Documento de Estratégia para o País II. da Cooperação para o Desenvolvimento entre. o Governo de Moçambique e o Governo da Flandres

Tamanho: px
Começar a partir da página:

Download "Documento de Estratégia para o País II. da Cooperação para o Desenvolvimento entre. o Governo de Moçambique e o Governo da Flandres"

Transcrição

1 Documento de Estratégia para o País II da Cooperação para o Desenvolvimento entre o Governo de Moçambique e o Governo da Flandres

2 Índice Índice...2 Lista de siglas e abreviacões...4 I. Análise contextual: Moçambique em Contexto geral Geografia Divisão Administrativa Contexto político e desenvolvimento Situação económica: progressos significativos, mas desafios ainda maiores Evolução macroeconómica Economia Nacional Função e participação dos setores económicos Agricultura Mineração Indústria Infra-estruturas e Energia Comunicações Comércio Desenvolvimento geral no setor privado Consumo Privado e inflação Situação social: grandes progressos mas desafios ainda maiores Progresso Os desafios II. A resposta de Moçambique aos desafios socioeconómicos A resposta do governo moçambicano A contribuição da comunidade internacional Fundos dos doadores e como são gastos por setor Harmonização da ajuda e da coordenação dos doadores Apoio ao orçamento geral Apoio setorial Apoio descentralizado Actores indirectos A contribuição da cooperação flamengo-moçambicana para o desenvolvimento A Cooperação Flamenga para o Desenvolvimento em geral A preparação para o início da cooperação formal com Moçambique A primeira estratégia para o país O segundo protocolo de cooperação (Memorando de Entendimento) Preparação do segundo Documento de Estratégia para o País (DEP II) III. Programa Indicativo A escolha da Saúde como foco exclusivo Breve análise contextual do sector da saúde em Moçambique Geral: um sector com um progresso frágil Financiamento do sector da saúde Disponibilidade de pessoal de saúde e de infra-estruturas de saúde Doenças infecciosas mortais HIV/SIDA

3 Tuberculose (TB) Malária Harmonização e coordenação inadequada entre os doadores O complexo setor da saúde e direito sexual e reprodutivo A desnutrição e as práticas de má nutrição A desigualdade social no acesso aos cuidados de saúde Objetivos Objetivo geral Objetivo específico e sub-objectivos Temas Transversais Abordagem estratégica Apoio orçamental sectorial como um instrumento privilegiado Focalizando em subsectores específicos Recursos humanos para a saúde (RHS) Investigação na saúde e monitorização Saúde e direitos sexuais e reprodutivos (SDSR) Práticas de nutrição Província de Tete IV. Implementação e monitoramento do documento de estratégia Componentes verticais da implementação Abordagem de portfólio Integração da adaptação às alterações climáticas Identificação e formulação de programas e projectos Documentos de implementação do projecto Financiamento e orçamento Relatórios Auditorias financeiras Monitoramento e avaliação Monitoramento e avaliação a nível de execução Monitoramento e avaliação ao nível político Apoio do Parlamento e Sociedade Civil V. Gestão de riscos VI. A Cooperação flamengo-moçambicana fora do âmbito de aplicação do programa indicativo do DEPII Geral Iniciativas organizadas regionalmente Reforço da cooperação em saúde através de iniciativas multilaterais Prevenção de desastres, controlo e reabilitação Comércio e Desenvolvimento e respeito pelas normas laborais Fim dos compromissos do DEP I Estratégia de saída do sector educacional Estratégia de saída da infra-estrutura de Saúde VII. Bibliografia Publicações Recursos electrónicos VIII. Anexos

4 Lista de siglas e abreviacões APD: APE: AWEPA: CAD: CG: DdT: DEP: DFID: DiV: Ajuda Pública para o Desenvolvimento Agente Polivalente Elementar Associação de Parlamentares Europeos para África Comitê de Ajuda ao Desenvolvimento Consulta Geral Divisão de Trabalho Documento de Estratégia para o País Departamento para Desenvolvimento Internacional, Reino Unido Departamento de Cooperação Internacional do Ministério dos Negócios Estrangeiros, Governo da Flandres (Departamento Internacional da Flandres) ECTIM: EITI: EUA: FASE: FICA: FRELIMO: GCCC: GFATM: HIV/AIDS: HPI: ICRH: IDG: IDH: IHP+: Estratégia de Ciência, Tecnologia e Inovação de Moçambique Iniciativa de Transparência na Indústria Extractiva Estados Unidos da America Fundo de Apoio ao Sector da Educação (no contexto de SWAp) Agência de Cooperação Internacional Flamenga Frente de Libertação de Moçambique Central de Combate à Corrupção Fundo Mundial de luta contra HIV/SIDA, Tuberculose e Malária Vírus da Imunodeficiência Humana/ Síndrome da Imunodeficiência Adquirida Índice de Pobreza Humana Centro Internacional de Saúde Reprodutiva, Ghent Índice de Desenvolvimento Ajustado ao Género Índice do Desenvolvimento Humano Iniciativa Internacional em Saúde 4

5 INS: IOR-ARC: Instituto Nacional da Saúde A Associação dos Países da Orla do Oceano Índico para a Cooperação. Regional ITG: MAP: MDG: MDM: MINEC: MISAU: MoU: MW: NAIMA+: NAPA: OCDE: ODAMOZ: OMC: OMS: ONUSIDA: Instituto de Medicina Tropical, Antuérpia Programa de Multi-países contra AIDS (Banco Mundial) Objectivos do Desenvolvimento do Milénio Movimento Democrático de Moçambique Ministério dos Negócios Estrangeiros e Cooperação Ministério de Saúde Memorando de Entendimento Megawatt Rede de ONGs da área da Saúde e HIV/SIDA Programa de Acção Nacional para a Adaptação Às Mudanças Climáticas Organização de Cooperação e de Desenvolvimento Económico Base de Dados da Ajuda Oficial para o Desenvolvimento em Moçambique Organização Mundial do Comércio Organização Mundial de Saúde Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/SIDA Países ACP: Países da Africa, Caribe e Pacifico PARP: PARPA: PEPFAR: Plano de Acção para Redução da Pobreza Plano de Acção para Redução da Pobreza Absoluta Plano de Emergência do Presidente para o Alivio de SIDA (President s Emergency Plan for AIDS Relief) PESS: PIB: Plano Estratégico para o Sector de Saúde Produto Interno Bruto 5

6 PMD: PME: PRISE: PROAGRI: Países Menos Desenvolvidos Pequenas e medias empresas Programa Integrado do Sector de Estradas Programa Nacional de Desenvolvimento Agricola de Moçambique PROSAUDE: Fundo Comum de Apoio ao Sector de Saúde PTMF: QAD: RENAMO: RHR: RHS: SADC: SISTAFE: SDRR: SWAp: TBC: TIFA: UE: UN: UNICEF: Prevenção da transmissão de mãe para filho Quadro de Avaliação do Desempenho Resistência Nacional Moçambicana Departamento especializado em Saúde Reprodutiva e Investigação da OMS Recursos Humanos para a Saúde Comunidade de Desenvolvimento da África Austral Sistema de Administração Financeira do Estado Saúde e direitos sexuais e reprodutivos Abordagem Sectorial Ampla (Sector Wide Approach) Tuberculose Acordo do Quadro de Comércio e Investimentos União Europeia Nações Unidas Fundo das Nações Unidas para à Infância 6

7 I. Análise contextual: Moçambique em Contexto geral 1.1. Geografia A República de Moçambique está localizada na costa oriental de África e partilha fronteira com a Tanzânia, a norte, com a Zâmbia e Malawi, a noroeste, com o Zimbabwe a oeste, com a África do Sul e Suazilândia, ao sul, e é banhado pelo Oceano Índico, a leste. Moçambique tem uma área de total de Km², dos quais Km² correspondem a terra firme e Km² a águas interiores. A linha de costa tem uma extensão de aproximadamente 7

8 2500Km². O rio Zambeze é o maior e atravessa praticamente todo o país, de oeste a leste. Existem outros 24 rios que também atravessam o país de oeste a leste 1. 44% do país é constituído por terras baixas (< 200m) ao longo da costa. As terras baixas convergem com planícies elevadas que cobrem 43% do País e atingem gradualmente alturas de 200 a 1000m. Além de algumas crestas, existem também algumas montanhas isoladas dos planaltos. No total, 13% do país consiste em terras altas ( m). Tanto as planícies do baixo litoral como os planaltos têm um clima de savana com períodos de seca no inverno. O Oceano Índico aumenta a humidade em áreas costeiras. O clima subtropical na costa sul do Zambeze e o clima tropical da região costeira ao norte apresentam diferenças consideráveis. A temperatura média de Maputo, a capital, em Julho, o seu mês mais frio, é um pouco mais de 18 graus Célsius. No norte, a temperatura média atinge facilmente 22 graus Célsius. Esta área é dominada por um regime de monções. A precipitação diminui mais para o sul. A precipitação média na Beira, segunda cidade do país, é de milímetros por ano, em comparação com 768 milímetros em Maputo. A estação chuvosa começa em Outubro e termina em Março. A população de Moçambique é estimada em habitantes, da qual, quase metade - 44,3% - situa-se na faixa etária entre 0 e 14 anos. A idade média é 17,5 anos. A taxa de crescimento populacional é de 1,79% ao ano. 37% dos moçambicanos vivem em ambientes urbanos, os restantes 63% em zonas rurais. Quase dois terços da população vive nas zonas costeiras (120 pessoas/km² em comparação com uma média nacional de 25 pessoas por km²). O país é caracterizado pela diversidade étnica (Changana/Tsonga, Makua/Lomwe, Sena, Ndau, outras). Entre as línguas faladas, destacam-se, Português (oficial), Emakua, Xichangana, Elomwe, Chisena, Chindau, Echwabo, entre outras, e mutas vezes têm laços com línguas dos países vizinhos. Cerca de 99% da população moçambicana é africana, 0.1% de origem europeia, 0.5% de origem indiana Divisão Administrativa A República de Moçambique está dividida em onze províncias (Cidade de Maputo, Província de Maputo, Gaza, Inhambane (Região Sul), Manica, Sofala, Tete, Zambézia (Centro), Cabo Delgado, Nampula e Niassa (Região Norte) e estas, por sua vez, se subdividem em distritos, postos administrativos e municípios. Uma política de descentralização de poderes e a subsequente responsabilização das províncias e distritos tem sido seguida de forma progressiva por vários anos. Maputo é a capital de Moçambique e tem aproximadamente 2 milhões de pessoas. Além das suas importantes funções administrativas, a cidade tem também um porto marítimo importante. A Beira é a segunda maior cidade de Moçambique. A cidade tem cerca de habitantes e tem o maior porto do país. As indústrias mais importantes são a pesca do camarão e o açúcar. O turismo também sido também promovido. Outras cidades importantes são Nampula, Quelimane, Tete, Xai-Xai e Inhambane. 2. Contexto político e desenvolvimento Moçambique tornou-se independente de Portugal em 1975, após uma luta armada de libertação nacional desencadeada pela Frente de Libertação de Moçambique (FRELIMO) que durou 10 anos. O país seguiu uma orientação política e económica de caris socialista, tendo a 1 8

9 FRELIMO como partido único e representante dos interesses do povo moçambicano. Face a conjuntura política internacional desfavorável, marcada pela Guerra Fria, Moçambique, desde logo, foi alvo de acções desestabilizadoras perpetradas pelo então regime do Apartheid da África do Sul, em coluio com o regime rodesiano de Ian Smith.Seguiram-se 16 anos de uma violenta guerra de desestabilização que provocou inúmeras vítimas civis, recrutamento forçado de crianças soldado, destruição de campos agrícolas e infra-estruturas económicas, violações dos direitos humanos, colocação de inúmeras minas, êxodo rural e fome. Trata-se de uma guerra que teve um impacto negativo no desenvolvimento de Moçambique 2. Fruto de intensas negociações, a paz foi finalmente alcançada a 04 de Outubro de 1992, com a assinatura do Acordo Geral de Paz em Roma. Antes da assinatura do acordo de paz, o Governo moçambicano aprovou um pacote de reformas de índole política, económica e social, como sejam, a adopção de uma nova Constituição (1990), que introduziu a democracia multipartidária e ampliou os direitos civis e políticos, bem como um conjunto de liberdades e direitos fundamentais. Esta Constituição foi revista em 2004, com o objectivo de adequá-la às transformações que o país vem registando. Foram introduzidas reformas económicas, tendo o país passado de uma economia centralmente planificada para uma economia de mercado livre. O governo avançou também com um programa de reabilitação económica, acompanhado de privatização de empresas estatais. O Sistema político moçambicano é presidencialista em que é patente o princípio da separação e interdependência de poderes entre o executivo (Governo), o legislativo (Assembleia da República) e o Judicial (Tribunais). O Presidente da República é o Chefe do Governo e dirige o executivo. A Assembleia da República, é constituida por 250 deputados eleitos, é o mais alto órgão legislativo na República de Moçambique. O poder judicial, por sua vez, detido pelos tribunais (Tribunal Supremo, Tribunal Administrativo e Tribunais Judiciais). A constituição prevê ainda a criação de tribunais de trabalho, fiscais, aduaneiros, marítimos, arbitrais e comunitários. O sistema judicial do país tem uma estrutura que permite que tanto os tribunais especializados e hierarquicamente organizados e outros institutos, tal como os líderes comunitários, desempenhem um papel na resolução de disputas. As instâncias mais altas deste complexo sistema são o Tribunal Supremo e o Conselho Constitucional. As primeiras eleições gerais em Moçambique (legislativas e presidenciais) tiveram lugar em 1994, onde o candidato às presidenciais pelo partido FRELIMO, Joaquim Alberto Chissano, foi eleito. Na mesma ocasião, a FRELIMO venceu a com 54%, tendo ganho a maioria dos assentos na Assembleia da República. As segundas eleições gerais realizaram-se em 1999, tendo no referido pleito, o Presidente Joaquim Chissano sido reeleito, e o Partido FRELIMO ganho. As terceiras eleições gerais tiveram lugar em 2004, tendo a FRELIMO (62%) e o seu candidato, Armando Emílio Guebuza (63,7%) vencido as eleições. Nas referidas eleições, o candidato da RENAMO, Afonso Dhlakama, obteve 31.7% dos votos e a RENAMO-União Eleitoral obteve 29.7%. 3 Em 2009, realizaram-se as quartas eleições gerais (presidenciais, legislativas e para as assembleias provinciais), em que o Presidente Armando Emílio Guebuza foi reeleito com 75,1% de votos, contra 16,3% do líder da RENAMO, Afonso Dlakama. Daviz Simango, do 2 A introdução histórica baseia-se principalmente em: L. Van den Bergh, Why peace worked, Mozambicans look back, AWEPA, 2009, pp (Moçambique, Análise da Política de Administração dos Negócios Estrangeiros, 2002, pp Os resultados eleitorais são baseados em: Pelo facto de que naquela época Moçambique era um estado de dois partidos, era necessario apenas ganhar alguns assentos no parlamento para conseguir uma maioria absoluta 9

10 Movimento Democrático de Moçambique (MDM), com 8,6% dos votos, ficou em terceiro lugar. Por sua vez, e para a Assembleia da República, a FRELIMO conseguiu 191 deputados, a RENAMO 49 deputados e o MDM apenas 8 deputados. Relativamente as eleições autárquicas, as primeiras tiveram lugar em 1998 em 33 municípios, com a vitória da FRELIMO em maior parte destes. As segundas realizaram-se 2003, em que a FRELIMO foi vencedora em 29 dos 33 municípios. Nas terceiras eleições autárquicas, realizadas em 2008, a FRELIMO venceu em 42 dos 43 municípios. No que diz respeito aos direitos humanos e liberdades fundamentais, são reconhecidos e observados no país, não obstante as dificuldades relacionadas com a falta de recursos suficientes para a sua protecção e promoção efectiva. Apesar de alguns casos de violações, no cômputo geral, o governo tem envidado enormes esforços em reverter estas situações, através de acções multiformes como; a capacitação institucional, formação de mais magistrados, expansão dos serviços judiciais pelo território nacional, aprovação e implementação de instrumentos jurídicos de protecção da pessoa humana, educação cívica da população sobre direitos e liberdades, melhoria das condições prisionais, entre outras realizações. 3. Situação económica: progressos significativos, mas desafios ainda maiores 3.1. Evolução macroeconómica A guerra de desestabilização logo após a independência, destruiu completamente as infraestruturas sociais e económicas de Moçambique. Esse conflito produziu também um grande número de refugiados e deslocados internos e, além disso, as autoridades foram forçadas a assumir responsabilidade por um elevado número de soldados desmobilizados. No entanto, graças a vários fatores, incluindo um processo de paz bem-sucedido; uma rápida construção da democracia e de um estado multipartidário; a manutenção de um orçamento de estão muito rígido; a introdução de reformas económicas e a aceitação de diferentes formas de ajuda internacionais, tais como o cancelamento da dívida; Moçambique conseguiu criar - condições para um relançamento económico muito rápido. Como resultado, a economia moçambicana tem sido capaz, ao longo dos últimos 15 anos, de produzir taxas de crescimento fortes. Entre 1994 e 2004, o crescimento médio do PIB foi de 8,2% ao ano, um período que teve inclusivamente de suportar o impacto das inundações devastadoras que ocorreram no ano de No período seguinte, de , o crescimento ainda manteve uma taxa média de 7,8%. Mesmo em 2009, ano em que a crise financeira e económica global estava na sua máxima força, o país ainda conseguiu reportar uma taxa de crescimento de 5,4%. Previsões para 2010 e 2011 dão uma elevada taxa de crescimento de 5,8 e 6,1% respectivamente. Estes números positivos podem não ser suficientes para grandes euforias. A crise financeira e económica ainda tem um efeito amortecedor sobre o crescimento. Isto deve-se principalmente a atrasos da implementação de diferentes mega projetos; à exportação reduzida de madeira, camarão, castanha de caju, gás, algodão, tabaco, mas principalmente de alumínio, e à redução de divisas enviadas por trabalhadores moçambicanos residentes no estrangeiro (nomeadamente em África do Sul). As exportações passaram de 29,4% do PIB em 2008 para 18,5% em No entanto, as importações também tiveram um crescimento negativo proporcional, passando de 41,5% para 38,8%. Isto significa um forte deficit da balança comercial em O governo de Moçambique tem antecipado implementações rápidas de 10

11 grandes infra-estruturas, sérias reservas sobre as despesas e a inclusão de um empréstimo do FMI a partir do fundo especial para absorver os choques exógenos (170 milhões de dólares). O consumo interno continua a ser alimentado principalmente pelo investimento. Em 2009 houve investimento público e consumo privado de mais de metade do crescimento do PIB. Esta tendência deverá continuar se a segunda vaga de grandes projetos privados no setor de mineração e processamento continuar a aparecer e se os setores de infra-estrutura e energia em curso, atrasados pela crise financeira, continuem sem mais demoras Economia Nacional Uma das explicações para o crescimento económico estabelecido é que o governo de Moçambique prossegue uma política rigorosa quando se trata de dar prioridade às despesas. O orçamento de 2009, por exemplo, foi coerente em apontar para uma concentração de pelo menos 65% dos recursos nas áreas prioritárias tal como foram incluídas no atual plano nacional de luta contra a pobreza, o PARPA II. Estas áreas incluem infra-estruturas básicas, agricultura, provisões de água e saneamento, educação e saúde. Moçambique também consegue produzir cada vez mais recursos financeiros internos, permitindo ao governo tornarse assim um pouco mais independente da ajuda externa. A quota do imposto de renda do PIB subiu de 10,4% em 1997 para 14,3% em Esta evolução deverá continuar nos próximos dois anos, trazendo valores de crescimento de 2010 e 2011 para os 14,7% e 15,3%, respectivamente. O grande programa de cancelamento da dívida, apreciado por Moçambique em 2006, deu ao governo um grande fôlego para o arranque de novas iniciativas e ao mesmo tempo melhorou sua posição para contrair novos empréstimos. Como resultado deste programa, a dívida líquida do país foi reduzida em quase 50%. Em 2009 apenas 123,7 milhões de dólares tiveram que ser pagos através de empréstimos e juros. Dois terços foram destinados à liquidação da dívida interna, apesar de que ela constitui apenas 8% do total da dívida de Moçambique. Atualmente, o grau da dívida de Moçambique é de 26,1%. O consumo do governo subiu em 2009, principalmente devido ao aumento dos salários no setor público, nomeadamente no âmbito da educação dos setores prioritários ( professores adicionais), saúde (138 médicos e treinamento de pessoal de unidades de saúde), infra-estrutura e agricultura. Um terço destes salários é financiado com fundos de doadores. A despesa do estado registou 12,5% do PIB em 2009 e, provavelmente, irá aumentar para 13,3% em 2010 e 13,4% em Ao mesmo tempo estão a ser implementadas medidas importantes que contribuem para o aumento da despesa, tais como, a extensão do Sistema de Administração Financeira do Estado (SISTAFE) para todos os órgãos governamentais e para as 50 autoridades do distrito; a ampliação do alcance fiscal e a aprovação dos novos códigos de impostos para as PMEs. Estas pressões terão um impacto contínuo, ainda que decrescente, sobre o défice público estimado nos próximos anos. Apesar de 2009 ter sido um ano excepcional, tendo em conta as medidas anti-cíclicas para apoiar a economia e o défice de 5,7% do PIB, o governo provavelmente irá continuar em zona vermelha em 2010 e 2011 com valores de 3,3% e 2,2%, respectivamente. O orçamento do Estado moçambicano ainda depende fortemente da solidariedade internacional (55% para o orçamento de 2009) mas uma diminuição dessa dependência é esperada. Em 2008, 56% dos fundos para as despesas do governo vieram de doações internacionais. No entanto, as autoridades previam que em 2010 apenas 44% do orçamento do governo seriam financiados por fundos de desenvolvimento. Isso prova a seriedade do governo moçambicano em libertar-se da enorme dependência da ajuda externa. O facto de que em 2009 os doadores continuaram a depositar 30% do seu apoio financeiro a Moçambique, 11

12 através do apoio orçamental geral, mostra a sua grande confiança no progresso do país. No entanto, a dependência da ajuda externa desse tipo continua a comprometer a possibilidade de condução das políticas de longo prazo essenciais e radicais destinadas a reformas e estímulos. Particularmente nas actuais circunstâncias de uma prolongada crise económica mundial, onde os doadores também estão obrigados a reduzir seu padrão de gastos, essa vulnerabilidade poderá ter graves consequências a nível económico, bem como a nível social. A luta contra a corrupção ainda não esta terminada 4. Embora várias iniciativas do governo estejam sendo atualmente implementadas para resolver o problema. No setor das matériasprimas, tradicionalmente um setor que é altamente suscetível à corrupção, o governo introduziu recentemente um novo conjunto de leis fiscais. Em 2011 o país tornar-se-á membro de pleno direito da iniciativa internacional em matéria de transparência neste setor, a chamada Iniciativa de Transparência na Indústria Extractiva (EITI). Entretanto, o Presidente Guebuza adoptou a luta contra a corrupção como uma prioridade no programa de governo. Graças a todas estas medidas, Moçambique já é capaz de apresentar as primeiras conquistas significativas nessa luta; conquistas que certamente têm um impacto mais estrutural. A criação de uma instituição vocaionada para a luta contra a corrupção, o chamado Gabinete Central de Combate à Corrupção, GCCC, tem dado um maior poder de manobra a fim de melhorar a sua eficácia. Algumas penas pesadas de prisão foram pronunciadas contra funcionários corruptos mas com cargos importantes. Mas há ainda muito trabalho pela frente e o problema continuará a exigir a total atenção do Governo moçambicano, da sociedade civil, bem como dos países doadores 5. 4 De acordo com o Índice de Percepção da Corrupção da Transparency International (TI), o indicador mais utilizado internacionalmente, Moçambique, depois de anos de percepção estável, experimentou um ligeiro declínio em 2009, de 2,8 para 2,6 na escala utilizada. (http://www.transparency.org/policy_research/ surveys_indices/cpi/2007 vs. (http://www.transparency.org/policy_research/surveys_indices/cpi /2008/cpi_2008_table). 5 Para uma análise e visão geral da situação atual, consulte: O processo de monitoramento deve-se principalmente ao diálogo político entre o governo moçambicano e os doadores que prestam apoio orçamental geral, o chamado G

13 3.3. Função e participação dos setores económicos 6 Participação dos setores na economia moçambicana (PIB 2008) 11% 2% 2% 2% 15% 13% 9% 26% 3% 6% 11% Agricultura Infra-estruturas Água e Eletricidade Setor financeiro e empresarial Serviços Governamentais Indústria Minas e Pedreiras Outros Transportes e comunicações Comercio, Hotéis e Restaurantes Comercio Agricultura O principal rendimento de pelo menos 65% dos moçambicanos provém da agricultura. Isto reflete a importância do setor em termos de emprego total. Esta proporção não se traduz, contudo, numa parcela equivalente do PIB (26%). 99% dos empreendedores são pequenos produtores sem acesso a crédito adaptado, terrenos, equipamentos, sementes melhoradas, fertilizantes e know-how. Daí, a limitação do valor acrescentado atingido com produtos agrícolas, o que é ainda reforçado pela modesta produtividade do setor e pelo acesso não garantido ao mercado para estas empresas de pequena escala familiar. No entanto, dado o actual peso do setor no emprego, proporcionar estímulos apenas para a agricultura de grande escala não fornecerá uma solução para o desenvolvimento das zonas rurais. As reformas que visam proporcionar o acesso ao crédito e subsídios, bem como conhecimentos sólidos agrícolas e acesso ao mercado para os pequenos produtores do setor são uma via preferencial. A falta de progressos nessa área, assim como o adiamento forçado da época de sementeira e as várias pragas, foram algumas das causas para o ano agrícola decepcionante de Mais de pessoas foram imediatamente confrontadas com grave escassez de alimentos em No entanto, o governo de Moçambique começou a implementar o seu programa estratégico agrícola há muitos anos. Como resultado de outras reformas mais pontuais, projetos inovadores e industriais de larga escala estão agora a entrar no sector agrícola ao lado de projectos agrícolas mais tradicionais de pequena escala. Graças à privatização da produção de açúcar e, beneficiando por completo do acesso preferencial ao mercado europeu oferecido aos produtores de Países Menos Avançados (PMA), Moçambique conseguiu rapidamente transformar-se num exportador líquido de açúcar refinado toneladas de açúcar de Moçambique foram exportadas para a UE em Esse mesmo ano viu a adopção de uma Política e Estratégia Nacional de Biocombustíveis com o objectivo de reduzir a dependência do país das importações de produtos petrolíferos. A fábrica de etanol, que foi introduzida em 2007, já produz 120 milhões de litros de etanol por ano. Vários outros grandes projectos foram já concedidos ou estão a aguardar a aprovação do governo. Estima-se que, mesmo a um ritmo lento do aumento da área agrícola dedicada à produção de biocombustíveis, esta indústria inovadora pode gerar até novos empregos. 6 Salvo indicado contrariamente, os números para a análise da atual situação económica em Moçambique baseiam-se em:http://www.africaneconomicoutlook.org/en/countries/southern-africa/mozambique/. 13

14 Mineração Moçambique tem um solo extremamente rico em recursos. Isso já se reflectia na recuperação em massa de bauxite para a produção de alumínio, o que fez de Moçambique um ator global deste sector. Vários outros mega-projetos estão sendo executados no setor de mineração. A mineradora brasileira Vale do Rio Doce está a investir 1,26 milhões de dólares americanos numa mina de carvão na bacia de Moatize, na província de Tete. Com tempo, a mina deverá produzir 40 milhões de toneladas de carvão por ano de modo a abastecer a indústria siderúrgica brasileira. A empresa australiana Riversdale está a planear um investimento similar de 800 milhões de dólares americanos na mesma bacia, com uma capacidade de 20 milhões de toneladas por ano. Assim, o carvão é actualmente o sector de mineração mais dinâmico. No entanto, o potencial do gás e a prospeção para o petróleo e subsequente exploração não deve ser subestimado como uma fonte de riqueza nacional num futuro não tanto distante. Investimentos aprovados no sector dos combustíveis fósseis chegaram a atingir cerca de milhões de dólares americanos em Menos positivo é que esses sectores, apesar de a sua alta rentabilidade para o governo em tempos de preços elevados dos minerais, estão agora dominados por um investimento estrangeiro moderno e de grande escala que criam poucas oportunidades de emprego direto. No objectivo da diversificação do emprego, este setor nunca poderá, portanto, desempenhar um papel importante. Indústria Os minerais de Moçambique não são apenas exportados; cada vez mais eles estão a ser processados no próprio país para formar produtos básicos para a economia global. Isso começa a refletir-se na participação do setor das indústrias na riqueza nacional, que cresceu significativamente de 19% em 1999 para os atuais 31%. Ao mesmo tempo, mais de 70% do valor das exportações nacionais baseia-se na exportação de produtos industriais. Este facto deve-se principalmente à Mozal, um dos maiores complexos de produção de alumínio no mundo. 46% do valor total das exportações de Moçambique entre 1999 e 2008 foi realizado neste subsetor 8. No entanto, isto aponta para uma dependência excessiva da exportação de um único produto semi-acabado e para grande limitação da diversidade de indústrias internacionalmente competitivas no país. Infra-estruturas e Energia Tanto os grandes investidores estrangeiros e privados nacionais como projectos de financiamento público na área de mineração de matérias-primas, energia e indústria garantiram o crescimento sustentado no sector das infra-estruturas. Exemplos disso incluem a reabilitação de antigas infra-estruturas e a construção de outras novas: existem diferentes linhas férreasde comboio que permitem a extracção de carvão na Bacia de Moatize; também como a construção do gasoduto da Sasol para a África do Sul e grandes obras nas estradas e na ferrovias que pretende ligar o porto moçambicano de Nacala, na província de Nampula, com o Malawi (1,6 bilhões de dólares americanos) e, posteriormente também com a Zâmbia. Actualmente, o Aeroporto Internacional de Maputo está a ser modernizado (112 milhões de dólares americanos) e a construção da infra-estrutura do projecto de mineração de titânico em grande escala deverá ser lançada. Durante o período , um projecto de um bilião de dólares envolvendo a electrificação e produção de eletricidade deve ser realizado. Novas centrais de energia foram 7 C. CASTEL-BRANCO & R. Ossemane, Moçambique Fase 2, em: Crise Financeira Global, Série Discussões, Livro 18, Instituto de Desenvolvimento Ultramarino, p. 4 8 Idem, p. 6 14

15 programadas para Moamba, Mpanda Nkuwa ( MW), do lado norte da Hidroeléctrica de Cahora Bassa ( MW), Lupata, Moatize (ligado ao projeto de carvão da Vale, MW) e Benga ( MW). Uma linha principal entre o centro e o sul do país deve trazer uma solução para a actual situação de escassez dentro e em volta da capital e permitir a transmissão de energia para países vizinhos como o Botswana, Malawi e Zimbabué. Isso vai permitir que Moçambique consolide o seu papel como produtor regional de energia e também diversificar as suas fontes de energia, o que é vital tendo em conta o facto de que atualmente apenas o local de produção da Mozal consome 900 MW da capacidade total dos 1350 MW disponíveis a partir da barragem de Cahora Bassa. Isso deixa apenas uns meros 450 MW para abastecer quase o resto do país. Comunicações Impulsionado principalmente pelos investimentos na construção de redes de telefone móvel, o sector da comunicação também irá continuar a sua expansão nos próximos anos. O prognóstico de crescimento para 2010 está calculado em 22,7%. Os operadores dominantes são a empresa moçambicana M-Cel e Vodacom da África do Sul. Ao mesmo tempo, a empresa nacional de telecomunicações TDM está a planear uma reorganização da sua rede, em que a conexão com o sistema submarino por cabo de fibra óptica da África Oriental irá proporcionar uma rede de comunicação com o resto do mundo a preços baixos. A TDM visa também garantir serviços básicos, incluindo acesso à Internet, para todos os distritos. A China fornece um apoio financeiro considerável para este projeto. Comércio Moçambique já assinou o novo Acordo de Parceria Económica com a UE e a modificação dos seus próprios procedimentos de comércio seria o último passo na implementação integral do acordo. Esta nova regra tem sido compatível com as regras da Organização Mundial do Comércio (OMC), permitindo a Moçambique ter acesso a longo prazo ao mercado europeu em condições preferenciais. No entanto, ainda não está claro se a recente atitude mais positiva da África do Sul em relação às negociações com a Europa pode criar mais atrasos. Ao mesmo tempo, Moçambique está a negociar com os EUA no âmbito do chamado Acordo Quadro de Comércio e de Investimento (Trade and Investment Framework Agreement TIFA) a fim de poder beneficiar de acesso preferencial ao mercado americano através do African Growth and Opportunity Act (AGOA). O monitoramento contínuo do impacto das regras de reciprocidade para a entrada livre de bens e serviços da UE e outros países continua a ser necessário para garantir que as empresas moçambicanas e os empresários têm o tempo necessário para se adaptarem a um ambiente mais competitivo e/ou que não sejam vítimas de práticas de descargas ilegais. Moçambique é também membro da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral, SADC, da Commonwealth, e da chamada Associação dos Países da Orla do Oceano Índico para a Cooperação Regional, IOR-ARC. Actualmente, o alumínio ainda desempenha um papel muito dominante (46%) nas exportações do país. Outros produtos importantes de exportação são a electricidade (7%) e gás (3%), frutos do mar (7%), algodão, açúcar (2%, com elevada taxa de crescimento) e castanha de caju (1%). A tendência para a concentração tem aparentemente aumentado nos últimos anos: as vendas de produtos derivados de mega projetos de electricidade, alumínio e gás representam uns impressionantes 71% do valor total das exportações da economia moçambicana no período de Apenas o carvão e talvez o petróleo poderão ser capazes de influenciar ligeiramente esta concentração das exportações num futuro próximo. 9 C. CASTEL-BRANCO & R. Ossemane, Moçambique Fase 2, em: Crise Financeira Global, Série Discussões, Livro 18, Instituto de Desenvolvimento Ultramarino, p. 6 15

16 Desenvolvimento geral no setor privado Em geral, Moçambique está a fazer progressos rápidos na reforma do seu clima de investimento interno. O sinal mais evidente disso é o salto de cinco lugares, nos últimos dois anos, no ranking do Doing Business. Enquanto na África Subsaariana demora-se em média 45,6 dias para reunir todas as condições administrativas para criar uma (pequena) empresa, as recentes reformas de Moçambique tornaram esse processo possível em 26 dias. Um factor importante é que já não há absolutamente nenhuma exigência de capital inicial. Devido à sua integração limitada nos mercados financeiros globais, o sector bancário não tem sido muito afetado pela recente crise do crédito. O Banco Central apenas tinha adaptado a regulamentação bancária às Normas Internacionais de Relato Financeiro. Isto significa que os bancos detêm capital suficiente e não serão confrontados com problemas de liquidez. Ao mesmo tempo, a proporção de crédito mal parado é muito baixa, representa cerca de 1 a 2%. Mas emprestar dinheiro ainda está sujeito a muitos desafios. A diferença considerável entre as taxas de juros para os produtos de poupança e os empréstimos para indivíduos e empresas não diminuiu apesar de já terem passado de facto os anos de inflação excessiva. Os bancos moçambicanos ainda cobram taxas muito altas aos seus clientes e as suas respectivas redes de balcões estão ainda muito concentradas nas cidades. O resultado de todos esses factores é que apenas 3 milhões, de 21 milhões de moçambicanos, têm uma conta bancária, estando este serviço limitado às classes médias e mais abastadas. Consumo Privado e inflação Apesar de se prever que o consumo privado continue a crescer em Moçambique, a redução ou mesmo a abolição dos subsídios dos combustíveis terá um impacto negativo considerável sobre o crescimento. Embora a inflação nos últimos tempos tenha estado no nível mais baixo de sempre, a expectativa é que ela aumente para mais de 8% com a recuperação da economia mundial e dos custos carregados da energia. A taxa de câmbio apresentou uma desvalorização acelerada do metical face ao dólar americano (-30%) e do rand sul-africano (-36%), entre Março e Agosto de A forte dependência do país em relação às importações de vários produtos (por exemplo, produtos alimentícios básicos) leva ao aumento dos preços e, consequentemente, ao aceleramento da inflação. Esperançadamente, a política monetária do governo e as positivas reformas económicas em combinação com uma extensa e bem pensada política social pró-pobre irá garantir que a inflação não atinja novamente uma inflação insuportável de dois dígitos. Enquanto isso, Moçambique ainda sofre com a carência crónica de infra-estruturas básicas. Isto é, estradas rurais, o que impede o acesso ao mercado para os pequenos produtores agrícolas, bem como o acesso a todos os tipos de serviços públicos e privados (educação, saúde, bancos, etc.) 16

17 4. Situação social: grandes progressos mas desafios ainda maiores Progresso Graças à situação económica relativamente saudável e a uma política centralizadora de desenvolvimento humano em geral, Moçambique pode orgulhar-se de progressos significativos no índice de desenvolvimento humano. Desta forma, o país foi capaz de compensar o atraso na área de alfabetização, níveis de escolaridade, rendimento médio e esperança média de vida que advêm de antes, durante e depois da guerra civil. Mais especificamente, Moçambique tem feito progressos convincentes na área da saúde geral da população. Uma análise retrospectiva que abrange um período suficientemente longo e que se centrou nas metas de saúde dos ODM permite uma avaliação precisa do que foi realizado: 17

18 Tabela 1: Progresso na realização dos ODM relacionados com a saúde em Moçambique 10 Indicador ODM (%) Crianças 1 ano com vacina contra o sarampo A mortalidade infantil/1000 nados vivos Taxa de mortalidade - 5 anos / nados vivos (%) Uso de métodos contracetivos (%) Partos assistidos por pessoal de saúde Taxa de mortalidade de mães para nascidos vivos Obj Abs. % n.d. +18% % % 108 sem dados sem dados n.d. +11,4% n.d % % Os desafios Apesar do progresso e dos consecutivos programas governamentais contra a pobreza estrutural no país, os desafios estruturais a nível social permanecem grandes e representam uma ameaça para a estabilidade social interna do país 11. Afinal, não devemos esquecer que na área de desenvolvimento humano Moçambique ocupa a nível mundial o número 172 numa lista de 182 países. Com uma renda per capita de 802 dólares, a população moçambicana quase perde um lugar no top dez de países com menor poder de compra do mundo (11º a partir do fim do ranking). Ao mesmo tempo, Moçambique confronta um problema clássico de países em desenvolvimento: a crescente desigualdade social. Prova disso pode ser verificada na evolução negativa do Gini coeficiente em Moçambique que, actualmente está num nível relativamente elevado de 47,1% contra os 39,8% registados em Transformar o impressionante crescimento macroeconómico em progresso social para todos os moçambicanos continua assim a ser um desafio constante, não só para o governo de Moçambique, mas também para os agentes privados e outros parceiros de desenvolvimento. A desigualdade traduz-se em muitas áreas. Para além das diferenças normais de rendimento, há também diferenças entre regiões e províncias, entre a população rural 12 e urbana 13, e a desigualdade entre homens e mulheres é ainda mais extrema. Moçambique ocupa a 116ª posição no ranking de 155 países que utilizam o Índice de Desenvolvimento Ajustado ao Género (GDI). Ainda é necessário, portanto, um grande progresso nos sectores sociais da educação e da saúde para prestar serviços mais eficientes, mais eficazes e mais abrangentes para o grande 10 Dados com base em: MISAU, Matriz do Desempenho do Setor Saúde 2009, a OMS, OMS Estratégia de Cooperação , Moçambique, 2009, p. 9, (http://www.who.int/countryfocus/cooperation strategy/ccs_ moz_en.pdf ), OMS, World Health Statistics, 2010 (http://www.who.int/whosis/whostat /EN_WHS10_Full.pdf ) 11 Uma combinação da redução dos subsídios do governo e uma inflação maior aumentaram os preços da electricidade, pão e água, e causou uma forte agitação social no dia 1 e 2 de Setembro de 2010, principalmente em Maputo. Embora o governo ter recuado na maioria das medidas e a tranquilidade voltado ao país, a ameaça de distúrbios sociais duma população predominantemente jovem está longe de terminar Ver, por exemplo, para a desigualdade entre crianças rurais e urbanas: UNICEF, Pobreza na Infância em Moçambique: Uma Análise da Situação e Tendências, 2006, pp 20-21, mozambique/ Sitan_(Full_version Part_1).pdf. 18

19 número da população desfavorecida de Moçambique. No Índice de Pobreza Humana, o chamado IPH-1, que combina valores de indicadores específicos de ambos os sectores sociais como uma alternativa para um indicador de rendimento simples, Moçambique ocupa o lugar 127 num total de 135 países que já realizaram este estudo 14. Mais de metade dos moçambicanos são analfabetos, 58% não têm acesso à água potável e 44% das crianças em Moçambique sofrem de subnutrição crónica 15. Apesar dos progressos já estabelecidos, o sector da saúde ainda enfrenta muitos desafios estruturais. Uma inspeção mais detalhada das pontuações dos indicadores gerais de saúde revela imediatamente a baixa esperança média de vida, a alta prevalência de HIV/SIDA combinada com um número relativamente baixo de pessoas com acesso a tratamento, o grande número de pacientes com tuberculose, o número de mortes causadas pela malária, o uso limitado de métodos modernos de contracepção, a enorme necessidade de pessoal médico de todos os níveis e a situação altamente precária em matéria de acesso à água potável (excepto nas cidades) e as disposições sanitárias (ver anexo 1 para um quadro comparativo dos indicadores gerais de saúde). 14 PNUD, Relatório do Desenvolvimento Humano 2009, Fichas do País, Moçambique countries/country_fact_sheets/cty_fs_moz.html (HDI, GDI & HPI-1) en 161.html (GINI). 15 Instituto Nacional de Estatística, Multiple indicator Cluster Survey, 2008, Maputo, 2009, mozambique/mics_summary_english_ pdf, pp

20 II. A resposta de Moçambique aos desafios socioeconómicos. 1. A resposta do governo moçambicano Ao longo dos anos, o governo moçambicano lançou vários planos estratégicos coerentes destinados a fornecer uma estrutura para a luta nacional contra a pobreza generalizada da população. O plano mais abrangente para reduzir a pobreza é sem dúvida o Plano de Acção para a Redução da Pobreza Absoluta ; o chamado PARPA I, para o período entre , e o PARPA II para o período entre Estes planos são caracterizados pela sua construção participativa que, além do governo, envolve também a sociedade civil e o sector privado. O PARPA I centrou-se principalmente numa abordagem sectorial no domínio da luta contra a pobreza. Aqui, reformas estratégicas em diversos sectores pré-selecionados foram concebidas de modo a contribuir para uma redução de 9% (de 69% para 60%) do total da população moçambicana que vive na pobreza. Esses setores foram: Educação; Saúde; Agricultura e Desenvolvimento Rural; Infra-estruturas básicas; Boa governação (setor público, justiça e desenvolvimento do setor privado); Macroeconomia e gestão financeira do e pelo Estado; A segunda geração do PARPA começou a partir da conclusão prematura de que a pobreza absoluta da população moçambicana tinha reduzido de 69% para 54% com a implementação do PARPA I. Ainda assim, o governo tirou algumas lições das experiências menos favoráveis do primeiro plano de acção e optou por uma abordagem mais integrada. O foco foi modificado para três estratégias transversais: O desenvolvimento económico; Desenvolvimento do capital humano; Melhoria da gestão e das suas estruturas. Entre as prioridades do PARPA II, encontramos uma estratégia de integração económica interna que, apesar de abranger toda a nação, também considerou os distritos locais como pôlos de desenvolvimento económico do país. A criação de um ambiente favorável ao crescimento do sector privado nacional também foi incluída como uma prioridade desta estratégia. O PARPA foi assim apresentado como o instrumento principal para a execução do plano do governo de cinco anos, que assumiu também a redução da pobreza como seu principal objectivo. Como um indicador geral, o objectivo foi novamente fixado numa redução de 9% (de 54% para 45%) da proporção da população nacional vivendo em situação de pobreza absoluta. Isso traz-nos à situação actual, onde avaliamos o novo programa do Governo moçambicano de cinco anos, o chamado Programa Quinquenal do Governo para Este plano 16 Governo de Moçambique, Plano para a Redução da Pobreza Absoluta, , documents/parpa/parpa_ii_aprovado_com_matriz_final.pdf, p. 1 & passim. 20

ACORDO DE PLANEAMENTO ESTRATÉGICO PARA O DESENVOLVIMENTO ENTRE O GOVERNO DE TIMOR-LESTE O GOVERNO DA AUSTRÁLIA. Novembro de 2011

ACORDO DE PLANEAMENTO ESTRATÉGICO PARA O DESENVOLVIMENTO ENTRE O GOVERNO DE TIMOR-LESTE O GOVERNO DA AUSTRÁLIA. Novembro de 2011 ACORDO DE PLANEAMENTO ESTRATÉGICO PARA O DESENVOLVIMENTO ENTRE O GOVERNO DE TIMOR-LESTE E O GOVERNO DA AUSTRÁLIA Novembro de 2011 Acordo de planeamento estratégico para o desenvolvimento Timor-Leste Austrália

Leia mais

DIÁLOGO NACIONAL SOBRE EMPREGO EM MOÇAMBIQUE

DIÁLOGO NACIONAL SOBRE EMPREGO EM MOÇAMBIQUE DIÁLOGO NACIONAL SOBRE EMPREGO EM MOÇAMBIQUE CRIAÇÃO DE EMPREGO NUM NOVO CONTEXTO ECONÓMICO 27-28 demarço de 2014, Maputo, Moçambique A conferência de dois dias dedicada ao tema Diálogo Nacional Sobre

Leia mais

Xai-Xai, 28 de Agosto de 2009 Rogério P. Ossemane (IESE)

Xai-Xai, 28 de Agosto de 2009 Rogério P. Ossemane (IESE) Xai-Xai, 28 de Agosto de 2009 Rogério P. Ossemane (IESE) Países em recessão oficial (dois trimestres consecutivos) Países em recessão não-oficial (um trimestre) Países com desaceleração econômica de mais

Leia mais

MERCADO ECONÓMICO EM ANGOLA PERSPECTIVA DE EVOLUÇÃO

MERCADO ECONÓMICO EM ANGOLA PERSPECTIVA DE EVOLUÇÃO MERCADO ECONÓMICO EM ANGOLA PERSPECTIVA DE EVOLUÇÃO Mercado Economico em Angola - 2015 Caracterização Geográfica de Angola Caracterização da economia Angolana Medidas para mitigar o efeito da redução do

Leia mais

FRÁGEIS E EM SITUAÇÕES DE FRAGILIDADE

FRÁGEIS E EM SITUAÇÕES DE FRAGILIDADE PRINCÍPIOS PARA UMA INTERVENÇÃO INTERNACIONAL EFICAZ EM ESTADOS PRINCÍPIOS - Março 2008 Preâmbulo Uma saída sustentável da pobreza e da insegurança nos Estados mais frágeis do mundo terá de ser conduzida

Leia mais

Missão Empresarial a Moçambique. O financiamento para as empresas em Moçambique

Missão Empresarial a Moçambique. O financiamento para as empresas em Moçambique Missão Empresarial a Moçambique O financiamento para as empresas em Moçambique Maio de 2013 Enquadramento Macroeconómico Financiamento Bancário: - Tipos de Crédito; - Riscos de Crédito Água: Tipos de negócio

Leia mais

PORTUGAL - INDICADORES ECONÓMICOS. Evolução 2005-2011 Actualizado em Setembro de 2011. Unid. Fonte 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 Notas 2011

PORTUGAL - INDICADORES ECONÓMICOS. Evolução 2005-2011 Actualizado em Setembro de 2011. Unid. Fonte 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 Notas 2011 Evolução 2005-2011 Actualizado em Setembro de 2011 Unid. Fonte 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 Notas 2011 População a Milhares Hab. INE 10.563 10.586 10.604 10.623 10.638 10.636 10.643 2º Trimestre

Leia mais

Workshop Internacionalização - Angola e Moçambique. Moçambique: Caracterização do Mercado e Oportunidades de Negócio

Workshop Internacionalização - Angola e Moçambique. Moçambique: Caracterização do Mercado e Oportunidades de Negócio Workshop Internacionalização - Angola e Moçambique Moçambique: Caracterização do Mercado e Oportunidades de Negócio 6 de Março de 2012 1 Agenda Dados Demográficos dados Sociais dados Políticos dados Económicos

Leia mais

6º Fórum Mundial da Água

6º Fórum Mundial da Água 6º Fórum Mundial da Água A gestão integrada de recursos hídricos e de águas residuais em São Tomé e Príncipe como suporte da segurança alimentar, energética e ambiental Eng.ª Lígia Barros Directora Geral

Leia mais

6º Congresso Nacional da Administração Pública

6º Congresso Nacional da Administração Pública 6º Congresso Nacional da Administração Pública João Proença 30/10/08 Desenvolvimento e Competitividade: O Papel da Administração Pública A competitividade é um factor-chave para a melhoria das condições

Leia mais

Internacionalização de PME. Mercado de MOÇAMBIQUE

Internacionalização de PME. Mercado de MOÇAMBIQUE Internacionalização de PME Mercado de MOÇAMBIQUE 12 de Junho de 2013 Mercado de MOÇAMBIQUE ÍNDICE Índice Introdução MOÇAMBIQUE Sociedades Comerciais e Representações Comerciais Estrangeiras Lei de Investimentos

Leia mais

REPÚBLICA DE MOÇAMBIQUE MINISTÉRIO DA PLANIFICAÇÃO E DESENVOLVIMENTO. SÍNTESE DA 15 a SESSÃO PLENÁRIA DO OBSERVATÓRIO DE DESENVOLVIMENTO

REPÚBLICA DE MOÇAMBIQUE MINISTÉRIO DA PLANIFICAÇÃO E DESENVOLVIMENTO. SÍNTESE DA 15 a SESSÃO PLENÁRIA DO OBSERVATÓRIO DE DESENVOLVIMENTO REPÚBLICA DE MOÇAMBIQUE MINISTÉRIO DA PLANIFICAÇÃO E DESENVOLVIMENTO SÍNTESE DA 15 a SESSÃO PLENÁRIA DO OBSERVATÓRIO DE DESENVOLVIMENTO Maputo, Abril de 2014 ÍNDICE I. INTRODUÇÃO... 3 II. TEMAS APRESENTADOS...

Leia mais

REPÚBLICA DE MOÇAMBIQUE MINISTÉRIO DA ECONOMIA E FINANÇAS DIRECÇÃO NACIONAL DE PLANIFICAÇÃO E ORÇAMENTO ORÇAMENTO CIDADÃO

REPÚBLICA DE MOÇAMBIQUE MINISTÉRIO DA ECONOMIA E FINANÇAS DIRECÇÃO NACIONAL DE PLANIFICAÇÃO E ORÇAMENTO ORÇAMENTO CIDADÃO REPÚBLICA DE MOÇAMBIQUE MINISTÉRIO DA ECONOMIA E FINANÇAS DIRECÇÃO NACIONAL DE PLANIFICAÇÃO E ORÇAMENTO ORÇAMENTO CIDADÃO 5ᵃ Edição ORÇAMENTO CIDADÃO 2016 Visão: Assegurar a participação do Cidadão em

Leia mais

INTERVENÇÃO Dr. José Vital Morgado Administrador Executivo da AICEP ****

INTERVENÇÃO Dr. José Vital Morgado Administrador Executivo da AICEP **** INTERVENÇÃO Dr. José Vital Morgado Administrador Executivo da AICEP **** Gostaria de começar por agradecer o amável convite da CIP para participarmos nesta conferência sobre um tema determinante para o

Leia mais

Maputo, 7 de Novembro 2013

Maputo, 7 de Novembro 2013 Maputo, 7 de Novembro 2013 Agenda Este seminário tem por objectivo apresentar o estudo sobre a situação do acesso a finanças rurais e agrícolas em Moçambique 1. Introdução 2. Perfil da População Rural

Leia mais

Saber mais. Comércio & Desenvolvimento

Saber mais. Comércio & Desenvolvimento Comércio & Desenvolvimento Saber mais O comércio tem sido um poderoso motor de crescimento para vários países, contribuindo para tirar milhões de pessoas de situações de pobreza. A política comercial da

Leia mais

REPÚBLICA DE MOÇAMBIQUE MINISTÉRIO DA ECONOMIA E FINANÇAS CENTRO DE PROMOÇÃO DE INVESTIMENTOS CLIMA DE INVESTIMENTOS EM MOÇAMBIQUE

REPÚBLICA DE MOÇAMBIQUE MINISTÉRIO DA ECONOMIA E FINANÇAS CENTRO DE PROMOÇÃO DE INVESTIMENTOS CLIMA DE INVESTIMENTOS EM MOÇAMBIQUE REPÚBLICA DE MOÇAMBIQUE MINISTÉRIO DA ECONOMIA E FINANÇAS CENTRO DE PROMOÇÃO DE INVESTIMENTOS CLIMA DE INVESTIMENTOS EM MOÇAMBIQUE CONTEÚDO 1 Razões para investir em Moçambique 2 Evolução do Investimento

Leia mais

MEDICUS MUNDI EM MOÇAMBIQUE A NOSSA PROPOSTA: CUIDADOS DE SAÚDE PRIMÁRIOS: VAMOS TORNÁ-LOS REALIDADE

MEDICUS MUNDI EM MOÇAMBIQUE A NOSSA PROPOSTA: CUIDADOS DE SAÚDE PRIMÁRIOS: VAMOS TORNÁ-LOS REALIDADE MEDICUS MUNDI EM MOÇAMBIQUE A NOSSA PROPOSTA: CUIDADOS DE SAÚDE PRIMÁRIOS: VAMOS TORNÁ-LOS REALIDADE Cuidados de Saúde Primários em Moçambique Já foi há mais de 30 anos que o sonho de Saúde para todos

Leia mais

A expansão dos recursos naturais de Moçambique Quais são os Potenciais Impactos na Competitividade da Agricultura?

A expansão dos recursos naturais de Moçambique Quais são os Potenciais Impactos na Competitividade da Agricultura? A expansão dos recursos naturais de Moçambique Quais são os Potenciais Impactos na Competitividade da Agricultura? Outubro 2014 A agricultura é um importante contribuinte para a economia de Moçambique

Leia mais

No Centro da Transformação de África Estratégia para 2013-2022

No Centro da Transformação de África Estratégia para 2013-2022 Grupo do Banco Africano de Desenvolvimento No Centro da Transformação de África Estratégia para 2013-2022 Sumário Executivo A Estratégia do Banco Africano de Desenvolvimento para 2013-2022 reflecte as

Leia mais

ANGOLA FICHA DE MERCADO BREVE CARACTERIZAÇÃO

ANGOLA FICHA DE MERCADO BREVE CARACTERIZAÇÃO FICHA DE MERCADO ANGOLA BREVE CARACTERIZAÇÃO Situa-se na região da África Subsariana, apresentando uma economia em forte crescimento, que converge para uma economia de mercado. É um país extremamente rico

Leia mais

VISABEIRA GLOBAL > Telecomunicações Energia Tecnologia Construção. VISABEIRA INDÚSTRIA > Cerâmica e Cristal Cozinhas Recursos Naturais

VISABEIRA GLOBAL > Telecomunicações Energia Tecnologia Construção. VISABEIRA INDÚSTRIA > Cerâmica e Cristal Cozinhas Recursos Naturais 1 VISABEIRA GLOBAL > Telecomunicações Energia Tecnologia Construção VISABEIRA INDÚSTRIA > Cerâmica e Cristal Cozinhas Recursos Naturais VISABEIRA TURISMO > Hotelaria Entretenimento & Lazer Restauração

Leia mais

República de Moçambique Ministério das Finanças SISTAFE

República de Moçambique Ministério das Finanças SISTAFE República de Moçambique Ministério das Finanças SISTAFE Data de Geração: 01/10/2012 Orçamento do Estado para Ano de 2013 Código Designação 0101 Presidência da República 150,000.00 0.00 150,000.00 0105

Leia mais

ODS 1 - Acabar com a pobreza em todas as suas formas, em todos os lugares.

ODS 1 - Acabar com a pobreza em todas as suas formas, em todos os lugares. ODS 1 - Acabar com a pobreza em todas as suas formas, em todos os lugares. 1.1 Até 2030, erradicar a pobreza extrema para todas as pessoas em todos os lugares, atualmente medida como pessoas vivendo com

Leia mais

IGC Mozambique. A Dinâmica Recente da Economia Internacional e os Desafios para Moçambique

IGC Mozambique. A Dinâmica Recente da Economia Internacional e os Desafios para Moçambique IGC Mozambique A Dinâmica Recente da Economia Internacional e os Desafios para Moçambique 09 de Março de 2012 1 Introdução Uma visão retrospectiva mostra uma década que já aponta a grande clivagem da economia

Leia mais

A Fazer Crescer o Nosso Futuro 2 / 3

A Fazer Crescer o Nosso Futuro 2 / 3 1 / 1 A Fazer Crescer o Nosso Futuro 2 / 3 ... os recursos petrolíferos devem ser alocados à constituição de reservas financeiras do Estado que possam ser utilizadas, de forma igualitária e equitativa,

Leia mais

Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa (Macau)

Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa (Macau) Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa (Macau) Plano de Acção para a Cooperação Económica e Comercial (2007-2009) 2ª Conferência Ministerial, 2006

Leia mais

Questões Fundamentais do Desenvolvimento na CPLP: O Caso dos Países Africanos

Questões Fundamentais do Desenvolvimento na CPLP: O Caso dos Países Africanos Questões Fundamentais do Desenvolvimento na CPLP: O Caso dos Países Africanos João Estêvão ISEG Universidade Técnica de Lisboa Mestrado em Estudos Africanos e do Desenvolvimento IEE/UCP Colóquio CPLP e

Leia mais

Pequenas e médias empresas:

Pequenas e médias empresas: Pequenas e médias empresas: Promovendo ligações empresariais efectivas entre as grandes e as pequenas e médias empresas para o desenvolvimento de Moçambique Comunicação de Sua Excelência Armando Emílio

Leia mais

Programa de Desenvolvimento Social

Programa de Desenvolvimento Social Programa de Desenvolvimento Social Introdução A Portucel Moçambique assumiu um compromisso com o governo moçambicano de investir 40 milhões de dólares norte-americanos para a melhoria das condições de

Leia mais

Avaliação do Instrumento de Apoio a Políticas Económicas (PSI) 2010-2012

Avaliação do Instrumento de Apoio a Políticas Económicas (PSI) 2010-2012 REPÚBLICA DE MOÇAMBIQUE Avaliação do Instrumento de Apoio a Políticas Económicas (PSI) 2010-2012 Elaborado Por: Ministério das Finanças Ministério da Planificação e Desenvolvimento Banco de Moçambique

Leia mais

RELAÇÕES TRANSATLÂNTICAS: EUA E CANADÁ

RELAÇÕES TRANSATLÂNTICAS: EUA E CANADÁ RELAÇÕES TRANSATLÂNTICAS: EUA E CANADÁ A União Europeia e os seus parceiros norte-americanos, os Estados Unidos da América e o Canadá, têm em comum os valores da democracia, dos direitos humanos e da liberdade

Leia mais

Excelência Senhor presidente da COP 19 Excelências distintos chefes de delegações aqui presentes Minhas senhoras e meus senhores (1)

Excelência Senhor presidente da COP 19 Excelências distintos chefes de delegações aqui presentes Minhas senhoras e meus senhores (1) Excelência Senhor presidente da COP 19 Excelências distintos chefes de delegações aqui presentes Minhas senhoras e meus senhores (1) Permitam que em nome do Governo de Angola e de Sua Excelência Presidente

Leia mais

Diversificação e articulação da base produtiva e comercial em Moçambique

Diversificação e articulação da base produtiva e comercial em Moçambique Diversificação e articulação da base produtiva e comercial em Moçambique "Tendências do Investimento Privado em Moçambique: questões para reflexão" Nelsa Massingue da Costa Maputo, Setembro 2013 TENDÊNCIAS

Leia mais

OPORTUNIDADES DE INVESTIMENTO NO AGRONEGÓCIO EM MOÇAMBIQUE

OPORTUNIDADES DE INVESTIMENTO NO AGRONEGÓCIO EM MOÇAMBIQUE REPÚBLICA DE MOÇAMBIQUE MINISTÉRIO DA AGRICULTURA E SEGURANÇA ALIMENTAR OPORTUNIDADES DE INVESTIMENTO NO AGRONEGÓCIO EM MOÇAMBIQUE ABRIL, 2015 Estrutura da Apresentação 2 I. Papel do CEPAGRI II. III. IV.

Leia mais

Texto preparado. Previsões sobre o crescimento mundial

Texto preparado. Previsões sobre o crescimento mundial Novas Oportunidades e Novos Riscos: As Perspectivas para a África Subsariana e Moçambique David Lipton, Primeiro Subdirector-Geral do FMI Fundo Monetário Internacional Universidade Politécnica, Maputo

Leia mais

MARINHA MERCANTE COMO UM DOS FACTORES IMPULSIONADORES DE DESENVOLVIMENTO

MARINHA MERCANTE COMO UM DOS FACTORES IMPULSIONADORES DE DESENVOLVIMENTO MARINHA MERCANTE COMO UM DOS FACTORES IMPULSIONADORES DE DESENVOLVIMENTO Arlindo Zandamela Instituto Nacional das Comunicações de Moçambique (INCM) Lisboa, Portugal Zandamela.arlindo@gmail.com Sumário

Leia mais

MINISTERIO DA AGRICULTURA E DESENVOLVIMENTO RURAL SECRETARIA DE ESTADO DA SEGURANÇA ALIMENTAR E NUTRICIONAL

MINISTERIO DA AGRICULTURA E DESENVOLVIMENTO RURAL SECRETARIA DE ESTADO DA SEGURANÇA ALIMENTAR E NUTRICIONAL REPÚBLICA DA GUINÉ-BISSAU MINISTERIO DA AGRICULTURA E DESENVOLVIMENTO RURAL SECRETARIA DE ESTADO DA SEGURANÇA ALIMENTAR E NUTRICIONAL Segunda Conferência Internacional sobre a nutrição Roma, 19-21 de Novembro

Leia mais

EXPERIÊNCIA DE MOÇAMBIQUE NA IMPLEMENTAÇÃO DA SEGURANÇA SOCIAL BÁSICA

EXPERIÊNCIA DE MOÇAMBIQUE NA IMPLEMENTAÇÃO DA SEGURANÇA SOCIAL BÁSICA REPÚBLICA DE MOÇAMBIQUE MINISTÉRIO DA MULHER E DA ACÇÃO SOCIAL EXPERIÊNCIA DE MOÇAMBIQUE NA IMPLEMENTAÇÃO DA SEGURANÇA SOCIAL BÁSICA 16 DE OUTUBRO DE 2013 1 CONTEXTO DE MOÇAMBIQUE Cerca de 23 milhões de

Leia mais

Distintos Membros dos Órgãos Sociais da Banca Comercial; Chegamos ao final de mais um ano e, por isso, é oportuno, fazer-se um

Distintos Membros dos Órgãos Sociais da Banca Comercial; Chegamos ao final de mais um ano e, por isso, é oportuno, fazer-se um Sr. Vice-Governador do BNA; Srs. Membros do Conselho de Administração do BNA; Distintos Membros dos Órgãos Sociais da Banca Comercial; Sr Representante das Casas de Câmbios Srs. Directores e responsáveis

Leia mais

A POSIÇÃO DE PORTUGAL NA EUROPA E NO MUNDO

A POSIÇÃO DE PORTUGAL NA EUROPA E NO MUNDO A POSIÇÃO DE PORTUGAL NA EUROPA E NO MUNDO Portugal situa-se no extremo sudoeste da Europa e é constituído por: Portugal Continental ou Peninsular (Faixa Ocidental da Península Ibérica) Parte do território

Leia mais

MINISTÉRIO DAS FINANÇAS

MINISTÉRIO DAS FINANÇAS XXI Encontro de Lisboa entre as Delegações dos Bancos Centrais dos Países de Língua Oficial Portuguesa à Assembleia Anual do FMI/BM Banco de Portugal 19 de Setembro de 2011 Intervenção do Ministro de Estado

Leia mais

IMF Survey. África deve crescer mais em meio a mudanças nas tendências mundiais

IMF Survey. África deve crescer mais em meio a mudanças nas tendências mundiais IMF Survey PERSPECTIVAS ECONÓMICAS REGIONAIS África deve crescer mais em meio a mudanças nas tendências mundiais Por Jesus Gonzalez-Garcia e Juan Treviño Departamento da África, FMI 24 de Abril de 2014

Leia mais

TERMOS DE REFERÊNCIA PARA A CONTRATAÇÃO DE UM CONSULTOR PARA PRESTAR APOIO ÀS ACTIVIDADES ELEITORAIS EM MOÇAMBIQUE

TERMOS DE REFERÊNCIA PARA A CONTRATAÇÃO DE UM CONSULTOR PARA PRESTAR APOIO ÀS ACTIVIDADES ELEITORAIS EM MOÇAMBIQUE TERMOS DE REFERÊNCIA PARA A CONTRATAÇÃO DE UM CONSULTOR PARA PRESTAR APOIO ÀS ACTIVIDADES ELEITORAIS EM MOÇAMBIQUE Local de trabalho: Maputo, Moçambique Duração do contrato: Três (3) meses: Novembro 2011

Leia mais

Protecção Social para um Crescimento Inclusivo. Nuno Cunha Nações Unidas

Protecção Social para um Crescimento Inclusivo. Nuno Cunha Nações Unidas Protecção Social para um Crescimento Inclusivo Nuno Cunha Nações Unidas Contexto moçambicano O País tem experienciado um crescimento económico impressionante nos últimos 15 anos Importantes progressos

Leia mais

Situação das Crianças em Moçambique 2014

Situação das Crianças em Moçambique 2014 Situação das Crianças em Moçambique 2014 No decurso da última década, a situação das crianças em Moçambique avançou significativamente. Mais crianças estão a sobreviver e a ter acesso ao sistema de protecção

Leia mais

Ficha de informação 1 POR QUE RAZÃO NECESSITA A UE DE UM PLANO DE INVESTIMENTO?

Ficha de informação 1 POR QUE RAZÃO NECESSITA A UE DE UM PLANO DE INVESTIMENTO? Ficha de informação 1 POR QUE RAZÃO NECESSITA A UE DE UM PLANO DE INVESTIMENTO? Desde a crise económica e financeira mundial, a UE sofre de um baixo nível de investimento. São necessários esforços coletivos

Leia mais

EMPRESAS DE BRASIL E CHINA NA ÁFRICA Parceria, Concorrência e Desenvolvimento

EMPRESAS DE BRASIL E CHINA NA ÁFRICA Parceria, Concorrência e Desenvolvimento EMPRESAS DE BRASIL E CHINA NA ÁFRICA Parceria, Concorrência e Desenvolvimento O CASO DE MOÇAMBIQUE Por Cardoso T. Muendane, Ph.D. sics@sics.co.mz 2010 LAY OUT Breve apresentação de Moçambique IDE em Moçambique

Leia mais

Termos de Referência para Análise das Plataformas das Organizações da Sociedade Civil que trabalham na gestão de recursos naturais em Moçambique

Termos de Referência para Análise das Plataformas das Organizações da Sociedade Civil que trabalham na gestão de recursos naturais em Moçambique Termos de Referência para Análise das Plataformas das Organizações da Sociedade Civil que trabalham na gestão de recursos naturais em Moçambique I. Introdução Nos últimos anos, uma das principais apostas

Leia mais

Discurso proferido pelo Sr. Dr. Carlos de Burgo por ocasião da tomada de posse como Governador do Banco de Cabo Verde

Discurso proferido pelo Sr. Dr. Carlos de Burgo por ocasião da tomada de posse como Governador do Banco de Cabo Verde Page 1 of 5 Discurso proferido pelo Sr. Dr. Carlos de Burgo por ocasião da tomada de posse como Governador do Banco de Cabo Verde Senhor Ministro das Finanças e Planeamento, Senhores Representantes do

Leia mais

Estratégia de parceria global da IBIS 2012. Estratégia de parceria global da IBIS

Estratégia de parceria global da IBIS 2012. Estratégia de parceria global da IBIS Estratégia de parceria global da IBIS Aprovada pelo conselho da IBIS, Agosto de 2008 1 Introdução A Visão da IBIS 2012 realça a importância de estabelecer parcerias com diferentes tipos de organizações

Leia mais

Sua Excelência, Doutor Abrahão Gourgel, Ministro da Economia,

Sua Excelência, Doutor Abrahão Gourgel, Ministro da Economia, ANGOLA NO CONTEXTO DA INTEGRAÇAO ECONÓMICA REGIONAL 29 de Setembro, 2015 Intervenção do Doutor Paolo Balladelli, Representante Residente do PNUD em Angola Sua Excelência, Doutor Abrahão Gourgel, Ministro

Leia mais

Enfrentar a crise climática vai ajudar a resolver a crise financeira a perspectiva do Greenpeace

Enfrentar a crise climática vai ajudar a resolver a crise financeira a perspectiva do Greenpeace Enfrentar a crise climática vai ajudar a resolver a crise financeira a perspectiva do Greenpeace Manaus Av. Joaquim Nabuco, 2367, Centro CEP: 69020-031 Tel.: +55 92 4009-8000 Fax: +55 92 4009-8004 São

Leia mais

CONCLUSÕES DA REUNIÃO EMPRESARIAL PORTUGAL - ESPANHA. 22 de junho de 2015

CONCLUSÕES DA REUNIÃO EMPRESARIAL PORTUGAL - ESPANHA. 22 de junho de 2015 CONCLUSÕES DA REUNIÃO EMPRESARIAL PORTUGAL - ESPANHA UMA UNIÃO EUROPEIA MAIS FORTE 22 de junho de 2015 A União Europeia deve contar com um quadro institucional estável e eficaz que lhe permita concentrar-se

Leia mais

A importância dos Bancos de Desenvolvimento

A importância dos Bancos de Desenvolvimento MISSÃO PERMANENTE DA REPÚBLICA DE ANGOLA JUNTO AO OFÍCIO DAS NAÇÕES UNIDAS REPRESENTAÇÃO COMERCIAL GENEBRA - SUÍÇA NOTA DE TRABALHO A importância dos Bancos de Desenvolvimento G E NEBRA A OS 5 DE Segundo

Leia mais

SUMÁRIO EXECUTIVO. Valores

SUMÁRIO EXECUTIVO. Valores SUMÁRIO EXECUTIVO O Plano Estratégico da Província de Inhambane para o período 2011-2020 (PEP II) é parte integrante do processo provincial de planificação do Governo, com a finalidade de promover o desenvolvimento

Leia mais

POLÍTICAS DE COMPETITIVIDADE PARA O SECTOR AGRO-ALIMENTAR

POLÍTICAS DE COMPETITIVIDADE PARA O SECTOR AGRO-ALIMENTAR POLÍTICAS DE COMPETITIVIDADE PARA O SECTOR AGRO-ALIMENTAR Prioridades Estratégicas Indústria Portuguesa Agro-Alimentar Federação das Indústrias Portuguesas Agro-Alimentares XI LEGISLATURA 2009-2013 XVIII

Leia mais

Reforma institucional do Secretariado da SADC

Reforma institucional do Secretariado da SADC Reforma institucional do Secretariado da SADC Ganhamos este prémio e queremos mostrar que podemos ainda mais construirmos sobre este sucesso para alcançarmos maiores benefícios para a região da SADC e

Leia mais

ROSÁRIO MARQUES Internacionalizar para a Colômbia Encontro Empresarial GUIMARÃES 19/09/2014

ROSÁRIO MARQUES Internacionalizar para a Colômbia Encontro Empresarial GUIMARÃES 19/09/2014 ROSÁRIO MARQUES Internacionalizar para a Colômbia Encontro Empresarial GUIMARÃES 19/09/2014 REPÚBLICA DA COLÔMBIA POPULAÇÃO 48 Milhões SUPERFÍCIE 1.141.748 Km2 CAPITAL Bogotá 7,3 milhões PRINCIPAIS CIDADES

Leia mais

Porquê que a Guiné-Bissau necessita de uma Estratégia Nacional de Desenvolvimento de Estatística

Porquê que a Guiné-Bissau necessita de uma Estratégia Nacional de Desenvolvimento de Estatística Porquê que a Guiné-Bissau necessita de uma Estratégia Nacional de Desenvolvimento de Estatística Como podem as estatísticas nacionais contribuir aos avanços direccionados a satisfação das necessidades

Leia mais

Auto-emprego Juvenil e o Papel das Cooperativas Modernas Maputo, 02 de Agosto de 2012

Auto-emprego Juvenil e o Papel das Cooperativas Modernas Maputo, 02 de Agosto de 2012 Auto-emprego Juvenil e o Papel das Cooperativas Modernas Maputo, 02 de Agosto de 2012 Por Ocasião do Lançamento do Projecto Oficinas de Trabalho e Aprendizagem promovido pela O nosso bem estar e a qualidade

Leia mais

Curso Agenda 21. Resumo da Agenda 21. Seção I - DIMENSÕES SOCIAIS E ECONÔMICAS

Curso Agenda 21. Resumo da Agenda 21. Seção I - DIMENSÕES SOCIAIS E ECONÔMICAS Resumo da Agenda 21 CAPÍTULO 1 - Preâmbulo Seção I - DIMENSÕES SOCIAIS E ECONÔMICAS CAPÍTULO 2 - Cooperação internacional para acelerar o desenvolvimento sustentável dos países em desenvolvimento e políticas

Leia mais

Objetivos do Milênio da ONU: metas distantes. Resenha Desenvolvimento

Objetivos do Milênio da ONU: metas distantes. Resenha Desenvolvimento Objetivos do Milênio da ONU: metas distantes Resenha Desenvolvimento Luiz Fernando Neiva Liboreiro 14 de dezembro de 2006 Objetivos do Milênio da ONU: metas distantes Resenha Desenvolvimento Luiz Fernando

Leia mais

REPÚBLICA DE MOÇAMBIQUE MINISTÉRIO DAS FINANÇAS

REPÚBLICA DE MOÇAMBIQUE MINISTÉRIO DAS FINANÇAS REPÚBLICA DE MOÇAMBIQUE MINISTÉRIO DAS FINANÇAS Assunto: Integração das Transferências Sociais directas e indirectas no Orçamento do Estado: O Caso de Moçambique 1. A economia moçambicana registou nos

Leia mais

REPÚBLICA DE MOÇAMBIQUE MINISTÉRIO DA ECONOMIA E FINANÇAS DIRECÇÃO NACIONAL DO ORÇAMENTO

REPÚBLICA DE MOÇAMBIQUE MINISTÉRIO DA ECONOMIA E FINANÇAS DIRECÇÃO NACIONAL DO ORÇAMENTO REPÚBLICA DE MOÇAMBIQUE MINISTÉRIO DA ECONOMIA E FINANÇAS DIRECÇÃO NACIONAL DO ORÇAMENTO ORÇAMENTO CIDADÃO 4ª Edição, 2015 Visão: Assegurar a participação do Cidadão em todas as fases do processo orçamental

Leia mais

Destaques do Plano de Trabalho do Governo Chinês para 2015

Destaques do Plano de Trabalho do Governo Chinês para 2015 INFORMATIVO n.º 25 MARÇO de 2015 Esta edição do CEBC Alerta lista os principais destaques do Plano de Trabalho do governo chinês para 2015, apresentado pelo Primeiro-Ministro Li Keqiang e divulgado pela

Leia mais

O que fazemos em Moçambique

O que fazemos em Moçambique 2008/09 O que fazemos em Moçambique Estamos a ajudar 79.850 crianças afectadas pelas inundações Estamos a proporcionar kits para a escola a 1.000 órfãos e crianças vulneráveis Registámos 1.745 crianças

Leia mais

MINISTÉRIO DA PLANIFICAÇÃO E DESENVOLVIMENTO ESTRATÉGIA DE DESENVOLVIMENTO RURAL

MINISTÉRIO DA PLANIFICAÇÃO E DESENVOLVIMENTO ESTRATÉGIA DE DESENVOLVIMENTO RURAL República de Moçambique MINISTÉRIO DA PLANIFICAÇÃO E DESENVOLVIMENTO ESTRATÉGIA DE DESENVOLVIMENTO RURAL Maputo, 06 de Outubro de 2006 1 PORQUE INSISTIR NO MEIO RURAL? Representa mais de 95% do território

Leia mais

DOCUMENTO DE POSICIONAMENTO DA IBIS SOBRE A JUVENTUDE

DOCUMENTO DE POSICIONAMENTO DA IBIS SOBRE A JUVENTUDE DOCUMENTO DE POSICIONAMENTO DA IBIS SOBRE A JUVENTUDE A IBIS visa contribuir para o empoderamento dos jovens como cidadãos activos da sociedade, com igual usufruto de direitos, responsabilidades e participação

Leia mais

POSIÇÃO COMUM AFRICANO SOBRE ACABAR COM O CASAMENTO INFANTIL

POSIÇÃO COMUM AFRICANO SOBRE ACABAR COM O CASAMENTO INFANTIL AFRICAN UNION UNION AFRICAINE UNIÃO AFRICANA Addis Ababa, ETHIOPIAP. O. Box 3243Telephone +251 11 5517 700 Fax : 00251 11 5517844 www.au.int POSIÇÃO COMUM AFRICANO SOBRE ACABAR COM O CASAMENTO INFANTIL

Leia mais

Promovendo a Transparência no Financiamento Político na SADC

Promovendo a Transparência no Financiamento Político na SADC Promovendo a Transparência no Financiamento Político na SADC Setembro de 2010 Este document apresenta um resumo das principais conclusões e recomendações de um estudo sobre financiamento político na região

Leia mais

MINISTÉRIO DOS NEGóCIOS ESTRANGEIROS DIRECÇÃO GERAL DOS ASSUNTOS MULTILATERAIS Direcção de Serviços das Organizações Económicas Internacionais

MINISTÉRIO DOS NEGóCIOS ESTRANGEIROS DIRECÇÃO GERAL DOS ASSUNTOS MULTILATERAIS Direcção de Serviços das Organizações Económicas Internacionais MINISTÉRIO DOS NEGóCIOS ESTRANGEIROS DIRECÇÃO GERAL DOS ASSUNTOS MULTILATERAIS Direcção de Serviços das Organizações Económicas Internacionais Intervenção de SEXA o Secretário de Estado Adjunto do Ministro

Leia mais

Grupo Banco Mundial. Construindo um mundo sem pobreza

Grupo Banco Mundial. Construindo um mundo sem pobreza Grupo Banco Mundial Construindo um mundo sem pobreza Enfoque Regional! O Banco Mundial trabalha em seis grandes regiões do mundo: 2 Fatos Regionais: América Latina e Caribe (ALC)! População total: 500

Leia mais

Um Fundo Petrolífero para Timor-Leste. Questões Frequentes

Um Fundo Petrolífero para Timor-Leste. Questões Frequentes Um Fundo Petrolífero para Timor-Leste Questões Frequentes 1. Porque não organizar o Fundo Petrolífero como um Fundo Fiduciário separado (em vez de o integrar no Orçamento de Estado)? 2. Por que razão deve

Leia mais

SISTEMA DE PROTECÇÃO SOCIAL EM ANGOLA

SISTEMA DE PROTECÇÃO SOCIAL EM ANGOLA SISTEMA DE PROTECÇÃO SOCIAL EM ANGOLA I- CONTEXTO 1- A assistência social é uma abordagem que visa proteger os grupos mais vulneráveis tendo em conta critérios rigorosos para uma pessoa se habilitar a

Leia mais

SOUSA GALITO, Maria (2010). Entrevista ao Embaixador Miguel Costa Mkaima. CI-CPRI, E T-CPLP, º8, pp. 1-6.

SOUSA GALITO, Maria (2010). Entrevista ao Embaixador Miguel Costa Mkaima. CI-CPRI, E T-CPLP, º8, pp. 1-6. SOUSA GALITO, Maria (2010). Entrevista ao Embaixador Miguel Costa Mkaima. CI-CPRI, E T-CPLP, º8, pp. 1-6. E T-CPLP: Entrevistas sobre a CPLP CI-CPRI Entrevistado: Embaixador Miguel Costa Mkaima Entrevistador:

Leia mais

PRINCÍPIOS DO RIO. Princípio 1

PRINCÍPIOS DO RIO. Princípio 1 PRINCÍPIOS DO RIO António Gonçalves Henriques Princípio 1 Os seres humanos são o centro das preocupações para o desenvolvimento sustentável. Eles têm direito a uma vida saudável e produtiva em harmonia

Leia mais

Bom dia, Senhoras e Senhores. Introdução

Bom dia, Senhoras e Senhores. Introdução Bom dia, Senhoras e Senhores Introdução Gostaria de começar por agradecer o amável convite que o Gabinete do Parlamento Europeu em Lisboa me dirigiu para participar neste debate e felicitar os organizadores

Leia mais

PARLAMENTO EUROPEU. Documento de sessão 30.11.2007 B6-0000/2007 PROPOSTA DE RESOLUÇÃO

PARLAMENTO EUROPEU. Documento de sessão 30.11.2007 B6-0000/2007 PROPOSTA DE RESOLUÇÃO PARLAMENTO EUROPEU 2004 Documento de sessão 2009 30.11.2007 B6-0000/2007 PROPOSTA DE RESOLUÇÃO apresentada na sequência da pergunta com pedido de resposta oral B6-0000/2007 nos termos do nº 5 do artigo

Leia mais

Moçambique Plano Estratégico 2012 2015. Moçambique Plano Estratégico

Moçambique Plano Estratégico 2012 2015. Moçambique Plano Estratégico Moçambique Plano Estratégico 2012 2015 Moçambique Plano Estratégico 2012 2015 1 Rainha Juga, beneficiaria de uma campanha de cirurgia do Hospital Central da Beira ao distrito de Gorongosa 2 Moçambique

Leia mais

Jonas Pohlmann e Caroline Slaven

Jonas Pohlmann e Caroline Slaven Jonas Pohlmann e Caroline Slaven 1 Considerações iniciais As relações da China com os países africanos têm sido, em larga medida, capitaneadas pelo interesse chinês em recursos naturais necessários para

Leia mais

SPEED Bridge Program Africa LEAD II

SPEED Bridge Program Africa LEAD II SPEED Bridge Program Africa LEAD II Revisão Técnica do Quadro Legal de Terras Position Title: - ESPECIALISTA EM POLÍTICA E ADMINISTRAÇÃO DE TERRAS - JURISTA, E ESPECIALISTA EM LEGISLAÇÃO SOBRE TERRAS Período

Leia mais

VERSÃO RESUMIDA (PILARES E OBJECTIVOS ESTRATÉGICOS)

VERSÃO RESUMIDA (PILARES E OBJECTIVOS ESTRATÉGICOS) VERSÃO RESUMIDA (PILARES E OBJECTIVOS ESTRATÉGICOS) 1 Plano Estratégico do CCM 2013 a 2017 Versão Resumida 1. ANÁLISE DO CONTEXTO 1. 1. Justiça Económica e Social A abundância dos recursos naturais constitui

Leia mais

Calendário 2015 Clima

Calendário 2015 Clima Calendário 2015 Clima 15 a 28 de Setembro - Assembléia Geral da ONU (Nova York) 70º Assembléia Geral Dia 28 de Setembro Relatório do Secretário Geral Ban Ki-Moom Principais temas: Clima e Objetivos do

Leia mais

O PÓS-GUERRA E A CRIAÇÃO DA 1ª COMUNIDADE

O PÓS-GUERRA E A CRIAÇÃO DA 1ª COMUNIDADE O PÓS-GUERRA E A CRIAÇÃO DA 1ª COMUNIDADE Durante muito tempo os países da Europa andaram em guerra. A segunda Guerra Mundial destruiu grande parte do Continente Europeu. Para evitar futuras guerras, seria

Leia mais

Duração da Prova: 120 minutos. Tolerância: 30 minutos.

Duração da Prova: 120 minutos. Tolerância: 30 minutos. EXAME NACIONAL DO ENSINO SECUNDÁRIO Decreto-Lei n.º 139/2012, de 5 de julho Prova Escrita de Economia A 10.º e 11.º Anos de Escolaridade Prova 712/2.ª Fase 14 Páginas Duração da Prova: 120 minutos. Tolerância:

Leia mais

BR/2001/PI/H/3. Declaração das ONGs Educação para Todos Consulta Internacional de ONGS (CCNGO), Dakar, 25 de Abril de 2000

BR/2001/PI/H/3. Declaração das ONGs Educação para Todos Consulta Internacional de ONGS (CCNGO), Dakar, 25 de Abril de 2000 BR/2001/PI/H/3 Declaração das ONGs Educação para Todos Consulta Internacional de ONGS (CCNGO), Dakar, 25 de Abril de 2000 2001 Declaração das ONGs Educação para Todos Consulta Internacional de ONGS (CCNGO),

Leia mais

(Resoluções, recomendações e pareceres) RESOLUÇÕES CONSELHO

(Resoluções, recomendações e pareceres) RESOLUÇÕES CONSELHO 19.12.2007 C 308/1 I (Resoluções, recomendações e pareceres) RESOLUÇÕES CONSELHO RESOLUÇÃO DO CONSELHO de 5 de Dezembro de 2007 sobre o seguimento do Ano Europeu da Igualdade de Oportunidades para Todos

Leia mais

Seminário Inverno demográfico - o problema. Que respostas?, Associação Portuguesa de Famílias Numerosas

Seminário Inverno demográfico - o problema. Que respostas?, Associação Portuguesa de Famílias Numerosas Seminário Inverno demográfico - o problema. Que respostas?, Associação Portuguesa de Famílias Numerosas Painel: Desafio Demográfico na Europa (11h45-13h00) Auditório da Assembleia da República, Lisboa,

Leia mais

Energia, tecnologia e política climática: perspectivas mundiais para 2030 MENSAGENS-CHAVE

Energia, tecnologia e política climática: perspectivas mundiais para 2030 MENSAGENS-CHAVE Energia, tecnologia e política climática: perspectivas mundiais para 2030 MENSAGENS-CHAVE Cenário de referência O estudo WETO apresenta um cenário de referência que descreve a futura situação energética

Leia mais

A SUA EMPRESA PRETENDE EXPORTAR? - CONHEÇA O ESSENCIAL E GARANTA O SUCESSO DA ABORDAGEM AO MERCADO EXTERNO

A SUA EMPRESA PRETENDE EXPORTAR? - CONHEÇA O ESSENCIAL E GARANTA O SUCESSO DA ABORDAGEM AO MERCADO EXTERNO A SUA EMPRESA PRETENDE EXPORTAR? - CONHEÇA O ESSENCIAL E GARANTA O SUCESSO DA ABORDAGEM AO MERCADO EXTERNO PARTE 03 - MERCADOS PRIORITÁRIOS Introdução Nas últimas semanas dedicamos a nossa atenção ao

Leia mais

Breve síntese sobre os mecanismos financeiros de apoio à internacionalização e cooperação

Breve síntese sobre os mecanismos financeiros de apoio à internacionalização e cooperação Breve síntese sobre os mecanismos financeiros de apoio à internacionalização e cooperação 1 Incentivos financeiros à internacionalização Em 2010 os incentivos financeiros à internacionalização, não considerando

Leia mais

DECLARAÇÃO INICIAL DO GOVERNADOR DO BANCO DE PORTUGAL NA APRESENTAÇÃO DO BOLETIM ECONÓMICO DA PRIMAVERA (2009)

DECLARAÇÃO INICIAL DO GOVERNADOR DO BANCO DE PORTUGAL NA APRESENTAÇÃO DO BOLETIM ECONÓMICO DA PRIMAVERA (2009) Conferência de Imprensa em 14 de Abril de 2009 DECLARAÇÃO INICIAL DO GOVERNADOR DO BANCO DE PORTUGAL NA APRESENTAÇÃO DO BOLETIM ECONÓMICO DA PRIMAVERA (2009) No contexto da maior crise económica mundial

Leia mais

República de Moçambique. Plano Estratégico do Sistema Estatístico Nacional 2008-2012

República de Moçambique. Plano Estratégico do Sistema Estatístico Nacional 2008-2012 República de Moçambique Plano Estratégico do Sistema Estatístico Nacional 2008-2012 I. ENQUADRAMENTO O presente Plano Estratégico do Sistema Estatístico Nacional é, no quadro geral do planeamento do Governo,

Leia mais

CONFERÊNCIA DAS NAÇÕES UNIDAS SOBRE MEIO AMBIENTE E DESENVOLVIMENTO CAPÍTULO 3 COMBATE À POBREZA ÁREA DE PROGRAMAS

CONFERÊNCIA DAS NAÇÕES UNIDAS SOBRE MEIO AMBIENTE E DESENVOLVIMENTO CAPÍTULO 3 COMBATE À POBREZA ÁREA DE PROGRAMAS CONFERÊNCIA DAS NAÇÕES UNIDAS SOBRE MEIO AMBIENTE E DESENVOLVIMENTO CAPÍTULO 3 COMBATE À POBREZA ÁREA DE PROGRAMAS Capacitação dos pobres para a obtenção de meios de subsistência sustentáveis Base para

Leia mais

Workshop Nacional Projecto de Centros de Excelência Ensino Superior para África Austral e Oriental ACE II

Workshop Nacional Projecto de Centros de Excelência Ensino Superior para África Austral e Oriental ACE II REPÚBLICA DE MOÇAMBIQUE Ministério da Ciência e Tecnologia, Ensino Superior e Técnico Profissional (MCTESTP) Workshop Nacional Projecto de Centros de Excelência Ensino Superior para África Austral e Oriental

Leia mais

Actividades relacionadas com o património cultural. Actividades relacionadas com o desporto

Actividades relacionadas com o património cultural. Actividades relacionadas com o desporto LISTA E CODIFICAÇÃO DAS ÁREAS DE ACTIVIDADES Actividades relacionadas com o património cultural 101/801 Artes plásticas e visuais 102/802 Cinema, audiovisual e multimédia 103/803 Bibliotecas 104/804 Arquivos

Leia mais

REDE LUTA CONTRA POBREZA URBANA RLCPU PLANO ESTRATÉGICO,2015-2017

REDE LUTA CONTRA POBREZA URBANA RLCPU PLANO ESTRATÉGICO,2015-2017 REDE LUTA CONTRA POBREZA URBANA RLCPU PLANO ESTRATÉGICO,2015-2017 Adão Augusto, Consultor 12-02-2015 1. Contextualização. Os projectos sociais fazem parte de um sistema complexo de relações que envolvem

Leia mais

A Experiência da Iniciativa de Transparência da Indústria Extractiva (ITIE) em Moçambique

A Experiência da Iniciativa de Transparência da Indústria Extractiva (ITIE) em Moçambique www.iese.ac.mz A Experiência da Iniciativa de Transparência da Indústria Extractiva (ITIE) em Moçambique Rogério Ossemane 3ª Conferencia Internacional sobre Monitoria e Advocacia da Governação Maputo,

Leia mais