Globalização Financeira e Fluxos de Capital. Referências Bibliográficas. Referências Bibliográficas. 1) Mundialização Financeira

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1 e Fluxos de Capital Wilhelm Eduard Meiners IBQP/UniBrasil/Metápolis Referências Bibliográficas Referências Bibliográficas Chesnais, F. Mundialização Financeira, cap.1 Baumann, Canuto e Gonçalves. Economia internacional, caps. 9, 10 e 11. 1) Mundialização Financeira 1) Mundialização Financeira O crescimento espetacular das transações financeiras é um dos fatos mais significativos dos últimos 25 anos: A esfera financeira representa a ponta de lança do movimento de mundialização da economia Envolve os montantes mais elevados nas operações de capital Os interesses privados prevalecem mais claramente em relação ao estado. Esse crescimento acompanhou de perto a liberalização e desregulamentação dos sistemas financeiros nacionais e a transição de um regime de finanças administradas para um regime de mercado. A liberalização e a mundialização financeira caminham lado a lado 1

2 Mundialização Financeira Mundialização Financeira Designa as estreitas interligações entre os sistemas monetários e os mercados financeiros internacionais, resultantes da liberalização e desregulamentação financeira adotadas nos EUA e Inglaterra entre 1979 e 87 e na seqüência pelos demais países desenvolvidos Peculiaridades: Fortemente hierarquizado: o sistema do EUA no centro, os de moeda conversíveis em segundo plano e demais sistemas na periferia (dominância do US$ e mercado de títulos e ações do EUA); Carência de instâncias de supervisão e controle; Unidade dos mercados assegurada pelos operadores financeiros com apoio das TICs que proporcionam interligação dos centros financeiros; Excludente e seletiva: não gera uma irradiação planetária de capitais. Mundialização Financeira Mundialização Financeira Dimensões da Ascensão Financeira: Movimento de relativa autonomização da esfera financeira em relação à produção (financeirização da riqueza) Fetichismo das formas de valorização do capital financeiro: o dinheiro não como reflexo da valorização do K produtivo, mas a expansão autônoma do K financeiro K financeiro não como suporte ao K comercial ou K produtivo, mas focado em acumular lucros financeiros São os operadores que delimitam os traços de mundialização financeira e que decidem quais os agentes, de que países e para quais tipos de transação eles participam. 2) Fluxos de Capitais e Reservas Internacionais Importância dos Fluxos de Capitais e Abertura do Mercado Financeiro: Financiamento do crescimento econômico Desenvolvimento dos mercados financeiros: dimensão, melhor eficiência dos mercados bursáteis, maior liquidez, maior transparência Desenvolvimento institucional e governabilidade dos mercados financeiros Determinante de ciclos econômicos Ajustamento das contas externas Determinantes do desempenho econômico de países e regiões Determinantes das diretrizes, opções e escolhas de políticas econômicas, resultando em políticas macroeconômicas mais robustas Risco maior a instabilidades e crises financeiras 2

3 Balanço de Pagamentos Balanço de Pagamentos Registro de Transações entre residentes e nãoresidentes Principal equilíbrio: TC CK R = 0 TC Transações Correntes Balança Comercial, Bal de Serviços, Transf Unilaterais CK Conta de Capitais Conta de Capital e Conta Financeira R Reservas Internacionais TC = X M + J CK = K + F Assim: X M + J (K + F) R = 0 Ou X M = K + F J + R Expansão de R: R = (X M) (K + F J) Saldo Comercial e Financiamento Líquido Conta Corrente A. Bens e Serviços a.bens 1. Exportação 2. Importação b. Serviços 1. Transporte 2. Viagem 3. Serv. Comunicação 4. Serv. Construção 5. Seguros 6. Serv. Financeiros 7. Serv. Informática 8. Royalties e Licenciamento 9. Outros Serviços 10. Serv. Pessoais, culturais e entretenimento 11. Serv. Governamentais B. Renda 1. Compensação de Empregados 2. Renda dos Investimentos 2.1 Lucros 2.1 Lucros Reinvestidos (-) 2.3 Juros C. Transferências Correntes Governo, Remessa de Trabalhadores e outras transferências (previdência) Balanço de Pagamentos Conta de Capital e Financeira A. Conta de Capital 1. Transferência do Capital 1.1 Perdão de Dívida 1.2 Remessa de Migrantes 1.3 Outras (doações, heranças) 2. Aquisição de Ativos ñ financeiros 2.1 At.Tangíveis (terras, subsolos) 2.2 At.Intangíveis (marcas, patentes) B. Contas Financeiras 1. Investimento Direto - IDE 1.1 Capital de Risco (10%+) 1.2 Lucros Reinvestidos (+) 1.3 Empréstimos intercompanhias 2. Investimento em Portfólio 2.1 Títulos de Investimento (ações) 2.2 Títulos de Dívida (bônus, notas) 3. Outros Investimentos 3.1 Créditos Comerciais 3.2 Empréstimos e Leasing 3.3 outros 4. Ativos de Reserva 4.1 Ouro monetário 4.2 Direitos Especiais de Saque 4.3 Reservas FMI 4.4 Divisas Estrangeiras (Moeda, Depósitos, Títulos) Investimento Internacional Investimento Internacional Definição: Aquisição de direitos (ativos) por parte de residentes em um país (de origem do capital) sobre residentes de outro país (de destino de capital) Captação de Investimento: venda de ativos do país cessão de direitos ou de geração de obrigação (passivo) junto a um não residente Investimento internacional significa a transferência de ativos (ativos monetários dinheiro contra ativos financeiros bônus, ações, debêntures, títulos, notas ativos reais fábrica, fazenda, subsolo, edifícios). A transferência de um ativo para o investidor estrangeiro significa a criação de um passivo (obrigação) externo para o país implica em pagamento de juros e lucros ao exterior e a qualquer tempo o investidor pode vender o ativo e remeter divisas ao exterior 3

4 Reservas Internacionais Reservas Internacionais Demanda de Reservas: Função de: + Retorno Financeiro: remuneração das aplicações das reservas + Benefício Social: estabilização do câmbio e preços e menor nível de risco - Custo Financeiro: custo de captação do governo no país (juros internos) e exterior (juros externo e spread) - Custo Social: custo de oportunidade uso alternativo: outras coisas que poderiam ser obtidas com o investimento em reservas Reservas Internacionais Reservas Internacionais Movimento oficial de capital associado a ativos financeiros e monetários sob controle de autoridade monetária do país Nível de Reservas Necessidades frente a fluxos comerciais (garantia de pagamento) e compromissos financeiros internacionais (garantia de operações) Influência do excesso de liquidez internacional Oferece perspectivas favoráveis para países com problemas de estabilização Desempenha papel importante no enfrentamento de mudanças abruptas nos fluxos de capitais e nas expectativas Fluxos de Capital Fluxos de Capital Movimentos não Oficiais de Capital entre agentes não governamentais empresas, bancos e outros agentes. Taxonomia: A) Médio e Longo Prazo Ativos não financeiros Ativos Reais (terras, subsolo) Ativos Intangíveis Investimento Direto - IDE Ações: cotas de controle (10%) Ativo fixo (green field) Empréstimos intracompanhias Empréstimo Bancário, Intercompanhias e Organismos Internacionais Financiamentos Crédito Comercial e Projetos Investimento de Portfólio Ações, Bônus, Derivativos, etc. B) Curto Prazo Autônomo, Induzido, Compensatório, Especulativo C) Transferências Unilaterais Doações, Ajuda Externa, Remessas D) Serviços de Capital Juros e Lucros 4

5 Fluxos de Capital Fluxos de Capital Fluxos de Capital Maturidade: Longo e Médio Prazo: > 1 ano Curto Prazo: < 1 ano Investimento; Longo Prazo: IDE e Portfólio Curto Prazo: < 1 ano Capitais Autônomos: empréstimos e financiamentos de curto prazo e fluxos de capital para escapar da tributação Capitais Compensatórios: contrapartida de outra transação com o exterior: ex. recursos para financiar importações Capitais Induzidos: fluxos derivados de variações na taxa de juros (atuais e esperados) Capitais Especulativos: fluxos decorrentes de mudanças na taxa de câmbio (atual ou esperado) Questões: Impactos de políticas monetária e cambial Mercado futuro de câmbio (Hedge e atuação do governo) Volatilidade do K externo de curto prazo: instabilidade dos mercados cambiais e de capital 3) Teorias do Investimento Internacional - Portfólio 1. Determinante básico: Diferencial entre: Taxas de juros para empréstimos de capital Taxas de rentabilidade para capital de risco Retorno do Investidor Doméstico: R d = (1-r)/(1-P) 1 r tx juros nominal P Inflação Retorno do Investidor Estrangeiro: R b = (1+r)/(1+e) 1 e expectativa var. cambial Diferencial aberto de juros D = R b - R* (R* tx juros internac.) D > 0 entrada de capitais D < 0 fuga de capitais D = f (evolução futura de r, comportamento de e) Expectativa de desvalorização: e R d D Fuga K Expectativa de valorização: e R d D Entrada K Teorias do Investimento Internacional - Portfólio 2. Aversão a risco: Norma para fluxos de Investimento em Portfólio Diversificação de riscos: aumento do número de receptores títulos, empresas e países Combinação de taxa de retorno e taxa de risco D = R b - R* - H (H tx risco) 3. Custos de Transação (T) Aquisições de informações de mercado e realização de transações em outros países. Investidor tem uma capacidade restrita de obter, processar e armazenar informações e administrar aplicações (racionalidade limitada) Investidores focam decisões em um núcleo central de países (ex. emergentes) e não em cada país D = R b -R* -H -T 5

6 Teorias do Investimento Internacional - Portfólio 4. Liquidez: Há uma preferência pela liquidez como comportamento do investidor perante o risco (você pode entrar na festa, mas fique perto da porta) Investidores promovem uma combinação de ativos monetários (plena liquidez e retorno zero) e ativos financeiros (retorno e liquidez limitada) 5. Outros Elementos Dinamismo Econômico: crescimento do PIB, progresso técnico, comércio exterior (aumento de oportunidades) Incertezas relacionadas às mudanças institucionais: aparato regulatório e fiscal 4) 4) Globalização Comercial Fluxos Comerciais Grau de Abertura = (X+M)/Y Maior Abertura dos Mercados Mundiais Bens importados a disposição de consumidores domésticos Produtores focados no mercado externo Globalização Produtiva Fluxos de IDE Greenfields Desnacionalização Atuação de Multinacionais na estrutura industrial dos países Início: base para o comércio exterior e produção de matérias primas Atual: mundialização produtiva e global sourcing Globalização Financeira Fluxos de Investimentos de Portfólio e Capitais de Curto Prazo Início: Financiamento do Comércio Exterior, investimentos em infraestrutura e déficit dos importadores Maturidade: apoio à produção multinacional Atual: Mundialização Fluxos financeiros autônomos - circuito de valorização do K Financ Significado: Expansão Estraordinária dos fluxos financeiros internacionais Acirramento da concorrência nos mercados internacionais de capital Maior integração entre os sistemas financeiros nacionais 6

7 A. Expansão dos Fluxos Financeiros Internacionais (FFI) Tx anual cresc FFI ,7% Tx anual cresc PIB ,5% Tx anual cresc Comércio ,8% Tx anual cresc K Financ ,7% Ativos Financeiros Globais: 1980: US$ 12 trilhões 2006: US$ 140 trilhões Fluxos Financeiros Internacionais: (US$ constantes 2005) 1980: US$ 876 bilhões 2006: US$ bilhões Volume médio diário de transações cambiais 1989: US$ 650 bilhões 2004: US$ bilhões Fluxos Financeiros Internacionais Fluxos Financeiros Internacionais X Comercial X Comercial 7

8 Fluxos Financeiros Internacionais Fluxos Financeiros Internacionais Fluxos Financeiros Internacionais Fluxos Financeiros Internacionais B. Concorrência Internacional Disputa por transações financeiras internacionais: Bancos Comerciais Bancos de Investimento Conglomerados Financeiros Instituições Financeiras não Bancárias Financeiras próprias de Grupos Transnacionais e Investidores Institucionais Disputa por Mercados Emergentes 8

9 Investidores não Bancários Investidores não Bancários Mercados Financeiros Emergentes Mercados Financeiros Emergentes C. Integração dos Sistemas Financeiros Proporção crescente de ativos financeiros domésticos pertencente a estrangeiros Maior aplicação e aquisição de ativos no exterior Movimentos de Fusão e Aquisição de Instituições Financeiras Internacionais 9

10 Integração Financeira Internacional Integração Financeira Internacional Integração Financeira Internacional Integração Financeira Internacional Integração Financeira Internacional Integração Financeira Internacional 10

11 Integração do Sistema Financeiro Integração do Sistema Financeiro Integração do Sistema Financeiro Integração do Sistema Financeiro Integração do Sistema Financeiro Integração do Sistema Financeiro 11

12 - Determinantes - Determinantes 1) Fatores Ideológicos: Ascensão do Neoliberalismo ondas de liberalização cambial e desregulamentação do sistema financeiro munidial (anos 80) após a ruptura de Bretton Woods (anos 70). 2) Fatores Institucionais: Criação do Mercado de Euromoedas (anos 50-70) foi fundamental para a atual configuração do sistema financeiro internacional; Inovações financeiras e adaptação aos novos instrumentos de Hedge. 3) Progresso Tecnológico associado às TICs: Redução dos custos operacionais e custos de transação (informação e monitoramento) - Determinantes - Determinantes 4) Mudança da Estratégia dos Investidores institucionais e Empresas Transnacionais que operam em escala global Instabilidade de juros Cias de Seguro e câmbio e limites de DIVERSIFICAÇÃO E Fundos de Pensão expansão financeira DIVERSIFICAÇÃO Fundos Mútuos nos países desenvolvidos GEOGRÁFICA 5) Políticas econômicas dos países desenvolvidos: Controle monetário e combate à inflação Aumento dos juros incentivando os investimentos financeiros nos mercados de capitais e a arbitragem com juros Instabilidade e desalinhamento das taxas de câmbio e falhas de coordenação macroeconômica - Determinantes - Determinantes 6) Ordem Sistêmica: A globalização financeira é integrante do movimento global de acumulação e de financeirização da riqueza descolamento dos FFI e K Financeiro do PIB e Comércio Exterior Menor potencial de crescimento dos países desenvolvidos e ricos em capital Processos de reestruturação produtiva com base emm fortes movimentos de fusão e aquisição, revitalização da integração européia e reestruturação norte-americana 12

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