Equipas Educativas Para uma nova organização da escola. João Formosinho Joaquim Machado

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1 Equpas Educatvas Para uma nova organzação da escola João Formosnho Joaqum Machado

2 TRANSFORMAÇÕES NA ESCOLA BÁSICA

3 TRANSFORMAÇÕES NA ESCOLA BÁSICA A expansão escolar e a mplementação das polítcas de nclusão socal obrgaram a educação básca a reformular-se sob o ponto de vsta da organzação da escola, seja na perspectva do desenvolvmento currcular, seja na perspectva da formação de professores, seja na perspectva da organzação e gestão escolar.

4 TRANSFORMAÇÕES NA ESCOLA BÁSICA Esta reorganzação da escola tem tdo por referênca a gramátca da turma-classe: agrupamento de alunos em classes graduadas, com uma composção tendencalmente homogénea e um número de efectvos constante; professores actuando sempre a título ndvdual, espaços estruturados de acção escolar, nduzndo uma pedagoga centrada essencalmente na sala de aula; horáros escolares rgdamente estabelecdos que põem em prátca um controlo socal do tempo escolar; saberes organzados em dscplnas escolares, que são as referêncas estruturantes do ensno e do trabalho pedagógco.

5 TRANSFORMAÇÕES NA ESCOLA BÁSICA Apesar de ser uma construção socal, esta gramátca escolar tradconal acaba por ser assumda como uma cosa natural A sua naturalzação está na base do nsucesso de mutos esforços de mudança da educação básca.

6 TRANSFORMAÇÕES NA ESCOLA BÁSICA A escola confronta-se com a necessdade de se reorganzar para vencer o desafo de acolher todas as cranças e jovens desenvolver o currículo naconal assegurar a dferencação pedagógca

7 TRANSFORMAÇÕES NA ESCOLA BÁSICA A dferencação pedagógca passa pela promoção de uma pedagoga dferencada em sala de aula por adaptações programátcas pelo ensao de agrupamentos dstntos de alunos de acordo com crtéros defndos pela escola por modaldades de apoo educatvo, como reforço currcular, apoo pedagógco acrescdo, grupos de nível, tutoras, trabalho em projectos, clubes escolares, estudo orentado, estudo acompanhado ou trabalho autónomo.

8 A ESCOLA BÁSICA COMO SERVIÇO PÚBLICO

9 A ESCOLA COMO SERVIÇO PÚBLICO. Acesso Sucesso Cudados de apoo sóco-educatvo e de guarda Partcpação Cdadana

10 SUCESSO NA ESCOLA O sucesso na escola mplca condções de operaconalzação que passam por uma adequada dversfcação e flexblzação currcular, organzaconal e pedagógca, por avalações formatvas, pela ndvdualzação dos percursos de aprendzagem e dos apoos pedagógcos aos alunos tendo em conta as suas característcas e os contextos, pela oferta de formações complementares ou alternatvas que respondam a nteresses dos alunos e a solctações da comundade envolvente.

11 A ORGANIZAÇÃO PEDAGÓGICA NÍVEL BASE DE COMPETÊNCIAS. Gerr o calendáro escolar, assegurando a totaldade de horas de lecconação a que o aluno tem dreto Organzar o horáro e funconamento pedagógco da escola Decdr a nterrupção das actvdades lectvas Estabelecer os tempos destnados a actvdades de enrquecmento currcular, de complemento pedagógco e de ocupação dos tempos lvres Defnr crtéros para a elaboração das turmas e dos horáros dos docentes e outros agentes educatvos Planfcar a utlzação dos espaços escolares Gerr o crédto horáro global Promover a dferencação pedagógca Organzar as transções pedagógcas de forma a garantr a sequencaldade educatva progressva Escolher os responsáves pela gestão pedagógca nterméda.

12 João Formosnho Joaqum Machado TIPOS DE ORGANIZAÇÃO DO PROCESSO DE ENSINO

13 ORGANIZAÇÃO POR TURMAS INDEPENDENTES

14 A Organzação do processo de ensno por turmas ndependentes A turma é um grupo educatvo dscente até 28 alunos. Na organzação do processo de ensno por turmas, a turma é a célula base da organzação da escola Nesta organzação por turmas ndependentes, basea-se a dstrbução dos alunos por grupos educatvos, a dstrbução do servço docente e a organzação dos horáros escolares A turma é o centro de coordenação currcular e de tomada de decsão fnal sobre a aprovação dos alunos e sua progressão ao longo do percurso escolar.

15 A- Organzação do processo de ensno por turmas ndependentes No modelo de organzação do processo de ensno por turmas, cabe à escola: o agrupamento dos alunos em turmas; a dstrbução do servço docente pela alocação drecta dos professores às dversas turmas; a organzação dos horáros lectvos; a gestão das actvdades de dversfcação currcular.

16 A Organzação do processo de ensno por turmas ndependentes No modelo de organzação do processo de ensno por turmas, cabe ao conselho de turma: a coordenação da gestão do currículo de base para cada turma; a responsabldade fnal pela aprovação dos alunos e pela sua progressão ao longo do percurso escolar.

17 ORGANIZAÇÃO POR TURMAS CONTÍGUAS

18 B Organzação do processo de ensno por turmas contíguas Consderam-se turmas contíguas as que partlham um número substancal de professores (um núcleo duro), um horáro semelhante e têm o mesmo Conselho de Turma(s), podendo gualmente ter o mesmo Drector de Turma. Na organzação do processo de ensno por turmas contíguas, é atrbuído a um conjunto de professores o conjunto de turmas contíguas, de modo a fomentar o trabalho colaboratvo para potencar a gestão e desenvolvmento das actvdades de dversfcação currcular.

19 B Organzação do processo de ensno por turmas contíguas No modelo de organzação do processo de ensno por turmas contíguas, cabe à escola: o agrupamento dos alunos em turmas; a dstrbução do servço docente pela alocação drecta dos professores às dversas turmas, respetando o referdo no número 2; a organzação dos horáros lectvos; a gestão das actvdades de dversfcação currcular.

20 B Organzação do processo de ensno por turmas contíguas Na organzação do processo de ensno por turmas contíguas, a turma mantém-se anda como a célula base da organzação da escola A dstrbução dos alunos por grupos educatvos basea-se nesta organzação por turmas Mas o centro de coordenação currcular e de tomada de decsão fnal sobre a aprovação dos alunos e sua progressão ao longo do percurso escolar passa a ser este bloco de turmas contíguas.

21 B Organzação do processo de ensno por turmas contíguas A dstrbução do servço docente do núcleo duro de professores e a organzação dos horáros lectvos deve maxmzar a sncronzação de ocupação do tempo desses professores e dos alunos das turmas contíguas para permtr actvdades em conjunto. A gestão das actvdades de dversfcação currcular dos alunos das turmas contíguas deve ser planeada em conjunto.

22 B Organzação do processo de ensno por turmas contíguas No modelo de organzação do processo de ensno por turmas contíguas, haverá o mesmo Conselho de Turma para as turmas contíguas, podendo ter o mesmo Drector de Turma.

23 ORGANIZAÇÃO POR EQUIPAS DOCENTES

24 C Organzação do processo de ensno por equpas docentes O grupo dscente alargado é um conjunto de 110 a 150 alunos, equvalente a 4 a 7 turmas, a cargo da mesma equpa docente. Na organzação do processo de ensno por equpa docente, é a equpa docente a célula base de organzação da escola e nela se basea a dstrbução dos alunos por grupos educatvos, a dstrbução do servço docente e a organzação dos horáros escolares, É a equpa docente o centro de coordenação currcular e de tomada de decsão fnal sobre a aprovação dos alunos e sua progressão ao longo do percurso escolar.

25 C Organzação do processo de ensno por equpas docentes Entende-se por equpa docente o grupo de professores que, tendo a seu cargo um grupo dscente alargado, trabalha de modo colaboratvo, assegura conjuntamente a planfcação e desenvolvmento currcular e o acompanhamento educatvo regular das actvdades dos alunos e montorza sstematcamente as aprendzagens. Na equpa docente, a maora dos professores dedca-se exclusvamente à lecconação e apoo à dversfcação currcular do grupo dscente respectvo. Em resultado da carga lectva das dscplnas, alguns professores podem ntegrar duas equpas docentes.

26 C Organzação do processo de ensno por equpas docentes No modelo de organzação do processo de ensno por equpas docentes, a dstrbução do servço docente (currículo de base e dversfcação currcular) é feto em duas etapas: a) Atrbução do docente a cada equpa docente; b) Organzação pela equpa e pelo seu coordenador da dstrbução concreta do servço docente pelos dversos membros da equpa.

27 C Organzação do processo de ensno por equpas docentes Para a dstrbução do servço docente, a equpa docente usa o agregado horáro gerado pela equpa e pelo grupo educatvo dscente, desgnadamente: A carga horára lectva de cada professor; As horas de compensação lectva; O crédto horáro global das turmas; O crédto horáro atrbuído por le às áreas currculares não dscplnares; As horas da componente não lectva (redução do ECD).

28 C Organzação do processo de ensno por equpas docentes No modelo de organzação do processo do ensno por equpas docentes, a organzação dos alunos em grupos educatvos, procurando sempre reflectr a heterogenedade da escola, pode ser feta por uma de duas formas, conforme a opção da escola: Organzação pela escola das turmas e consttução do grupo dscente alargado a partr do agrupamento de turmas; Cração do grupo dscente alargado e sua atrbução a uma equpa docente que, de seguda, organzará as turmas para o desenvolvmento do currículo de base.

29 C Organzação do processo de ensno por equpas docentes Neste modelo de organzação do processo de ensno cabe à equpa docente a gestão currcular, quer do currículo de base quer das actvdades de dversfcação currcular, sto é: a coordenação da gestão do currículo de base para cada turma; a organzação das actvdades de dversfcação currcular para o grupo dscente alargado em grupos de geometra varável;

30 C Organzação do processo de ensno por equpas docentes Compete a cada equpa docente a organzação, o desenvolvmento e a gestão das actvdades de dversfcação currcular. Para a realzação do dsposto no número anteror, compete a cada equpa: Dstrbur os alunos provenentes das dferentes turmas da equpa docente por grupos educatvos de geometra varável conforme a actvdade de dversfcação currcular; Atrbur aos professores de cada equpa o servço docente relatvo às actvdades de dversfcação currcular; Organzar, em artculação com o drector, os horáros das actvdades de dversfcação currcular.

31 C Organzação do processo de ensno por equpas docentes Neste modelo de organzação do processo de ensno a equpa docente é responsável pela aprovação dos alunos e pela sua progressão ao longo do percurso escolar. Cada equpa docente é coordenada por um professor desgnado pela drecção da escola. Cabe ao coordenador de equpa docente organzar e acompanhar o trabalho da equpa, presdr e convocar reunões da equpa docente e assumr as competêncas por le atrbuídas ao drector de turma.

32 C Organzação do processo de ensno por equpas docentes A organzação do processo de ensno por equpas docente permte uma gestão coordenada do currículo de base a planfcação adequada de actvdades de dversfcação currcular coordenação das estratégas de gestão da sala de aula e de medação pedagógca acompanhamento do progresso de cada aluno nas aprendzagens currculares acompanhamento do progresso de cada aluno na escolardade

33 C Organzação do processo de ensno por equpas docentes A organzação do processo de ensno por equpas docente permte anda uma organzação mas smples e efcaz da escola uma gestão fnancera mas artculada com a gestão pedagógca uma gestão dos funconáros de apoo mas artculada com a gestão pedagógca

34 COMPARAÇÃO ENTRE OS VÁRIOS TIPOS DE PROCESSO DE ENSINO

35 PRESSUPOSTOS DA GRAMÁTICA ESCOLAR DIMENSÕES Turmas ndependentes Turmas contíguas Homogenedade da turma Permanênca da turma Homogenedade académca Homogenedade cultural Homogenedade sócoeconómca Agrupamento permanente de alunos para socalzação e para aprendzagem Equpas educatvas Heterogenedade cultural Heterogenedade sóco-económca Heterogenedade académca Agrupamento permanente de alunos para socalzação, permtndo gualmente subgrupos flexíves e temporáros para a aprendzagem em grupos do mesmo nível de progresso numa determnada dscplna

36 CONTROLO DOS PROFESSORES SOBRE AS VARIÁVEIS DA ORGANIZAÇÃO PEDAGÓGICA DIMENSÕES Turmas ndependentes Turmas contíguas Equpas educatvas Controlo dos professores sobre a gestão do tempo escolar O ensno organza-se em tempos pré-fxados, não alteráves durante o ano A gestão do tempo escolar está, em larga medda, no controlo da equpa educatva Controlo dos professores sobre a gestão do espaço escolar O ensno organza-se em espaços pré-fxados, não alteráves durante o ano A gestão do espaço escolar está, em larga medda, no controlo da equpa educatva Controlo dos professores sobre o progresso dos alunos e a dstrbução dos apoos educatvos O ensno organza-se em grupos permanentes ao longo do ano, ndependentemente do progresso dos alunos O ensno pode organzar subgrupos de aprendzagem por níves, temporáros e flexíves, dentro do agrupamento de turmas

37 COORDENAÇÃO DO ENSINO DIMENSÕES Turmas ndependentes Turmas contíguas Coordenação do Ensno Gestão Currcular Montorzação das aprendzagens O Dretor de turma tem muta dfculdade em promover uma coordenação efetva do ensno na sua turma Cada professor de dscplna coordena o ensno segundo a orentação do Departamento Cada professor de dscplna montorza a aprendzagem dos alunos com nformação lmtada sobre o progresso e as dfculdades de cada aluno nas outras dscplnas Equpas educatvas A equpa educatva coordena conjuntamente todo o ensno no conjunto dos alunos (no agrupamento de turmas) A equpa educatva coordena a gestão currcular segundo as orentações da equpa educatva e do Coordenador da equpa A equpa educatva montorza a aprendzagem dos alunos em geral e em cada dscplna com nformação partlhada sobre o progresso e as dfculdades de cada aluno nas dversas dscplnas

38 ACOMPANHAMENTO DOS ALUNOS DIMENSÕES Turmas ndependentes Turmas contíguas Equpas educatvas Gestão da classe e da dscplna escolar O Dretor de turma tem muta dfculdade em promover uma coordenação efetva da gestão da classe e da dscplna escolar A equpa educatva coordena a gestão da classe e da dscplna escolar no agrupamento de turmas Acompanhamento e orentação dos alunos Cada professor de dscplna acompanha e orenta os alunos, em boa parte ndependentemente dos colegas A equpa educatva promove a partlha de nformação e a coordenação do acompanhamento e orentação dos alunos

39 COORDENAÇÃO DAS EQUIPAS EDUCATIVAS LIDERANÇA DE UMA ESCOLA ORGANIZADA POR EQUIPAS

40 BIBLIOGRAFIA

41 BIBLIOGRAFIA ALMEIDA, É. P. de (1991). Organzação de Turmas/Classes nos Doze Estados membros da Comundade Europea: Grupos de Nível ou Heterogenedade? Lsboa, GEP/ME FORMOSINHO, J. (1987). Organzar a Escola para o (In)sucesso Educatvo, n Alves, F. & Formosnho, J., Contrbutos para uma Outra Prátca Educatva. Porto, Ed. ASA, 1992, FORMOSINHO, J. (1988). Proposta de Organzação do 2º Cclo do Ensno Básco em Agrupamentos Educatvos. Trabalho elaborado para a CRSE. Braga, UM, Abrl (polc.) FORMOSINHO, J. e MACHADO, J. (2009). Equpas Educatvas. Para uma nova organzação da escola. Porto, Porto Edtora FORMOSINHO, J. et al. (1994). Modelos de Organzação Pedagógca da Escola Básca. Porto, ISET FORMOSINHO, J. et al. (2010). Autonoma da Escola Públca em Portugal. Vla Nova de Gaa, Fundação Manuel Leão FULLAN, M. e HARGREAVES, A. (2001). Por Que Vale a Pena Lutar? O Trabalho em Equpa na Escola. Porto, Porto Edtora

42 BIBLIOGRAFIA HEACOX, D. (2006). Dferencação Currcular na Sala de Aula. Como efectuar alterações currculares para todos os alunos. Porto, Porto Edtora LIMA, J. Á. (2002). As Culturas Colaboratvas nas Escolas: Estruturas, processos e conteúdos. Porto, Porto Edtora LIMA, J. Á. (2008). Em Busca da Boa Escola. Insttuções efcazes e sucesso educatvo. Vla Nova de Gaa, Fundação Manuel Leão ROQUE, H. (1993). Gestão Pedagógca da Escola ou a Gestão de uma dada Organzação Currcular. Lsboa, ME/SEEBS SANCHES, M. (2006). Planos de Recuperação, Desenvolvmento e Acompanhamento dos Alunos. Um rotero para a sua operaconalzação. Porto, ASA Edtores, S. A. SOBRAL, L. (1993). Gestão Flexível do Tempo Escolar. Lsboa, ME/DEPGEF

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