FERTILIZANTES ORGÂNICOS ALTERNATIVOS NA PRODUÇÃO SUSTENTÁVEL DO FEIJOEIRO BRS PUJANTE EM CONDIÇÕES EDAFOCLIMÁTICAS

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1 Área: Solos e Nutrição de Plantas FERTILIZANTES ORGÂNICOS ALTERNATIVOS NA PRODUÇÃO SUSTENTÁVEL DO FEIJOEIRO RS PUJANTE EM CONDIÇÕES EDAFOCLIMÁTICAS Toni Halan da Silva 1 ; Everton Eugênio Martins Dantas 1 ; Josimar Nogueora da Silva 1 ; Paulo Cassio Alves Linhares 1 ; Raimundo Andrade 2 1 Lic. Ciê. Agr., estudante de graduação, Universidade Estadual da Paraíba-P, ²Lic. Ciê. Agr., professor do departamento de agrárias e exatas, Universidade Estadual da Paraíba-P, Resumo - A busca por fertilizantes orgânicos alternativos, fáceis de serem produzidos nas propriedades rurais e de alto valor nutricional e biológico, é uma das grandes demandas dos horticultores que optam pela produção de base ecológica. Objetivou-se avaliar o desenvolvimento da cultura do feijão RS pujante submetido a diferentes quantidades de húmus de minhocas com e sem aplicação de húmus líquido em condições edafoclimáticas. A pesquisa foi desenvolvida em condições de campo na Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio Nossa Senhora da Conceição no município de elém de rejo do Cruz/P. O delineamento experimental adotado foi de blocos casualizados com 4 tratamentos num arranjo fatorial de x 2, com quatro repetições. Foi estudado os efeitos de quantidades de húmus de minhocas vermelha da Califórnia ( Q 1 =,; Q 2 = 2,; Q 3 = 3,; Q 4 =4, e Q =, kg/ metros linear), com (C 1 ) e sem (C ) húmus líquido aplicados via foliar) no desenvolvimento do feijoeiro paupi (var. pujante). As variáveis analisadas foram: peso de grãos por planta (PGP) número de grãos por planta (NGP) e peso de 1 sementes (P1S). Os dados foram analisados e interpretados a partir de análise de variância (Teste F) e pelo confronto de médias pelo teste de Tukey. As plantas de feijoeiro obtiveram aumento na produção nas quantidades de Q 1 e Q, juntamente com a aplicação do húmus líquido como fertilizante orgânico. Palavras-chave: Vigna unguiculata L., nutriente, biológico. Introdução O feijão-caupi (Vigna unguiculata (L.) Walp.) é a leguminosa mais produzida no Nordeste. Adaptando-se bem às adversidades climáticas e edáficas. O cultivo de feijão-caupi no semiárido brasileiro devido a sua capacidade de tolerância ao estresse hídrico e solos pobres, quando comparado com outras leguminosas como feijão comum e grão-de-bico, como geradora de emprego e renda. Tanto poder ser explorado em condições dependente de chuvas como também poder cultivar no segundo semestre do ano em perímetros irrigados. É uma das culturas mais importantes do Nordeste brasileiro, tanto como fonte de alimento proteico, como geradora de emprego e renda. Nas Regiões Norte e Nordeste, o feijão-caupi constitui uma das principais alternativas sociais e econômicas de suprimento alimentar e geração de emprego, pelo alto valor nutritivo e baixo custo de produção. É amplamente cultivado pelos pequenos produtores, constituindo um dos principais componentes da dieta alimentar (FREIRE FILHO et al., 2). A utilização de húmus de minhoca, ou vermicompostagem, é uma opção muito interessante para a agroindústria, pois permite o enriquecimento da matéria orgânica disponível, por meio do aumento na disponibilização de nutrientes, de forma economicamente viável e ambientalmente sustentável (AKKER, 1

2 1994). Este adubo é, em media, 7% mais rico em nutriente que os húmus convencionais. É rico em microrganismo, com PH neutro, altamente retenção de água e mineralização lenta (Longo, 1987; Aquino et al., 1992). Vários estudos têm mostrado que os agricultores orgânicos que seguem um enfoque agroecologico conseguem resultados satisfatórios em vários aspectos ligados a sustentabilidade (DAROLT, 22). Considerando a escassez de estudos na literatura cientifica referente à adubação orgânica em condições edafoclimáticas no semiárido, e a crescente necessidade da utilização de praticas sustentáveis e economicamente viáveis na agricultura, o objetivo deste trabalho foi avaliar a eficiência de fertilizantes orgânicos alternativos na produção do feijoeiro RS pujante no município de elém do rejo do Cruz. Material e Métodos A pesquisa foi desenvolvida em condições de campo na Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio Nossa Senhora da Conceição no município de elém de rejo do Cruz/P. O referido município está situado na região semiárida do Nordeste brasileiro, no Noroeste do Estado da Paraíba, cujas coordenadas geográficas são: de latitude Sul, de longitude oeste de Greenwich tendo uma altitude de 176 m. O clima do município, de acordo com a classificação de Köppen, é do tipo SWh, ou seja, seco, muito quente do tipo estepe, com estação chuvosa no verão e com temperatura do mês mais frio superior a 18º C. De acordo com a FIPLAN (198), a temperatura média anual do referido município é de 26,9º C, evaporação média anual de 177 mm e a precipitação pluvial média anual de 874,4 mm, cuja maior parte concentra-se no trimestre fevereiro/abril, irregularmente distribuídas. A vegetação nativa do município é do tipo caatinga hipernativa, com predominância de plantas espinhosas, rica em cactáceas e bromeliáceas. O delineamento experimental adotado foi de blocos casualizados, com 4 tratamentos, num arranjo fatorial x2, com dez tratamentos e 4 repetições. Estudou-se os efeitos de quantidades de húmus de minhocas vermelha da Califórnia (Q 1 =,; Q 2 = 2,; Q 3 = 3,; Q 4 = 4, e Q =, kg/metro/linear), com e sem húmus líquido (H 1 = presença e H = ausência) na produção do feijoeiro orgânico no município de elém de rejo do Cruz/P. O húmus líquido foi produzido em tambor com capacidade para 2 litros de água e, kg de húmus, sendo uniformizado e colocando em repouso por 24 h para a devida aplicação em tratamentos que recebiam a dosagem via foliar. O preparo do solo da área experimental foi realizado manualmente com enxada e seguida, foi feito o plantio com semente da variedade RS pujante no dia 24 de março de 212, no espaçamento de 1, x, m, numa densidade populacional de 2 plantas/hectare. Após a germinação das sementes de feijão RS pujante foi realizado capinas manuais, deixando as plantas livre de ervas daninhas, evitando concorrência por nutrientes e água. O sistema de irrigação adotado foi o localizado, pelo método de fita Santeno II (Lazer) com água fornecida através de um reservatório disponível na própria escola bombeado através de uma bomba de 1, cv monofásico, onde as irrigações foram monitoradas em um único turno de rega. As variáveis analisadas foram: peso de grãos por planta (PGP) número de grãos por planta (NGP) e peso de 1 sementes (P1S). As análises estatísticas foram realizadas com o auxílio do Programa Computacional SISVAR.. Os dados foram analisados e interpretados a partir de análise de variância (Teste F) e pelo confronto de médias pelo teste de Tukey, conforme Ferreira (2), aos níveis de 1 e % de probabilidade. Resultados e Discussão 2

3 A evolução do peso de grãos por planta apresentou um comportamento linear com coeficiente de determinação de,97 % (Figura 1 A). Verificou-se no peso de grãos por planta que quando se elevou uma unidade de quantidade de húmus houve um aumento de 3,8 g. Os resultados obtidos nessa variável corroboram aos encontrados por Cavalcante et al. (29), estudando o peso de grãos por planta, onde observou-se aumento com o incremento da dosagem de biofertilizante, proporcionando um peso máximo de 48 gramas. Quanto à aplicação de húmus líquido na presença e ausência, por sua vez, o tratamento submetido a aplicação de húmus líquido obteve um melhor desempenho em relação a testemunha (ausência) em 4,6 % (Figura 1). Peso de grãos por planta (g) A y = 3,83x + 31,961 R 2 =,97 Peso de grãos por planta (g) ,6 41, H Figura 1. Efeito da quantidade de húmus de minhocas sobre o peso de grãos por planta (A) e efeito do húmus líquido sobre o peso de grãos por planta () do feijoeiro RS pujante. A evolução do número de grãos por planta apresentou comportamento linear, com coeficiente de determinação de,97 % (Figura 2 A). Verifica-se que quando se elevou uma unidade de quantidade de húmus houve um aumento de 26,7 grãos por planta. Os resultados obtidos nessa variável difere aos encontrados por Gerlach et al. (29), ao avaliar a adubação orgânica e mineral no desenvolvimento e produtividade dos cultivares de feijão Carioca Precoce (tipo I), Juriti (tipo II) e Perola (tipo III), no município de Selviria-MS no período de inverno, irrigadas por aspersão. Quanto à aplicação de húmus líquido na presença e ausência, por sua vez, o tratamento submetido a aplicação de húmus líquido obteve um melhor desempenho em relação a testemunha (ausência) em,1 % (Figura 2 ). 3

4 3 2 Número de grãos por planta y = 26,7x + 117,1 R 2 =,97 Número de grãos por planta H Figura 2. Efeito da quantidade de húmus de minhocas sobre o número de grãos por planta do feijoeiro (A) e efeito do húmus líquido sobre o número de grãos por planta () do feijoeiro RS pujante. A evolução do peso de 1 sementes apresentou um comportamento linear, com coeficiente de determinação de,97 % (Figura 3 A). Observa-se que a medida em que se elevou a quantidade de húmus de minhocas nas plantas de feijão RS pujante, houve redução do peso de 1 sementes, havendo diminuição de,63 g no peso por aumento unitário da quantidade de húmus. Os resultados obtidos nessa variável diferem dos encontrados por Gerlach et al. (29), ao avaliar a adubação orgânica e mineral no desenvolvimento e produtividade dos cultivares de feijão carioca precoce (tipo I), Juriti (tipo II) e Perola (tipo III), no município de Selviria-MS no período de inverno, irrigadas por aspersão. O tratamento submetido à aplicação do húmus líquido de minhocas vermelha da Califórnia em plantas de feijão RS pujante, proporcionou um melhor desempenho (Figura 3 ), superando a testemunha (ausência) da aplicação de húmus líquido em 3,3%. Peso de 1 sementes (g) 29, 29 28, 28 27, 27 26, y = -,633x + 29,99 R 2 =,97 A Peso de 1 sementes (g) ,1 27, H Figura 18. Efeito da quantidade de húmus de minhocas sobre o peso de 1 sementes do feijoeiro (A) e efeito do húmus líquido sobre o peso de cem sementes () do feijoeiro RS pujante. Conclusões Portanto, as plantas de feijoeiro obtiveram aumento na produção nas quantidades de Q 1 e Q, juntamente com a aplicação do húmus líquido como fertilizante orgânico. 4

5 Referências AQUINO AM; ALMEIDA DL; SILVA VF Utilização de minhocas na estabilização de resíduos orgânicos: Vermicompostagem. Rio de janeiro: Embrapa/CNPS. 12p. (Comunicado técnico, 8). AKKER AP Efeito do húmus de minhoca e da inoculação do fungo micorrízico arbuscular Glomus macrocarpum Tul. & Tul. Sobre o desenvolvimento de mudas de cajueiro anão-precoce (Anacardium occidentale L.).. 6p. Fortaleza: Universidade Federal do Ceará (Tese) CAVALCANTE, S. N.; DUTRA, K.O G.; MEDEIROS, R.; LIMA, S. V. de.; SANTOS, J. G. R. dos.; ANDRADE, R.; MESQUITA, E. F. de. Comportamento da produção do feijoeiro macassar (Vigna unguiculata L. Walp.) em função de diferentes dosagens e concentração de biofertilizante. Revista de iologia e Ciências da Terra. Suplemento especial, n. 1, 2 semestre, p. 9-14, 29. DAROLT, M.R. Agricultura orgânica: inventando o futuro. Londrina: IAPAR, 22, 2p. DECHEN, A.R. HAAG, H.P CARMELLO, Q. A. C. Mecanismos de absorção e de translocação de micro nutrientes. In: FERREIRA. M.E; 2p 22. FERREIRA, P. V. Estatística Experimental Aplicada a Agronomia. 3 ed. Maceió: Universidade Federal de Alagoas: UFAL, 64p. 2. FIPLAN: Potencial de irrigação e oportunidades agroindustriais no Estado da Paraíba, v.1, João Pessoa: 198, 32p FREIRE FILHO, F. R.; LIMA, J. A. A.; RIEIRO, V. Q. (Ed.). Feijão caupi: avanços tecnológicos. rasília: Embrapa Informação Tecnológica, 2. p GERLACH, G. A. X.; ALF, O.; SILVA, J. C.; RODRIGUES, R. A. F.; GITTI. D. C. Aplicação de biofertilizante orgânico e mineral em feijoeiro irrigado no período de inverno. 29. LONGO AD Minhoca: de fertilizadora do solo a fonte alimentar. São Paulo: Ícone. 79p.

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