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1 15 Pulsional Revista de Psicanálise, ano XIV, n o 148, A criança objeto a nos quatro discursos de Lacan Ruth Helena Pinto Cohen Opresente trabalho busca analisar o lugar ocupado pela criança, na política educacional de nossa época, utilizando as formulações dos discursos determinados por Jacques Lacan em seu seminário o Avesso da psicanálise. Aponta também para a impossibilidade de educar o desejo, o que traz conseqüências à educação, seja em seu aspecto formal ou informal. Este fato é exacerbado pelos novos paradigmas que orientam essas práticas na contemporaneidade. Palavras-chave: Criança, educação, política, psicanálise The purpose of this paper is to analyze the place occupied by the child in current educational policy, using the formulations on the discourse established by Jacques Lacan in his seminar on L envers de la psychanalyse. The impossibility of educating desire is also discussed, as such an attempts result in problems for education, in both its formal and informal aspects. This fact is exacerbated by new paradigms that are orienting current educational practices. Key Words: Child, education, politics, psychoanalysis. Cena do cotidiano: Uma menina sentada na beira de uma calçada. No asfalto cavou um buraco, do buraco extraiu terra, da terra fez bolinhos molhados com água de uma velha lata. No sinal os carros paravam e ela nada pedia. Continuou ali jogada num canto com seu brincar. Não precisamos pedir às crianças que brinquem, porque esta é muitas vezes a única saída.

2 16 INTRODUÇÃO Apsicanálise atualmente lida com situações muito diferentes das da época do mestre Freud. Que sujeitos do inconsciente se apresentam a nossa escuta neste final de milênio? Qual o lugar de uma criança na família, na sociedade, na ciência de hoje? O conceito criança sempre foi um enigma a ser decifrado. Platão, por exemplo, supunha poder proteger as crianças da má influência dos pais, entregando ao Estado a tarefa de educá-las. Por outro lado, com o golpe desferido por Copérnico, Darwin e Freud nas ilusões humanas, a terra, o homem e o inconsciente passaram a ter novo estatuto. Com as mudanças no tecido social, o eu passou a ser um outro, como dizia o poeta Rimbaud. Sujeito criança, objeto adulto, objeto criança, sujeito adulto. Recortemos o significante criança, já que o infantil não tem tamanho mesmo que o Código do Menor surgido nos anos vinte ou o Estatuto da Criança de 1927 tragam em seu texto uma pré-ocupação com os cada vez maiores problemas do menor. Qual o real estatuto da criança? Criança do Shopping Center, do playground, do condomínio fechado, da rua, do mato, da prostituição nas cidades, dos berços onde aparecem mortas nas maternidades. De que criança falamos? No conjunto Brasil, o que é uma criança brasileira? Que significantes identificam-nas como presas ao discurso da família ou presas da política do Estado brasileiro? Pulsional Revista de Psicanálise A atualidade, com seu desenvolvimento tecnológico, com sua complexidade de redes simbólicas, com sua eficácia científica, tenta dar conta do que é elementar: a vida. O tecido fechado nas tramas discursivas deixa pouco espaço para a falta, para a palavra. O saber obturando as fendas faz explodir o vulcão onde reside o real. Como conseqüência, observamos que o que não pode ser simbolizado implode como barbárie. Da Idade Média aos nossos dias, constatamos que o mesmo da repetição se dá a ver apenas com roupagens diferentes. Se na Antiga Sociedade os bebês eram mortos asfixiados no leito conjugal, hoje os hospitais matam em massa através de um simples soro contaminado. Ariès (1975) aponta para o infanticídio silencioso de outrora e o aborto reivindicado hoje em voz alta; nessa passagem do segredo para a exibição, houve também uma enorme preocupação com a preservação da vida da criança e a sua educação coincidindo com a ampliação dos espaços privados principalmente nos séculos XVII e XVIII, quando a criança já deixara de ter o estatuto de animalzinho de estimação, criada nas ruas, passando a ter um lugar de destaque na família. Hoje o menino de rua, o irmão de rua, o pai de rua são formas diferenciadas de parentesco, onde rastros da Idade Média parecem não terem sido totalmente apagados nesse modo de organização social. Os paradoxos entre antigos e novos valores, os projetos comunitários e individualistas, os controles e as aberturas, a modernidade e a atualidade trazem sem-

3 A criança objeto a nos quatro discursos de Lacan 17 pre em seu bojo diferentes formas de exercício de poder como tentativas de cingir o impossível, o real, o que não cessa de não se escrever (Lacan, ). Sofremos experiências onde o nascimento, a vida e a morte passam a ser de domínio da ciência e tecnologia, das religiões, do poder judiciário etc. São formas de resistência ao trágico e a finitude do humano. O prazer em sua ligação com a morte (AIDS, DST, drogas etc.), o malestar da civilização, diz respeito à interface do desejo com o sentimento inconsciente de culpa, onde os riscos antecipados pela propaganda emergem numa mistura de proibição e sedução. Fume, mas dá câncer. Goze! Cuidado!. São paradoxos que deixam em estado de permanente tensão o sujeito desejante. Pré-ver ou postergar a vida (mesmo em corpos já mortos), ou mesmo exigir que uma criança responda onde ainda é pré-matura, implica em novamente detectarmos outro traço do século XII e XIII, em que a pintura retratava a criança como um adulto em miniatura. O respeito devido às crianças era algo totalmente ignorado. Os adultos se permitiam tudo diante delas: linguagem grosseira, ações e situações escabrosas; elas ouviam e viam tudo. (Dainville, 1981, p. 261) Freud, com a descoberta da sexualidade infantil, esclareceu a polimorfia dessa expressão humana e trouxe à tona teorias construídas pelas crianças. Deitou por terra a concepção de que a sexualidade manifestava-se somente com a puberdade. Assuntos como sexualidade e sexo ainda são temas de difícil acesso a quase todas as sociedades, assim como as interpretações dadas à infância e seus avatares são culturalmente bastante diversificados. A posse do corpo próprio é tema polêmico. Povos semi-ocidentalizados, por exemplo, dão testemunho do uso do corpo da criança como fonte de prazer para o adulto, e a prostituição da criança a oferece como objeto para o gozo do Outro, objeto fetiche usado na perversão do adulto, se assim o poderíamos chamar. Nesse lugar dá-se consistência, ou seja, dá-se corpo ao ato transgressor numa forma de ultrapassagem dos limites biológicos (não ter o corpo preparado para o ato sexual genital) se oferecendo no rompimento do liame social. O alargamento das fronteiras, a plasticidade dos limites, também pode ser visto não só na perversão social, mas também nas artes plásticas, onde objetos estéticos fundem-se em várias técnicas produzindo escultura que é pintura, que é som, que é letra, que é foto, num só objeto o que podemos ver nos museus de arte contemporânea. A rede entrecruzada do para além e do para aquém coexistem no aqui e agora. Se voltarmos nosso olhar para a Idade Média, verificaremos que as crianças acompanhavam os adultos em suas tarefas até ser instituída a escola, que passou a educar através do enclausuramento, desta forma, inscreveram-se além dos loucos, das prostitutas e dos pobres, as crianças, que passaram a enfileirar os segmentos segregados da sociedade. Este fato foi conseqüência da moraliza-

4 18 ção, através da reforma religiosa, que deu um significado à afeição familiar revelada como preocupação com a educação. A concomitante organização dos espaços privados, por sua vez, tinha a finalidade de proteger a família da invasão dos intrusos. A escola tendo o estatuto de colégio vigiado e os pais, implicados como guardiões espirituais, retiraram a criança do convívio social com o mundo do adulto. Na Renascença, a redescoberta do humanismo trouxe à cena a releitura dos textos clássicos latinos e gregos além da aversão pela cultura medieval e por sua forma de transmissão: a escola. Por outro lado, a obsessão pelo par mãe/criança deu ao estatuto da mulher uma nova dimensão. Uma nova ciência nascia surgida com o comércio mercantil. Em 1494, o primeiro livro de matemática foi editado em Veneza. A pedagogia humanística preocupava-se com a formação do homem e carregava uma enorme preocupação com a criança, que era considerada pura. Esta visão pedagógica mantinha, todavia, o caráter aristocrático característico do humanismo. O NOVO SISTEMA ESCOLAR DE LUTERO Pulsional Revista de Psicanálise Foi Lutero (1524), na Alemanha, quem deu um novo impulso ao sistema de ensino voltado à instrução de meninos destinados ao trabalho, entretanto, mesmo com a separação entre católicos e reformados, o humanismo se fazia presente nos dois segmentos. Tem-se como exemplo o Concílio de Trento ( ) como resposta católica ao protestantismo. Os livros heréticos foram condenados (Lutero, Calvino...) e na luta contra os protestantes, os jesuítas tiveram grande força culminando com a regulamentação de todo ensino jesuítico. Regulamentaram horários, programas, e disciplinas agrupados em: studia inferiora, superiora, repetitio generalis, pratica de magistério e teologia (Manacorda, 1995, p. 202). Foi Rousseau, entretanto, quem introduziu uma nova abordagem pedagógica como podemos constatar por meio de seu célebre Emílio. Esse autor foi responsável pela redescoberta dos sentidos, do jogo, do trabalho manual, do exercício físico e da ênfase dada à sociedade. Entretanto as contradições de Rousseau foram muitas, o que não invalida a importância que teve para a educação de sua época. Também não foi sem importância a famosa frase da imperatriz da Áustria, Maria Teresa (1760) na época da Guerra dos Sete Anos: A instrução é e sempre foi, em cada época, um fato político. Posteriormente, na segunda metade do Setecentos se assistiu ao desenvolvimento da fábrica e, paralelamente, à morte da produção artesanal, fazendo surgir a moderna escola pública. Com o advento da modernidade, o senso prático substituiu a inspiração humanista em função da idéia de modos de produção capitalista. Na família moderna, a psicologia do desenvolvimento, como resposta à psicologia da criança, tentou explicar a gênese do adulto. Entretanto a pergunta continuou no ar. O que é uma criança? Esse enigma teve al-

5 A criança objeto a nos quatro discursos de Lacan 19 guma tentativa de resposta com Freud e com Lacan através do conceito de real, enquanto algo que é rebelde a toda definição da infância. Quem pode falar de lembranças antes dos dois ou três anos? O recalcamento edípico é a amnésia do infantil. O fato de que cada pessoa um dia foi criança impossibilita saber o que é exatamente uma criança. OS PARADIGMAS DA ATUALIDADE Na virada do milênio o que há como promessa? A ciência progrediu vertiginosamente neste final de século e, com isso, o conceito de sexualidade trouxe inúmeras questões à educação da criança e do adolescente. A educação se viu diante de muitos paradoxos tais como: a ameaça da AIDS e a simultânea política da defesa do liberalismo das práticas sexuais; o uso das drogas concomitante ao culto da saúde do corpo; a paternidade decidida pela ciência e a preocupação com a formação dada pela família às crianças e adolescentes. Nas sociedades orientais de nossa contemporaneidade, a moral sexual, não tendo sofrido influência da moral cristã dos séculos XVIII e XIX, continua expressando o costume de praticar jogos que se assemelham aos da época anterior à reforma moral no ocidente e seus valores são muito diferentes dos ocidentais. Os tabus, que ainda recaem sobre o tema da sexualidade, bloqueiam as investigações inibindo o pensamento e a pesquisa sobre o tema, entretanto coabitam com os horrores e os abusos sexuais praticados contra crianças e adolescentes. O filho do homem, desde seu nascimento, está marcado pela civilização, inscrito num determinado código lingüístico, civil, religioso e ideológico. Pergunta-se sobre quais valores estão sendo transmitidos pelas famílias contemporâneas em suas novas formas de articulação dos laços de parentesco? A subjetividade da criança deste século encontra-se afetada por significantes que são efeitos dos discursos contemporâneos produzindo sujeitos. Uma nova lógica de interseção, construída por casais separados, que trazem filhos de antigos laços matrimoniais, constitui a família contemporânea. Um novo discurso se faz ouvir sobre rivalidade entre irmãos, relações incestuosas e complexo de Édipo, que muito se distancia daquele descoberto por Freud. A manipulação da natureza como promessa de resolver o que, para o homem, parece desviante traz a ilusão de que tudo pode ser controlado. Um porvir de completude se instala no horizonte. A ÉTICA NA EDUCAÇÃO E NA PSICANÁLISE Não cabe à psicanálise tomar posições morais frente aos avanços da ciência ou muito menos exaltar seus feitos. Entretanto, não se pode ficar alienado aos novos limites que se impõem ao trabalho psicanalítico. Trata-se de um desafio tentar responder de nosso próprio campo; e a partir de uma ética específica que visa ao sujeito particular em sua inserção na cultura. Fenômenos, como a globalização e os veículos de informação nos quais as

6 20 crianças estão conectadas, inscrevemnas num espaço virtual, que promete gozar infinitamente do show da vida. Assim como se consome um espetáculo de mágica, o sofrimento humano, as guerras e o sexo são ingeridos em grande escala como jogos pelas vias de comunicação de massa. Pontos importantes tais como o ideal social e o sexual devem ser vistos pertencendo a um processo de identificação que interessa particularmente à psicanálise e que, segundo Genèvieve Morel (1998), implica mecanismos inconscientes na assunção do próprio sexo para o sujeito. Ou seja, aquilo que faz com que o homem assuma o tipo viril e a mulher assuma um tipo feminino, se reconheça como mulher, identifique-se com suas funções de mulher. A virilidade e a feminização são os dois termos que traduzem o que é, essencialmente, a função do Édipo. (mimeo inédito) SOBRE O LAÇO SOCIAL Sabemos com Lacan que do campo do simbólico, das leis, dos códigos, dos direitos e dos deveres que regem o mundo, algo escapa: é a sobra dos discursos que regulam as formas de vínculo social. Trata-se do objeto a, perdido, o qual não se tem acesso direto enquanto objeto do desejo e que funciona como motor de quatro discursos: o do Mestre, o da Histérica, o da Universidade e o do Analista. Na constituição do sujeito dividido pela linguagem ou no apego ao mandato de uma conjugação política, o assujeitamento às leis do discurso inscrevem o homem enquanto gênero e o sujeito em sua Pulsional Revista de Psicanálise singularidade. Pensamos que nas articulações do laço social, no que diz respeito à falta e ao excesso, a criança pode inscrever-se como objeto, nos diferentes discursos, ocupando lugares permutáveis:. No discurso do Mestre tendo o estatuto da mais-valia designada por Marx ou do mais-gozar como Lacan o nomeia no Seminário XVII. Esse conceito, enquanto pura perda, é, entretanto, produto de um discurso em que a criança pode ser pensada encarnando o resíduo recalcado de uma mestria (Família, Escola, Estado), estando sob o saber, fazer do Outro como perda de gozo. S 1 S 2 S a (mais-gozar). No discurso da Histérica, a criança habitaria o lugar da verdade recalcada, da pergunta freudiana: O que quer uma mulher?. Seu objetinho a, seu filho? Esse lugar sustentaria a divisão do sujeito que produz saber e faz a mestria funcionar no Outro. Sustentaria para a histérica a pergunta sobre seu valor. S S 1 a S 2. No discurso Universitário, a criança ocuparia o lugar do Outro, a quem se dirige a mensagem (o estudante) cujo agente é o saber, recalcando como verdade a mestria e produzindo sujeitos

7 A criança objeto a nos quatro discursos de Lacan 21 formados. S 2 a S 1. No discurso do analista, assim como este ocupa o lugar de agente, a criança também pode causar desejo, provocar a divisão no Outro, instaurada sobre o saber de uma verdade recalcada, neste caso, se oferece como objeto revelador dessa verdade produzindo mestria. S a S S 2 S 1 Assim como na dinâmica familiar, a pergunta sobre o desejo suspende uma criança ao que querem de mim? Qual o meu valor como um bem?. Se lembrarmos que Freud em Psicologia das massas declarou que o tema do coletivo nada mais é do que o tema do individual, a criança pode oferecer-se no fantasma materno, lugar condensa-dor para o gozo, na regulação do prazer sendo objeto da mãe, não lhe restando outra função senão revelar a verdade desse objeto 1 pode também oferecer-se como objeto a, ocupar o lugar real, nome da moeda brasileira, e fazer parte das atuações de fantasmas, nos atos delinqüentes. Nesta forma de passagem ao ato, tenta uma travessia. Se os monstros de antigamente assustavam as crianças, os bichos-papões de hoje podem ser encarnados por elas próprias. Entre os significantes, criança e brasileira, algo escapa e é nesse rastro que insistimos em trabalhar. CONCLUSÃO Lacan, em suas Duas notas sobre a criança (1969), apontou para a questão de crianças que se oferecem para encarnar o objeto da fantasia materna. Verificamos em alguns projetos, onde se trabalhou a interseção psicanálise/educação, que a criança pode, além de trazer à tona a real moeda em jogo na economia psíquica, individual, estar submetida à economia e à política do discurso pedagógico, que a inscreve no lugar de objeto. Este fato, na contemporaneidade, pode ser observado com o declínio da função paterna e evidenciado pelo discurso da histérica que, segundo Tânia Coelho, faz parte da histeria de nossa época, tendo o Nome-do-Pai como sintoma. Esse retraimento do pai como guardião do gozo, de uma Lei que não sustenta a criança de forma consistente, deixa-a entregue aos caprichos da política educacional que, em nome do poder da ciência, usa e abusa de métodos educacionais arrojados, fazendo da criança, cobaia de suas experimentações. Por outro lado, o saber que na Antiguidade era meio de gozo, 1. Nota sobre a criança enviada por Lacan a Jenny Aubry, em Lacan, Jacques (1969) Nota sobre el niño.

8 22 na Modernidade, é pura acumulação. 2 O Mestre moderno detém os meios de produção capitalista, o S 1, o desejo de saber, que se transforma em acumulação de saber como mais-valia. Deixar a criança presa em um lugar de produto que sirva de sustentação para o Outro que pode ser encarnado pela Família, pela Escola ou pelo Estado faz da criança um excesso, um resto ou dejeto sobre o qual o Mestre capitalista nada quer saber. Neste tipo de articulação, a preocupação não é com o Bem, comum à Antiguidade, mas reinar sobre objetos de consumo, mesmo que esses objetos sejam crianças. O que se encobre no Discurso do Mestre moderno é a divisão do sujeito (S a) e a impossibilidade de um saber todo. Vestindo essa máscara, a educação se dá como uma promessa de gozo, como alguma coisa que poderá livrarnos um dia da Lei como podemos constatar através de imperativos do tipo: estude para gozar melhor no futuro! Não se trata da antiga areté dos gregos, que tinham no saber formal seu mais alto Ideal, segundo Jaeger (1995): Antes de tudo, a educação não é uma propriedade individual, mas pertence por essência à comunidade... A estrutura de toda a sociedade assenta nas leis e normas escritas e não escritas que a unem e unem os seus membros. Toda educação é assim o resultado da consciência viva de uma norma que rege uma comunidade humana, quer se trate da família, de uma classe ou Pulsional Revista de Psicanálise de uma profissão, quer se trate de um agregado mais vasto, como um grupo étnico ou um Estado. (p. 4) Se o escravo antigo com seu saber-fazer legislava sobre o Mestre, que requeria dele seu meio de gozo, seu produto, objeto pequeno a, hoje a criança serve de garantia ao Mestre moderno, detentor dos meios de produção, sacrificada em seu acesso ao saber, com seu não-saber servindo à política da acumulação da mais-valia. A criança de rua, no lugar de resto, dejeto, do que não serve, fica jogada como a real moeda brasileira sem quase valer mais nada. Não havendo uma Lei eficaz, que garanta a transmissão da castração, eliminam-se as diferenças; e a mensagem que unifica adultos e crianças como sujeitos consumidores iguala os agentes da castração e os afetados por ela. Como resultado temos: filhos de pais necessários, sintomas, que não cessam de se escrever, são os pais da contemporaneidade, que ao apresentarem-se como castrados são facilmente enganados. Sobre o impossível pai real, que não cessa de não se escrever. Lacan (1969) nos diz: O pai real faz o trabalho da agência mestra. É um efeito de linguagem. Governar, educar e analisar, retomados por Lacan do texto freudiano, quanto mais procuram A verdade mais sustentam o poder dos impossíveis, pois o simbólico não cobre o Todo e o imaginário encorpa, veste, mas deixa sem- 2. Coelho,Tânia. Notas de aula, curso de Doutorado, UFRJ, segundo semestre de 2000.

9 A criança objeto a nos quatro discursos de Lacan 23 pre um buraco a espreitar pela fechadura, coisa de criança. A psicanálise maneja na transferência isso que escapa, que como formações do inconsciente emergem dos discursos. O educador, ouvinte do discurso consciente, do dito, do enunciado, não tem como tarefa sua ater-se aos entreditos que apontam para um dizer, como lugar da verdade que, para a psicanálise, é sempre não-toda segundo Freud e Lacan. Mas sabem que são suportes de saber, e que no caso de se identificarem com O Mestre farão de seus alunos produtos de um discurso, objetos pequenos a, encarnando o resíduo recalcado de uma mestria Família/Escola/Estado. Ao analisarmos os paradigmas que orientam as atuais políticas e ações educativas no universo da família contemporânea, assim como o que regula as práticas educativas escolares da atualidade, constatamos que o fracasso escolar persiste como um sintoma da sociedade brasileira e que, em linhas gerais, é geralmente observado através das repetências e da evasão de alunos que ocorrem nas escolas, o que caracteriza uma definição através de suas conseqüências, sem buscar quais seriam propriamente suas causas. Frente às altas taxas de fracasso escolar, tenta-se localizá-lo na própria criança, deixando a problemática ser resolvida pela família e pelo profissional da saúde. Isentando-se das responsabilidades, a instituição escolar e o sistema social delegam ao profissional da saúde, e ao da saúde mental, a tarefa de resolver a questão. a CRIANÇA Lacan escreveu o lado homem como universal e como existência necessária, um ponto de exceção à função fálica, ou seja, o pai. Do lado mulher, marcou o nãotodo Aristotélico como forma de escrevê-la na função fálica. Com isso, deu uma sustentação pela escrita ao impossível em sua fórmula da sexuação. Freud morreu deixando a questão sobre o que é uma mulher, assim como Aristóteles havia se embaraçado com o conceito de não-todo. O gozo feminino, sendo para Lacan semelhante ao gozo místico, experimenta-se, mas nada se sabe dele: é impossível à demonstração e o falo é insuficiente para preencher a falta na mulher. Este autor diz que a mulher precisa de um objeto de gozo suplementar, um a mais que pode ser ela mesma encarnando o objeto a ; os filhos, que funcionam como rolhas de gozo, já que ela entra na relação sexual como mãe; e o homem como castrado. A partir dessas descobertas, concluímos com Lacan que só há uma possibilidade de lidar com o real: pelas vias do necessário, na escrita da Lei, através do rastro do traço unário que, desde o homem das cavernas, ou do personagem do marquês de Sade, deixou sua marca, sua inscrição significante. O traço unário marca a presença do Outro da linguagem. Se pensarmos que o homem não cessa de escrever com os significantes, modelando a imagem da Coisa perdida para sempre, esse vazio sobre o qual o oleiro faz o vaso é a falta fundamental que

10 24 funda o sujeito. O não cessar de não se escrever aciona o campo da linguagem e essa linguagem inconsciente insiste, fazendo com que seja necessário escrever, falar, criar cultura, sublimar, recalcar, enfim, educar o ineducável desejo. A vertente psicanalítica aponta para as tensões geradoras de fracasso, e a lógica da educação, com seu ideal de formar alunos, encontra sujeitos divididos pela linguagem. Desse encontro faltoso não podemos recuar. Esses limites traduzidos em impotência, não devem inibir a tarefa educativa. Ao contrário, especificam que a lei da castração retira as ilusões de completude e o ideal de excelência, encontrada na educação da Antigüidade, indicando que é com o limite que se há de lidar. O não-saber busca um saber para dar sentido ao sem sentido da vida. No dispositivo analítico, o analista sabe que o saber lhe é apenas suposto e que, se há poder, ele virá dos impossíveis freudianos, analisar, educar e governar. O bem do sujeito da psicanálise não é o Bem aristotélico ou o Supremo objeto de consumo de nossa contemporaneidade. A educação em sua vertente formal, como o nome define, forma, informa, mas pode também deformar. Deixar que o sujeito aceda à verdade de seu desejo nem sempre é possível para a educação, o que não justifica tratar a criança a partir de uma promessa de um impossível gozo. A MAIS-VALIA OU O MAIS-GOZAR DOS SINTOMAS CONTEMPORÂNEOS Pulsional Revista de Psicanálise Se, na modernidade, a falta de objeto faz girar o saber em torno de um vazio, ocupando o lugar do furo no Outro simbólico, em tempos atuais, há uma vertente da presença do objeto, preenchendo esse vazio. O impossível real não transvestido mostra sua cara de objeto repugnante, como forma de consumo. Têm-se como exemplos o horror que tomou conta do imaginário televisivo e das artes contemporâneas, na encarnação excessiva do objeto, provocando náuseas a partir de uma nova performance estética. Neste final de século, sob ameaça de uma morte imaginária e profética, criouse um Outro horrendo e assustador, que mostra sua cara provocando angústia, como no conto O diabo enamorado de Cazotte com seu Che Vuoi? Ao suspender o sujeito provocando angústia, o discurso capitalista da contemporaneidade, com sua demanda de consumo, deixa no ar uma pergunta: que queres de mim quando enuncias algo? Neste hiato, entre enunciado e enunciação, entre demanda e desejo, pode-se identificar na Política o que comporta a dialética do dito, que sempre aponta para um outro dizer. É com o salve-se quem puder que o mundo de hoje se articula, oferecendo uma mensagem imediatista do consumo aqui e agora. Do tempo que não tem tempo para compreender e, muito menos, para concluir. Estamos sob a égide do instante do olhar. Como responder a esse mal-estar senão com aquilo que as crianças são mestres na arte de saber-fazer? O lúdico, o infantil, a fantasia, são anteparos ao desejo do Outro devorador, com sua demanda irrespondível.

11 A criança objeto a nos quatro discursos de Lacan 25 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS E DE APOIO BESSET, Vera Lopes. Adolescência, sexualidade e subjetividade. Revista Psyché, ano 2, n o 2, 1998, Universidade de São Marcos, São Paulo. COELHO, Tânia. Notas de aula sobre o seminário O avesso de Jacques Lacan. COHEN, Ruth Helena Pinto. A psicanálise não deve recuar diante da primeira infância. In QUINET, A. (org.). A psicanálise e suas conexões. Rio de Janeiro: Imago, A função paterna: o desejo de Freud não analisado. Coletânea de textos. Rio de Janeiro, Novos paradigmas do conceito de sexualidade. Anais do XV Congresso de Neurologia e Psiquiatria Infantil. Enelivros editora, a criança brasileira. Anais do IV Fórum Brasileiro de Psicanálise, setembro de Psicanálise com brasileiro. In Santos, Luiz Antonio Viegas dos (org.) Psicanálise de brasileiro. Rio de Janeiro: Taurus, DAINVILLE, P. de (1940). La naissânce de l humanisme moderne. In Ariès, P. L enfant et la vie familiale sous l ancien régime. Paris: Seuil, Em português: História social da criança e da família. 2 a ed. Rio de Janeiro: Editora Guanabara, FREUD, Sigmund. Edição Standard Brasileira das Obras Completas. Rio de Janeiro: Imago, Artigo recebido em dezembro/2001 Revisão final recebida em julho/2001. Psicologia de grupo e análise do eu. ESB. Op. cit. v. XVIII. (1909). O pequeno Hans. ESB. Op. cit. v. XVIII. (1914). Introdução a The Psychoanalytic Method de Pfister. ESB. Op. cit. v. XIV. (1914). Algumas reflexões sobre a psicologia escolar. ESB. Op. cit. v. XIV. (1914). Sobre o narcisismo: uma introdução. ESB. Op. cit. v. XIV. (1919). O estranho. ESB. Op. cit. v. XVII. (1936). Um distúrbio de memória na acrópole. ESB. Op. cit. v. XIV. JAEGER, Werner (1936). Paidéia: a formação do homem grego. 3 a ed. São Paulo, Martins Fontes, LACAN, Jacques. O seminário. Livro 17. O avesso da psicanálise. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, Les Non-Dupes errent. Seminário inédito, aula de 9 de abril de O seminário. Livro 2. O eu na teoria de Freud e na técnica da psicanálise ( ). 2 a ed. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, O seminário. Livro 20. Mais, ainda... Rio de Janeiro: Jorge Zahar, Le séminire. Livre 10. Angoisse, 1962, inédito.. Nota sobre el niño. Barcelona/ Madrid: Correo del Campo Freudiano/ Ed. Paradiso, MANACORDA, M.A. (1989). História da educação. São Paulo: Cortez, MOREL, Genéviève. Sexuação, gozo e identificação. Latusa 1 O Eu. Rio de Janeiro: E.B.P., 1997.

12 26 Pulsional Revista de Psicanálise Os 10 mais vendidos em junho/ o A conversa infinita 1 Maurice Blanchot 2 o Estados-da-alma da psicanálise Jacques Derrida 3 o Hysteria Christopher Bollas 4 o Culpa Urania T. Peres (org.) 5 o A invenção do psicológico Luís Claudio Figueiredo 6 o A morte de Sócrates Zeferino Rocha 7 o As árvores de conhecimentos Pierre Levy e Michel Authier 8 o Educação para o futuro Psicanálise e educação Maria Cristina Kupfer 9 o O olhar do engano Autismo e outro primordial Lia Ribeiro Fernandes 10 o Pânico e desamparo Mario Eduardo C. Pereira DIVULGA A Livraria Pulsional possui mala direta por correio, com endereços. Divulgue suas atividades pelos nossos endereços. Consulte-nos. Fones: (11) / Na volta às aulas, visite a papelaria da Livraria Pulsional. Sempre novidades, promoções e bons preços.

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