CORPO FEMININO E DETERMINAÇÕES DA INDÚSTRIA CULTURAL: CONTRIBUIÇÕES DA PSICOLOGIA SOCIAL Bruna Trevizoli Ferraz Lobo 1

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1 CORPO FEMININO E DETERMINAÇÕES DA INDÚSTRIA CULTURAL: CONTRIBUIÇÕES DA PSICOLOGIA SOCIAL Bruna Trevizoli Ferraz Lobo 1 (Orientador) Profa. Dra. Tatiana Machiavelli Carmo Souza 2 RESUMO O presente trabalho tem como objeto de estudo a influência da indústria cultural e seus meios de comunicação na idealização do corpo feminino, e na busca desenfreada por esse padrão pré-estabelecido. O objetivo perpassa a verificação do processo de disseminação da imagem corporal perfeita através das mensagens veiculadas na capa de revistas femininas ligadas ao tema da beleza e da aparente saúde veiculadas pela mídia contemporânea. Foram utilizadas as capas da revista Corpo a Corpo, posteriormente foi realizada análise das imagens e análise de conteúdo. Os dados obtidos revelam que banalização do corpo, principalmente o feminino, que é usado como objeto de desejo, marketing e consumo pela mídia estudada. Pautado no viés da Psicologia Social, percebeu-se que o corpo tem sido associado à ideia de consumo, pois para manter os padrões de beleza e saúde é preciso se engajar no mercado de cosméticos, cirurgias e outros tipos de consumo. Pode-se verificar, ainda, o papel da indústria cultural na criação de um ideal de corpo feminino e a internalização desse modelo na subjetividade dos indivíduos. Dessa forma, ao perceber os modelos e padrões apresentados pela mídia outras formas de ser e existir são postos à margem e o corpo ideal torna-se objeto de consumo contemporâneo. PALAVRAS-CHAVE: indústria cultural; corpo; consumo INTRODUÇÃO A Revolução Industrial, fato acontecido no século XVIII, foi uma condição básica, porém não suficiente para o surgimento da indústria cultural. Na segunda metade do século XIX iniciou-se uma economia de mercado baseada no consumo de bens refletindo então, uma sociedade de consumo. A Revolução Industrial gerou o modo de produção capitalista, acarretando uma economia de mercado e refletindo uma sociedade de consumo. Podemos 1 Graduanda em Psicologia na Universidade Federal de Goiás - Câmpus Jataí 2 Docente no curso de Psicologia na Universidade Federal de Goiás Câmpus Jataí. 1

2 identificar alguns traços dessa sociedade capitalista, como por exemplo, a reificação (coisificação) e a alienação. Segundo Adorno, o consumidor não é o sujeito da indústria cultural, ou seja, não é ele quem escolhe o que deseja consumir, o que deseja ver ou ouvir, ele é apenas um objeto que absorve tudo aquilo que já está de alguma forma, pré-determinado. Porém, para que a indústria cultural exista, ela tem a necessidade de se adaptar às massas, pois estas são a ideologia da primeira. A indústria cultural tem diversos meios de se veicular, como por exemplo, a televisão, os jornais, a rádio, as revistas, e mais. Em todos eles podemos identificar as características da ideologia do capitalismo, inclusive, como já apontado, a reificação e a alienação. Na sociedade contemporânea podemos perceber cada vez mais a banalização do corpo, principalmente o feminino, que é usado como objeto de desejo, marketing e consumo pela mídia em geral. As revistas femininas têm um grande poder de influência sobre as mulheres, já as revistas masculinas exercem o ideal de corpo feminino nos homens. Ou seja, essas revistas direcionadas ao público masculino exploram o corpo feminino de tal forma que a padronização da imagem e medidas determinadas para as mulheres influencia o gênero masculino. Diversos trabalhos discutem a problemática da influência da indústria cultural no culto ao corpo. Uma diversidade de vozes usadas pela mídia traz à tona, de forma disfarçada e quase imperceptível o que é certo, bom ou bonito e determinam isso na sociedade, sendo refletido principalmente na vida individual de cada um. O uso da imagem do corpo feminino pela mídia, em revistas, propagandas, comerciais de televisão é prática recorrente na contemporaneidade. A prática do culto ao corpo é entendida como uma espécie de consumo cultural que atinge todas as classes sociais e faixas etárias, se apoiando num discurso sobre saúde e beleza, no qual o segundo aspecto é muito mais enfatizado. Essa prática é cada vez mais incentivada pela mídia, à medida que capas de revistas, por exemplo, mostram corpos padronizados e atraentes influenciando na busca pelo corpo perfeito com medidas esculturais. Aqueles que não possuem tais características se embrenham numa luta para conquistar uma aparência física padronizada pelas revistas, pela televisão, pelos jornais, cinema, e que é idealizada por cada um. 2

3 Essa incessante busca pelo corpo perfeito satisfaz o desejo da indústria cultural de cada vez mais criar uma sociedade consumidora, pois para realizar a necessidade do corpo perfeito é preciso estar imerso no mercado de cosméticos, academias, salões de beleza, clínicas estéticas, dentre outros aspectos. Além dessa necessidade de consumo para conquistar o corpo ideal, outra forma de potencializar a indústria cultural é tornar o corpo uma forma de capital; ou seja, o corpo passa a ter valor de troca ou ainda é considerado um bem material. Diante do conteúdo exposto pudemos perceber o quanto a indústria cultural cria um ideal de corpo feminino, e internaliza isso nos indivíduos, tornando-os seus objetos que consomem o que lhes é imposto sem questionar absolutamente nada. Transformando assim, os valores pessoais, morais e sociais da contemporaneidade. METODOLOGIA Este trabalho teve como objetivo verificar o processo de disseminação da imagem corporal perfeita através das mensagens veiculadas na capa de revistas ligadas ao tema da beleza e da aparente saúde difundidas pela mídia contemporânea. Para tanto, foi realizada a análise das capas da revista Corpo a Corpo, no período de agosto de 2011 a agosto de 2012, a fim de que pudessem ser identificados os traços da influência da indústria cultural no ideal de corpo feminino. A análise das capas da foi realizada a partir de três categorias: a forma, o conteúdo e a divulgação. Tal análise considerou as imagens e os conteúdos veiculados nas capas das revistas. A revista analisada tem uma periodicidade mensal, é destinada ao público feminino e traz em suas capas mensagens vinculadas à imagem corporal, culto ao corpo, ideal do corpo feminino entre outros. RESULTADOS PARCIAIS Os resultados discutidos são parciais, já que este estudo encontra-se em andamento e versam sobre as três categorias: a forma, o conteúdo e a divulgação presentes na revista Corpo a Corpo. 3

4 Quanto à forma, em todas as capas analisadas podemos perceber uma padronização, onde se encontra em destaque uma celebridade feminina usando biquíni, ao lado direito da foto é descrito o nome de tal artista com algumas informações sobre como ela mantém a boa forma do corpo. Essa vinculação entre a imagem de um corpo escultural e a boa forma faz-se de forma é pressuposto apresentado nas revistas. Quanto ao conteúdo, de forma organizada e semelhante em todas as capas, é observada a incitação à busca do corpo perfeito. Podemos notar isso com as mensagens que são veiculadas. Essas mensagens dizem respeito a dietas mirabolantes, exercícios físicos milagrosos, medicamentos para emagrecer, cabelos esplêndidos, cirurgias plásticas, dentre outros. As mensagens em letras bem visíveis tornam ainda mais fácil a publicação do conteúdo da revista. Em relação à divulgação, essas revistas ficam expostas em livrarias, bancas de jornal, estantes próximas a caixas de supermercados, ou seja, tudo sistematizado para que seja internalizado o corpo feminino padrão e para que a busca pelo corpo feminino se torne ainda mais intensa a cada dia. Além disso, não é preciso ler para que a disseminação do corpo idealizado seja realizada com sucesso, pois a personalidade artística, que compõe a capa da revista sempre é apresentada com cores vibrantes, ocupando praticamente todo o espaço. Essa revista tem preço bastante acessível a pessoas de classe mais baixas, porém, como todas as mensagens veiculadas por ela estão estampadas claramente na capa, não precisa ler o conteúdo interno desse meio para que a mulher se influencie da idealização do corpo feminino. Diante do que foi exposto, pudemos perceber que a indústria cultural e seus meios de comunicação, nesse caso da revista Corpo a Corpo, exercem influência sobre a imagem corporal da sociedade contemporânea. Intensificando o culto ao corpo e internalizando nos indivíduos essa busca desenfreada pelo corpo perfeito e idealizado. CONSIDERAÇÕES FINAIS Esse trabalho nos permitiu verificar a grande influência que a indústria cultural e seus meios de comunicação exercem nas concepções de corpo ideal da sociedade. As várias facetas 4

5 que foram expostas puderam reafirmar que muito da constituição individual se dá pela impregnação do social em cada indivíduo, sem que esse possa escolher entre querer ou não tais influências e subjetividades sociais. Adorno (1994), deixa claro o quanto o indivíduo não é sujeito da indústria, e sim um objeto usado para o consumo dos produtos que ela lança no mercado, sem chance de questionamentos ou aversão ao que lhe é imposto. Portanto, é evidente a existência do poder exercido pela indústria cultural sobre cada indivíduo, padronizando corpos, incentivando a busca desenfreada pelo corpo idealizado e reforçando a prática consumista de culto ao corpo. REFERÊNCIAS ADORNO, Theodor W. Sociologia. São Paulo. Ática, ARAÚJO, Denise Castilhos de. Corpo Feminino: construção da mídia? Revista Digital Buenos Aires, ano 13, nº 120, COELHO, Teixeira. O que é indústria cultural. São Paulo. Brasiliense S.A CORPO A CORPO, Editora Escala, ago ago LANE, Sílvia T. Maurer. O que é Psicologia Social. São Paulo. Brasiliense S.A. 1982, 3ªEd. PAIM, Maria Cristina Chimelo e STREY, Marlene Neves. Corpos em Metamorfose: um breve olhar sobre os corpos na história, e novas configurações de corpos na atualidade. Revista Digital Buenos Aires, ano 10, nº 79,

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