Curso de Economia (2º semestre 2004) ISEG. Princípios básicos da teoria financeira na avaliação de empresas

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1 Análise Financeira Curso de Economia (2º semestre 2004) ISEG Princípios básicos da teoria financeira na avaliação de empresas Lisboa, Abril de 2004 Preparado por: Filipe de Almeida Pereira NOTA; Para uso exclusivo dos alunos do ISEG Copyright FAP_ISEG_Economia_aulas_2004_Rev 1

2 Sumário Princípios básicos da teoria financeira na avaliação de empresas Os métodos do Valor Actual Líquido (VAL) e da Taxa Interna de Rendibilidade (TIR) O Risco associado aos activos e aos negócios Relação risco e rendibilidade 2 Copyright FAP_ISEG_Economia_aulas_2004_Rev 1

3 Nas finanças, tal como noutros aspectos da nossa vida, o tempo tem valor: Se temos um determinado valor a receber, mais vale que seja já, do que daqui a 20 dias. No oposto, se temos uma certa quantia a pagar, é melhor daqui a 30 dias do que hoje. Este é o tema central do conceito do Valor Temporal do Dinheiro (Time Value of Money): É mais vantajoso receber 100 euros hoje do que 100 euros dentro de 6 meses. Se contrairmos um empréstimo hoje, quanto mais longo for o seu prazo de reembolso, maior será o valor total a pagar. 3 Copyright FAP_ISEG_Economia_aulas_2004_Rev 1

4 As relações fundamentais da actualização e da capitalização em regime de capitalização composta ou juro composto, são: Valor Actual = VF x FA Onde: Valor Final = VA x FC VA - Valor actual, valor a desconto ou o valor de hoje de algo que terá lugar no futuro, quer seja um recebimento ou um pagamento e cujo montante é conhecido; VF - Valor futuro, acumulado ou capitalizado, de algo cujo valor no presente se conhece; FA = Factor de actualização ou de desconto, um número que torna equivalente um montante futuro e conhecido com o do presente, que não se conhece. FA = 1 / (1 + i) n FC - Factor de capitalização, um número que toma equivalente um montante conhecido no presente, mas que não se conhece no futuro. FC = (1 + i) n onde i = taxa de juro (normalmente, anual) e n = tempo em anos 4 Copyright FAP_ISEG_Economia_aulas_2004_Rev 1

5 Como se pode constatar qualquer um dos factores de actualização e de capitalização depende das variáveis: Taxa de juro Tempo. O quadro a seguir sintetiza a implicação das variáveis nos factores. 5 Copyright FAP_ISEG_Economia_aulas_2004_Rev 1

6 Juro e taxa de juro O juro corresponde ao custo (para o devedor) ou ao rendimento (para o credor) de um capital aplicado durante um certo período. A taxa de juro corresponde à percentagem do custo ou do rendimento em relação ao capital e é reportada ao tempo respectivo. Factor de capitalização No que concerne ao factor de capitalização, podemos concluir que: Se investirmos num depósito a prazo por 3 anos, o valor final a receber é superior a outro feito por 2 anos, tendo ambos a mesma taxa de juro. Se investirmos num depósito a prazo por 2 anos, com uma taxa de 5%, receberemos mais do que com outro também por 2 anos, mas com uma taxa de 4%. 6 Copyright FAP_ISEG_Economia_aulas_2004_Rev 1

7 Factor de actualização Quanto ao factor de actualização, concluímos também que: Se recebermos um certo montante dentro de 3 anos, o seu valor hoje é inferior ao de outro do mesmo montante, mas que será recebido daqui a 2 anos, assumindo a mesma taxa de juro. Se recebermos um certo montante dentro de 2 anos e a que está associada uma taxa de juro de 6%, o valor presente desta situação é inferior a outra com o mesmo montante a receber, no mesmo prazo, mas a que está associada uma taxa de 2%. 7 Copyright FAP_ISEG_Economia_aulas_2004_Rev 1

8 Exercício prático 1 Sejam 2 depósitos de 10,000 euros por 2 e 3 anos com uma taxa de juro de 5%. Quais são os correspondentes factores de capitalização? E quanto será recebido no final? 8 Copyright FAP_ISEG_Economia_aulas_2004_Rev 1

9 Exercício prático 2 (resolução) Factor de capitalização: FC (2 anos) = (1+0,05) 2 = 1,1025 FC (3 anos) = (1+0,05) 3 = 1,1576 Valor futuro: No primeiro caso, receberemos: Enquanto que no segundo esse valor será de: VF (2 anos) = 10,000 euros x 1,1025 = 11,025 euros VF (3 anos) = 10,000 euros x 1,1576 = 11,576 euros 9 Copyright FAP_ISEG_Economia_aulas_2004_Rev 1

10 Exercício prático 2 Sejam agora os valores de 100,000 euros a receber daqui a 2 e a 3 anos, assumindo a taxa de juro de 5%. Quais serão os correspondentes factores de actualização? E quanto valem hoje esses montantes? 10 Copyright FAP_ISEG_Economia_aulas_2004_Rev 1

11 Exercício prático 2 (resolução) Factor de capitalização: FA (2 anos) = 1/(1 + 0,05) 2 = 1/1,1025 = 0,90703 FA (3 anos) = 1/(1 + 0,05) 3 = 1/1,1576 = 0,86384 Valor futuro: No primeiro caso, os 100,000 euros que receberemos daqui a 2 anos valem hoje: VA (2 anos) = 0,90703 x 100,000 = 90,703 euros Enquanto que os 100,000 euros que receberemos daqui a 3 anos valem hoje: VA (3 anos) = 0,86384 x 100,000 = 86,384 euros Como se verifica, os factores de actualização e de capitalização conduzem a resultados de sentido oposto. 11 Copyright FAP_ISEG_Economia_aulas_2004_Rev 1

12 Exercício prático 3 Para terminar esta pequena referência ao Valor Temporal do Dinheiro, vai assumir-se agora que nas situações atrás indicadas, a taxa de juro era de 8%. Quais seriam os resultados? 12 Copyright FAP_ISEG_Economia_aulas_2004_Rev 1

13 Exercício prático 3 (resolução) Exercício 1 FC (2 anos) = (1+ 0,08) 2 = 1,1664 VF (2 anos) = 10,000 x 1,1664 = 11,664 euros FC (3 anos) = (1 + 0,08) 3 = 1,2597 VF (3 anos) = 10,000 x 1,2597 = 12,597 euros Exercício 2 FA (2 anos) = 1 / (1 + 0,08)2 = 0,85734 VA (2 anos) = 0,85734 x 100,000 = 85,734 euros FA (3 anos) = 1/(1 + 0,08) 3 = 0,79383 VA (3 anos) = 0,79383 x 100,000 = 79,383 euros 13 Copyright FAP_ISEG_Economia_aulas_2004_Rev 1

14 Veja-se o quadro seguinte onde os resultados se obtêm com uma calculadora com funções financeiras: 14 Copyright FAP_ISEG_Economia_aulas_2004_Rev 1

15 A comparação dos resultados justifica o que foi anteriormente referido sobre actualização e capitalização. No entanto, o esquema a seguir ajuda ainda a uma conclusão final. 15 Copyright FAP_ISEG_Economia_aulas_2004_Rev 1

16 O recurso às tabelas financeira*, a uma calculadora com funções financeiras ou a uma folha de cálculo (MS excel) permite obter os valores para cálculo dos resultados. Do conteúdo das tabelas podemos ter acesso a quatro grupos de informação: Valor actual de uma importância Valor futuro de uma importância Valor actual de uma anuidade Valor futuro de uma anuidade (*) SOARES, CARLOS e MIGUEL CADILHE, Lições de Matemática Financeira e Noções Complementares, Edições ASA, 2" edição, Copyright FAP_ISEG_Economia_aulas_2004_Rev 1

17 Tabela financeira (exemplo): 17 Copyright FAP_ISEG_Economia_aulas_2004_Rev 1

18 Notas à tabela financeira: A consulta às tabelas (para a taxa de 5%) apresenta os valores da 1ª e da 2ª coluna. Os valores da 3ª coluna obtêm-se com facilidade: O valor do 1 ano é igual ao da 2ª coluna, uma vez que o tempo é igual a 1. O valor do 2 ano obtém-se subtraindo ao valor do ano 2 o valor do ano 1, da 2ª coluna: 1, , = 0, A coluna (1) inclui os factores referentes ao valor futuro de um determinado valor e conforme o tempo os seus valores são o inverso da coluna (3). A utilização de uma calculadora com a introdução de (1,05) 2 conduzia ao valor de 1, De seguida, a tecla [1/x] conduz ao inverso, que neste caso é 0, Para os anos seguintes, o procedimento é igual: 18 Copyright FAP_ISEG_Economia_aulas_2004_Rev 1

19 Exercício prático Para suporte dos vários conceitos já apresentados, vai assumir-se a existência da Fundação CapMerg. Numa primeira situação, a fundação propõe-se suportar o custo de uma pesquisa para a qual pode doar euros por ano e durante 5 anos. Quanto valerá hoje esse auxílio com base numa taxa de 5%? 19 Copyright FAP_ISEG_Economia_aulas_2004_Rev 1

20 Exercício prático (resolução) O valor do factor pode ser obtido directamente da tabela a A n onde para n = 5 e para i = 5%, se obtém 4, Deste modo, o potencial auxílio da Fundação CapMerg vale hoje: euros x 4, = euros. O valor do factor 4, podia ainda ser calculado em relação em cada um dos 5 anos. Neste caso a coluna (3) da nossa tabela seria utilizada do seguinte modo: 20 Copyright FAP_ISEG_Economia_aulas_2004_Rev 1

21 Exercício prático (resolução) Neste exemplo, assumiu-se uma prestação normal em que as doações são efectuadas no fim de cada período. Se fosse no princípio o valor da doação seria o seguinte: Como se verifica, este último valor é mais elevado. 21 Copyright FAP_ISEG_Economia_aulas_2004_Rev 1

22 Exercício prático Assumindo agora que não era pacífica a doação em análise, o conselho da Fundação CapMerg desejava saber quanto valeria a decisão de investir aqueles montantes ao fim dos 5 anos. Estamos em presença de um valor futuro e o mais simples é recorrer à tabela e procurar o ano 5 na coluna (4). Como: Ter-se-á: 22 Copyright FAP_ISEG_Economia_aulas_2004_Rev 1

23 Intervalos discretos e intervalos contínuos A capitalização refere-se à frequência do cálculo dos juros e da sua adição ao valor principal ( principal ). Sempre que uma instituição bancária efectua o lançamento de juros numa conta de depósitos de um cliente, poderá fazê-lo de uma vez só por ano, ou por duas, três, quatro ou mais vezes. Diz-se que o faz em intervalos discretos, porque podemos contar o número de vezes por ano que os juros são calculados. Assim, se a uma aplicação de euros estiver associada uma taxa de 5% e se o cálculo dos juros for efectuado uma vez por ano, o valor acumulado será: VF (1 ano) = euros x 1,05 = euros E se os juros forem calculados trimestralmente? O que variará e o que significará a nova maneira de calcular os juros? 23 Copyright FAP_ISEG_Economia_aulas_2004_Rev 1

24 Intervalos discretos e intervalos contínuos (cont.) A expressão os juros calculados trimestralmente não quer dizer que se obtém todos os trimestres 5% sobre o capital investido: O significado da expressão é de que a conta será creditada por 1 / 4 de 5% e quatro vezes por ano. No primeiro trimestre, o capital de euros irá render 5%/ 4 ou 1,25%. Este montante será adicionado ao montante inicial passando o novo valor a ser de 1.012,5 euros (= ,5). Três meses depois, os 1.012,5 euros renderão 1,25% (12,66 euros) passando a conta a apresentar 1.025,16 (= 1012,5 + 12,66). O processo continuará até ao final do ano. Este valor acumulado com frequência trimestral é superior ao obtido com a frequência anual. O valor final poderia ser obtido com o uso das tabelas (1.000 euros x 1, = 1.050,94). 24 Copyright FAP_ISEG_Economia_aulas_2004_Rev 1

25 Intervalos discretos e intervalos contínuos (cont.) Esta forma de cálculo conduz-nos a adaptar a fórmula inicial do valor capitalizado: Sendo n o número de anos, em relação à frequência m (neste caso, trimestral = 4). A nova fórmula será: Se m for igual a 12 (frequência mensal), o valor capitalizado será: 25 Copyright FAP_ISEG_Economia_aulas_2004_Rev 1

26 Intervalos discretos e intervalos contínuos (cont.) Em síntese, e por período de capitalização do juros, temos: Podemos concluir que: Quanto mais elevada for a frequência de cálculo dos juros, mais elevado será o valor acumulado e mais elevada será a taxa efectiva. 26 Copyright FAP_ISEG_Economia_aulas_2004_Rev 1

27 Intervalos discretos e intervalos contínuos (cont.) No entanto o cálculo dos juros pode ser efectuado ao minuto, ao segundo ou mesmo em intervalos mais pequenos através do regime de capitalização contínua onde o número de intervalos é infinito. Assim, em vez da fórmula : Utiliza-se a seguinte fórmula: Este resultado constitui a base dos logaritmos naturais e sabendo que: Assim a equação anterior é alterada para: VF = VA x e in (1.000 x e 0,05 = 1.051,27) (em que, e = 2,71828) 27 Copyright FAP_ISEG_Economia_aulas_2004_Rev 1

28 Taxas nominais e taxas efectivas Conforme se pode verificar, para os intervalos contínuos e discretos, uma taxa de 5% conduziu a rendimentos diferentes, conforme as frequências do cálculo dos juros. Assim a taxa de 5% é uma taxa nominal, enquanto que cada frequência apresenta valores acumulados diferentes e por consequência, rendimentos específicos também diferentes. Cada um destes rendimentos constitui uma taxa efectiva. 28 Copyright FAP_ISEG_Economia_aulas_2004_Rev 1

29 Taxas nominais e taxas efectivas Frequentemente temos a necessidade de encontrar uma taxa de juro anual e efectiva, quando os juros são calculados em intervalos inferiores ao ano e conhecemos a taxa referente ao período, por exemplo, 0,75% ao mês. A taxa de juro anual e efectiva pode ser calculada em relação aos meses ou aos dias. Em que: i n = taxa de juro para cada período de tempo (ex: semestral) n = n.º de meses do período de tempo x = n.º de dias do período de tempo 29 Copyright FAP_ISEG_Economia_aulas_2004_Rev 1

30 Taxas nominais e taxas efectivas EXEMPLOS: Cálculo da taxa de juro anual e efectiva para: 30 Copyright FAP_ISEG_Economia_aulas_2004_Rev 1

31 Taxas nominais e taxas efectivas EXEMPLOS: Cálculo da taxa de juro anual e efectiva para: 31 Copyright FAP_ISEG_Economia_aulas_2004_Rev 1

32 Anuidades e perpetuidades sem crescimento Voltando ao exemplo da Fundação CapMerg vai assumir-se que o seu conselho de administração decidiu criar uma instituição de apoio que representará um custo de euros por ano, com início imediato e com uma distribuição uniforme e pelo prazo de 20 anos. Qual é o valor actual da nova situação? A fórmula a utilizar tem de ter em conta os aspectos contínuos na utilização dos fundos e será a seguinte: Em que, C é o capital de euros. 32 Copyright FAP_ISEG_Economia_aulas_2004_Rev 1

33 Anuidades e perpetuidades sem crescimento A taxa a utilizar será de novo de 5%. No entanto, agora será necessário encontrar uma taxa de capitalização contínua equivalente a 5% em regime discreto. Neste caso 1,05 (em regime discreto) = e 0,04879 (nota: e 0,04879 x 20 = 2,65329) VA = x 12, = ,64 euros Este é valor actual do investimento com utilização contínua dos euros por ano pelo prazo de 20 anos 33 Copyright FAP_ISEG_Economia_aulas_2004_Rev 1

34 O efeito do crescimento nas anuidades e nas perpetuidades Importa agora incorporar as situações de crescimento esperável. Por exemplo, se os fluxos de tesouraria (pagamentos ou recebimentos) crescerem a uma taxa de crescimento constante (g), a anuidade crescente será agora: Onde: C ( fluxos de tesouraria) g (taxa de crescimento) i (taxa de juro) A fórmula acima pode ser representada de uma forma mais curta: 34 Copyright FAP_ISEG_Economia_aulas_2004_Rev 1

35 O efeito do crescimento nas anuidades e nas perpetuidades O exemplo da Fundação CapMerg pode ser retomado, prevendo-se que as despesas vão crescer 2,5% por ano, pelo que o investimento será, nos anos posteriores e em cada ano, superior aos euros. Este valor é agora mais elevado do que o anterior, em que não se previa o crescimento das despesas em 2,5% por ano. 35 Copyright FAP_ISEG_Economia_aulas_2004_Rev 1

36 O efeito do crescimento nas anuidades e nas perpetuidades Por último, podemos considerar a hipótese de a Fundação CapMerg não limitar o horizonte temporal de apoio e desejar que tal seja perpétuo. Também aqui se vão colocar as hipóteses de não haver crescimento das despesas e de existir crescimento à mesma taxa de 2,5% por ano. No caso de não haver crescimento a fórmula a utilizar será: Aplicando os valores correspondentes, teremos: 36 Copyright FAP_ISEG_Economia_aulas_2004_Rev 1

37 O efeito do crescimento nas anuidades e nas perpetuidades Com o crescimento das despesas, a fórmula a utilizar seria: Esta fórmula parece difícil de utilizar; porém, nos casos em que a taxa de juro for superior à taxa de crescimento Apresenta-se de forma mais simples: O efeito do crescimento de 2,5% por ano nas despesas no horizonte perpétuo, faz dobrar o valor do investimento em relação à situação de não crescimento. 37 Copyright FAP_ISEG_Economia_aulas_2004_Rev 1

38 O efeito do crescimento nas anuidades e nas perpetuidades Em resumo, apresentam-se as fórmulas inerentes ao Valor Actual (VA) de anuidades e perpetuidades que, para efeitos de avaliação, nos parecem mais relevantes. 38 Copyright FAP_ISEG_Economia_aulas_2004_Rev 1

39 Sumário Princípios básicos da teoria financeira na avaliação de empresas Os métodos do Valor Actual Líquido (VAL) e da Taxa Interna de Rendibilidade (TIR) O Risco associado aos activos e aos negócios Relação risco e rendibilidade 39 Copyright FAP_ISEG_Economia_aulas_2004_Rev 1

40 Os métodos do Valor Actual Líquido e da Taxa Interna de Rendibilidade Introdução Os métodos de avaliação mais modernos utilizam os conceitos do valor actual líquido (VAL) e da taxa interna de rendibilidade (TIR). Serão apresentados os modelos dos fluxos de tesouraria actualizados (sob a forma de dividendos ou de free cash flows) o EVA - Valor Económico Acrescentado e associados, o CFROI - Cash Flow Return On Investment, o CVA - Cash Value Added e outros. Todos têm por base os processos de actualização e capitalização introduzidos no ponto anterior. Daqui a sua importância. 40 Copyright FAP_ISEG_Economia_aulas_2004_Rev 1

41 Os métodos do Valor Actual Líquido e da Taxa Interna de Rendibilidade O VAL: Valor Actual Líquido ("Net Present Value") O VAL - Valor Actual Líquido representa o valor actual dos fluxos de tesouraria (cash flows) de um projecto. É um método muito utilizado na análise de projectos de investimento e na avaliação de empresas e de negócios, que se constituem como investimentos. O processo técnico do cálculo do VAL consiste em: Actualizar todas as variáveis de proveitos e de custos inerentes a um projecto de investimento (resultados operacionais líquidos de imposto de um projecto) a uma determinada taxa de actualização. Calcular o valor líquido entre os valores atualizados positivos e negativo. No caso do VAL ser positivo, o projecto será seleccionado; se for negativo, o projecto pode ser rejeitado. 41 Copyright FAP_ISEG_Economia_aulas_2004_Rev 1

42 Os métodos do Valor Actual Líquido e da Taxa Interna de Rendibilidade O VAL: Valor Actual Líquido ("Net Present Value") A fórmula essencial do VAL é a seguinte: onde, I = representa o investimento efectuado no período inicial do projecto (período O). t = representa qualquer período. CFt = corresponde aos fluxos de tesouraria esperados, quer sejam positivos ou negativos (Cash flow do projecto = Resultados operacionais líquidos de imposto + amortizações - investimento em necessidades de fundo de maneio - investimento em capital fixo (imobilizações). r = taxa de rendibilidade ou custo de oportunidade mínimo exigido aos capitais investidos no projecto (ou custo de capital do projecto). 42 Copyright FAP_ISEG_Economia_aulas_2004_Rev 1

43 Os métodos do Valor Actual Líquido e da Taxa Interna de Rendibilidade O VAL: Valor Actual Líquido ("Net Present Value") Um exemplo simples pode ajudar a apresentar o método VAL: A empresa CapVAL está a considerar efectuar um investimento de euros num equipamento novo. Os fluxos líquidos de tesouraria (receitas - despesas) esperados são de euros no primeiro ano e de no segundo ano. A CapVAL só aceita projectos de investimento que apresentem uma taxa de rendibilidade superior a 15%. Será este projecto viável face à política de investimento em vigor na empresa? 43 Copyright FAP_ISEG_Economia_aulas_2004_Rev 1

44 Os métodos do Valor Actual Líquido e da Taxa Interna de Rendibilidade O VAL: Valor Actual Líquido ("Net Present Value") Resolução: Tendo os fluxos de tesouraria sido actualizados à taxa de 15% e como o VAL é positivo, este projecto é seleccionado. 44 Copyright FAP_ISEG_Economia_aulas_2004_Rev 1

45 Os métodos do Valor Actual Líquido e da Taxa Interna de Rendibilidade A TIR: Taxa Interna de Rendibilidade ("Internal Rate of Return") Este método está relacionado com o VAL: Se este for igual a zero (0) a taxa interna de rendimento do projecto equivale à taxa de actualização utilizada. No método do VAL a informação foi a de investir (VAL>0) com base numa taxa de actualização (hurdle rate) (1) de 15%. Porém, não conhecemos a taxa interna de rendibilidade específica do projecto: esse é o objectivo da TIR. O método da TIR procura determinar a taxa de actualização para a qual o VAL é igual a zero. A fórmula de base é a seguinte: VA investimento = VA fluxos do projecto (1) expressão anglo-saxónica para a taxa de actualização, hurdle rate (que significa que para o projecto ser seleccionado tem de apresentar uma taxa de rendibilidade superior, ultrapassando assim a barreira (hurdle) fixada pela empresa (taxa mínima de rendibilidade ou custo de capital do projecto). 45 Copyright FAP_ISEG_Economia_aulas_2004_Rev 1

46 Os métodos do Valor Actual Líquido e da Taxa Interna de Rendibilidade A TIR: Taxa Interna de Rendibilidade ("Internal Rate of Return") Resolvendo, obtém-se: A TIR será então igual a 24,3%. O método da TIR indica que um projecto é seleccionado, sempre que a sua TIR for superior à taxa de actualização. Neste caso, a TIR de 24,3% é superior a 15%. 46 Copyright FAP_ISEG_Economia_aulas_2004_Rev 1

47 Os métodos do Valor Actual Líquido e da Taxa Interna de Rendibilidade A TIR: Taxa Interna de Rendibilidade ("Internal Rate of Return") As funções do Excel ou de outra folha de cálculo ajudam a chegar aos valores da TIR e do VAL com grande rapidez. No caso do Excel deverão procurar-se em fx as funções financeiras: VAL (ou NPV, em inglês) TlR (ou IRR, em inglês) Embora se possa dizer que a TIR é um método complementar do VAL, no caso de os métodos darem informações em sentido oposto, investir/não investir, a decisão deverá ser tomada com base na informação do VAL. 47 Copyright FAP_ISEG_Economia_aulas_2004_Rev 1

48 Os métodos do Valor Actual Líquido e da Taxa Interna de Rendibilidade A TIR: Taxa Interna de Rendibilidade ("Internal Rate of Return") O conflito que existe entre o VAL e a TIR advém do facto de apresentarem pressupostos diferentes quanto ao reinvestimento dos fluxos de tesouraria (cash flows) que vão sendo gerados. O critério do VAL assume que todos os fluxos intermédios do projecto são reinvestidos à taxa do custo de capital O critério da TIR assume esse reinvestimento à taxa TIR. Este critério é mais agressivo e daí a preferência pelo VAL em caso de conflito de informação para a tomada de decisões. Também, quando os fluxos de tesouraria forem irregulares (ex: investimentos em vários anos) deve usar-se o VAL e não a TIR. 48 Copyright FAP_ISEG_Economia_aulas_2004_Rev 1

49 Sumário Princípios básicos da teoria financeira na avaliação de empresas Os métodos do Valor Actual Líquido (VAL) e da Taxa Interna de Rendibilidade (TIR) O Risco associado aos activos e aos negócios Relação risco e rendibilidade 49 Copyright FAP_ISEG_Economia_aulas_2004_Rev 1

50 O risco associado aos activos e aos negócios Introdução A compra de acções na bolsa implica uma troca de activos e uma substituição de riscos: do risco nulo (que é o dinheiro) para o risco das acções. Sendo nós por natureza adversos ao risco porque razão queremos assumir riscos? A resposta é óbvia: "esperamos obter mais rendimento como compensação pela troca de activos e pelo risco acrescido". Porém, mesmo na compra de acções, nem todas as pessoas se comportam do mesmo modo: Umas adquirem acções que parecem mais arriscadas, em linguagem técnica, mais voláteis, Enquanto outras adquirem as menos voláteis (a volatilidade está associada à amplitude das variações nas cotações). 50 Copyright FAP_ISEG_Economia_aulas_2004_Rev 1

51 O risco associado aos activos e aos negócios Algumas definições de risco "Risco constitui o conjunto de acontecimentos que não são procurados, nem são desejados". Dickson, G. A., Corporate Risk Management, IRM, 1995 quando numa determinada situação existe incerteza sobre os resultados e existe a possibilidade de que esses resultados sejam desfavoráveis". Vaughan E. e Vaughan T" Essentials of InsuranceA Risk Management Perspective, J. Wiley & Sons, "O risco existe porque o futuro é incerto; é uma condição em que se verifica a possibilidade de um desvio adverso em relação a um resultado desejado e que era esperado". Ferreira, Domingos, lnstitute for Financial Management, Copyright FAP_ISEG_Economia_aulas_2004_Rev 1

52 O risco associado aos activos e aos negócios Definições de risco Estas definições de risco apresentam em comum a probabilidade de perdas. Esta contingência é a chave do risco: Se não queremos correr riscos, evitamos os acontecimentos em que existe probabilidade de perda. Assim, não investiremos em acções, pois embora exista a probabilidade de ganhar, também existe a probabilidade de perder. 52 Copyright FAP_ISEG_Economia_aulas_2004_Rev 1

53 O risco associado aos activos e aos negócios Tipos de risco Existem 2 tipos de risco associados às oscilações de um activo financeiro: RISCO NÃO DIVERSIFICÁVEL Inclui os factores sistemáticos (ex: inflação, politica monetária, orçamental, etc.) que afectam todos os investimentos de uma certa categoria (por exemplo, acções de empresas cotadas em bolsa). É também designado por risco de mercado ou sistemático. RISCO DIVERSIFICÁVEL (OU ESPECÍFICO) Este tipo de risco poderá ser gerido e reduzido através da diversificação. Tem por base o facto das oscilações positivas ou negativas de uns títulos poderem ser balanceadas por oscilações de outros em sentido oposto. A diversificação reduz o risco até um certo nível. A partir daí, o risco não decresce pois toca o nível da "cama de pedra". 53 Copyright FAP_ISEG_Economia_aulas_2004_Rev 1

54 O risco associado aos activos e aos negócios Tipos de risco 54 Copyright FAP_ISEG_Economia_aulas_2004_Rev 1

55 Sumário Princípios básicos da teoria financeira na avaliação de empresas Os métodos do Valor Actual Líquido (VAL) e da Taxa Interna de Rendibilidade (TIR) O Risco associado aos activos e aos negócios Relação risco e rendibilidade 55 Copyright FAP_ISEG_Economia_aulas_2004_Rev 1

56 Relação risco/rendimento Aspecto fundamental da relação risco/rendimento: Se tivermos dois investimentos que proporcionam o mesmo rendimento, aquele que apresentar menor nível de risco, terá maior valor. Quanto maior for o risco, mais elevado deverá ser o rendimento esperado para compensar o risco assumido. Em princípio, todos os investimentos apresentam risco (em maior ou em menor grau). Podemos, no entanto, investir em aplicações sem risco (risk-free rate), como é o caso dos títulos do tesouro. 56 Copyright FAP_ISEG_Economia_aulas_2004_Rev 1

57 Relação risco/rendimento A figura seguinte representa a relação risco / rendimento : A relação risco/rendimento tem por base o rendimento esperado, que é definido pela média ponderada de todos os rendimentos possíveis, onde as ponderações reflectem a probabilidade de cada rendimento individual. Uma das situações mais comuns e que induz em erro é a de que os títulos com mais risco apresentam rendimentos mais elevados. Poderá dizer-se que em investimentos com grau de risco mais elevado, os rendimentos esperados são maiores, embora na prática o oposto também se possa verificar. Se assim fosse, não tinham risco. 57 Copyright FAP_ISEG_Economia_aulas_2004_Rev 1

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