1. Introdução. são cerca de 82% solteiras, vivendo as outras (18%) em união de facto.

Tamanho: px
Começar a partir da página:

Download "1. Introdução. são cerca de 82% solteiras, vivendo as outras (18%) em união de facto."

Transcrição

1 Autor: Maria de Guadalupe Brak-Lamy Instituição -CRIA (Centro em Rede de Investigação em Antropologia) - Universidade Nova de Lisboa/Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, Av. de Berna, 26 C, Lisboa. Título: Comportamentos sexuais, atitudes, conhecimentos e crenças de adolescentes/jovens cabo-verdianas e portuguesas relativamente à vulnerabilidade ao risco do VIH/SIDA: Uma abordagem comparativa em contexto urbano Resumo: Este estudo reporta-se à análise dos comportamentos sexuais no âmbito da heterossexualidade (práticas sexuais e comportamentos de não protecção), das crenças e das atitudes e dos conhecimentos das jovens portuguesas e caboverdianas (entre os 15 e os 30 anos), face à vulnerabilidade do risco de infecção do VIH/Sida. Trata-se de um estudo descritivo, exploratório e comparativo (jovens portuguesas versus jovens caboverdianas), de cariz qualitativo com realização de entrevistas semi-dirigidas, aprofundadas em contexto comunitário, em 7 bairros sociais da Grande Lisboa (40 entrevistas a jovens caboverdianas e 40 entrevistas a jovens portuguesas). As entrevistas serão analisadas utilizando-se a técnica de análise de conteúdo temática (Bardin, 1977). Esta investigação tem como principal objectivo compreender os comportamentos de risco face ao HIV/Sida das jovens portuguesas e caboverdianas, bem como compreender os conhecimentos, as crenças e as atitudes face ao HIV/SIDA e ao acesso aos serviços de saúde das mesmas jovens. Pretende-se através dos resultados obtidos inferir sobre as interacções entre os factores que se relacionam com a adopção de comportamentos sexuais relevantes na problemática do VIH/SIDA e desta forma contribuir para o estabelecimento de estratégias de intervenção preventivas, assim como para o desenvolvimento de políticas de Promoção de Saúde no seio destas comunidades. 1. Introdução Esta investigação reporta-se à análise dos comportamentos sexuais no âmbito da heterossexualidade (práticas sexuais e comportamentos de não protecção), das crenças e das atitudes e dos conhecimentos das jovens portuguesas e cabo-verdianas 1 (entre os 15 e os 30 anos, sendo a maioria das jovens solteiras 2 ) - que vivem em 7 bairros sociais na área da Grande Lisboa - face à vulnerabilidade do risco de infecção do VIH/SIDA. A deliberada focalização na sexualidade decorre de ser esta a principal via de transmissão da infecção pelo VIH/SIDA (48% é a percentagem de casos associados à infecção por transmissão sexual em Portugal), justificando que os esforços de prevenção sejam concentrados sobremaneira nesta área (Doc. 135 CVEDT, 2005). Iremos estudar os comportamentos sexuais no âmbito da heterossexualidade uma vez que, em Portugal, à semelhança do que vem acontecendo por toda a Europa Ocidental, temos assistido a um aumento muito acentuado do número de sujeitos infectados por contacto heterossexual: 30,9% dos casos de infecção diagnosticados em 1999, e 49,5% em 2005 (Doc. 135 CVEDT, 2005). Quer isto dizer, que os contactos heterossexuais são a forma de transmissão que mais tem contribuído para o aumento dos casos de Sida em Portugal nos últimos anos. 1 Estas jovens são descendentes de imigrantes caboverdianos, tendo nascido em Portugal. 2 As caboverdianas são cerca de 95% solteiras, vivendo as restantes em união de facto. As portuguesas são cerca de 82% solteiras, vivendo as outras (18%) em união de facto. 1

2 Seleccionámos as mulheres como alvo porque elas são cada vez mais relevantes entre o total de infectados. A relação entre homens e mulheres infectados com Sida é de aproximadamente 2,5 para 1, mas esta razão tem vindo a diminuir desde 2000, com 1,5 homens para uma mulher nos últimos quatro anos (Alvarez, 2005). O nosso interesse em estudar as mulheres jovens decorreu, principalmente, do facto de que actualmente existe em Portugal um grande número de mulheres contaminadas pelo vírus da Sida com manifestação dos sintomas na faixa etária entre os 25 e os 34 anos (Doc. 131 CVEDT, 2004). Como o vírus pode ficar inactivo no organismo por mais de 10 anos, desde a contaminação até aparecimento dos sintomas, podemos deduzir que, provavelmente, a maioria dessas mulheres contraíram o vírus na adolescência ou na juventude (Veronesi, 1991). A adolescência é um período de desenvolvimento cognitivo, emocional e físico, caracterizado pela exploração e experimentação. É uma fase de exploração da intimidade, da sexualidade e do desenvolvimento de autonomia. Por estas razões é, simultaneamente, um período de aquisição de riscos, incluindo o risco de infecção pelo VIH. A adolescência e a juventude são fases da vida em que os relacionamentos erótico-amorosos são caracterizados por uma competição intra e inter-géneros, assim como por um certo descomprometimento: mudança constante de parceiros, relacionamentos sexuais de uma noite ("one night standing") e parceiros múltiplos em simultâneo (Brak-Lamy, 1999 e 2002). Este tipo de comportamentos aliados à falta de protecção, aumentam o risco de contaminação por VIH e o risco de gravidezes precoces (Centers for Disease Control and Prevention, 2000; DiClemente et al., 2001; Whitaker & Miller, 2000). Escolhemos estudar o comportamento sexual de jovens portuguesas e caboverdianas porque relativamente às primeiras, é de referir que 97% a população portuguesa é branca (INE, 2003). No que diz respeito às segundas, de acordo com os dados provenientes das Estatísticas Demográficas de 2003, os cabo-verdianos constituíam o maior contingente «étnico» de estrangeiros residentes em Portugal (23, 7%). Entre o Censo de Abril de 1991 e as Estatísticas Demográficas de 2003, os caboverdianos legalizados mais do que triplicaram, passando de pouco mais de quinze mil para mais de cinquenta e três mil, sendo o número de mulheres, Seleccionámos alguns bairros sociais da Grande Lisboa para estudar os comportamentos sexuais das jovens portuguesas e das cabo-verdianas nesta zona, pois aqui - Lisboa e Vale do Tejo - concentra-se 87,2% da comunidade cabo-verdiana (Bastos, 1999). Para além dos factores como a idade, o género, a etnicidade, vários estudos sugerem que as normas culturais, a religião 3, a influência do grupo de pares, o estatuto sociocultural, económico e a estrutura familiar 4 determinam directa ou indirectamente quem é mais vulnerável à infecção por VIH, quais as formas mais eficazes de prevenção, e quais os obstáculos à diminuição dos comportamentos de risco de infecção (Cornelius, Okaundaye, & Manning, 2000; Santelli, Lowry, Brener & Robert, 2000; Stieving, Resnick, Bearinger, Remafedi, Taylor & Harmon, 1997).. Assim sendo, a influência do 3 A maior parte das jovens são católicas não praticantes, sendo mesmo a totalidade relativamente às portuguesas e 80% no que diz respeito às caboverdianas. 4 Cerca de 78% jovens caboverdianas e 67% das jovens portuguesas entrevistadas são oriundas de famílias monoparentais. Existe um elevado número de jovens cujos projenitores se encontram divorciados ou separados, vivendo as jovens sozinhas com a mãe (22%) dos casos, com a mãe e os irmãos (70%) ou com outros familiares, nomeadamente os avós ou os tios (8%). 2

3 contexto ambiental onde as tomadas de decisão ocorrem é um factor a ser considerado. (McDernott, 1998; Woollett, Marshall, & Stenner, 1998). Outros autores como Potsonen & Kontula (1999) e DiClement, et al. (2001) mencionam factores de ordem psico-comportamental, como a percepção da invulnerabilidade, a comunicação com o parceiro sexual, a dificuldade em planear acontecimentos futuros e aspectos relacionados com as expectativas negativas associadas ao uso do preservativo e a percepção que têm da sua eficácia, bem como das capacidades que têm que possuir e que estão implicadas na sua utilização A problemática da SIDA e especialmente a prevenção do HIV leva-nos a reflectir sobre as normas sociais e padrões culturais de cada comunidade, que exprimem valores colectivos, assim como, a tentar compreender os comportamentos sexuais das jovens de grupos específicos da população, que se encontram em situações de maior risco, nomeadamente os migrantes, neste caso os africanos (jovens caboverdianas) e as comunidades socialmente desfavorecidas que, geralmente são reconhecidos, como grupos especialmente vulneráveis na área da saúde sexual, nomeadamente na infecção por VIH/Sida (Lawrence, et al, 1998; Decosas & Adrien, 1998; Shoroder et al., 2001; Fenton, 2001; Gadon et al. 2001). A vulnerabilidade da população que habita os bairros sociais está geralmente, associada a vários factores: a uma situação económica precária, à falta ou dificuldade de acesso aos direitos sociais básicos. (Segurança Social, Serviço Nacional de Saúde) e elevadas taxas de abandono e insucesso escolar., baixos níveis de escolaridade e de qualificação profissional; a factores culturais, a factores institucionais e barreiras legais e linguísticas e a uma certa marginalidade associada com a sua residência em bairros periféricos. 2. Construção teórico-metodológica do estudo 2.1. Pressupostos teóricos Vulnerabilidade é um conceito que vem sendo utilizado desde o início dos anos 90 na reflexão e elaboração de acções preventivas em VIH/SIDA. Este conceito aponta para um conjunto de factores psico-sócio-económico-culturais e políticos, de níveis e magnitudes distintos, cuja interacção amplia ou reduz as possibilidades de uma pessoa se infectar com o VIH. A análise da vulnerabilidade à infecção pelo HIV desenvolvida por Mann e colaboradores (1992 e 1996) aborda três dimensões: a vulnerabilidade individual, a social e a programática. Nesse estudo privilegiaremos a dimensão individual e social, com algumas referências à vulnerabilidade programática. A vulnerabilidade individual envolve tanto a dimensão cognitiva quanto a comportamental. Factores cognitivos estão relacionados com o acesso às informações necessárias sobre HIV/SIDA, e com o acesso à rede de serviços de saúde, para a redução da vulnerabilidade à infecção pelo HIV. Os factores comportamentais podem ser analisados dentro de duas categorias: 1) características pessoais, que incluem o desenvolvimento emocional, a percepção de risco e as atitudes em relação a esse risco; e 2) habilidades pessoais, como a capacidade de negociar práticas de sexo seguro. A vulnerabilidade programática diz respeito às contribuições dos programas de VIH/SIDA na redução da vulnerabilidade pessoal e social. A vulnerabilidade programática é definida através dos três principais elementos de prevenção identificados pela OMS: 1) informação e educação; 2) serviços sociais e de saúde; 3) não discriminação das pessoas portadoras de VIH/SIDA. O conceito de vulnerabilidade social é construído a partir da 3

4 premissa de que os factores sociais têm uma forte influência tanto na vulnerabilidade pessoal quanto na programática. A análise da vulnerabilidade social reconhece que grandes temas contextuais, como as políticas de saúde pública, as relações de género, os padrões sócio-culturais, familiares, os tabus e as crenças religiosas, as diferenças de idade e de classe social, influenciam a capacidade de reduzir ou aumentar a vulnerabilidade pessoal ao VIH Procedimentos metodológicos Este estudo foi efectuado a partir de entrevistas (gravadas) a 40 jovens portuguesas e a 40 jovens cabo-verdianas que vivem em sete bairros sociais da Grande Lisboa: Picheleira, Amadora, Loures, Seixal, Chelas, Benfica e Campolide. 5 Optámos por realizar entrevistas a estas jovens, pois esta metodologia qualitativa permite analisar os valores, significados e comportamentos que caracterizam as comunidades e que são construídos socialmente na realidade específica em que se inserem (Murray & Chamberlain, 1998; Somati et al., 2001, Woollettt et al., 1998). A metodologia qualitativa permite uma análise aprofundada das lógicas comportamentais relativas à sexualidade e as estratégias de prevenção do HIV/SIDA. Este estudo incidiu sobre uma amostra reduzida da população, pois o nosso objectivo é a diversidade em termos da informação recolhida e não a representatividade da população. A informação recolhida será sempre parcial, uma vez que a amostra não é representativa. As entrevistas foram realizadas nos cafés, bibliotecas e recintos de jogos de algumas instituições desses bairros, entre Janeiro de 2007 e Janeiro de As entrevistas tiveram a duração média de uma hora, tendo-se informado os directores das instituições ou responsáveis pelas actividades das jovens dos objectivos da investigação e explicado a estes directores e às jovens os aspectos relativos à confidencialidade das informações e da participação consentida das jovens. O horário das entrevistas foi ajustado à disponibilidade das jovens. O guião da entrevista semi-estruturada centrou-se nos aspectos relacionados com a problemática do VIH/SIDA, de acordo com os objectivos da investigação. Posteriormente procedemos à transcrição integral das entrevistas, seguindo-se a análise de conteúdo. Elaborámos inicialmente uma lista de categorias de análise, estando subjacente o guião de entrevistas e os principais temas referidos pelas jovens. 3. Comportamentos sexuais de risco de contrair VIH/Sida 3.1. O primeiro beijo As jovens portuguesas e caboverdianas deram o seu primeiro beijo 6 entre os onze e os treze anos. O beijo foi dado geralmente colegas de escola, que habitavam no mesmo bairro das jovens. O beijo foi quase sempre um acto isolado, sendo a iniciativa maioritariamente masculina. Algumas jovens portuguesas e caboverdianas disseram-nos que, por vezes, a relação com o rapaz a quem a deram o primeiro beijo na boca durou uma ou duas semanas e não passou de uns beijinhos. Outras jovens (cerca de 25% de caboverdianas e 22% das portuguesas e confidenciaram-nos que para além dos beijos na 5 Os primeiros quatro bairros são habitados essencialmente por caboverdianos e os últimos três por portugueses. 6 Apenas duas jovens, uma portuguesa e outra caboverdiana, nunca beijaram um rapaz. 4

5 boca também se envolveram em diversos tipos de comportamentos sexuais que vão desde as carícias, à masturbação, ao necking e petting (carícias da cintura para cima e carícias em todo o corpo mas sem realização de cópula, os denominados amassos ). Apenas 9% das caboverdianas e 7% das portuguesas tiveram relações sexuais com o rapaz a quem deram o primeiro beijo. Neste casos, o beijo é prenunciador das primeiras relações sexuais A primeira relação sexual e a duração dos relacionamentos eróticoamorosos De realçar o facto de que a maioria das jovens portuguesas e caboverdianas entrevistadas não serem virgens 7. A primeira relação sexual ocorreu - tanto para as jovens portuguesas -, como para as jovens caboverdianas, entre os doze e os dezassete anos. Esta relação sexual foi com o namorado que conheceram ou na escola ou no bairro onde moravam. Para cerca de 98% das caboverdinas e 92% das portuguesas o parceiro da iniciação sexual não foi o seu actual namorado ou companheiro (para aquelas que vivem em união de facto). A primeira relação sexual aconteceu - para 80% das caboverdianas e 86% das portuguesas -, entre os dois a cinco meses de namoro. 8 As jovens que demoram quatro ou cinco meses são as que dizem conferir muita importância à virgindade (17% caboverdianas e 12% de portuguesas). A contrario, as jovens que tiveram a sua primeira relação sexual na primeira semana de namoro (20% caboverdianas e 14% das portuguesas) não sobrevalorizam a virgindade. Até ai as jovens trocavam beijos e carícias ( amassos ). A iniciativa foi, na maior parte dos casos, masculina, à excepção de duas caboverdianas e de três portuguesas dizerem que a iniciativa foi de ambos, no seguimento de conversas sobre o assunto. O rapaz com quem as jovens portuguesas e caboverdianas tiveram relações sexuais pertencia à mesma faixa etária das jovens (tinha cerca de mais um ou dois anos do que a jovem) e, na maior parte dos casos, já não era virgem. A relação sexual (clandestina) teve lugar na casa do jovem. Para a maioria das raparigas portuguesas e caboverdianas foi uma relação sexual dolorosa, que não se consumou nesse dia, mas sim ao fim de duas ou três tentativas. Os motivos subjacentes à primeira relação sexual prendem-se com uma certa pressão do namorado, com o facto de gostarem dele e de pensarem que o conhecem bem, com a atracção física, com o desejo sexual, com a curiosidade e com o incentivo do grupo de pares, em que as amigas dizem ser bom fazer sexo e que já está na altura de isso acontecer. Aliás, são geralmente as amigas que apresentam a jovem ao futuro namorado (que geralmente é um colega de escola ou um vizinho), ou então as jovens começam a namorar por iniciativa própria ou do rapaz. São também as amigas (especialmente a melhor amiga), as primeiras a saberem do acontecimento. Elas, e em alguns casos as irmãs mais velhas e/ou as primas, são as confidentes. Só mais tarde é que algumas jovens contam às mães, principalmente as portuguesas, que vivem sozinhas com a mãe (ou então com a mãe e os irmãos porque os pais estão separados). 7 A nossa amostra evidenciou a existência de mais jovens portuguesas virgens (seis) do que jovens caboverdianas virgens (quatro). Os motivos para a preservação da virgindade são o nunca terem namorado com ninguém e o nunca terem gostado de ninguém, assim como a influência da educação parental, com cariz conservador a importância do sentimento amoroso. Uma jovem portuguesa disse-nos que se orgulhava de ser virgem. 8 O que se verifica através das entrevistas é que, geralmente os namoros das caboverdianas são com caboverdianaos e o das portuguesas com portugueses. O que acontece é estarmos perante relacionamentos endogâmicos. 5

6 Os namoros geralmente duram entre quatro meses e dois anos. As jovens que vivem em união de facto e as jovens entre os 25 e os 30 anos são as que têm namoros mais prolongados e isto acontece sobretudo com as jovens portuguesas (17% versus 4% das jovens caboverdianas). Os namoros terminam, geralmente, por causa de infidelidades masculinas, principalmente no caso das jovens caboverdianas (85%). Estas últimas por vezes acabam o relacionamento erótico-amoroso, porque o namorado engravida outra rapariga. As jovens caboverdianas ainda apresentam outros motivos para a ruptura, como o facto do namorado ter que ir trabalhar para outro país. As jovens portuguesas, para além de mencionarem a infidelidade (35%) como um motivo para terminarem o namoro, cerca de 45% sublinham a falta de objectivos do companheiro ( o não querer trabalhar e ficar sem fazer nada ) e a entrada no mundo da droga. As jovens portuguesas e caboverdinas referem ainda outro motivo que leva a que terminem o namoro com os companheiros: a sua infidelidade para com eles. Isto acontece a cerca de 20% das caboverdianas e a 15% das portuguesas. Estas jovens confessam-nos que já não estão com o namorado porque ainda não era o homem da vida delas e se enamoraram por um que conheceram num bar ou numa discoteca e com quem começaram por ter um relacionamento de troca de caricas e de beijos ( a curte ). Tanto as jovens portuguesas, como as caboverdinas têm relações sexuais entre três a cinco vezes por semana, à excepção dos relacionamentos mais longos, que geralmente são os das raparigas mais velhas (entre os 25 e os 30 anos) em que a média de relações sexuais é duas vezes por semana. Nas primeiras relações sexuais, a iniciativa relativamente às práticas era, na generalidade dos casos, masculina. Com o evoluir da relação, as jovens ficam mais à vontade e com mais confiança, adquirindo também mais experiência que as leva a tomar iniciativa. Outras há, que adquirem mais experiência na sequência dos diversos relacionamentos amorosos: Com o meu primeiro namorado era ele que tinha a iniciativa das relações sexuais, porque eu era muito nova e inexperiente. Com o 2º também era ele porque eu tinha medo de engravidar. Com o 3º eu já estava com menos medo de engravidar e estava menos tímida. Com o 4º eu já tomava bastante iniciativa.. Com o 5º já estou à vontade e a iniciativa é de ambos. (Caboverdiana, 20 anos, união de facto) 3.3. Práticas sexuais de risco Relativamente às práticas sexuais a relação genital é a mais frequente, seguindose o sexo oral (fellatio), apesar de relativamente a esta prática, algumas raparigas (cerca de 10% de caboverdianas e 8% de portuguesas) não gostarem ou não se sentirem muito à vontade, fazendo só para agradar ao parceiro: Já fiz sexo oral a ele. Ele nunca me obrigou. Eu perguntei se ele gostava e ele disse que sim. Então eu faço, mas não gosto. Faço porque ele gosta. Não tenho coragem de dizer que não gosto. Nunca lhe pedi para ele fazer a mim. Acho nojento, horrível. Aposto que deve ser bom, mas nunca foi o meu género, mas isso é fazer sexo, não é fazer amor. Ele já me perguntou se eu queria que eu lhe fizesse. Eu disse, não, não é preciso, obrigado. (portuguesa, 18 anos) 6

7 A quase totalidade das jovens portuguesas e caboverdianas rejeita a prática do sexo anal. 9 Os discursos femininos apontam para o desconforto e a dor que esta prática causa. Algumas jovens falam reiteradamente de uma insistência masculina, que em certos casos fez com que elas experimentassem esta prática. O sexo em grupo, assim como a troca de casais são actividades rejeitadas pela totalidade das jovens, pois segundo as mesmas não têm que ver com afecto, nem com exclusividade do relacionamento Violência Sexual Acrescente-se ainda que outro factor de risco que teve pouco expressão no nosso estudo, é a violência sexual, nomeadamente o estupro. Foi-nos relatado um caso de violação em grupo (sem preservativo): Já fui obrigada uma vez a ter relações sexuais. Praticamente fui violada por um grupo de seis rapazes. Tinha 14 anos e já tinha mudado para aqui. Na altura não disse porque tive medo. Fiquei com medo de levar porrada da minha mãe. Contei à assistente social do colégio passado três ou quatro dias. Há pouco tempo contei à minha mãe. Ela ficou triste. (Caboverdiana, 18 anos, solteira) Há casos em que a violação é protagonizada por um familiar próximo da jovem e este ameaça-a se ela contar. A minha primeira vez foi com um tio, quando eu tinha 11 anos. Eu não queria. Ele disse que se não me calasse ele batia-me. Foi lá em Cabo Verde. Foi na minha infância, eu ainda não percebia bem as coisas. É como se não fosse nada comigo. (caboverdiana, 16 anos, solteira) Outro factor de risco é o parceiro sexual (que se encontra em situação de ter várias parceiras), obrigar a jovem a ter relações sexuais anais (sem preservativo) e a fazê-lo não só contra a vontade da jovem, mas também sem preservativo. Uma jovem portuguesa de 15 anos relatou-nos que foi obrigada a fazer sexo anal com um rapaz de 26 anos, com quem tinha um relacionamento sexual esporádico: Cheguei a ter sexo anal com o de 26 anos. Eu não queria e disse; deixa-me, deixa-me, deixa-me e ele não me largou. Não queria mesmo. Ele obrigou-me. Isso é uma coisa que dói bastante. Eu senti a dor e chorei. Ele viu-me a chorar e dizia, vá, não gostas? Eu sei que tu gostas. Tu és provocadora. (Caboverdiana, 15 anos, solteira) Um aspecto enfatizado na desconstrução desta violência masculina é a ideia, predominante no Ocidente, de que o sexo é um fenómeno natural, com base instintiva, ou seja, biologicamente determinado, embora sujeito à repressão (Caplan, 1987). Como sugere Chaui (1987: 15), esta ideia de repressão sexual coloca-nos diante um 9 O sexo anal foi praticado pelo menos uma vez em 80% caboverdianas e em 78% das jovens portuguesas, mas não é uma prática muito recorrente. Na totalidade dos casos, o sexo anal foi praticado sem preservativo : «dans le cas du VIH, le risque d`être infecté par un sujet contaminé est plus élevé en cas de pratiques de pénétration anale que vaginale (sans préservatif) et plus encore s`il s`agit de pénétration anale réceptive qu`insertive. Le risque lié aux contacts orogénitaux est beaucoup plus faible.» (Warszawski, 1997 : 258). 7

8 fenómeno peculiar ( ) o da existência de proibições, permissões e recompensas concernentes a algo que seria puramente natural. Simultaneamente, as análises de género demonstraram que esta visão da sexualidade como instinto biológico é historicamente aplicada sobretudo à sexualidade masculina, que domina, controla e é violenta, por ser dificilmente controlável: a ideologia dominante enfatiza que a dominação, o controle e, até mesmo, a violência masculina na sexualidade são naturais (Caufield, 1985: 360). Quando o acto sexual é interpretado como uma expressão natural da necessidade masculina em conquistar e dominar a mulher, a associação entre sexualidade, poder e violência masculinos, portanto, inevitável. (Jackson, 1987: 571) Monogamia serial e parceiros múltiplos A monogamia serial designa a sucessão de relações erótico-amorosas, sem se sobreporem umas às outras (Giddens, 1995). De acordo com os dados do nosso estudo, 88% das raparigas portuguesas e 82% das caboverdianas têm relacionamentos eróticoamorosos sob a forma de monogamia serial: Tive um namoro que durou seis meses. Depois, quando acabou, estive dois meses sem nenhum ( ) Uma amiga minha apresentou-me um amigo dele e começámos a andar. Durou três meses. Agora namoro com um amigo dele, que já não é amigo e que me avisou que ele me tinha traído. Estou com ele há 7 meses. (Portuguesa, 19 anos, solteira) No início da sua trajectória amorosa, algumas adolescentes encetam relações erótico-amorosas em série, de curta duração, que variam entre uma noite ( one night standing ) até um mês, não excedendo esse período. Um dos motivos mais referidos pelas jovens é o facto de não quererem ficar sós: elas vivem períodos sem relacionamentos erótico-amorosos, como momentos de grande solidão: Nunca tive dois ou três namorados ao mesmo tempo. Curtia uma semana com um, depois vinha para o colégio e arranjava outro. Curtia com esse duas ou três semanas Dois ou três ao mesmo tempo nunca foi a minha onda. Deus me livre! Nunca foi a minha onda. Graças a Deus, não! Não gosto mesmo ( ) Estive uma vez um mês sem namorado nenhum e foi horrível, sentia-me muito só. É uma sensação estranha!» (Caboverdiana, 23 anos, união de facto) Para algumas jovens portuguesas (25%) e caboverdianas (30%), estas monogamias em série de curta duração envolviam relações sexuais com alguns dos parceiros das jovens, ou mesmo com todos. No entanto, na maior parte dos casos (70% de caboverdianas e 75% das portuguesas), envolvem-se em curtes, sem relações sexuais coitais, apenas carícias e beijos e em certos casos sexo oral. As jovens que têm dois parceiros em simultâneo (cerca de 12% caboverdinas e de 9% de portuguesas), fazem-no geralmente durante um período curto (entre uma a três semanas). Estes relacionamentos múltiplos inscrevem-se, na maior parte das vezes, em situações em que jovem ainda não largou o primeiro namorado, mas está prestes a fazêlo, ou então fica com o namorado e encetam curtes com outros jovens. Por vezes, as raparigas são pressionadas pelos parceiros com quem curtem, para terem relações sexuais, mas isso nem sempre acontece: 8

9 No meio dessa relação apareceu uma pessoa. O monitor do CAF tem um irmão. Eu, comecei a enviar mensagens para ele. Comecei a curtir com ele. Curtia na mata. Ele mandou-me decidir qual dos dois é que eu queria. Fui escolher a pessoa errado, que foi o outro. Durou 3 semanas. Não tive relações sexuais com ele. Ele ficou chateado comigo, porque eu não lhe dei o que eu queria, que era ter relações sexuais. Voltei para o outro porque gostava dele. Este nunca mais quis falar comigo. Enviou-me uma mensagem a pedir desculpa por me ter pedido para ter relações sexuais e por me ter obrigado a escolher. (portuguesa, 15 anos, solteira) Algumas jovens, sobretudo as portuguesas (75% versus 62% das caboverdianas), concebem a sexualidade feminina ligada à reputação da rapariga no bairro em que está inserida e sugerem que a mesma não deve encetar múltiplos relacionamentos eróticoamorosos em série, ou relacionamentos erótico-amorosos em simultâneo pois tal facto não se coaduna com um relacionamento imbuído de sentimentos. Só que a maior parte das jovens que critica estes relacionamentos, teve também diversos parceiros eróticoamorosos em série (a média para as jovens caboverdianas e portuguesas é de 5 parceiros, tendo tido relações sexuais pelo menos com dois) e de relacionamentos e simultâneo (cerca de 9% de portuguesas e 12% de caboverdinas). Grosso modo, podemos concluir que, o início da vida sexual precoce e o número de parceiros sexuais, quer seja sob a monogamia serial ou de múltiplos parceiros, ou de ambos, remetem-nos para a importância da família e do grupo de pares. Relativamente à família, é de referir que um estilo de intervenção parental não autoritário e a uma maior permissividade (Bastos & Bastos, 2008) e falta de apoio parental, ou a ausência do pai e a pouca supervisão por parte de outros adultos parecem facilitar a actividade sexual precoce e a liberalização dos comportamentos sexuais dos jovens. Por outro lado, a qualidade da comunicação entre pais-filhos; a comunicação aberta e receptiva com a mãe está associada a menos comportamentos sexuais de risco (Moore & Rosenthal, 1995). Quanto ao grupo de pares, podemos afirmar que a importância do mesmo sobre o comportamento sexual dos adolescentes, é sobrevalorizado por vários autores (Moore & Rosenthal, 1995, Sprinthall & Collins, 1994, Vasquez, 1999) ao assinalarem que estes são determinantes nas decisões que os jovens tomam relativamente à sua sexualidade. Os pares influenciam a sexualidade da jovem através da transmissão de normas mais permissivas ou restritivas e pelo modelo de comportamento que fornecem (Lerner & Galambos, 1998). As adolescentes, que iniciam muito cedo a vida sexual, referem idêntica situação entre os pares e percepcionam ganhos sociais associados à relação sexual precoce (Moore et al., 1996) Utilização do preservativo O preservativo já foi usado pelo menos uma vez em 85% das jovens portuguesas e em 80% das jovens caboverdianas. Esta utilização foi feita muito raramente, em 90%, apenas na primeira relação sexual e em 10% dos casos noutras ocasiões. Deste modo, os dados apontam para que este seja pouco utilizado pelas jovens, resultados que estão em concordância com os encontrados por outros investigadores efectuados também em comunidades migrantes (Dias et al., 2001,Dias et al., 2002, Dias et al, 2004, Gaspar et al, 2006) 9

10 A fraca utilização do preservativo prende-se com algumas crenças, de entre as quais destacamos: a) A explicação mais recorrente para o não uso do preservativo tem que ver com confiança no parceiro. Este motivo é referido por 75% das caboverdianas e por 52% das portuguesas. Para as jovens caboverdianas, a confiança está ancorada na ideia de que os seus parceiros quando têm relações sexuais com outras raparigas usam preservativo: Penso que ele tem outras, mas ele com as outras previne-se. Eu não tenho outras pessoas. (caboverdiana, 17 anos, solteira) De uma forma genérica podemos subscrever a opinião de (Weeks, Schensul, Williams, Singer & Grier, 1995; Wingood & DiClemente, 2001) de que na comunidade africana em geral, o uso do preservativo está fortemente associado a relações esporádicas e a situações de infidelidade e não a relações sexuais com o namorado, baseadas nas crenças de confiança e de afectividade/intimidade. Para as jovens portuguesas, o preservativo é interpretado com algo que vai «preservar do outro» e é visto como sinónimo de desconfiança, pois a sua utilização é contrária à sua representação do amor ligado à confiança e ao conhecimento que pensam ter do seu parceiro sexual. O abandono do uso do preservativo é concebido como uma forma de confiança e de estabelecimento de uma relação séria : Nas duas ou três primeiras vezes usávamos, porque não nos conhecíamos bem. Depois deixámos de usar, gostamos um do outro. Temos confiança um no outro. Somos namorados, não somos curtes: (Portuguesa, 16 anos, solteira). Grosso modo, podemos afirmar que o uso do preservativo é bastante mais frequente em casos de infidelidade ou com relações sexuais esporádicas e não numa relação estável, num namoro dentro do grupo/bairro. b) Algumas jovens (cerca de 42% das caboverdinas e 34% das portuguesas) não usam o preservativo porque o parceiro não gosta e, como tal, elas não o podem obrigar a usar. A utilização do preservativo depende portanto, da vontade do parceiro da jovem. Sendo assim, estas jovens apercebem-se que têm oportunidades limitadas para introduzir a utilização do preservativo nas suas relações: O meu namorado não gosta nada de usar o preservativo. Eu já lhe pedi uma vez, e ele disse que nem pensar nisso. Já não lhe vou pedir mais. Ele depois pode tornar-se agressivo. Iisso eu não quero. (Caboverdiana, 19 anos, solteira). De salientar que, ao contrário do homem em que a utilização do preservativo constitui um comportamento sexual protector, para a mulher os comportamentos protectores encontram-se relacionados com a sua capacidade de persuadir o parceiro a usar o preservativo, ou com a recusa em ter relações sexuais, quando este recusa usá-lo. Esta recusa só foi evidenciada pelas jovens portuguesas e caboverdianas virgens. c) 32% das jovens portuguesas e 28% caboverdianas considera que o preservativo torna as relações sexuais menos satisfatórias (perda de prazer sexual): É látex, está a perceber? É esquisito. Ele também não gosta. Tira o prazer durante o acto. Admitimos que é importante, mas depois é o desconforto. Não sei explicar, é esquisito. (portuguesa, 24 anos, união de facto) Ou como diz uma caboverdiana: Não usamos preservativo porque não gostamos, tira o prazer. Normalmente, ninguém gosta, não é? (Caboverdiana, 18 anos, solteira). d) Esquecimento, ligado muitas vezes à excitação do momento (20% das jovens caboverdinas versus 32% das jovens portuguesas): Usámos o preservativo só nas duas ou três primeiras vezes, depois a maior parte das vezes esqueciamo-nos de usar o preservativo. Era aquela excitação do momento. (Caboverdiana, 17 anos, solteira) e) Cerca de 10% das jovens (6% da caboverdinas versus 4% das portuguesas) falam em falta de informação: Nunca usámos o preservativo. Não éramos informadas. Eu não 10

11 sabia nada disso de doenças, nada. Até ao meu 6º ano não me informaram nada na escola. (Caboverdiana, 19 anos, solteira) f) Uma outra explicação para o não uso do preservativo tem que ver com a capacidade que as jovens dizem ter de reconhecer um portador assintomático pelo seu aspecto físico. Este factor foi evidenciado por 8% das portuguesas e 5% das caboverdianas: Eu conhecia quase todas as parceiras dele. Eram aqui do bairro. Vi-as passar. Não tinham mau aspecto. Eram raparigas normais, não pareciam doentes (Portuguesa, 19 anos) g) Um número reduzido de jovens caboverdianas (duas) afirma que não usa preservativo porque faz testes regularmente: Faço testes de 6 em 6 meses. Eu estou sempre no médico por assim dizer. Assim não é preciso usar preservativo. É muito raro. (Caboverdiana, 24 anos, solteira) h) Uma jovem caboverdiana referiu que não usou nunca os preservativos porque ela e o namorado são imigrantes indocumentados e porque não têm dinheiro para os comprar i) Existe também o factor explicativo religioso relacionado com a crença em milagres, que foi mencionado por uma jovem portuguesa: Tenho sempre confiança e espero sempre que não apanhe uma doença, mas não é de ele dizer que ele não tem. È que sou um bocado religiosa. Sou adventista, fico à espera de um milagre. (portuguesa, 18 anos solteira) Por outro lado, é de assinalar uma não menos importante explicação para o não uso do preservativo por parte das jovens, que se encontra relacionada com as características do seu grupo etário. Na realidade, a juventude é uma fase dialéctica e tensional entre vários domínios de desenvolvimento, cognitivo, emocional e psicológico (Zabin, 1991), podendo as vicissitudes deste contexto constituir um constrangimento à expressão de condutas sexuais preventivas, uma vez que as capacidades de comunicação, negociação e persuasão das jovens, podem ainda não se encontrar suficientemente consolidadas para se mobilizarem para e na acção. A percepção que as pessoas têm deste comportamento, que gera no encontro sexual percepções negativas e é identificado por alguns autores como barreiras no uso do preservativo (Bryan, Aiken & West, 1996). Por seu turno, Shayer (1994) sugere que a disponibilidade deste método de prevenção no momento do coito pode ser um importante factor preditivo da frequência do uso do preservativo e com menos valor o grau de informação sobre a saúde e o comportamento sexual do parceiro. Nesta investigação o preservativo quando usado é mais como método de prevenção de gravidez e não tanto como uma prevenção do HIV 10 ou das DST`s. A gravidez implica uma mudança de estilo de vida que se traduz, na maior parte dos casos, no abandono ou interrupção do percurso escolar por parte da jovem e na necessidade desta assumir novas responsabilidades. A utilização do preservativo como forma de evitar gravidez e não como forma de se proteger do VIH/SIDA ou as DST`s é subscrita por Matos e Equipa do Projecto Aventura & Saúde (2003) e por Ross et al. (2004). Alguns autores, como Bird, Harvey, Beckman & Johnson (2001), também mencionam o facto de ser mais fácil convencer os parceiros e a capacidade de persuasão tende a ser mais eficaz quando o objectivo é prevenir uma gravidez do que a infecção por VIH. Por seu turno, Namerow et al. (1987) enfatizam o facto de que os adolescentes são, no que se refere ao uso de anticoncepcionais, muito mais guiados em função de uma estimativa subjectiva da 10 A sida não é uma preocupação quotidiana destas jovens, apesar da existência de uma vida sexual activa desde bastante cedo. O receio de contrair a doença tende a atenuar-se quando existe uma relação de confiança, apesar de ser consensual (especialmente no que se refere às jovens caboverdianas) a percepção de que, no caso dos rapazes, é suposto terem diversas parceiras sexuais e também de que a confiança não implica uma relação estável e definitiva. 11

12 probabilidade do que algo negativo lhes aconteça do que pela consciência negativa do risco. Grosso modo, podemos concluir que a experimentação da actividade sexual precoce e a existência de vários relacionamentos erótico-amorosos sob a forma de monogamia serial ou de parceiros múltiplos, em que o método contraceptivo preferencial é a pílula, tendo o preservativo uma baixa taxa de utilização neste grupo de jovens, são factores de risco de contaminação do VIH/Sida. Estas características estão em consonância com os dados das investigações preconizadas por diversos autores (Lear, 1995, Marin, 1996;Teixeira, 1996; Vandale 1996) que alertam para os seguintes factos: quanto mais cedo as jovens iniciam a sua vida sexual, maiores são as suas probabilidades de ter comportamentos de risco; geralmente o método anticonceptivo utilizado ser a pílula em vez do preservativo, sendo este supostamente mais usado em relações de tipo ocasional, já que os preservativos quebram a confiança no parceiro, factores reforçados sobretudo pela cultura caboverdiana, onde a mulher de certa forma aceita que o parceiro tenha relações sexuais extra-relacionamentos que lhe possibilitem satisfazer as necessidades inerentes à sua virilidade. Aquilo que perpassa como preocupação - e que foi assinalado por Rosenthal & Shepherd (1993) - é o facto de que, tanto as jovens caboverdinas como as portuguesas não percepcionarem a necessidade de mudarem as suas práticas sexuais, uma vez que a maioria delas (63% das portuguesas e 51% das caboverdianas) tem apenas um parceiro de cada vez (monogamia serial), acreditando que a abstinência, no que diz respeito às relações sexuais com o parceiro ocasional, é suficiente para as proteger contra a infecção. Sublinhe-se que as relações monogâmicas são completamente seguras se nenhum dos parceiros for portador do vírus, mas o que nem sempre se verifica é a possibilidade da conduta sexual das jovens ser englobada nesta categoria, correspondendo assim mais a um ideal do que à realidade, deixando deste modo, espaço para a existência de risco de infecção. 4. Consequências do não uso de métodos anticoncepcionais 4.1. Gravidez e aborto As gravidezes das jovens portuguesas e caboverdianas são, em 98% dos casos, não planeadas. Elas acontecem porque as jovens não usaram nenhum método anticoncepcional, pois como já assinalámos, o preservativo foi usado apenas na primeira ou nas duas ou três primeiras relações sexuais. Algumas jovens estiveram vários meses sem usar nenhum método contraceptivo (85% das caboverdianas e 80% das portuguesas) e, outras, substituíram o uso do preservativo pela pílula. Mas, o que tende a acontecer é que algumas jovens esquecem-se de tomar a pílula e engravidam. Relativamente à gravidez das jovens caboverdianas, o presente estudo aponta para cerca de 88% de jovens que já foram mães, especialmente entre os 15 e os 17 anos. Estas gravidezes estão inseridas num complexo padrão sócio-cultural, caracterizado pela clandestinidade dos relacionamentos erótico-amorosos, que como já supramencionámos, são as mais das vezes sexualmente desprotegidos. É recorrente, nos primeiros meses de gravidez, as jovens ocultarem a mesma dos seus familiares, sobretudo dos gerontes (o pai se não se tiver separado da mãe ou emigrado; a mãe nos lares sem pai, ou ambos) como receio de serem repreendidas: Quando eu engravidei é que eles souberam quem era o meu namorado. Começaram a gritar, a ralhar, o que é normal. Não tinha dito nada. Só souberam quando eu tive o bebé. Não disse nada antes porque tive medo que 12

13 eles ralhassem. A gravidez não se notava. Era no Outono e no Inverno e eu usava pullovers grandes. Escondi a gravidez toda. Depois aceitaram. Agora estamos a morar juntos. A minha mãe é que faz tudo pelo bebé. (Caboverdiana, 20 anos, união de facto). O que tende a acontecer, é que os pais ao saberem da gravidez, apresentam reacções violentas (muitas vezes com a punição física da rapariga) e, em certos casos, tentam forçá-la a casar com o jovem pai. Só que, grande parte dos jovens (pais) não quer contrair matrimónio e a rapariga tende a por permanecer em casa dos gerontes com a criança, que acaba por ser aceite pelos mesmo, sendo geralmente é educada pela avó. Os meus pais não falavam sobre sexo. O meu pai quando soube queria-me por na rua. Queria matar-me, queria matar-me. Ele aceitou mesmo, mesmo, quando a minha filha nasceu. Quando nasceu disse Já tenho a minha neta A minha mãe e as minhas irmãs aceitaram logo. As minhas irmãs tiveram crianças muito novas. Engravidaram também por descuido. Nenhuma delas está com o pai dos filhos. A totalidade das jovens caboverdianas por nós entrevistadas, abandonaram o seu percurso escolar, permanecendo em casa dos pais com a criança. Acrescente-se ainda que neste processo, é frequente a inexistência de uma responsabilização masculina relativamente à gravidez aos cuidados do bebé, uma vez que nem sempre o aparecimento implica o início de uma vida conjugal. Em alguns casos, a desresponsabilização masculina tende a acontecer, porque o jovem é preso por posse e/ou tráfico de droga, ou simplesmente porque não quer assumir a criança. Mas, o mais recorrente é o caso de jovens caboverdianos que abandonam as mães dos filhos porque se envolvem em novos relacionamentos erótico-amorosos. Após a jovem ter a criança, existe geralmente por parte dos gerontes uma estratégia de emancipação erótica da mesma, em que ela pode dar à luz crianças de diversos pais ausentes, sem o estabelecimento de relacionamentos estáveis. Esta afirmação do capital social erótico da jovem e da sua autonomia sexual pode continuar depois do casamento, facto que foi também evidenciado por Bastos & Bastos (2008) Algumas jovens caboverdianas engravidaram e, ao contrário dos namorados/parceiros, e em certos casos das mães, que queriam que elas interrompessem a gravidez, seguiram em frente com a gravidez, porque esta e a maternidade, possuem um carácter simbólico de uma certa valorização pessoal, ligada à entrada na idade adulta, ou então por motivos religiosos ( é pecado abortar ). No entanto, há casos em que é a própria jovem que pretende interromper a gravidez porque não se sentia preparada para ter a criança e pretendia prosseguir com os estudos. Por vezes, as raparigas acabam por só contar aos parceiros após a interrupção da gravidez e geralmente terminam o relacionamento com eles, pois consideram-nos os principais responsáveis/ culpados da gravidez indesejado porque não as deixaram prevenir-se. No entanto, há casos em que as jovens caboverdinas interrompem a gravidez e depois se arrependem, porque todo o processo provocou grande sofrimento. No que diz respeito às jovens portuguesas, cerca de 72% já engravidaram e deram à luz com idades compreendidas entre os 15 e os 18 anos. Em 30% dos casos a gravidez aconteceu porque elas - tal como as jovens caboverdianas -, se esqueceram de tomar a pílula. Na maior parte dos casos estas jovens também esconderam a gravidez nos primeiros meses, mas a contrario das jovens caboverdianas, a generalidade das 13

14 jovens portuguesas, não teve reacções negativas por parte dos gerontes, acontecendo, por vezes a situação inversa: Eu estava a tomar a pílula com antibióticos e cortou o efeito. Eu engravidei por descuido. Ele aceitou. Decidimos ter a criança. Os meus pais souberam quando eu estava de 5 meses. Eles já o conheciam. Aceitaram bem, choraram e riram ao mesmo tempo. Depois ele nasceu de 8 meses. (portuguesa, união de facto, mãe ao 18 anos) São em grande número as jovens portuguesas que permanecem em casa dos pais e estes (ou apenas a mãe, se estiver separada do pai) cuidam da criança (como acontece com as jovens caboverdianas). Geralmente, o parceiro também vai viver com os sogros, ou então acabam por ir viver sozinhos. Só que, estas uniões de facto, tendem a desestruturar-se e a levar à separação devido à infidelidade por parte dos parceiros, ou sobretudo, à imersão dos parceiros no mundo da droga, tendo - na maior parte do casos -, as jovens que entrar forçosamente no mercado de trabalho. Apesar da maioria das adolescentes portuguesas ter engravidado por acidente, algumas quiseram engravidar, sendo a ausência de planos futuros e o insucesso escolar os factores motivadores dessa opção. Acrescente-se o facto de que não nos foi relatado por nenhuma jovem portuguesa a interrupção da gravidez. Grosso modo, podemos concluir que, o contexto familiar tem uma relação directa com a época em que se inicia a vida sexual e se engravida. De facto a maioria das jovens caboverdianas e portuguesas entrevistadas iniciaram a vida sexual precocemente e engravidaram nesse período. Estas jovens geralmente provêm de famílias cujas mães têm um percurso biográfico semelhante, ou seja, também iniciaram precocemente a sua vida sexual e também engravidaram durante a adolescência. O abandono escolar surge como consequência da gravidez/maternidade, não permitindo elevadas qualificações escolares e profissionais. A razão principal do abandono dos estudos é o elevado insucesso escolar que se verifica entre as mães adolescentes. No entanto, verificou-se que algumas jovens caboverdianas e portuguesas já tinham abandonada a escola antes de engravidarem. De salientar também que quanto menor a escolaridade, mais cedo as jovens iniciaram a vida sexual e maior terá sido o risco de gravidez na adolescência. 5. Conhecimentos, crenças e atitudes face ao VIH/Sida Como sugere Lucas (1990) a necessidade de avaliação dos conhecimentos, atitudes e crenças torna-se relevante, uma vez que os sujeitos só tendem a modificar os seus comportamentos desde que possuam conhecimentos sobre a transmissão da sida e as repercussões da doença nas suas vidas e sobretudo que se vejam a si próprias como potencialmente vulneráveis, que concebam a doença como ameaçadora ou grave e que estejam convencidos sobre a eficácia da medida ou comportamento preventivo Modos de transmissão do VIH/Sida A sida é considerada uma doença mortal, sendo percebida maioritariamente como uma ameaça para a humanidade e é representada como uma doença sem cura (ainda não existe vacina) por cerca de 95% das jovens portuguesas e caboverdianas. 14

15 A transmissão sexual é referida pela maioria das jovens (98%), no entanto, 48% de jovens caboverdianas e 29% de jovens portuguesas não associa o sémen ao perigo de transmissão. A transmissão sanguínea (através de cortes, seringas e agulhas) é mencionada por 87% das jovens. Apenas 12% das jovens portuguesas e caboverdianas reconhece o perigo de transmissão de mãe infectada-filho aquando da gravidez e do aleitamento. De sublinhar, o facto de o sangue ser visto por estas jovens como um elemento perigoso por excelência, enquantoque os outros líquidos corporais, como o leite materno e o esperma, são classificados no imaginário simbólica das jovens como líquidos não perigosos. Do ponto de vista simbólico, o sangue tem uma conotação negativa, sendo por isso mais facilmente assimilável como elemento de contaminação, a contrario, o esperma e as segregações vaginais, são líquidos existentes na relação sexual, acto que «une» e «dá a vida», o que acontece também com a gravidez e o aleitamento. 11 É marginal a proporção dos que acreditam existir risco através da saliva (7% das portuguesas e 6% das caboverdianas) e através da frequência de casas de banho públicas (3% das portuguesas, 2% das caboverdianas). É ainda mais residual (0,5%) a crença de que a sida se transmite ao beijar a cara ou ao apertar a mão de um indivíduo infectado ou com Sida, assim como brincar com uma criança infectada Fontes de informação/aprendizagem Em relação às fontes de informação/aprendizagem sobre a sida, a maioria das jovens refere a televisão, seguindo-se a escola, a APF, as Misericórdias, os centros Olá, Jovem 12, os panfletos e, por último, os pais. No entanto, existem algumas diferenças entre as fontes de informação das jovens caboverdianas e das portuguesas, sendo que as primeiras referem mais a televisão, os panfletos e os centros Olá Jovem e afirmam que têm receio ou se sentem pouco à vontade para falar com os pais, ou mesmo com a mãe sobre este assunto As portuguesas obtêm a informação a partir da escola, da televisão, das conversas com os amigos e do diálogo com os pais. A informação veiculada pela escola, é para a maioria das jovens portuguesas e caboverdianas transmitida de forma pouco estimulante e elas muitas vezes não percepcionam os códigos um pouco mais elaborados cientificamente. Os serviços de saúde, enquanto lugares de informação, aconselhamento e prevenção do VIH/SIDA, são escassamente mencionados pelas jovens portuguesas e caboverdianas, por diversas razões, das quais destacamos: uma noção de saúde e de doença que não passa pela prevenção ( Vai-se ao médico apenas quando se está doente ), o constrangimento da situação, a falta ou a dificuldade no acesso à consulta de consulta de planeamento familiar, a falta de anonimato na demanda de preservativos gratuitos e em certos casos, a ausência de informação sobre o uso de preservativos e as formas de contaminação e transmissão do vírus. 11 Cf. Oliveiro, Ph. (1992). Sida et représentations sociales des liquides du corps. Compte rendu de fin d`études. Paris: EHESS/ANRS. 12 Projecto de Promoção da Saúde dos jovens entre os 12 e os 21 anos, que tem lugar em três Centros de Saúde do Concelho da Amadora: Amadora, Reboleira e Venda Nova. 15

16 5.3. Conhecimento de pessoas com VIH/SIDA, consequências do VIH/SIDA para a vida das pessoas e percepção da vulnerabilidade pessoal Relativamente ao conhecimento de pessoas com VIH/Sida ou que morreram de sida, cerca de 32% de jovens caboverdianas e 40% de jovens portuguesas conhece pessoas com sida ou que morreram de sida. Geralmente as pessoas conhecidas são as que moram no Bairro (53%), familiares (35%), ou pessoas que habitam noutras zonas e que lhes foram apresentadas (22%). No que diz respeito às consequências do HIV/SIDA na vida das pessoas, as jovens caboverdianas referem mais as mazelas físicas da doença como o emagrecer e o ficar fisicamente debilitada que leva à morte. Apenas cinco jovens caboverdianas referem os aspectos psico-sociais como o afastamento dos amigos que tende a levar ao isolamento e o facto de a pessoa ser levada a desistir de todos os sonhos. As jovens portuguesas também mencionam a debilidade física causada pelo enfraquecimento do sistema imunitário (que só acontece passado um tempo, quando o vírus se torna activo) devido ao aparecimento de outras doenças. Estas jovens apontam a importância de tomar os medicamentos para atenuar a doença que elas sabem ser incurável. No entanto, a contrario, da maior parte das caboverdianas, as jovens portuguesas referem mais aspectos de carácter psico-social, como as pessoas ficarem sem auto-estima e terem receio do que os outros poderão dizer se souberem que elas têm VIH/SIDA. Esse é um dos motivos porque - na opinião das portuguesas - as pessoas se isolam e tendem a permanecer em casa. É também mencionada a problemática da rejeição social e o que ela acarreta, nomeadamente as pessoas serem ostracizadas no emprego ou na escola. Algumas jovens portuguesas apontam também a questão da revolta e a vontade de pôr termo à vida. Outras jovens referem que as pessoas infectadas não se devem limitar, mas viver o dia-a-dia e lutar para ultrapassar os pensamentos negativos. Por último, é referido a questão da grávida com VIH infectar a criança, o que tende a pesar na consciência da mãe. Acrescente-se ainda que, tanto as jovens portuguesas como as caboverdianas, não estão familiarizadas com a existência de um invisível a a olho nú, com os seus mecanismos de proliferação, com o conceito de anti-coprpos e de imunidade. Quanto à preocupação e à percepção de poder vir a ser infectada pelo VIH/Sida é pouco apontada pelas jovens entrevistadas (34% de caboverdianas versus 37% de portuguesas) revelando, um certo distanciamento pessoal em relação ao problema. Assim sendo, pouco mais do que uma terça parte das jovens entrevistadas manifestam preocupação com a possibilidade de poderem vir a ter SIDA. A maior parte das jovens considera-se livre de perigo, porque conheciam todas as parceiras do seu namorado, porque têm confiança no parceiro, porque fazem análises regulares e testes de sangue e porque sabem como o vírus se transmite. As jovens referem conhecer os mecanismos biológicos da transmissão do vírus, desenvolvendo um falso sentimento de segurança, pelo facto de pensarem que estão bem informados. A própria informação fá-los crer que estão fora de risco ( estou bem informada, por isso nada me vai acontecer ). Há ainda aquelas que pensam que o risco de infecção é uma realidade, que tende a acontecer só aos outros. Só uma minoria das jovens (29% de caboverdianas e 32% de portuguesas) deixa perceber acreditar nas formas mais apropriadas de prevenção, tais como usar preservativo, não ter relações sexuais com parceiros ocasionais e, daquelas só 13% das caboverdianas e 9% das portuguesas julga necessário modificar os comportamentos. No entanto, a maioria refere a vulnerabilidade ao risco ligada à dificuldade em controlar o desejo sexual, pensando apenas em retirar o máximo prazer da relação sexual. É 16

17 também mencionado outro factor de vulnerabilidade e risco face a esta doença que está relacionado com os comportamentos sexuais adoptados pelos parceiros: o facto destes terem relações sexuais desprotegidas com várias raparigas. De sublinhar, que este sentimento de vulnerabilidade à doença constitui uma condição fulcral para adoptar comportamentos preventivos e a sua ausência tende a constituir um factor favorável à difusão da mesma. 6. Acesso aos centros de saúde e realização do teste de despistagem do VIH Relativamente à utilização dos centros de saúde, as jovens portuguesas e caboverdianas afirmam que recorrem com pouca frequência aos serviços do Centro de Saúde e quando o fazem é porque se sentem muito doentes ou vão pedir a prescrição da pílula. Esta começa muitas vezes a ser tomada antes das jovens iniciarem a sua vida sexual, para regularizarem o período ou atenuarem as dores. Algumas caboverdianas (cerca de 18%), referem também que o facto de não estarem legalizadas é outro factor que funciona como barreira de acesso aos serviços de saúde. No que diz respeito à ida à consulta de planeamento familiar, de um modo geral, verificou-se que existe uma baixa adesão a esta consulta, essencialmente por vergonha, as jovens que recorrem fazem-no essencialmente para obter a receita da pílula. Neste aspecto recorrem à consulta de planeamento familiar cerca de 29% de jovens caboverdianas e 37% jovens portuguesas. Para efeitos de regularização do período as jovens portuguesas vão geralmente com a mãe (23%), o mesmo acontece com algumas caboverdinas (cerca de 7%). Para efeitos de contracepção oral, tanto as jovens portuguesas como as caboverdianas vão sozinhas. A maioria das jovens mães portuguesas e caboverdianas recorre ao centro de saúde, após a gravidez para colocar o dispositivo intrauterino (DIU), ou o implante sub-cutâneo que dizem ser mais seguro, uma vez que a toma da pílula nem sempre acontece, por esquecimento. A maior parte das jovens portuguesas e caboverdianas falta à segunda consulta de planeamento familiar porque dizem que está tudo bem com elas. Por último, no que concerne à realização do teste de despistagem do VIH, apenas uma jovem portuguesa foi fazê-lo incentivada pela irmã que também fez o teste com ela. As outras jovens portuguesas e caboverdianas que fizeram o teste, só o realizaram aquando da gravidez. Todas estas raparigas disseram que, com o resultado negativo, elas ficam com a certeza que os parceiros não são portadores do vírus VIH/Sida. As jovens portuguesas e caboverdianas que nunca fizeram o teste referem diversos motivos para que isso tenha acontecido: plena confiança no parceiro (37%); o facto de o parceiro ser saudável e de só terem relações sexuais com ele (24%); terem medo do resultado (17%), terem vergonha (12%) e não saberem onde se faz o teste (10%, sendo cerca de 7% jovens caboverdianas). Todas as jovens referiram que o teste devia ser obrigatório para quem já tivesse iniciado a vida sexual porque não sabem o passado e muitas vezes o presente respeitante à saúde sexual dos parceiros ou porque as jovens entrevistadas pensam que a maior parte das raparigas tem vários parceiros sexuais ( andam de mão em mão ) e não se protegem. Cerca 32% das jovens portuguesas e caboverdinas, mencionaram os cortes como motivo para a realização do teste HIV. Uma jovem portuguesa alertou para o facto da pessoas a quem o teste de HIV apresentar resultado positivo se prepararem para esse acontecimento. 17

18 7. Considerações finais Os resultados deste estudo demonstram a existência de algumas diferenças relativamente às jovens portuguesas e caboverdianas. Essas diferenças reportam-se ao início da vida sexual em que algumas caboverdinas têm relações sexuais logo na primeira semana (apesar de serem também as caboverdinas que conferem maior peso à virgindade), que têm mais relacionamentos erótico-amorosos de curta duração e mais parceiros em simultâneo, com inclusão de relações sexuais desprotegidas, apesar da diferença relativamente às portuguesas não ser muito significativa. Tal como se tem verificado noutros estudos sobre minorias étnicas e pessoas em zonas de elevadas concentrações de pobreza, o preservativo tem uma baixa taxa de utilização e isto acontece com as portuguesas e com as caboverdianas. No entanto, estas últimas parecem ter mais dificuldade em negociar o sexo seguro com os seus parceiros. Sendo o preservativo, o único meio suficientemente eficaz relativamente à protecção do VIH, devemos ter em conta que ele pertence ao domínio masculino, o que deixa as mulheres em desvantagem na determinação da exposição ao risco. Neste sentido, as estratégias preventivas adoptadas não podem ter apenas ter como alvo as mulheres, sendo imperioso envolver os homens nesse processo (Lawrence et al., 1998). Sendo assim, podemos concluir que as informações obtidas sobre a utilização do preservativo na comunidade caboverdiana e portuguesa sugerem que se deve ter em conta, para além da realidade económica, social e cultural da comunidade, a natureza das relações entre os géneros, quando o que se pretende é aumentar o uso do preservativo. (Kelly, 1994; Wingood & DiClemente, 2000; Woollett et al., 1998). Pensamos também ser imprescindível promover a imagem social do preservativo que reafirme a sua eficácia no contexto da prevenção, a sua adequação aos diferentes tipos de relação afectiva, na conversa entre os parceiros, que anule a ideia de perda de prazer e que se apresente como meio de consumo, incentivado através das campanhas publicitárias e da distribuição panfletos. Outro factor determinante de infecção do VIH /SIDA é o estupro e a coacção sexual sobretudo para a prática de relações sexuais anais. Ambos foram-nos reportados por jovens caboverdianas, apesar da recorrência no grupo estudado ser residual. A consequência das relações sexuais genitais desprotegidas é a gravidez ou interrupção da mesma. Encontrámos mais jovens mães caboverdianas do que portuguesas. Existem ainda mais mães jovens caboverdians com mais filhos que as portuguesas. São também as caboverdianas que têm mais dificuldade em que a sua gravidez seja aceite pelos pais, tendo também receio e vergonha de falarem sobre sexualidade com os pais ou adultos próximos. Nos resultados recolhidos na comunidade caboverdiana e portuguesa observa-se que a grande maioria das jovens não tem um conhecimento completo das formas de transmissão do VIH/SIDA, pois muitas destas jovens não associam a transmissão do sémen nas relações sexuais genitais, orais e anais, o que aliado ao não uso do preservativo (porque as mais da vezes existe a confiança no parceiro) pode aumentar o risco de infecção. Um outro aspecto com uma certa relevância é o facto de algumas jovens caboverdianas e portuguesas sobre-avaliarem o risco de serem infectadas, através de contactos não sexuais (saliva e utilização de casas de banho públicas). Acrescente-se ainda que é notório que algumas informações de carácter científico divulgadas na escola (geralmente no programa do 9º ano) são muitas vezes mal assimiladas, conduzindo a falsas percepções da sida - que de acordo com algumas jovens portuguesas e caboverdinas entrevistadas -, pode ser facilmente identificada em pessoas de aspecto macilento e magreza excessiva. 18

19 A fraca utilização dos Centros de Saúde pelas jovens portuguesas e sobretudo das caboverdianas, particularmente a consulta de planeamento familiar, poderá contribuir para um aumento de risco do HIV/SIDA nestas jovens, atendendo a que poderão não ter acesso adequado à informação, diagnóstico e tratamento das doenças sexualmente transmissíveis e do VIH/SIDA. Um aspecto deveras importante a ressaltar é o facto de uma parte considerável de jovens portuguesas e caboverdianas conhecer ou ter conhecido pessoas infectadas com VIH e saber razoavelmente as consequências da Sida na vida das pessoas infectadas, mas não alterar os seus comportamentos sexuais por causa disso. Conclui-se ainda que a transmissão de informações correctas e o conhecimento sobre as formas de transmissão do VIH/SIDA não são suficientes para gerar novas práticas de saúde direccionadas para a prevenção, porque muitas vezes o que se verifica é uma descolagem entre o conhecimento e as informações que as jovens possuem, que nem sempre estão directamente relacionadas ou têm aplicações directas nas práticas de prevenção, apesar de existir alguma informação sobre as formas de contágio e prevenção do VIH/SIDA. É de ressaltar a importância do reforço da intervenção da educação sexual relativamente à saúde sexual e reprodutiva, especialmente nos primeiros anos escolares, adequando os programas disciplinares às diversas idades e contextos sociais e económicos, normas e padrões culturais dos diferentes alunos e comunidades. Isto torna-se relevante, pois no contexto da nossa investigação, é sobretudo na escola e entre os pares 13 que se fala de sexualidade e não tanto através da relação pais-filhos. Assim sendo, a escola deve ser um contexto em que se promove os comportamentos sexuais saudáveis e os conhecimentos sobre o VIH, planeando intervenções que proporcionem a participação dos alunos na sua própria saúde, como sugerem os estudos realizados por Kindeberg e Christensson (1994) Torna-se pois urgente fazer um esforço de promoção de um sentimento que ligue as jovens à escola, como forma de incrementar a percepção de um meio escolar positivo e adequado às diferentes realidades, assim como uma percepção subjectiva de bem-estar, sentimento de pertença e eficácia na formação, que possa ser conducente à futura realização profissional, sendo uma forte componente deste trabalho a colaboração com os pais (Matos et al., 2003). Os resultados obtidos e a revisão da literatura sugerem ainda que apesar do comportamento individual ser determinante da vulnerabilidade à infecção do VIH, as decisões não são tomadas na base de uma decisão individual, daí que as intervenções devem abranger simultaneamente o nível individual e comunitário (Hobfolll, 1993; Jemmott & Jemmott, 2000; Mann, 1992; McDermott, 1998; Peterson, 1998; Woollett et al., 1998). Deve existir uma compreensão do modo como se poderão envolver as comunidades no seu processo de mudança. Neste processo devem contribuir diversas instituições em simultâneo, nomeadamente as Escolas (como já referimos), os Serviços de Saúde, as Autarquias, as Associações de Imigrantes e de Jovens, as Associações de Pais, de forma a contribuírem para a eficácia da informação especialmente dirigida a estes jovens, no diz respeito à educação sexual, aos processos de transmissão e contágio do VIH/SIDA, às características e evolução da doença e ao uso do preservativo. Estas contribuições devem permitir alterações que produzam diminuição de situações de risco e promovam oportunidades para um desenvolvimento positivo (Fenton, 2001; Jemmott & Jemmott, 2000; Matos, 2005, McDermott, 1998). 13 É importante pensarmos que o forte motor de mudança de comportamentos preventivos nos jovens encontra-se intimamente relacionado com a percepção de que os amigos mudaram os seus comportamentos sexuais. 19

20 Considera-se também necessário efectuar um esforço de intervenção comunitária que necessita de uma base de investigação centrada na epidemiologia comportamental, de estudos sobre a dinâmica dos comportamentos sexuais (Dawson & Gifford, 2001; Jemmott & Jemmott, 2000) e de investigações sob a forma como a própria cultura de imigração influencia a prática de comportamentos sexuais de risco (Gadon, et al., 2001). Faz pois sentido, promover a investigação científica nesta área, que salvaguarde a necessidade imperiosa de englobar nestes estudos diversas perspectivas científicas em simultâneo, compreendendo as ciências sociais e humanas, como a Antropologia, a Psicologia e a Sociologia e as ciências biomédicas, nomeadamente a Medicina e a Enfermagem. Por outro lado, tendo em conta que os factores de risco não podem ser alterados ou removidos sem uma transformação social profunda, as estratégias para a prevenção devem passar pelas políticas de saúde governamentais e pelas organizações envolvidas nos cuidados de saúde que devem considerar prioritário a melhoria dos acessos aos serviços de saúde e a integração das minorias étnicas, assim como a avaliação do seu impacto na prevenção do VIH e da saúde em geral. Uma outra estratégia de prevenção do VIH/SIDA passa pelo apoio de toda a comunidade e pelo robustecimento dos factores de protecção que incluem competências pessoais e sociais, tais como o relacionamento interpessoal, a capacidade de concretização de tarefas e de resolução de problemas com sucesso, capacidade de planeamento e de modificação de circunstâncias de vida, e ainda como já referimos um papel especial conferido à intervenção de programas que privilegiem os pares. Por último, de sublinhar que na ausência de cura ou vacinas eficazes e tendo em conta a própria epidemiologia da doença, o controlo e a prevenção da Sida depende sobretudo da mudança de comportamentos, sabendo-se que a falta de comportamentos de prevenção aumentará a propagação da doença. Sendo assim - e na esteira de Lucas (1987: 89) -, a estratégia de luta contra a sida deve assentar na modificação de comportamentos e não deve pretender apenas mudanças no imediato mas deve produzir uma transformação durável do modo de vida dos membros das comunidades alvo. 8. Referências Bibliográficas Alvarez, M. (2005). Representações cognitivas e comportamentos sexuais de risco: O Guião e as Teorias Implícitas da Personalidade nos Comportamentos de Protecção sexual. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian/Fundação para a Ciência e a Tecnologia. Bardin, L. (1977). Análise de Conteúdo. Lisboa: Edições 70. Bastos, J. & Bastos, S. (1999). Portugal Multicultural: situação e estratégias identitárias das minorias étnicas. Lisboa: Fim de Século Edições. Bastos, S. & Bastos, J. (2008). Family Dynamics, Uses of Religion and Inter-Ethnic Relations within the Portuguese Cultural Ecology. In Ralph Grillo (Ed.) The Family in Question. Immigrant and Ethnic Minorities in Multicultural Europe. IMISCOE Research, Amesterdão: AmsterdamUniversity Press, (pp ). Bird, S., et al. (2001). Getting your partner to use condoms: Interviews with men and women at risk of HIV/STDs. Journal of Sex Research, 38 (3), Brak-Lamy, G. (1999). Estratégias de sedução heterossexual em contexto urbano nocturno. Acta Portuguesa de Sexologia, Volume II, nº 2, Abril, 1999; Brak-Lamy, G. (2002). Estratégias de sedução femininas em contexto urbano nocturno. Acta Portuguesa de Sexologia, Volume IV, nº 2, Novembro, 2002, pp

iagnóstico de Situação Secundária com 3º Ciclo do Marco de Canaveses

iagnóstico de Situação Secundária com 3º Ciclo do Marco de Canaveses No Marco Sabemos Mais Sobre @ Doenças Sexualmente Transmissíveis / Métodos Contracetivos (SMS@DST) Dia iagnóstico de Situação na Escola Secundária com 3º Ciclo do Marco de Canaveses Realizado pela: ASSOCIAÇÃO

Leia mais

PREVENÇÃO DA SIDA MAIS DE 10 MIL RESPOSTAS!

PREVENÇÃO DA SIDA MAIS DE 10 MIL RESPOSTAS! PREVENÇÃO DA SIDA Não baixar os braços Campanhas de prevenção frequentes, bem dirigidas e sem tabus são armas essenciais na luta contra a propagação da sida. O nosso inquérito a mais de 10 mil pessoas

Leia mais

CESOP. Data /05/2007 Hora do início : Hora do fim : Entrevistador:

CESOP. Data /05/2007 Hora do início : Hora do fim : Entrevistador: Inquérito n.º CESOP Saúde e Sexualidade Versão Masculina (V2) Data /05/2007 Hora do início : Hora do fim : Entrevistador: Chamo-me e trabalho para o Centro de Estudos e Sondagens de Opinião da Universidade

Leia mais

cartões de bolso serié 2 SEXO SEGURO

cartões de bolso serié 2 SEXO SEGURO cartões de bolso serié 2 SEXO SEGURO 1 O que quer dizer sexo seguro? Sexo seguro quer dizer, práticas sexuais responsáveis sem riscos de engravidar, ou de contrair uma infecção transmitida sexualmente,

Leia mais

A última relação sexual

A última relação sexual PARTE G QUESTIONÁRIO AUTO-PREENCHIDO (V1 - M) As próximas perguntas são sobre a sua vida sexual. É muito importante que responda, pois só assim poderemos ter informação sobre os hábitos sexuais da população

Leia mais

Gravidez na adolescência: narrativas da paternidade

Gravidez na adolescência: narrativas da paternidade Gravidez na adolescência: narrativas da paternidade ANTÓNIO MANUEL MARQUES IV CONGRESSO INTERNACIONAL DE SAÚDE, CULTURA E SOCIEDADE Portalegre, Julho 2008 Tópicos Gravidez na adolescência e paternidade

Leia mais

Transcrição de Entrevista nº 5

Transcrição de Entrevista nº 5 Transcrição de Entrevista nº 5 E Entrevistador E5 Entrevistado 5 Sexo Feminino Idade 31 anos Área de Formação Engenharia Electrotécnica e Telecomunicações E - Acredita que a educação de uma criança é diferente

Leia mais

Plano Municipal de Cascais contra a Violência Doméstica 2008-2011

Plano Municipal de Cascais contra a Violência Doméstica 2008-2011 Plano Municipal de Cascais contra a Violência Doméstica 2008-2011 A violência doméstica é um fenómeno complexo que requer uma intervenção concertada e multidisciplinar. 1 PLANO MUNICIPAL CONTRA A VIOLÊNCIA

Leia mais

DIA DA LUTA CONTRA A SIDA 01 DE DEZEMBRO

DIA DA LUTA CONTRA A SIDA 01 DE DEZEMBRO DIA DA LUTA CONTRA A SIDA 01 DE DEZEMBRO Presentemente, a infeçãovih/sida não tem cura e a prevenção é a única medida eficaz. A infeçãovih/sida tem uma história relativamente recente, mas já dramática

Leia mais

A vivência na conjugalidade é todo um processo que engloba outros processos como a intimidade, a vida sexual, o trabalho, a procriação, a partilha

A vivência na conjugalidade é todo um processo que engloba outros processos como a intimidade, a vida sexual, o trabalho, a procriação, a partilha Existe um facto para o qual também devemos dar atenção: o agressor poderá estar numa posição de solidão. Poucos serão os agressores que terão a consciência do problema que têm, a agressividade que não

Leia mais

24 O uso dos manuais de Matemática pelos alunos de 9.º ano

24 O uso dos manuais de Matemática pelos alunos de 9.º ano 24 O uso dos manuais de Matemática pelos alunos de 9.º ano Mariana Tavares Colégio Camões, Rio Tinto João Pedro da Ponte Departamento de Educação e Centro de Investigação em Educação Faculdade de Ciências

Leia mais

1[ ] Muito baixo 2[ ] Baixo 3[ ] Médio 4[ ] Alto 5[ ] Muito alto

1[ ] Muito baixo 2[ ] Baixo 3[ ] Médio 4[ ] Alto 5[ ] Muito alto QUESTIONÁRIO Anexo 1 Este questionário destina-se à realização de um trabalho de investigação na área da educação sendo garantido o total anonimato, confidencialidade e protecção dos seus dados. Se concordar

Leia mais

Construir uma sociedade para todas as idades

Construir uma sociedade para todas as idades Construir uma sociedade para todas as idades O VIH/SIDA e as Pessoas Idosas O VIH/SIDA é um problema mundial de proporções catastróficas. O desafio é enorme, mas não estamos impotentes perante ele. Foi

Leia mais

REPRESENTAÇÕES SOCIAIS DA GRAVIDEZ: A EXPERIÊNCIA DA MATERNIDADE EM INSTITUIÇÃO DADOS SÓCIO-DEMOGRÁFICOS. Idade na admissão.

REPRESENTAÇÕES SOCIAIS DA GRAVIDEZ: A EXPERIÊNCIA DA MATERNIDADE EM INSTITUIÇÃO DADOS SÓCIO-DEMOGRÁFICOS. Idade na admissão. REPRESENTAÇÕES SOCIAIS DA GRAVIDEZ: A EXPERIÊNCIA DA MATERNIDADE EM INSTITUIÇÃO Código Entrevista: 2 Data: 18/10/2010 Hora: 16h00 Duração: 23:43 Local: Casa de Santa Isabel DADOS SÓCIO-DEMOGRÁFICOS Idade

Leia mais

Transcrição da Entrevista - Entrevistado do grupo amostral constituído por indivíduos com orientação heterossexual 5 (online)

Transcrição da Entrevista - Entrevistado do grupo amostral constituído por indivíduos com orientação heterossexual 5 (online) Transcrição da Entrevista - Entrevistado do grupo amostral constituído por indivíduos com orientação heterossexual 5 (online) [Sexo: homem] Entrevistador: Boa tarde. Entrevistado: olá, boa tarde Entrevistador:

Leia mais

Estudo epidemiológico realizado de 4 em 4 anos, em colaboração com a Organização Mundial de Saúde.

Estudo epidemiológico realizado de 4 em 4 anos, em colaboração com a Organização Mundial de Saúde. Mafalda Ferreira, Margarida Gaspar de Matos, Celeste Simões & Equipa Aventura Social Estudo epidemiológico realizado de 4 em 4 anos, em colaboração com a Organização Mundial de Saúde. Objectivo: Conhecer

Leia mais

PROJECTO DE LEI N.º 660/X ESTABELECE O REGIME DE APLICAÇÃO DA EDUCAÇÃO SEXUAL EM MEIO ESCOLAR

PROJECTO DE LEI N.º 660/X ESTABELECE O REGIME DE APLICAÇÃO DA EDUCAÇÃO SEXUAL EM MEIO ESCOLAR PROJECTO DE LEI N.º 660/X ESTABELECE O REGIME DE APLICAÇÃO DA EDUCAÇÃO SEXUAL EM MEIO ESCOLAR Exposição de Motivos A garantia da saúde sexual e reprodutiva na sociedade contemporânea é condição necessária

Leia mais

REPRESENTAÇÕES SOCIAIS DA GRAVIDEZ: A EXPERIÊNCIA DA MATERNIDADE EM INSTITUIÇÃO DADOS SÓCIO-DEMOGRÁFICOS. Idade na admissão.

REPRESENTAÇÕES SOCIAIS DA GRAVIDEZ: A EXPERIÊNCIA DA MATERNIDADE EM INSTITUIÇÃO DADOS SÓCIO-DEMOGRÁFICOS. Idade na admissão. REPRESENTAÇÕES SOCIAIS DA GRAVIDEZ: A EXPERIÊNCIA DA MATERNIDADE EM INSTITUIÇÃO Código Entrevista: 5 Data: 21/10/2010 Hora: 11h00 Duração: 40:46 Local: Casa de Santa Isabel DADOS SÓCIO-DEMOGRÁFICOS Idade

Leia mais

5 ADOLESCÊNCIA. 5.1. Passagem da Infância Para a Adolescência

5 ADOLESCÊNCIA. 5.1. Passagem da Infância Para a Adolescência 43 5 ADOLESCÊNCIA O termo adolescência, tão utilizado pelas classes médias e altas, não costumam fazer parte do vocabulário das mulheres entrevistadas. Seu emprego ocorre mais entre aquelas que por trabalhar

Leia mais

PROJECTO DE LEI N.º 411/VIII DEFINE MEDIDAS DE APOIO SOCIAL ÀS MÃES E PAIS ESTUDANTES. Exposição de motivos

PROJECTO DE LEI N.º 411/VIII DEFINE MEDIDAS DE APOIO SOCIAL ÀS MÃES E PAIS ESTUDANTES. Exposição de motivos PROJECTO DE LEI N.º 411/VIII DEFINE MEDIDAS DE APOIO SOCIAL ÀS MÃES E PAIS ESTUDANTES Exposição de motivos Entende o PCP que é necessário contemplar medidas de apoio social às mães e pais estudantes, no

Leia mais

Política Nacional de Atenção Integral à Saúde do Homem (PNAISH)

Política Nacional de Atenção Integral à Saúde do Homem (PNAISH) Política Nacional de Atenção Integral à Saúde do Homem (PNAISH) 15/07/2011 METALÚRGICO, 26 ANOS Não costumo fazer exame porque sinto meu corpo bom, ótimo. Nunca senti uma dor. Senti uma dor uma vez na

Leia mais

emocional e social do indivíduo por um longo período, inclusive até a idade adulta.

emocional e social do indivíduo por um longo período, inclusive até a idade adulta. Crescimento e Desenvolvimento das Crianças em Contextos Migratórios: Cabo-Verdianos e Descendentes de Cabo- Verdianos no Bairro da Cova da Moura O crescimento e desenvolvimento de um indivíduo são fortemente

Leia mais

ENSINO CURRICULUM NACIONAL. Vírus do Herpes

ENSINO CURRICULUM NACIONAL. Vírus do Herpes Este módulo tem por objectivo ensinar aos alunos o modo como a actividade sexual pode levar à transmissão de micróbios e doenças. O Capítulo 2.3, Infecções Sexualmente Transmissíveis, ensina aos alunos

Leia mais

Escolher o futuro O papel do/a psicólogo/a clínico/a no contexto de intervenção em comunidades socioeconómicas desfavorecidas 1

Escolher o futuro O papel do/a psicólogo/a clínico/a no contexto de intervenção em comunidades socioeconómicas desfavorecidas 1 Escolher o futuro O papel do/a psicólogo/a clínico/a no contexto de intervenção em comunidades socioeconómicas desfavorecidas 1 Mário Jorge Silva (psicólogo clínico) e Marli Godinho (psicóloga clínica)

Leia mais

Instituto de Higiene e Medicina Tropical/IHMT. Fundação Luso Americana para o Desenvolvimento/FLAD. Fundação Portugal - África

Instituto de Higiene e Medicina Tropical/IHMT. Fundação Luso Americana para o Desenvolvimento/FLAD. Fundação Portugal - África Instituto de Higiene e Medicina Tropical/IHMT APOIO: Fundação Luso Americana para o Desenvolvimento/FLAD Casa de Cultura da Beira/CCB CERjovem ATENÇAÕ MULHER MENINA! Fundação Portugal - África RESPOSTAS

Leia mais

OS JOVENS PORTUGUESES E O CONSUMO DE DROGAS

OS JOVENS PORTUGUESES E O CONSUMO DE DROGAS OS JOVENS PORTUGUESES E O CONSUMO DE DROGAS Tema 1, Nº 2 Junho 2001 Margarida Gaspar de Matos e Susana Fonseca Carvalhosa Equipa do Aventura Social e Saúde Estudo realizado em co-financiamento pela Faculdade

Leia mais

QUERO SABER... FIZ O TESTE E DEU ( POSITIVO ) Como é que uma pessoa se pode proteger do VIH/sida?

QUERO SABER... FIZ O TESTE E DEU ( POSITIVO ) Como é que uma pessoa se pode proteger do VIH/sida? Como é que uma pessoa se pode proteger do VIH/sida? Para NÃO APANHAR nas relações intimas e sexuais: 1. Não fazer sexo enquanto não se sentir preparado para usar o preservativo (pode experimentar primeiro

Leia mais

Estudo quantitativo. Fevereiro 2012. Em parceria com

Estudo quantitativo. Fevereiro 2012. Em parceria com Estudo quantitativo Duarte Vilar Fevereiro 2012 Em parceria com CARACTERIZAÇÃO GERAL CARACTERIZAÇÃO DA AMOSTRA 40 35 44,6 Masculino 30 25 55,0 Feminino 20 15 10 5 0 19 E MENOS 20-29 MAIS DE 30 35,0 30,0

Leia mais

Sexualidade na adolescência

Sexualidade na adolescência Sexualidade na adolescência A Saúde dos Adolescentes Portugueses (4 anos depois) Margarida Gaspar de Matos Equipa Aventura Social, FMH e CMDT/ IHMT Janeiro, 26 Relatório Nacional da rede HBSC/ OMS ( 24)

Leia mais

Guião Terceira Sessão Infeções Sexualmente Transmissíveis

Guião Terceira Sessão Infeções Sexualmente Transmissíveis Guião Terceira Sessão Infeções Sexualmente Transmissíveis SLIDE 1 Introdução do trabalho: Bom dia, estamos aqui para falar a cerca das infeções sexualmente transmissíveis, os problemas associados e o modo

Leia mais

EDUCAÇÃO SEXUAL E AFETIVA

EDUCAÇÃO SEXUAL E AFETIVA Nome: N.º: Ano/Turma: A. Lê o texto da página 3, A adolescência, e assinala verdadeiro ou falso. 1. A puberdade é marcada pela entrada em funcionamento dos órgãos sexuais. 2. Os rapazes entram mais cedo

Leia mais

Direcção-Geral da Acção Social

Direcção-Geral da Acção Social Direcção-Geral da Acção Social Núcleo de Documentação Técnica e Divulgação Maria Joaquina Ruas Madeira A Dimensão Social da SIDA: A Família e a Comunidade (Comunicação apresentada nas 1as Jornadas Regionais

Leia mais

Os ritos de iniciação: Identidades femininas e masculinas e estruturas de poder

Os ritos de iniciação: Identidades femininas e masculinas e estruturas de poder Os ritos de iniciação: Identidades femininas e masculinas e estruturas de poder Por Conceição Osório Este texto foi apresentado num encontro que teve lugar em Maputo, em 2015, com parceiros da CAFOD (agência

Leia mais

RELATÓRIO PROJECTO DA TESE DE DOUTORAMENTO EM PSICOLOGIA CLÍNICA O TRABALHO PSICOTERAPÊUTICO NOS CUIDADOS PRIMÁRIOS VIVÊNCIAS DOS UTENTES

RELATÓRIO PROJECTO DA TESE DE DOUTORAMENTO EM PSICOLOGIA CLÍNICA O TRABALHO PSICOTERAPÊUTICO NOS CUIDADOS PRIMÁRIOS VIVÊNCIAS DOS UTENTES RELATÓRIO PROJECTO DA TESE DE DOUTORAMENTO EM PSICOLOGIA CLÍNICA O TRABALHO PSICOTERAPÊUTICO NOS CUIDADOS PRIMÁRIOS VIVÊNCIAS DOS UTENTES Doutoranda: Cecília Rodrigues Medeiros Orientador: Prof. Dr. Rui

Leia mais

Enquanto há vida, há sexualidade! Perspectivas dos profissionais de saúde quanto à comunicação sobre sexualidade em cuidados paliativos

Enquanto há vida, há sexualidade! Perspectivas dos profissionais de saúde quanto à comunicação sobre sexualidade em cuidados paliativos Enquanto há vida, há sexualidade! Perspectivas dos profissionais de saúde quanto à comunicação sobre sexualidade em cuidados paliativos Entrevista de Estudo E06 Sexo Masculino Profissão - Médico Data 6

Leia mais

Escola Secundária com 3º CEB de Coruche EDUCAÇÃO SEXUAL

Escola Secundária com 3º CEB de Coruche EDUCAÇÃO SEXUAL Escola Secundária com 3º CEB de Coruche 0 EDUCAÇÃO SEXUAL INTRODUÇÃO A Educação da sexualidade é uma educação moral porque o ser humano é moral. É, também, uma educação das atitudes uma vez que, com base

Leia mais

A construção identitária das mães adolescentes

A construção identitária das mães adolescentes A construção identitária das mães adolescentes Filomena Gerardo 82 A família é o elemento fundamental para a construção identitária do indivíduo, no momento da adolescência, assim como na infância esta

Leia mais

1/6. State of the World Population 2005, UNFPA 2. State of the World Population 2005, UNFPA 3

1/6. State of the World Population 2005, UNFPA 2. State of the World Population 2005, UNFPA 3 O porquê dos tem as da Saúde Sexual e Reprodutiva de Jovens? Uma questão de direitos humanos e desenvolvimento sustentável A n a S o f i a F e r n a n d e s R e d e P o r t u g u e s a d e J o v e n s

Leia mais

2. REDUZINDO A VULNERABILIDADE AO HIV

2. REDUZINDO A VULNERABILIDADE AO HIV 2. REDUZINDO A VULNERABILIDADE AO HIV 2.1 A Avaliação de risco e possibilidades de mudança de comportamento A vulnerabilidade ao HIV depende do estilo de vida, género e das condições socioeconómicas. Isso

Leia mais

Sexualidades e Afectos

Sexualidades e Afectos Sexualidades e Afectos A Sexualidade está sempre presente... Em todas as fases da vida: antes do nascimento quando bebés em criança na adolescência na juventude na vida adulta na maturidade quando envelhecemos

Leia mais

Sim. Principalmente se a mulher estiver no período fértil.

Sim. Principalmente se a mulher estiver no período fértil. É legal saber! Gravidez Transar uma única vez, pode engravidar? Sim. Principalmente se a mulher estiver no período fértil. Minha menstruação na desceu. Estou grávida? Depende. É importante cada mulher

Leia mais

LEITURA DA ENTREVISTA 2. E Boa tarde. Desde já quero agradecer-lhe a sua disponibilidade para colaborar neste

LEITURA DA ENTREVISTA 2. E Boa tarde. Desde já quero agradecer-lhe a sua disponibilidade para colaborar neste LEITURA DA ENTREVISTA 2 E Boa tarde. Desde já quero agradecer-lhe a sua disponibilidade para colaborar neste trabalho que estou a desenvolver. Como lhe foi explicado inicialmente, esta entrevista está

Leia mais

Projeto de Educação Sexual 2013/2014

Projeto de Educação Sexual 2013/2014 Projeto de Educação Sexual 2013/2014 AGRUPAMENTO DE ESCOLAS DE ARCOZELO Equipa de Educação para a Saúde 1. INTRODUÇÃO O presente projecto, surge para dar cumprimento à lei nº 60/2010 de 6 de Agosto, regulamentada

Leia mais

Transcrição da Entrevista Entrevistado do grupo amostral constituído por indivíduos com orientação homossexual 3 (online)

Transcrição da Entrevista Entrevistado do grupo amostral constituído por indivíduos com orientação homossexual 3 (online) Transcrição da Entrevista Entrevistado do grupo amostral constituído por indivíduos com orientação homossexual 3 (online) [Sexo: mulher] Entrevistador: Olá. Boa noite. Entrevistado: Boa noite!! Peço desculpa

Leia mais

1º,2º, 3º CICLOS E SECUNDÁRIO

1º,2º, 3º CICLOS E SECUNDÁRIO LINHAS ORIENTADORAS PARA OS PROJETOS DE EDUCAÇÃO SEXUAL 1º,2º, 3º CICLOS E SECUNDÁRIO 2011/2015 Página 1 ÍNDICE Página Introdução... 3 Enquadramento legal.. 4 Temas propostos. 5 Competências/Objetivos...

Leia mais

cartões de bolso serié 4 VIH/ SIDA

cartões de bolso serié 4 VIH/ SIDA cartões de bolso serié 4 VIH/ SIDA 1 O que é VIH? É o vírus que causa a SIDA. Vírus é um microbio muito pequeno, que não se consegue ver a olho nu, ou seja, é preciso ajuda de um microscópio. VIH significa:

Leia mais

Glossário M DIA NO CAMPO DE FUTE-

Glossário M DIA NO CAMPO DE FUTE- O HIV (VÍRUS DA IMUNODEFICIÊNCIA HUMANA) É UM VÍRUS QUE DANIFICA O SISTEMA DE DEFESA DO CORPO HUMANO. O HIV INFECTA AS CÉLULAS DO SISTEMA IMU- NOLÓGICO E DESTRÓI O SEU FUNCIONA- MENTO, LEVANDO À "IMUNODEFICIÊNCIA".

Leia mais

CONSUMO DE SUBSTÂNCIAS:

CONSUMO DE SUBSTÂNCIAS: CONSUMO DE SUBSTÂNCIAS: TABACO, ÁLCOOL E DROGAS Setembro 2003 Margarida Gaspar de Matos e Susana Fonseca Carvalhosa Equipa do Aventura Social na Comunidade Estudo em colaboração com a Junta de Freguesia

Leia mais

Delegação da União Europeia em Moçambique

Delegação da União Europeia em Moçambique REPÚBLICA DE MOÇAMBIQUE MINISTÉRIO DOS NEGÓCIOS ESTRANGEIROS E COOPERAÇÃO GABINETE DO ORDENADOR NACIONAL PARA A COOPERAÇÃO MOÇAMBIQUE / UE Delegação da União Europeia em Moçambique REPÚBLICA DE MOÇAMBIQUE

Leia mais

OFICINA: SEXUALIDADE

OFICINA: SEXUALIDADE OFICINA: SEXUALIDADE Daniele Costa Tatiane Fontoura Garcez APRESENTAÇÃO A oficina tem como tema a Sexualidade, será realizado no Instituto Estadual de Educação Bernardino Ângelo, no dia 25/08/2014, segunda-feira,

Leia mais

Saiba o que é a sida, como se transmite, como se pode prevenir e como se trata.

Saiba o que é a sida, como se transmite, como se pode prevenir e como se trata. PORTAL DA SAÚDE Síndroma da Imunodeficiência Adquirida (SIDA) Saiba o que é a sida, como se transmite, como se pode prevenir e como se trata. O que é a sida? A sida (Síndrome da Imunodeficiência Adquirida)

Leia mais

Agenda IGUALAÇORES 2010. Projecto Jovens Açorianos 20 Estratégias pela Igualdade MANIFESTO REGIONAL

Agenda IGUALAÇORES 2010. Projecto Jovens Açorianos 20 Estratégias pela Igualdade MANIFESTO REGIONAL Agenda IGUALAÇORES 2010 Projecto Jovens Açorianos 20 Estratégias pela Igualdade MANIFESTO REGIONAL Numa altura em que a crise económica é tema predominante e em que Portugal surge como o segundo país com

Leia mais

AJUDA DE MÃE. APOIO DO FUNDO SOCIAL EUROPEU: Através do Programa Operacional da Região de Lisboa e Vale do Tejo (PORLVT)

AJUDA DE MÃE. APOIO DO FUNDO SOCIAL EUROPEU: Através do Programa Operacional da Região de Lisboa e Vale do Tejo (PORLVT) AJUDA DE MÃE APOIO DO FUNDO SOCIAL EUROPEU: Através do Programa Operacional da Região de Lisboa e Vale do Tejo (PORLVT) Objectivos: Informar, apoiar, encaminhar e acolher a mulher grávida. Ajudar cada

Leia mais

INSTITUTO PATRÍCIA GALVÃO

INSTITUTO PATRÍCIA GALVÃO INSTITUTO PATRÍCIA GALVÃO Comunicação e Mídia Pesquisa Instituto Patrícia Galvão IBOPE, em parceria com o UNIFEM ATITUDES FRENTE AO CRESCIMENTO DA AIDS NO BRASIL Aumento da AIDS em mulheres está entre

Leia mais

O QUE É SER MÃE ADOLESCENTE PELA PRIMEIRA VEZ? INTRODUÇÃO

O QUE É SER MÃE ADOLESCENTE PELA PRIMEIRA VEZ? INTRODUÇÃO O QUE É SER MÃE ADOLESCENTE PELA PRIMEIRA VEZ? INTRODUÇÃO Esta investigação tem como enfoque o atendimento às gestantes adolescentes primigestas nas equipes de ESF. Visa conhecer o universo destas gestantes

Leia mais

Feminização traz desafios para prevenção da infecção

Feminização traz desafios para prevenção da infecção Feminização traz desafios para prevenção da infecção Por Carolina Cantarino e Paula Soyama A epidemia de Aids no Brasil, em seu início, na década de 1980, se caracterizava por afetar mais os homens. Acreditava-se

Leia mais

DIREITOS SEXUAIS E REPRODUTIVOS

DIREITOS SEXUAIS E REPRODUTIVOS DIREITOS SEXUAIS E REPRODUTIVOS Fonte: IPPF Carta sobre os Direitos em Matéria de Sexualidade e de Reprodução Tradução e Compilação: Conceição Fortes (Consultora IEC) PRESSUPOSTOS: 1 - O direito à saúde

Leia mais

Transcrição de Entrevista n º 22

Transcrição de Entrevista n º 22 Transcrição de Entrevista n º 22 E Entrevistador E22 Entrevistado 22 Sexo Masculino Idade 50 anos Área de Formação Engenharia Electrotécnica E - Acredita que a educação de uma criança é diferente perante

Leia mais

Recursos Humanos. Hotelaria: gestores portugueses vs. estrangeiros

Recursos Humanos. Hotelaria: gestores portugueses vs. estrangeiros Esta é uma versão post print de Cândido, Carlos J. F. (2004) Hotelaria: Gestores Portugueses vs. Estrangeiros, Gestão Pura, Ano II, N.º 7, Abril/Maio, 80-83. Recursos Humanos Hotelaria: gestores portugueses

Leia mais

Direito à Saúde Sexual e Reprodutiva

Direito à Saúde Sexual e Reprodutiva Direito à Saúde Sexual e Reprodutiva O que é a saúde sexual e reprodutiva? A saúde sexual e reprodutiva é uma componente essencial do direito universal ao mais alto padrão de saúde física e mental, consagrado

Leia mais

cartões de bolso serié 3 Transmissão das ITS

cartões de bolso serié 3 Transmissão das ITS cartões de bolso serié 3 Transmissão das ITS 1 O que são ITS? São infecções causadas por vírus, bactérias ou outros micróbios, que se transmitem de pessoas infectadas para outras, através das relações

Leia mais

OFICINAS. A venda é feita nas oficinas, em exposições, no quiosque de O Ninho, etc.

OFICINAS. A venda é feita nas oficinas, em exposições, no quiosque de O Ninho, etc. Espaço de treino e aprendizagem ao trabalho onde as estagiárias (designa-se por estágio o tempo de permanência na Instituição) adquirem hábitos de trabalho e cooperação, imprescindíveis para a sua integração

Leia mais

Eu e a minha sexualidade. 2 de Fevereiro de 2009

Eu e a minha sexualidade. 2 de Fevereiro de 2009 Eu e a minha sexualidade Enf.ª Nádia Gonçalves 2 de Fevereiro de 2009 O QUE É A ADOLESCÊNCIA? É a transição entre a infância e a idade adulta; Etapa essencial da vida que permite ao ser humano conquistar

Leia mais

MOÇAMBIQUE. Principais Resultados

MOÇAMBIQUE. Principais Resultados MOÇAMBIQUE Inquérito Nacional de Prevalência, Riscos Comportamentais e Informação sobre o HIV e SIDA em Moçambique (INSIDA 2009) Principais Resultados O Inquérito Nacional de Prevalência, Riscos Comportamentais

Leia mais

O que são DSTs? Gonorréia e/ou Uretrites não Gonocócicas, Tricomoníase, Candidíase.

O que são DSTs? Gonorréia e/ou Uretrites não Gonocócicas, Tricomoníase, Candidíase. O que são DSTs? DSTs significa, doenças sexualmente transmissíveis, que são passadas nas relações sexuais com pessoas que estejam com essas doenças. São DSTs, a gonorréia, a sífilis, a clamídia, o herpes

Leia mais

Contracepção na Adolescência. Fátima Palma - 2007

Contracepção na Adolescência. Fátima Palma - 2007 Contracepção na Adolescência Fátima Palma - 2007 Os adolescentes são considerados um grupo de risco em termos de saúde sexual e reprodutiva OMS 1980 Educação sexual Cultura, Religião, Industrialização

Leia mais

A felicidade do adolescer

A felicidade do adolescer A felicidade do adolescer Clodolina Martins* Indianara Ramires Machado* Thaisa Dias* Zuleica da Silva Tiago* Desenvolvemos o projeto A felicidade do adolescer: o adolescente conhecendo a si mesmo 1, na

Leia mais

Saúde Escolar. Secretaria Regional da Educação e Formação

Saúde Escolar. Secretaria Regional da Educação e Formação Saúde Escolar Secretaria Regional da Educação e Formação «Um programa de saúde escolar efectivo é o investimento de custo-benefício mais eficaz que um País pode fazer para melhorar, simultaneamente, a

Leia mais

O que é brincar e como se diferencia das outras actividades?

O que é brincar e como se diferencia das outras actividades? i dos Pais Temas O Brincar Todas as crianças são únicas e diferentes das outras, sendo que as suas diferenças individuais parecem estar diretamente associadas com a sua maneira de brincar e a imaginação

Leia mais

Agradecimentos (por ordem alfabética):

Agradecimentos (por ordem alfabética): Agradecimentos (por ordem alfabética): Alexandra Esteves (ECAV/UTAD) Alexandra Sanfins (FMV/ULHT) Américo Dias (ESE/IPPorto) Ana Allen Gomes (DCE/UAveiro) Ângela Maia (EP/Uminho) Célia Alves (ESPAB, Sines)

Leia mais

Introdução teórica: O VIH é adquirido durante a vida e vai provocar uma falência do sistema imunitário produzindo assim a síndrome. A Sida é, então, a Síndrome de Imunodeficiência Humana Adquirida: S:

Leia mais

INQ Já alguma vez se sentiu discriminado por ser filho de pais portugueses?

INQ Já alguma vez se sentiu discriminado por ser filho de pais portugueses? Transcrição da entrevista: Informante: nº15 Célula: 5 Data da gravação: Agosto de 2009 Geração: 2ª Idade: 35 Sexo: Masculino Tempo de gravação: 10.24 minutos INQ Já alguma vez se sentiu discriminado por

Leia mais

APANHA O VIH. Da mãe que tem o VIH para o bebé

APANHA O VIH. Da mãe que tem o VIH para o bebé APANHA O VIH 1 - Como é que se apanha o vírus que causa a SIDA (VIH)? Nas RELAÇÕES SEXUAIS sem usar o preservativo porque o esperma (homem), os líquidos da vagina (mulher) ou alguma ferida podem estar

Leia mais

Anexo 1 Profissões Especificadas

Anexo 1 Profissões Especificadas Anexo 1 Profissões Especificadas Profissão N % Estudante Desempregada Trabalhadora-Estudante Psicóloga Enfermeira Engenheira Vendedora Professora Investigadora Jornalista Advogada Escriturária Assistente

Leia mais

POLÍTICA DE HIV/SIDA DA HELVETAS MOÇAMBIQUE

POLÍTICA DE HIV/SIDA DA HELVETAS MOÇAMBIQUE Helvetas Swiss Association for International Cooperation / Schweizer Gesellschaft für internationale Zusammenarbeit / Association suisse pour la coopération internationale Associação suíça para a cooperação

Leia mais

Orientação Técnica para Propostas do Fundo Mundial para a Série 8. Prevenção

Orientação Técnica para Propostas do Fundo Mundial para a Série 8. Prevenção Orientação Técnica para Propostas do Fundo Mundial para a Série 8 Prevenção BCC (Comunicação para Alteração de Comportamento) cobertura comunitária e escolas Fundamentação lógica para incluir as SDA (Área

Leia mais

Tema 1, Nº 1 Junho 2001

Tema 1, Nº 1 Junho 2001 Tema 1, Nº 1 Junho 2001 Margarida Gaspar de Matos e Susana Fonseca Carvalhosa Equipa do Aventura Social e Saúde Estudo realizado no âmbito do protocolo entre a Faculdade de Motricidade Humana e o Gabinete

Leia mais

Transcrição de Entrevista nº 14

Transcrição de Entrevista nº 14 Transcrição de Entrevista nº 14 E Entrevistador E14 Entrevistado 14 Sexo Feminino Idade 50anos Área de Formação Engenharia Electrotécnica e dos Computadores Professor Ensino Superior - Investigação E -

Leia mais

CAPÍTULO I - Visão geral

CAPÍTULO I - Visão geral CÓDIGO DEONTOLÓGICO DO TÉCNICO SUPERIOR DE EDUCAÇÃO SOCIAL Preâmbulo: O presente Código Deontológico procura estabelecer alguns princípios e algumas regras, no quadro de uma ética profissional, que devem

Leia mais

IDENTIFICAÇÃO DA ASSOCIAÇÃO AUCV ASSOCIAÇÃO UNIDOS DE CABO VERDE, IPSS 96/85. Número de Pessoa Colectiva: 501 417 303 TELEFONE: 21 492 41 77

IDENTIFICAÇÃO DA ASSOCIAÇÃO AUCV ASSOCIAÇÃO UNIDOS DE CABO VERDE, IPSS 96/85. Número de Pessoa Colectiva: 501 417 303 TELEFONE: 21 492 41 77 1 IDENTIFICAÇÃO DA ASSOCIAÇÃO AUCV ASSOCIAÇÃO UNIDOS DE CABO VERDE, IPSS 96/85 SEDE RUA MÁRIO VIEGAS, Nº 1 CASAL DE SÃO BRÁS 2700-899 AMADORA TELEFONE: 21 492 70 71 FAX: 21 492 70 71 E-MAIL: unidoscaboverde@gmail.com

Leia mais

A violência, e em particular a violência doméstica, constitui um desses velhos / novos problemas para o qual urge encontrar novas soluções.

A violência, e em particular a violência doméstica, constitui um desses velhos / novos problemas para o qual urge encontrar novas soluções. A justiça restaurativa no combate à violência doméstica O final de uma legislatura é, certamente, um tempo propício para a realização de um balanço de actividades. Pode constituir-se como convite à avaliação

Leia mais

Método cem por cento garantido. Práticas de sexo seguro nas relações homoeróticas entre mulheres de segmentos médios em Porto Alegre

Método cem por cento garantido. Práticas de sexo seguro nas relações homoeróticas entre mulheres de segmentos médios em Porto Alegre Método cem por cento garantido. Práticas de sexo seguro nas relações homoeróticas entre mulheres de segmentos médios em Porto Alegre Por Nádia Elisa Meinerz Resumo: Esse artigo aborda as práticas de sexo

Leia mais

QUESTIONÁRIO DE AVALIAÇÃO INICIAL - HOMEM VIH POSITIVO

QUESTIONÁRIO DE AVALIAÇÃO INICIAL - HOMEM VIH POSITIVO INSTRUÇÕES PARA A EQUIPA DO ESTUDO: Após inscrição no estudo, os participantes devem preencher este questionário de avaliação inicial. Certifique-se de que é distribuído o questionário adequado. Após o

Leia mais

interpares ajuda editorial NADA SOBRE NÓS, SEM NÓS 02 Outubro 2007 Desde que o documento, Direitos e Necessidades das Pessoas com

interpares ajuda editorial NADA SOBRE NÓS, SEM NÓS 02 Outubro 2007 Desde que o documento, Direitos e Necessidades das Pessoas com ajuda 02 Outubro 2007 interpares NADA SOBRE NÓS, SEM NÓS editorial Desde que o documento, Direitos e Necessidades das Pessoas com Experiência de Doença Mental, elaborado pela Rede Nacional de Pessoas com

Leia mais

APROVEITE AS SUAS CONSULTAS PARA INFORMAR SOBRE O PLANEAMENTO FAMILIAR REPÚBLICA DE MOÇAMBIQUE MINISTÉRIO DA SAÚDE

APROVEITE AS SUAS CONSULTAS PARA INFORMAR SOBRE O PLANEAMENTO FAMILIAR REPÚBLICA DE MOÇAMBIQUE MINISTÉRIO DA SAÚDE APROVEITE AS SUAS CONSULTAS PARA INFORMAR SOBRE O PLANEAMENTO FAMILIAR REPÚBLICA DE MOÇAMBIQUE MINISTÉRIO DA SAÚDE ACONSELHE SOBRE OS BENEFÍCIOS DO PLANEAMENTO FAMILIAR Permite aos casais tomarem decisões

Leia mais

Silencioso. mas. Implacável

Silencioso. mas. Implacável Silencioso mas Implacável Autores Acácio Diniz Ana Fonte Ana Francisco André Coutinho Carla Monteiro Diana Ferreira Luís Dinis Luís Francisco Patrícia Filipe Paula dos Santos Pedro Cardeira Ricardo Santos

Leia mais

POSIÇÃO COMUM AFRICANO SOBRE ACABAR COM O CASAMENTO INFANTIL

POSIÇÃO COMUM AFRICANO SOBRE ACABAR COM O CASAMENTO INFANTIL AFRICAN UNION UNION AFRICAINE UNIÃO AFRICANA Addis Ababa, ETHIOPIAP. O. Box 3243Telephone +251 11 5517 700 Fax : 00251 11 5517844 www.au.int POSIÇÃO COMUM AFRICANO SOBRE ACABAR COM O CASAMENTO INFANTIL

Leia mais

ÍNDICE GERAL. 2.1. VIH/sida no Mundo... 40 2.2. VIH/sida em Portugal... 42

ÍNDICE GERAL. 2.1. VIH/sida no Mundo... 40 2.2. VIH/sida em Portugal... 42 ÍNDICE GERAL PREFÁCIO... 9 APRESENTAÇÃO... 11 1ª PARTE: ENQUADRAMENTO TEÓRICO INTRODUÇÃO... 15 CAPÍTULO 1 OS ADOLESCENTES E OS JOVENS ADULTOS... 19 1.1. Limites temporais da adolescência... 20 1.2. Puberdade

Leia mais

Caixa de dúvidas Núcleo de Estágio de Ciências Físico-Químicas FCT-UNL

Caixa de dúvidas Núcleo de Estágio de Ciências Físico-Químicas FCT-UNL Caixa de dúvidas Núcleo de Estágio de Ciências Físico-Químicas FCT-UNL Algumas das dúvidas colocadas Eu gostava de saber o que é a virgindade. Ser virgem é algo sentido individualmente, é um conceito muito

Leia mais

Situação dos migrantes e seus descendentes directos no mercado de trabalho MANUAL ENTREVISTADOR

Situação dos migrantes e seus descendentes directos no mercado de trabalho MANUAL ENTREVISTADOR DEPARTAMENTO DE ESTATÍSTICAS DEMOGRÁFICAS E SOCIAIS SERVIÇO DE ESTATÍSTICAS DEMOGRÁFICAS Situação dos migrantes e seus descendentes directos no mercado de trabalho MANUAL DO ENTREVISTADOR Março 2008 2

Leia mais

Sexualidade na Adolescência

Sexualidade na Adolescência Sexualidade na Adolescência Adolescer é um contínuo nascer. Adolescer habita no crescer adolescer transpira o viver. É preciso acolher o adolescer Acolher para facilitar o conhecer. Acolher para não precisar

Leia mais

a escola e o mundo do trabalho XVII colóquio afirse secção portuguesa

a escola e o mundo do trabalho XVII colóquio afirse secção portuguesa . INÁCIO, Maria Joana SALEMA, Maria Helena Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa RESUMO Aprender a aprender constitui-se como uma das competências essenciais para a aprendizagem ao longo da vida,

Leia mais

ACTIVIDADES ESCOLA Actividades que a SUA ESCOLA pode fazer

ACTIVIDADES ESCOLA Actividades que a SUA ESCOLA pode fazer ACTIVIDADES ESCOLA Actividades que a SUA ESCOLA pode fazer Crianças e jovens numa visita de estudo, Moçambique 2008 Produzir materiais informativos sobre cada um dos temas e distribuir em toda a escola

Leia mais

Questionário Sociodemográfico e Clínico

Questionário Sociodemográfico e Clínico Questionário Sociodemográfico e Clínico dados pessoais do sujeito: data: local: contacto telef.: nome: idade: naturalidade: estado civil: S C UF D V outros: escolaridade (nº anos c/ sucesso): habilitações

Leia mais

O poder de 1,8 mil milhões: Adolescentes, Jovens e a Transformação do Futuro

O poder de 1,8 mil milhões: Adolescentes, Jovens e a Transformação do Futuro O poder de 1,8 mil milhões: Adolescentes, Jovens e a Transformação do Futuro 1 O poder de 1,8 mil milhões: Adolescentes, Jovens e a Transformação do Futuro 2 1. Estrutura do Relatório Prefácio Mensagem

Leia mais

A SituAção da 2015 PAternidAde no Mundo: resumo e recomendações

A SituAção da 2015 PAternidAde no Mundo: resumo e recomendações Situação a 2015 aternidade o Mundo: esumo e ecomendações ais são importantes. As relações pai-filho/a, em todas as comunidades e em todas as fases da vida de uma criança, têm impactos profundos e abrangentes

Leia mais

Transcrição de Entrevista nº 4

Transcrição de Entrevista nº 4 Transcrição de Entrevista nº 4 E Entrevistador E4 Entrevistado 4 Sexo Masculino Idade 43 anos Área de Formação Engenharia Electrotécnica E - Acredita que a educação de uma criança é diferente perante o

Leia mais

EXPOSIÇÃO DE RISCO DOS PARTICIPANTES DO PROJETO UEPG-ENFERMAGEM NA BUSCA E PREVENÇÃO DO HIV/AIDS

EXPOSIÇÃO DE RISCO DOS PARTICIPANTES DO PROJETO UEPG-ENFERMAGEM NA BUSCA E PREVENÇÃO DO HIV/AIDS 1 ÁREA TEMÁTICA: ( ) COMUNICAÇÃO ( ) CULTURA ( ) DIREITOS HUMANOS E JUSTIÇA ( ) EDUCAÇÃO ( ) MEIO AMBIENTE ( X ) SAÚDE ( ) TRABALHO ( ) TECNOLOGIA EXPOSIÇÃO DE RISCO DOS PARTICIPANTES DO PROJETO UEPG-ENFERMAGEM

Leia mais

NÃO. não temos especialistas nunca pensámos nisso. não é necessário não temos conhecimento de base

NÃO. não temos especialistas nunca pensámos nisso. não é necessário não temos conhecimento de base Anexos QUESTIONÁRIO DIAGNÓSTICO EDUCAÇÃO AFECTIVO-SEXUAL Adaptado do projecto de investigação European Standards in Adapted Physical Activities (EUSAPA) Informação geral da instituição de reabilitação

Leia mais

VIOLÊNCIA NA ESCOLA:

VIOLÊNCIA NA ESCOLA: VIOLÊNCIA NA ESCOLA: VÍTIAS, PROVOCADORES E OUTROS Tema 2, Nº 1 Setembro 2001 argarida Gaspar de atos e Susana onseca Carvalhosa Equipa do Aventura Social e Saúde Estudo realizado em co-financiamento pela

Leia mais