CAIXAS DE ASSISTÊNCIA E RECURSOS HUMANOS: Um caso no setor elétrico.

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1 UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES INSTITUTO A VEZ DO MESTRE PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSO EM GESTÃO DE RECURSOS HUMANOS CAIXAS DE ASSISTÊNCIA E RECURSOS HUMANOS: Um caso no setor elétrico. Autora: Renata Francisco Caldwell Professora Orientadora: Ana Cristina Guimarães Rio de Janeiro 2010

2 UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES 2 INSTITUTO A VEZ DO MESTRE PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSO EM GESTÃO DE RECURSOS HUMANOS CAIXAS DE ASSISTÊNCIA E RECURSOS HUMANOS: Um caso no setor elétrico. OBJETIVOS: Esta publicação atende a complementação didático-pedagógica de metodologia da pesquisa e a produção e desenvolvimento de monografia, para o curso de pós-graduação lato senso em Gestão de Recursos Humanos pela autora Renata Francisco Caldwell.

3 AGRADECIMENTOS 3 Agradeço à minha família, ao meu irmão Giovanni e aos meus pais Rodolfo e Iolanda, por todo o carinho. Ao amigo e companheiro Flávio, pela força e compreensão. Aos amigos da CAEFE por contribuírem a cada dia para o meu crescimento profissional. Aos colegas e professores do IAVM pela agradável e enriquecedora experiência acadêmica. E a todos que contribuíram para a realização de mais uma etapa em minha vida.

4 DEDICATÓRIA 4 Dedico este trabalho à minha família e aos meus amigos, por serem a base das minhas realizações.

5 RESUMO 5 Os benefícios sociais constituem um importante aspecto do pacote de remuneração. Desta maneira, a empresas investem nesses recursos a fim de valorizar o seu negócio, na medida em que os benefícios sociais além do aspecto competitivo no mercado de trabalho constituem-se em ações voltadas para a preservação das condições físicas e mentais dos empregados. Diante do contexto de reestruturação produtiva, os benefícios sociais adquirem papel relevante na reprodução da força de trabalho na medida em que as políticas sociais públicas vão sendo transferidas ao setor privado. Na pesquisa apresentada, que tem como recorte um caso no setor elétrico brasileiro, foi possível verificar que a Caixa de Assistência dos Empregados de Furnas e Eletronuclear CAEFE assume papel relevante no sentido de complementar a política de recursos humanos de Furnas Centrais Elétricas para a concessão de benefícios sociais.

6 METODOLOGIA 6 O objeto de estudo deste projeto são os benefícios da Caixa de Assistência dos Empregados de Furnas e Eletronuclear. Este será estudado a partir do material disponível pelas empresas CAEFE e Furnas Centrais Elétricas. Embora a CAEFE tenha outras empresas patrocinadoras previstas pelo seu estatuto, será interessante para esta pesquisa atrelá-la somente à empresa Furnas, que é a sua principal mantenedora e objeto a ser pesquisado neste trabalho. A metodologia de trabalho para a pesquisa apresentada consiste na análise de publicações e documentos destas empresas, bem como nas minhas observações enquanto assistente social inserida no contexto apresentado. O procedimento metodológico fundamental foi o levantamento das informações disponíveis nos arquivos, relatórios e nos sites de Furnas e da CAEFE. A bibliografia principal utilizada para fundamentar e compreender o tema foi Cardoso (2006), Chiavenato (2009) e Mota (2005).

7 SUMÁRIO 7 ITRODUÇÃO...08 CAPÍTULO I AS POLÍTICAS DE BENEFÍCIOS SOCIAIS...11 CAPÍTULO II 2.1 A CAIXA DE ASSISTÊNCIA DOS EMPREGADOS DE FURNAS E ELETRONUCLEAR A POLÍTICA DE BENEFÍCIOS DA CAEFE...23 CAPÍTULO III A POLÍTICA DE BENEFÍCIOS DE FURNAS E A COMPLEMENTAÇÃO DA CAEFE...31 CAPÍTULO IV A UTILIZAÇÃO DA REDE DE BENEFÍCIOS ASSISTENCIAIS DA CAEFE PELOS ASSOCIADOS...33 CONSIDERAÇÕES FINAIS...37 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS...40

8 INTRODUÇÃO 8 O tema a ser pesquisado é a inserção da Caixa de Assistência dos Empregados de Furnas e Eletronuclear CAEFE no contexto da Política de Recursos Humanos de Furnas Centrais Elétricas. Desta maneira, pretende-se estudar de que modo a atuação da CAEFE está atrelada à Política de Recursos Humanos de Furnas. O interesse pelo tema a ser estudado surgiu a partir da minha inserção enquanto assistente social da CAEFE. Observei que a criação desta instituição, no ano 2000, foi iniciativa de um grupo de gestores de Furnas e da Fundação Real Grandeza (fundo de pensão dos empregados de Furnas e Eletronuclear) para manter alguns benefícios que antes eram providos pela Fundação que, no contexto da reestruturação produtiva, complementava os benefícios que deixaram de fazer parte da Política de Recursos Humanos de Furnas. Esse movimento ocorreu a partir de uma determinação da Secretaria de Previdência Complementar, que inviabilizava a manutenção de atividades de caráter assistencial através dos fundos de pensões 1. A partir deste marco, os benefícios e serviços de caráter assistencial, até então administrados pela Fundação Real Grandeza, passaram a ser alocados na CAEFE, figura jurídica criada com a finalidade de proporcionar benefícios de caráter assistencial aos associados e suas famílias. Portanto, a alternativa viabilizada pela instituição e pelos trabalhadores foi a criação de outra pessoa jurídica, que legalmente pudesse manter a rede de benefícios assistenciais já existente, assim como criar novas ações neste aspecto. 1 Lei Complementar Nº 108, de 29 de maio de Dispõe sobre a relação entre a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, suas autarquias, fundações, sociedades de economia mista e outras entidades públicas e suas respectivas entidades fechadas de previdência complementar, e dá outras providências. Lei Complementar Nº 109, de 29 de maio de Dispõe sobre o Regime de Previdência Complementar e dá outras providências.

9 9 Em 2006, a CAEFE assumiu materialmente seu quadro próprio e processos de trabalho, deixando o aspecto virtual para a constituição efetiva da organização, inclusive com o aspecto físico contemplado (criação da sede própria da CAEFE). Cabe ressaltar que esse histórico foi por mim vivenciado, desde 2004, quando comecei a estagiar na Caixa. Entretanto, não há registros publicados que apresentem este histórico e que tampouco relacionem a atuação da CAEFE à Política de Recursos Humanos de Furnas, a qual é uma das empresas mantenedoras da Caixa. Destaco ainda, que embora a CAEFE tenha outras empresas patrocinadoras previstas pelo seu estatuto, será interessante para esta pesquisa atrelá-la somente à empresa Furnas, que é a sua principal mantenedora e objeto a ser pesquisado neste trabalho. Diante desse contexto, são objetivos desta pesquisa verificar se os benefícios oferecidos pela CAEFE estão em consonância com a Política de Recursos Humanos adotada por Furnas e verificar a complementaridade das atividades exercidas pela Caixa às ações de Recursos Humanos de Furnas. No primeiro momento abordaremos as particularidades das políticas de benefícios socioassistenciais direcionadas aos trabalhadores das organizações. Será importante destacar ainda neste primeiro capítulo a discussão sobre a criação das caixas de assistência no contexto da privatização da Seguridade Social brasileira. Essa discussão torna-se relevante diante do atual cenário de reestruturação produtiva, quando os benefícios sociais tornam-se fundamentais para a reprodução da força de trabalho na medida em que as políticas sociais públicas vão sendo transferidas ao setor privado. No segundo capítulo do trabalho será apresentada a Caixa de Assistência dos Empregados de Furnas e Eletronuclear CAEFE, seu negócio, estrutura e política de benefícios socioassistenciais, que são o objeto dessa pesquisa.

10 10 No terceiro momento do texto abordaremos a política de benefícios praticada por Furnas, percebendo de que modo os benefícios fornecidos pela CAEFE atuam em complementação à gestão de recursos humanos em Furnas. Nas considerações finais discutiremos a relevância da atuação da CAEFE para a prestação da assistência social no contexto de Furnas.

11 CAPÍTULO I 11 AS POLÍTICAS DE BENEFÍCIOS SOCIAIS Diante do contexto de reestruturação produtiva, os benefícios sociais adquirem papel relevante na reprodução da força de trabalho na medida em que as políticas sociais públicas vão sendo transferidas ao setor privado. O Estado deixa de cumprir seu papel enquanto provedor da Seguridade Social pública e passa a incentivar que as empresas privadas atuem principalmente em relação à assistência social, uma vez que as políticas de saúde e previdência tornam-se objetos de comercialização. Nesse movimento de transferência das funções públicas para a esfera privada das empresas, os direitos sociais são transformados em direitos corporativos, vinculados ao contrato de trabalho e ao desempenho dos trabalhadores. Conforme aponta Cardoso (2006) desde os anos 90 ficou evidenciado um progressivo e substancial processo de desmantelamento das estruturas jurídicas, financeiras e institucionais das políticas sociais públicas no Brasil. Paralelamente ao sucateamento dos serviços e benefícios sociais do Estado nas áreas de saúde, educação, habitação, assistência e previdência assistiu-se à proliferação de iniciativas privadas em todas as áreas aludidas. A falência e sucateamento do aparelho produtor de serviços públicos contribuíram para o crescimento das demandas sociais, que passam a ser objeto de conquistas do movimento sindical, ao mesmo tempo em que se naturaliza a idéia de eficácia do setor privado em detrimento do setor público (MOTA, 2005: 171). Trata-se de um programa internacional de reformas cujas principais metas são: redução dos gastos públicos, ampliação da participação do setor privado lucrativo e não-lucrativo, redução das contribuições sociais das empresas, desenvolvimento de políticas focalizadas na pobreza,

12 12 desenvolvimento de atividades voluntárias complementares aos serviços públicos. Sendo assim, Motta (2005) aponta duas principais conseqüências do processo que vem sendo efetivado pelo capital: 1)os trabalhadores que permanecem no mercado de trabalho tendem a defender corporativamente as conquistas, enquanto os que estão excluídos do mercado formal de trabalho tem as suas formas de organização coletiva esfacelada; 2) estão sendo criados, então, sistemas de seguridade próprios das empresas e voltados para aqueles trabalhadores que ainda possuem vínculos formais, enquanto os trabalhadores excluídos desse vínculo tornam-se clientela da assistência social. No Brasil, a partir do final dos anos 1980 a sociedade brasileira ensaiou a institucionalização e constitucionalização dos primeiros passos em prol do exercício da cidadania, de formas de democracia, de constitucionalização de novos direitos sociais, trabalhistas e políticos. Embora a arquitetura da seguridade brasileira pós-1988 tenha a orientação daquelas que formam o estado de bem-estar nos países desenvolvidos, as características excludentes do mercado de trabalho, o grau de pauperização da população, e o nível de concentração de renda e as fragilidades do processo de publicização do Estado, permitem afirmar que, no Brasil, a adoção da concepção de seguridade social não se traduziu objetivamente numa universalização dos benefícios sociais. Mesmo assim, as fragilidades existentes também não são suficientes para negar que os trabalhadores brasileiros, a partir dos anos 1980, adquiriram novos direitos, ampliaram o acesso a serviços públicos não mercantis, usufruíram de algum alargamento da oferta de benefícios, como os da assistência social, à exemplo do Benefício de Prestação Continuada BPC, e da saúde, dentre outros. Esse processo que possuiu apenas duas décadas passou a ser negado a partir dos meados dos anos 1990 em favor dos ideários neoliberais e de um conjunto de mudanças macroestruturais, momento em que as classes dominantes iniciam a sua ofensiva contra a seguridade social universal.

13 13 Antecedidas ora pelo discurso da crise da previdência, ora pelo da ampliação da participação da sociedade, segundo Mota (2005), a Previdência e a Assistência passaram a constituir uma unidade contraditória (a negação de um sistema único de previdência social pública é, ao mesmo tempo, a base para afirmação de um sistema único de assistência social) no processo de constituição da seguridade social brasileira. Os fundos de aposentadoria e pensões e os programas de assistência foram os que mais rapidamente registraram mudanças nos sistemas de proteção social, transformando os trabalhadores ora em "cidadãos consumidores" de serviços mercantis, ora em cidadãos-pobres merecedores da assistência social. Mota (2005) sinaliza ainda que uma das principais características que marcaram a expansão da seguridade social brasileira no pós-1964: ela se fez mediante a fragmentação dos meios de consumo coletivo, franqueando ao capital privado a prestação de serviços considerados rentáveis, como foi o caso da saúde e da previdência via mercado de seguros. A estes se junta o instituto da renúncia fiscal que, sob o argumento da colaboração empresarial, estimulou as empresas a ofertarem serviços sociais próprios aos seus empregados. Ao incluir no sistema segmentos não assalariados ou em situações sociais de vulnerabilidade, através da criação de programas de assistência social, afastavam os setores médios assalariados, transformando-os em consumidores de serviços privados complementares de saúde e previdência social. Pode ser apontada como conseqüência para a seguridade social a fragmentação do acesso dos trabalhadores ao sistema de proteção social. Pois no âmbito privado são identificados seguros sociais privados, destinados aos consumidores com renda suficiente para adquiri-los no mercado e serviços sociais oferecidos pelas empresas aos seus trabalhadores, mediados pelo contrato de trabalho. Já no âmbito público estão situados os serviços assistenciais destinados aos inaptos ou excluídos do trabalho assalariado, sob a responsabilidade do Estado.

14 14 Tais modificações trazem conseqüências no sentido de reduzir o papel do Estado na área do bem-estar social, transferindo os serviços para o setor privado. Se por um lado existe o movimento do Estado para transferir ao setor privado os seus mecanismos de proteção social, por outro as empresas buscam redefinir estratégias de gestão e ferramentas de recursos humanos para tornarem-se competitivas no mercado. Cesar (2006) sinaliza que há uma crescente preocupação das empresas em repensar as políticas de recursos humanos, integradas ao conjunto das demais políticas e estratégias organizacionais. O principal eixo deste redirecionamento consiste na implementação de novas modalidades de gestão da força de trabalho, que permitam a formação de um novo comportamento produtivo do trabalhador, baseado na confiabilidade e no envolvimento do mesmo com os objetivos da empresa. As principais estratégias adotadas apontam para o desenvolvimento de programas participativos e para a ampliação dos sistemas de benefícios e incentivos à produtividade do trabalho. Desta maneira, a estratégia de gestão recursos humanos das empresas busca integrar políticas e práticas de administração de recursos humanos aos programas de qualidade e produtividade a fim de reduzir os níveis de conflitos e comprometer os trabalhadores com os propósitos e metas das empresas. Chiavenato (2009) destaca que o salário pago em relação ao cargo ocupado constitui somente uma parcela do pacote de compensações que as empresas costumam oferecer aos seus empregados e que uma considerável parte da remuneração total é constituída por benefícios sociais e serviços sociais. É importante destacar que os benefícios socioassistenciais têm papel relevante na reprodução da força de trabalho e engajamento do trabalhador. Os benefícios e recompensas oferecidos pela organização influenciam na satisfação dos seus empregados, que estão dispostos a investir seus recursos individuais na medida em que obtém retornos e resultados dos seus investimentos.

15 15 Ninguém trabalha de graça. Como parceiro da organização, cada funcionário está interessado em investir com trabalho, dedicação e esforço pessoal, com os seus conhecimentos e habilidades desde que receba uma retribuição adequada. As organizações estão interessadas em investir em recompensas para as pessoas desde que elas possam receber contribuições ao alcance de seus objetivos (CHIAVENATO, 2004). Deste modo, as empresas adotam, segundo Chiavenato (2004), um sistema de remuneração que compreende 1) remuneração básica, representada pelo salário, mensal ou horário; 2) incentivos salariais, desenhados para recompensar os empregados por um bom desempenho e 3) benefícios, quase sempre denominados remuneração indireta. A concessão dos benefícios e serviços sociais, geralmente, é comum a todos os empregados, independentemente do cargo ocupado. Cabe ressaltar que algumas organizações estabelecem planos de benefícios diferenciados para os diferentes níveis de empregados. Segundo Chiavenato (2009), os benefícios sociais são as facilidades, conveniências, vantagens e serviços que as organizações oferecem aos seus empregados com vistas a poupar esforços e preocupação; constituindo meios indispensáveis à manutenção da força de trabalho dentro de um nível satisfatório de moral e produtividade. Os benefícios sociais constituem um importante aspecto do pacote de remuneração. O benefício é uma forma de remuneração indireta que visa oferecer aos empregados uma base para a satisfação de suas necessidades pessoais (CHIAVENATO, 2009: 108). Cabe ressaltar que para além do processo de privatização da políticas sociais, a origem dos benefícios sociais relaciona-se principalmente às exigências dos sindicatos e das negociações coletivas, legislações trabalhistas e previdenciárias, competição entre as organizações na disputa pelo mercado de recursos humanos, além da dedução de impostos obrigações tributárias das empresas.

16 16 Segundo Chiavenato, os benefícios sociais, inicialmente, estiveram orientados para uma cultura paternalista e limitada, justificada pela preocupação em reter talentos e baixar a rotatividade de pessoal; além da preocupação em reduzir impostos através dos incentivos oferecidos pelo Estado às instituições que prestassem esses benefícios. As empresas tornaram esses recursos ainda mais vantajosos ao seu negócio, na medida em que os benefícios sociais além do aspecto competitivo no mercado de trabalho constituem-se em ações voltadas para a preservação das condições físicas e mentais dos empregados. É importante destacar que, por atuarem na reprodução da força de trabalho, os benefícios sociais adquirem papel relevante na vida dos trabalhadores e que por esta razão os mesmos são utilizados pelas empresas para o aumento da produtividade e retenção dos mesmos. Do mesmo modo que os benefícios extra-salariais, os incentivos também se apresentam como instrumentos capazes de prender o trabalhador à empresa, possibilitando o aumento da produtividade, melhoria do desempenho e maior satisfação no trabalho (CESAR, 2006: 121). Merecem destaque na bibliografia sobre este tema, alguns dos benefícios sociais de maior expressão praticados pelas organizações. Transporte do pessoal: seja sob a forma de veículo individual (para determinados níveis) ou coletivo fretado, este benefício pode ser custeado integralmente pela empresa ou parcialmente subsidiado por ela. Uma alternativa é a concessão de vale-transportes aos empregados. Alimentação: o programa de alimentação do pessoal pode variar extensamente. Podo incluir desde instalações de refeitórios e cozinhas industriais a oferta de lanches, cafezinhos, cafés-da-manhã, etc. Na maioria das empresas é praticada a concessão de vales-refeições para o trabalhador utilizar em restaurantes nas imediações do local de trabalho. Assistência médico-hospitalar: no caso deste benefício, quase sempre há a divisão dos custos entre empresa e empregado. Em alguns casos envolve

17 17 revisão médica completa e anual para os empregados, podendo até prever a existência de ambulatórios médicos dentro da própria empresa. Outra alternativa para a concessão deste benefício é a contratação de seguros-saúde disponíveis no mercado. Assistência odontológica: este benefício é oferecido por meio de consultório dentário na própria empresa, por serviços especializados prestados fora da instituição ou ainda através de planos odontológicos contratados no mercado. Seguro de vida em grupo: o plano de seguro de vida em grupo é mais barato do que o plano individual. Este benefício é custeado integral ou parcialmente pela empresa. Ocasionalmente envolve seguro de acidentes pessoais. Planos de empréstimos pessoais: constituem uma espécie de assistência financeira da empresa ao seu pessoal. Estes auxílios podem ser desde planos simples envolvendo estudos de casos individuais até opções mais sofisticadas com alternativas de empréstimo e reembolsos com ou sem juros e ainda apresentando valores maiores e prazos mais dilatados de ressarcimento. Estes benefícios são quase sempre administrados pelo Serviço Social da organização. Serviço Social: a ação do Serviço Social pode ser elencada no rol dos benefícios uma vez que estes profissionais atuam sob a perspectiva de acesso e garantia dos direitos dos empregados, seja através de estudos de casos individuais vinculados ao contexto organizacional mais amplo, pesquisas sociais, elaboração de políticas, programas e projetos sociais voltados ao quadro de trabalhadores da empresa e da sociedade como um todo. O assistente social é um profissional que modifica a realidade social apresentada por meio de análise e intervenção especializada. Assistência jurídica: este benefício é oferecido por meio de assessoramento jurídico pelo corpo de advogados da própria empresa no atendimento demandas jurídicas apresentadas pelos empregados. Quase sempre é fornecida sem custo ao trabalhador.

18 18 Planos de complementação de aposentadorias: este benefício destinase a complementar o rendimento da previdência social pública dos empregados aposentados, através da criação de fundos específicos para tal fim. As empresas podem subsidiar parte deste fundo ou não. Estes benefícios podem ser efetivados através de fundações fechadas criadas pela própria empresa (os chamados fundos de pensão), entidades abertas ou até mesmo por contratação no mercado de planos de renda mensal assegurada. Grêmios ou clubes: é um benefício voltado à recreação, integração e bem-estar dos empregados e, em alguns casos, de suas famílias. A empresa disponibiliza instalações que permitam o desenvolvimento de práticas esportivas, de lazer e culturais; que os empregados podem utilizar durante intervalos, ao final do expediente ou até mesmo nos finais de semana. Em algumas atividades a utilização destes espaços pode estar atrelada aos índices de saúde do trabalhador, como por exemplo, no caso das academias. As empresas ampliam os sistemas de benefícios e incentivos, exigindo uma atuação centrada na forma técnica de administrá-los, modernizando e racionalizando o gerenciamento de recursos humanos, de modo a equacionar, positivamente, envolvimento, crescimento profissional e realização pessoal [dos trabalhadores] (CESAR, 1998: 172). Deste modo, observa-se que, voltados para as condições materiais ou psicológicas da força de trabalho, os benefícios sociais constituem um estímulo aos mesmos no sentido de aumentar a produção, estimular a adesão às metas e valores da empresa, bem como reter estes trabalhadores. Se na conjuntura atual o papel regulador e provedor do Estado em relação à proteção social encontra-se reduzido, cria-se terreno fértil para a expansão de entidades que têm por objetivo preencher a lacuna deixada pelo Estado neste aspecto. Podem ser destacadas as organizações não governamentais atuando nas estratégias de enfrentamento da pobreza no Brasil e, em relação ao campo do trabalho, entidades que se propõem a prestar benefícios de cunho socioassistencial ao trabalhador, para além das coberturas governamentais.

19 19 É, então, nesse contexto que se inserem as empresas que constituem a rede de proteção social aos trabalhadores de Furnas, que no caso da pesquisa apresentada, refere-se à Caixa de Assistência dos Empregados de Furnas e Eletronuclear CAEFE. A proposta da CAEFE é prestar assistência aos seus associados, atuando em consonância com a política de recursos humanos das empresas patrocinadoras.

20 CAPÍTULO II A CAIXA DE ASSISTÊNCIA DOS EMPREGADOS DE FURNAS E ELETRONUCLEAR A Caixa de Assistência dos Empregados de Furnas e Eletronuclear (CAEFE) é uma sociedade civil de fins assistenciais e não econômicos, instituída em 17 de julho de 2000, com sede no Rio de Janeiro. A missão, visão, compromissos institucionais, valores e princípios da instituição são definidos a seguir. O compromisso institucional da CAEFE é atuar de forma pró-ativa, com foco na consecução dos objetivos da política de recursos humanos das patrocinadoras, em sintonia com as necessidades dos associados e com os desafios do mercado em que atua. A missão da CAEFE é desenvolver ações voltadas para a preservação da qualidade de vida dos empregados de Furnas, Eletronuclear, FRG e de outros associados, quer durante o ciclo produtivo de sua existência, quer ao longo do período de sua aposentadoria, considerando ainda que o amparo à família constitui elemento básico à plena realização do ser humano. A visão da CAEFE é ser referência em gestão da qualidade de vida, atuando na oferta de serviços eficientes voltados para promover a saúde, o bem estar e o desenvolvimento social dos seus Associados, proporcionandolhes tranqüilidade diante do futuro. Os valores da empresa são: ética, respeito, transparência, credibilidade, integridade, responsabilidade social. E os seus princípios: qualidade de vida, competência técnica, comunicação pró-ativa, racionalização econômica, excelência em processos e serviços e a valorização do ser humano. Cabe ressaltar que embora a CAEFE tenha definido em seu estatuto três empresas patrocinadoras (Furnas, Eletronuclear e Real Grandeza), a maior

21 21 parte dos recursos que sustentam a Caixa e a maioria dos seus associados é vinculada à empresa Furnas Centrais Elétricas. É importante destacar que a Caixa presta assistência aos associados oriundos das três patrocinadoras na condição de empregado e também na condição de aposentado. Estes benefícios são estendidos ainda ao pensionista quando o associado titular falece. Os benefícios sociais da CAEFE nasceram na Fundação Real Grandeza (que é a fundação de previdência privada de Furnas e Eletronuclear) e passaram, a partir do ano 2000, a compor a rede de benefícios assistenciais da Caixa, conforme determinação legal da Secretaria de Previdência Complementar, que impedia a prática de quaisquer ações consideradas assistenciais através dos fundos de pensão do país. A CAEFE desenvolve a sua política de benefícios através da captação de recursos financeiros oriundos da comercialização de seguros, que por si já podem ser configurados como benefícios sociais uma vez que oferecem condições diferenciadas ao grupo dos seus associados em relação ao mercado. Para além da captação dos recursos a Caixa presta os benefícios aos associados através do Serviço Social da instituição. seguir. Essa estrutura torna-se mais evidente ao observar o cronograma a CAEFE Presidência Diretoria de Administração Diretoria de Benefícios e Integração Social Diretoria Financeira Gerência de Seguros Serviço Social Gerência de Benefícios Integração Social

22 22 O cronograma permite perceber a estrutura da CAEFE, destacando a alocação das Gerências de Seguros, responsável pela captação dos recursos institucionais, e da Gerência de Benefícios e Integração Social, que articula a utilização dos recursos, empregando-os em ações assistenciais.

23 2.2 A POLÍTICA DE BENEFÍCIOS DA CAEFE 23 A política de benefícios da CAEFE é dividida basicamente em dois blocos: os seguros e os benefícios de cunho assistenciais. Ao setor de seguros cabe a captação de recursos, através da bonificação pela venda dos seguros ao universo de empregados, aposentados e pensionistas das empresas patrocinadoras. Ao setor de Serviço Social é imputada a incumbência de planejar, executar e avaliar todas as atividades que envolvam ações de cunho socioassistenciais. A CAEFE oferece aos seus associados os seguros de vida e acidentes pessoais em grupo, sendo estes parcialmente custeados pelas empresas patrocinadoras. Além destes, a Caixa disponibiliza os seguros residenciais e de veículo, que por tratar-se de apólice coletiva, possui alguns diferenciais em relação ao mercado. Cabe ressaltar que este último é a modalidade de seguro que movimenta maior recurso financeiro na CAEFE. O seguro de veículos é um serviço oferecido com o objetivo segurar veículos dos associados e seus dependentes em condições mais vantajosas se comparadas às oferecidas pelo mercado, visto que são apólices coletivas. O seguro de vida em grupo destina-se a garantir o pagamento de indenização aos segurados em caso de morte natural e acidental, invalidez permanente total por acidente, invalidez permanente parcial por acidente, invalidez funcional permanente total por doença, 50% da morte natural e acidental do cônjuge, 50% da invalidez permanente total por acidente e reembolso de despesas com funeral dos filhos dependentes. O seguro de acidentes pessoais busca garantir o pagamento de indenização aos beneficiários do segurado, exclusivamente, em caso de morte acidental.

24 24 O seguro residencial visa garantir o patrimônio e a tranqüilidade da família dos segurados. Além das garantias básicas (obrigatórias), pode ser ajustado às necessidades e possibilidades de pagamento de cada um, incluindo as garantias adicionais que esta apólice oferece. É importante destacar ainda que a Caixa recebe bonificação a partir da venda destes seguros e que este recurso é revertido para o investimento nos benefícios de cunho assistenciais. A administração e execução destes benefícios estão sob a responsabilidade do Serviço Social da CAEFE. A CAEFE oferece os seguintes benefícios assistenciais aos associados: Auxílio Alimentação, Empréstimo Social, Auxílio Funeral, Programa de Integração, Programa Educação, Saúde e Segurança, além do Serviço Social, que atua em relação às demandas individuais apresentadas, bem como realiza estudo e desenvolve projetos orientados para a garantia e avanço dos direitos dos associados. O Auxílio Alimentação é um benefício cujo objetivo é auxiliar os associados na complementação da alimentação familiar. Cabe ressaltar que nem todos os associados são contemplados por este benefício, pois há um recorte de remuneração, atualizado anualmente, para a sua concessão. O benefício é viabilizado através de um cartão magnético, com crédito mensal para ser utilizado em estabelecimentos comerciais credenciados. Sendo assim, o benefício não é somente uma ação que visa à melhoria da qualidade de vida, em relação a complementação alimentar do trabalhador ou assistido, e sim, como uma ação voltada ao contexto familiar do associado, trazendo melhoria imediata. O Benefício do Empréstimo Social é voltado ao associado que apresente dificuldade financeira, que estejam interferindo na dinâmica familiar e/ou comprometendo o orçamento doméstico.

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