PROGRAMAS SOCIAIS FEDERAIS DE TRANSFERÊNCIA DE RENDA BOLSA FAMÍLIA

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1 UNIVERSIDADE ESTADUAL DA PARAÍBA CENTRO DE CIÊNCIAS SOCIAIS APLICADAS PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ADMINISTRAÇÃO CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM GESTÃO PÚBLICA POLÍTICAS PÚBLICAS: PROGRAMAS SOCIAIS FEDERAIS DE TRANSFERÊNCIA DE RENDA BOLSA FAMÍLIA João Pessoa /PB 2005 ALDACY DE PAIVA COSTA

2 POLÍTICAS PÚBLICAS E PROGRAMAS SOCIAIS FEDERAIS DE TRANSFERÊNCIA DE RENDA : BOLSA FAMÍLIA Monografia apresentada ao curso de especialização em Gestão Pública, promovido pela Universidade Estadual da Paraíba em convênio com o Governo do Estado da Paraíba, como requisito parcial para obtenção do Grau de Especialista em Gestão Pública. Orientadora : Profª Dra. Auri Donato da Costa Cunha João Pessoa//PB 2005

3 POLÍTICAS PÚBLICAS E PROGRAMAS SOCIAIS DE TRANSFERÊNCIA DE RENDA: BOLSA FAMÍLIA MONOGRAFIA APROVADA EM / / Profª Auri Donato da Costa Cunha Examinador Examinador João Pessoa/PB 2005

4 RESUMO O estudo em foco teve como objetivo analisar a atuação do Programa Bolsa Escola junto aos beneficiários no Centro de Cidadania IDALIA DA SILVA LIMA AZEVEDO na cidade de João Pessoa/PB, no conjunto dos Bancários. A pesquisa foi realizada com os beneficiários do referido programa. As entrevistas foram realizadas no Centro da Cidadania, centro este pertencente a Coordenadoria do Programa Bolsa Família em João Pessoa. Discorreu sobre a questão da distribuição de renda no Brasil; abordou sobre as políticas públicas de transferência de renda e apontou o grau de impacto na melhoria da qualidade de vida dos beneficiários do programa. Concluiu-se que o grau de impacto na melhoria da qualidade de vida das famílias do programa tem sido satisfatório. Os dados obtidos através da pesquisa de campo revelaram que muito embora 70% dos entrevistados tenham feito algumas críticas negativas em relação ao Programa, também reconhecem a relevância do mesmo. Constatou-se também, a importância do Programa para toda a sociedade envolvida no contexto onde estão inseridas as famílias contempladas. Palavras-chave: Políticas Públicas; Programas Sociais; Bolsa Família.

5 ABSTRACT The study in focus jun had as objective to analyze the performance of the Program Stock market School you to the beneficiaries in the Centro de Cidadania IDALIA DA SILVA LIMA AZEVEDO in the city of Pessoa/PB João, in the set of the Bank clerks. The research was carried through with the beneficiaries of the related program. The interviews had been made in the Center of the Citizenship, center this pertaining a Coordenadoria of the Bolsa-Família Program in João Pessoa. It discoursed on the question of the distribution of income in Brazil; it approached on the public politics of income transference and pointed the degree of impact in the improvement of the quality of life of the beneficiaries of the program. It concluded that the degree of impact in the improvement of the quality of life of the families of the program has been satisfactory. The data gotten through the field research had disclosed that much even so 70% of the interviewed ones have made some critical ones, also recognize the relevance of the Program. It was also evidenced, the importance of the Program for all the involved society in the context where the benefited families are inserted. Key-words: Políticas Public; Social Programs; Bolsa Família.

6 SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO Objetivos Considerações Metodológicas FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA Renda: Breve Histórico A Distribuição de Renda no Brasil A Má Distribuição de Renda: Fatores Históricos POLÍTICAS PÚBLICAS DE INCLUSÃO SOCIAL Do Fome Zero a Bolsa Família Planejamento Execução do Programa Bolsa Família ANÁLISE E DISCUSSÃO DOS DADOS CONSIDERAÇÕES FINAIS REFERÊNCIAS APÊNDICE 78

7 1 INTRODUÇÃO O Programa Bolsa Família, do Governo Federal, é o maior e mais ambicioso programa de transferência de renda da história do Brasil. O Bolsa Família nasce para enfrentar o maior desafio da sociedade brasileira, que é o de combater a fome e a miséria, e promover a emancipação das famílias mais pobres do país. Através do Programa o Governo Federal concede mensalmente benefícios em dinheiro para famílias em situação de exclusão social, com renda per capita de até R$ 100,00(cem reais), que associa à transferência do benefício financeiro o acesso aos direitos sociais básicos saúde, alimentação, educação e assistência social. O Bolsa Família criado pela Lei nº , de 9 de janeiro de 2004, unificou todos os benefícios sociais (Bolsa Escola, Bolsa Alimentação, Cartão Alimentação e Auxílio Gás) do governo federal num único programa. A medida visa dar mais agilidade na liberação do dinheiro a quem precisa, reduziu burocracias e criou mais facilidade no controle dos recursos, dando assim mais transparência ao programa. Os programas de transferência de renda, além de beneficiar as famílias pobres, estão aumentando o dinheiro em circulação nos municípios. Em comparação com as transferências constitucionais obrigatórias, como o Fundo de Participação dos Municípios (FPM), o Bolsa Família equivale a um adicional de repasse de 18,6% do FPM do conjunto dos municípios brasileiros. Ao se somar

8 com os demais programas, as transferências de renda do governo federal equivalem a 33,9% do FPM (Programa Fome Zero - O Bolsa Família está presente em municípios do País. Em setembro de 2004, o programa atendeu mais de 5 milhões de famílias, de acordo com os números do Ministério de Desenvolvimento e Combate a Fome (MDS). A meta prevista pelo governo é chegar a 8,7 milhões em 2005 e, em 2006, 11,2 milhões, ou seja, todas as famílias pobres, conforme dados do IBGE. Segundo os critérios do programa, as famílias com renda per capita mensal de até R$ 50,00 recebem um benefício básico de R$ 50,00 mais um valor variável de R$ 15,00 por filho de até 15 anos(bolsa Escola), gestantes e nutrizes, até o limite de R$ 45,00. O dinheiro é entregue mensalmente às famílias por meio de cartão magnético, através da Caixa Econômica Federal, órgão que operacionaliza o Programa. Implantado em outubro de 2003, dentro do conjunto de ações do Fome Zero, o Bolsa Família unificou os programas Bolsa Escola, Bolsa Alimentação, Cartão Alimentação e Auxilia Gás. O objetivo foi dar proteção integral a todo grupo familiar, além de reduzir custos operacionais. Com a mudança, o governo aumentou os recursos destinados a cada família e, ainda, o número de beneficiários. Está, também, integrando as políticas sociais. Após a unificação, o valor médio do benefício por família triplicou, passando de R$ 24,00 para R$ 73,00, em média. O Cadastro Único, principal ferramenta do Programa Bolsa Família visa assegurar a participação de todas as famílias pobres em políticas sociais bem

9 como melhorar o uso dos recursos públicos, principalmente porque evita sobreposição de programas. Principal programa de transferência de renda do Governo Federal, o Bolsa Família está presente em mais de 6,5 milhões de lares e a meta é chegar a todas as famílias que atendam aos critérios do programa até o fim de O Programa Bolsa Família vem com uma perspectiva de que é capaz de minimizar a pobreza no nosso pais, tendo como agravante a má distribuição de renda; como importante gerador de renda nos municípios; forte arma de combate a pobreza juntamente com a oferta de programas complementares que possibilitem a saída da condição de pobreza. Portanto, observando as condições de dificuldades enfrentadas pelo Governo Federal especificamente no processo de gestão do beneficio e apesar do trabalho das instâncias de governo que compõem da Rede Pública de Fiscalização do Bolsa Família, é de extrema importância que o programa seja acompanhado pela sociedade civil, além disso, se faz necessário uma pesquisa para avaliar os impactos do Bolsa Família, visando estimar o impacto do referido programa na economia dos municípios e mensurar sua importância na melhoria das condições de vida de seus beneficiários, a partir de um diagnóstico, utilizando como universo de pesquisa o município de João Pessoa, Paraíba. Considerando estas questões como relevantes, a pesquisa em foco teve por objetivo analisar aspectos do Programa, entre os quais partiu-se das seguintes hipóteses: o Programa Bolsa Família está contribuindo para melhorar a qualidade de vida das famílias beneficiadas, atingindo os objetivos do Programa Fome Zero,

10 programa este que visa reduzir o grau de miséria entre as famílias brasileiras, bem como vem cumprido o seu objetivo dentro das metas do Programa Bolsa Escola, no sentido de erradicar o índice de analfabetismo? 1.1 OBJETIVOS Objetivo Geral: Analisar a contribuição o Programa Bolsa Família do Governo Federal na melhoria da qualidade de vida de seus usuários Objetivos Específicos: Analisar o grau de impacto dos programas de transferência de renda sobre a população beneficiária; Averiguar a eficiência das políticas públicas de transferência de renda e gestão do programa Bolsa Família; Identificar e analisar o grau de impacto na melhoria da qualidade de vida de seus beneficiários.

11 1.2 Considerações Metodológicas Caracterização do Estudo Toda e qualquer classificação de pesquisa se faz mediante algum critério. Assim, é usual a classificação de pesquisas com base em seus objetivos gerais, podendo ser classificadas em três grandes grupos: exploratória, descritiva e explicativa (LAKATOS, 2004). A pesquisa exploratória é vista como o primeiro passo de todo o trabalho científico. Este tipo de pesquisa tem por finalidade, especialmente quando se trata de pesquisa bibliográfica, proporcionar maiores informações sobre determinado assunto; facilitar a delimitação de uma temática de estudo; definir os objetivos ou formular as hipóteses de uma pesquisa ou, ainda, descobrir um novo enfoque para o estudo que se pretende realizar. Pode-se dizer que a pesquisa exploratória tem como objetivo principal o aprimoramento de idéias ou a descoberta de intuições. Na maioria dos casos, a pesquisa exploratória envolve: a) levantamento bibliográfico; b) entrevistas com pessoas que tiveram experiências práticas com o problema pesquisado; c) análise de exemplos que estimulem a compreensão do fato estudado. Através da pesquisa exploratória avalia-se a possibilidade de se desenvolver um estudo inédito e interessante, sobre uma determinada temática. Sendo assim, este tipo de pesquisa tem como objetivo proporcionar maior

12 familiaridade com o problema, com vistas a torná-lo mais explícito. De um modo geral, esta pesquisa constitui um estudo preliminar ou preparatório para outro tipo de pesquisa. Embora o planejamento da pesquisa exploratória seja bastante flexível, quase sempre ela assume a forma de pesquisa bibliográfica ou de estudo de caso. A pesquisa bibliográfica procura explicar um problema a partir de referências teóricas publicadas em documentos. Pode ser realizada independentemente ou, também, como parte da pesquisa descritiva ou experimental, quando é feita com o intuito de recolher informações e conhecimentos prévios acerca de um problema para o qual se procura resposta ou acerca de uma hipótese que se quer experimentar. Em ambos os casos, busca-se conhecer e analisar as contribuições culturais ou científicas existentes sobre um determinado assunto, tema ou problema. A pesquisa bibliográfica abrange toda a bibliografia já tornada pública em relação ao tema de estudo, desde publicações avulsas, boletins, jornais, revistas, livros, pesquisas, monografias, teses, material cartográfico e meios de comunicação como rádio, gravações em fita magnética e audiovisuais (filmes e televisão) (LAKATOS, 2004). O estudo de caso é caracterizado pelo estudo profundo e exaustivo de um ou de poucos objetos, de maneira que permita a investigação de seu amplo e detalhado conhecimento. Por essa razão cabe lembrar que, embora este tipo de estudo se processe de forma relativamente simples, pode exigir do pesquisador nível de capacitação mais elevado que o requerido para outros tipos de delineamento, devido à dificuldade de generalização dos resultados obtidos,

13 quando a unidade escolhida para a investigação for bastante anormal em relação às muitas de sua espécie. Este estudo caracteriza-se por grande flexibilidade, sendo impossível estabelecer um roteiro rígido que determine com precisão como deverá ser desenvolvida a pesquisa. Porém, na maioria dos estudos de caso, é possível distinguir as seguintes fases: delimitação da unidade-caso; coleta de dados; análise e interpretação dos dados; e redação do relatório. A difusão deste tipo de estudo está ligada à prática psicoterapêutica, caracterizada pela reconstrução da história do indivíduo, bem como ao trabalho dos assistentes sociais junto a indivíduos, grupos e comunidades. Atualmente, o estudo de caso é adotado na investigação de fenômenos das mais diversas áreas do conhecimento. A pesquisa descritiva procura observar, registrar, analisar, classificar e interpretar os fatos ou fenômenos (variáveis), sem que o pesquisador interfira neles ou os manipule. Este tipo de pesquisa tem como objetivo fundamental a descrição das características de determinada população ou fenômeno. Ou, então, o estabelecimento de relações entre variáveis, isto é, aquelas que visam estudar as características de um grupo: sua distribuição por idade, sexo, procedência, nível de escolaridade, estado de saúde física e mental, e outros. Procura descobrir, com a precisão possível, a freqüência com que um fenômeno ocorre, sua relação e conexão com os outros, sua natureza e características. São inúmeros os estudos que podem ser classificados como pesquisa descritiva e uma de suas características mais significativas é a utilização de

14 técnicas padronizadas de coletas de dados, tais como o questionário e a observação sistemática, e instrumentos como a observação e o formulário. Algumas pesquisas descritivas vão além da simples identificação da existência de relações entre variáveis, objetivando determinar a natureza dessa relação aproximando-se, assim, da pesquisa explicativa. A pesquisa descritiva pode assumir diversas formas e, de um modo geral, assume a forma de um levantamento, sendo mais realizada por pesquisadores das áreas de ciências humanas e sociais, preocupados com a atuação prática. É também utilizada por instituições educacionais, partidos políticos, empresas, e outras organizações. A pesquisa explicativa, além de registrar, analisar e interpretar os fenômenos estudados, tem como preocupação primordial identificar os fatores que determinam ou que contribuem para a ocorrência dos fenômenos, isto é, suas causas. Este é o tipo de pesquisa que mais aprofunda o conhecimento da realidade, porque explica a razão e o porquê das coisas. O presente estudo caracteriza como descritivo e a investigação de cunho bibliográfico, documental e exploratória. Quanto aos meios de investigação é um estudo de caso, porque investiga um fenômeno contemporâneo dentro de seu contexto real, quando as fronteiras entre o fenômeno e o contexto não são claramente evidentes, utilizando assim múltiplas fontes de evidências, como documentos e bibliografias (textos, artigos, relatórios entre outros) relacionados aos Programas de Transferência de Renda, e para uma melhor compreensão desse tema faz jus, até porque a literatura sobre políticas públicas não é muita vasta, um maior enfoque sobre a

15 distribuição de renda no Brasil. Adentrando, será abordado o assunto políticas públicas para transferência de renda, especificando o Programa Bolsa Família. Universo/amostra O estudo foi realizado no CENTRO DA CIDADANIA IDÁLIA DA SILVA LIMA AZEVEDO Bancários, na cidade de João Pessoa, onde foram entrevistadas famílias, as quais são beneficiadas com o referido programa, Centro este pertencente a Coordenadoria do Programa Bolsa Família, local onde é realizado o cadastramento e o recadastramento das famílias residentes naquelas imediações. Apenas a população que estava presente para fazer o recadastramento é que foi entrevistada, visto que já dispunha das informações para serem analisadas no presente trabalho. Assim o presente estudo foi desenvolvido com base em dados secundários e primários, no primeiro caso foram pesquisados livros, documentos, artigos, e revistas sobre o assunto especificamente. Quanto aos dados primários, a coleta foi realizada através da aplicação de questionários, em função da homogeneidade dos elementos, cerca de 2% do universo, contendo itens com perguntas fechados e abertas, objetivando uma maior precisão das informações, bem como fidelidade, da realidade a ser investigada, considerando as seguintes variáveis: renda, moradia, saúde, lazer, bens materiais entre outros. Instrumento da pesquisa

16 Foi utilizado como instrumento da pesquisa a entrevista semiestruturada e previamente elaborada, bem como formulário com questões aberta e fechadas, aplicado junto a população beneficiada com o Programa Bolsa Família do Governo Federal, conforme descrito no item universos da amostra. Análise dos dados A análise dos dados ocorreu a partir dos resultados obtidos através da aplicação dos formulários, instrumento direto de coleta de dados, para identificar os fatores que interferem no controle efetivo do Programa, além de estimar o impacto na economia dos municípios e mensurar sua importância na melhoria das condições de vida do grupo familiar. Os dados obtidos serão analisados com base em um enfoque no método quanti/qualitativo e apresentado em forma de tabela e discutido à luz da literatura pertinente.

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18 2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA Renda: Breve Histórico Para um melhor entendimento do tema relacionado as políticas públicas de transferência de renda, parte-se do princípio que se faz necessário conhecer o que significa renda. A renda, de acordo com Silva (1996), pode ser tomada no sentido amplo e no sentido restrito. Num sentido amplo, todas as categorias da repartição (renda, salários, juros, lucros e impostos), podem ser considerados como renda; daí os estudos da Renda Nacional que englobam todas as espécies do sistema econômico. Segundo Vasconcellos (1996, p. 92) a Renda Nacional : é agregado representativo do fluxo dos recursos nacionais em bens e serviços, gerados ao longo de um determinado período. Inclui salários, rendimentos de profissionais liberais, lucros privados e lucros obtidos por empresas públicas, juros, aluguéis e receitas provenientes de arrendamento. Antigamente, porém, a palavra renda era usada em sentido restrito. Tratava-se do pagamento ou remuneração que cabia ao proprietário do solo, no qual são encontrados os bens duráveis da natureza, tais como as quedas d água, as jazidas, os terrenos cultiváveis, as minas entre outros. Apesar de ser um dos capítulos mais antigos da humanidade, as questões que envolvem renda não perdeu a atualidade, pois até hoje o problema

19 continua o mesmo: saber como repartir entre todos de maneira satisfatória, o resultado da produção. A concentração da renda nas mãos de poucos é outro desafio para o governo, os economistas e cientistas sociais. A distribuição de renda nacional ou social, de acordo com SILVA (1996), é uma teoria que procura explicar, do ponto de vista da política socialdemocrática como o produto nacional é repartido entre os diversos agentes econômicos. Para um melhor entendimento do que se trata a repartição e sua origem, é necessário conhecer fatores que concorrem ou influem na produção, que são: Terra Trabalho Capital Com o desenvolvimento da sociedade, de modo geral, a produção passou a ser conseguida por meio de empresas (comerciais, industriais, agrícolas entre outros). Por ser de tamanha importância a inclusão da empresa na vida moderna, esta passou a ser considerada como um novo fator de produção, isto é, um quarto fator. Com a formação de muitas empresas de produção, surge outro fenômeno, que é o de repartição. De certa forma, as empresas devem ser consideradas como unidades encarregadas da repartição ou da distribuição de renda, assim como da produção. O que determina esta distribuição é, antes de mais nada, o montante de salários, o qual deduzido do produto, deixa como resíduo, nas mãos dos

20 capitalistas ativos ou empresários, o lucro bruto, ficando para eles a tarefa de dividir ou fazer a distribuição da renda com os subordinados. Dadas estas considerações, pode-se dar um outro conceito sobre repartição, sendo que este conceito se baseia na chamada repartição funcional da renda, que segundo Silva (1996, p. 81) é a repartição ou distribuição significa dividir entre os proprietários dos fatores de produção o resultado obtido com a venda dos bens e serviços. Quanto a essa questão, Troster (1996, p. 205) afirma que a distribuição funcional da renda refere-se à repartição da renda entre os fatores de produção, fundamentalmente o trabalho e o capital. A repartição encontra fundamento no direito de propriedade, que significa o direito de cada pessoa dispor livremente das coisas que lhe pertencem. Ao Estado cabe assegurar o direito de propriedade, dentro de sua função geral de atender ao bem coletivo. A influência do Estado no sistema econômico é tão preponderante que o mesmo passou a ser considerado parte integrante do sistema. O Estado para atingir seus fins, precisa do concurso de funcionários civis, militares, tem que adquirir bens e serviços entre outros, e, para manter sua ação, necessita de recursos que vai obter dos particulares, em forma de contribuições ou tributos (impostos e taxas). Estando ciente destes aspectos mencionados, pode-se concluir que a distribuição de renda em um país, dentre os diferentes agentes econômicos, é o resultado não só das rendas obtidas livremente por meio dos fatores produtivos,

21 mas também ela será condicionada pela ação do setor público por meio da política distributiva impostos e subsídios. Para se entender a repartição da renda é impossível não levar em consideração a atuação do Estado, uma vez que este é um dos únicos órgãos que possui o poder de intervir no sistema econômico, tendo a capacidade de diminuir as diferenças exageradas de renda, e para esta finalidade o Estado utiliza a política distributiva, que segundo Troster (1994, p. 206) é uma política que compreende um conjunto de medidas cujo objetivo principal é modificar a redistribuição da renda entre os indivíduos ou grupos sociais. Os instrumentos que dispõe a política de distribuição de renda são, fundamentalmente: Sistema Tributário ou Impostos instrumento quantitativamente mais relevante dentro da política distributiva. De acordo com Troster (1994, p. 206) os impostos são definidos como uma imposição do Estado a indivíduos, unidades familiares e empresas, para que paguem uma certa quantidade de dinheiro em relação a determinados atos econômicos, por exemplo, ao realizar o consumo de um bem, ao obter receitas pelo trabalho ou ao gerar lucros nas empresas. Os gastos com transferência de renda, entre os quais cabe ser destacados os que correspondem ao seguro-desemprego e os subsídios associados à política educacional, ainda segundo o autor (p. 208), as transferências são as provisões que se realizam sem a provisão correspondente de bens e serviços por parte do receptor. As transferências buscam garantir uma

22 base mínima do nível de vida para todos os indivíduos e dar igualdade primária na distribuição de renda. Assim, aquelas medidas que implicam intervenção direta no mecanismo de mercado essas medidas passam a atuar no processo de formação de receitas, isto é, sobre as forças da demanda e oferta de mão-de-obra e sobre outros fatores da produção tais como capital, a exemplo, a imposição de salários mínimos, a limitação dos dividendos e dos aluguéis e os controles sobre os preços geralmente de artigos de primeira necessidade. 2.2 A Distribuição de Renda no Brasil O Brasil historicamente tem apresentado um padrão de renda bastante desigual. Nos anos 90 o governo brasileiro buscou melhorar o padrão de renda através da estabilização da economia. De fato, após a implementação do Plano Real (1993/94), que foi muito bem sucedido em reduzir a taxa de inflação no país, o padrão de distribuição de renda melhorou de maneira consistente. A estabilização dos preços no Brasil foi muito importante na melhora da distribuição de renda porque o setor informal da economia, que é bastante significativo na economia brasileira, predominantemente composto de indivíduos com baixa renda não tinha como se proteger da perda do poder de compra. De acordo com Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o índice de Gini da renda dos chefes de famílias evoluiu de 0,6366 em 1991 para

23 0,6090 em 2000, indicando um clara melhora. Entretanto, o índice de Gini da renda familiar regrediu de 0,5698 em 1987 para 0,5813 em 1996, o que poderia sugerir uma piora no padrão da renda familiar. Este último dado porém considera todas as rendas além da renda do trabalho, que tendem a serem rendas subestimadas nos bancos de informações do IBGE. Uma análise de mais longo prazo revela que houve uma melhora no padrão de renda nos anos 90 comparado com o final da década de 80, mas não uma melhora em relação ao início desta mesma década. Todavia, considerando que a década de 90 reverteu o padrão de crescimento da desigualdade, iniciado na segunda metade dos anos oitenta, este resultado foi bastante relevante para a sociedade brasileira. Além disso, vale ressaltar que a melhora após o plano Real foi mais consistente do que a do início da década de 90, pois esta estava associada com recessão. Um aspecto importante da desigualdade de renda no Brasil está relacionado com a distribuição setorial de renda, ou seja, a participação de cada setor da economia no produto comercializado; com a divisão pessoal de renda, isto é, o grau de concentração de rendimentos entre os residentes deste país e com a desigualdade de renda regional, a região Sudeste é extremamente mais rica do que as demais macro regiões do país. Além disso, consideradas as distribuições de renda internas em cada região, verifica-se que Sul e Sudeste apresentam melhor padrão de distribuição de renda do que as demais regiões. Nos anos 90 houve uma melhora na desigualdade dentro das regiões, acompanhando a melhora geral do país, mas entre as regiões a desigualdade permaneceu inalterada. Sobre a distribuição interna de cada região pode-se dizer

24 que as regiões Norte e Nordeste continuaram a apresentar um padrão de desigualdade maior dos que as demais regiões. Há concentração de renda na região Sudeste e melhor evidenciada ao comparamos estes dados com a divisão territorial ou com a repartição da população por região. O Sudeste tem pouco mais de 42% da população brasileira, mas responde por quase 60% da renda nacional; já o Nordeste tem pouco menos de 30% da população e menos de 15% da renda nacional, o que faz com que o rendimento médio da região Sudeste seja praticamente o triplo do rendimento médio da região Nordeste. Nota-se também, que há um ligeiro processo de modificação da participação regional na renda, com o crescimento das regiões Norte e Centro-Oeste, com queda para a região Sudeste, devido à evolução da fronteira agrícola e ao desenvolvimento subseqüente que ela acarreta. A forte concentração regional, porém, ainda se faz presente. O Sudeste responde por praticamente 60% da renda nacional, enquanto o Norte e o Centro-Oeste somadas são responsáveis por apenas 10% desta renda. Outra mudança ocorrida no Brasil nos anos 90 foi a distribuição da renda do trabalho das mulheres, de acordo com o IBGE a média de salários aumentou de 28,7% em termos reais entre 1989 e A média de salários dos homens, entretanto, diminuiu de 14,7% no mesmo período, resultado que pode estar relacionado com aumento de concorrência devido a entrada das mulheres no mercado de trabalho. Estes resultados e a considerável estabilidade de preços desde 1994 têm sugerido novas discussões e estudos sobre políticas para continuação do processo de melhora do padrão de distribuição de renda no país, pois o grau de

25 desigualdade social, na atualidade é ainda alarmante. Outra motivação tem sido ao conseqüente aumento de outros problemas sociais, tais como o da criminalidade e da violência urbana, especialmente nas grandes metrópoles. As pesquisa realizadas, no contexto atual, aponta, sobretudo, a importância da educação para reduzir a desigualdade de renda, compreendendo desde trabalhos baseados na teoria do capital humano até aqueles, mais ligados à classe política, que sugerem simplesmente transferências de renda para família com filhos em idade escolar. A alta concentração de renda da economia brasileira também pode ser observada quando seus números são comparados com os do resto do mundo. O Brasil disputa a liderança da pior distribuição de renda com Honduras, Guatemala e Guiné-Bissau. Mesmo países de baixo desenvolvimento econômico, como a Etiópia ou Uganda, tem distribuição de renda muito melhor que a brasileira. Nos países desenvolvidos, em média, os 20% mais ricos tem uma renda que é oito ou dez vezes superior que àquela dos 20% mais pobres, enquanto no Brasil essa diferença é de 25 vezes maior. Utilizando o índice ajustado pela ONU, o Brasil cai ainda mais no ranking e passa a ser o 70º, sendo considerado o país de pior distribuição pessoal de renda do mundo.

26 2.3 A Má Distribuição de Renda no Brasil: Fatores Históricos A má distribuição de renda no Brasil busca explicações na sua história. Por um lado, tem-se o período colonial, no qual as terras foram distribuídas em grandes latifúndios, aos quais poucos tiveram acesso, e isto não foi reformulado depois da Independência ou da Proclamação da República. Por outro lado, o processo de industrialização por substituição de importação adotou tecnologias que utilizavam intensivamente o fator capital em vez de mão-de-obra, isto num país onde a intensidade dessa mesma mão-de-obra foi inferior àquela dos detentores do capital. Sobre o processo industrialização, Mello (1986) acrescenta que desenvolvimento industrial brasileiro pode ser caracterizado como um processo retardatário de expansão do capitalismo, querendo indicar, com isso, tanto o momento histórico mais geral do qual o país partiu rumo à industrialização, quanto a base material interna que definiria o potencial de superação de certas etapas necessárias ao longo do tempo. De acordo com esta visão, as especificidades da industrialização retardatária podem ser acompanhadas a partir de um esquema endógeno de investigação para o processo de acumulação de capital que se põe em curso a partir da década de Sua natureza estava localizada em dois vetores: a) o ponto de partida da industrialização brasileira, que residia no fato de a economia nacional estar assentada, no século XIX, sobre uma atividade produtiva de

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