá-los. Diante disso, observa-se que se abre um vasto campo de possibilidades de atuação para o pedagogo, que, no entanto, tem se caracterizado como o profissional vinculado apenas às atividades específicas da escola, entre elas a docência, principalmente do ensino infantil e fundamental, e outras especialidades da área, como direção, coordenação e supervisão escolar; ou seja, raramente é inserido nas organizações, mesmo que o trabalho se refira à educação (BOMFIM, 2004). Porém, o papel do pedagogo em ambientes não escolares fica claro à medida que o educador integra os diferentes enfoques existentes nos processos metodológicos e práticos, tendo como suporte o conhecimento na área da educação, o que lhe confere também a possibilidade de interagir e colaborar para o desenvolvimento do indivíduo na sua área de atuação profissional. Considerando-se estes aspectos, é importante salientar que não se pode ignorar a questão da falta de formação pedagógica no universo dos profissionais de TD&E, que, de um modo geral, de acordo Andrade (apud BOMFIN, 2004), tem pouco ou nenhum acesso a publicações técnicas na área. Levando em conta todos esses aspectos, assim como as mudanças ocorridas no processo produtivo, os cursos de Pedagogia já passam, atualmente, por um processo de reestruturação curricular, uma vez que se observa, ainda segundo o autor, que a fundamentação que a Pedagogia traz para os processos de aprendizagem torna-se fundamental para uma formação mais sólida dos profissionais que lidam com a Livro 2 - p

5 aprendizagem organizacional. Em todo o país, os cursos de graduação e pós-graduação em Pedagogia Empresarial começaram a ficar mais presentes, dando ênfase aos aspectos pedagógicos referentes aos processos de aprendizagem nas organizações (BOMFIN, 2004). No entanto, tem sido tema de constantes discussões a necessidade de mudanças que capacitem ainda mais os profissionais da educação para atuarem nas organizações, assim como em outros contextos não escolares. A ATUAÇÃO DO PEDAGOGO NOS AMBIENTES ORGANIZACIONAIS No Brasil, a formação do pedagogo empresarial surgiu vinculada à idéia da necessidade de preparação e formação de pessoas na área de Recursos Humanos nas organizações, que descobrem a importância da educação para atender as novas exigências dos processos produtivos. Deste modo, as organizações passam a reconhecer a influência educativa do pedagogo, que, com isso, ganha espaço na área de TD&E, onde se consideram como seu principal papel a estruturação dos setores de treinamento, o levantamento das necessidades de formação continuada, e o desenvolvimento de projetos e programas adequados para a formação permanente dos colaboradores, através da identificação das deficiências e carências educacionais no âmbito das organizações (RIBEIRO, 2003). A autora afirma que a área de Recursos Humanos é responsável pela formação profissional, cabendo ao pedagogo facilitar e apoiar os projetos aderidos pela empresa. Os conhecimentos gerais proporcionados pelos cursos de Pedagogia são fundamentais para que o pedagogo desempenhe bem a sua função nas empresas. Sua formação é fundamentada pelos recursos auxiliares de ensino, pelo processo de ensinoaprendizagem, avaliação de programas, didática, elaboração de projetos. Porém, além desses pré-requisitos, outros se fazem necessários para uma boa atuação profissional. O pedagogo empresarial precisa de uma formação filosófica, humanística e técnica sólida, que deve incluir disciplinas como: Didática Aplicada ao Treinamento, Jogos e Simulações Empresariais, Administração do Conhecimento, Ética nas Organizações, Comportamento Humano nas Organizações, Cultura e Mudança nas Organizações, Educação e Dinâmica de Grupos, Relações Interpessoais nas Organizações, Desenvolvimento Organizacional e Avaliação do Desempenho (RIBEIRO, 2003, p. 10). É importante ressaltar que a atuação do profissional pedagogo deve acontecer de forma articulada e cooperativa com os profissionais da área de gestão de pessoas, Livro 2 - p

6 considerando a filosofia e a política de recursos humanos adotadas pela organização. Ratificando a premissa, Ribeiro (2010, p.10), afirma que [...] uma atuação pedagógica efetiva, independentemente do meio onde se realiza, implica uma permanente interface com outras áreas do conhecimento. De acordo com Bomfin (2004), a multidisciplinaridade é fundamental para tratar do saber no âmbito da empresa, assim como no ambiente da escola. Afirma que, para que haja um processo multidisciplinar produtivo é necessário que haja diversidade e uma base de conversação que oportunize uma liga entre profissionais diversos. Essa liga, neste cenário da aprendizagem organizacional, é a fundamentação pedagógica [...] Dessa forma, espera-se que a Pedagogia que trate dos processos de aprendizagem nas organizações possa, de fato, contribuir para ampliar o diálogo mulidisciplinar entre profissionais diversos no ambiente das organizações (BOMFIN, 2004, p. 5). Deve-se ainda salientar uma importante questão para a formação e atuação do pedagogo empresarial, que é o entendimento do comportamento humano, inclusive o dele próprio, no contexto organizacional, considerando que toda a sua atuação está pautada na dimensão da formação humana. Como comentado por Ribeiro, (2010, p.10), as políticas de recursos humanos por si só não garantem mudanças ou comprometimentos mais ou menos efetivos; têm no elemento humano o seu ponto-chave. Nesse sentido, quanto mais conhecimento se puder dispor acerca do comportamento humano no ambiente organizacional, mais efetiva será a atuação profissional, em todos os sentidos. Holtz (2006), acredita na perfeita interação entre a Pedagogia e a Empresa, e coloca como principais responsabilidades do pedagogo empresarial: conhecer e encontrar soluções práticas para questões que envolvem a otimização da produtividade das pessoas humanas - objetivo de toda Empresa; conhecer e trabalhar na direção dos objetivos particulares e sociais da Empresa; conduzir com atividades práticas, as pessoas que trabalham na Empresa - dirigentes e funcionários - na direção dos objetivos humanos, bem como os definidos pela Empresa; promover as condições e atividades práticas treinamentos, eventos, reuniões, festas, feiras, exposições, excursões etc. necessárias ao desenvolvimento integral das pessoas, influenciando-as positivamente (processo educativo), objetivando otimizar a produtividade pessoal; aconselhar sobre as condutas mais eficazes das chefias para com os funcionários e destes para com as chefias, a fim de favorecer o desenvolvimento da produtividade empresarial; conduzir o relacionamento humano na Empresa, através de ações pedagógicas que garantam a manutenção do ambiente positivo e agradável, estimulador da produtividade. Livro 2 - p

7 Libâneo, (2000, p. 25) define o pedagogo como o profissional que atua em várias instâncias da prática educativa, nos âmbitos formais e informais, o que torna ampla sua atuação como profissional mediador do saber. Diante disto, se observa a oportunidade de inclusão de profissionais que saibam lidar com estratégias de aprendizagem nas organizações. Na percepção de Almeida, (2006, p. 7), o Pedagogo Empresarial têm o domínio de conhecimento, técnicas e práticas que [...] constituem instrumentos importantes para a gestão de pessoas. Deste modo, tanto pode gerenciar como estar vinculado às áreas de Recursos Humanos, TD&E e também às ações de responsabilidade social, cultural e de lazer, planejando, avaliando, administrando e capacitando profissionais, visando a aprimorar processos para obtenção dos resultados esperados pelas organizações, no desenvolvimento de habilidades e competências dos seus colaboradores. Sobre a abertura do mercado de trabalho para o pedagogo nas organizações, observa-se ser necessário um trabalho de sensibilização nas empresas e nos cursos de formação. Conforme Ceroni (2006), é preciso que os cursos de formação forneçam elementos que façam com que os pedagogos tenham mais segurança e competência profissional. Para desempenhar seu papel com eficiência e eficácia, o pedagogo precisa estar sempre informado e em constante atualização, para que possa atender às necessidades do mercado, dentro ou fora das organizações. PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS O objetivo dessa pesquisa foi identificar as expectativas dos alunos concluintes de um Curso de Pedagogia em relação à Pedagogia Empresarial. De um universo composto por 40 indivíduos, foram entrevistados 29 alunos concluintes do curso de Pedagogia de uma universidade particular da cidade do Natal/RN, sendo 3 do gênero masculino e 26 do gênero feminino, cujas idades variam entre 22 e 40 anos. É uma pesquisa qualitativa, descritiva e interpretativa cujas informações foram colhidas por meio de um questionário estruturado com perguntas fechadas, com dez questões objetivas de múltipla escolha, que foram respondidas num tempo aproximado de 40 minutos. As informações foram transcritas, categorizadas e, posteriormente, analisadas por meio da técnica análise de conteúdo (BARDIN, 1977). Livro 2 - p

8 DESCRIÇÃO E ANÁLISE DOS RESULTADOS No que diz respeito ao que pensam os discentes concluintes quanto ao conhecimento, no ingresso ao curso, de que poderiam atuar como pedagogos em ambiente empresarial pode-se verificar que 8% dos alunos afirmaram que já possuíam o conhecimento de que poderiam atuar em ambientes empresariais, enquanto 21% desconheciam o fato e 71% conheciam parcialmente. Percebe-se, então, que a maioria ingressa no curso já possuindo o conhecimento de que poderia atuar em ambientes empresariais, o que, concordando com Bomfin (2004) deixa claro que os cursos de Pedagogia, no país, já estão dando ênfase aos aspectos pedagógicos referente aos processos de aprendizagem nas organizações. Quando questionados quanto à identificação com a Pedagogia Empresarial, 55% dos alunos demonstram se identificar, 28% se identificam parcialmente e 17% não se identificam com esta área de atuação do pedagogo. Quando perguntados sobre o interesse em atuar nas organizações, 59% dos alunos responderam que têm interesse em atuar na área. Já 24% afirmaram não ter interesse, e 17% responderam que se interessam apenas parcialmente. O resultado demonstra que a Pedagogia Empresarial já faz parte das expectativas de parte dos alunos concluintes e que pode direcionar a carreira do aluno recém formado. Quando indagados sobre se possuíam perfil para atuar na área responderam: 52% entendem que possuem o perfil condizente com a Pedagogia Organizacional, enquanto 21% disseram não ter o perfil adequado e 27% que apenas parcialmente. Os resultados apontam que parte dos alunos se vê com perfil para atuar na área empresarial o que condiz com a afirmação de Holtz (2006) de que existe uma grande interação entre a Pedagogia e a empresa. Ao serem indagados se sabiam que o foco do trabalho da Pedagogia Empresarial é, principalmente, na área de Recursos Humanos, 21% dos alunos disseram que sabiam, enquanto 28% responderam que não sabiam, 48% sabiam parcialmente e 3% não responderam a questão. As expectativas são de que o pedagogo pode desempenhar funções em outras áreas além do RH, concordando com Libâneo (2000), quando define o pedagogo como o profissional que pode atuar em várias instâncias da prática educativa. Quando questionados se, durante o curso, adquiriram habilidades e competências necessárias para atuar nas organizações, 34 % dos alunos responderam Livro 2 - p

9 que sim, 14% responderam que não, e a maioria, 52%, respondeu que apenas parcialmente, o que, de acordo com Ceroni (2006), demonstra a necessidade de uma maior preparação dos alunos em relação às questões empresariais, afirmando ser necessário que os cursos de formação forneçam elementos que façam com que os pedagogos tenham mais segurança e competência profissional. Em relação às expectativas sobre a existência de mercado de trabalho na área de TD&E nas organizações, em Natal, para o pedagogo empresarial, grande parte dos alunos, 62%, acredita que o mercado é incipiente, enquanto 35% acredita que existe mercado de trabalho e 3% acha que não. Apesar de mostrarem interesse em atuar nas organizações, os alunos demonstraram, dentro de suas expectativas, que o mercado ainda é incipiente, apesar de que, conforme Menezes, Zerbine e Abbad (2010), as mudanças que influenciam o mercado empresarial exigem profissionais mais qualificados para atuar nos processos de TD&E. Perguntados sobre a necessidade de outros conhecimentos necessários à formação do pedagogo, além dos conhecimentos gerais proporcionados pelos cursos de Pedagogia, como o conhecimento de recursos de gestão empresarial, o entendimento do processo de ensino-aprendizagem nas organizações, o saber planejar e avaliar programas de treinamento e elaborar projetos organizacionais, 86% dos alunos reconhecem que esses outros conhecimentos são importantes para a formação do pedagogo empresarial e 14% acha que é apenas parcialmente importante. Deste modo, os resultados são coerentes com a afirmação de Ribeiro (2003) quando coloca que o pedagogo deve estar preparado para atuar na estruturação dos setores de treinamento, na formação continuada e no desenvolvimento de projetos e programas adequados para a formação permanente dos colaboradores nas organizações, o que demonstra a importância de conhecimentos específicos para uma efetiva formação do pedagogo empresarial. Foi indagado aos alunos concluintes se o domínio de conhecimentos, técnicas e práticas, somadas à experiência de profissionais de outras áreas lhes dariam subsídios para atuar em empresas. Mesmo considerando a atuação em conjunto com outros profissionais, 52% dos futuros pedagogos responderam que se sentem apenas parcialmente seguros, 45% se sentem seguros para atuar em equipes multidisciplinares e 3% afirmam não ter o domínio de conhecimento e técnicas para trabalhar em equipe nas organizações. Livro 2 - p

10 Nesse contexto, é importante lembrar Ribeiro (2010), quando afirma que uma atuação pedagógica efetiva, independentemente de onde se realiza, implica uma permanente interface com outras áreas do conhecimento. E que, de acordo com Bomfin (2004), a multidisciplinaridade é fundamental para tratar do saber no âmbito da empresa, assim como no ambiente da escola. Finalmente, quando questionados se para atuar na Pedagogia Empresarial o pedagogo precisa complementar a sua formação, observa-se que a maioria dos alunos, 97%, concorda ser necessária a complementação da formação, demonstrando que a expectativa quanto ao futuro profissional é de que devem procurar uma formação contínua. Apenas 3% responderam ser parcialmente necessária a complementação da formação. CONSIDERAÇÕES EM ABERTO Tudo indica que o estudo realizado identificou as expectativas de alunos concluintes do curso de Pedagogia, de uma universidade particular da cidade do Natal/RN em relação à Pedagogia Empresarial, apontando para o fato de que a maioria se identifica com este novo campo de trabalho por considerar que possui perfil adequado para a atuação nos ambientes empresariais. Apontou ainda que, apesar da boa expectativa dos alunos em atuar na área, existe clareza a respeito da necessidade de uma maior preparação em relação às questões empresariais, uma vez que a pesquisa realizada demonstrou que a maioria dos alunos concluintes se considera apenas parcialmente apta para atuar no setor, o que faz com que se perceba que há a necessidade de uma formação complementar. Portanto, espera-se que esse estudo possa contribuir para ampliar o conhecimento e o debate sobre a atuação do pedagogo nas organizações não escolares e, ao mesmo tempo, chame a atenção para as poucas informações disponíveis e abra espaço para o direcionamento de atitudes futuras que oportunizem pesquisas sobre questões relativas ao assunto. REFERÊNCIAS ABBAD, G.; CARVALHO, R. S.; ZERBINI, T. Evasão em curso via Internet: explorando variáveis explicativas. RAE-eletrônica, 5(2) art. 17, (2006, julho/dezembro). Livro 2 - p

11 ALMEIDA, M. G. de. Pedagogia empresarial: saberes, práticas e referências. Rio de Janeiro: Brasport, BASTOS, A. V. B. Trabalho e qualificação: questões conceituais e desafios postos pelo cenário de reestruturação produtiva. In: BORGES-ANDRADE, J.; SILVA G. da; MOURÃO, L. (Org.) T r e i n a m e n t o, d e s e n v o l v i m e n t o e e d u c a ç ã o e m o r g a n i z a ç õ e s e t r a b a l h o : fundamentos para a gestão de pessoas. Porto Alegre: Artmed, 2006, p BARDIN, L. Análise de conteúdo. Lisboa: Edições 70, BOMFIN, D. F. Pedagogia no treinamento: correntes pedagógicas no ambiente de aprendizagem nas organizações. Rio de Janeiro: Qualitymark, CARVALHO, L. C. T&D estratégicos. In: BOOG, G. G. Manual de treinamento e desenvolvimento. São Paulo: Pearson Makron Books, CERONI, M. R. O perfil do Pedagogo para atuação em espaços não escolares. In: I Congresso de Internacional de Pedagogia Social, 1., Faculdade de Educação. Universidade de São Paulo. Disponível em: Acesso em: 11 dez HOLTZ, M. L. M. Pedagogia empresarial. São Paulo: Revista Ampliada, Disponível em:<http://www.mh.etc.br/documentos/licoes_de_pedagogia_empresarial.pdf>. Acesso em: 25 nov LIBÂNEO, J. C. Pedagogia e pedagogos, para quê? São Paulo: Cortez, MOTTA, F. C. P.; VASCONCELOS, I. F. G. de. Teoria geral da administração. São Paulo: Pioneira, PANTOJA, M. J, & BORJES-ANDRADE, J. E. In: MENEZES, P.; ZERBINI, T.; ABBAD, G. Manual de treinamento organizacional. Porto Alegre: Artmed, RIBEIRO, A. E. A. Pedagogia empresarial: atuação do pedagogo na empresa. Rio de Janeiro: Wak, Temas atuais da pedagogia empresarial: Aprender para ser competitivo. Rio de Janeiro: Wak, SEVERINO, A. J. Metodologia do trabalho científico. São Paulo: Cortez, MARCONI, M. de A.; LAKATOS, E. M. Fundamentos de metodologia científica. São Paulo: Atlas, Livro 2 - p

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