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1 Oficinas para Atividades com Grupos Informações pelo I - OBJETO DO TRABALHO: 1. Analisar as principais questões metodológicas dos processos grupais, a partir do estudo de teorias psicossociais do trabalho com grupos, enfatizando o Psicodrama de J. L. Moreno e o Grupo Operativo de Enrique J. Pichon-Rivière. 2. Apresentar o histórico da construção do conceito de grupo, seus avanços, retrocessos, saltos qualitativos, contradições e contribuições até a contemporaneidade a fim de propiciar aos participantes o contato com técnicas grupais e compreensão dos processos grupais em contextos institucionais. II PÚBLICO ALVO Profissionais com nível superior que atuem ou tenham interesse nos campos da Saúde, da Educação e da Assistência Social. II INTRODUÇÃO O grupo caracteriza-se por um conjunto de pessoas que se assemelham por motivos diversos: vida familiar, atividade cultural, profissional, política, esportiva, religião. Os grupos assim constituídos: equipes, oficinas, clubes, células, parecem ter regras comuns que não se observam espontaneamente. Vivemos nesses grupos sem tomar necessariamente consciência das leis de seu funcionamento interno. Que leis são essas? Numa equipe de trabalho, por exemplo, os principais fatores de funcionamento são em princípio um objetivo comum, um sistema de participação, um sistema de direção ou de ativação do grupo, um conjunto de regras de procedimento. A análise sistemática desses caracteres gerais foi denominada por Kurt Lewin "dinâmica dos grupos". Seu objeto de estudo é o funcionamento dos grupos, sua coesão, as comunicações, a criatividade e a questão da liderança. Num segundo momento, o mesmo termo designou o trabalho do dinamizador do grupo que, saído de seu laboratório, ocupou-se da "resolução dos conflitos sociais". Jacob Levy Moreno é outro grande nome do estudo dos processos grupais. A Socionomia sua ciência. Moreno descobriu que o fato de reproduzir conflitos num palco psicodramático pode facilitar a superação dos mesmos. Desse modo, o tratamento psicodramático faz-se primeiramente, sobretudo, pela encenação do conflito, que é sempre um conflito de grupo: grupo familiar, grupo escolar. Em seguida, pela extensão e ampliação do campo: empresa, conflitos raciais etc. Passase então do psicodrama ao sociodrama. No nível do psicodrama e da sociometria, o pequeno grupo deve ser compreendido no contexto das instituições: não se pode intervir eficazmente no pequeno grupo, afirma Moreno, se não se intervém ao mesmo tempo no conjunto da comunidade a que esse pequeno grupo pertence. Moreno não apenas descobriu métodos de enfoque e de intervenção: o psicodrama, a sociometria, o sociodrama. Estudou as leis de funcionamento dos grupos. O sentido do grupo está sempre, aliás, fora de si mesmo, no contexto social, no sistema institucional.

2 Moreno distingue três procedimentos básicos, segundo o objeto de estudo para se abordar quando se dramatiza: Psicodrama, tratamento dos conflitos individuais. Sociodrama, onde o objeto de estudo são os grupos sociais. Role playing: quando o Psicodrama é utilizado para a formação e treinamento de papéis profissionais e técnicos. O Psicodrama contém em si os pontos básicos da teoria de Moreno: o conceito de espontaneidade-criatividade, a teoria dos papéis, a psicoterapia grupal. O primeiro é o conceito mais importante do Psicodrama e define também o objetivo do tratamento psicodramático. Está ligado dialeticamente à criatividade. Moreno procura resgatar o espontâneo perdido pelo homem ao longo de sua existência. A espontaneidade é a matriz da criatividade. A criança nasce com uma capacidade criadora própria do ser humano que irá completando com a maturidade e com a ajuda dos outros. À medida que vai vivenciando os vários papéis e entrando em contato com os mais velhos e com as instituições sociais (família, escola etc.), é submetida a condutas estereotipadas, repetitivas, vazias de significado. Isso dificulta o desenvolvimento da capacidade criativa e espontânea. A espontaneidade é atrofiada em maior ou menor grau, dependendo do meio em que vive a criança. Entretanto, o desenvolvimento da criatividade possibilita a ampliação da espontaneidade, assim como o oposto também é verdadeiro. O Psicodrama possibilita a recuperação da espontaneidade através do jogo dramático, do como se simbólico, onde se consegue escapar do determinismo asfixiante de certas condições da realidade; onde o imaginário e o real coexistem no cenário; onde se recupera o contato consigo mesmo e com os demais ao reencontrar-se com a criatividade, de onde surgirão papéis novos e respostas novas, livres de estereótipos. A espontaneidade é o fator que pode assegurar ao indivíduo o desenvolvimento psicológico e a organização de dois mundos: o da realidade e o da fantasia. O ideal, para Moreno, é que o indivíduo possa dominar as situações em que vive e que não desenvolva um mundo real em detrimento da fantasia, nem vice-versa. A espontaneidade consiste em transportar-se do real para o imaginário, alcançando assim um equilíbrio. Os papéis psicodramáticos (reais e imaginários) e os sociais só podem ser vivenciados adequadamente quando se estabelece uma diferença clara entre realidade e fantasia. O papel é o conjunto das posições imaginárias assumidas pelo indivíduo durante a infância, na relação com os demais. Todo papel se concretiza na interação com os outros. Segundo Moreno, é o Ego que emerge dos papéis, e não o inverso. Os primeiros papéis são os psicossomáticos: comer, dormir, defecar etc. O papel da criança e da mãe formam uma matriz de identidade indiferenciada. À medida que a criança cresce e se diferencia, aparecem os papéis sociais e psicodramáticos, amplia-se o leque de papéis possíveis. Alguns papéis ficarão inibidos, necessitando, posteriormente serem resgatados - função do Psicodrama. Quanto mais sadio um indivíduo, mais possibilidade terá de desempenhar diferentes papéis. Terá um leque de papéis mais amplo. Papéis criativos e não repetitivos. O método do Psicodrama usa a representação dramática (a cena) como núcleo de abordagem e exploração do ser humano seus vínculos. A ação, unida à palavra, propicia um mais completo desdobramento do conflito, do drama que ocupa o protagonista no espaço dramático. Na cena, o indivíduo pode representar seus conflitos passados e presentes, e também vomitar seus temores, expectativas, projetos e dúvidas sobre o futuro, explorando suas relações com o presente e o passado. Outro grande pesquisador da área é Enrique J. Pichon-Rivière, criador do Grupo Operativo. Este último se define como "um conjunto de pessoas com um objetivo comum" que procuram abordar trabalhando como equipe. A estrutura de equipe só se consegue na medida em que opera; grande parte do trabalho do grupo operativo consiste, em resumo, no treinamento para trabalhar como

3 equipe. O grupo operativo tem objetivos, problemas, recursos e conflitos que devem ser estudados e considerados pelo próprio grupo, à medida que vão aparecendo; serão examinados em relação com a tarefa e em função dos objetivos propostos. Através de sua atividade, os seres humanos entram em determinadas relações entre si e com as coisas, mais além da mera vinculação técnica com a tarefa a realizar, e este complexo de elementos subjetivos e de relação constitui o fator humano mais específico da mesma. O ser humano está integralmente incluído em tudo aquilo em que intervém, de tal maneira que quando existe uma tarefa sem resolver há, ao mesmo tempo, uma tensão ou um conflito psicológico, e quando é encontrada uma solução para um problema ou tarefa, simultaneamente fica superada uma tensão ou um conflito psicológico. O conhecimento adquirido de um objeto é, ao mesmo tempo, unicamente uma conduta do ser humano. Quando se trabalha um objeto, não apenas o objeto está sendo modificado, mas também o sujeito, e vice-versa, e as duas coisas ocorrem ao mesmo tempo. Não se pode operar além das possibilidades reais do objeto, mas tampouco além das possibilidades reais e momentâneas do sujeito; e as possibilidades psicológicas do sujeito são tão reais e objetivas como as do objeto. O coordenador de um grupo operativo e o diretor de um ensino organizado operativamente devem trabalhar ou, melhor dito, co-trabalhar ou co-pensar (como diz E. Pichon-Rivière) com os estudantes e com todos os auxiliares. Quando esta proposição surgiu em um grupo operativo de auxiliares de uma cátedra, alguns alegaram que, se trabalhassem assim, haveria o risco de que os estudantes acreditassem que existem coisas que não sabemos. E a resposta foi que isso é certo e que os estudantes têm razão se pensam assim, e que nós também temos que admiti-lo como verdade. O esquema referencial é o "conjunto de experiências, conhecimentos e afetos com os quais o indivíduo pensa e atua". É o resultado dinâmico da cristalização, organizada e estruturada na personalidade, de um grande conjunto de experiências que refletem certa estrutura do mundo externo, conjunto segundo o qual o sujeito pensa e atua sobre o mundo. O questionamento do esquema referencial é o método para romper estereótipos, porém é só ao ser usado que ele pode ser questionado e mudado. A técnica do grupo operativo deve orientar-se para a participação livre, espontânea, de seus integrantes, que assim trarão seus esquemas referenciais e os colocarão a prova numa realidade mais ampla, fora dos limites da estereotipia, do autismo ou do narcisismo, tomando consciência deles, com a consequente retificação. Por outro lado, não se trata de obter uma modificação do esquema referencial em um sentido ou modalidade prefixada, e nem de conseguir um esquema referencial já completo ou estruturado. A aprendizagem consiste, fundamentalmente, e de modo ótimo, em obter a possibilidade de uma permanente revisão do esquema referencial, em função das experiências de cada situação, tanto dentro do grupo como fora dele. Trata-se, portanto, de aprender a manter um esquema referencial plástico e não estereotipado como instrumento que se vai continuamente retificando, criando, modificando e aperfeiçoando. IV - METODOLOGIA a) Atividades a serem desenvolvidas: Realização de curso semestral para os educadores com duração de 10 encontros. Realização de um plantão de supervisão aos atendimentos grupais realizados pelos integrantes do curso, no decorrer deste e, em outros momentos a serem definidos. b) Metodologia do Curso e das reuniões:

4 Exposição teórica dos conceitos fundamentais de cada abordagem. Jogos dramáticos para sensibilização e reconhecimento das dificuldades e potencialidades grupais. Sociodrama e inversão de papéis para refletir sobre a relação com as pessoas da comunidade, as questões referentes à comunicação, a compreensão dos discursos e a importância da percepção nos processos de comunicação. Role-playing a fim de experimentar novos papéis, reconhecendo potencialidades expressivas e relacionais, buscando soluções coletivas e individuais para as dificuldades apresentadas. Dramatização de situações relativas às situações vividas nos processos grupais nos trabalhos realizados na instituição. As sessões psicodramáticas e sociodramáticas serão divididas em: Aquecimento, Desenvolvimento e Compartilhar. Experimentação dos procedimentos do grupo operativo: planejamento da atividade, coordenação do grupo e avaliação processual. Avaliação de todo o trabalho e registro dos avanços, dúvidas e atividades propostas. Supervisão de atividades e de projetos grupais. c) Resultados Esperados: Ao final dos encontros de formação, espera-se que os integrantes do grupo consigam: Compreender o conceito de grupo. Analisar processos grupais considerando as teorias psicossociais do trabalho com grupos do Psicodrama de J. L. Moreno e do Grupo Operativo de Enrique J. Pichon-Rivière. Manejar técnicas grupais de levantamento de demandas e/ou temáticas, estabelecimento de objetivos e métodos de trabalho. Ampliar seu papel de educador/coordenador, aprimorando a leitura dos processos grupais em contextos institucionais, incluindo processos avaliativos. d) Pressupostos Teóricos: Os fundamentos do Psicodrama e do Sociodrama. Teoria dos Papéis. Pressupostos do materialismo dialético e da psicanálise para a compreensão dos Grupos Operativos. Reconhecimento da identidade grupal e levantamento de situações vivenciadas pelos integrantes do grupo junto à comunidade na realização de seu trabalho. Partir da cultura, dos saberes e das potencialidades do grupo. Informações básicas sobre a coordenação de grupos e sobre o trabalho com grupos de jovens e crianças. d) Conteúdo Geral do Curso: 1. A evolução de conceito de grupo Perspectivas históricas A dialética grupal: conceitos e contradições Evolução do conceito e dos processos grupais. 2. Teorias de Grupo.

5 2.1. Pichon-Riviére Moreno. 3. Leitura grupal no ambiente de trabalho O contexto social e histórico do grupo Análise grupal Movimentos e campo grupal Funcionamento grupal Fases do grupo Papéis no grupo. 4. Coordenação de Grupos O papel do coordenador e suas implicações na dinâmica grupal Aspectos éticos na coordenação grupal Metodologias de trabalho com grupos. Atividades práticas Jogos e técnicas grupais Role-playing Psicodrama Sociodrama Teatro Fórum Grupo Operativo Planejamento, coordenação e Avaliação de processos grupais. Fechamento do curso Após a conclusão do curso, poderão ser planejados encontros periódicos de supervisão das atividades grupais nas instituições. VI DURAÇÃO DO CURSO = 10 encontros de 04 horas cada, totalizando 40 horas, para cada grupo inscrito. DO ACOMPANHAMENTO = Indeterminado, no decorrer do período letivo e, posteriormente, segundo a necessidade do projeto. VII BIBLIOGRAFIA BÁSICA BLEGER, J. Temas de psicologia: entrevista e grupos. São Paulo: Martins Fontes, LEWIN, K. Problemas de dinâmica de grupo. São Paulo: Cultrix MORENO, J. L. Psicoterapia de grupo e psicodrama. Campinas: Editora Livro Plena, PICHON RIVIÉRE, E. O processo grupal. São Paulo: Martins Fontes LANE, S.T.M. O processo grupal. In: LANE, Silvia T.M.; CODO, Wanderley (orgs.). Psicologia Social: o homem em movimento. 13. Ed. São Paulo: Brasiliense LAPASSADE, G. Grupos, Organizações e Instituições, Rio de Janeiro: Livraria Francisco Alves MOTTA, J.M.C. A Psicologia e o Mundo do Trabalho no Brasil: Relações, História e Memória, São Paulo, Summus. 2003

6 SPINK, P.K. Organização como Fenômeno Psicossocial: notas para uma redefinição da Psicologia do Trabalho. Psicologia e Sociedade; Abrapso; jan./jun. 1996

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