MANUAL DO FACILITADOR

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1 MANUAL DO FACILITADOR PARA A PRODUÇÃO DE MATERIAL DE INFORMAÇÃO, EDUCAÇÃO E COMUNICAÇÃO IEC JUNTO DE GRUPOS MAIS VULNERÁVEIS ÀS IST/VIH/SIDA MARIA TERESA SILVA SANTOS

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3 MANUAL DO FACILITADOR PARA A PRODUÇÃO DE MATERIAL DE INFORMAÇÃO, EDUCAÇÃO E COMUNICAÇÃO IEC JUNTO DE GRUPOS MAIS VULNERÁVEIS ÀS IST/VIH/SIDA MARIA TERESA SILVA SANTOS

4 Título Manual do Facilitador Para a Produção de Material de Informação, Educação e Comunicação IEC Junto de Grupos mais Vulneráveis às IST/VIH/Sida Autor Maria Teresa Silva Santos Projecto gráfico original e paginação Ana Moreira Ilustrações Rui Fazenda 2011 Maria Teresa Silva Santos

5 Este Manual foi elaborado por Maria Teresa Santos no âmbito do Projecto Centro de Recursos Integrados de Atenção à Saúde CRIAS, da Cidadãos do Mundo. O Manual contou com o apoio da equipa do projecto: Ana Filgueiras, Ethel Feldman, e Renata Cortizo, que ao longo da testagem, que veio a realizar-se com o trabalho de campo, foram promovendo discussões e comentários que viriam a ser abraçados pelo Manual. A fotografia que acompanha o Manual foi gentilmente cedida por Ricardo Alves Júnior.

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7 Índice Abreviaturas 7 Introdução 9 1. Metodologia 11 Princípios norteadores 13 Etapas a seguir pela equipa de facilitação Trabalho De Campo Preparatório 21 Encontro de trabalho com as ONGs, instituições e organismos que trabalham com a comunidade com quem se vai trabalhar 23 Sessão preparatória com Associações, ONGs ou organismos com quem a sua equipa espera trabalhar no terreno Trabalho de campo com os grupos focais 39 1ª Sessão Apresentação do projecto ao grupo focal 41 2ª Sessão Identificação das necessidades de informação dos grupos mais vulneráveis 45 3ª Sessão Identificação de necessidades de adopção de comportamentos seguros 49 4ª Sessão que conteúdos? 53 5ª Sessão que conteúdos? Ilustrar ou não? 57 6 ª sessão que meio IEC? 61 7ª Sessão Revisão das ilustrações 65

8 Produção de um exemplar do material IEC a ser produzido 69 8ª sessão Testagem de um exemplar do material junto dos grupos em referência 71 9ª sessão Testagem do material junto de actores chaves da comunidade Ilustrações de apoio às sessões 79 Referências bibliográficas 87

9 Abreviaturas CRIAS IEC ISTs ONGs PALOP SIDA VIH Centro de Recursos Integrados de Atenção à Sida Informação, Educação e Comunicação Infecções Sexualmente Transmissíveis Organizações Não Governamentais Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa Síndrome de Imunodeficiência Adquirida Vírus de Imunodeficiência humana

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11 Introdução Este manual surgiu como uma forma de apoiar a equipa do projecto CRIAS na produção de material de Informação, Educação e Comunicação IEC, na área das IST/VIH/Sida, adequado e eficaz para a população imigrante, com origem nos PALOP. Com a publicação deste manual pretende-se partilhar um instrumento que demonstrou ser uma ferramenta de apoio útil e que poderá ser relevante na produção de material de IEC adequado e eficaz, junto de outros grupos mais vulneráveis às IST/VIH/Sida. Este manual não deve ser entendido como um instrumento rígido, mas flexível, e acima de tudo adaptável às necessidades e circunstâncias que encontrar no seu trabalho. Assim, quando em vez de uma sessão a equipa sentir necessidade de realizar duas, ou quando a dinâmica de grupo correr o risco de se mostrar inadequada procure em conjunto com as pessoas desse grupo específico e com a equipa com quem trabalha soluções mais adequadas. Bom trabalho!

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13 1. Metodologia

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15 Princípios norteadores O processo de produção de material IEC apresentado por este manual é norteado pelos seguintes princípios: Abordagem participativa: Assegurando que os grupos populacionais aos quais se destinam os instrumentos de IEC são de facto envolvidos, desde o início, no processo de produção do material. Para o efeito o uso de metodologias participativas é uma prioridade. A participação garante que as dúvidas reais e os constrangimentos das pessoas sejam ouvidos, debatidos e trabalhados em conjunto 1. Por exemplo, se numa sessão de informação sobre VIH/sida, se limitar a falar na importância do uso do preservativo sem ouvir as pessoas, ficará sem saber que as pessoas podem já saber que é importante usar preservativo, mas que existem outros constrangimentos que bloqueiam o seu uso. De facto, sem a participação das pessoas, sem as ouvir, ficará sem saber quais os constrangimentos, como solucioná-los e o problema do uso não consistente do preservativo perdurará. Uma forma possível de garantir a participação das pessoas passa pela criação de grupos focais, ou grupos de pares, com integrantes dos grupos específicos, para quem o material de IEC é concebido. 2 Tomada de consciência Procure, tanto quanto possível, que o percurso de tomada de consciência seja realizado pelo próprio participante do grupo focal. Isto é, não assuma quais devem ser os aspectos importantes que deverão ser tomados em conta pelo grupo. Em vez disso, procure que através de uma caminhada conjunta, o grupo vá tomando consciência

16 16 manual do facilitador da importância de determinado aspecto. Por exemplo, no caso da experiência do CRIAS, na primeira sessão com o grupo focal, o facilitador poderia simplesmente informar o grupo que o processo de produção de material de IEC era importante, porque os imigrantes com origem nos PALOP residentes em Portugal, estavam mal informados, já que havia pouco material de IEC adequado. Em vez disso, foi o próprio grupo quem tomou consciência da importância de produzir material de IEC através do uso adequado de técnicas da facilitação. Um aspecto fundamental deste processo, é que o próprio grupo tome consciência das proporções da pandemia e da importância da produção de material IEC adequado, que reconheça as vulnerabilidades e características próprias do seu contexto económico, social, cultural, linguístico e de género. 3 Constituição de grupos focais ou grupos de pares Os grupos focais, deverão ser constituídos por pessoas com condições individuais, de género, idade, sociais, culturais e económicas semelhantes. 4 Como levar uma mulher a falar da sua sexualidade diante de homens, ou como levar os mais jovens a falar da sua sexualidade diante de pessoas mais velhas da sua comunidade? Como falar da importância do uso do preservativo, se algumas pessoas do grupo têm condições económicas para comprar preservativos e outras não? A constituição dos grupos focais com características semelhantes é essencial para promover a participação das pessoas e envolvê-las no processo de produção do material. Desta forma, é assegurado que o material produzido é adequado às condições económicas, de género, de idade, sociais e culturais. Sem esta adequabilidade o material não é eficaz, ou seja, não produz os efeitos desejados ao nível da alteração de comportamentos. Equipa de facilitação A equipa de facilitação deve ser constituída por um facilitador e por um anotador. 5 Ao anotador compete tirar notas, ao longo da sessão de facilitação, que permitam: a. à equipa reflectir sobre os resultados obtidos na sessão; b. melhorar o trabalho futuro do facilitador; c. contribuir para a sistematização das experiências; d. contribuir para a identificação de boas práticas, ao nível do trabalho desenvolvido.

17 maria teresa silva santos 17 Ao facilitador compete dinamizar e facilitar o trabalho do grupo focal. Os facilitadores deverão possuir já um conhecimento prévio dos factores e condições de vulnerabilidade, que cercam essas populações específicas com quem vai trabalhar. No entanto, este conhecimento deve ser assumido com cautela, porque a participação das pessoas contribuirá de forma definitiva para compreender os reais factores de vulnerabilidade: a sua extensão e relevância na problemática discutida e na vida das pessoas. 6 Outro aspecto que importa sublinhar está relacionado com a importância da estabilidade da equipa de facilitação. Deverá, tanto quanto possível, ser sempre a mesma equipa a acompanhar as sessões com os grupos focais: ao longo do processo de produção de material IEC (ex: identificação das necessidades de informação, das estratégias capazes de promover a adopção de comportamentos seguros, conteúdo das mensagens, ilustrações, etc.); mas também durante o processo de testagem. A estabilidade ao nível da equipa de facilitadores que trabalha com o grupo focal está ligada à importância da confiança, que é um factor indispensável numa área tão sensível, como a que envolve a sexualidade das pessoas. A partilha de experiências pessoais, e até mesmo o conhecimento que as pessoas têm sobre o VIH/Sida, os seus medos e constrangimentos, implicam um clima de confiança e de confidencialidade. 7 Indispensável, a confiança é, no entanto, um elemento que leva o seu tempo a conquistar. A estabilidade da equipa contribui para optimizar este tempo. Importância do trabalho em equipa A coordenação é um elemento indispensável, para analisar resultados, sistematizar progressos, ultrapassar dificuldades e encontrar soluções óptimas, não só entre diferentes equipas de facilitação, mas também na própria equipa de facilitação. Na equipa de facilitação, a coordenação passa pela preparação conjunta da sessão. Facilitador e anotador devem discutir de antemão a metodologia da sessão, analisar e debater os resultados alcançados, discutir a reacção do grupo à facilitação e encontrar estratégias que sejam do consenso de ambos para trabalhar com o grupo focal. 8

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19 Etapas a seguir pela equipa de facilitação As etapas a seguir pela equipa de facilitação, para a produção de material de IEC podem compreender um ou dois momentos diferentes: 1. trabalho de campo preparatório; 2. trabalho de campo com os grupos focais. 1. O trabalho de campo preparatório Neste momento, a preocupação da equipa consiste em identificar associações, ONGs, e organismos que já trabalham com a comunidade com quem a sua organização espera vir a trabalhar, na produção de material IEC de atenção às IST/VIH/sida. Este momento vai permitir identificar relações de complementaridade e evitar duplicações. 9 Depois de realizado este levantamento, a sua organização estará melhor informada sobre que áreas geográficas e que grupos já têm apoio por parte de outras instituições e que áreas ou grupos estão menos apoiados. Este trabalho permite também aprender a partir das experiências de outras instituições, no trabalho que realizam com os grupos com quem a sua organização vai trabalhar, na área das IST/VIH/sida. Por último, e caso a sua organização não tenha ainda estabelecidas relações prévias com a comunidade com quem vai trabalhar, este momento tem ainda a vantagem de criar condições para o estabelecimento de parcerias com associações, organismos ou ONGs que já estejam no terreno, facilitando o trabalho de aproximação entre a sua organização e a comunidade. Por exemplo, certa associação já tem um longo trabalho desenvolvido com

20 20 manual do facilitador determinada comunidade, é aliás frequente reunir-se com membros dessa comunidade uma vez por semana. Neste caso, a sua associação pode beneficiar do facto de já estar constituído um grupo, cuja rotina está também estabelecida. A parceria com a associação permitirá optimizar tempo e recursos. No entanto, se já tiver uma comunidade específica com quem costuma desenvolver o seu trabalho, e estiver informado sobre as actividades realizadas por outros parceiros, então estará em condições de passar directamente para o trabalho de campo com o grupo focal. 2. Trabalho de campo com o grupo focal É possível que tenha realizado primeiro o trabalho preparatório com outras ONGs, associações, ou organismos ou que tenha optado por ir directamente para o trabalho de campo com o grupo focal. Em qualquer dos casos, o importante, chegado a este momento, é que esteja seguro relativamente aos temas e assuntos que vai tratar, pois, quando se opta por seguir metodologias de facilitação e participação, as dúvidas são, em princípio, mais facilmente colocadas pelos participantes. No entanto, se não souber responder à questão colocada, assuma que precisa de procurar a informação necessária. Outro aspecto importante que deve ter em conta ao longo de todo o processo, está relacionado com o trabalho de reflexão e partilha que deve ser constante com o anotador que acompanha a sessão e com outras equipas de facilitação, se for o caso. Prepare e discuta a sessão previamente: as etapas, a linguagem, as expectativas, problemas, soluções encontradas, entre outros aspectos possíveis. Lembre-se também que depois de realizada a sessão, é importante discutir e reflectir sobre os resultados alcançados. 10 Por último, vai provavelmente notar, que em alguns casos, será difícil manter um grupo focal durante o tempo necessário para a conclusão de todo o processo de produção de material de IEC. As pessoas têm outros compromissos, que podem ser familiares ou profissionais, e já que falamos em grupos mais vulneráveis, é importante não esquecermos que um dos factores de maior vulnerabilidade está relacionado com a pobreza. O tempo que passam na sessão, é o mesmo tempo que poderiam ocupar realizando outras actividades, 11 algumas até, possivelmente, geradoras de rendimentos. Trate o tempo como um bem precioso para estas pessoas. Vistas como um todo, as etapas a seguir pela equipa de facilitação, na produção de material de IEC, compreendem:

21 maria teresa silva santos 21 Trabalho de campo preparatório Realização de um encontro com o objectivo de proceder a um primeiro diagnóstico das necessidades da comunidade com quem vai trabalhar, em termos de material de IEC. Aproveite também, para fazer um levantamento das sinergias a criar e das duplicações a evitar, com outras instituições que já estejam no terreno a trabalhar com essa comunidade; Sessão Preparatória com o objectivo de confirmar o interesse por parte da ONG ou Associação parceira, e de estabelecer um Protocolo de Parceria. Trabalho de campo com os grupos focais Sessão 1/ Apresentação do projecto ao grupo focal; Sessão 2/ Identificação das necessidades de informação; Sessão 3/ Identificação das necessidades de adopção de comportamentos seguros; Sessão 4/ Identificação dos conteúdos da(s) mensagem(ns); Sessão 5/ Definição das ilustrações de suporte à(s) mensagem(ns); Sessão 6/ Selecção do suporte da(s) mensagem(ns); Produção de um exemplar do material IEC (mensagem + meio IEC); Sessão 7/ Revisão das ilustrações; Sessão 8/ Testagem do material junto de um grupo de controlo; Sessão 9/ Testagem do material junto de actores chaves da comunidade.

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23 2. Trabalho De Campo Preparatório

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25 Encontro de trabalho com as ONGs, instituições e organismos que trabalham com a comunidade com quem vai trabalhar Este encontro está organizado para decorrer ao longo de um dia. As sessões de plenário só têm sentido, se o número de participantes justificar a constituição de dois grupos de trabalho.!"#$%&'()*+&+)'$,&(-./0()1)(23'$+ Objectivos: sublinhar a importância da oficina para a produção de material de IEC eficaz e adequado; apresentar a metodologia a seguir; apresentar os facilitadores e convidar os participantes a apresentarem-se. Material necessário: flip chart. Tempo: 30 minutos. Tarefas para o facilitador coordenador: 1. Sente-se em círculo com os participantes. 2. Recorrendo a uma caixa de fósforos, convide cada participante a apresentar-se, durante o tempo em que um fósforo leva a arder. 3. Faça uma breve introdução ao projecto que consiste na produção de material de IEC.

26 26 manual do facilitador 4. Dê um exemplo de material eficaz e outro exemplo de material não eficaz, com o objectivo de realçar a importância da produção de material IEC adequado. 5. Clarifique o grupo acerca dos objectivos que determinarão a realização da oficina: realização de um diagnóstico exploratório das necessidades de material IEC de determinada comunidade, contando para o efeito com a experiência e conhecimento das ONGs, associações e organismos presentes; identificação de sinergias; evitação de duplicações. 6. Apresente a metodologia que irá nortear a condução da sessão: abordagem participativa, valorizando a importância de todos falarem; através da constituição de grupos de trabalho. 7. Informe sobre as diferentes fases da oficina, recorrendo a uma folha de flip chart previamente preparada. Da folha, devem constar as seguintes etapas: plenário para introdução à oficina; identificação dos grupos mais vulneráveis, por zona geográfica; identificação dos meios mais eficazes para alterar comportamentos por parte dos grupos vulneráveis identificados; plenário para discussão das conclusões saídas dos diferentes grupos de trabalho; identificação de duplicações (trabalho desenvolvido por outras instituições, na mesma área, com o mesmo fim); projecção de formas futuras de colaboração e calendarização; plenário para resumo das conclusões e para recolha da reacção dos participantes, relativamente à oficina. 8. Esclareça que a próxima etapa será trabalhada a partir de grupos de trabalho mais pequenos, convidando por isso os grupos a formarem-se.

27 maria teresa silva santos 27 4-#$,'23+/0()-(5)6&.*(5)7+'5)8."$#&%8#'5 Este exercício é realizado em cada grupo de trabalho, constituído no final da sessão anterior. Objectivo: identificar os grupos mais vulneráveis por comunidade (género, idade, actividade profissional, outros). Materiais necessários: flip chart; tarjetas; bostik; canetas de feltro de bico grosso. Tempo: 60 minutos. Tarefas para o facilitador: 1. Sente-se, formando um círculo com os restantes participantes. 2. Convide os participantes a formarem-se em grupos de dois, com o objectivo de se apresentarem mutuamente (por exemplo: nome, organização em que trabalham, tarefas que desempenham, outros). 3. Findos cinco minutos, solicite a cada par, que partilhe a informação recolhida sobre o colega, ao restante grupo. 4. Esclareça que o primeiro momento do trabalho de grupo vai consistir na identificação dos grupos mais vulneráveis na zona geográfica onde residem ou trabalham, os técnicos, ou activistas que participam neste grupo de trabalho. 5. Divida o grupo em grupos mais pequenos de três ou quatro pessoas. Peça a cada um destes pequenos grupos de trabalho, que identifique os grupos que considera mais vulneráveis na zona geográfica onde residem ou trabalham (podendo ser um ou mais). Atribua quinze minutos à discussão de grupo. O grupo deve registar os resultados em tarjetas. 6. Os grupos são convidados a colocar as respectivas tarjetas no flip chart e a explicar aos restantes participantes, porque razão identificaram aqueles grupos como sendo mais vulneráveis. 7. De seguida, convide os grupos a reflectirem sobre todas as tarjetas colocadas. 8. Depois de cada grupo ter manifestado a sua opinião, coloque questões com o objectivo de clarificar os resultados. 9. Por último, isole numa folha à parte, os grupos mais vulneráveis que saíram da discussão conjunta e que receberam o consenso do grupo.

28 28 manual do facilitador 4-#$,'23+/0() -(5) 7#'(5) -#) 49:) 7+'5) #23+;#5) *+&+) +) *&(7(- ção de comportamentos seguros, junto dos grupos vulneráveis '-#$,'23+-(5 Este exercício é realizado em cada grupo de trabalho. Objectivo: identificar quais os meios de IEC mais eficazes, para os grupos vulneráveis considerados no trabalho anterior. Material necessário: flip chart; caneta de feltro; material de IEC já existente; bostick. Tempo: 60 minutos. Tarefas para o facilitador: 1. Tome como ponto de partida, a folha de flip chart em que ficou registado o consenso do grupo relativamente aos grupos mais vulneráveis à infecção por VIH/sida, da zona geográfica em referência. 2. Faça um breve resumo da importância do material de IEC para a adopção de comportamentos seguros. 3. Mostre um conjunto de material IEC existente, faça-o circular e peça ao grupo que analise se o material é adequado aos grupos vulneráveis já identificados, ou não. Se considerado adequado, o participante deve retirá-lo do dossier onde todos os materiais estão reunidos. São atribuídos quinze minutos a esta tarefa. 4. Convide cada um dos participantes a apresentar ao restante grupo, os motivos porque seleccionou o material. 5. Explore e procure o consenso do grupo sobre a adequabilidade do material que foi sendo escolhido. 6. Depois de concluída esta discussão, coloque numa folha de flip chart os materiais de IEC que foram do consenso do grupo. 7. De seguida, solicite que sejam identificados outros meios de IEC que possam ser ainda mais eficazes, tendo em consideração os grupos vulneráveis identificados. Solicite que seja identificado apenas um meio de IEC por tarjeta. Atribua quize minutos a esta tarefa.

29 maria teresa silva santos Convide os participantes a colocarem as tarjetas no flip chart e a explicarem ao grupo, as razões que os levaram a escolher os meios IEC identificados. 9. Depois de afixadas, problematize os resultados das tarjetas, colocando questões que levem o grupo a atingir um consenso. 10. Coloque as tarjetas com o registo dos meios IEC que receberam o consenso do grupo, numa folha de flip chart.

30 30 manual do facilitador Plenário Todos os participantes são reunidos num mesmo espaço, sob a coordenação do facilitador coordenador. Objectivo: Apresentar em plenário, as conclusões saídas de cada grupo de trabalho. Material necessário: folha do flip chart com conclusões relativas aos grupos vulneráveis; folha de flip chart com a identificação de meios IEC considerados eficazes, mas que ainda não foram produzidos; folha de flip chart com a identificação do material IEC já produzido que mereceu nota positiva por parte de cada grupo. Tempo: 30 minutos. Tarefas para o facilitador coordenador: 1. Convide cada grupo a apresentar as conclusões relativamente aos: grupos mais vulneráveis; material IEC já produzido que se revela eficaz; meios IEC eficazes a explorar no futuro. 2. Faça um breve resumo das conclusões saídas dos grupos de trabalho.

31 maria teresa silva santos 31 Evitar duplicações e promover sinergias Este exercício é realizado em cada grupo de trabalho. Objectivos: identificar instituições governamentais ou não governamentais que já se encontrem no terreno a produzir material IEC eficaz, para os grupos vulneráveis; orientar o trabalho da sua Associação para zonas geográficas com menos acções de prevenção e controlo do VIH/Sida. Material necessário: flip chart; canetas de feltro de duas cores diferentes, por exemplo vermelha e azul; bostick. Tempo: 60 minutos. Tarefas para o facilitador: 1. Convide todos os participantes a escreverem numa folha de flip chart, o nome de todas as organizações governamentais ou não governamentais, que desenvolvem acções de apoio aos grupos mais vulneráveis às IST/VIH/sida identificados. 2. Convide os participantes a identificarem as instituições que desenvolvem actividades idênticas às que serão realizadas pela sua organização. 3. Sempre que uma instituição reunir o consenso do grupo, um dos participantes desenha um círculo vermelho à volta dessa instituição (o vermelho assinala uma eventual duplicação com o seu projecto). 4. De seguida, é escrito por baixo da tarjeta com o nome da instituição e o nome do bairro/localidade onde a instituição trabalha. 5. Convide os participantes a identificarem as organizações, com quem a sua organização é vista como tendo uma acção complementar (ex: uma instituição apoia em tratamento, enquanto que a sua organização actua na área da promoção da saúde, ou uma instituição actua na área da promoção, mas não dispõe de material IEC próprio e considera que o que possui não é eficaz). 6. Sempre que uma instituição reunir o consenso do grupo, um dos participantes desenha um círculo azul em torno do nome da instituição e escreve a região geográfica de actuação da instituição (o azul assinala uma eventual relação de complementaridade). 7. O facilitador convida um dos participantes a escrever numa nova folha de flip chart as instituições com quem a sua organização está em condições de estabelecer relações de complementaridade e as respectivas áreas geográficas de intervenção.

32 32 manual do facilitador :+"#$-+&';+/0()-#)+3,'8'-+-#5 Este exercício é realizado em cada grupo de trabalho. Objectivo: elaborar uma agenda de trabalho com as instituições presentes na oficina, que foram identificadas como complementares e que trabalham directamente com os grupos vulneráveis identificados; Material necessário: nada a assinalar. Tempo: 60 minutos. Tarefas para o facilitador: 1. Tendo como ponto de partida as instituições com quem a sua organização pode desenvolver relações de complementaridade, procure agendar uma reunião preparatória com o representante dessa instituição na oficina. 2. Tome também nota dos contactos dos indivíduos que não fazendo parte de nenhuma organização, actuam como líderes comunitários e mostram-se disponíveis para colaborar no trabalho de terreno. 3. Relativamente às instituições identificadas como sendo potenciais parceiras privilegiadas no trabalho de terreno, mas que não se encontrem presentes na oficina, o facilitador deverá obter o máximo possível de informações sobre esta instituição. 4. Anotar numa folha de flip chart, as propostas de datas para o início do trabalho de terreno conjunto.

33 maria teresa silva santos 33 Plenário Todos os participantes são reunidos num mesmo espaço, sob a coordenação do facilitador coordenador. Objectivo: partilhar os resultados saídos do exercício sobre eventuais relações de duplicação e complementaridade. levar à responsabilização dos compromissos assumidos na sessão anterior para a calendarização de acções futuras. Material necessário: folha do flip chart com as instituições com quem a sua organização pode desenvolver relações de complementaridade; folha do flip chart com as datas do início do trabalho de campo. Tempo: 40 minutos. Tarefas para o facilitador coordenador: 1. Convide cada um dos grupos a apresentar as suas conclusões, nomeadamente: instituições com quem a sua Associação pode estabelecer relações de complementaridade; datas relativas ao início do trabalho de terreno. 2. Depois de cada grupo ter apresentado as suas conclusões, o facilitador coordenador convida os participantes a apresentarem as suas opiniões sobre as conclusões saídas da oficina. A Experiência do Projecto CRIAS O objectivo do CRIAS Centro de Recursos Integrados de Atenção à saúde, consistiu em produzir material de IEC para a comunidade imigrante e trabalhadores de sexo, ambos com origem nos PALOP, mas residentes em Portugal. A 23 de Junho de 2007, a equipa do Projecto CRIAS dinamizou, no Instituto de Higiene e Medicina Tropical, um encontro em que participaram ONGs, Associações de Imigrantes e activistas com trabalho na área da imigração ou das IST/VIH/sida. Na mesma data, foi decidido organizar-se posteriormente e de modo autónomo, o encontro de Trabalho

34 34 manual do facilitador com ONGs que trabalhassem com trabalhadores do sexo. No encontro, foram organizados dois grupos de trabalho que discutiram entre si, com o apoio de um facilitador por grupo, as sucessivas tarefas colocadas ao longo da oficina. Na sessão de plenário que juntou as conclusões dos dois grupos, chegaram-se às seguintes recomendações: 1. Identificação dos Grupos mais Vulneráveis entre a população imigrante com origem nos PALOP, residentes em Portugal: Foram identificados como grupos mais vulneráveis: mulheres; homens chefes de família; jovens raparigas, jovens rapazes; homens que fazem sexo com homens. Entre estes grupos específicos, consideraram-se ainda como prioritários: os indocumentados; os que não falam português como língua materna; os que vivem em bairros periféricos, em condições de pobreza. 2. Análise do material existente Analisado um conjunto de material de IEC produzido nos PALOP e em Portugal (para a comunidade imigrante dos PALOP), o grupo considerou-o como deficiente e discriminativo da condição de seropositividade. Os grupos de trabalho consideraram que para o material ser adequado e eficaz, deveria seguir as seguintes recomendações: ser escrito em português e na língua nacional O material deve ser escrito em português e na língua nacional de origem da população com quem se trabalha. O uso da língua de origem facilita a apreensão

35 maria teresa silva santos 35 da mensagem, enquanto que o uso do português contribui para a integração sociocultural e económica destas comunidades. utilizar mais imagens e menos texto nas mensagens Considerando que muitos dos integrantes destes grupos não têm hábitos de leitura e que, segundo os dados do Recenseamento Geral da População de 2001, o nível médio de qualificação académica dos imigrantes com origem em África a residir em Portugal se situa em 58,8%, defendeu-se o uso de imagens facilitando a compreensão das mensagens/conteúdos. usar mensagens claras e curtas Pelos motivos já apontados mas, também, porque mensagens claras e curtas provam ser mais eficazes. São mais fáceis de memorizar, mais facilmente compreendidas e por isso mais facilmente apropriadas. 12 objectividade Foi sublinhada a importância da mensagem ser directa e clara, reduzindo-se o risco de dúvidas e de interpretações várias. não recorrer a imagens negativas O uso de imagens e textos com carga negativa tem contribuído para o estigma das pessoas que vivem e que são afectadas com VIH/Sida. No Uganda, nos anos 80, por exemplo, a SIDA era associada à morte e a todos aqueles que estavam infectados ou afectados pelo VIH/Sida. O slogan então era você apanha SIDA e você é a morte 13 o que, para além de eventualmente promover a prevenção, promoveu o estigma de pessoas a viverem com VIH/sida. usar mensagens positivas A experiência tem provado que o uso de mensagens positivas motiva as pessoas para comportamentos mais seguros. Por exemplo, se um indivíduo for informado que a Sida mata, provavelmente não terá motivação para fazer o teste do VIH/Sida. Se pelo contrário o mesmo indivíduo for informado que há tratamento que melhora as suas condições de saúde e prolonga a sua vida, terá motivações para fazer o teste. 14 material desenhado por pessoas do grupo a que se destina 15 Quando o material é, desde o inicio, pensado e produzido com a participação activa das pessoas às quais se destina: a. terá uma maior aceitação, por permitir que as pessoas o sintam também como obra sua;

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