Documento de Estratégia para o País II. da Cooperação para o Desenvolvimento entre. o Governo de Moçambique e o Governo da Flandres

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1 Documento de Estratégia para o País II da Cooperação para o Desenvolvimento entre o Governo de Moçambique e o Governo da Flandres

2 Índice Índice...2 Lista de siglas e abreviacões...4 I. Análise contextual: Moçambique em Contexto geral Geografia Divisão Administrativa Contexto político e desenvolvimento Situação económica: progressos significativos, mas desafios ainda maiores Evolução macroeconómica Economia Nacional Função e participação dos setores económicos Agricultura Mineração Indústria Infra-estruturas e Energia Comunicações Comércio Desenvolvimento geral no setor privado Consumo Privado e inflação Situação social: grandes progressos mas desafios ainda maiores Progresso Os desafios II. A resposta de Moçambique aos desafios socioeconómicos A resposta do governo moçambicano A contribuição da comunidade internacional Fundos dos doadores e como são gastos por setor Harmonização da ajuda e da coordenação dos doadores Apoio ao orçamento geral Apoio setorial Apoio descentralizado Actores indirectos A contribuição da cooperação flamengo-moçambicana para o desenvolvimento A Cooperação Flamenga para o Desenvolvimento em geral A preparação para o início da cooperação formal com Moçambique A primeira estratégia para o país O segundo protocolo de cooperação (Memorando de Entendimento) Preparação do segundo Documento de Estratégia para o País (DEP II) III. Programa Indicativo A escolha da Saúde como foco exclusivo Breve análise contextual do sector da saúde em Moçambique Geral: um sector com um progresso frágil Financiamento do sector da saúde Disponibilidade de pessoal de saúde e de infra-estruturas de saúde Doenças infecciosas mortais HIV/SIDA

3 Tuberculose (TB) Malária Harmonização e coordenação inadequada entre os doadores O complexo setor da saúde e direito sexual e reprodutivo A desnutrição e as práticas de má nutrição A desigualdade social no acesso aos cuidados de saúde Objetivos Objetivo geral Objetivo específico e sub-objectivos Temas Transversais Abordagem estratégica Apoio orçamental sectorial como um instrumento privilegiado Focalizando em subsectores específicos Recursos humanos para a saúde (RHS) Investigação na saúde e monitorização Saúde e direitos sexuais e reprodutivos (SDSR) Práticas de nutrição Província de Tete IV. Implementação e monitoramento do documento de estratégia Componentes verticais da implementação Abordagem de portfólio Integração da adaptação às alterações climáticas Identificação e formulação de programas e projectos Documentos de implementação do projecto Financiamento e orçamento Relatórios Auditorias financeiras Monitoramento e avaliação Monitoramento e avaliação a nível de execução Monitoramento e avaliação ao nível político Apoio do Parlamento e Sociedade Civil V. Gestão de riscos VI. A Cooperação flamengo-moçambicana fora do âmbito de aplicação do programa indicativo do DEPII Geral Iniciativas organizadas regionalmente Reforço da cooperação em saúde através de iniciativas multilaterais Prevenção de desastres, controlo e reabilitação Comércio e Desenvolvimento e respeito pelas normas laborais Fim dos compromissos do DEP I Estratégia de saída do sector educacional Estratégia de saída da infra-estrutura de Saúde VII. Bibliografia Publicações Recursos electrónicos VIII. Anexos

4 Lista de siglas e abreviacões APD: APE: AWEPA: CAD: CG: DdT: DEP: DFID: DiV: Ajuda Pública para o Desenvolvimento Agente Polivalente Elementar Associação de Parlamentares Europeos para África Comitê de Ajuda ao Desenvolvimento Consulta Geral Divisão de Trabalho Documento de Estratégia para o País Departamento para Desenvolvimento Internacional, Reino Unido Departamento de Cooperação Internacional do Ministério dos Negócios Estrangeiros, Governo da Flandres (Departamento Internacional da Flandres) ECTIM: EITI: EUA: FASE: FICA: FRELIMO: GCCC: GFATM: HIV/AIDS: HPI: ICRH: IDG: IDH: IHP+: Estratégia de Ciência, Tecnologia e Inovação de Moçambique Iniciativa de Transparência na Indústria Extractiva Estados Unidos da America Fundo de Apoio ao Sector da Educação (no contexto de SWAp) Agência de Cooperação Internacional Flamenga Frente de Libertação de Moçambique Central de Combate à Corrupção Fundo Mundial de luta contra HIV/SIDA, Tuberculose e Malária Vírus da Imunodeficiência Humana/ Síndrome da Imunodeficiência Adquirida Índice de Pobreza Humana Centro Internacional de Saúde Reprodutiva, Ghent Índice de Desenvolvimento Ajustado ao Género Índice do Desenvolvimento Humano Iniciativa Internacional em Saúde 4

5 INS: IOR-ARC: Instituto Nacional da Saúde A Associação dos Países da Orla do Oceano Índico para a Cooperação. Regional ITG: MAP: MDG: MDM: MINEC: MISAU: MoU: MW: NAIMA+: NAPA: OCDE: ODAMOZ: OMC: OMS: ONUSIDA: Instituto de Medicina Tropical, Antuérpia Programa de Multi-países contra AIDS (Banco Mundial) Objectivos do Desenvolvimento do Milénio Movimento Democrático de Moçambique Ministério dos Negócios Estrangeiros e Cooperação Ministério de Saúde Memorando de Entendimento Megawatt Rede de ONGs da área da Saúde e HIV/SIDA Programa de Acção Nacional para a Adaptação Às Mudanças Climáticas Organização de Cooperação e de Desenvolvimento Económico Base de Dados da Ajuda Oficial para o Desenvolvimento em Moçambique Organização Mundial do Comércio Organização Mundial de Saúde Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/SIDA Países ACP: Países da Africa, Caribe e Pacifico PARP: PARPA: PEPFAR: Plano de Acção para Redução da Pobreza Plano de Acção para Redução da Pobreza Absoluta Plano de Emergência do Presidente para o Alivio de SIDA (President s Emergency Plan for AIDS Relief) PESS: PIB: Plano Estratégico para o Sector de Saúde Produto Interno Bruto 5

6 PMD: PME: PRISE: PROAGRI: Países Menos Desenvolvidos Pequenas e medias empresas Programa Integrado do Sector de Estradas Programa Nacional de Desenvolvimento Agricola de Moçambique PROSAUDE: Fundo Comum de Apoio ao Sector de Saúde PTMF: QAD: RENAMO: RHR: RHS: SADC: SISTAFE: SDRR: SWAp: TBC: TIFA: UE: UN: UNICEF: Prevenção da transmissão de mãe para filho Quadro de Avaliação do Desempenho Resistência Nacional Moçambicana Departamento especializado em Saúde Reprodutiva e Investigação da OMS Recursos Humanos para a Saúde Comunidade de Desenvolvimento da África Austral Sistema de Administração Financeira do Estado Saúde e direitos sexuais e reprodutivos Abordagem Sectorial Ampla (Sector Wide Approach) Tuberculose Acordo do Quadro de Comércio e Investimentos União Europeia Nações Unidas Fundo das Nações Unidas para à Infância 6

7 I. Análise contextual: Moçambique em Contexto geral 1.1. Geografia A República de Moçambique está localizada na costa oriental de África e partilha fronteira com a Tanzânia, a norte, com a Zâmbia e Malawi, a noroeste, com o Zimbabwe a oeste, com a África do Sul e Suazilândia, ao sul, e é banhado pelo Oceano Índico, a leste. Moçambique tem uma área de total de Km², dos quais Km² correspondem a terra firme e Km² a águas interiores. A linha de costa tem uma extensão de aproximadamente 7

8 2500Km². O rio Zambeze é o maior e atravessa praticamente todo o país, de oeste a leste. Existem outros 24 rios que também atravessam o país de oeste a leste 1. 44% do país é constituído por terras baixas (< 200m) ao longo da costa. As terras baixas convergem com planícies elevadas que cobrem 43% do País e atingem gradualmente alturas de 200 a 1000m. Além de algumas crestas, existem também algumas montanhas isoladas dos planaltos. No total, 13% do país consiste em terras altas ( m). Tanto as planícies do baixo litoral como os planaltos têm um clima de savana com períodos de seca no inverno. O Oceano Índico aumenta a humidade em áreas costeiras. O clima subtropical na costa sul do Zambeze e o clima tropical da região costeira ao norte apresentam diferenças consideráveis. A temperatura média de Maputo, a capital, em Julho, o seu mês mais frio, é um pouco mais de 18 graus Célsius. No norte, a temperatura média atinge facilmente 22 graus Célsius. Esta área é dominada por um regime de monções. A precipitação diminui mais para o sul. A precipitação média na Beira, segunda cidade do país, é de milímetros por ano, em comparação com 768 milímetros em Maputo. A estação chuvosa começa em Outubro e termina em Março. A população de Moçambique é estimada em habitantes, da qual, quase metade - 44,3% - situa-se na faixa etária entre 0 e 14 anos. A idade média é 17,5 anos. A taxa de crescimento populacional é de 1,79% ao ano. 37% dos moçambicanos vivem em ambientes urbanos, os restantes 63% em zonas rurais. Quase dois terços da população vive nas zonas costeiras (120 pessoas/km² em comparação com uma média nacional de 25 pessoas por km²). O país é caracterizado pela diversidade étnica (Changana/Tsonga, Makua/Lomwe, Sena, Ndau, outras). Entre as línguas faladas, destacam-se, Português (oficial), Emakua, Xichangana, Elomwe, Chisena, Chindau, Echwabo, entre outras, e mutas vezes têm laços com línguas dos países vizinhos. Cerca de 99% da população moçambicana é africana, 0.1% de origem europeia, 0.5% de origem indiana Divisão Administrativa A República de Moçambique está dividida em onze províncias (Cidade de Maputo, Província de Maputo, Gaza, Inhambane (Região Sul), Manica, Sofala, Tete, Zambézia (Centro), Cabo Delgado, Nampula e Niassa (Região Norte) e estas, por sua vez, se subdividem em distritos, postos administrativos e municípios. Uma política de descentralização de poderes e a subsequente responsabilização das províncias e distritos tem sido seguida de forma progressiva por vários anos. Maputo é a capital de Moçambique e tem aproximadamente 2 milhões de pessoas. Além das suas importantes funções administrativas, a cidade tem também um porto marítimo importante. A Beira é a segunda maior cidade de Moçambique. A cidade tem cerca de habitantes e tem o maior porto do país. As indústrias mais importantes são a pesca do camarão e o açúcar. O turismo também sido também promovido. Outras cidades importantes são Nampula, Quelimane, Tete, Xai-Xai e Inhambane. 2. Contexto político e desenvolvimento Moçambique tornou-se independente de Portugal em 1975, após uma luta armada de libertação nacional desencadeada pela Frente de Libertação de Moçambique (FRELIMO) que durou 10 anos. O país seguiu uma orientação política e económica de caris socialista, tendo a 1 8

9 FRELIMO como partido único e representante dos interesses do povo moçambicano. Face a conjuntura política internacional desfavorável, marcada pela Guerra Fria, Moçambique, desde logo, foi alvo de acções desestabilizadoras perpetradas pelo então regime do Apartheid da África do Sul, em coluio com o regime rodesiano de Ian Smith.Seguiram-se 16 anos de uma violenta guerra de desestabilização que provocou inúmeras vítimas civis, recrutamento forçado de crianças soldado, destruição de campos agrícolas e infra-estruturas económicas, violações dos direitos humanos, colocação de inúmeras minas, êxodo rural e fome. Trata-se de uma guerra que teve um impacto negativo no desenvolvimento de Moçambique 2. Fruto de intensas negociações, a paz foi finalmente alcançada a 04 de Outubro de 1992, com a assinatura do Acordo Geral de Paz em Roma. Antes da assinatura do acordo de paz, o Governo moçambicano aprovou um pacote de reformas de índole política, económica e social, como sejam, a adopção de uma nova Constituição (1990), que introduziu a democracia multipartidária e ampliou os direitos civis e políticos, bem como um conjunto de liberdades e direitos fundamentais. Esta Constituição foi revista em 2004, com o objectivo de adequá-la às transformações que o país vem registando. Foram introduzidas reformas económicas, tendo o país passado de uma economia centralmente planificada para uma economia de mercado livre. O governo avançou também com um programa de reabilitação económica, acompanhado de privatização de empresas estatais. O Sistema político moçambicano é presidencialista em que é patente o princípio da separação e interdependência de poderes entre o executivo (Governo), o legislativo (Assembleia da República) e o Judicial (Tribunais). O Presidente da República é o Chefe do Governo e dirige o executivo. A Assembleia da República, é constituida por 250 deputados eleitos, é o mais alto órgão legislativo na República de Moçambique. O poder judicial, por sua vez, detido pelos tribunais (Tribunal Supremo, Tribunal Administrativo e Tribunais Judiciais). A constituição prevê ainda a criação de tribunais de trabalho, fiscais, aduaneiros, marítimos, arbitrais e comunitários. O sistema judicial do país tem uma estrutura que permite que tanto os tribunais especializados e hierarquicamente organizados e outros institutos, tal como os líderes comunitários, desempenhem um papel na resolução de disputas. As instâncias mais altas deste complexo sistema são o Tribunal Supremo e o Conselho Constitucional. As primeiras eleições gerais em Moçambique (legislativas e presidenciais) tiveram lugar em 1994, onde o candidato às presidenciais pelo partido FRELIMO, Joaquim Alberto Chissano, foi eleito. Na mesma ocasião, a FRELIMO venceu a com 54%, tendo ganho a maioria dos assentos na Assembleia da República. As segundas eleições gerais realizaram-se em 1999, tendo no referido pleito, o Presidente Joaquim Chissano sido reeleito, e o Partido FRELIMO ganho. As terceiras eleições gerais tiveram lugar em 2004, tendo a FRELIMO (62%) e o seu candidato, Armando Emílio Guebuza (63,7%) vencido as eleições. Nas referidas eleições, o candidato da RENAMO, Afonso Dhlakama, obteve 31.7% dos votos e a RENAMO-União Eleitoral obteve 29.7%. 3 Em 2009, realizaram-se as quartas eleições gerais (presidenciais, legislativas e para as assembleias provinciais), em que o Presidente Armando Emílio Guebuza foi reeleito com 75,1% de votos, contra 16,3% do líder da RENAMO, Afonso Dlakama. Daviz Simango, do 2 A introdução histórica baseia-se principalmente em: L. Van den Bergh, Why peace worked, Mozambicans look back, AWEPA, 2009, pp (Moçambique, Análise da Política de Administração dos Negócios Estrangeiros, 2002, pp Os resultados eleitorais são baseados em: Pelo facto de que naquela época Moçambique era um estado de dois partidos, era necessario apenas ganhar alguns assentos no parlamento para conseguir uma maioria absoluta 9

10 Movimento Democrático de Moçambique (MDM), com 8,6% dos votos, ficou em terceiro lugar. Por sua vez, e para a Assembleia da República, a FRELIMO conseguiu 191 deputados, a RENAMO 49 deputados e o MDM apenas 8 deputados. Relativamente as eleições autárquicas, as primeiras tiveram lugar em 1998 em 33 municípios, com a vitória da FRELIMO em maior parte destes. As segundas realizaram-se 2003, em que a FRELIMO foi vencedora em 29 dos 33 municípios. Nas terceiras eleições autárquicas, realizadas em 2008, a FRELIMO venceu em 42 dos 43 municípios. No que diz respeito aos direitos humanos e liberdades fundamentais, são reconhecidos e observados no país, não obstante as dificuldades relacionadas com a falta de recursos suficientes para a sua protecção e promoção efectiva. Apesar de alguns casos de violações, no cômputo geral, o governo tem envidado enormes esforços em reverter estas situações, através de acções multiformes como; a capacitação institucional, formação de mais magistrados, expansão dos serviços judiciais pelo território nacional, aprovação e implementação de instrumentos jurídicos de protecção da pessoa humana, educação cívica da população sobre direitos e liberdades, melhoria das condições prisionais, entre outras realizações. 3. Situação económica: progressos significativos, mas desafios ainda maiores 3.1. Evolução macroeconómica A guerra de desestabilização logo após a independência, destruiu completamente as infraestruturas sociais e económicas de Moçambique. Esse conflito produziu também um grande número de refugiados e deslocados internos e, além disso, as autoridades foram forçadas a assumir responsabilidade por um elevado número de soldados desmobilizados. No entanto, graças a vários fatores, incluindo um processo de paz bem-sucedido; uma rápida construção da democracia e de um estado multipartidário; a manutenção de um orçamento de estão muito rígido; a introdução de reformas económicas e a aceitação de diferentes formas de ajuda internacionais, tais como o cancelamento da dívida; Moçambique conseguiu criar - condições para um relançamento económico muito rápido. Como resultado, a economia moçambicana tem sido capaz, ao longo dos últimos 15 anos, de produzir taxas de crescimento fortes. Entre 1994 e 2004, o crescimento médio do PIB foi de 8,2% ao ano, um período que teve inclusivamente de suportar o impacto das inundações devastadoras que ocorreram no ano de No período seguinte, de , o crescimento ainda manteve uma taxa média de 7,8%. Mesmo em 2009, ano em que a crise financeira e económica global estava na sua máxima força, o país ainda conseguiu reportar uma taxa de crescimento de 5,4%. Previsões para 2010 e 2011 dão uma elevada taxa de crescimento de 5,8 e 6,1% respectivamente. Estes números positivos podem não ser suficientes para grandes euforias. A crise financeira e económica ainda tem um efeito amortecedor sobre o crescimento. Isto deve-se principalmente a atrasos da implementação de diferentes mega projetos; à exportação reduzida de madeira, camarão, castanha de caju, gás, algodão, tabaco, mas principalmente de alumínio, e à redução de divisas enviadas por trabalhadores moçambicanos residentes no estrangeiro (nomeadamente em África do Sul). As exportações passaram de 29,4% do PIB em 2008 para 18,5% em No entanto, as importações também tiveram um crescimento negativo proporcional, passando de 41,5% para 38,8%. Isto significa um forte deficit da balança comercial em O governo de Moçambique tem antecipado implementações rápidas de 10

11 grandes infra-estruturas, sérias reservas sobre as despesas e a inclusão de um empréstimo do FMI a partir do fundo especial para absorver os choques exógenos (170 milhões de dólares). O consumo interno continua a ser alimentado principalmente pelo investimento. Em 2009 houve investimento público e consumo privado de mais de metade do crescimento do PIB. Esta tendência deverá continuar se a segunda vaga de grandes projetos privados no setor de mineração e processamento continuar a aparecer e se os setores de infra-estrutura e energia em curso, atrasados pela crise financeira, continuem sem mais demoras Economia Nacional Uma das explicações para o crescimento económico estabelecido é que o governo de Moçambique prossegue uma política rigorosa quando se trata de dar prioridade às despesas. O orçamento de 2009, por exemplo, foi coerente em apontar para uma concentração de pelo menos 65% dos recursos nas áreas prioritárias tal como foram incluídas no atual plano nacional de luta contra a pobreza, o PARPA II. Estas áreas incluem infra-estruturas básicas, agricultura, provisões de água e saneamento, educação e saúde. Moçambique também consegue produzir cada vez mais recursos financeiros internos, permitindo ao governo tornarse assim um pouco mais independente da ajuda externa. A quota do imposto de renda do PIB subiu de 10,4% em 1997 para 14,3% em Esta evolução deverá continuar nos próximos dois anos, trazendo valores de crescimento de 2010 e 2011 para os 14,7% e 15,3%, respectivamente. O grande programa de cancelamento da dívida, apreciado por Moçambique em 2006, deu ao governo um grande fôlego para o arranque de novas iniciativas e ao mesmo tempo melhorou sua posição para contrair novos empréstimos. Como resultado deste programa, a dívida líquida do país foi reduzida em quase 50%. Em 2009 apenas 123,7 milhões de dólares tiveram que ser pagos através de empréstimos e juros. Dois terços foram destinados à liquidação da dívida interna, apesar de que ela constitui apenas 8% do total da dívida de Moçambique. Atualmente, o grau da dívida de Moçambique é de 26,1%. O consumo do governo subiu em 2009, principalmente devido ao aumento dos salários no setor público, nomeadamente no âmbito da educação dos setores prioritários ( professores adicionais), saúde (138 médicos e treinamento de pessoal de unidades de saúde), infra-estrutura e agricultura. Um terço destes salários é financiado com fundos de doadores. A despesa do estado registou 12,5% do PIB em 2009 e, provavelmente, irá aumentar para 13,3% em 2010 e 13,4% em Ao mesmo tempo estão a ser implementadas medidas importantes que contribuem para o aumento da despesa, tais como, a extensão do Sistema de Administração Financeira do Estado (SISTAFE) para todos os órgãos governamentais e para as 50 autoridades do distrito; a ampliação do alcance fiscal e a aprovação dos novos códigos de impostos para as PMEs. Estas pressões terão um impacto contínuo, ainda que decrescente, sobre o défice público estimado nos próximos anos. Apesar de 2009 ter sido um ano excepcional, tendo em conta as medidas anti-cíclicas para apoiar a economia e o défice de 5,7% do PIB, o governo provavelmente irá continuar em zona vermelha em 2010 e 2011 com valores de 3,3% e 2,2%, respectivamente. O orçamento do Estado moçambicano ainda depende fortemente da solidariedade internacional (55% para o orçamento de 2009) mas uma diminuição dessa dependência é esperada. Em 2008, 56% dos fundos para as despesas do governo vieram de doações internacionais. No entanto, as autoridades previam que em 2010 apenas 44% do orçamento do governo seriam financiados por fundos de desenvolvimento. Isso prova a seriedade do governo moçambicano em libertar-se da enorme dependência da ajuda externa. O facto de que em 2009 os doadores continuaram a depositar 30% do seu apoio financeiro a Moçambique, 11

12 através do apoio orçamental geral, mostra a sua grande confiança no progresso do país. No entanto, a dependência da ajuda externa desse tipo continua a comprometer a possibilidade de condução das políticas de longo prazo essenciais e radicais destinadas a reformas e estímulos. Particularmente nas actuais circunstâncias de uma prolongada crise económica mundial, onde os doadores também estão obrigados a reduzir seu padrão de gastos, essa vulnerabilidade poderá ter graves consequências a nível económico, bem como a nível social. A luta contra a corrupção ainda não esta terminada 4. Embora várias iniciativas do governo estejam sendo atualmente implementadas para resolver o problema. No setor das matériasprimas, tradicionalmente um setor que é altamente suscetível à corrupção, o governo introduziu recentemente um novo conjunto de leis fiscais. Em 2011 o país tornar-se-á membro de pleno direito da iniciativa internacional em matéria de transparência neste setor, a chamada Iniciativa de Transparência na Indústria Extractiva (EITI). Entretanto, o Presidente Guebuza adoptou a luta contra a corrupção como uma prioridade no programa de governo. Graças a todas estas medidas, Moçambique já é capaz de apresentar as primeiras conquistas significativas nessa luta; conquistas que certamente têm um impacto mais estrutural. A criação de uma instituição vocaionada para a luta contra a corrupção, o chamado Gabinete Central de Combate à Corrupção, GCCC, tem dado um maior poder de manobra a fim de melhorar a sua eficácia. Algumas penas pesadas de prisão foram pronunciadas contra funcionários corruptos mas com cargos importantes. Mas há ainda muito trabalho pela frente e o problema continuará a exigir a total atenção do Governo moçambicano, da sociedade civil, bem como dos países doadores 5. 4 De acordo com o Índice de Percepção da Corrupção da Transparency International (TI), o indicador mais utilizado internacionalmente, Moçambique, depois de anos de percepção estável, experimentou um ligeiro declínio em 2009, de 2,8 para 2,6 na escala utilizada. (http://www.transparency.org/policy_research/ surveys_indices/cpi/2007 vs. (http://www.transparency.org/policy_research/surveys_indices/cpi /2008/cpi_2008_table). 5 Para uma análise e visão geral da situação atual, consulte: O processo de monitoramento deve-se principalmente ao diálogo político entre o governo moçambicano e os doadores que prestam apoio orçamental geral, o chamado G

13 3.3. Função e participação dos setores económicos 6 Participação dos setores na economia moçambicana (PIB 2008) 11% 2% 2% 2% 15% 13% 9% 26% 3% 6% 11% Agricultura Infra-estruturas Água e Eletricidade Setor financeiro e empresarial Serviços Governamentais Indústria Minas e Pedreiras Outros Transportes e comunicações Comercio, Hotéis e Restaurantes Comercio Agricultura O principal rendimento de pelo menos 65% dos moçambicanos provém da agricultura. Isto reflete a importância do setor em termos de emprego total. Esta proporção não se traduz, contudo, numa parcela equivalente do PIB (26%). 99% dos empreendedores são pequenos produtores sem acesso a crédito adaptado, terrenos, equipamentos, sementes melhoradas, fertilizantes e know-how. Daí, a limitação do valor acrescentado atingido com produtos agrícolas, o que é ainda reforçado pela modesta produtividade do setor e pelo acesso não garantido ao mercado para estas empresas de pequena escala familiar. No entanto, dado o actual peso do setor no emprego, proporcionar estímulos apenas para a agricultura de grande escala não fornecerá uma solução para o desenvolvimento das zonas rurais. As reformas que visam proporcionar o acesso ao crédito e subsídios, bem como conhecimentos sólidos agrícolas e acesso ao mercado para os pequenos produtores do setor são uma via preferencial. A falta de progressos nessa área, assim como o adiamento forçado da época de sementeira e as várias pragas, foram algumas das causas para o ano agrícola decepcionante de Mais de pessoas foram imediatamente confrontadas com grave escassez de alimentos em No entanto, o governo de Moçambique começou a implementar o seu programa estratégico agrícola há muitos anos. Como resultado de outras reformas mais pontuais, projetos inovadores e industriais de larga escala estão agora a entrar no sector agrícola ao lado de projectos agrícolas mais tradicionais de pequena escala. Graças à privatização da produção de açúcar e, beneficiando por completo do acesso preferencial ao mercado europeu oferecido aos produtores de Países Menos Avançados (PMA), Moçambique conseguiu rapidamente transformar-se num exportador líquido de açúcar refinado toneladas de açúcar de Moçambique foram exportadas para a UE em Esse mesmo ano viu a adopção de uma Política e Estratégia Nacional de Biocombustíveis com o objectivo de reduzir a dependência do país das importações de produtos petrolíferos. A fábrica de etanol, que foi introduzida em 2007, já produz 120 milhões de litros de etanol por ano. Vários outros grandes projectos foram já concedidos ou estão a aguardar a aprovação do governo. Estima-se que, mesmo a um ritmo lento do aumento da área agrícola dedicada à produção de biocombustíveis, esta indústria inovadora pode gerar até novos empregos. 6 Salvo indicado contrariamente, os números para a análise da atual situação económica em Moçambique baseiam-se em:http://www.africaneconomicoutlook.org/en/countries/southern-africa/mozambique/. 13

14 Mineração Moçambique tem um solo extremamente rico em recursos. Isso já se reflectia na recuperação em massa de bauxite para a produção de alumínio, o que fez de Moçambique um ator global deste sector. Vários outros mega-projetos estão sendo executados no setor de mineração. A mineradora brasileira Vale do Rio Doce está a investir 1,26 milhões de dólares americanos numa mina de carvão na bacia de Moatize, na província de Tete. Com tempo, a mina deverá produzir 40 milhões de toneladas de carvão por ano de modo a abastecer a indústria siderúrgica brasileira. A empresa australiana Riversdale está a planear um investimento similar de 800 milhões de dólares americanos na mesma bacia, com uma capacidade de 20 milhões de toneladas por ano. Assim, o carvão é actualmente o sector de mineração mais dinâmico. No entanto, o potencial do gás e a prospeção para o petróleo e subsequente exploração não deve ser subestimado como uma fonte de riqueza nacional num futuro não tanto distante. Investimentos aprovados no sector dos combustíveis fósseis chegaram a atingir cerca de milhões de dólares americanos em Menos positivo é que esses sectores, apesar de a sua alta rentabilidade para o governo em tempos de preços elevados dos minerais, estão agora dominados por um investimento estrangeiro moderno e de grande escala que criam poucas oportunidades de emprego direto. No objectivo da diversificação do emprego, este setor nunca poderá, portanto, desempenhar um papel importante. Indústria Os minerais de Moçambique não são apenas exportados; cada vez mais eles estão a ser processados no próprio país para formar produtos básicos para a economia global. Isso começa a refletir-se na participação do setor das indústrias na riqueza nacional, que cresceu significativamente de 19% em 1999 para os atuais 31%. Ao mesmo tempo, mais de 70% do valor das exportações nacionais baseia-se na exportação de produtos industriais. Este facto deve-se principalmente à Mozal, um dos maiores complexos de produção de alumínio no mundo. 46% do valor total das exportações de Moçambique entre 1999 e 2008 foi realizado neste subsetor 8. No entanto, isto aponta para uma dependência excessiva da exportação de um único produto semi-acabado e para grande limitação da diversidade de indústrias internacionalmente competitivas no país. Infra-estruturas e Energia Tanto os grandes investidores estrangeiros e privados nacionais como projectos de financiamento público na área de mineração de matérias-primas, energia e indústria garantiram o crescimento sustentado no sector das infra-estruturas. Exemplos disso incluem a reabilitação de antigas infra-estruturas e a construção de outras novas: existem diferentes linhas férreasde comboio que permitem a extracção de carvão na Bacia de Moatize; também como a construção do gasoduto da Sasol para a África do Sul e grandes obras nas estradas e na ferrovias que pretende ligar o porto moçambicano de Nacala, na província de Nampula, com o Malawi (1,6 bilhões de dólares americanos) e, posteriormente também com a Zâmbia. Actualmente, o Aeroporto Internacional de Maputo está a ser modernizado (112 milhões de dólares americanos) e a construção da infra-estrutura do projecto de mineração de titânico em grande escala deverá ser lançada. Durante o período , um projecto de um bilião de dólares envolvendo a electrificação e produção de eletricidade deve ser realizado. Novas centrais de energia foram 7 C. CASTEL-BRANCO & R. Ossemane, Moçambique Fase 2, em: Crise Financeira Global, Série Discussões, Livro 18, Instituto de Desenvolvimento Ultramarino, p. 4 8 Idem, p. 6 14

15 programadas para Moamba, Mpanda Nkuwa ( MW), do lado norte da Hidroeléctrica de Cahora Bassa ( MW), Lupata, Moatize (ligado ao projeto de carvão da Vale, MW) e Benga ( MW). Uma linha principal entre o centro e o sul do país deve trazer uma solução para a actual situação de escassez dentro e em volta da capital e permitir a transmissão de energia para países vizinhos como o Botswana, Malawi e Zimbabué. Isso vai permitir que Moçambique consolide o seu papel como produtor regional de energia e também diversificar as suas fontes de energia, o que é vital tendo em conta o facto de que atualmente apenas o local de produção da Mozal consome 900 MW da capacidade total dos 1350 MW disponíveis a partir da barragem de Cahora Bassa. Isso deixa apenas uns meros 450 MW para abastecer quase o resto do país. Comunicações Impulsionado principalmente pelos investimentos na construção de redes de telefone móvel, o sector da comunicação também irá continuar a sua expansão nos próximos anos. O prognóstico de crescimento para 2010 está calculado em 22,7%. Os operadores dominantes são a empresa moçambicana M-Cel e Vodacom da África do Sul. Ao mesmo tempo, a empresa nacional de telecomunicações TDM está a planear uma reorganização da sua rede, em que a conexão com o sistema submarino por cabo de fibra óptica da África Oriental irá proporcionar uma rede de comunicação com o resto do mundo a preços baixos. A TDM visa também garantir serviços básicos, incluindo acesso à Internet, para todos os distritos. A China fornece um apoio financeiro considerável para este projeto. Comércio Moçambique já assinou o novo Acordo de Parceria Económica com a UE e a modificação dos seus próprios procedimentos de comércio seria o último passo na implementação integral do acordo. Esta nova regra tem sido compatível com as regras da Organização Mundial do Comércio (OMC), permitindo a Moçambique ter acesso a longo prazo ao mercado europeu em condições preferenciais. No entanto, ainda não está claro se a recente atitude mais positiva da África do Sul em relação às negociações com a Europa pode criar mais atrasos. Ao mesmo tempo, Moçambique está a negociar com os EUA no âmbito do chamado Acordo Quadro de Comércio e de Investimento (Trade and Investment Framework Agreement TIFA) a fim de poder beneficiar de acesso preferencial ao mercado americano através do African Growth and Opportunity Act (AGOA). O monitoramento contínuo do impacto das regras de reciprocidade para a entrada livre de bens e serviços da UE e outros países continua a ser necessário para garantir que as empresas moçambicanas e os empresários têm o tempo necessário para se adaptarem a um ambiente mais competitivo e/ou que não sejam vítimas de práticas de descargas ilegais. Moçambique é também membro da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral, SADC, da Commonwealth, e da chamada Associação dos Países da Orla do Oceano Índico para a Cooperação Regional, IOR-ARC. Actualmente, o alumínio ainda desempenha um papel muito dominante (46%) nas exportações do país. Outros produtos importantes de exportação são a electricidade (7%) e gás (3%), frutos do mar (7%), algodão, açúcar (2%, com elevada taxa de crescimento) e castanha de caju (1%). A tendência para a concentração tem aparentemente aumentado nos últimos anos: as vendas de produtos derivados de mega projetos de electricidade, alumínio e gás representam uns impressionantes 71% do valor total das exportações da economia moçambicana no período de Apenas o carvão e talvez o petróleo poderão ser capazes de influenciar ligeiramente esta concentração das exportações num futuro próximo. 9 C. CASTEL-BRANCO & R. Ossemane, Moçambique Fase 2, em: Crise Financeira Global, Série Discussões, Livro 18, Instituto de Desenvolvimento Ultramarino, p. 6 15

16 Desenvolvimento geral no setor privado Em geral, Moçambique está a fazer progressos rápidos na reforma do seu clima de investimento interno. O sinal mais evidente disso é o salto de cinco lugares, nos últimos dois anos, no ranking do Doing Business. Enquanto na África Subsaariana demora-se em média 45,6 dias para reunir todas as condições administrativas para criar uma (pequena) empresa, as recentes reformas de Moçambique tornaram esse processo possível em 26 dias. Um factor importante é que já não há absolutamente nenhuma exigência de capital inicial. Devido à sua integração limitada nos mercados financeiros globais, o sector bancário não tem sido muito afetado pela recente crise do crédito. O Banco Central apenas tinha adaptado a regulamentação bancária às Normas Internacionais de Relato Financeiro. Isto significa que os bancos detêm capital suficiente e não serão confrontados com problemas de liquidez. Ao mesmo tempo, a proporção de crédito mal parado é muito baixa, representa cerca de 1 a 2%. Mas emprestar dinheiro ainda está sujeito a muitos desafios. A diferença considerável entre as taxas de juros para os produtos de poupança e os empréstimos para indivíduos e empresas não diminuiu apesar de já terem passado de facto os anos de inflação excessiva. Os bancos moçambicanos ainda cobram taxas muito altas aos seus clientes e as suas respectivas redes de balcões estão ainda muito concentradas nas cidades. O resultado de todos esses factores é que apenas 3 milhões, de 21 milhões de moçambicanos, têm uma conta bancária, estando este serviço limitado às classes médias e mais abastadas. Consumo Privado e inflação Apesar de se prever que o consumo privado continue a crescer em Moçambique, a redução ou mesmo a abolição dos subsídios dos combustíveis terá um impacto negativo considerável sobre o crescimento. Embora a inflação nos últimos tempos tenha estado no nível mais baixo de sempre, a expectativa é que ela aumente para mais de 8% com a recuperação da economia mundial e dos custos carregados da energia. A taxa de câmbio apresentou uma desvalorização acelerada do metical face ao dólar americano (-30%) e do rand sul-africano (-36%), entre Março e Agosto de A forte dependência do país em relação às importações de vários produtos (por exemplo, produtos alimentícios básicos) leva ao aumento dos preços e, consequentemente, ao aceleramento da inflação. Esperançadamente, a política monetária do governo e as positivas reformas económicas em combinação com uma extensa e bem pensada política social pró-pobre irá garantir que a inflação não atinja novamente uma inflação insuportável de dois dígitos. Enquanto isso, Moçambique ainda sofre com a carência crónica de infra-estruturas básicas. Isto é, estradas rurais, o que impede o acesso ao mercado para os pequenos produtores agrícolas, bem como o acesso a todos os tipos de serviços públicos e privados (educação, saúde, bancos, etc.) 16

17 4. Situação social: grandes progressos mas desafios ainda maiores Progresso Graças à situação económica relativamente saudável e a uma política centralizadora de desenvolvimento humano em geral, Moçambique pode orgulhar-se de progressos significativos no índice de desenvolvimento humano. Desta forma, o país foi capaz de compensar o atraso na área de alfabetização, níveis de escolaridade, rendimento médio e esperança média de vida que advêm de antes, durante e depois da guerra civil. Mais especificamente, Moçambique tem feito progressos convincentes na área da saúde geral da população. Uma análise retrospectiva que abrange um período suficientemente longo e que se centrou nas metas de saúde dos ODM permite uma avaliação precisa do que foi realizado: 17

18 Tabela 1: Progresso na realização dos ODM relacionados com a saúde em Moçambique 10 Indicador ODM (%) Crianças 1 ano com vacina contra o sarampo A mortalidade infantil/1000 nados vivos Taxa de mortalidade - 5 anos / nados vivos (%) Uso de métodos contracetivos (%) Partos assistidos por pessoal de saúde Taxa de mortalidade de mães para nascidos vivos Obj Abs. % n.d. +18% % % 108 sem dados sem dados n.d. +11,4% n.d % % Os desafios Apesar do progresso e dos consecutivos programas governamentais contra a pobreza estrutural no país, os desafios estruturais a nível social permanecem grandes e representam uma ameaça para a estabilidade social interna do país 11. Afinal, não devemos esquecer que na área de desenvolvimento humano Moçambique ocupa a nível mundial o número 172 numa lista de 182 países. Com uma renda per capita de 802 dólares, a população moçambicana quase perde um lugar no top dez de países com menor poder de compra do mundo (11º a partir do fim do ranking). Ao mesmo tempo, Moçambique confronta um problema clássico de países em desenvolvimento: a crescente desigualdade social. Prova disso pode ser verificada na evolução negativa do Gini coeficiente em Moçambique que, actualmente está num nível relativamente elevado de 47,1% contra os 39,8% registados em Transformar o impressionante crescimento macroeconómico em progresso social para todos os moçambicanos continua assim a ser um desafio constante, não só para o governo de Moçambique, mas também para os agentes privados e outros parceiros de desenvolvimento. A desigualdade traduz-se em muitas áreas. Para além das diferenças normais de rendimento, há também diferenças entre regiões e províncias, entre a população rural 12 e urbana 13, e a desigualdade entre homens e mulheres é ainda mais extrema. Moçambique ocupa a 116ª posição no ranking de 155 países que utilizam o Índice de Desenvolvimento Ajustado ao Género (GDI). Ainda é necessário, portanto, um grande progresso nos sectores sociais da educação e da saúde para prestar serviços mais eficientes, mais eficazes e mais abrangentes para o grande 10 Dados com base em: MISAU, Matriz do Desempenho do Setor Saúde 2009, a OMS, OMS Estratégia de Cooperação , Moçambique, 2009, p. 9, (http://www.who.int/countryfocus/cooperation strategy/ccs_ moz_en.pdf ), OMS, World Health Statistics, 2010 (http://www.who.int/whosis/whostat /EN_WHS10_Full.pdf ) 11 Uma combinação da redução dos subsídios do governo e uma inflação maior aumentaram os preços da electricidade, pão e água, e causou uma forte agitação social no dia 1 e 2 de Setembro de 2010, principalmente em Maputo. Embora o governo ter recuado na maioria das medidas e a tranquilidade voltado ao país, a ameaça de distúrbios sociais duma população predominantemente jovem está longe de terminar Ver, por exemplo, para a desigualdade entre crianças rurais e urbanas: UNICEF, Pobreza na Infância em Moçambique: Uma Análise da Situação e Tendências, 2006, pp 20-21, mozambique/ Sitan_(Full_version Part_1).pdf. 18

19 número da população desfavorecida de Moçambique. No Índice de Pobreza Humana, o chamado IPH-1, que combina valores de indicadores específicos de ambos os sectores sociais como uma alternativa para um indicador de rendimento simples, Moçambique ocupa o lugar 127 num total de 135 países que já realizaram este estudo 14. Mais de metade dos moçambicanos são analfabetos, 58% não têm acesso à água potável e 44% das crianças em Moçambique sofrem de subnutrição crónica 15. Apesar dos progressos já estabelecidos, o sector da saúde ainda enfrenta muitos desafios estruturais. Uma inspeção mais detalhada das pontuações dos indicadores gerais de saúde revela imediatamente a baixa esperança média de vida, a alta prevalência de HIV/SIDA combinada com um número relativamente baixo de pessoas com acesso a tratamento, o grande número de pacientes com tuberculose, o número de mortes causadas pela malária, o uso limitado de métodos modernos de contracepção, a enorme necessidade de pessoal médico de todos os níveis e a situação altamente precária em matéria de acesso à água potável (excepto nas cidades) e as disposições sanitárias (ver anexo 1 para um quadro comparativo dos indicadores gerais de saúde). 14 PNUD, Relatório do Desenvolvimento Humano 2009, Fichas do País, Moçambique countries/country_fact_sheets/cty_fs_moz.html (HDI, GDI & HPI-1) en 161.html (GINI). 15 Instituto Nacional de Estatística, Multiple indicator Cluster Survey, 2008, Maputo, 2009, mozambique/mics_summary_english_ pdf, pp

20 II. A resposta de Moçambique aos desafios socioeconómicos. 1. A resposta do governo moçambicano Ao longo dos anos, o governo moçambicano lançou vários planos estratégicos coerentes destinados a fornecer uma estrutura para a luta nacional contra a pobreza generalizada da população. O plano mais abrangente para reduzir a pobreza é sem dúvida o Plano de Acção para a Redução da Pobreza Absoluta ; o chamado PARPA I, para o período entre , e o PARPA II para o período entre Estes planos são caracterizados pela sua construção participativa que, além do governo, envolve também a sociedade civil e o sector privado. O PARPA I centrou-se principalmente numa abordagem sectorial no domínio da luta contra a pobreza. Aqui, reformas estratégicas em diversos sectores pré-selecionados foram concebidas de modo a contribuir para uma redução de 9% (de 69% para 60%) do total da população moçambicana que vive na pobreza. Esses setores foram: Educação; Saúde; Agricultura e Desenvolvimento Rural; Infra-estruturas básicas; Boa governação (setor público, justiça e desenvolvimento do setor privado); Macroeconomia e gestão financeira do e pelo Estado; A segunda geração do PARPA começou a partir da conclusão prematura de que a pobreza absoluta da população moçambicana tinha reduzido de 69% para 54% com a implementação do PARPA I. Ainda assim, o governo tirou algumas lições das experiências menos favoráveis do primeiro plano de acção e optou por uma abordagem mais integrada. O foco foi modificado para três estratégias transversais: O desenvolvimento económico; Desenvolvimento do capital humano; Melhoria da gestão e das suas estruturas. Entre as prioridades do PARPA II, encontramos uma estratégia de integração económica interna que, apesar de abranger toda a nação, também considerou os distritos locais como pôlos de desenvolvimento económico do país. A criação de um ambiente favorável ao crescimento do sector privado nacional também foi incluída como uma prioridade desta estratégia. O PARPA foi assim apresentado como o instrumento principal para a execução do plano do governo de cinco anos, que assumiu também a redução da pobreza como seu principal objectivo. Como um indicador geral, o objectivo foi novamente fixado numa redução de 9% (de 54% para 45%) da proporção da população nacional vivendo em situação de pobreza absoluta. Isso traz-nos à situação actual, onde avaliamos o novo programa do Governo moçambicano de cinco anos, o chamado Programa Quinquenal do Governo para Este plano 16 Governo de Moçambique, Plano para a Redução da Pobreza Absoluta, , documents/parpa/parpa_ii_aprovado_com_matriz_final.pdf, p. 1 & passim. 20

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