ARC Ratings atribui notação a curto prazo de B, com tendência positiva, ao Grupo Visabeira

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1 ARC Ratings atribui notação a curto prazo de B, com tendência positiva, ao Grupo Visabeira EMITENTE Grupo Visabeira SGPS, S.A. RATING DE EMITENTE Médio e Longo Prazo BB+ (BB+, com tendência estável) B Curto Prazo (B, com tendência positiva) DATA DAS NOTAÇÕES RATING DE EMISSÕES Curto Prazo 29 de Agosto de 2014 B (B, com tendência positiva) A ARC Ratings, S.A. (ARC Ratings) é da opinião que o pagamento atempado e na íntegra dos compromissos financeiros da GRUPO VISABEIRA S.G.P.S., S.A. (GRUPO VISABEIRA SGPS) sujeitos a rating depende da geração de fundos do Grupo, principalmente do desenvolvimento da actividade operacional, da evolução dos seus investimentos financeiros, das taxas de juro e da capacidade e vontade do sistema financeiro para acomodar as necessidades de financiamento do Grupo. Na medida em que em termos operacionais o Grupo estima uma contribuição equitativa do mercado nacional e internacional, a capacidade de geração de fundos é influenciada pela evolução dos riscos a que a actividade internacional está sujeita (nomeadamente cambial e político). Na opinião da ARC Ratings, a GRUPO VISABEIRA SGPS apresenta capacidade razoável para cumprir os seus compromissos financeiros, estando no entanto exposto a situações que poderão levar a uma inesperada deterioração desta capacidade. Assim, a ARC Ratings atribui a notação B, com tendência positiva, aos compromissos financeiros de curto prazo e BB+, com tendência estável, aos compromissos financeiros de médio e longo prazo. FUNDAMENTOS Os principais aspectos que caracterizam o perfil de risco do Grupo VISABEIRA SGPS são os seguintes: o risco de liquidez do Grupo apresentou redução com significado em 2013 e no período já decorrido de 2014; a geração de EBITDA tem origem principalmente na área de actividade das telecomunicações, energia, tecnologias e construção, na vertente da prestação de serviços, nomeadamente ao abrigo de contratos plurianuais com os operadores de infra-estruturas de telecomunicações e energia (no âmbito dos quais o Grupo se encontra bem posicionado em termos da qualidade do serviço prestado), e da exploração do serviço de distribuição de sinal de televisão e de internet nas principais cidades de Angola e de Moçambique (em fase de expansão); estas duas vertentes proporcionam uma estabilidade à geração de fundos; das restantes áreas de actividade destaca-se a geração de fundos pela indústria, nomeadamente pelo Grupo VAA com presença significativa na área internacional, e pelo turismo, em Portugal e em Moçambique (em fase de expansão); dado o peso da actividade internacional a geração de fundos encontra-se sujeita aos riscos cambiais e políticos dos países em que o Grupo está presente, nomeadamente em Angola e em Moçambique; no entanto as actividades ARC Ratings, S.A. 1/5

2 desenvolvidas pelo Grupo nestes países apresentam uma rendibilidade operacional superior à do mercado nacional possibilitando compensar estes riscos; considerando a expressão dos investimentos financeiros detidos pelo Grupo, os resultados das empresas nas quais participa e a política de distribuição de resultados têm impacto significativo na situação do Grupo; o saldo da dívida financeira do Grupo apresenta concentração na Caixa Geral de Depósitos, S.A. (CGD) e encontrase contratado maioritariamente a taxa de juro variável, pelo que a evolução da taxa de juro tem impacto na geração de fundos pelo Grupo. PERFIL DO GRUPO A GRUPO VISABEIRA SGPS é a holding de um Grupo com sede em Viseu, Portugal, que iniciou actividade em 1980 na área da prestação de serviços para infra-estruturas de operadores de telecomunicações e da área da energia. Em 2013 a contribuição da área internacional para o volume de negócios consolidado ascendeu a 41,7% (a mais elevada de sempre e mais 5,6 pontos percentuais (pp) que a verificada no ano anterior). Dos países em que o Grupo está presente destacam-se Moçambique, Angola e França, que em 2013 representaram, respectivamente, 14,4%, 12,5% e 11,7% do volume de negócios consolidado. Para além das participadas operacionais o Grupo detém investimentos financeiros que incluem acções representativas do capital social das seguintes empresas: Portugal Telecom, S.G.P.S., S.A. (PORTUGAL TELECOM) na qual detém 2,64%; a PORTUGAL TELECOM é maior operador português de telecomunicações, com presença internacional sobretudo no Brasil e em África; no final de 2013, considerando a cotação de fecho, o valor de mercado destas acções era de 74,7 milhões de euros (M ); o não reembolso, em Julho de 2014, pela Rio Forte Investments, SA de aplicações de tesouraria subscritas pelo Grupo PORTUGAL TELECOM conduziu a quebra significativa da cotação das acções da PORTUGAL TELECOM, que no período já decorrido de 2014 até 15 de Agosto apresentou desvalorização de 56,4%; NOS SGPS, S.A., que resultou da redenominação em 20 de Junho de 2014 da ZON OPTIMUS, SGPS, S.A. (ZON OPTIMUS, SGPS), na qual detém 1,36%; esta entidade teve origem na fusão, em Agosto de 2013, entre dois operadores de telecomunicações nacionais, a ZON MULTIMÉDIA Serviços de Telecomunicações e Multimédia, SGPS, S.A. (ZON MULTIMÉDIA), e a Optimus SGPS, S.A., e tem também presença em África; no final de 2013, considerando a cotação de fecho, o valor de mercado destas acções era de 37,8 M ; no período já decorrido de 2014 até 15 de Agosto esta cotação apresentou desvalorização de 24,8%; EDP - Energias de Portugal, S.A. (EDP) na qual detém 0,45%; a EDP é a líder no mercado nacional de produção, distribuição e comercialização de electricidade, tendo também presença internacional significativa, nomeadamente em Espanha, no Brasil e nos EUA; no final de 2013, considerando a cotação de fecho, o valor de mercado destas acções era de 43,5 M ; no período já decorrido de 2014 até 15 de Agosto esta cotação apresentou valorização de 27,5%. O Grupo pretende alienar o conjunto destas participações a médio e longo prazo. O capital social da GRUPO VISABEIRA SGPS é de 115,1 M, tendo com principal accionista desde sua constituição o Senhor Engenheiro Fernando Campos Nunes, que detém indirectamente uma participação de 78,26% (a que correspondem 86,96% dos direitos de voto). O Grupo conta também desde 2005 com accionistas institucionais a Caixa Capital - Sociedade de Capital de Risco, S.A. (CAIXA CAPITAL), que detém 6,81% do capital social e a AICEP CAPITAL GLOBAL - Sociedade de Capital de Risco, S.A. (AICEP CAPITAL), em representação de fundos de capital de risco, com uma participação de 4,38%). ARC Ratings, S.A. 2/5

3 EVOLUÇÃO RECENTE E PERSPECTIVAS Em 2013 face ao ano anterior o volume de negócios consolidado da GRUPO VISABEIRA SGPS aumentou 5,4%, alcançando 562,9 M, sendo que considerando o mesmo perímetro e métodos de consolidação o aumento ascendeu a 5,0%. O aumento do volume de negócios foi conseguido através do desenvolvimento da actividade internacional, de 21,6%, que mais que compensou a quebra no mercado nacional, de 3,7%, em linha com o verificado no exercício Assim, em termos homólogos, a contribuição da área internacional para o volume de negócios consolidado aumentou em 5,6 pp, para 41,7% (a mais elevada de sempre com Angola a representar 12,5%, Moçambique a representar 14,4% e França a representar 11,7%. Entre os períodos indicados o EBITDA da GRUPO VISABEIRA SGPS, em termos consolidados e de natureza corrente, registou um aumento de 20,5%, para 82,5 M. A contribuição das participadas que actuam no exterior para o EBITDA foi de 48,6% (-5,9 pp face à de 2012)), tendo Angola contribuído com 30,4%, Moçambique com 18,5% (-3,1 pp face à de 2012) e França com 1,8% (-0,5 pp face à de 2012). A menor contribuição da actividade desenvolvida no exterior para o EBITDA consolidado deveu-se principalmente à descida da rendibilidade operacional, que foi mais expressiva em Angola (de -7,8 pp, para 35,8%) atendendo à fase de expansão, num contexto em que se verificou uma melhoria de rendibilidade no mercado nacional. Em 2013 os investimentos financeiros detidos proporcionaram o recebimento pelo Grupo de 11,5 M de dividendos brutos, -50,6% face aos dividendos ordinários recebidos em 2012 (em 2011 os dividendos brutos atribuídos foram de 38,2 M, dos quais 15,4 M foram extraordinários). Atendendo a que as acções detidas continuam a estar registadas ao justo valor, e, pela sua natureza, não têm impacto a nível do EBITDA e do EBIT, os rácios de cobertura dos gastos financeiros de financiamento por estes agregados proporcionam uma informação incompleta. Assim, considerando também para o cálculo destes rácios de cobertura o valor de dividendos registados verifica-se uma melhoria da cobertura para 1,9 vezes (face a 1,7 vezes em 2012) no caso do EBITDA e para 1,4 vezes (face a 1,3 vezes em 2012) no caso do EBIT. O indicador de cobertura dos pagamentos de juros e similares pelos meios libertos operacionais (MLO) adicionado do valor de dividendos recebidos registou também uma melhoria para 2,3 vezes em 2013, face a 1,9 vezes em Em 2013 o Grupo efectuou investimentos em activos fixos tangíveis de 98,3 M, mais cerca de 60,0% do que em 2012, dos quais se destacam o realizado na área de negócio Telecomunicações, Energia, Tecnologias e Construção, de cerca de 68,0 M, nomeadamente na construção das redes de telecomunicações em Portugal, Angola e Moçambique, e na área da Indústria pelo Grupo VAA, de 23,0 M, em particular o realizado na nova fábrica destinada a fornecimento ao IKEA. De referir que parte dos investimentos realizados na construção das redes de telecomunicações em Portugal (redes de nova geração) beneficiam de financiamento na modalidade de incentivo não reembolsável de cerca de 70%. No final de 2013 o saldo da dívida financeira do Grupo, líquido do valor de depósitos cativos (em resultado das condições negociadas), ascendia a 715,3 M, -16,6 M face ao final de No final de 2013 o risco de liquidez 1 do Grupo ascendia a 75,8%, -11,3 pp face ao de final de 2012, reflectindo a descida do valor da dívida financeira exigível a curto prazo, em 6,5 M, e o aumento do valor dos financiamentos contratados e não utilizados, em 27,2 M, para 34,9 M no final de De entre as medidas tomadas pelo Grupo no período já decorrido de 2014, e no sentido da redução do risco de liquidez, é de salientar a emissão de um novo empréstimo obrigacionista em Julho de 2014 no 1 Calculado pelo rácio entre a dívida financeira que se vence a curto prazo líquida de disponibilidades e de activos financeiros e não correntes detidos para venda e a dívida financeira que se vence a curto prazo líquida de disponibilidades e de activos financeiros e não correntes detidos para venda acrescida dos financiamentos contratados e não utilizados. ARC Ratings, S.A. 3/5

4 montante de 70,0 M com maturidade de 5 anos, na modalidade bullet. No que respeita à concentração por instituição financeira do saldo da dívida financeira consolidada, sem considerar o valor da componente de capital das rendas vincendas de contratos de locação financeira, no final de 2013 a Caixa Geral de Depósitos, S.A. (CGD) mantinha-se o principal financiador do Grupo, representando 56,9% (-2,7 pp, face ao final de 2012). À semelhança dos períodos anteriores, no final de 2013 o saldo da dívida financeira do Grupo tinha sido contratado, maioritariamente, a taxa de juro indexada (à EURIBOR e à LIBOR), pelo que considerando o saldo da dívida contratada a taxa de juro fixa, ou nula, que era exigível a médio e longo prazo e a cobertura proporcionada a médio e longo prazo pelos swaps de taxa de juro o rácio do risco de taxa de juro do Grupo era de 88,9%. Num contexto de aumento do valor do activo do Grupo, em 71,0 M, para 1 520,4 M no final de 2013, o rácio de autonomia financeira registou um ligeiro decréscimo para 23,2% se forem incluídos interesses minoritários. Os seguintes aspectos influenciam de forma decisiva a evolução do rácio de autonomia financeira do Grupo: a valorização da carteira de acções detida e a variação do justo valor das propriedades de investimento. Num contexto de realização de investimento de cerca de 200,0 M no período de 2014 a 2018, particularmente na principal área de actividade no exterior, o Grupo estima uma expansão de actividade a uma taxa de crescimento média anual de 6,3% entre 2014 e As perspectivas do Grupo apontam para uma melhoria da rendibilidade da actividade suportada pelo aumento da rendibilidade no mercado nacional, por forma a atingir um EBITDA de 96,2 M em 2014 e de 134,3 M em A actividade do Grupo é caracterizada por alguma sazonalidade, particularmente na área da indústria. Nos primeiros quatro meses de 2014, em termos homólogos, verificou-se uma expansão do volume de negócios, de 12,1% para 186,2 M. O EBITDA situou-se em 25,3 M, conduzindo a uma melhoria do rácio EBITDA sobre o volume de negócios de 0,9 pp, para 13,6% no período em análise. O Grupo estima que o saldo da dívida, após registar um ligeiro aumento no final de 2014, registe sucessivas descidas nos anos seguintes, mais expressivas em 2017 e 2018 para 466,2 M no final deste ano. No horizonte temporal em análise, o Grupo perspectiva um aumento de maturidade da dívida financeira, nomeadamente com a colocação de um empréstimo obrigacionista de 70,0 M em meados de 2014, já realizado. Num contexto de aumento do activo em 2014 e em 2015, de estabilidade em 2016 e de descida nos anos seguintes (para 1 417,9 M no final de 2018), as perspectivas apontam para melhorias contínuas do rácio de autonomia financeira para 33,6% se forem considerados os interesses minoritários (+10,4 pp, respectivamente, face aos estimados para o final de 2014). FACTORES SOB OBSERVAÇÃO Na medida em que poderão influenciar a capacidade da GRUPO VISABEIRA SGPS honrar, atempadamente e na íntegra, os compromissos financeiros sujeitos a rating, a ARC Ratings manterá sob observação os seguintes aspectos: a capacidade de geração, e recebimento, de EBITDA e a evolução dos riscos cambiais e políticos a que se encontra sujeita, num contexto em que o Grupo estima uma contribuição mais equitativa entre os mercados nacional e internacional, mantendo uma dependência significativa da actividade desenvolvida em Angola e em Moçambique; a evolução da cotação das acções em carteira, e dos respectivos dividendos; a capacidade do Grupo em renovar e / ou obter novos financiamentos necessários; a taxa de juro e / ou spreads praticados no saldo da dívida financeira do Grupo, particularmente da não relacionada ARC Ratings, S.A. 4/5

5 com o financiamento da aquisição das acções; a concretização do plano de investimentos conforme previsto; a evolução da autonomia financeira consolidada da GRUPO VISABEIRA SGPS. ESTA DIVULGAÇÃO É MERAMENTE INFORMATIVA, NÃO DISPENSANDO A LEITURA DO RESPECTIVO RELATÓRIO DE RATING ARC Ratings, S.A. Rua Luciano Cordeiro, 123 R/C Esq Lisboa PORTUGAL Tel: Fax: Site: A ARC Ratings, S.A. está registada como Agência de Notação de Risco (CRA) junto da European Securities and Markets Authority (ESMA), de acordo com o REGULAMENTO (CE) Nº 1060/2009 DO PARLAMENTO EUROPEU E DO CONSELHO, de 16 de Setembro de 2009, e reconhecida como External Credit Assessment Institution (ECAI) para Empresas pelo Banco de Portugal. Os ratings não constituem recomendações de compra ou venda, sendo apenas um dos elementos a ponderar pelos investidores. Os ratings atribuídos pela ARC Ratings baseiam-se em informação recolhida junto de um conjunto alargado de fontes de informação, com destaque para a prestada pela entidade cujos compromissos financeiros são sujeitos a rating, incluindo informação confidencial, a qual é utilizada e trabalhada, com todo o cuidado, pela ARC Ratings. Não obstante os cuidados na obtenção, cruzamento e tratamento da informação para efeitos da análise de rating, a ARC Ratings não se pode responsabilizar pela sua veracidade, sendo exigível a percepção por parte da ARC Ratings de um nível mínimo de qualidade da informação para que se proceda à atribuição das notações de rating. ARC Ratings, S.A. 5/5

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