CFLinfo 180 Janeiro de Organizações de Produtores de F&H na UE Situação actual e perspectivas

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1 CFL info Informação do Sector de Frutos e Produtos Hortícolas Nº180 - Janeiro de 2010 Organizações de Produtores de F&H na UE Situação actual e perspectivas O secretariado do COPA-COGECA elaborou um documento, tendo em vista lançar o debate sobre o futuro das organizações de produtores e do sector horto-frutícola europeu, no período após Dado que consideramos relevantes algumas das ideias nele contidas, apresentamos seguidamente uma pequena síntese do mesmo. Introdução Este sector representa cerca de 17% do valor da produção agrícola final da UE, envolvendo aproximadamente 1 milhão de explorações especializadas. No período , as despesas agrícolas comunitárias alocadas ao sector, representam 3,5% das despesas FEAGA. Embora a UE seja o 2º produtor mundial de F&H, é também largamente deficitária, sendo o 2º importador mundial. O déficit comercial na maioria dos produtos frescos passou de 7,4 milhões de toneladas em 2002, para 9,8 milhões de toneladas em Porque é que é necessário concentrar a oferta através de OP? Nos países do norte da UE, a grande distribuição representa já 70 a 90% das vendas de produtos alimentares e é previsível que este movimento de concentração se vá acentuar até É indispensável agrupar a oferta tendo em vista reequilibrar mais a relação de forças, aumentar o poder de negociação da produção face a uma procura cada vez mais organizada, promover economias de escala e incorporar valor acrescentado. Quais são os diferentes tipos de OP na Europa? Os países do Norte (Holanda, Alemanha, Bélgica, Suécia e Grã-Bretanha) caracterizam-se por um número reduzido de OP com volumes de negócio bastante elevados. 1

2 No Sul, existe um grande número de OP, com volumes de negócio bastante reduzidos. O valor total da produção comercializada pelas OP passou de 4 mil milhões de euros para 13,7 mil milhões de euros entre 2000 e 2006, sobre um valor total de F&H comercializados na UE de 48 mil milhões ou seja, a comercialização efectuada pelas OP, representa 28,5% da comercialização total europeia. As maiores associações de OP (AOP) existentes na UE encontram-se sediadas na Bélgica e na Itália. Os agrupamentos de produtores (forma jurídica anterior ao reconhecimento pleno como OP, tendo em vista usufruir de ajudas à constituição e funcionamento ao abrigo do Reg. (CE) nº 2200/96), desenvolveram-se bastante nos novos EM e nos países mediterrâneos, onde representavam respectivamente, 58 e 40% das organizações existentes em A percentagem de organização dos produtores é suficiente? A percentagem de organização na UE25 é da ordem dos 35% e, portanto, está longe do objectivo de 60% fixado pela UE, pelo que não é suficiente. Seria previsível que, havendo uma ajuda comunitária específica para a execução dos programas operacionais das OP, todas elas o estariam a aplicar, o que não se passa. Como razões para esta realidade, podemos destacar vários factores como a dissuasão motivada pela elevada carga administrativa, sobretudo devido à instauração do actual sistema de monitorização e controle, assim como o facto de uma OP não ser necessária para o agricultor poder beneficiar de outro tipo de apoios, como por exemplo os que são concedidos no quadro do regime de pagamento único. Qual é a importância da ajuda comunitária aos fundos / programas operacionais? A ajuda comunitária para os fundos operacionais das OP passou de 283 milhões de euros em 2000, para 544 milhões de euros em Até 2013, o orçamento previsto é da ordem dos milhões de euros, o que representa 2% do orçamento do FEAGA. O número de OP que está a aplicar programas operacionais está a crescer, tendo passado respectivamente de 74% para 86% na UE15 e de 32% para 61% na UE10, entre 2000 e Qual foi o valor acrescentado da ajuda comunitária às OP para os consumidores? A qualidade dos frutos e produtos hortícolas comercializados melhorou. 2

3 As normas ambientais e de segurança alimentar são respeitadas face às exigências legais. As OP fornecem serviços de âmbito social e territorial no meio rural, que permitem entre outros aspectos fixar as populações, criar emprego e proteger o ambiente. Qual é o valor acrescentado da ajuda comunitária às OP, para os produtores e cooperativas / OP? As explorações especializadas e as centrais de comercialização modernizaram-se, tendo em simultâneo melhorado as condições de trabalho. Quais devem ser os objectivos do regime de ajudas aos frutos e produtos hortícolas na PAC após 2013? Melhorar a competitividade do sector e a sua orientação para o mercado, tendo em vista contribuir para uma produção estável e competitiva tanto no mercado interno, como externo. Garantir a estabilização do aprovisionamento e da segurança alimentar dos 500 milhões de consumidores a um preço razoável, de reforçar a posição dos produtores de F&H na cadeia alimentar e de assegurar um nível de vida equitativo aos produtores, nomeadamente através do aumento do seu rendimento individual. Pôr em maior evidência os F&H no regime alimentar. Preservar e proteger o ambiente e a paisagem. Porque é que a ajuda comunitária às OP deve ser mantida? Permite uma boa relação entre a despesa pública e os benefícios que dela advêm, devido ao co-financiamento dos agricultores e suas organizações, à segmentação da ajuda comunitária aos produtores organizados em OP e AOP e, ainda, o facto da base da ajuda existente assentar no valor de produção comercializada (VPC), o que a torna eficaz tendo em conta as oscilações entre a concentração da oferta e a procura. Caso ela não exista, as OP só poderão recorrer às ajudas previstas nos programas de desenvolvimento rural, que por si só serão insuficientes. O desligamento da ajuda do VPC teria um impacto negativo sobre a concentração da oferta via OP, correndo-se o risco de se verificar um aumento do preço da renda da terra. Somente um nível de ajuda eficaz às OP permitirá reduzir o déficit comercial da UE neste sector, promovendo as exportações para países terceiros. 3

4 Como deverá ser melhorado o regime de ajudas às OP na PAC após 2013? Para reequilibrar as relações de força na cadeia alimentar: É necessário encontrar critérios mínimos de reconhecimento de OP. É necessário favorecer a fusão entre OP, as associações de OP e as acções transnacionais nos programas operacionais, aumentando o nível de apoio comunitário. É preciso favorecer as OP que valorizem os seus produtos através da transformação. Aumentar a segurança jurídica das OP e AOP face à lei da concorrência. É necessário simplificar o sistema de monitorização e controle dos programas operacionais. Para reduzir as variações nos rendimentos dos produtores: É necessário melhorar as medidas de prevenção e gestão de crise ligados aos riscos climáticos e de mercado nos programas operacionais das OP. O conceito de seguro de colheita deverá ser alargado. É necessário rever o sistema de retiradas, nomeadamente promover a sua gestão à escala comunitária, indexar as indemnizações e aumentar os limites quantitativos. Deve ser criado um instrumento de gestão suplementar, destinado às crises graves, que seja complementar do que já existe, destinado a compensar as variações de preço e assegurar um rendimento mínimo a todos os produtores. Para continuar o esforço em matéria de qualidade e de serviços aos consumidores: É necessário manter as normas de comercialização em vigor para os 10 produtos específicos. É necessário começar a trabalhar na introdução da indicação origem UE na rotulagem dos produtos à base de frutos e produtos hortícolas transformados. É necessário prosseguir os esforços de promoção e sensibilização para a qualidade diferenciada dos F&H europeus, explicada em termos de rastreabilidade, controle, segurança alimentar, etc. É necessário elaborar um programa de arranque e/ou abandono para zonas de produção afectadas por problemas estruturais. 4

5 O regime de ajudas às OP é um instrumento suficiente para sustentar o desenvolvimento da fileira europeia de F&H após 2013? O regime existente constitui uma ferramenta fundamental, mas outras medidas, inclusive fora da PAC, devem ser estabelecidas ou melhoradas. Para reequilibrar as relações de força na cadeia agro-alimentar: A Comissão Europeia e as autoridades nacionais devem assegurar que determinadas empresas não recorrem a práticas ilegais, devendo estabelecer normas e controles sobre atrasos de pagamentos, descontos, devoluções, perda de vendas, margens à posteriori, cadernos de encargos de qualidade privados que são utilizados subjectivamente e sobre o cumprimento das normas de qualidade nos pontos de venda. Para favorecer a concentração da oferta: Dado que a legislação comunitária privilegia as PME no acesso aos fundos de desenvolvimento rural e às ajudas de Estado, é necessário que sejam alteradas as limitações fixadas na definição de PME, para que as cooperativas / OP agro-alimentares, cujas estruturas assentam maioritariamente em micro-empresas (explorações agrícolas), possam ter um maior acesso a estes fundos. Para reequilibrar a balança comercial da UE É necessário evitar novas concessões no quadro dos acordos bilaterais entre a UE e países terceiros. É necessário harmonizar o controle das importações e as inspecções nas fronteiras da UE, nomeadamente no que diz respeito aos resíduos de pesticidas e entrada de organismos nocivos. No que toca às exportações, a Comissão Europeia deve desempenhar um papel mais activo na abertura e consolidação de novos mercados. A Comissão Europeia deve trabalhar com os diferentes Estados membros, tendo em vista estabelecer um sistema de seguros de crédito para a exportação. Fonte: Documento do COPA/COGECA FL (09) 7493:2, sujeito a tradução livre por parte do Departamento Técnico da CAP CFLinfo Informação mensal do sector de frutos e produtos hortícolas 5

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