O DISCURSO DA AIDS NOS LIVROS DIDÁTICOS DE CIÊNCIAS: PREVENÇÃO OU PRESCRIÇÃO? UNISINOS.

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1 1 O DISCURSO DA AIDS NOS LIVROS DIDÁTICOS DE CIÊNCIAS: PREVENÇÃO OU PRESCRIÇÃO? Paula Regina Costa Ribeiro - Doutoranda Fundação Universidade Federal do Rio Grande e Mirian Dolores Baldo Dazzi Mestranda - Universidade do Vale do Rio dos - UNISINOS. Resumo: Desde o surgimento da AIDS, na década de 80, vários foram os discursos produzidos a respeito da AIDS. Esses discursos, presentes em representações, estabeleceram associações entre doença, homossexualidade, prostituição e drogas. Ao longo da última década constituem-se outros discursos, em função das alterações do perfil epidemiológico e das pesquisas e estudos que acabaram por promover uma remodelagem no imaginário social sobre a AIDS. Nesse estudo, analisou-se como os livros didáticos de ciências das séries iniciais e finais do Ensino Fundamental recomendados pelo Programa Nacional do Livro Didático PNLD, produzem os discursos da AIDS. Foram analisados livros didáticos editados no período de 1991 a As discussões e análises apresentadas situam-se no campo teórico dos Estudos Culturais. As informações contidas nos livros didáticos de ciências estão concentradas no locus da saúde e seguem o modo prescritivo quando: ordenam de maneira clara, explícita, precisa, determinada e fixa o que se pode ou deve fazer em relação aos portadores do vírus; quais os procedimentos recomendáveis para nos aproximarmos dos portadores; quando marcam, limitam, fixam os sintomas, os prazos do tempo de vida, as ações de "solidariedade" mais pertinentes. * Palavras chaves: educação, estudos culturais, AIDS Introdução Desde o surgimento da AIDS, no início da década de 80, vários foram os discursos produzidos a respeito da AIDS, pelos médicos, pela mídia, pela igreja, pelas organizações governamentais e não governamentais, etc. Esses discursos estabeleceram associações entre doença, homossexualidade, prostituição, drogas, produzindo representações a respeito da Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (AIDS). Segundo Hall (1997) nos últimos anos houve algumas mudanças significativas em nosso conhecimento como o uso da linguagem e do discurso como modelos de como funciona a cultura, o significado e a representação. Para o autor

2 2 Discursos são formas de se referir ou construir conhecimento acerca de um tópico particular da prática: o agrupamento (ou formação) de idéias, imagens e práticas, que propiciam formas de se falar, formas de conhecimento e conduta associadas a um tópico particular, a atividade social ou a localização social na sociedade. ( p.5) Desta forma, entendemos que os discursos da AIDS, construíram um corpo de conhecimento a sexualidade, a morte, a discriminação, a vulnerabilidade - que instituíram um regime de verdades sobre essa síndrome. No início da epidemia, os grupos visados gays, usuários/as de drogas injetáveis, os/as trabalhadores/as do sexo, hemofílicos/as associados aos comportamentos e práticas comportamentais desviantes, foram denominados Grupos de Risco. Mais tarde, uma nova noção, a de Comportamento de Risco passou a associar a doença e sua manifestação, não a pessoas de determinados grupos, mas as condutas adotadas por eles/as, como a prática de sexo com vários parceiros/as, prática do sexo anal, uso de drogas, etc. Em 1994, foi elaborada uma nova designação, a Situação de Risco, que procurava abranger todas as pessoas, independentemente de seus padrões comportamentais, isto é, sem considerar preferência sexual, número de parceiros, práticas sexuais ou uso de drogas injetáveis. Nos últimos anos, o conceito de vulnerabilidade vem sendo utilizado internacionalmente criando uma categoria conceitual que retira a prevenção do nível apenas individual e a remete à complexibilidade cultural, social e política onde a pessoa se encontra. Os comportamentos associados a maior vulnerabilidade não estão restritos a vontade dos indivíduos mas, emergem do grau de consciência deste indivíduos, do decorrente poder de transformação destes comportamentos, a partir da consciência e da idéia de vulnerabilidade (SEFFNER, 1998,FIGUEIREDO, 1998, RIBEIRO e DAZZI, 2000). Algumas dessas representações construídas, ao longo da última década, foram se modificando devido as alterações do perfil epidemiológico e da decorrência de pesquisas e estudos, o que pode ter promovido uma remodelagem do imaginário social sobre a AIDS. O perfil epidemiológico mudou de uma fase inicial caracterizada pela hegemonia da transmissão sexual (principalmente em homens com comportamento homo e bissexual), para um grande aumento, da transmissão heterossexual, atingindo

3 3 um número crescente de mulheres e crianças (transmissão perinatal).outros aspectos evidenciados são a juvenização, pauperização e interiorização (SEXUALIDADE, PREVENÇÃO DE DST/AIDS E USO INDEVIDO DE DROGAS, 1999). Hoje, a fase da adolescência está marcada pela vulnerabilidade ao HIVespecialmente pela exposição dos jovens à transmissão via sexual - por ser uma fase de descobrimentos e de iniciação de novos comportamentos e relacionamentos. Dos 30 milhões de pessoas que hoje vivem com a infecção do HIV/AIDS, pelo menos um terço são jovens entre 10 e 14 anos de idade. (UNAIDS, 1999) Desta forma, os adolescentes, deveriam ter acesso a informações sobre temas relacionados a epidemia de AIDS e a desconstrução de mitos e distorções referentes a origem, transmissão e prevenção contra o vírus HIV e não receptáculos de informações médicas e biomédicas. [...]os educadores terão que considerar tanto a informação específica que trazem para seus alunos, como os mitos que estes últimos trazem para a relação pedagógica. Basicamente, se a informação técnica não ajudar ninguém a desaprender os mitos e os estigmas que podem emergir da sexualidade, então ela não será usada e apropriada, não se colocará a serviço do cuidado do eu, não orientará as práticas sexuais ( BRITZMAN,1998, p ). Sabemos que professores/as tem tido dificuldades em tratar dessa temática que envolve muitas questões políticas, culturais e sociais e quando o fazem é através do discurso científico, isto é, falam sobre o que é AIDS, como se transmite o HIV, como não se transmite o HIV, como é o tratamento e a prevenção, quais são os sintomas, entre outros aspectos. Na pesquisa realizada por Silva, sobre as representações de AIDS que circulavam nas escolas eram:...da doença como algo fora do universo de preocupações das instituições educacionais;...algumas manifestações homofóbicas (repulsa a homossexualidade) na escola;...falta de interesse da comunidade como um todo apresentava em relação à problemática;... de colocar as crianças frente a uma situação que não fazia parte se suas vidas (1999, p.34). Ribeiro e Dazzi em pesquisa realizada, sobre as representações de AIDS nos livros didáticos de ciências, editados no período 1989 a 1998, indicam que as

4 4 representações de AIDS que mais se destacam nos livros didáticos de ciências das séries finais (5ª a 8ª série) do ensino fundamental, foram a de morte, aidetico, contágio/transmissão e que essas representações produzem uma visão hegemônica da doença ou doente ou portador do HIV/AIDS, isto, é a AIDS como uma síndrome mortal, sem cura, do aidético magro esquelético, com manchas na pele, etc (2000 a, p. 537). As autoras destacam que essas representações nos livros didáticos de ciências do ensino fundamental, por elas analisadas, não mudaram ao longo desta década. Nesse estudo, propomo-nos a analisar como os livros didáticos de ciências do ensino fundamental recomendados pelo Programa Nacional do Livros Didático PNDL produzem os discursos da AIDS. As discussões e análises que serão apresentadas situam-se no campo teórico dos Estudos Culturais. Contextualizando a pesquisa Para realizarmos essa pesquisa analisamos os livros didáticos de ciências das séries iniciais do Ensino Fundamental recomendados pelo Programa Nacional do Livro Didático -PNLD /2001 (BRASIL, 2000) e livros didáticos de ciências das séries finais do Ensino Fundamental também recomendados pelo PNLD - 98/99 (BRASIL, 1998 a). Nessa pesquisa foram analisados 53 livros de ciências das séries iniciais (1ª a 4ª série) e 28 livros de ciências das séries finais ( 5ª a 8ª série), editados no período de 1991 a 1999, por várias editoras como: FTD, Ática, Lê, Scipione, Módulo, Dimensão, Saraiva, Formato, Editora do Brasil, Moderna, Quinteto, IBEP, Nacional. 1 A análise, de alguns livros de ciências do ensino fundamental, visou mostrar como os discursos presentes nestes livros produzem as representações de AIDS, para tanto, buscamos identificar a rede de enunciados que constitui estes discursos. Num primeiro momento, foi necessário identificar o locus onde o tema da AIDS estava inserido, nas diferentes séries do ensino fundamental. Nas séries iniciais a temática da AIDS foi encontrada em pouquíssimos livros. Na 1ª e 2ª série não encontramos nenhum livro de ciências que tratasse dessa temática. Apenas, na coleção Ciência para a nova geração (1ª a 4ª série), o manual do professor sugeria que o tema das doenças infecto-contagiosas ou doenças transmissíveis fosse 1 O guia de livros didáticos PNDL, recomendava 76 livros de ciências para as séries iniciais e 30 livros de ciências para as séries finais do Ensino Fundamental. Não foi possível fazer a análise de todos os livros indicados, pois muitas editoras não possuem representantes no Rio Grande do Sul, como Access, Ciência e Paz, Bloch, Vigília e Expressão.

5 5 trabalhado com a ajuda de reportagens em jornais e revistas, indicando um texto da revista Ciência hoje das crianças (48:2-5,maio-jun.1995), que trata da AIDS: O que a AIDS tem a ver comigo? Na 3ª série, apenas um livro apresentava a temática no capítulo: Dia de Vacinação, na seguinte citação Os alunos poderão mencionar um número muito grande de doenças : Doenças causadas por vírus: dengue, gripe, AIDS (TRIVELATO et al, 1999,p. 88) Nos livros de ciências de 4ª série, a temática da AIDS, é encontrada ligada a assuntos relacionados a saúde ou com a questão do corpo em desenvolvimento. Com relação a AIDS e saúde os livros citam: [...] Mas há doenças cuja transmissão é mais difícil. No caso da AIDS, não se pega a doença só ficando ao lado do aidético. É preciso, por exemplo, ter contato com o sangue da pessoa doente.... (SAMPAIO E CARVALHO, [199 d, p. 270) Para muitas doenças já existe um tratamento, e o mal se torna passageiro. Mas, para outras, a Medicina ainda não encontrou o caminho da cura. É o caso da AIDS, causada por um micróbio conhecido pelas letras HIV. O HIV causa danos nos sistemas de defesa do organismo. As pessoas que têm AIDS morrem porque o organismo não consegue combater infecções. (GOWDAK e VASSOLER, 1994d, p. 35) Como os livros de 4ª série são destinados a crianças que estão entrando na fase da adolescência, é autorizado aos educadores/as falarem sobre a questão das transformações do corpo e do cuidado com esse corpo. Os livros de ciências tratam a AIDS nos itens: MUITA GENTE DESCUIDADA. Algumas doenças passam de uma pessoa para outra, através da relação sexual. Elas são chamadas doenças sexualmente transmissíveis.... Muitas são as doenças sexualmente transmissíveis e algumas têm graves conseqüências para a saúde: sífilis, gonorréia, herpes genital, verrugas genitais, candidíase e AIDS. AIDS A PIOR DELAS (SANTOS, 1996, p.101). Assuntos importantes. Com as modificações que transformam a criança em adolescente, surgem também os riscos de alguns problemas que devemos prestar atenção.... Gravidez... AIDS (SANTOS et al, 1998 d, p.61).

6 6 Os livros didáticos de ciências das séries finais abordam a AIDS de acordo com a série. Nos livros de 5ª série, onde estes abordam o tema ar, água e solo, a AIDS é tratada no locus da saúde, isto é, associada a doenças causadas por vírus ou doenças sexualmente transmissíveis. Nos capítulos onde a AIDS estava associada a doenças causadas por vírus, o que nos chamou a atenção foi dois livros onde esse tema era abordado nas doenças transmissíveis pelo ar e em um livro nas doenças transmitidas pela água. Este fato revela o perigo dos livros didáticos transmitirem informações errôneas e aumentarem o medo junto aos adolescentes da transmissão da AIDS pelo ar e pela água. Nos dois livros onde o tema era abordado nas doenças transmissíveis pelo ar, um mostrava a foto do vírus da AIDS atacando um linfócito (GOWDAK e, p. 124) sem qualquer comentário sobre a AIDS. E o outro trazia a seguinte citação: [...] Uma das doenças mais terríveis contraídas por vírus é a AIDS, ainda sem cura e sem vacina (sua transmissão não se dá pelo ar).... (CRUZ, 1999, p.65) No livro onde o tema era as doenças transmissíveis pela água a AIDS está associada a hepatite. [...] A hepatite pode ter várias causas. Uma delas é o ataque de um vírus semelhante ao da AIDS, também transmitido por agulhas contaminadas e relações sexuais.... ( MARCONDES, 1996, p. 62) Os livros didáticos de ciências de 6ª série tratam do tema, os seres vivos, sendo a AIDS abordada no capítulo dos vírus. [...] O homem está sujeito a várias viroses como a gripe, a paralisia infantil, a caxumba, o sarampo e a AIDS.... (GOWDAK e MATTOS, 1991 a, p. 165) AIDS: uma síndrome mortal provocada por vírus. (CRUZ, 1999 b, p. 242) Na 7ª série, como os livros versam sobre o corpo humano, praticamente todos os exemplares analisados tratavam a temática da AIDS vinculada as doenças sexualmente transmissíveis, apenas um livro no capítulo das viroses. Embora, a AIDS

7 7 não seja considerada uma doença sexualmente transmissível, pois existem outras formas de contágio do vírus, sabe-se que a principal forma de transmissão é a via sexual. Doenças sexualmente transmissíveis, são as doenças que uma pessoa transmite a outra através da relação sexual. As mais comuns são a gonorréia, a sífilis e a AIDS. (BARROS c, 1998, p.54) Algumas doenças transmitidas por contato sexual. Vamos falar aqui de quatro doenças: a gonorréia e a sífilis, causadas por bactérias; a Aids e o herpes, causados por vírus. (JUNIOR et al, 1999 a, p. 200) Nos livros de 8ª série, apenas um livro de ciências abordava o assunto no capítulo Doenças sexualmente transmissíveis. Profilaxia, contágio e implicações biopsicossociais (SILVA e FONTINHA, [199 a, p.147), pois estes livros tratam de química e física. Ao analisarmos, os livros didáticos de Ciências recomendados pelo PNDL, verificamos que esses também apresentavam as representações de morte, aidético, contágio, transmissão e solidariedade, presentes nos livros didáticos de ciências, analisados Ribeiro e Dazzi (2000, no prelo), editados no período de 1985 a Nessa pesquisa utilizamo-nos do campo teórico dos Estudos Culturais, no qual a representação não é vista como algo real, mas entendida como constituídora das verdades que se diz existirem no mundo. * Morte Séries Iniciais [...]As pessoas que tem AIDS morrem porque o organismo não consegue mais combater infecções. (GOWDAK e VASSOLER, 1994, p. 35) Séries Finais A AIDS é uma virose mortal. (GOWDAK e MATTOS, 1991, p.161) A Aids é uma doença recente e mortal, causada pelo vírus HIV. (MARCONDES, 1996, p. 34) SF A Aids não é propriamente uma doença, e sim uma síndrome, isto é, um conjunto de sintomas produzidos por causas diferentes. Ela não tem cura. Mata! (CRUZ, 1999, p. 242)

8 8 Aidético Séries Iniciais Os aidéticos geralmente morrem porque estão com as defesas debilitadas e acabam adquirindo várias infecções. (SANTOS et al. 1998, p.62) Séries Finais [...] O vírus destrói todo o sistema de defesa do organismo. Os aidéticos ficam, então sujeitos a doenças e infecções de todo o tipo. (GOWDAK e SANTOS, 1991, p. 166) [...] Com sua capacidade de defesa reduzida, o aidético fica sujeito a inúmeras formas de infecção, denominadas oportunistas: pneumonia, tuberculose, herpes, infecções intestinais, certos tipos de câncer etc. (GOWDAK E MATTOS, 1991, p. 161) Contágio/Transmissão Séries Iniciais [...] No caso da AIDS, não se pega a doença só ficando ao lado do aidético. È preciso por exemplo ter contato com o sangue da pessoa.... (SAMPAIO e CARVALHO, [199, p.270) Como se pega: tendo relação sexual, sem camisinha, com pessoa portadora do vírus; na transfusão de sangue; pelo uso de seringas contaminadas; de mãe contaminada para o filho (através da placenta ou do leite materno). (SANTOS e SILVA, 1996, p. 101) Séries Finais Sabe-se hoje que se pega Aids, com certeza por três líquidos do corpo: o sangue, o esperma e as secreções vaginais. No entanto, o vírus já foi encontrado em outras substâncias líquidas do corpo, como o leite materno, as lágrimas e a saliva. ((CRUZ, 1999, p. 243) A transmissão se dá principalmente por meio da relação sexual, das transfusões de sangue e do uso de seringas e agulhas por doentes e não doentes em seguida. (GOWDAK e MARTINS, 1996, p.42) Solidariedade Séries Iniciais Portador do vírus deve ter o nosso carinho e atenção para que não se sinta marginalizado pela sociedade. (SANTOS et al, 1998, p. 62) Séries Finais O aidético precisa de carinho e amizade para aliviar seu sofrimento. É uma desumanidade abandonar uma pessoa porque ficou doente. E é uma grande bobagem

9 9 também: ninguém pega AIDS porque visitou um aidético e foi carinhoso com ele. (BARROS, 1998, p.55) A cultura brasileira da AIDS - o discurso da educação... Falar sobre AIDS considerando-a somente como objeto de discurso talvez não nos autorize a perceber de que forma esta problemática pode envolver, apropriar-se, penetrar e até destruir aqueles que são na realidade o centro do discurso educacional. O trabalho cultural dos professores/as que não aceitam comprometer-se com uma ideologia de consenso mas que tentam aproximar-se de uma linguagem e através dela problematizar as representações presentes nos discursos pedagógicos do corpo, do sexo, dos gêneros, favorece o surgimento de espaços para discutir os processos políticos-culturais presentes nas práticas pedagógicas das nossas escolas. Quando nos propusemos a pesquisar como os livros didáticos de ciências do Ensino Fundamental produzem os discursos da AIDS consideramos a possibilidade de buscar as imbricações existentes também com os textos legais, contando como indicativo do legal a proposta construída e explicitada nos PCN do Ensino Fundamental 2, a partir desta proposta confrontar com os textos dos livros de ciências. Os PCN são apresentados aos professores/as do país como um texto decorrente da política educacional instauram um "corpo" próprio, agregando-lhe um conjunto de "falas" que estabelecem matrizes do certo e do errado, não favorecendo aos mesmos a análise do que está ou não em questão. Gostaríamos de destacar que o presente estudo se vincula aos propósitos da vertente dos Estudos Culturais e que toma como um dos fios de sustentação da rede que o envolve o que esta posto na análise da Faculdade de Educação da Universidade do Rio Grande do Sul...é importante dizer que num mundo e num país tão cheio de divisões, quaisquer tentativas de definição de uma identidade cultural nacional seriam, no mínimo, extremamente problemática e sujeitas a múltiplas interpretações. 3 Convém destacar o que Silva registra no texto já referido sobre a análise feita pela FACED da UFRGS... o texto introdutório dos PCN se divide entre, de um lado, 2 Muitos dos livros analisados recomendados pelo PNDL indicavam que suas propostas estavam de acordo com esse documento. 3 O texto em questão foi escrito para representar a posição da Faculdade de Educação da UFRGS sobre o documento Parâmetros Curriculares Nacionais, do Ministério da Educação. Encontra-se publicado em vários livros, revistas e outros documentos, datados de 1996.

10 10 uma autoproclamação retórica do seu caráter de possibilidade e, de outro, uma clara e forte inclinação prescritiva,... (1999, p. 115). É provável que, a rapidez com que os PCN foram construídos não favoreceu a discussão de questões fundamentais quanto a busca de uma "identidade cultural nacional" o que já demandaria maior tempo para nos aproximarmos das diversidades e conflitos que envolvem o nosso país. A partir dessa perspectiva, a análise dos dispositivos pedagógicos, presentes nos PCN implica estabelecer relações com o processo de obtenção de hegemonia disciplinar ditando teorias, práticas, metodologias com o intuito de diminuir as diferenças dos níveis de conhecimento ou de desempenho educacional. Tomamos aqui emprestado o que Richard Johnson nos apresenta no livro, O que é, afinal, Estudos Culturais? O autor vê e analisa o "texto" de forma descentrada. O texto não é mais estudado por ele próprio, nem pelos efeitos sociais que se pensa que ele produz, mas,em vez disso, pelas formas subjetivas ou culturais que ele efetiva e torna disponíveis. O texto é apenas um "meio" no Estudo Cultural; estritamente,talvez, trata-se de um material bruto a partir do qual certas formas (por exemplo, da narrativa, da problemática ideológica, do modo de endereçamento, da posição do sujeito etc.) podem ser abstraídas. Ele também pode fazer parte de um campo discursivo mais amplo ou ser uma combinação de formas que ocorrem em outros espaços sociais com alguma regularidade. Mas o objeto último dos Estudos Culturais não é, em minha opinião, o texto, mas "a vida subjetiva das formas sociais" em cada momento de sua circulação, incluindo suas corporificações textuais. (1999, p. 75) Os PCN se tornaram um texto sem considerar o que os Estudos Culturais colocam como objeto último, que é a vida subjetiva das formas sociais em cada momento de sua circulação (ibid) o que é desconsiderado pelos PCN quando fazem uma proposta unificadora e hegemônica para todo o país. Ao formular uma proposta sem a participação dos profissionais a que se destina corre-se o risco de se propor um currículo que reforce as desigualdades com o propósito de superar as diferenças, propondo uma matriz comum e unitária, que somente servirá

11 11 para apagar as diversidades de vozes do diferentes grupos que constituem os alunos/as do nosso país. A temática AIDS, que nos parece, deveria estar diretamente identificada no caderno de Ciências Naturais dos PCN (1998, p.20) na citação conteúdos relevantes e processos de discussão coletiva de temas e problemas de significado e importância reais não é apresentada de maneira distinta e nem tão pouco explicitada quando sugere metodologias para planejar e trabalhar as Ciências Naturais. Uma notícia de jornal, um filme, uma situação de sua realidade cultural ou social, por exemplo, podem-se converter em problemas com interesse didático (BRASIL, 1998, p. 28 ) Considerando a pertinência das considerações feitas por Ávila e Moll percebemos que do que se ensina e como se ensina, do que se aprende e como se aprende em sociedade complexas como a nossa não pode ser desarticulada da intrincada rede de relações políticas, econômicas e sociais que definem a legitimidade dos saberes que são produzidos no cotidiano (1996, p. 243), não recebe o diferencial imaginado pela "heterogeneidade cultural a "desigualdade social", a "pluralidade e a "equidade" apontados nos PCN. A idéia de, no campo das Ciências Naturais, o ensino de atitudes e valores, explicitamente ou não, o processo educacional, as práticas escolares e a postura do professor estarão sempre sinalizando, coibindo e legitimando atitudes e valores (Brasil, 1998, p.30) nos pareceria deslocada quando nas análise dos livros didáticos recomendados pelo MEC é possível contextualizar no interior das propostas, situações que prescrevem comportamentos comprometidos com o ideário do "correto", "certo",. "verdadeiro", "permitido", "autorizado". Uma questão nos parece de necessária inclusão quando nos defrontamos com livros "recomendados", temos que considerar quais as realidades destes professores/as, quem são estes aluno/as que serão "ensinados" por estes livros, que qualidade de vida os espera, qual o projeto de discussão, análise e estudo acompanha a "seleção" deste livro. As discussões que se avizinham nos levam para além da qualidade das ilustrações, da diagramação, da qualidade técnica da informação, mas devemos nos aproximar das (re)apresentações das mesmas ideologias, estereótipos, estigmas, preconceitos e desinformações que permeiam as falas restritas sobre corpo, sexualidade e AIDS.

12 12 Tomando os PCN como um texto de políticas públicas educacionais, encontramos neste enfoque um silencioso pronunciamento, que desvincula a política curricular da política social e educacional numa perspectiva mais ampla, pois não destaca, em nenhum momento do texto legal, a responsabilidade da Ciência com o agir, para mudar as coisas que pensam devam ser mudadas, de uma forma mais eficiente do que se não tivéssemos esta área de conhecimentos para ampliar as informações disponíveis. No caderno de Ciências Naturais do PCN, para as séries iniciais do Ensino Fundamental, nos defrontamos com o seguinte texto...com atenção especial, estudam-se as condições essenciais à manutenção da saúde da criança, medidas de prevenção às doenças infecto-contagiosas, particularmente a Aids, aspectos também tratados nos documentos de Orientação Sexual e de Saúde (BRASIL, 1997, p. 71), sem no entanto encontramos em nenhum livro de Ciências, por nós examinados, dentre os recomendados pelo PNLD, qualquer citação sobre AIDS, nas duas primeiras séries do Ensino Fundamental. Encontramos o assunto AIDS tanto nos PCN do 3º como do 4º ciclo vinculada ao eixo temático Ser Humano e Saúde e de maneira bem explícita colada aos assuntos : sexualidade, gravidez de risco, e a disseminação do virus da AIDS, evidenciando o destaque dado aos assuntos ligados à reprodução humana, como que desconhecendo ou omitindo as várias circunstâncias de contágio ( transmissão perinatal, uso de drogas injetáveis pelo compartilhamento de seringas, sangue contaminados no caso de transfusões, entre outros) No terceiro ciclo (5ª e 6ª série) alunos e alunas estão preocupados com as transformações do seu corpo. A tendência real que se verifica em relação à gravidez de risco é a disseminação do vírus da Aids torna absolutamente o tratamento desses tópicos no terceiro ciclo, ao contrário do que se avaliava no passado (BRASIL, 1998, p. 76}. O mesmo acontece na análise do material destinado ao 4º ciclo. No quarto ciclo, alunos e alunas já têm conhecimento sobre o processo de gravidez...associada a essa discussão, é necessário investigar os modos de

13 13 transmissão, a prevenção e principais sintomas das doenças sexualmente transmissíveis, enfatizando-se as formas de contágio, a disseminação alarmante e a prevenção da Aids, relacionadas aos processos do sistema imunológico e as políticas de informação das populações (BRASIL, 1998, p. 106) Todo o discurso sobre o ensino da Ciência parece ter sido constituído num espaço neutro, uniforme, consensual...onde a AIDS é apresentada como o resultado de mais um vírus, mais um espaço para a descoberta científica... AIDS: discurso prescritivo ou preventivo? Os textos encontrados nos livros didáticos de ciências analisados nos levam a perceber que os debates sobre AIDS que se estabelecem em nível internacional e nacional são desconsiderados, não só no que concerne a atualização dos conceitos vinculados com a "doença", mas também relativo a situação de crianças e adolescentes portadores do HIV que freqüentam nossas escolas. As informações contidas nos livros didáticos estão concentradas, no locus da saúde, e seguem o modo prescritivo quando; ordenam de maneira clara, explícita, precisa, determinada, fixa, o que se pode ou deve fazer em relação aos portadores do vírus, quais os procedimento recomendável para nos aproximarmos dos portadores; quando marcam, limitam, fixam, os sintomas, os prazos de tempo de vidas, as ações de "solidariedade", mais pertinentes. A ordem expressa e formal de que "AIDS é doença mortal, que não tem cura, que não é exclusiva do homossexuais, que antes era exclusiva deles mas que agora se espalhou para outros grupos da população " nos apresentam como "verdades" presentes nos textos "oficiais" e encontradas em quase todos os "livros recomendados pelo MEC", indicado quais são as "regras", as "normas", os "preceitos" não deixando espaço para a formulação de discussões, análises, pesquisas, descobertas...caracterizando ao função prescritiva dos discursos. Prescrição esta que insere o discurso complexo da concepção de saúde e sua articulação com o cotidiano das escolas. Para que fique mais clara a nossa argumentação, consideramos particularmente adequada a relação estabelecida entre educação e saúde apresentada por Meyer:

14 14 A saúde "entra" na escola brasileira, como parte de suas preocupações e atribuições, no final do século passado, considerando-se aí tanto a dimensão assistencial, quanto o desenvolvimento de hábitos, atitudes e valores compatíveis com uma determinada concepção de "indivíduo saudável". De lá pára cá têm sido registradas muitas leis, decretos e discussões de cunho acadêmico e político em torno dessa área que se consolidará como Saúde Escolar, mas o seu "lugar", no currículo e na vida escolar, segue sendo um lugar de disciplinamento, controle, conflitos e ambiguidades amplamente silenciadas nas grandes discussões que cercam, no contexto reformista atual, tanto a formação de professores quanto o currículo da escola básica (1998, p.5). Gostaríamos de chamar atenção para o que a autora classifica como um fato do século passado o desenvolvimento de hábitos, atitudes e valores compatíveis com uma determinada concepção de " indivíduo saudável ", mas que ainda estão presentes nos textos dos livros didáticos recomendados para 2000/2001. Não questionamos a premissa que o espaço da escola é adequado e importante para que se "ensine" as bases da saúde, pois é através do conhecimento, da aquisição de conceitos, de procedimentos e do próprio convívio social que as crianças e os adolescentes se aproximam do direito universal a saúde. O que queremos destacar é que a fala prescritiva deveria ceder espaço para a PREVENÇÃO numa perspectiva de afastarem-se do que Wortmann nos indica [...] discurso apropriado, aceito e naturalizado sobre o ensino de ciências, embora os professores e professoras tenham processado, na prática, demarcações para a sua adoção. Estas expressam na escolha de locais, pessoas,ou momentos diferenciados do quotidiano da sala de aula, para desenvolvê-las.( 1999, p. 152)

15 15 O texto prescritivo encontrado nos livros didáticos de ciências examinados afasta o professor do cotidiano da sala de aula, das falas dos seus alunos, das suas curiosidades, dos seus sentimentos, dos seus medos, das suas preocupações... As práticas pedagógicas escolares construídas por temáticas como AIDS, constituídas do que está presente nas falas produzidas pelos alunos/as, ampliam as discussões para um procedimento articulado e mediatizados pelas diferentes visões da ciência, do mundo, dos avanços da medicina, do que é tido como "verdadeiro", e permite aproximação com outras identidades, com outras disciplinas, com outros saberes escolares, com outro currículo... Concordamos com COSTA quando ela diz que; [...] o currículo escolar é um lugar de circulação de narrativas, mas sobretudo, é um lugar privilegiado dos processos de subjetivação, da socialização dirigida, controlada. É em grande parte à escola que tem sido atribuída a competência para concretizar um projeto de indivíduo para um projeto de sociedade. (1998, p. 51 ) Conhecer os discursos da AIDS nos livros didáticos de ciências do ensino fundamental nos oferece, a oportunidade de entendermos as limitações das linguagens que estão nos textos sobre AIDS; os modos de subjetividade; o papel do imaginário e dos valores culturais presentes num determinado contexto sócio-histórico, que constituíram as representações de AIDS e que necessitarão ser discutidas e trabalhadas por professores/as e demais pessoas envolvidas na escola e na comunidade, como forma de rompimento do estigma da AIDS e pela busca de ações educativas voltadas para a prevenção da AIDS.

16 16 Livros Didáticos Analisados do PNDL BARROS, Carlos e PAULINO, Wilson Roberto. O meio ambiente. São Paulo: Ática, 1998 a.. Os seres vivos. São Paulo: Ática, 1998 b.. O corpo humano. São Paulo: Ática, 1998 c. AIDS p Física e Química. São Paulo: Ática, 1998 d. COSTA, Antônio e COSTA, Silvia. Ciências Terra Vida. São Paulo: Moderna, CRUZ, Daniel. Ciências e educação ambiental: o corpo humano. São Paulo Ática, 1999 a. AIDS p.190. Ciências e educação ambiental: os seres vivos. São Paulo Ática, 1999 b. AIDS p Ciências e educação ambiental: o meio ambiente. São Paulo Ática, 1999 c. AIDS p. 65. Ciências e educação ambiental: química e física. São Paulo Ática, 1999 d. FRATESCHI, Silvia et al. Na trilha da Ciência, 1ª série. São Paulo: Dimensão, 1999 a.. Na trilha da Ciência, 2ª série. São Paulo: Dimensão, 1999 b.. Na trilha da Ciência, 3ª série. São Paulo: Dimensão, 1999 c. AIDS p. 88. Na trilha da Ciência, 4ª série. São Paulo: Dimensão, 1999 d. GONÇALVES et al. Ciências e interação: 7ª série do Ensino Fundamental. Curitiba: Módulo, 1999 a. AIDS p

17 17. Ciências e interação: 6ª série do Ensino Fundamental. Curitiba: Módulo, 1999 b. AIDS p GONÇALVES, Jane T. Santos. Ciência e Interação, 1ª série. São Paulo: Módulo, Ciência e Interação, 2ª série. São Paulo: Módulo, Ciência e Interação, 3ª série. São Paulo: Módulo, 1998 b. GOWDAK, Demétrio e MATTOS, Neide S. de. Aprendendo ciências, 6: seres vivos saúde, ecologia. São Paulo: FTD, 1991a. AIDS p Aprendendo ciências, 7: corpo humano, higiene e saúde, homem e ambiente. São Paulo: FTD, 1991 b. AIDS p.161 GOWDAK, Demétrio e MARTINS, Eduardo. Ciências natureza e vida, 5. São Paulo: FTD, 1996 a. AIDS p Ciências natureza e vida, 6. São Paulo: FTD, 1996 b. AIDS p Ciências natureza e vida,7. São Paulo: FTD, 1996 c. AIDS p Ciências natureza e vida, 8. São Paulo: FTD, 1996 d. GOWDAK, Demétrio e VASSOLER, Pitty. Viva vida: ciências 1, v. 1. São Paulo: FTD, 1994 a. (Coleção Viva Vida). Viva vida: ciências 2, v. 2. São Paulo: FTD, 1994 b. (Coleção Viva Vida). Viva vida: ciências 3, v. 3. São Paulo: FTD, 1994 c. (Coleção Viva Vida)

18 18. Viva vida: ciências 4, v. 4. São Paulo: FTD, 1994 d. (Coleção Viva Vida) AIDS p. 35 JÚNIOR, César da Silva et al. Ciências. Entendendo a natureza o homem no ambiente. São Paulo: Saraiva, 1999 a. AIDS p.200. Ciências. Entendendo a natureza os seres vivos no ambiente. São Paulo: Saraiva, 1999 b.. Ciências. Entendendo a natureza o mundo em que vivemos. São Paulo: Saraiva, 1999 c.. Ciências. Entendendo a natureza a matéria e a energia. São Paulo: Saraiva, 1999 d. KUCERA, Lia et al. Ciências: uma produção humana. São Paulo: Módulo, LOPES, Sônia e MACHADO, Ana. A vida. São Paulo: Atual, 1996 a. AIDS p A matéria e a vida. São Paulo: Atual, 1996 b. MACHADO, Lucinéia. Ciências para a nova geração, 1ª série. São Paulo: Nova Geração, 1996 a. AIDS p. 16 (manual do professor). Ciências para a nova geração, 2ª série. São Paulo: Nova Geração, 1996 b. AIDS p. 16 (manual do professor). Ciências para a nova geração, 3ª série. São Paulo: Nova Geração, 1996 c. AIDS p. 16 (manual do professor). Ciências para a nova geração, 4ª série. São Paulo: Nova Geração, 1996 d. AIDS p. 16 (manual do professor)

19 19 MARCONDES, Ayrton Cesar e SARRIGO, José Carlos. Ciências, 1º grau, ar água e solo. São Paulo: Scipione, 1996 a. AIDS p. 62. Ciências, 1º grau, corpo humano. São Paulo: Scipione, 1996 b. AIDS p Ciências, 1º grau, química e física. São Paulo: Scipione, 1996 c. NETO, Aníbal Fonseca de Figueiredo, SONCINI, Maria Isabel Inório, MARTINS, Simone Pignarati. Novo Tempo. Ciências Naturais 1ª série. São Paulo: Scipione, 1999 a.. Novo Tempo. Ciências Naturais 2ª série. São Paulo: Scipione, 1999 b.. Novo Tempo. Ciências Naturais 4ª série. São Paulo: Scipione, 1999 c. OLIVEIRA, Nyelda Rocha de e WYTEROTA, Jordelina Martins. Descobrindo o ambiente, 1. São Paulo: Formato, 1990 a.. Descobrindo o ambiente, 2. São Paulo: Formato, 1990 b.. Descobrindo o ambiente, 3. São Paulo: Formato, 1990 c.. Descobrindo o ambiente, 4. São Paulo: Formato, 1990 d OLIVEIRA, Emmanuel e GONÇALVES, Maria Penha. Ciências Naturais,1. São Paulo Moderna, 2000 a.. Ciências Naturais, 2. São Paulo Moderna, 2000 b.. Ciências Naturais, 3. São Paulo Moderna, 2000 c. PASSOS, Marinez Meneghello. De olho no Futuro, 1. São Paulo: Quinteto, [199

20 20 PEIXOTO, Marlize; ZATTAR, Stella Maria; KAMEYAMA, Vera L. Ciências Naturais14. 3 ed. São Paulo: Moderna, SANTANA, Margarida C. de. Aprendendo ciências para melhor conhecer o mundo, 1. São Paulo Editora do Brasil, 1998 a.. Aprendendo ciências para melhor conhecer o mundo, 2. São Paulo Editora do Brasil, 1998 b.. Aprendendo ciências para melhor conhecer o mundo, 4. São Paulo Editora do Brasil, 1998 c. SANTOS, Inara Gonçalves G. dos. Espaço ciências, 4 v. Belo Horizonte: Dimensão, AIDS p SANTOS, Maria de Lourdes dos et al. Desvendando o mundo: ciências 1ª série. São Paulo: Editora do Brasil, 1998 a.. Desvendando o mundo: ciências 2ª série. São Paulo: Editora do Brasil, 1998 b.. Desvendando o mundo: ciências 3ª série. São Paulo: Editora do Brasil, 1998 c.. Desvendando o mundo: ciências 4ª série. São Paulo: Editora do Brasil, 1998 d. AIDS p. 61 SAMPAIO, Francisco Azevedo de Arruda e CARVALHO, Aloma Fernandes de. Caminhos da Ciência: uma abordagem socioconstrutivista, v. 1. São Paulo: IBEP, [199a. Caminhos da Ciência: uma abordagem socioconstrutivista, v. 2. São Paulo: IBEP, [199 b. Caminhos da Ciência: uma abordagem socioconstrutivista, v. 3. São Paulo: IBEP, [199 c

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