MICROFINANÇAS E HIV/SIDA: FERRAMENTAS PARA EFECTUAR MUDANÇAS INSTITUCIONAIS EM RESPOSTA AO HIV/SIDA

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1 MICROFINANÇAS E HIV/SIDA: FERRAMENTAS PARA EFECTUAR MUDANÇAS INSTITUCIONAIS EM RESPOSTA AO HIV/SIDA GUIA DO CURSO DE FORMAÇÃO MICROFINANÇAS E HIV/SIDA: DEFINIÇÃO DE OPÇÕES PARA A MUDANÇA ESTRATÉGICA E OPERACIONAL SETEMBRO DE 2004 This publication was produced for review by the United States Agency for International Development. It was prepared by DAI Washington.

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3 MICROFINANÇAS E HIV/SIDA: FERRAMENTAS PARA EFECTUAR MUDANÇAS INSTITUCIONAIS EM RESPOSTA AO HIV/SIDA SETEMBRO DE 2004 VERSÃO Nº 1 The authors views expressed in this publication do not necessarily reflect the views of the United States Agency for International Development or the United States Government.

4 AMAP, Accelerated Microenterprise Advancement Project (Projecto Acelerado de Fomento de Microempresas) é um mecanismo de contratação de quatro anos que a USAID/Washington e as suas missões podem utilizar para adquirir serviços técnicos para o desenho, implementação ou avaliação do desenvolvimento das microempresas, ferramenta importante para o crescimento económico e o alívio da pobreza. Para informações adicionais sobre o AMAP e publicações afins, visite o site da Internet: Número do Contrato: GEG-I Tarefa: 01 Provedor de Serviços: Development Alternatives, Inc. Frances Fraser, BCom (Hons) em Economia Agrícola, especialista em Finanças para o Desenvolvimento junto da ECIAfrica Consulting. Colleen Green, M.A.L.D., especialista sénior da Development Alternatives, Inc. Mary Miller, M.B.A., antiga funcionária da banca comercial que se especializou no desenvolvimento de produtos financeiros de pequena escala e instrumentos financeiros específicos. A Development Alternatives, Inc. (DAI) é uma empresa de desenvolvimento económico com sede em Bethesda, no Estado de Maryland. A ECIAfrica é uma empresa de desenvolvimento económico internacional com sede em Joanesburgo na África do Sul.Setembro de 2004

5 ÍNDICE 1 DESENVOLVIMENTO DE UM PLANO DE ACÇÃO PARA RESPONDER AO HIV/SIDA RESOLUÇÃO DO CONSELHO PLANO DE ACÇÃO DETALHADO POR ACTIVIDADE IMPLEMENTAÇÃO DE PROGRAMAS SOBRE O HIV/SIDA NO LOCAL DE TRABALHO INTRODUÇÃO A SUA INSTITUIÇÃO DEVE CONSIDERAR UM PROGRAMA A NÍVEL DO LOCAL DE TRABALHO? UM PROGRAMA ABRANGENTE NO LOCAL DE TRABALHO AVALIAÇÃO DOS RISCOS ASSOCIADOS AO HIV/SIDA DENTRO DA SUA IMF POLÍTICAS A NÍVEL DO LOCAL DE TRABALHO ACTIVIDADES A NÍVEL DO LOCAL DE TRABALHO PLANO PARA O FUTURO USO DA MONITORIA DO IMPACTO FINANCEIRO DENTRO DO CONTEXTO DO HIV/SIDA INTRODUÇÃO OS ONZE RÁCIOS MAIS IMPORTANTES ANÁLISE DE TENDÊNCIAS PLANO PARA O FUTURO REFINAMENTO DO PRODUTO EM RESPOSTA AO HIV/SIDA INTRODUÇÃO ANTECEDENTES COMPREENDER A PRESSÃO E NECESSIDADES FINANCEIRAS EM MUDANÇA DOS CLIENTES UMA ADVERTÊNCIA SOBRE O REFINAMENTO DOS PRODUTOS PLANO PARA O FUTURO...32 BIBLIOGRAFIA E RECURSOS 33 MICROFINANÇAS E HIV/SIDA: FERRAMENTAS PARA i

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7 TABELAS E FIGURA TABELA 1 Plano de Acção Detalhado por Actividade Exemplo de um Plano de Acção Detalhado por Actividade Planificação Das Actividades Ligadas Ao HIV/SIDA No Local De Trabalho Avaliação dos Rácios no Contexto do HIV/SIDA Funções da IMF e Refinamentos Sugeridos para o Ciclo da Crise do HIV/SIDA...29 FIGURA 1 Ciclo de vida da Pressão Financeira Sobre Os Clientes Afectados ou Infectados Pelo HIV/SIDA...28 MICROFINANÇAS E HIV/SIDA: FERRAMENTAS PARA iii

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9 PREFÁCIO O HIV/SIDA afecta todas as pessoas e todos os negócios. O impacto económico e financeiro do HIV/SIDA pode dificultar seriamente as operações de muitas empresas, até mesmo daquelas que possuem bastantes recursos. Os clientes das microfinanças e as instituições que as servem são particularmente susceptíveis, dado aos recursos limitados que os pobres possuem para enfrentar qualquer grande crise financeira. Para as instituições de microfinanças (IMFs), o HIV/SIDA constitui um dos muitos factores que as pode afectar de forma negativa e provocar pressão financeira e operacional significativa sobre os seus limitados recursos. Visto que a doença tem influência sobre o pessoal, os clientes, e a carteira de produtos da instituição, os efeitos negativos do HIV/SIDA podem criar numerosas pressões sobre uma instituição que tenta manter ou alcançar a auto-suficiência financeira e operacional. Caso seja ignorado, o HIV/SIDA pode, em última instância, comprometer as operações, rentabilidade e viabilidade a longo prazo de uma IMF. Desta maneira, as IMFs, tal como outros tipos de empresas, têm que efectuar análises e programação críticas para atenuar o impacto que a doença tem, tanto sobre o seu mercado alvo como sobre as suas próprias operações. Nos últimos anos, as IMFs em muitos países começaram a implementar mudanças com objectivo de ajudá-las a mitigar o impacto do HIV/SIDA. Estas mudanças exigiram uma adesão significativa da gestão de topo da organização, uma análise da instituição e dos seus clientes e a previsão e planificação estratégica para implementar novas actividades que possam reforçar o desempenho da IMF neste ambiente difícil. As instituições tiveram que fazer uma análise crítica da sua base de clientes, do seu ambiente externo, das suas estratégias de gestão de risco, das tendências do seu desempenho financeiro, da adequação dos seus produtos e serviços e do seu pessoal e das tendências relacionadas com a produtividade e despesas com o pessoal. O presente manual foi elaborado conjuntamente com o curso de formação intitulado: Microfinanças e HIV/SIDA: Definição de Opções para a Mudança Estratégica e Operacional, recorrendo ao currículo e temas deste curso. Este manual funciona como um kit de ferramentas que acompanha o curso permitindo que se passe para a etapa seguinte, munindo os gestores das IMFs com uma série de ferramentas para avaliar, planificar e implementar novas intervenções em torno da questão do HIV/SIDA. Neste manual focamos quatro temas: Como avaliar e elaborar planos de acção para a implementação de novas mudanças dentro da IMF, com enfoque no impacto financeiro do HIV/SIDA; Como elaborar programas nos locais de trabalho para o pessoal da IMF, incluindo políticas a nível do local de trabalho; Que indicadores financeiros devem ser monitorados, para entender como o HIV/SIDA está a afectar a carteira de crédito da instituição, a sua base de depósitos, os seus clientes e pessoal; e Como refinar os produtos e serviços financeiros de acordo com as mudanças exigidas pelos clientes ou necessárias para reter os clientes que estejam afectados, mantendo ao mesmo tempo um forte desempenho financeiro. MICROFINANÇAS E HIV/SIDA: FERRAMENTAS PARA v

10 Os autores do presente guia e o curso de formação são de opinião que as instituições que operam em ambientes de média e elevada prevalência de HIV/SIDA considerarão este guia útil para os seus processos de planificação. O curso e o guia fazem recomendações para mudanças institucionais, de modo a manter as IMFs e a sua base de clientes. Pretende-se que o presente guia dê orientação aos gestores das IMFs no que respeita à delegação de tarefas a pessoas específicas e respectiva responsabilização pelo cumprimento, determinando prazos realistas para a realização das actividades propostas, descobrindo e estabelecendo relações com parceiros que possam ser úteis à IMF para o alcance das suas metas. Nota adicional: Esta é a primeira versão do guia. Pretendemos actualizá-lo e melhorá-lo à medida que este for utilizado. Envie por favor por os seus comentários e sugestões para melhoria e actualizações. Envie as actualizações para Colleen Green, Directora do FSKG do AMAP, para o seguinte endereço: vi MICROFINANÇAS E HIV/SIDA: FERRAMENTAS PARA

11 ABREVIATURAS SIDA AMAP DAI ECI EGAT FHI CBD HIV SIG IMF MFRC ONG IO PAR PVS ITS TB ATV WOCCU Sindroma de Imunodeficiência Adquirida Accelerated Microenterprise Advancement Project Development Alternatives, Inc. Ebony Consulting International Crescimento Económico, Agricultura e Comércio Family Health International Cuidados Baseados ao Domicílio Vírus da Imunodeficiência Humana Sistema de Informação de Gestão Instituição de Microfinanças Microfinance Regulatory Council (of the Republic of South Africa) Organização Não-Governamental Infecção Oportunista Carteira em Risco Pessoa Vivendo com o SIDA Infecção de Transmissão Sexual Tuberculose Aconselhamento e Testagem Voluntária World Council of Credit Unions MICROFINANÇAS E HIV/SIDA: FERRAMENTAS PARA vii

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13 1 DESENVOLVIMENTO DE UM PLANO DE ACÇÃO PARA RESPONDER AO HIV/SIDA Como seguimento ao curso de formação intitulado Microfinanças e HIV/SIDA: Definição de Opções para a Mudança Estratégica e Operacional, foi elaborado o seguinte formato de plano de acção para ajudar as IMFs na elaboração dos passos a seguir a nível da planificação. O formato do plano de acção, apresenta um modelo para a planificação e implementação das actividades necessárias para ajudar a mitigação do impacto do HIV/SIDA sobre uma IMF, com o fim último de garantir a viabilidade financeira da mesma a longo prazo. Um elemento crítico deste plano de acção é o cometimento e a aprovação de todas as actividades do plano de acção por parte do Conselho de Administração da IMF. Recomendamos a elaboração de uma resolução do Conselho na qual declare o reconhecimento do HIV/SIDA, do seu impacto sobre a instituição e a sua intenção de procurar introduzir mudanças. A resolução deve declarar o compromisso da instituição para com a mitigação do impacto financeiro do HIV/SIDA, nomear a(s) pessoa(s) responsável(eis) pela implementação das novas actividades e mudanças e definir o compromisso do Conselho em monitorar os respectivos resultados e prazos. O Conselho tem que assumir este compromisso entendendo que esta não será uma actividade pontual, mas antes um compromisso e investimento permanentes. Na elaboração do plano de acção, os gestores devem igualmente recorrer ao Módulo 6 do Curso de Definição de Opções. O Módulo 6 apresenta um exercício de avaliação para determinar o grau de preparação e capacidade para a mudança de uma determinada instituição, e um exercício de elaboração do balanço para se determinar as áreas prioritárias com respeito ao HIV/SIDA. As IMFs podem utilizar ambos exercícios como ponto de partida para elaborar o seu plano de acção. 1.1 RESOLUÇÃO DO CONSELHO Para o seu plano de acção, a IMF deve dispor de uma resolução do respectivo Conselho de Administração que: Reconheça o impacto do HIV/SIDA sobre a instituição de microfinanças, o seu pessoal e os seus clientes; Descreva resumidamente a intenção da instituição de levar a cabo novas actividades para responder ao impacto do HIV/SIDA sobre os vários elementos da instituição; Defina actividades e resultados concretos que a instituição pretende alcançar e os respectivos prazos de conclusão; e Indique a pessoa ou pessoas dentro da gestão que serão responsáveis pela implementação das actividades e o membro do Conselho que irá monitorar o progresso, rumo ao cumprimento dos objectivos e prazos. MICROFINANÇAS E HIV/SIDA: FERRAMENTAS PARA 1

14 EXEMPLO DA RESOLUÇÃO DO CONSELHO Este documento serve como prova de que o Conselho reconhece que o HIV/SIDA pode estar a ter um impacto sobre os trabalhadores e/ou clientes da IMF, dado que se está a observar o seguinte: [Liste os impactos ou tendências observados] Devido ao impacto actual e/ou futuro esperado do HIV/SIDA sobre o nosso pessoal e clientes, sugere-se que esta questão seja abordada através de várias actividades. Para que estas actividades produzam algum impacto e para que os objectivos traçados sejam satisfeitos, será necessário que certas pessoas sejam responsáveis por dirigir o processo e por realizar actividades específicas dentro dos calendários programados. São sugeridas as seguintes actividades, com a indicação das respectivas pessoas responsáveis e calendários indicativos: Actividade proposta Pessoa responsável Prazo Motivo da actividade proposta Assinatura: Data: 1.2 PLANO DE ACÇÃO DETALHADO POR ACTIVIDADE Na preparação do seu plano de acção, as IMFs devem preencher a Tabela 1: Plano de Acção Detalhado por Actividade, com as actividades que, com realismo, a instituição pode e vai realizar com vista à mitigação do HIV/SIDA. (Nota: A Tabela 2 é apresentada como exemplo.) As categorias incluídas na matriz são fornecidas como orientação para potenciais actividades que uma IMF poderá realizar. É claro que podem ser incluídas outras actividades. Além disso, a Tabela 2 pode sugerir a atribuição de responsabilidades, a gestores ou a outros indivíduos, que não existam em todas as IMFs. Estas tarefas devem ser consideradas com base no tamanho e estrutura da IMF que está a elaborar o plano. 2 MICROFINANÇAS E HIV/SIDA: FERRAMENTAS PARA

15 TABELA 1: PLANO DE ACÇÃO DETALHADO POR ACTIVIDADE Intervenções Prioritárias Relacionadas com o HIV/SIDA Resultado ou Produto Esperado da Actividade Pessoa Responsável pela Implementação Meios Financeiros e Humanos Necessários Contactos Externos Necessários (incluindo Organizações Combate ao SIDA) Prazos para Conclusão ACTIVIDADES COM FOCO NA INSTITUIÇÃO Revisão dos dados existentes: Carteira de empréstimos Mora e abates Poupanças Taxa de desistência de clientes Absentismo dos trabalhadores Despesas com subsídios ao pessoal Informação proveniente de grupos focais/inquéritos a clientes (se disponível) Outro Controlo de indicadores de desempenho financeiro seleccionados ACTIVIDADES COM FOCO NOS CLIENTES Pesquisa de mercado sobre os clientes Refinamento de produtos Produtos de crédito Produtos de poupança/depósito Seguros Outro Formação em HIV/SIDA para os clientes (crédito mais formação) ACTIVIDADES COM FOCO NO PESSOAL Programas nos locais de trabalho Formação em HIV/SIDA para o pessoal Elaboração de políticas sobre o HIV/SIDA no local de trabalho Sistemas de encaminhamento para o pessoal Outro Outras Actividades MICROFINANÇAS E HIV/SIDA: FERRAMENTAS PARA 3

16 TABELA 2: EXEMPLO DE UM PLANO DE ACÇÃO DETALHADO POR ACTIVIDADE Intervenções Prioritárias Relacionadas com o HIV/SIDA ACTIVIDADES COM FOCO NA INSTITUIÇÃO Revisão dos dados existentes: Carteira de empréstimos Mora e abates Poupanças Taxa de desistência de clientes Absentismo dos trabalhadores Despesas com subsídios ao pessoal Informação proveniente de grupos focais/inquéritos a clientes (se disponível) Outro Controlo de indicadores de desempenho financeiro seleccionados ACTIVIDADES COM FOCO NOS CLIENTES Pesquisa de mercado sobre os clientes Resultado ou Produto Esperado da Actividade Análise dos valores absolutos e tendências das variáveis enumeradas. Apresentação aos gestores seniores. Elaboração de relatórios do SIG que permitam que se controlem as variáveis acima referidas com maior facilidade Realização de cerca de 30 discussões de grupo focal (DGF) com os clientes, sobre as áreas identificadas na análise dos dados existentes, p. ex. desistências (e seus motivos), grau de satisfação com o produto, necessidades financeiras, etc. Pessoa Responsável pela Implementação Gestor de Crédito Gestor do SIG junto com o Gestor de Crédito Gestor de Marketing ou de P&D (Pesquisa e Desenvolvimento.) Meios Financeiros e Humanos Necessários 20 dias de trabalho por parte do(a) Gestor(a) Contactos Externos Necessários (incluindo Organizações Combate ao SIDA) Nenhum Prazos para Conclusão 15 de Janeiro de dias de trabalho Nenhum 28 de Fevereiro de dias de trabalho do Gestor de Pesquisa, para a planificação, preparação, montagem dos grupos, desenho do guião de discussão, formação, facilitação das DGF) e elaboração do relatório. Mais dois membros adicionais do pessoal para ajudarem durante 15 dias úteis. Nenhum 28 de Fevereiro de MICROFINANÇAS E HIV/SIDA: FERRAMENTAS PARA

17 Contactos Externos Pessoa Necessários Intervenções Prioritárias Resultado ou Produto Meios Financeiros e Prazos para Responsável pela (incluindo Relacionadas com o HIV/SIDA Esperado da Actividade Humanos Necessários Conclusão Implementação Organizações Combate ao SIDA) Refinamento de produtos Produtos de crédito MicroSave 15 de Abril de 2005 Produtos de poupança/depósito Seguros Outro Formação em HIV/SIDA para os clientes Análise dos relatórios das DGF, dos dados existentes e análise dos rácios financeiros, para determinar se as necessidades dos clientes estão a ser satisfeitas na perspectiva dos produtos e serviços. Elaboração de um plano para modificar e refinar os produtos para melhor satisfazer as necessidades dos clientes, em constantes mudanças. Identificação de um número reduzido de provedores de serviços locais ligados ao HIV/SIDA. Abordar dois ou três para se obter ideias acerca da comunicação com os clientes. Solicitar também uma cotação se necessário. Gestor de Marketing/Gestor de Crédito Uma vez recebidas as constatações da pesquisa, a análise pode levar até um mês. O desenvolvimento de novos produtos é uma actividade muito demorada e dispendiosa. Nos casos em que podem ser efectuadas pequenas modificações, tais são recomendadas. Aplicar um cronograma razoável durante o processo de planificação. Gestor de Crédito 20 dias Family Health International, AMREF, secretariado do governo local/nacional para questões de HIV/SIDA e ONUSIDA 28 de Fevereiro de 2004 MICROFINANÇAS E HIV/SIDA: FERRAMENTAS PARA 5

18 Intervenções Prioritárias Relacionadas com o HIV/SIDA ACTIVIDADES COM FOCO NO PESSOAL Programas nos locais de trabalho Formação em HIV/SIDA para o pessoal Elaboração de políticas sobre o HIV/SIDA no local de trabalho Sistemas de encaminhamento para o pessoal Outro Outras Actividades Resultado ou Produto Esperado da Actividade Identificação de provedores de serviços locais especializados em actividades no local de trabalho para ajudar a IMF a elaborar o seu próprio programa. Abordar alguns para sugestões ou mesmo propostas formais sobre o que sugeririam dentro da sua IMF. Pessoa Responsável pela Implementação Meios Financeiros e Humanos Necessários Contactos Externos Necessários (incluindo Organizações Combate ao SIDA) Prazos para Conclusão Gestor de RH 20 dias + dinheiro TBD 28 de Fevereiro de MICROFINANÇAS E HIV/SIDA: FERRAMENTAS PARA

19 2 IMPLEMENTAÇÃO DE PROGRAMAS SOBRE O HIV/SIDA NO LOCAL DE TRABALHO 2.1 INTRODUÇÃO Uma IMF não pode funcionar isolada do HIV/SIDA, visto que este afecta os seus clientes bem como os seus trabalhadores; estes efeitos negativos comprometem directa e indirectamente as operações e a rentabilidade da IMF. Esta secção ajudará as IMFs a avaliarem os efeitos do HIV/SIDA no local de trabalho e proporcionará aos seus gestores, orientações práticas e adequadas para a abordagem do HIV/SIDA entre os trabalhadores. Ela fornece igualmente várias intervenções convenientes sobre o HIV/SIDA no local de trabalho para uso das IMFs com a ajuda de provedores de serviços especializados em questões de HIV/SIDA. 2.2 A SUA INSTITUIÇÃO DEVE CONSIDERAR UM PROGRAMA A NÍVEL DO LOCAL DE TRABALHO? Nem todas as IMFs poderão elaborar programas abrangentes sobre o HIV/SIDA a nível do local de trabalho. Para se determinar que intervenções são convenientes e que valem a pena ser realizadas pela instituição, uma IMF deve tomar em conta as seguintes considerações importantes: 2.3 UM PROGRAMA ABRANGENTE NO LOCAL DE TRABALHO Esta secção sugere diversas actividades que uma IMF pode realizar com a ajuda de um provedor de serviços especializado em questões de HIV/SIDA. As IMFs têm que ter em conta os custos de cada uma destas actividades, ao elaborarem os seus programas no local de trabalho. A tabela de planificação que consta mais adiante nesta secção fornece informações sobre que custos precisam de ser considerados, como serão cobertos, e com quem se pode colaborar para se partilhar alguns destes custos. Um programa abrangente no local de trabalho 1 deve incluir todas as actividades seguintes: Programas contínuos de formação e sensibilização em questões de HIV/SIDA, incluindo o de Vida Positiva; Formação em uso de preservativos e sua distribuição em pontos de fácil acesso no local de trabalho; 1 Elaborar intervenções adequadas sobre o HIV/SIDA a este nível, com recurso à experiência da ECIAfrica na implementação eficaz de programas sobre o HIV/SIDA nos locais de trabalho para pequenas e médias empresas na África do Sul (Programa de Iniciativas no Turismo, financiado pelo Business Trust). MICROFINANÇAS E HIV/SIDA: FERRAMENTAS PARA 7

20 Um sistema de encaminhamento para provedores de serviços ligados ao HIV/SIDA ou uma base de dados dos mesmos (Organizações Não-Governamentais (ONGs), provedores privados ou públicos) que forneçam os seguintes serviços: Informações adicionais sobre o HIV/SIDA; Diagnóstico e tratamento de infecções de transmissão sexual (ITS); Tratamento para infecções oportunistas (IOs), como é o caso da tuberculose; Aconselhamento e Testagem Voluntária (ATV) com o apoio posterior necessário; Serviços de mitigação para aconselhamento, apoio da comunidade e cuidados domiciliários (CBD); e, Criação, divulgação e revisão permanente de uma política a nível da empresa sobre o HIV/SIDA. Pontos de Tomada de Decisões para a Implementação de um Programa no Local de Trabalho A IMF terá realizado uma análise de custos e benefícios da implementação de um programa no local de trabalho? Os membros do pessoal estão a ser afectados pelo HIV/SIDA? Ou seja, tem-se verificado um aumento da taxa de absentismo, crescente rotação do pessoal, uma taxa mais elevada de doenças e morte entre o pessoal? A produtividade e despesas com o pessoal vão melhorar a longo prazo com a inclusão de um programa no local de trabalho? Se os custos de implementação de um programa ultrapassarem os benefícios para a instituição a longo prazo, a IMF não deve tentar a implementação de um programa no local de trabalho 2. Muitas das actividades propostas podem não ser adequadas para todas as IMFs. As IMFs, com a ajuda de um fornecedor local de serviços, devem seleccionar as actividades que, para si, façam sentido. A Direcção e o Conselho de Administração da IMF estão inteiramente informados acerca das implicações e dos custos a nível de investimento inicial e permanente da realização de um programa no local de trabalho? A Direcção e o Conselho de Administração estão plenamente comprometidos com o processo de implementação? Caso não, a IMF não deve iniciar esta actividade. A Direcção/Conselho DEVEM assumir um compromisso firme de apoio a este processo. Quantos trabalhadores possuímos? Caso o efectivo da IMF consista em menos de dez pessoas, será bastante difícil implementar muitas das actividades sugeridas. O objectivo de um programa no local de trabalho que aborde o HIV/SIDA é o de criar um ambiente que permita que o(a) trabalhador(a), independentemente da sua seropositividade, faça a escolha certa em termos de acesso a serviços de prevenção, tratamento e cuidados em relação ao HIV/SIDA (e às ITS/IOs), numa base permanente. Tipicamente, a política a nível do local de trabalho desenvolver-seá e evoluirá na sequência da implementação dos primeiros três passos acima referidos. A elaboração de uma base de dados, ou o encaminhamento a provedores locais de serviços ligados ao HIV/SIDA que forneçam serviços eficazes de prevenção, tratamento, cuidados e apoio ao pessoal da IMF, constitui uma forma importante e eficaz de prolongar os anos economicamente produtivos dos trabalhadores. Estes provedores de serviços podem incluir várias ONGs, hospitais e clínicas 2 O Módulo 5C do curso Definição de Opções fornece uma ferramenta simples de determinação dos custos para examinar uma variedade de potenciais custos de um programa no local de trabalho. 8 MICROFINANÇAS E HIV/SIDA: FERRAMENTAS PARA

21 governamentais ou privadas, e programas de SIDA a nível nacional que abordam diversos aspectos de formação, testagem, aconselhamento, tratamento e cuidados. Além disso, os trabalhadores da IMF podem necessitar de alguns serviços jurídicos para os direitos de herança, cuidado dos órfãos e testamentos. A ligação dos trabalhadores a outras instituições afins permite que a IMF se concentre na sua actividade central de fornecimento de serviços financeiros, ao mesmo tempo que aborda directa e indirectamente o efeito do HIV/SIDA sobre os seus trabalhadores e suas famílias. Para ajudar as IMFs ou uma rede de microfinanças forte, seguem-se algumas directrizes sobre como desenvolver esta base de dados: Directrizes para o estabelecimento de uma base de dados de referência Converse com colegas de outras IMFs, de organizações mães/parcerias, ou com a rede ou associação nacional de microfinanças, acerca de organizações de apoio sobre o HIV/SIDA com as quais trabalham; Convide as autoridades locais de saúde e de acção social; Se recebem financiamento de algum doador, fale com o representante sobre como ter acesso a recursos para a prevenção, cuidados e tratamento do HIV/SIDA; Converse com ONGs que tratam de questões de HIV/SIDA e de saúde; Procure nos meios de comunicação social, grupos que abordam o HIV/SIDA; Consulte os programas nacionais de SIDA; Investigue se existem organizações de serviços jurídicos subsidiadas no vosso meio; e Faça uma busca exaustiva na Internet. Fonte: Modificado a partir de Workplace HIV/AIDS Programs 3. Além desta base de dados de consulta, um programa no local de trabalho realmente eficaz abordará igualmente o HIV/SIDA nas famílias dos trabalhadores, encorajando o pessoal a discutir o HIV/SIDA com as suas famílias. O sistema de encaminhamento permitirá que o pessoal e as suas famílias tenham acesso a serviços públicos, privados e de ONGs para satisfazer as necessidades a nível de formação, testagem, aconselhamento, tratamento e cuidados. 2.4 AVALIAÇÃO DOS RISCOS ASSOCIADOS AO HIV/SIDA DENTRO DA SUA IMF Embora todas as IMFs em países com níveis de prevalência alta e média estejam afectadas pelo HIV/SIDA, certas empresas estão em maior risco que outras. A dimensão do risco depende da natureza das operações realizadas pela empresa, da taxa de prevalência dos potenciais parceiros e do respectivo estilo de vida sexual dos trabalhadores. Algumas questões que devem ser consideradas ao avaliar o potencial risco de infecção dos trabalhadores de uma IMF, são: 3 Na documentação deste jogo de ferramentas, recorreu-se amplamente a Workplace HIV/AIDS Programs, da autoria de Bill Rau e editado pela Family Health International. MICROFINANÇAS E HIV/SIDA: FERRAMENTAS PARA 9

22 Será que um grande número é constituído por trabalhadores migratórios que vivem sem as suas famílias ou que vivem longe das suas comunidades de origem? Enquanto estão longe de casa os trabalhadores ficam hospedados em alojamentos comunais onde talvez tenham a oportunidade de se envolver em práticas sexuais arriscadas? Os membros do pessoal são relativamente bem pagos numa zona onde predominam a pobreza e altos níveis de desemprego? (A riqueza coloca o pessoal numa posição de poder em termos económicos, e poderá aumentar a probabilidade de lidar com trabalhadoras do sexo.) Os trabalhadores deslocam-se para longas distâncias e fazem viagens regulares nocturnas para cumprirem as suas funções 4? Qual é a taxa de prevalência do HIV/SIDA nas comunidades à volta da IMF ou das suas agências? (Quanto mais elevada for a taxa de prevalência maior o risco de infecção por HIV entre o pessoal.) Existe uma política que desencoraja relações sexuais/sociais internas? (ou seja, uma política que indirectamente desencoraja os trabalhadores a envolverem-se em relações sociais, como por exemplo, caso dois trabalhadores se casem, um dos cônjuges tem que abandonar a IMF. Tal política reduziria as relações internas, e, portanto, a propagação do HIV/SIDA entre o pessoal da IMF.) O país estará a sofrer uma mudança económica rápida? Para verificar se a produtividade da IMF está a ser afectada, as IMFs podem monitorar alguns indicadores específicos tais como o absentismo, a rotatividade dos trabalhadores, as despesas médicas, a produtividade do pessoal, as regalias dadas pela empresa e a perturbação no fornecimento de serviços 5. Além destes indicadores relacionados com o pessoal, as IMFs podem também realizar uma monitoria financeira para verificar o impacto do HIV/SIDA na carteira, taxas de reembolso e no capital institucional. Esta área será abordada numa secção separada. 2.5 POLÍTICAS A NÍVEL DO LOCAL DE TRABALHO As políticas em relação ao HIV/SIDA, a nível do local de trabalho, constituem uma parte integrante do programa no local de trabalho. Uma política, a nível do local de trabalho, sobre o HIV/SIDA fornece um documento padrão e coerente dos direitos dos trabalhadores e das obrigações do empregador dentro do local de trabalho na abordagem do HIV/SIDA. Esta política deve ser compatível com as leis laborais e constitucionais do país. Embora as políticas a nível do local de trabalho constituam uma parte integrante dos programas de HIV/SIDA neste contexto, elas são inadequadas em instituições que ainda não possuam políticas para os seus quadros/trabalhadores. Uma política de HIV/SIDA deve ser parte das políticas existentes para o pessoal, em vez de constituir um documento isolado. Caso uma IMF não tenha políticas para o 4 Em alguns ambientes, deslocações consideráveis para longe de casa podem levar a actividade sexual arriscada. O entendimento sobre se o pessoal tem um comportamento sexual seguro ou não acrescentar-se-á também à avaliação dos riscos por parte de uma IMF. 5 Outros mecanismos de recolha de dados, tais como entrevistas e grupos focais, estão inseridos no Módulo 3 do curso Definição de Opções. 10 MICROFINANÇAS E HIV/SIDA: FERRAMENTAS PARA

23 pessoal, uma política relativa ao HIV/SIDA pode ser algo demasiadamente formal. Neste caso, sugere-se que seja esboçada uma estratégia ou plano para o HIV/SIDA, em vez de uma política. Para que o pessoal entenda os seus direitos, é importante que a formação em questões de HIV/SIDA parta do local de trabalho. Esta formação permitirá que o pessoal da IMF se envolva num diálogo bem fundamentado com a direcção à volta das políticas, de modo que isso reflicta as suas necessidades. São a seguir listados alguns dos princípios básicos do Código de Prática Deontológica apresentados pela Organização Internacional do Trabalho: Reconhecimento do HIV/SIDA como um assunto eminentemente ligado ao local de trabalho. Compromisso em criar um ambiente de não-discriminação para os trabalhadores seropositivos, com base nos direitos constitucionais dos trabalhadores. A política deve declarar claramente que a discriminação e estigmatização de pessoas que vivem com o HIV/SIDA (PVHS) inibem os esforços de promoção da prevenção do HIV/SIDA e podem levar a perturbações no local de trabalho. Compromisso para com a promoção da igualdade de género - a discriminação e exploração da mulher podem promover a propagação do HIV/SIDA. Compromisso para com a criação de um ambiente de trabalho seguro e saudável conforme definido pela legislação existente - condições básicas de emprego e leis relativas à saúde e segurança no trabalho. Compromisso para com a promoção do diálogo social entre todos os intervenientes dentro do local de trabalho para garantir a implementação bem sucedida das intervenções; A triagem obrigatória ligada ao HIV/SIDA é desnecessária e inapropriada. Os trabalhadores não devem ser alvo de uma triagem ligada ao HIV/SIDA para o propósito da sua exclusão dos postos de trabalho. Em vez disso, as IMFs devem encorajar os trabalhadores a fazer voluntária e confidencialmente o teste de HIV e a obter o aconselhamento pré e pós-teste, fora do local. Ter-se conhecimento do seu estado de seropositividade tem sido eficaz para uma pessoa levar uma vida positiva. Inclusão de directrizes claras com relação ao sigilo, reconhecimento do estigma e da discriminação relacionados com o HIV/SIDA dentro do local de trabalho e a garantia da conformidade com as leis existentes respeitantes à divulgação de informação. A triagem em relação ao HIV/SIDA para o propósito de exclusão dos postos ou processo de trabalho, é inapropriada e inconstitucional na maior parte dos países. A inclusão de directrizes claras para garantir a segurança de emprego ou a continuação da relação laboral caso um(a) trabalhador/a opte por revelar o seu estado de seropositividade. Tal como no caso de muitas doenças crónicas, as pessoas com doenças relacionadas com o HIV devem poder trabalhar até que deixem de estar clinicamente aptas. A descrição dos esforços de prevenção, que se pretendem permanentes, que serão levados a cabo no local de trabalho. MICROFINANÇAS E HIV/SIDA: FERRAMENTAS PARA 11

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