UMinho 2014 António Daniel da Mota Lopes VoIP em Redes Peer-to-Peer

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1 Universidade do Minho Escola de Engenharia António Daniel da Mota Lopes VoIP em Redes Peer-to-Peer UMinho 2014 António Daniel da Mota Lopes VoIP em Redes Peer-to-Peer Outubro de 2014

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3 Universidade do Minho Escola de Engenharia António Daniel da Mota Lopes VoIP em Redes Peer-to-Peer Dissertação de Mestrado Ciclo de Estudos Integrados Conducentes ao Grau de Mestre em Engenharia de Comunicacões Trabalho efetuado sob a orientação de Professora Doutora Maria João Nicolau Professor Doutor António Costa Outubro de 2014

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5 Agradecimentos Gostaria de agradecer aos meus orientadores, Professora Doutora Maria João Nicolau e Professor Doutor António Costa, pela dedicação, apoio e paciência durante a realização desta dissertação. Aos meus pais e irmãos pelo apoio. Aos meus amigos que me acompanharam, apoiaram, ensinaram e fortaleceram durante o meu percurso académico, nomeadamente o Bruno Lopes, João Antunes, Luís Cunha, Nuno Correia, Nuno Pereira, Pedro Castro, Pedro Cunha e Phillipe Costa. Um especial obrigado ao Luís Cunha por todo o apoio e amizade que me proporcionou neste meu último ano académico.

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7 Resumo A utilização da rede IP para transportar voz (VoIP) trouxe vantagens face à rede pública de comutação de circuitos fundamentalmente porque oferece potencialmente uma qualidade superior de chamada, maior largura de banda com menores custos e melhor utilização de recursos. Contudo, a arquitetura do VoIP utiliza servidores centrais para armazenar a informação dos utilizadores e a sua respetiva localização, o que torna o sistema vulnerável a ataques de negação de serviço (DoS) e traz problemas de escala. A utilização de redes peer-to-peer pode contribuir para minimizar estes problemas, já que estas redes, pela sua natureza distribuída, permitem armazenar a informação de utilizadores e respetivas localizações em vários nós, o que torna possível que, em vez dos pedidos serem todos canalizados para um mesmo servidor, sejam distribuídos por vários servidores. Os peers que constituem redes peer-to-peer, além de armazenarem a informação de forma distribuída, podem trazer outras vantagens, como por exemplo, o encaminhamento de dados entre nós da rede. Com vista a melhorar o desempenho, pensou-se em tirar partido do encaminhamento na rede peer-to-peer. Além de permitir contornar Firewalls e/ou NATs, permite que a media seja encaminhada por caminhos alternativos, obtendo melhor qualidade de serviço que nem sempre o caminho definido pela rede permite oferecer. Neste trabalho foi desenvolvida uma aplicação VoIP, em JAVA, capaz de se integrar e tirar partido de uma rede peer-to-peer, totalmente baseada em SIP, que foi desenvolvida num trabalho anterior. O facto do protocolo adotado para a criação e manutenção da rede ser o SIP, facilitou a integração entre as duas componentes, uma vez que o uso do SIP é utilizado em várias operações de sinalização requeridas pelo VoIP. Neste sentido foram propostas alterações na arquitetura, bem como um protocolo de reencaminhamento automático das chamadas pela rede peer-to-peer, com um número ajustável de saltos, de modo a mostrar melhorias em termos de desempenho global da rede. A implementação JAVA foi testada em ambiente emulado com o emulador CORE, com uma topologia e vários cenários de teste, que permitiram comprovar que as alterações propostas permitem efetivamente acomodar mais chamadas com os mesmos recursos.

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9 Abstract Voice over Internet Protocol (VoIP) potentially offers a several advantages compared to the PSTN (Public Switched Telephone Network) fundamentally, a higher call quality, greater bandwidth at lower cost and better infrastructure utilization. However, the architecture of VoIP uses central servers to store user information and their respective location, which makes the system vulnerable to DoS(Denial of Service) attacks and causes problems of scalability. The use of peer-to-peer networks can minimize these problems, because their distributed nature, can store the information of users and respective locations on multiple nodes, which makes possible, instead of the requests are all received by a single server, be distributed across multiple servers. The peers in the peer-to-peer network, besides store the information, also can provide other advantages, such as the relay of voice packets between network nodes. To improve performance, we thought taking advantage of relay in peer-to-peer network. Besides allowing bypass firewalls and/or NAT, allows voice data to be forwarded for alternative paths, obtaining better quality of service when the direct path of the networt can t offer that quality. In this master thesis we developed a JAVA VoIP application, able to integrate and take advantage of a peer-to-peer network, entirely based on SIP, which was developed in a previous work. The fact the protocol adopted for the creation and maintenance of peerto-peer network be the SIP, facilitated the integration between the two components, since the use of SIP is used in various signaling operations required by VoIP. In this way, we proposed architectural changes in the peer-to-peer network, and a protocol for automatic call forwarding by peer-to-peer nodes, with an adjustable number of hops, in order to show improvements in terms of global network performance. The JAVA implementation has been tested on a emulated environment with CORE emulator, with a topology and various test scenarios, which can prove the proposed alteration permit effectively accommodate more calls with the same resources.

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11 Conteúdo Agradecimentos i Resumo ii Abstract iii Lista de Figuras vii List of Tables x Acrónimos xi 1 Introdução Enquadramento Objetivos Estrutura da dissertação VoIP Transporte dos Dados Protocolos de Sinalização de Chamada Protocolo H Protocolo SIP iv

12 Conteúdo v Componentes Principais Eventos SIP Redes Peer-To-Peer Overlays não estruturados Overlays estruturados Trabalhos em curso no IETF Protocolo RELOAD Arquitectura Segurança Tipos de nós Localização e Junção ao Overlay Estabelecimento de Sessões Multimédia Estrutura das Mensagens RELOAD VoIP em redes P2P A peer-to-peer Bare PC VoIP application Mobile P2PSIP ASAP: an AS-Aware Peer-Relay Protocol for High Quality VoIP Aplicação VoIP na Rede P2P Rede overlay base Aplicação VoIP Encaminhamento de dados Interação com a cache DHT Tabelas utilizadas Tipo de mensagens Algoritmo de Encaminhamento

13 Conteúdo vi Algoritmo de medição do RTT Implementação Arquitetura Camadas referentes ao overlay Camada Aplicação Camada DHT Camada P2PSIP Camada SIP Camada de Transporte Camadas referentes à chamada VoIP e encaminhamento de dados. 50 Captura/reprodução áudio Codificação/descodificação Criação/junção de datagramas Envio/receção de datagramas Transporte adaptado Bibliotecas selecionadas Implementação das camadas referentes ao overlay CamadaP2PSIP Envio de mensagens Receção de mensagens Camada DHT Camada Aplicação Implementação da camada de transporte adaptada Tipos de mensagens Reencaminhamento de dados

14 Lista de Figuras vii Receção de dados - ExternalRelay Procura de caminho alternativo - melhorcaminho Medição do RTT - StatelessPing e StatefulPing Envio de media - InternalRelay Considerações finais Testes e Resultados Ambiente de teste Métricas Testes de funcionalidade Chamada direta Chamada com um peer intermédio Chamada com n peers intermédios Testes de desempenho Conclusões 81 Bibliografia 85

15 Lista de Figuras 2.1 Exemplo geral do funcionamento do VoIP Exemplo Estabelecimento de uma chamada sem Gatekeeper Exemplo Estabelecimento de uma chamada com Gatekeeper Arquitetura geral H Exemplo de registo e localização de um UA Exemplo de rede de overlay estruturado Arquitectura do Protocolo RELOAD Exemplo de Registo e Procura de um Utilizador Estrutura das Mensagens RELOAD Arquitetura Geral dos Bare PC Componentes da Aplicação VoIP Arquitetura Geral do overlay Arquitetura geral do ASAP Exemplo do funcionamento da aplicação VoIP simples Exemplo do funcionamento da aplicação VoIP com um peer intermédio Exemplo do funcionamento da aplicação VoIP com n peers intermédios Topologia de Rede Exemplo Tabelas Datagrama Ping Datagrama Echo Datagrama Voice Datagrama Warning Datagrama Probe Datagrama Response Camadas referentes ao overlay Camadas referentes à chamada e encaminhamento de dados Entidades principais da camada P2PSIP Entidades principais da camada DHT Entidades principais da camada Aplicação Entidades principais na implementação do reencaminhamento de dados Fluxograma da classe ExternalRelay Fluxograma da classe melhorcaminho melhorcaminho melhorcaminho Fluxograma da classe StatelessPing viii

16 Lista de Figuras ix 5.12 Fluxograma da classe ReceivePingResponse Fluxograma da classe StatefulPing Ping Fluxograma da classe InternalRelay Topologia Teste Simulacao de Chamada Captura de 5 chamadas no router n Captura 5 chamadas no router n Captura 5 chamadas no router n1 (n peers intermedios) Captura 5 chamadas no router n3 (n peers intermedios) Captura 5 chamadas no router n4 (n peers intermedios) Taxas de Transferencia RTT Medio Sem Reencaminhamento RTT Medio Com Reencaminhamento perdas de pacotes

17 Lista de Tabelas 5.1 Tabela de análise às várias APIs Tabela com vários testes efetuados x

18 Acrónimos API CORE DHT dsip IETF IP NAT OWD P2P P2PSIP P2P PSTN PSTN RELOAD RTCP RTP RTT SIP TCP UA UAC UAS UDP URI VoIP Application Programming Interface common Open Research Emulator Distributed hash Table distributed Session Initiation Prptocol Internet Engineering Task Force Internet Protocol Network Address Translation One Way Delay Peer-To-Peer Peer-To-Peer Session Initiation Protocol Pulse Code Modulation Public Switched Telephone Network Public Switched Telephone Network REsource LOcation And Discovery Real-Time Transport Control Protocol Real-Time Transport Protocol Round Trip Time Session Initiation Protocol Transmission Control Protocol User Agent User Agent Client User Agent Server User Datagram Protocol Uniform Resource Identifier Voice over Internet Protocol xi

19 Capítulo 1 Introdução 1.1 Enquadramento Com o aumento do número de chamadas telefónicas e devido à globalização da Internet começou-se a equacionar a sua utilização para transportar voz, como alternativa às tradicionais chamadas efetuadas pela rede pública de comutação de circuitos (PSTN). Surgiram então as comunicações que usam a rede IP para transportar voz que são designadas por comunicações VoIP (Voice over Internet Protocol) [1]. Esta solução oferece várias vantagens face à PSTN, nomeadamente: Infra-estrutura comum com a Internet, o que permite que com apenas uma infraestrutura se tenha acesso aos dois serviços (internet e telefone); Qualidade de chamadas superior visto que na PSTN é permitido um único codec, o G.711[2], que possui uma codificação PCM com ritmo de 64kbps, enquanto que o VoIP permite um leque alargado de codecs, e estes permitem a negociação de uma comunicação com qualidade superior; Flexibilidade, isto é, como os pacotes VoIP são apenas outra forma de dados, os sistemas VoIP podem oferecer serviços que integram voz, vídeo, mensagens de texto e disponibilidade do utilizador; Chamadas Grátis visto que a contabilização dos dados coincide com o tráfego gasto. Se o utilizador tiver associado um contrato com tráfego ilimitado então todo o tráfego, seja ele qual for, não tem custos adicionais. Um exemplo de aplicações VOIP atualmente existentes são o Skype e o Viber. 1

20 Capítulo 1. Introdução 2 O VoIP pode ser desenvolvido de acordo com o paradigma Cliente-Servidor, no entanto esta alternativa tem alguns problemas de escalabilidade. O grande número de utilizadores pode provocar congestionamento e sobrecarga, tanto na rede como nos próprios servidores o que pode conduzir à instabilidade e falta de fiabilidade do sistema. Um outro problema desta abordagem é o facto de existir um único ponto de falha: o servidor. Se este falhar, todo o sistema vai abaixo, por se tratar de um sistema centralizado. Uma melhor solução passa pela utilização de um sistema completamente distribuído para a implementação do VoIP, sendo uma das possibilidades a utilização de redes peer-to-peer. As redes Peer-to-Peer (P2P) [3] são redes de overlay que podem ser estruturadas ou não estruturadas e que permitem localizar e aceder a recursos de forma distribuída e escalável, tendo por isso sido ao longo dos anos usadas para distribuição de conteúdos. Revelam-se bastante atrativas como suporte a comunicações de áudio e vídeo entre dois ou mais interlocutores. Nesse contexto a rede P2P forma-se com o intuito de fornecer simplesmente o mapeamento entre o URL do destinatário da chamada e a sua localização efetiva. O IETF (Internet Engineering Task Force) tem neste momento um grupo de trabalho, denominado por Internet Engineering Task Force - P2PSIP Working Group (IETF-P2PSIP WG) [4], a desenvolver propostas com vista à normalização das redes P2P com sinalização SIP para uso em aplicações VoIP. O SIP (Session Initiation Protocol) [5] é um protocolo de sinalização standard do IETF que funciona ao nível da camada de aplicação e é bastante utilizado para estabelecer sessões entre um ou vários participantes. Em trabalhos desenvolvidos anteriormente foi avaliada a utilização do protocolo SIP para suporte ao VOIP em redes P2P. Nesses trabalhos, o protocolo SIP era usado como suporte a toda a comunicação, quer na troca de mensagens entre os nós para formar o overlay, quer no registo e na localização de terminais VoIP. Este trabalho de dissertação usa como ponto de partida esse trabalho inicial [6], fazendo-o evoluir em várias direções: Estudar um outro protocolo (que introduza um menor overhead) para criar a rede peer-to-peer; Estudar mecanismos que tirem o máximo partido das vantagens que o overlay oferece, nomeadamente o encaminhamento da media; Implementar e avaliar a utilização de uma aplicação VoIP por cima da rede peerto-peer

21 Capítulo 1. Introdução Objetivos Os objetivos desta dissertação podem ser sintetizados nos seguintes pontos: Estudar as atuais propostas VoIP em redes P2P; Estudar o protocolo que foi normalizado pelo IETF para a criação e manutenção do overlay; Desenhar uma solução de encaminhamento de dados efetuado pelos peers do overlay; Implementar a solução proposta; Implementar uma aplicação VoIP que permita testar o encaminhamento de dados; Obter resultados experimentais das implementações que provem a sua validade. 1.3 Estrutura da dissertação No capitulo 1 foi feita uma introdução ao tema desta dissertação, descrevendo a motivação e principais objetivos a alcançar. No capitulo 2 descreve-se o funcionamento geral do VoIP bem como os protocolos de sinalização mais utilizados, nomeadamente o SIP e o H.323. Além disso, também é descrito como é feita a transmissão de dados em tempo real e os protocolos envolvidos. No capítulo 3 é apresentada a definição de rede peer-to-peer bem como as suas características gerais, objetivos, vantagens, estrutura e o protocolo normalizado pelo IETF, denominado por RELOAD, para a criação e manutenção de um overlay. Ainda neste capitulo, são apresentados vários projetos realizados e relacionados com VoIP em redes peer-to-peer No capítulo 4 é feita a descrição e análise do problema, na qual é apresentado a rede overlay base, quais as suas funcionalidades e as alterações necessárias que foram efetuadas para suportar a sinalização das chamadas VoIP. É Também feita uma descrição do algoritmo de encaminhamento de dados concebido e implementado. No capítulo 5 é apresentada a implementação da aplicação VoIP bem como do algoritmo de encaminhamento de dados, de forma detalhada, nas quais são apresentas as arquiteturas gerais, a forma como se interligam entre eles e com o overlay, e as várias

22 Capítulo 1. Introdução 4 componentes desenvolvidas e quais os seus propósitos. Além disso, são apresentadas as APIs adotadas e sua devida justificação. No capítulo 6 apresenta-se os testes e resultados experimentais realizados à aplicação VoIP desenvolvida, apresentando a ferramenta nos quais foram efetuados e descrevendo os vários ambientes de testes. Os vários cenários de teste foram desenhados de forma a comprovar as funcionalidades da aplicação desenvolvida e para obter resultados de forma a debater o seu desempenho. Por ultimo, o capitulo 7 apresenta as conclusões desta dissertação, os objetivos cumpridos, as possíveis modificações a efetuar ao software desenvolvido e propostas de trabalho futuro.

23 Capítulo 2 VoIP Voz sobre IP (VoIP), é um termo utilizado para caracterizar o serviço que consiste em transmitir informação de voz através do protocolo IP (Internet Protocol). De uma forma geral, isto significa enviar informação de voz em formato digital dentro de pacotes de dados ao invés da utilização do tradicional protocolo de comutação de circuitos utilizado há décadas pelas companhias telefónicas. A maior vantagem da tecnologia VoIP é a possibilidade da redução dos custos de utilização dos serviços telefónicos comuns, principalmente quando as redes de dados instaladas também passam a transmitir voz. Para se utilizar VoIP, o primeiro passo é a conversão dos sinais de voz analógicos para sinais digitais, de forma que a informação possa ser transmitido através de uma rede IP. Este processo é realizado por codecs, que podem ser implementados por software ou hardware. Mas estes codecs não realizam somente a conversão analógico-digital, eles são responsáveis também pela compressão dos sinais digitais, para que estes possam passar na rede de forma mais rápida e eficiente, mas isto também não é o bastante. No VoIP os dados podem apresentar ecos, atrasos e jitter quando os pacotes não chegam na ordem correta ou sofrem atrasos. Com a combinação dos avanços obtidos na garantia de qualidade de serviço, onde a media tem prioridade sobre os restantes dados, e o avanço nos algoritmos de compressão, tornaram o VoIP numa realidade hoje em dia [7]. De forma a ilustrar o funcionamento geral do VoIP recorremos a um exemplo que está ilustrado na figura 2.1. A Alice e o Bob têm de estar registados num servidor onde tem armazenada a sua localização, por exemplo, onde o que se segue depois é o servidor onde está a sua conta, neste caso em atlanta.com. 5

24 Capítulo 2. VoIP 6 Figura 2.1: Exemplo geral do funcionamento do VoIP Quando Alice e Bob querem comunicar um com o outro, devem estabelecer ligação através dos seus servidores. Então, Alice contacta o seu servidor atlanta.com e pedir para encaminhar um pedido de chamada para Bob. atlanta.com encaminha o pedido para biloxi.com e este reencaminha para Bob. Quando Bob recebe o pedido de chamada manda a resposta na direção oposta através de biloxi.com, atlanta.com e eventualmente para Alice e se a chamada for aceite, são estabelecidos vários parâmetros, como por exemplo, os codecs e o IP e porta que vão ser utilizados. Alice indica quais os codecs que o equipamento suporta para a comunicação assim como Bob. Se Alice anunciar G.729 e G.711, Bob pode usar qualquer um dos codecs e pode comutar entre eles durante a sessão. No entanto, se Bob comunicar apenas o G.729, Alice só pode usar, única e exclusivamente esse. Após esta negociação entre os dois utilizadores, como o uso de servidores como intermediários pode ser lento e ineficiente, é feita uma ligação direta entre eles para a transmissão de dados. Resumindo, o tráfego de sinalização é transmitido através dos servidores, a media é transmitida diretamente entre os dois pontos. 2.1 Transporte dos Dados Embora a transmissão possa ser barata, em algumas partes do mundo bem como em muitas empresas privadas, a transmissão tem um custo de tal forma elevado que é necessário um esforço para usar a largura de banda disponível de forma eficiente. Começou-se então a usar codecs para comprimir os dados. Outra técnica para aumentar a eficiência da largura de banda é fazer a deteção de voz e anular o silêncio. A qualidade

25 Capítulo 2. VoIP 7 de voz pode ser mantida ao usar supressão de silencio, se o codec recetor inserir cuidadosamente um ruído de conforto em cada período de tempo de silencio. Por exemplo, o Anexo B da recomendação ITU-T G.729 define um robusto detetor de atividade de voz que mede as mudanças, ao longo do tempo, do ruído de fundo e envia, a uma baixa taxa de transmissão, informação suficiente para o recetor gerar ruído de conforto que é a característica do ruído de fundo do telefone origem [1]. A codificação e formação de cada media resulta em atrasos maiores que aqueles obtidos em comutação de circuitos. As taxas de transmissão variam entre e 5Kbps a 64kbps. Geralmente quanto mais baixa a taxa de transmissão mais complexa é a codificação. Para o IPv4 o cabeçalho RTP/UDP/IP é 40bytes. Um payload de 40bytes significaria 50% de eficiência do payload. A 64kbps, demoraria apenas 5ms para acumular 40bytes, mas a 8kbps iria demorar 40ms para os acumular. Um atraso de 40ms na formação de cada media é significativo e muitos sistemas VoIP usam taxas de transmissão de 16kbps (20ms para acumular os 40 bytes), apesar da baixa eficiência quando se utilizam codecs de baixa taxa de transmissão. Para uma conversação continua, a largura de banda requerida (BW), em kbps, é obtida através do tamanho do cabeçalho H(em bits), a taxa de transmissão do codec R(em kbps) e o tempo de formação do payload(em milisegundos): BW = R + H S (2.1) Existem algoritmos de compressão que melhoram a eficiência do payload. Os 40 bytes do cabeçalho RTP/UDP/IP podem ser comprimidos para 2-7 bytes. Tipicamente, cabeçalhos comprimidos são 4 bytes, incluindo 2 bytes para o checksum. Quanto menor a largura de banda, maior o atraso na formação da media e maior a complexidade da codificação. [1] Usando o mesmo exemplo da Alice e do Bob, depois de estabelecidos os parâmetros de configuração, enviar e receber dados é conceptualmente simples: consiste em dividir os dados em pequenos fragmentos e envia-los para o outro lado. Infelizmente, o TCP (assim como outros protocolos de stream sequenciais) não são protocolos otimizados para a transmissão de dados em tempo real devido à sua sequenciação e confirmação obrigatória dos dados. Por exemplo, se por algum motivo, a rede perde pacotes ou se os reordena em outra sequência, a aplicação vai detetar anomalias e pedir a retransmissão de dados. Este comportamento pode criar atrasos inaceitáveis. Na maioria dos ambientes VoIP, os dados são transmitidos em cima do protocolo UDP [8] [1], que fornece um serviço não fiável e receção desordenada dos datagramas. Os dados são

26 Capítulo 2. VoIP 8 também encapsulados com o cabeçalho RTP(Real-Time Transport Protocol) que fornece a informação necessária para o recetor fazer uma correta reprodução dos dados recebidos. Mais importante, o cabeçalho contem o número da sequência e o tempo de ocorrência, que permite ao recetor reconstruir a stream na sequência correta, mesmo na ocorrência de perdas ou no caso dos datagramas chegarem desordenados [9]. Pelo facto do RTP não ser um protocolo fiável, pacotes perdidos ou corrompidos não são retransmitidos, implicando interrupções ou lacunas na stream. O recetor pode tratar isto detetando as falhas e encobrindo os erros, por exemplo, reproduzindo a amostra anterior novamente. No entanto, pacotes reordenados ou atrasados não criam necessariamente falhas. As implementações de reordenação de pacotes são complicadas mas a ideia básica é simples: em vez de reproduzir as amostras à medida que chegam, armazenam-se num buffer os pacotes recebidos. O pacote a ser reproduzido está sempre um pouco atrás do pacote recebido mais recentemente. Se um pacote está atrasado ou é reordenado, desta forma ainda existe um certo intervalo de tempo em que pode ser recebido sem causar uma falha na reprodução da stream pois o recetor irá encaixa-lo no seu lugar dentro do buffer. Infelizmente qualquer buffer causa latência, isto significa que as implementações têm de acordar um tamanho de buffer (e, portanto, a latência dos dados) conforme a possibilidade de haver pacotes reordenados ou perdidos que causem falhas na receção 2.2 Protocolos de Sinalização de Chamada É chamada sinalização de chamada o processo envolvido no estabelecimento de chamada entre dois utilizadores. Para isso foram desenvolvidos vários protocolos, entre eles os usados no VoIP são o H.323, SIP, MGCP e Megaco/H.248. O H.323 e o SIP são protocolos de inicialização e controlo ligações fim-a-fim, enquanto que o MGCP e o Megaco são protocolos de inicialização e controlo em sistemas com a filosofia Master- Slave. O H.323 e Megaco são tipicamente utilizados para vídeo-conferências e chamadas telefónicas, porém são baseados num paradigma orientado à conexão. Em seguida é dada uma breve explicação do protocolo H.323 e do SIP, visto que são os que mais se identificam no seio desta dissertação Protocolo H.323 Sendo o protocolo H.323 pioneiro no VoIP [10], tem o objetivo de especificar sistemas VoIP e que não garantem Qualidade de Serviço (QoS). Além disso, estabelece padrões para codificação e descodificação de fluxos da media e vídeo, garantindo que produtos

27 Capítulo 2. VoIP 9 baseados no padrão H.323 de um fabricante é compatível com produtos H.323 de outros fabricantes. Este protocolo envolve várias entidades nas quais se destacam os terminais, os gateways e os gatekeepers e que podem ser integradas em computadores pessoais, routers ou dispositivos stand-alone. A função de um gateway é permitir a conversão(digital-analógico e vice versa ) e transcoding (conversão entre formatos) dos dados entre um dispositivo H.323 e um não H.323, como por exemplo, conversão, transmissão e procedimentos de sinalização entre um telefone ligado à rede de comutação de circuitos(pstn) e uma rede IP. Além disso, faz também compressão dos dados e é capaz de gerar e detetar sinais DTMF (Dual Tone Multiple Frequency). A entidade denominada como terminal divide-se em três universos: Uma entidade responsável pela sinalização e que faz o controlo da chamada através dos protocolos H e do H.245; Uma camada H que formata o áudio transmitido e coloca as streams em mensagens, recupera os fluxos de áudio das mensagens que tenham sido recebidas da interface de rede e executa a ordenação, sequenciação, deteção e correção de erros se apropriado; Um transcoder e também um compressor de dados. A entidade gatekeeper tem como caracteriza-se por controlar a admissão de chamadas e por efetuar a tradução de endereços. Então, vários gatekeepers podem-se comunicar uns com os outros para coordenar os seus serviços de controlo e além disso, as redes com gateways devem (mas não é obrigatório) ter gatekeepers para traduzir endereços E.164(tradicional número de telefone) em endereços de transporte, isto é, endereço IP e número de porta. Os gatekeeper são logicamente separados de todas as outras entidades, mas fisicamente, podem coexistir com um terminal, um gateway ou um proxy. Quando está presente numa rede VoIP, o gatekeeper fornece as seguintes funções: Tradução de endereços: o gatekeeper traduz números de telefone em endereços IP, através de tabelas de tradução que são atualizadas usando, por exemplo, mensagens de registo. Controlo de admissão: autoriza o acesso à rede usando mensagens H.225. O critério de admissão pode incluir autorização da chamada, largura de banda ou outras políticas

28 Capítulo 2. VoIP 10 Controlo de largura de banda: controla a quantidade da largura de banda que o terminal pode usar Gestão de zonas: um terminal pode apenas registar-se num gatekeeper de cada vez Todas as funções descritas acima são fornecidas aos terminais e gateways registados. Um gatekeeper pode ou não participar na sinalização de controlo da chamada. O H.323 tem ainda dois canais dedicados que são: Registo, Admissão e estado do canal: o canal RAS(Registration, Admission and Status) transporta mensagens no processo de registo de um terminal num gatekeeper que associa o numero telefónico num IP e porta que vai ser usado para sinalização de chamadas. O canal RAS é também usado para transmissão e admissão, alteração de largura de banda, estado e troca de mensagens entre os terminais e o gatekeeper. H recomenda timeouts e enviar novamente as mensagens RAS, uma vez que estas são transmitidas pelo protocolo UDP que é um protocolo não fiável; Canal de sinalização de chamada: transporta mensagens de controlo H usando o TCP, tornando-o num canal fiável. Os terminais e gatekeepers usam mensagens Q.931 (com TCP) para sinalização da chamada. No caso em que as redes não têm gatekeepers os terminais enviam a sinalização da chamada diretamente para o terminal pretendido, usando o Call Signaling Address, senão a primeira mensagem de admissão é enviada, através do canal RAS, para o gatekeeper no qual este lhe indica se deve mandar as mensagens de sinalização diretamente para o outro terminal ou se devem ser encaminhadas por ele. Na figura 2.2 está ilustrada o estabelecimento de uma chamada entre dois terminais onde não existe nenhum gatekeeper intermédio. Figura 2.2: Estabelecimento de uma chamada sem Gatekeeper

29 Capítulo 2. VoIP 11 O terminal 1 envia uma mensagem de setup para o terminal 2 no qual responde com uma mensagem de Call Proceeding, Alerting e por fim com a mensagem connect que contém o endereço para o canal no qual se vai efetuar o controlo da chamada. Na figura 2.3 está ilustrado o caso em que existe um gatekeeper na sinalização da chamada. Figura 2.3: Estabelecimento de uma chamada com Gatekeeper O primeiro passo que o gateway conectado ao terminal 1 faz é enviar ao gatekeeper uma mensagem de admissão (ARQ) no qual responde com uma confirmação (ACF). Depois, tal como no exemplo anterior, é enviada uma mensagem de setup que é encaminhada para o gateway em que o terminal 2 está ligado. Nesse gateway é também feito o processo de admissão e posteriormente, o gateway responde com um Alerting seguidamente com o Connect. Na figura 2.4 encontra-se uma figura com a arquitetura geral deste protocolo e a forma como as diferentes entidades se ligam entre elas.

30 Capítulo 2. VoIP 12 Figura 2.4: Arquitetura geral H Protocolo SIP O Session Initiation Protocol (SIP) é um protocolo de sinalização da camada de aplicação, normalizado pelo IETF. É utilizado para estabelecer, modificar ou terminar sessões entre um ou vários participantes [5]. Atualmente é um dos protocolos mais utilizados para a implementação de serviços de voz sobre IP (VoIP) na Internet e também para o estabelecimento de conferências multimédia. O SIP não especifica quais os tipos de sessões para os quais pode ser utilizado, sendo apenas responsável pela sua gestão. Para tal, o SIP oferece funcionalidades que permitem o registo, autenticação e localização de utilizadores. Permite também que os terminais de uma sessão negoceiem entre si os tipos de dados multimédia a utilizar, assim como permite a alteração de parâmetros de uma sessão já estabelecida enquanto esta decorre. O protocolo foi desenvolvido utilizando um modelo de pedido e resposta idêntico ao utilizado no protocolo HTTP, onde cada mensagem enviada invoca uma determinada ação do lado do servidor, gerando este pelo menos uma mensagem de resposta. Componentes Principais É designado por User Agent(UA) SIP qualquer dispositivo terminal que execute uma aplicação baseada em SIP, sendo que um UA pode ser um cliente ou um servidor. O cliente, User Agent Client (UAC) gera pedidos, para por exemplo estabelecer uma sessão com um outro UA, enquanto que o servidor User Agent Server (UAS) recebe e responde a pedidos. O UAC para além de gerar pedidos, é também responsável por processar as mensagens de resposta ao pedido efetuado. Para além do UA, o protocolo SIP define outros componentes importantes, tais como: Servidor Proxy - É um servidor intermediário, que tem como tarefa principal encaminhar as mensagens para o destino, ou para um outro servidor mais próximo

31 Capítulo 2. VoIP 13 do destinatário da mensagem. Para além do encaminhamento, um Proxy pode ser utilizado para aplicar políticas, como por exemplo, verificar se o utilizador pode efetuar a chamada. Servidor de Redirecionamento - É um servidor (UAS) que recebe pedidos para a localização de um UA, recorrendo a mensagens de redirecionamento, com URI s alternativos que devem ser contactados para a localização do UA. Servidor de Registo - É um servidor responsável por aceitar mensagens de registo, do tipo REGISTER, guardando a informação que recebe no serviço de localização do domínio a que pertence. Servidor de Localização - O servidor de localização contêm uma lista na qual aos endereços (AoR) são associados zero ou mais endereços de contacto. Este servidor é utilizado pelos servidores de redirecionamento ou proxies para obter informação sobre a localização dos UA. Back-to-back User Agent (B2BUA) - Um back-to-back user agent (B2BUA) é uma entidade lógica que atua como um cliente (UAC) e como um servidor (UAS) em simultâneo. Ao receber pedidos, este atua como um servidor (UAS) de modo a processar o pedido recebido assim como para gerar a mensagem de resposta. Atua como cliente (UAC) quando necessita de gerar pedidos. Contrariamente a um servidor proxy, um B2BUA participa ativamente na troca de mensagens dos diálogos que estabeleceu. Os componentes descritos anteriormente são componentes lógicos, sendo possível que uma aplicação combine um ou vários destes componentes. É habitual combinar os servidores de localização, de registo e de proxy numa única aplicação SIP. A figura 2.5 representa um exemplo que ilustra as entidades SIP envolvidas no registo de um utilizador e na sua localização. Neste exemplo, o utilizador carol envia um pedido de registo para o servidor de registo do seu domínio (chicago.com), informando-o que se encontra disponível para contacto no endereço cube2214a.chicago.com. O servidor de registo valida o pedido e armazena a informação no servidor de localização. De seguida, o utilizador bob decide contactar o utilizador carol. Para tal, e uma vez que o bob não possuí informação sobre o endereço no qual o utilizador carol está localizado, conhecendo apenas o seu endereço SIP chicago.com), necessita de enviar a sua mensagem do tipo INVITE para o servidor proxy do domínio do utilizador carol. O servidor proxy por sua vez, contacta o servidor de localização do seu domínio, de modo a obter um endereço no qual o destinatário pode ser contactado. Neste caso, recebe como resposta o endereço de contacto que o utilizador

32 Capítulo 2. VoIP 14 Figura 2.5: Exemplo de registo e localização de um UA carol tinha registado anteriormente quando efetuou o seu registo. Uma vez possuindo um endereço no qual o destinatário pode ser contactado, o servidor de proxy, reenvia a mensagem do tipo INVITE para o endereço de contacto do destinatário. As mensagens SIP são complicadas mas a informação mais importante contida no IN- VITE é: O URI do destinatário O call-id que identifica a chamada Os parâmetros de configuração da chamada. Por exemplo, Bob pode indicar que quer estabelecer a chamada apenas com um canal de áudio. Esta troca de parâmetros é efetuada através do protocolo SDP (Session Description Protocol) [5]. O SDP contém o endereço IP no qual Carol vai estar a receber os dados, como por exemplo, na porta e os codecs que irá usar (G.729 ou G.711). Quando um deles desligar o telefone é enviada uma mensagem BYE para o servidor indicar o fim de conexão. Eventos SIP Existem vários tipos de eventos que são referentes ao pedido efetuado pelo utilizador. As mensagens referentes a pedidos, diferenciam-se pelo facto de que a sua primeira linha contêm informação relativamente ao pedido a efetuar, estando definidos na especificação do protocolo os seguintes tipos de pedidos:

33 Capítulo 2. VoIP 15 REGISTER - Este tipo de pedido é utilizado para um utilizador registar informação relativamente à forma como pode ser contactado. INVITE, ACK e CANCEL - Estes tipos de pedidos são utilizados para estabelecer sessões entre utilizadores SIP. BYE - Utilizado para terminar sessões SIP. OPTIONS - Serve para obter informações sobre as funcionalidades disponíveis de um servidor Como resposta a esses eventos foram especificados seis tipos de classes, onde cada uma delas representa um conjunto de respostas do mesmo tipo. O primeiro digito representa a classe associada ao código, então as classes são: Provisório (1xx) - O pedido foi recebido, mas ainda não há uma resposta; Sucesso (2xx) - O pedido enviado foi recebido, processado e aceite; Redirecionamento (3xx) - O pedido tem de ser redirecionado; Erro no Cliente (4xx) - O servidor não consegue processar a mensagem, esta pode ter erros sintáticos ou o servidor não pode satisfazer os requisitos; Erro no Servidor (5xx) - O servidor não consegue processar a mensagem, apesar de não ter detetado qualquer erro na mensagem; Falha Geral (6xx) - O pedido não pode ser satisfeito em nenhum servidor.

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35 Capítulo 3 Redes Peer-To-Peer As redes P2P caracterizam-se por serem distribuídas. Os nós (peers) que a constituem formam uma rede sobreposta designada de rede overlay (ou apenas overlay) na qual todos eles devem cooperar entre si. Os peers do overlay devem disponibilizar parte dos seus recursos, como poder de processamento e/ou armazenamento, de forma a que em conjunto possam fornecer um determinado serviço. Cada peer desempenha funções de cliente e de servidor, contrariamente ao modelo tradicional cliente-servidor em que os servidores são utilizados para disponibilizarem serviços e onde os clientes atuam apenas como consumidores, atuando apenas para seu próprio benefício. Um peer de uma rede p2p deve atuar das duas formas: como cliente quando pretende usufruir de uma funcionalidade oferecida pelo overlay, e também como servidor, quando necessita de suportar operações para o benefício da rede, por exemplo, no encaminhamento de mensagens entre os nós, ou no armazenamento de informação do overlay. Apesar das funcionalidades que uma rede P2P deve implementar dependerem do tipo de serviço para o qual a rede será utilizada, existe pelo menos uma funcionalidade ou mecanismo, comum a qualquer tipo de serviço, que é a localização de nós da rede (peer discovery). É necessário que exista um mecanismo para a localização de nós na rede, de modo a que um novo peer possa localizar um ou vários peers pertencentes à rede para que ele se possa juntar à rede P2P. Existem diversos mecanismos para a localização de peers, sendo que habitualmente são utilizados mecanismos centralizados. Uma das técnicas mais utilizadas recorre a servidores de arranque denominados de bootstrap servers cuja função é disponibilizar um conjunto de endereços IP pertencentes a nós do overlay que podem estar disponíveis para receber o novo nó que deseja juntar-se ao overlay. Para além da localização de peers na rede, uma rede P2P implementa algumas das seguintes funcionalidades [11]: 16

36 Capítulo 3. Redes Peer-To-Peer 17 Indexação de dados - os recursos de dados armazenados no overlay, devem ser indexados de alguma forma, devendo existir um mecanismo responsável pela indexação dos recursos de dados da rede; Armazenamento de dados - funções de armazenamento, assim como de obtenção de dados guardados no overlay; Processamentos de dados - dependendo do tipo de serviço os peers do overlay podem colaborar no processamento de dados; Encaminhamento de Mensagens - responsável pelo encaminhamento de mensagens entre os nós da rede. Apesar de uma rede P2P se caracterizar pela sua natureza distribuída, algumas das suas funcionalidades podem ser implementadas recorrendo a soluções centralizadas, como por exemplo a indexação dos conteúdos de dados. Contudo, a utilização de servidores centralizados pode trazer alguns problemas, por exemplo problemas de escala e tolerância a falhas, o que dependendo do tipo de aplicação que se pretende poderá ser um problema. Uma rede P2P pode ser classificada pela forma como os dados armazenados são indexados [3], podendo estes ser indexados de uma forma centralizada, localmente, ou de uma forma distribuída. Numa estratégia de indexação centralizada, um servidor central possui referências para todos os conteúdos de dados disponibilizados por todos os nós do overlay. Com uma estratégia de indexação local, cada peer referencia apenas os seus conteúdos de dados, não possuindo qualquer conhecimento sobre os conteúdos de outros peers. Esta estratégia é utilizada por diversos protocolos P2P.Numa estratégia distribuída, as referências para os conteúdos de dados estão distribuídas em vários peers do overlay. Exemplos de protocolos P2P que utilizam esta estratégia são os protocolos baseados em DHTs (Distributed Hash Table. A forma como os dados são indexados e o modo como os peers são posicionados no overlay, leva a que as redes de overlay sejam classificadas de duas formas distintas, não estruturadas e estruturadas [3] [11]. 3.1 Overlays não estruturados Neste tipo de rede os peers são posicionados de uma forma aleatória no overlay, formando uma topologia que habitualmente tem um ou dois níveis hierárquicos [11]. Numa topologia plana, sem hierarquia, os peers que formam o overlay estabelecem ligações com outros peers de uma forma aleatória, tendo todos eles igual importância na rede e desempenhando as mesmas funções. Numa topologia com uma hierarquia de dois níveis, existe

37 Capítulo 3. Redes Peer-To-Peer 18 uma distinção entre os peers do overlay, existindo dois tipos de peers, denominados de super-peers e peers. Um super-peer é eleito pela rede, normalmente pelo facto de ter mais recursos e/ou por estar mais tempo disponível comparativamente com a maioria dos restantes peers, podendo obviamente o processo de eleição derivar de outros parâmetros que não os aqui referidos. Neste tipo de overlay hierárquico com super-peers, a topologia da rede é dividida em dois níveis. Um nível no qual os peers possuem ligações apenas com super-peers, estabelecendo uma ou mais ligações, e um outro nível no qual os super-peers estabelecem ligações entre si, formando um overlay no qual só os super-peers participam. Uma vez que pelas suas características os super-peers possuírem uma maior importância na rede, são responsáveis pelo encaminhamento de mensagens no overlay, atuando como proxies em favor dos peers normais, devem encaminhar para outros super-peers as mensagens enviadas pelos peers normais. Para além do encaminhamento de mensagens, os super-peers mantêm um índice no qual estão referenciados os recursos de dados partilhados pelos peers com os quais possuem uma ligação. Numa rede P2P não estruturada, o mecanismo utilizado para a localização de recursos na rede, consiste habitualmente na utilização de técnicas de inundação (flooding) [3] [11]. De acordo com estas técnicas a rede é inundada com mensagens para a localização do recurso pretendido (queries), existindo um parâmetro (TTL(Time To Live)) que especifica o número máximo de saltos que uma mensagem pode dar. Desta forma limita-se a propagação excessiva de mensagens na rede. Este mecanismo de localização de recursos tem alguns problemas devido à grande quantidade de tráfego que pode ser gerado. Além disso, não permite garantir que um recurso que exista na rede seja encontrado, pois o recurso pode estar num peer ao qual as mensagens com a query não chegam devido ao número de saltos ter atingido o valor máximo. O flooding é um mecanismo considerado eficiente para a localização de recursos populares na rede, estando mais sujeito a falhar quando a popularidade do recurso pretendida é baixa. Este mecanismo quando utilizado numa topologia composta por peers e super-peers, é normalmente utilizado apenas no overlay formado pelos super-peers, uma vez que cada super-peer possui conhecimento sobre os recursos partilhados por cada um dos peers aos quais está ligado, o que faz com que não haja necessidade de os peers normais participarem neste processo. 3.2 Overlays estruturados Uma rede P2P estruturada caracteriza-se pelo facto de a sua topologia ser bem definida, na qual os peers são posicionados de uma forma controlada num anel lógico, e os recursos

38 Capítulo 3. Redes Peer-To-Peer 19 são posicionados de uma forma determinística no overlay tornando mais eficiente a sua localização. Este tipo de rede recorre a mecanismos baseados em DHTs para o posicionamento dos recursos no overlay. Numa DHT são atribuídos identificadores únicos aos peers da rede (NodeIDs), identificadores esses que podem ser utilizados para o overlay decidir onde o peer deverá ficar posicionado, assim como os peers com os quais este deve estabelecer ligações. A figura 3.1 mostra uma topologia em anel, representando uma DHT, na qual é possível verificar os identificadores de cada peer, e os identificadores de recursos que cada peer é responsável por gerir. Os recursos de dados são também identificados através de identificadores únicos denominados por chaves (keys), sendo que esses identificadores podem ser obtidos através de técnicas de hashing. Através do identificador de um recurso, o algoritmo DHT determina qual o peer que deve ficar responsável pelo seu armazenamento, escolhendo o peer com o identificador mais próximo do identificador do recurso a armazenar. De modo a tornar o sistema tolerante a falhas, alguns protocolos DHT utilizam técnicas de replicação de conteúdos nas quais os recursos são armazenados nos N peers com NodeID mais próximo da chave do recurso a armazenar. Para efetuar a localização de um determinado recurso na rede, cada peer possui uma tabela com os endereços IP e os respetivos identificadores (NodeID) de alguns peers vizinhos, devendo enviar uma mensagem de query para o peer da sua tabela que possui o identificador mais próximo da chave do recurso a localizar. Este processo é repetido até que o peer responsável pelo recurso pretendido é localizado. Em teoria, a localização de recursos em DHT requer em média O(log N) saltos, onde N é o número de peers do overlay P2P. 3.3 Trabalhos em curso no IETF O grupo de trabalho P2PSIP [4] foi criado pelo IETF com o objetivo de padronizar os protocolos necessários para se criar redes peer-to-peer. Esta necessidade de criar um protocolo padrão pretende resolver as incompatibilidades atualmente existentes entre protocolos utilizados por diferentes fabricantes. Existem vários drafts ativos, nomeadamente o protocolo RELOAD, propostas especificas para a descoberta de recursos e serviços na rede, a DHT utilizada, e várias extensões ao protocolo RELOAD que lhe permitem funções adicionais. Recentemente, em janeiro de 2014, o draft do RELOAD passou a RFC (RFC 6940) [12].

39 Capítulo 3. Redes Peer-To-Peer 20 Figura 3.1: Exemplo de rede de overlay estruturado Protocolo RELOAD O Resource LOcation And Discovery (RELOAD) é a proposta do IETF para a criação de um protocolo de sinalização flexível para ser utilizado com outros protocolos, desde que sejam semelhantes ao SIP, como por exemplo, o P2PSIP. O grupo de trabalho responsável por esta especificação é composto por alguns dos autores de propostas P2PSIP, como por exemplo o dsip [13] e o P2PP [14]. Contrariamente a outras propostas, como o dsip, este protocolo não utiliza mensagens SIP na gestão do overlay, utilizando um novo protocolo. O protocolo utilizado na gestão do overlay, é um protocolo binário, desenvolvido para ser mais leve, permitindo melhorar o desempenho global, uma vez que o tamanho das mensagens é reduzido quando comparado com mensagens de texto como as SIP, o que reduz o tráfego no overlay [15]. O RELOAD garante as seguintes funcionalidades, consideradas essenciais para um protocolo peer-to-peer na Internet: Segurança: como a rede peer-to-peer pode ser formada por peers que originalmente não possuem nenhuma relação de confiança, o RELOAD define a existência de um servidor central para providenciar as credenciais necessárias para cada peer, assim cada operação que for feita na rede poderá usar mecanismos de segurança, como autenticação e outros; Flexibilidade: o RELOAD foi desenhado para suporta várias aplicações diferentes, principalmente comunicações multimédia que utilizam o SIP. A flexibilidade advém

40 Capítulo 3. Redes Peer-To-Peer 21 de ser possível que cada aplicação crie seus próprios tipos de dados e regras para o seu uso; NAT: o RELOAD está preparado para funcionar em ambientes onde muitos, ou mesmo todos, os nós estão por trás de firewalls a usar NAT. O protocolo inclui diversos mecanismos de NAT-T, nomeadamente o ICE(Interactive Connectivity Establishment) [16], o TURN(Transversal Using Relays around NAT ) [17] e o STUN(Session Transversal Utilities for NAT ) [18]. Desempenho do Encaminhamento: o RELOAD foi definido com a preocupação em otimizar o encaminhamento, pois este é um ponto importante numa rede p2p, já que podem ser introduzidos atrasos de encaminhamento em cada nó, quer devido à largura de banda disponível, quer pela capacidade de processamento do hardware. Nesse sentido, as mensagens foram definidas com um cabeçalho simples de modo a minimizar os recursos necessários para o seu encaminhamento. Algoritmo de Overlay: o RELOAD define uma interface abstrata para permitir que seja simples adaptar outros algoritmos de encaminhamento no overlay, seja estruturada (DHT) ou não estruturada. Além disso, a implementação do Chord [19] é obrigatória, a fim de garantir a interoperabilidade. Suporte para Clientes: os clientes RELOAD diferem de peers RELOAD pelo facto que os clientes não armazenam informação nem participam ativamente para no overay, isto é, apenas tiram proveito das suas potencialidades, através dos peers, para localizar utilizadores, recursos, armazenar informação e para contactar outros peers e/ou clientes. Arquitectura A arquitetura do protocolo RELOAD divide-se em três camadas distintas, camada de aplicação, camada peer-to-peer ou camada RELOAD, e a camada de transporte. A camada RELOAD permite a utilização de diferentes protocolos ao nível da aplicação, e é responsável pela criação e gestão do overlay, permitindo também que o overlay possa utilizar qualquer algoritmo DHT. Contudo, a implementação do algoritmo Chord é obrigatória, pois este é o algoritmo DHT utilizado por omissão. Esta camada é composta pelos seguintes componentes, tal como ilustrada na figura 3.2: Message Transport - responsável pelo envio e recepção de mensagens. Storage - responsável pelo armazenamento de informação no overlay.

41 Capítulo 3. Redes Peer-To-Peer 22 Topology Plugin - responsável por implementar o algoritmo DHT a utilizar no overlay. Forwarding and Link ranagement - Armazena e implementa a tabela de encaminhamento, fornecendo serviços de encaminhamento de pacotes entre os nós. Figura 3.2: Arquitectura do Protocolo RELOAD [12] De acordo com a arquitetura representada na figura 3.2, uma aplicação VoIP, que utilize SIP pode utilizar o RELOAD para localizar outros peers no overlay, podendo também (opcionalmente) utilizar o overlay para estabelecer ligações entre os peers que se encontram protegidos por firewalls ou NATs, tirando partido dos mecanismos que o RELOAD implementa para ultrapassar esses problemas, nomeadamente o ICE, STUN e TURN, já referidos. Segurança Um protocolo peer-to-peer deve ter uma preocupação grande com a segurança para poder ter uma utilização mais alargada. Este é um dos aspetos positivos do RELOAD. Ele define a existência de um certificado para cada nó, que permite ao peer criar uma relação de confiança com os demais peers da rede [12]. São dois os modelos de geração de certificados utilizados. O primeiro é baseado num processo centralizado, que reserva um identificador único para cada nó, associando-lhe um par de chaves (publica e privada) e o respetivo certificado de chave publica. Neste caso, é necessário haver um servidor

42 Capítulo 3. Redes Peer-To-Peer 23 central, que seja confiável e possa garantir a autenticidade dos certificados. A segunda maneira, indicada para redes fechadas onde a segurança não é uma questão principal, é baseada em certificados auto-assinados. Neste modo, o próprio nó gera o seu Node- ID, nome de utilizador, as chaves e o seu próprio certificado. O certificado também é utilizado para verificar autenticidade das mensagens que passam no overlay. Além de certificados, o RELOAD permite que o controlo de acesso seja feito com chave prépartilhada utilizando o TLS-PSK (Transport Layer Security Pre-Shared Key) [20] e TLS-SRP (Transport Layer Security Secure Remote Password) [21]. O RELOAD garante a segurança nas comunicações em três níveis: Conexão: é garantido pelo uso do TLS (Transport Layer Security) ou DTLS (Datagram Transport Layer Security); Mensagem: toda mensagens devem ser assinadas digitalmente; Objeto: todos os objetos armazenados devem ser assinados. Com esses níveis de segurança, o RELOAD permite aos peers verificarem a origem e integridade dos dados recebidos. A confidencialidade das informações não é considerada requisito. Tipos de nós Além dos peers, que participam ativamente no overlay, o RELOAD, define nós clientes, que se conectam a rede peer-to-peer através de um peer e não participam do encaminhando das mensagens pela rede, nem fazem armazenamento de dados [22]. Estes nós clientes têm as mesmas responsabilidades quanto à segurança que os peers, necessitando também de certificados para fazerem parte da rede. Para facilitar a implementação, o protocolo que o cliente utiliza para se comunicar com o peer é o mesmo utilizado pelos peers para a comunicação no overlay. Existem alguns motivos que podem impedir um cliente de atuar na rede como peer, tais como: O cliente não possui conectividade suficiente, por exemplo, por estar atrás de um NAT ou não ter largura de banda suficiente. O cliente não possui recursos suficientes, como processamento, espaço de armazenamento ou até bateria. Pode haver algum outro critério específico do algoritmo utilizado, como por exemplo, limite para o número de peers.

43 Capítulo 3. Redes Peer-To-Peer 24 Localização e Junção ao Overlay Antes de um peer se juntar a uma rede P2PSIP, primeiramente deve obter um Node-ID, informação de configuração e opcionalmente um conjunto de credenciais. O Node-ID é um identificador único que identificará o peer dentro do overlay, enquanto que as credenciais servem para dar autorização ao peer para se juntar ao overlay. O protocolo RELOAD especifica o formato da informação de configuração e como esta pode ser obtida, assim como o Node-ID e as credenciais e como esta pode ser obtida através de um servidor de registo offline. Uma vez obtida a informação de configuração, o RELOAD especifica os mecanismos que permitem ao peer obter o endereço de multicast-bootstrap no ficheiro de configuração e localizar o bootstrap peer mandando uma mensagem em multicast para aquele endereço de grupo. Adicionalmente, o peer pode ter armazenado peers com quem já comunicou anteriormente e usar esses como bootstrap peers, ou pode ainda obter o endereço do bootstrap peer por qualquer outro mecanismo. A função do bootstrap peer é simplesmente encaminhar o peer que se quer juntar ao overlay para um peer, denominado por admitting peer, que o vai ajudar a juntar-se à rede. O admitting peer pode ser o vizinho do novo peer ou o próprio bootstrap peer de modo a estabelecer as ligações apropriadas que o tornem completamente funcional dentro da rede. Os detalhes de como este processo decorre depende da DHT usada no overlay. Nas várias etapas deste processo, podem ser pedidas ao novo peer as suas credenciais para verificar a sua autorização de junção ao overlay. Similarmente, os vários peers contactados podem ter de apresentar as suas credencias para que o novo peer possa verificar que se está a juntar ao overlay correto [15]. Estabelecimento de Sessões Multimédia Cada peer possui uma base de dados interna que tem como função armazenar recursos, que lhe são atribuídas pelo algoritmo DHT, dos contactos dos utilizadores ou qualquer outro serviço. Então, tendo como exemplo a figura 3.3, supondo que o utilizador com username A acabou de se juntar ao overlay, o algoritmo DHT definiu que o respetivo Resource Record (username do utilizador e respetivo identificador) deve ser armazenado no peer X. Para isso é usada uma mensagem do RELOAD denominada por store na qual transporta o Resource Record até ao peer destino. Quando o utilizador B deseja contactar A, vai procurar no overlay o Resource Record de A usando a mensagem RELOAD denominada por fetch. O peer que contem o Resource Record do utilizador A responde utilizando uma mensagem denominada por fetch-resp com a respetiva informação solicitada. No peer que se encontra o utilizador B, após obter o Resource

44 Capítulo 3. Redes Peer-To-Peer 25 Record do destinatário, faz a sinalização da chamada diretamente para o peer no qual se encontra o utilizador B, através de mensagens SIP [23]. As mensagens entre os peers A, B e X podem viajar através de peers intermédios ou até mesmo através de NAT. Figura 3.3: Exemplo de Registo e Procura de um Utilizador Resumindo, O RELOAD é usado unicamente para descoberta de peers, após isso as mensagens trocadas entre os peers são enviadas usando o protocolo SIP. Estrutura das Mensagens RELOAD As mensagens RELOAD estão estruturadas em 3 campos: Forwarding header, obrigatório em todas as mensagens, Message Content e Security block. Em cada mensagem, difere o conteúdo e o propósito, mas as partes que as constituem são sempre estas. A estrutura foi desenvolvida para satisfazer os requisitos de um protocolo do tipo pergunta/resposta. Destina-se a ser extensível, utilizando campos tais como o comprimento, o tipo e o valor para facilitar o processo de adição de novos campos. A interoperabilidade é também um fator chave, sendo por isso obrigatório a implementação de algumas partes da estrutura. A figura 3.4 ilustra as três partes da estrutura já mencionada. Figura 3.4: Estrutura das Mensagens RELOAD

45 Capítulo 3. Redes Peer-To-Peer 26 O Forwarding Header é usado para o encaminhamento das mensagens dentro do overlay e também permite que os peers as identifiquem como mensagens RELOAD. O Message Content é indiferente na perspetiva da camada de encaminhamento mas é interpretado por camadas superiores. No Security Block é onde se podem encontrar os certificados e as assinaturas nas mensagens. As assinaturas também são incluídas em algumas mensagens usadas para armazenar informação. Podem ser processadas sem fazer o parsing do conteúdo das mensagens. 3.4 VoIP em redes P2P Seguidamente serão apresentados três trabalhos desenvolvidos relacionados ao tema VoIP em Redes P2P. O primeiro trata-se de uma implementação de um software VoIP e testado em Bare PCs e PCs comuns em ligações ponto-a-ponto. O segundo trata-se de comunicação VoIP entre dispositivos móveis dentro de uma rede peer-to-peer local. Por último é apresentado uma proposta de um algoritmo para encontrar peers intermediários pertencentes a um pverlay, capazes de efetuar encaminhamento de chamadas VoIP A peer-to-peer Bare PC VoIP application Em [24] os autores apresentam os Bare PC num ambiente ponto-a-ponto. Bare PC são dispositivos em que não existe qualquer Sistema Operativo e as aplicações operam diretamente com o hardware. Estes são de particular interesse para a comunicação segura, fiável e eficiente comunicação ponto-a-ponto. Neste artigo os autores começam por apresentar a arquitetura dos Bare PC e as suas vantagens em utiliza-los em comunicações p2p. Em seguida apresentam uma aplicação VoIP, e presentam os resultados obtidos nas várias experiências realizadas, incluindo perda de pacotes, atraso, jitter, e MOS (Mean Opinion Score). Na computação em Bare PCs, as aplicações interagem diretamente com o hardware, evitando o Sistema Operativo como middleware. A sua arquitetura está ilustrada na figura 3.5. As convencionais camadas de computação são mapeadas num Application Object e este executa diretamente no hardware sem mais nenhuma intervenção de software ou firmware. Na figura 3.6 os autores ilustram os elementos envolvidos na emissão/receção de áudio na rede. O som é captado através de um microfone e é digitalizado com um ADC PCM de 16 bits e armazenado num buffer. Depois é amostrado t ms de voz do buffer que resulta 8t bytes de dados depois da compressão usando o codec G.711. Seguidamente

46 Capítulo 3. Redes Peer-To-Peer 27 Figura 3.5: Arquitetura Geral dos Bare PC [24] são adicionados os cabeçalhos RTP, UDP e IP à amostra retirada e envia-se para o send buffer. Feito isto a placa de rede envia o pacote de voz para a rede. Inversamente, um pacote de voz é armazenado no receive buffer pela placa de rede, são tratados os cabeçalhos RTP, UDP, IP e a media são enviados para o jitter buffer. Após a descodificação efetuada pelo G.711 Decoder, os dados são armazenados no speaker buffer e posteriormente reproduzidos. Os autores referem ainda que não implementaram mecanismos de supressão de silencio nem disfarce de perda de pacotes que resultaria num aumento de performance. Também, uma vez que os seus interesses eram numa comunicação peer-to-peer, não usaram o SIP para gestão da conexão. Para testarem a performance obtida pela aplicação VoIP os autores realizaram várias experiências no seu laboratório usando uma simples e isolada rede de teste. Para obtenção e medição foi usado um hub (em vez de um switch) para ligar os vários Bare PC e um sniffer passivo para monitorizar as chamadas. Cada Bare PC era um 2.4GHz Dell Optiplex GX260 com 512Mb de memória. Foi também usada uma ferramenta para calcular o MOS. Começaram por transferir a media entre 2 Bare PC com a aplicação VoIP e mediram a perda de pacotes, delay e o jitter para pacotes de voz de tamanho desde 10ms até 120ms. Como era o único tráfego a passar pela rede não houve perda de pacotes, tal como era esperado. Os resultados obtidos do delay e do jitter ficaram dentro do intervalo dado como aceitável para transmissão de voz. Depois foi substituído um dos Bare PC por um PC com Sistema Operativo Windows e voltaram a efetuar o mesmo teste. Neste teste o PC com Windows permite apenas um pacote de tamanho máximo até 60ms. Para chamadas numa só direção o intervalo máximo está muito próximo do tamanho dos dados, daí poder ser observada uma relação linear.se for considerado

47 Capítulo 3. Redes Peer-To-Peer 28 Figura 3.6: Componentes da Aplicação VoIP [24] tráfego em ambas as direções verifica-se que a variação dos Bare PC é menor que a do cliente Windows. Segundo os autores, os Bare PC são vantajosos devido à sua simplicidade e eficiência. Podem ser usados em comunicações ponto-a-ponto sem qualquer dependência de nenhum Sistema Operativo no qual os testes realizados o provaram. Ainda há trabalho a desenvolver pela frente, como por exemplo, questões de segurança e desenvolvimento de mecanismos para atravessar NATs e firewalls Mobile P2PSIP Em [25] os autores apresentam uma rede peer-to-peer que permitem estabelecimento se sessões multimédia de dispositivos móveis usando o SIP. Nesta arquitetura não existem qualquer tipo de servidores centrais e o ambiente de teste consiste no estabelecimento de chamadas VoIP dos dispositivos através da rede. Os autores começam por apresentar a arquitetura do sistema, os conceitos gerais do SIP e como é feita a descoberta de recursos dentro do overlay. Seguidamente apresentam alguns testes efetuados.

48 Capítulo 3. Redes Peer-To-Peer 29 Esta arquitetura permite estabelecimento de sessões multimédia entre membros do overlay usando o SIP. A arquitetura está representada na figura 3.7. Figura 3.7: Arquitetura Geral do overlay [25] Nesta arquitetura existem dois tipos de entidades que são os peers tal e qual como noutra rede p2p comum, com as mesmas funções e os clientes que se conectam aos peers para obter ou adicionar informação à rede. o SIP UA pode ser visto como um peer ou cliente e o software que os autores utilizaram deve estar instalado nestes dispositivos. Igualmente a outras implementações p2p, os dados são armazenados em DHT s e também são usados mecanismos de NAT-Transversal. Para efetuar os testes foram utilizados dois Nokia E61 e a DHT utilizada foi a opendht da PlanetLab. Os autores mediram a performance do sistema em dois cenários, o primeiro com ligação à rede por 3G e o outro por WLAN. O acesso por WLAN consistiu num access point que estava ligado diretamente à Internet. O serviço 3G foi fornecido por um operador Finlandês chamado Elisa. Para obterem os dados, usaram um software que tem a capacidade de medir os atrasos no registo, descoberta de endereços e estabelecimento de chamadas. Para contabilizar o total de dados transmitidos na rede foi usado o Ethereal que é um sniffer de rede tal como sucessor o Wireshark. As medições foram feitas através de 21 amostras obtidas de cada um dos parâmetros. Os autores concluem, baseado nos testes efetuados, tanto no registo como no estabelecimento de chamadas que o valor médio do atraso é bastante superior quando usado como ligação à rede o 3G. Verificam ainda que quando usada a rede 3G que existem picos nos atrasos e que apesar de não encontrarem uma explicação clara, apontam para duas explicações, o mecanismo de reconfiguração da DHT ou congestão na rede 3G.

49 Capítulo 3. Redes Peer-To-Peer ASAP: an AS-Aware Peer-Relay Protocol for High Quality VoIP Em [26] é apresentada uma solução para encaminhamento da media que garanta a qualidade requerida nas comunicações VoIP. O primeiro passo foi comprovarem que o encaminhamento de dados por nós intermédios é benéfico face ao encaminhamento direto entre os pontos fim a fim. Seguidamente, os autores estudaram como o skype faz o encaminhamento da media e como é feita a escolha dos nós intermédios, no qual detetaram várias falhas no algoritmo de escolha de nós intermédios. Com base no algoritmo de encaminhamento do skype os autores decidiram propor um mecanismo capaz de melhorar a qualidade das chamadas VoIP e a escalabilidade do sistema. Segundo os autores, o VoIP tem de cumprir certos requerimentos para ter qualidade da chamada. O primeiro requerimento apresentado é o MOS (Mean Opinion Score) que é uma métrica usada para avaliar a qualidade do discurso e que o seu valor varia entre 1 e 5. Neste contexto, o valor definido para o MOS é de 3.6, então, um MOS abaixo de 3.6 significa uma má qualidade de chamada. Outro fator é o OWD (One Way Delay), que o ITU (International Telecommunication Union) definiu, não deve exceder os 150ms. De forma a compararem o routing direto com o routing em nós intermédios, com o objetivo de verificar qual o melhor a cumprir a qualidade requerida para o VoIP, arquitetaram um ambiente de teste que consistiu em obter IPs, coletados do Gnutella, e um grande número de entradas das tabelas de routing BGP, obtidas através do RouteViews (www.routeviews.org) e do RIPERIS (http://www.ripe.net/data-tools/stats/ris/ris-rawdata). Dessas entradas obtidas das tabelas de routing BGP, os autores organizaram os IPs por prefixos e deduziram as conexões entre os vários Sistemas Autónomos. IPs com o mesmo prefixo foram agrupados no mesmo cluster. Ao cruzar os IPs obtidos do Gnutella com as entradas obtidas das tabelas de routing, dos endereços IP, coincidiram com 7171 prefixos e pertencentes a 1461 Sistemas Autónomos. Aleatoriamente, foi eleito um host de cada Sistema Autónomo como seu representante e foram feitas medições do RTT entre eles, diretamente e com encaminhamento feito em um nó intermédio, usando uma ferramenta denominada por King. Com encaminhamento direto, das 10 5 medições efetuadas, 10 3 verificou-se que o RTT é superior a 300ms e em 10 4 o RTT é superior a 200ms. Nas restantes medições foram obtidos RTTs menores que 200ms. Com encaminhamento num nó intermédio, 60 por cento dos valores obtido são menores que os valores obtidos no encaminhamento direto, nos quais a maioria teve um RTT inferior a 100ms. Assim, concluíram que o encaminhamento com um nó intermédio é benéfico.

50 Capítulo 3. Redes Peer-To-Peer 31 Os autores para testar o funcionamento do skype usaram uma ferramenta chamada WimDump para obter a media transmitida durante 14 sessões. Adicionalmente implementaram uma aplicação para analisar os dados obtidos. Após a analise concluíram que o skype tem várias limitações, nomeadamente: Elevada latência devido à inapropriada escolha dos nós intermédios - em duas das sessões verificaram que o RTT é superior a 350ms, então, significa que a qualidade dessas duas sessões é insatisfatória. Além disso, em uma outra sessão o RTT foi sensivelmente 250ms (que é inferior ao máximo definido) mas mesmo assim procurou e encontrou novos caminhos com RTT inferior, mas não fez uso deles. Concluíram ainda que o skype faz probes a nós sem nenhum conhecimento base da ligação, o que causa um grande número de probes na rede desnecessariamente; Múltiplos probes para nós pertencentes ao mesmo Sistema Autónomo - para cada sessão os autores usaram o traceroute num dos hosts da extremidade da ligação e verificaram que o skype não considera a topologia interna do Sistema Autónomo. Uma vez que um peer pertencente a um determinado Sistema Autónomo não consegue cumprir o requerimento de OWD inferior a 150ms, um outro peer pertencente ao mesmo Sistema Autónomo também não o vai cumprir uma vez que estes partilham a mesma ligação física. Nestes casos, efetuar probes para mais que um peer dentro de um Sistema Autónomo é desnecessário e provoca mais tráfego nas ligações; Tempo de estabilização de nós intermédios elevado - verificou-se que o skype faz demasiados probes para encontrar os nós intermédios ideais, o que provoca um tráfego elevado e grandes atrasos. Nos testes efetuados verificaram numa sessões que esta demorou 329 segundos (mais de 5 minutos) até estabilizar o melhor caminho. O tempo de estabilização pode ser elevado devido ao facto das várias trocas de nós intermédios ao inicio de cada sessão; Probes desnecessários - além das razões já mencionadas, ainda se verificou que em cada uma das sessões foram feitos mais de 20 probes até encontrar e estabilizar o caminho ideal. Ainda, em duas das sessões foram atingidos os máximos de 37 e 59 probes nos quais os seus RTTs foram de 355ms e 238ms, respetivamente. Mesmo após a estabilização, os testes mostraram que na maioria das 14 sessões, quando estas estabilizaram, continuaram a efetuar probes. Isto significa que as condições da rede estão em constantes mudanças. Identificadas as limitações do skype os autores propuseram uma solução denominada por ASAP e que tem como característica principal os nós terem conhecimentos do seu

51 Capítulo 3. Redes Peer-To-Peer 32 Sistema Autónomo e dos Sistemas Autónomos mais próximos. As entidades constituintes do ASAP são: Bootstrap - são hosts com um grande poder de processamento e que devem estar sempre ligados. Esta entidade tem a função de manter a informação sobre as topologias dos Sistemas Autónomos atualizadas, ter uma tabela com os prefixos dos IPs que pertencem a cada um dos Sistemas Autónomos e uma tabela com os prefixos dos IPs pertencentes a um determinado Sistema Autónomo, sendo que para identificar um Sistema Autónomo é utilizado um número (ASN). Quando recebe um pedido de um novo peer para se juntar à rede, o bootstrap extrai-lhe o prefixo do endereço IP, e é-lhe devolvido a informação de qual cluster pertence e qual o endereço IP do peer responsável por aquele cluster. O bootstrap também tem como função difundir a topologia pelos representantes dos Sistemas Autónomos quando solicitado. Além disso, no caso de algum problema com os representantes, o bootstrap tem como função eleger um ou vários novos representantes; Representantes - este tipo de peers devem ter um bom poder de processamento e que possua uma ligação com largura de banda elevada dento do Sistema Autónomo a que pertence. Esta entidade tem como funções saber quais os endereços IPs de todos os peers pertencentes ao seu cluster, periodicamente contactar o bootstrap a fim de obter a topologia do Sistema Autónomo atualizada, periodicamente executar uma função que tem como objetivo atualizar quais os clusters mais próximos e, por último, processar pedidos provenientes de clusters vizinhos; End hosts - hosts que efetuam e recebem chamadas. Estes têm como dever obter a informação para se juntar à rede, tornarem-se representantes do cluster a que pertence, se necessário, periodicamente informar o representante das suas capacidades (largura de banda, poder de processamento, tempo online e outra informação relevante) e por último, quando inicia uma chamada, executar uma função que tem como objetivo encontrar o melhor caminho para a media transitar. Na figura 3.8 estão representadas as várias entidades e respetivas interações. Como se pode verificar na imagem, estão representadas as trocas de mensagens desde a junção à rede do host h1 até à chamada entre o host h1 e o host h2. Quando o host h1 presente no cluster A se quer juntar à rede, envia um join ao bootstrap no qual lhe devolve o endereço IP do respetivo representante. Depois, contacta o representante e este devolve-lhe a lista de clusters mais próximos. Quando h1 inicia uma chamada VoIP com o host h2, presente no cluster B, h1 faz a medição do RTT da ligação direta entre eles e se verificar que é superior a 300ms, h1 contacta h2 a fim de saber quais os clusters mais

52 Capítulo 3. Redes Peer-To-Peer 33 Figura 3.8: Arquitetura geral do ASAP [26] próximos do cluster B. Após cruzar os clusters presentes na lista enviada por h2 com os clusters presentes na lista local, é feita uma seleção do melhor cluster para encaminhar os dados, neste caso é o cluster C. Então, a media passam a ser encaminhados por um peer intermédio que nesta situação é o h3. Os autores após implementarem o ASAP arquitetaram um ambiente de teste de forma a comparar o desempenho do ASAP com outros mecanismos de procura de nós intermédios que efetuam o encaminhamento da media. Então, com as mesmas entradas das tabelas de routing BGP já referidas, foram obtidos Sistemas Autónomos, ligações entre eles e foram coletados pares de peers do Gnutella que representaram chamadas VoIP, das quais 1000 sessões tiveram na sua ligação direta um RTT superior a 300ms. Os métodos de procura de nós intermédios a que se comparou o ASAP foram denominados por DEDI que usa nós intermédios pré-definidos, RAND que escolhe aleatoriamente um peer, MIX que é uma combinação do DEDI e do RAND, e por último o OPT que escolhe sempre o peer intermédio com ligações de menor RTT. Esta escolha é feita offline, isto é, já conhece todos os RTTs de todas as ligações. Com os resultados obtidos verificou-se que usando o DEDI, RAND e o MIX todas as sessões encontraram mais de 500 caminhos alternativos enquanto que com o ASAP, 90 por cento das sessões conseguiram encontrar mais de 10 4 caminhos alternativos. Quanto ao RTT verificou-se que os resultados obtidos pelo ASAP estão muito próximos do OPT (que são os caminhos ótimos) e nos quais os RTTs são inferiores a 115ms, enquanto que no DEDI, RAND e MIX mais de 5 por cento das sessões tem, como melhor RTT, valores acima de 1 segundo.

53 Capítulo 3. Redes Peer-To-Peer 34 Os autores concluem que o desempenho do ASAP se mostrou altamente eficiente e escalável, no qual o seu desempenho se encontra muito perto de um algoritmo de seleção ótima.

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55 Capítulo 4 Aplicação VoIP na Rede P2P Um dos principais objetivos deste trabalho é o desenvolvimento e avaliação de uma aplicação VoIP que utilize uma rede P2P baseada totalmente em SIP que foi desenvolvida num trabalho anterior [6]. Assim, neste capitulo, começa-se por descrever a rede P2P e depois as principais decisões tomadas e respetiva justificação para o desenvolvimento da aplicação VoIP, que se dá pelo nome de P2PSIPVoIP. 4.1 Rede overlay base Para formar o overlay base, cada nó usa um protocolo especifico para se juntar aos outros nós. O protocolo P2PSIP usado na rede é o dsip [13] devido a ser um protocolo totalmente baseado no SIP e o que mais se identifica com o trabalho. O facto do dsip ser totalmente baseado em SIP é vantajoso pois o SIP é um protocolo simples, normalizado e com um bom desempenho. Além disso, o facto de ser um protocolo suportado por um grande número de dispositivos, permite a reutilização de stacks SIP implementadas, minimizando assim o número de protocolos que um peer precisa suportar. Um outro aspeto positivo do SIP é que sendo tráfego conhecido, pode atravessar as firewalls sem ser bloqueado, tal como o HTTP. Uma vez formado o overlay, este é utilizado para armazenar e localizar recursos, oferecendo de uma forma distribuída, os serviços que habitualmente um Servidor de Registo e Localização oferece numa arquitetura SIP tradicional. Os recursos armazenados pelo overlay são compostos por um par chave/valor, onde a chave é o identificador do recurso. No contexto deste trabalho, a chave de um recurso é o endereço SIP do utilizador, e o valor é o endereço IP e porta de contacto. 35

56 Capítulo 4. Aplicação VoIP na Rede P2P 36 O protocolo dsip impõe restrições aos algoritmos DHT e define que pelo menos o algoritmo Chord [19] deve ser implementado. Contudo, na rede desenvolvida, para além da implementação obrigatória do Chord também está implementado o EpiChord [27], que é uma variante do Chord que pretende melhorar o desempenho geral do overlay. Na rede desenvolvida, ambos os algoritmos DHT utilizam como algoritmo de hashing o SHA-1 de 160 bits para gerar o hash dos identificadores dos peers e dos recursos. Nesta arquitetura foi implementada e considerada uma hierarquia em dois níveis, isto é, com dois tipo de peers. Num overlay P2P tradicional não hierarquizado, todos os peers possuem a mesma importância, participando ativamente nas tarefas de encaminhamento, armazenamento e localização de recursos disponibilizadas pelo overlay. Contudo, há casos em que atribuir a todos os peers a mesma importância pode não ser o mais desejável, quer por questões de segurança, quer pelo desempenho do overlay. Neste caso foi criada uma hierarquia com dois níveis em que no nível inferior se encontram os peers com menos capacidades e no nível superior os peers com mais capacidades. Peers com poucas capacidades têm algumas das seguintes características: Ligação à rede de menor qualidade (tráfego limitado, menor largura de banda, ou ligação com maior probabilidade de perda de pacotes); Pouco tempo de permanência no overlay, podendo gerar muito tráfego de manutenção do overlay (transferência de recursos, atualizações das tabelas..); Recursos limitados em termos de hardware (CPU, memória, bateria, etc) Estes peers com poucas capacidades foram designados por Clientes já que não fazem parte efetivamente do overlay, ou seja, não participam em qualquer função de encaminhamento ou armazenamento de recursos, contudo, podem utilizar os serviços disponibilizados por ele. Para isso basta ligarem-se a pelo menos um peer que integra o overlay, enviando para este os seus pedidos para armazenar ou localizar recursos. Desta forma, um cliente atua sempre para seu próprio beneficio, não recebendo mensagens que não são para si, nem tem a responsabilidade de armazenar dados, utilizando um peer pertencente ao overlay como intermediário para aceder aos serviços que este disponibiliza. Este é o nível inferior da hierarquia. O nível superior da hierarquia é constituído pelos dispositivos com mais capacidades e que são chamados de peers. São estes que formam efetivamente o overlay. Estes atuam como peers normais, armazenando recursos e encaminhando mensagens entre si. A única alteração que é necessário efetuar nos peers, é adicionar suporte para clientes. Isto é, permitir que os peers possam receber do exterior do overlay, mensagens para localizar ou armazenar recursos no overlay. Sempre que é recebido de um cliente um pedido

57 Capítulo 4. Aplicação VoIP na Rede P2P 37 este executa-o como se fosse seu, não havendo necessidade de efetuar alterações nos algoritmos DHT. Na rede implementada, um dispositivo que se conecte como cliente, será sempre cliente e um peer será sempre um peer, isto é, não há promoção/despromoção dos dispositivos na hierarquia do overlay. A promoção e despromoção dinâmica está planeada para trabalho futuro. Quanto ao tipo de mensagens utilizadas pelo dsip são mensagens SIP tradicionais com a adição de dois novos cabeçalhos necessários para o transporte de informação relevante para a gestão do overlay. Visto que existe uma hierarquia de dois níveis foi necessário especificar os tipos de mensagens que os clientes devem utilizar para comunicar com os peers, isto porque no dsip não existe distinção entre os vários peers. Para simplificar o processo de comunicação entre os níveis da hierarquia, foi adicionado um cabeçalho identificador do Cliente e este baseia-se no cabeçalho identificador do peer. Desta forma os peers conseguem identificar o Cliente que originou uma determinada mensagem. Na rede desenvolvida todos os pedidos efetuados são do tipo REGISTER e as respostas são dadas através de códigos com significados diferentes: REDIRECT, quando uma mensagem deve ser redirecionada para outro peer, NOT FOUND, quando o peer ou recurso não foi encontrado, e OK quando o pedido foi efetuado com sucesso. Existem vários tipos de mensagens P2PSIP, onde cada tipo de mensagem se diferencia nos cabeçalhos. Assim sendo os tipos de mensagens utilizadas na comunicação entre peers e cliente-peers são as seguintes: Peer Register - registo de um peer no overlay Peer Query - procura de um peer no overlay Peer Leave - saída de um peer do overlay Resource Register - registo de um recurso no overlay Resource Query - procura de um recurso no overlay Resource Remove - remoção de um recurso do overlay Client Register - registo de um cliente no overlay Client Leave - saída de um cliente do overlay Client Resource Register - registo de um recurso proveniente de um cliente no overlay Client Resource Remove - remoção de um recurso proveniente de um cliente do overlay

58 Capítulo 4. Aplicação VoIP na Rede P2P 38 Client Resource Query - pedido de um cliente para procura de um recurso no overlay Estas mensagens possuem formatos idênticos, tendo que o que as distingue é um parâmetro que determina qual o seu tipo. 4.2 Aplicação VoIP Antes da implementação da aplicação VoIP foi necessário adicionar funcionalidades ao overlay para dar suporte à sinalização da chamada entre peers. Para isso foram adicionados três novos tipos de mensagens: Peer Invite - envio de um INVITE para o peer a contactar Peer Ack - envio do ACK após receber confirmação positiva do peer a contactar. Peer Bye - mensagem de sinalização de fim de chamada originado por qualquer um dos peers da chamada. Após adicionar estas funcionalidades foram estudadas três alternativas na implementação do P2PSIPVoIP. Numa primeira implementação foi utilizado o overlay apenas para a descoberta de recursos, isto é, apenas para saber qual o IP e porta no qual o agente SIP destinatário se encontra. A sinalização da chamada e transmissão dos dados são efetuados diretamente pela rede física (fora do overlay). A vantagem desta solução é o facto dos peers não precisarem de nenhum algoritmo de procura de um peer, ou vários, que lhe reencaminhem os dados, o que torna a aplicação mais leve. As desvantagens é a dificuldade em atravessar NATs e firewalls, o fraco desempenho quando há um elevado tráfego na ligação direta 1, não tirando assim partido do overlay. Na figura 4.1 está ilustrado um exemplo desta solução, onde o host1 comunica com o host2. Os hosts (host 1 e host 2) começam por se registar no overlay. O registo destes no overlay está ilustrado como um Put, no qual leva o URI e IP-porta no qual o seu agente SIP está ativo. Posteriormente, o host1 faz um Get para saber qual o IP-porta do agente SIP do destinatário, dado o seu URI. Após obter a resposta trata de enviar um INVITE para o host2 que este aceita e a transmissão de dados é feita diretamente entre eles. Na figura é o host1 que origina o BYE que indica fim de chamada mas pode ser qualquer um dos peers a faze-lo. 1 ligação direta significa que a media transita por fora do overlay

59 Capítulo 4. Aplicação VoIP na Rede P2P 39 Figura 4.1: Exemplo do funcionamento da aplicação VoIP sem reencaminhamento Na segunda implementação, o overlay não foi apenas utilizado para descoberta de recursos mas também para reencaminhar a media por um peer intermédio. Nesta solução o peer emissor deve ter a noção se a ligação direta está congestionada ou não e tomar a decisão por onde envia os dados. O peer intermédio vai apenas reencaminhar os dados de uma forma simples para o destinatário como vai ser explicado mais à frente. A vantagem desta solução é o facto de encontrar um caminho alternativo para a transmissão dos dados quando a ligação direta está congestionada e o facto de aproveitar o overlay para atravessar NATs e firewalls. Em contra ponto, a aplicação tem como processamento adicional descobrir um peer intermédio e tomar a decisão se deve mandar os dados diretamente para o recetor ou para o peer intermédio. Na figura 4.2 está ilustrado um diagrama de sequência que exemplifica esta implementação. O registo dos peers está ilustrado como um Put, o qual contem o URI e IP-porta do agente SIP de cada um. Após se registarem, o host1 faz um Get com o URI do host2 com o objetivo de descobrir qual o IP-porta para enviar o INVITE, que segue pela ligação direta tal como na implementação anterior. Após o host2 aceitar a chamada e admitindo que a ligação direta está congestionada, os dados são encaminhados por um peer denominado por host3. Este peer intermédio está ilustrado na figura como sendo o mesmo encaminhador em ambas as direções mas cada um dos hosts poder usar um peer diferente como intermediário. No exemplo é o host1 que envia a mensagem BYE para sinalizar o fim de chamada mas pode ser qualquer um dos peers a faze-lo. A terceira implementação é muito semelhante à segunda, com a diferença que nesta o número máximo de peers intermédios a ser utilizado é definido pelo utilizador. Esta

60 Capítulo 4. Aplicação VoIP na Rede P2P 40 Figura 4.2: Exemplo do funcionamento da aplicação VoIP com um peer intermédio solução não restringe o algoritmo a um só salto, tornando assim maiores as hipóteses dos dados chegarem ao recetor quando existe um grande congestionamento na ligação direta, bem como nas ligações vizinhas. A desvantagem desta solução é o facto de obrigar os peers intermédios a manterem em cache uma tabela de encaminhamento tal como vai ser explicado mais à frente. Além disso, a procura de peers para reencaminhar os dados vai gerar mais tráfego no overlay. Na figura 4.3 está ilustrado um diagrama de sequência que exemplifica esta implementação. O registo dos peers está ilustrado como um Put tal como nos exemplos anteriores. Após se registarem, o host1 faz um Get com o URI do host2 com o objetivo de descobrir qual o IP-porta. Nesta solução a sinalização da chamada também é feita pelo caminho direto entre ambos os hosts. Após o host2 aceitar a chamada e admitindo que a ligação direta está congestionada, os dados são encaminhados, neste caso, por dois peers que são o host3 e o host4. Estes peers intermédios estão ilustrados na figura como sendo os mesmos encaminhadores em ambas as direções mas não implica que tem de ser obrigatoriamente os mesmos, podem ser estes dois numa das direções e quaisquer outros não representados na figura na direção oposta. No exemplo é o host1 que envia a mensagem BYE para sinalizar o fim de chamada mas pode ser qualquer um dos peers a faze-lo.

61 Capítulo 4. Aplicação VoIP na Rede P2P 41 Figura 4.3: Exemplo do funcionamento da aplicação VoIP com n peers intermédios 4.3 Encaminhamento de dados Como já referido o encaminhamento de dados pelos peers do overlay tem vantagens tais como atravessar NATs e firewalls, oportunidade de caminhos alternativos desde o emissor até ao recetor e um melhor desempenho. A ideia geral é o peer emissor sabendo que a ligação direta está congestionada, poder optar por caminhos alternativos através de um ou mais peers que façam chegar os dados até ao recetor. No entanto, existem vários requisitos mínimos que têm de ser cumpridos para ter um QoS mínimo. A titulo de exemplo refira-se o atraso na ligação fim-a-fim entre o emissor-recetor não exceder os 150ms [26]. Na figura 4.4 está ilustrado um exemplo de uma topologia de rede em que os dispositivos sombreados a cinzento pertencem a um overlay (não sendo a sua estrutura importante para este caso). Supondo que há uma chamada de voz a decorrer entre o dispositivo n5 e n11, no protocolo de encaminhamento da rede física os dados são enviados pelo menor número de saltos até ao destino, neste caso, r2-r4 e r4-r2. Tal como representado na figura, o facto do OWD(One Way Delay) entre r2-r4 e vice-versa ser superior a 150ms leva a que se deva procurar um caminho alternativo para os dados transitarem. A fim de tornar possível o encaminhamento de dados, é necessário a adição de novas

62 Capítulo 4. Aplicação VoIP na Rede P2P 42 Figura 4.4: Topologia de Rede Exemplo componentes, nomeadamente a interação com a cache DHT utilizada, medição da qualidade da chamada, criação de novas tabelas auxiliares e a sua atualização, criação de um algoritmo de encaminhamento e criação mensagens que mantenham atualizadas as tabelas e em complemento ao algoritmo de encaminhamento. O objetivo e enquadramento destas novas componentes é apresentado de seguida Interação com a cache DHT A cache DHT é uma tabela mantida em cada peer que forma o overlay e que contém uma série de peers conhecidos a fim de tornar o tempo de procura de recursos o menor possível [6]. Esta cache é dependente do algoritmo DHT em utilização (Chord ou Epichord). Como estão presentes nesta tabela uma série de peers conhecidos, a solução concebida utiliza esta cache para obter uma lista de peers vizinhos que sejam potenciais encaminhadores de media. No contexto desta solução, cada peer deve ter uma lista com peers vizinhos e potenciais reencaminhadores, sendo que é com auxilio desta cache que os IPs dos vizinhos são obtidos.

63 Capítulo 4. Aplicação VoIP na Rede P2P Tabelas utilizadas Cada peer possui uma lista de vizinhos que são potenciais reencaminhadores de mensagens sendo que a métrica para os validar e considerar é o RTT (Round Trip Time) que o peer tem para cada um deles. Em função disso foi criada uma tabela denominada como tabela de distancias, onde se armazenam o endereço IP de um determinado peer vizinho e respetivo RTT. Devido à necessidade da constante atualização de tais valores, foi criado um mecanismo de refrescamento que será devidamente discutido mais à frente, que requer o uso de uma tabela auxiliar. A esta tabela foi dado o nome de tabela de pedido de pings ou apenas tabela de pings. Os valores que esta armazena são o endereço IP destino e o timestamp inicial. Quando um peer recebe alguma mensagem sonda para o avaliar como potencial reencaminhador, este precisa de saber a qual endereço IP deve responder consoante o endereço IP destino. Com tal objetivo foi criada uma tabela de respostas que contem o IP destino pedido e o respetivo endereço do peer que lhe fez o pedido. Por ultimo, todos os peers possuem uma tabela para saber qual o próximo endereço IP a quem deve enviar os dados, que é denominada de tabela de encaminhamento. Os campos que esta tabela possui são o IP destino, endereço IP para qual são encaminhados os dados e o RTT total desde o emissor até ao recetor Na figura 4.5 estão representadas as tabelas auxiliares e necessárias que dão suporte ao reencaminhamento dos dados pelo overlay. Figura 4.5: Tabelas presentes nos peers

64 Capítulo 4. Aplicação VoIP na Rede P2P Tipo de mensagens Para dar suporte às funcionalidades do algoritmo de encaminhamento, fazer a medição da qualidade da chamada e manter a tabela de distâncias atualizada em cada um dos peers houve a necessidade de criar vários tipos de mensagens devidamente identificadas para cada um dos propósitos. A atualização do RTT para cada um dos peers vizinhos contidos na tabela de distancia é feita através da implementação de um mecanismo de pings. Assim sendo, para lhe dar suporte foram criados dois tipos de datagramas que estão representados nas figuras 4.6 e 4.7. O formato destes datagramas bem como o funcionamento do mecanismo de medição do RTT entre determinados peers será apresentado e detalhado numa secção mais à frente. Figura 4.6: Datagrama ping Figura 4.7: Datagrama echo O reencaminhamento de dados é necessário quando detetado uma má qualidade de chamada. O parâmetro usado para determinar a qualidade da chamada foi o OWD, sendo a medição feita com auxilio à media transmitida, portanto é o recetor que faz este cálculo. Deste modo, foi necessário incluir nos datagramas um cabeçalho adicional chamado Timestamp no qual vai contido o tempo em que o datagrama foi enviado pelo emissor, permitindo assim calcular o OWD, subtraindo o tempo de chegada do datagrama ao timestamp lá incluído. Além disso, para o reencaminhamento nos peers intermédios estes precisam saber qual o endereço do destinatário para enviar os dados para o próximo nó. Para resolver este problema foi criado um campo na mensagem chamado IPDestino o qual contem o endereço IP do peer final. O identificador deste tipo de datagramas é o V de voice e todo ele está ilustrado na figura 4.8. Figura 4.8: Datagrama voice É o recetor que faz a medição do OWD com auxilio do timestamp contido na media e caso este seja superior ao valor de referencia deve alertar o emissor de alguma forma.

65 Capítulo 4. Aplicação VoIP na Rede P2P 45 Consequentemente, foi construída uma mensagem no qual o seu identificador é o W de warning e que é o único campo deste datagrama, tal como se pode verificar na figura 4.9. Figura 4.9: Datagrama warning Quando o peer emissor recebe uma mensagem de warning significa que o recetor verificou que a qualidade da chamada não é suficiente, então deve procurar um caminho alternativo que satisfaça a condição em que o OWD seja inferior a 150ms. Assim sendo, o algoritmo de encaminhamento é despoletado e este tenta encontrar um vizinho por onde reencaminhar os dados, sendo necessário enviar-lhes uma mensagem para tal. Com este objetivo foi criada uma mensagem na qual contém o endereço IP destino do peer, o RTT acumulado até ao momento e o número de saltos máximo que esta mensagem pode efetuar. A utilização destes campos vai ser debatida posteriormente quando se falar do algoritmo. Estas mensagens chama-se probes e a sua estrutura está ilustrada na figura Figura 4.10: Datagrama Probe No ultimo cenário, caso um peer que tenha recebido um probe e consiga retransmitir os dados até ao recetor com um OWD total inferior ao valor referência, deve notificar o peer originador do pedido. Houve portanto a necessidade de criar um tipo de mensagem de resposta. No primeiro campo deste datagrama é incluído o identificador que neste caso é o R de response, no segundo campo vai o endereço IP do destinatário final e por ultimo o RTT total desde o peer emissor até ao peer recetor O formato desde datagrama está ilustrado na figura Figura 4.11: Datagrama Response Algoritmo de Encaminhamento O algoritmo é executado apenas após receção de um datagrama warning. O primeiro passo do algoritmo é o envio de probes para os vizinhos contidos na tabela de distância

66 Capítulo 4. Aplicação VoIP na Rede P2P 46 para quais o valor do RTT seja menor que 300ms (dobro do OWD máximo referenciado). Os peers vizinhos, ao receber mensagens de probe, verificam qual o seu RTT para o IP destino e, se esse RTT adicionado com o RTT acumulado incluído no probe for inferior a 300ms, este passa a ser candidato a próximo nó e notifica o emissor enviando uma mensagem do tipo response. Caso contrário repete o processo e envia probes para os seus vizinhos. Usando como exemplo a figura 4.4, como o OWD entre r2-r4 é superior a 150ms, o dispositivo n5 e n11 vão procurar um caminho alternativo para transmitir os dados. Supondo que o n11 conhece n8 como seu vizinho, manda-lhe um probe para testar a sua ligação direta a n5, com um RTT acumulado 60ms. Em n8, uma vez recebido o probe, este verifica que o RTT até n5 é de 40ms. Como a soma desse RTT com o RTT acumulado é de 100ms que é inferior ao RTT referência de 300ms. n8 notifica n11 que é um possível próximo nó intermédio. Contudo não precisa de adicionar uma nova entrada à tabela de encaminhamento visto que o endereço IP do destinatário final coincide com o endereço IP do próximo nó. Nesses casos os peers intermédios não precisam de atualizar a tabela de encaminhamento. Este exemplo ilustra a segunda implementação do VoIP discutida anteriormente em que existe apenas um peer intermédio. Este cenário em que os peers não precisam de nenhuma tabela de encaminhamento acontece se e só se o número máximo de vizinhos que os probes atinjam seja exatamente igual a um. Supondo agora que o RTT entre r2-r3 é de 250ms e que n8 conhece n2 como seu vizinho. o peer n8 quando faz a soma dos 250ms com o acumulado de 60ms obtém 310ms, que não obedece à condição. Por outro lado verifica que o seu RTT até n2 é de 100ms e que este RTT mais o RTT acumulado é de 160ms, logo envia um probe a n2 nas mesmas condições que n11 enviou a n8, diferindo no RTT acumulado que agora é 160ms. Após o probe ser recebido em n2, este verifica que o seu RTT até n5 é 20ms e que somando com os 160ms acumulados faz um total de 180ms. Como o valor obtido está dentro da condição estabelecida, n2 adiciona uma nova entrada à sua tabela de encaminhamento e envia uma resposta para n8, que por sua vez repete o mesmo procedimento. Nesta situação, os dados de n11 para n5 vão por n11-n8-n2-n5. Em n5 o algoritmo é aplicado de forma idêntica. Este cenário exemplifica a terceira implementação do VoIP discutida anteriormente Algoritmo de medição do RTT Em face do algoritmo de encaminhamento apresentado surgiu a necessidade de fazer a medição do RTT em duas situações distintas. Uma delas é a necessidade da constante

67 Capítulo 4. Aplicação VoIP na Rede P2P 47 atualização da tabela de distâncias e para isso foi criada uma tabela e dois tipos de mensagens que auxiliam este cálculo tal como apresentado anteriormente. Então, o primeiro passo é enviar uma mensagem ping para todos os peers contidos na lista de vizinhos, sequencialmente, armazenando na tabela de pings qual o seu endereço IP e respetivo timestamps do instante em que essa mensagem foi enviada. Os vizinhos, quando recebem um ping, devem criar uma mensagem de echo, adicionar-lhe o timestamp correspondente ao tempo da sua criação e envia-la para o endereço que originou o pedido. Quando recebida uma mensagem de echo o peer verifica qual o IP que originou esse datagrama e vai à tabela de pings procurar uma correspondência e caso esse endereço coincida com alguma entrada, é extraído o timestamp da mensagem e subtraído ao timestamp correspondente no endereço IP coincidente. Esta solução tem como característica principal não esperar qualquer resposta proveniente de cada um dos vizinhos, uma vez que estes podem ou não responder ou então demorar demasiado tempo a faze-lo, o que teria um impacto negativo, como por exemplo a existência de esperas intermináveis. Deste modo, uma vez que o mecanismo foi arquitetado desta forma foi denominado de stateless pings. A outra situação em que precisamos efetuar a medição do RTT é quando um peer recebe uma mensagem probe e este tem de saber qual a latência até ao peer destino requerido Neste cenário a tabela de pings não é utilizada uma vez que o algoritmo consistem em mandar um ping, armazenar localmente qual o timestamp, esperar pela mensagem de echo, retirar-lhe o timestamp e subtraí-lo ao guardado anteriormente. Este processo é feito n vezes para obter uma maior precisão. A este tipo de serviço chamamos-lhe stateful pings uma vez que o processo espera efetivamente as mensagens de echo. A distinção entre os stateless pings e os stateful pings é efetuada na mensagem ping no campo Tipo, sendo necessária para a implementação dos mecanismos apresentados. Decidiu-se efetuar a medição do RTT desta forma em vez de, por exemplo, utilizar uma biblioteca ICMP porque normalmente não é fácil a integração ICMP, em qualquer linguagem de programação, e além disso também porque os peers poderiam ou não aceitar este tipo de pedidos. O tipo de mensagens de ping e echo também poderiam ser estruturadas à custa do SIP tal como foram criadas as mensagens para a originar e manter o overlay. No entanto, dado que as mensagens SIP são muito maiores, gerando mais overhead no overlay, optou-se por criar mensagens de estrutura mais compacta para minimizar a probabilidade de congestionamento do overlay.

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69 Capítulo 5 Implementação Neste capítulo descreve-se a arquitetura e implementações desenvolvidas, onde o JAVA foi a linguagem de programação adotada. O capítulo começa por apresentar a arquitetura do software desenvolvido bem como as camadas que o constituem e debatidas as bibliotecas analisadas e justificação da adoção das preferidas. Posteriormente serão apresentadas as implementações das várias camadas constituintes do P2PSIPVoIP. 5.1 Arquitetura A arquitetura desenvolvida foi projetada de modo a que a mesma arquitetura fosse facilmente utilizável por várias aplicações e não apenas o VoIP. Deste modo, o sistema foi estruturado em dois grandes blocos em que um é o overlay, as suas funcionalidades e interação com o utilizador. Um outro que é a comunicação, transmissão e reencaminhamento de dados entre peers. Posto isto, o desenho da arquitetura foi dividida em várias camadas, hierarquicamente posicionadas, em ambos os casos. Na figura 5.1 estão ilustradas todas as camadas constituintes do overlay e da aplicação VoIP desenvolvida Camadas referentes ao overlay Camada Aplicação Camada de interação com o utilizador. Nesta camada foi onde se implementou o interface gráfico que interage com o utilizador. Então, através desta camada o utilizador pode configurar os seus parâmetros, como por exemplo, qual o seu username, qual DHT utilizar ou a qual overlay se quer juntar. Além disso, é aqui que se torna possível efetuar e receber chamadas. 48

70 Capítulo 5. Implementação 49 Figura 5.1: Arquitetura das aplicações - camadas Camada DHT Esta camada é responsável pela implementação do algoritmo P2P utilizado para criar e manter o overlay. Portanto é aqui onde as mensagens P2PSIP são construídas, calculadas as distancias entre dois identificadores, gestão de eventos e gestão de recursos. Além disso, oferece funções à camada de Aplicação para efetuar a procura de recursos no overlay bem como a entregadas respetivas respostas. Camada P2PSIP Esta camada é responsável por efetuar a ligação entre as camadas superiores e a camada SIP a utilizar. Deste modo, a utilização de diferentes bibliotecas SIP depende apenas de modificações ao nível desta camada. A separação em diferentes camadas permitiu que a implementação das camadas superiores pudessem ser feitas independentemente da biblioteca SIP a utilizar. Camada SIP É nesta camada onde a biblioteca SIP utilizada disponibiliza métodos à camada P2PSIP para a conversão de mensagens P2PSIP-SIP e SIP-P2PSIP. Além disso, disponibiliza outros métodos auxiliares necessários para o overlay, como por exemplo, temporização de eventos.

71 Capítulo 5. Implementação 50 Camada de Transporte Esta camada, é responsável pelo encapsulamento das mensagens SIP a fim de as transmitir na rede IP. Além de fazer o encapsulamento também armazena uma espécie de identificador para quando receber uma resposta saber a que pedido se refere. Esse identificador, dependendo do tipo de mensagens, também pode ser usado para gerar uma resposta automaticamente Camadas referentes à chamada VoIP e encaminhamento de dados As camadas constituintes deste bloco que contribuem para os seus objetivos e bom funcionamento estão ilustradas na figura 5.2. Figura 5.2: Camadas referentes à chamada e encaminhamento de dados Captura/reprodução áudio Nesta camada faz-se a captura e reprodução do áudio que para isso, utiliza o microfone e os altifalantes do dispositivo. Codificação/descodificação Nesta camada os dados são codificados ou descodificados de acordo com o codec suportado pelo dispositivo e selecionado no estabelecimento da chamada, com o objetivo de serem transmitidos para o overlay ou para serem reproduzidos, dependendo da situação. Criação/junção de datagramas Esta camada é a responsável por abrir os canais RTP. Além disso, é aqui que são adicionados os cabeçalhos RTP aos dados codificados na camada superior, isto no caso de transmissão. No caso de receção, é aqui onde os cabeçalhos RTP são analisados e tratados os devidos datagramas no seu respetivo tempo.

72 Capítulo 5. Implementação 51 Envio/receção de datagramas É nesta camada onde são abertos os canais UDP, para transmissão na rede dos datagramas criados pela camada superior e pela receção dos dados provenientes da rede IP. Estas quatro camadas apresentadas são as integrantes da biblioteca escolhida. No entanto, devido ao reencaminhamento de dados e para não modificar os mecanismos internos da biblioteca, foi adicionada uma nova camada denominada de transporte adaptado e na camada envio/receção de datagramas em vez de transmitir e receber os dados diretamente do meio físico foi forçada uma passagem pelo transporte adaptado. Transporte adaptado Nesta camada é onde se envia, recebe e reencaminha a media na rede IP. Além disso, são recebidas mensagens de outros tipos, como por exemplo probes, pings ou warnings que conforme o seu identificador são realizadas determinadas ações. Também é nesta camada que é calculado o OWD quando recebida a media, e ainda, caso esse valor seja superior ao valor referência, a criação e envio de mensagens warning também é efetuado nesta camada Bibliotecas selecionadas Para implementação das camadas apresentadas é necessário a utilização de uma API que suporte o SIP e uma que permita a captura/reprodução de áudio, codificação/ descodificação, criação e transmissão dos dados no meio físico. A biblioteca SIP escolhida e utilizada foi o JAIN-SIP [28], uma vez que foi esta a utilizada no trabalho anterior [6], mantendo assim a coerência. Para a captura/reprodução de áudio, codificação/descodificação, criação e transmissão dos dados no meio físico foram analisados e debatidos três potencias softwares que são o JOpenPhone [29], Peers [30] e MjSIP [31]. Segue-se uma tabela com as suas principais características: Linguagem Open Source Última atualização Ajuda/ Suporte Em Atualização Fácil Suporte JOpenPhone Java Sim Não Não Não Peers Java Sim Sim Sim Não MjSIP Java Sim Sim Sim Sim Tabela 5.1: Tabela de análise às várias APIs

73 Capítulo 5. Implementação 52 Como podemos verificar na tabela, a linguagem de programação utilizada para a implementação destes softphones foi o java e os seus códigos-fonte estão disponíveis para qualquer utilizador. Quanto ao JOpenPhone, este já não é suportado nem atualizado desde 2005 e além disso os seus blocos para a comunicação não são fáceis de integrar na nossa aplicação. O softphone Peers foi atualizado a , portanto, ainda este ano, porém, o seu código fonte não está disponível para download, logo, a versão analisada foi a versão de , daí estar na tabela esta data como sendo a de última atualização. Comparando com o JOpenPhone, este é mais atual e além disso é um software ainda em desenvolvimento e com suporte. Por ultimo temos o MjSIP no qual ainda está em atualização e com suporte, sendo que a sua última versão foi disponibilizada em , então, dos três softwares é o mais atual. Em comparação com o Peers, o MjSIP tem uma fácil integração, dos blocos que dão suporte à comunicação à nossa implementação, enquanto que para integrar os módulos do Peers não é trivial. Posto isto e com a análise feita, os módulos utilizados para a captura/reprodução de áudio, codificação/descodificação, criação e transmissão dos dados na rede IP são os do MjSIP e que serão devidamente assinalados mais à frente. 5.2 Implementação das camadas referentes ao overlay Em termos de desenvolvimento, neste trabalho foi implementada a camada de Aplicação e tal como referido no capítulo anterior, antes de implementar a aplicação VoIP foi necessário preparar a rede de forma a que a chamada fosse sinalizada. Consequentemente, foram adicionados novos tipos de mensagens e complementadas as camadas DHT e P2PSIP, incluindo-lhes classes e métodos tal como se descreve de seguida CamadaP2PSIP Esta camada é responsável por efetuar a ligação entre a camada DHT e a stack SIP utilizada. Para criar um certo nível de abstração com as camadas superiores, esta camada recorre a um conjunto de classes e interfaces, das quais se destacam, as classes SipLayer, ConvertToSIP, ConvertToP2PSIP e as interfaces IP2PSIPResponseListener, IP2PSIPRequestListener e IMessagesStatsListener do quais as suas interações estão ilustradas na figura 5.3. A classe SipLayer é a classe principal desta camada pois é responsável por comunicar diretamente com a stack SIP, para o envio e receção de mensagens. Ao ser inicializada a classe SipLayer, é necessário passar uma referência para um objeto que implemente

74 Capítulo 5. Implementação 53 Figura 5.3: Entidades principais da camada P2PSIP a interface IP2PSIPRequestListener. Essa referência é necessária para que a camada P2PSIP possa notificar a camada DHT da chegada de novas mensagens. Envio de mensagens Para o envio das mensagens P2PSIP para sinalização da chamada foram disponibilizados os seguintes métodos: public void enviarpedidop2p(p2psipmessage msg, IP2PSIPResponseListner callback) - este método é utilizado para enviar um pedido P2PSIP. Como parâmetros recebe uma mensagem P2PSIP a enviar, assim como uma instância para o objeto que deverá ser notificado quando for recebida uma resposta para a mensagem enviada. public void enviarrespostap2p(p2psipmessage msg) - este método é utilizado para enviar um pedido P2PSIP e como parâmetro recebe apenas a mensagem P2PSIP que contém a resposta. A interface IP2PSIPResponseListener é utilizada para que após o envio de um pedido P2PSIP, a sua resposta possa ser entregue a um objeto na camada superior. Esta interface, define os seguintes métodos abstratos: public void ontransfailureresponse(p2psipmessage msg) - executado quando o código de resposta da mensagem SIP tem o valor superior a 299. O único parâmetro que recebe é a mensagem P2P que contém a resposta. public void ontransprovisionalresponse(p2psipmessage msg) - executado quando o código de resposta da mensagem SIP tem um valor entre 100 e 199. O único parâmetro que recebe é a mensagem P2P que contém a resposta. public void ontranssuccessresponse(p2psipmessage msg) - executado quando o código de resposta da mensagem SIP tem um valor entre 200 e 299. O único parâmetro que recebe é a mensagem P2P que contém a resposta.

75 Capítulo 5. Implementação 54 public void ontranstimeout() - executado quando o envio de uma mensagem P2PSIP resulta em timeout. A utilização de uma interface para notificar a camada superior da chegada de uma resposta, permite uma melhor distinção entre as camadas. Desta forma, no envio de um pedido P2PSIP, esta camada requer apenas a instância de um objeto do listener, que pode ser de qualquer tipo, necessitando apenas de implementar a interface especificada. A camada P2PSIP é apenas responsável por notificar o objeto em questão da ocorrência de um desses eventos. A implementação dos métodos definidos por esta interface depende apenas e é da responsabilidade da camada superior. Os métodos disponíveis para o envio de mensagens P2PSIP recorrem à classe Convert- ToSIP para efetuar a conversão do objeto P2PSIPMessage (que contem a informação da mensagem P2PSIP a enviar) num objeto SIP reconhecido pela biblioteca utilizada, neste caso o JAIN-SIP. Receção de mensagens A receção de mensagens SIP é feita de diferentes formas, consoante a mensagem recebida seja um pedido, ou uma resposta a um pedido enviado anteriormente. Em ambos os casos, é verificado se a mensagem recebida, é uma mensagem válida. Esta verificação é feita através da análise dos cabeçalhos da mensagem recebida que após a sua validação é feita a conversão da mensagem SIP para P2PSIP recorrendo à classe ConvertToP2PSIP. No caso de a mensagem recebida ser um pedido, esta é entregue na camada DHT, notificando-a através da interface IP2PSIPRequestListener de modo a ser processada. Caso seja uma resposta a um pedido enviado anteriormente, o código da resposta da mensagem SIP é analisado e consoante o seu valor, a notificação enviada para a camada DHT difere. Esta notificação é feita através da interface IP2PSIPResponseListener do objeto de callback referenciado no envio do pedido efetuado Camada DHT A base desta camada é formada por um conjunto de classes e interfaces, que podem ser expandidas por cada implementação de um algoritmo DHT a utilizar. Foi criada na classe Peer (que representa um peer genérico) a implementação de um conjunto de métodos comuns a qualquer peer independentemente da DHT utilizada, nomeadamente os métodos put, get, invite, ack e bye. Na figura 5.4 estão ilustradas as principais classes desta camada.

76 Capítulo 5. Implementação 55 Figura 5.4: Entidades principais da camada DHT A classe DHT desta camada, é uma classe genérica, com métodos abstratos e que foi expandida na implementação de algoritmos DHT. O objetivo é permitir que todos os algoritmos DHT utilizem classes derivadas desta para representar informação relativa ao algoritmo DHT. A informação contida nesta classe identifica o nome do algoritmo DHT, assim como o nome do algoritmo utilizado para calcular o hash dos identificadores. A gestão de recursos é algo comum a qualquer peer pertencente a um overlay, independentemente do algoritmo em utilização. Por isso, na camada DHT foram implementadas as classes Resource e ResourceMap para a gestão de recursos. A classe Resource é utilizada para guardar informação relativa a um recurso, nomeadamente o identificador, nome, valor associado ao recurso e o tempo ao fim do qual este expira. A criação de mensagens P2PSIP, é uma funcionalidade comum independente da DHT utilizada, logo, e para evitar a repetição de código, foi criada a classe P2PMessageFactory. Esta classe possui um conjunto de métodos que permitem a criação de diferentes tipos de mensagem P2PSIP de sinalização da chamada. Assim, foram adicionados métodos para a criação dos diferente tipos de mensagens de sinalização, nomeadamente o INVITE, ACK e BYE. Seguem-se os métodos implementados e propósito de cada um deles: constructinviterequest(string destination, String username) - este método é responsável pela construção da mensagem P2PSIP contendo o INVITE para o URL do utilizador que se quer contactar. Recebe como parâmetros o IP e porta contidos numa String e o username do utilizador a contactar. ConstructInviteRequestResponse(int code, P2PSIPMessage req) - este método gera uma resposta a um INVITE recebido de um determinado utilizador. Recebe como parâmetros o código de resposta e a mensagem p2psip que contém os dados referentes ao INVITE. constructack(string destination, String username) - este método é o responsável por sinalizar que recebeu uma confirmação positiva ao INVITE efetuado. Recebe no primeiro parâmetro o IP e porta e o username de quem tem a conexão estabelecida no segundo parâmetro.

77 Capítulo 5. Implementação 56 constructbye(string destination, String username) - este método é o responsável por sinalizar o fim de chamada de uma das partes envolvidas na chamada. Recebe no primeiro parâmetro o IP e porta e o username com quem tem a conexão estabelecida no segundo parâmetro. constructbyeresponse(int code, P2PSIPMessage req) - este método gera a resposta ao BYE proveniente do parceiro de sessão. Recebe como parâmetros o código de resposta e a mensagem P2PSIP que contém os dados referentes ao BYE Camada Aplicação Esta camada é a responsável pela interação com o utilizador em que este fornece a informações necessárias para se juntar ao overlay, efetuar, receber chamadas e definir qual DHT utilizar (útil no ambiente de teste). Para isso foram desenvolvidas várias classes: login, principal, IncomingCall e MakeCall. Na figura 5.5 estão ilustradas as classes e a interação entre elas. Figura 5.5: Entidades principais da camada Aplicação A classe login é a primeira interação com o utilizador em que este deve fornecer qual o seu username que será o seu identificador dentro de um determinado domínio, qual o seu IP e porta no qual o agente SIP vai estar a executar, qual a DHT (Chord ou EpiChord) e qual o bootstrap peer que o vai ajudar a entrar no overlay. Após se juntar à rede a classe que irá interagir com o utilizador é a denominada por principal na qual poderá efetuar ou receber chamadas. Esta camada está posicionada acima da camada DHT. Quando o utilizador quer efetuar uma chamada notifica a camada DHT com o URI que quer contactar e esta trata de o notificar quando obtida uma resposta. Se o URI for obtido, após pesquisa no overlay, é gerada uma mensagem de INVITE para o tal destino. Esta operação é feita na classe MakeCall. Quando recebida uma chamada, a camada DHT notifica a camada Aplicação e esta notifica o utilizador através da classe IncomingCall. O utilizador pode aceitar ou rejeitar a chamada e conforme a operação é gerada uma resposta que é devolvida para quem o pretende contactar. O código para resposta quando a chamada é

78 Capítulo 5. Implementação 57 aceite é o 200 e 486 no caso da chamada ser rejeitada ou se já existe uma comunicação ativa com outro peer. É também nesta camada que é feita a captura/reprodução de áudio, codificação/descodificação, criação e transmissão dos dados no meio físico após dois utilizadores iniciarem uma sessão. Para tal, foram incluídos sete packages do Mj- SIP que são o org.zoolu.net, org.zoolu.sdp, org.zoolu.sound, org.zoolu.tools, org.zoolu.ua, voip.local.media e voio.local.net os quais se sofrerem alterações ou atualizações futuras para os incluir nesta implementação bastará apenas incluí-los, sem qualquer modificação adicional. Após a chamada ser aceite, tanto no emissor como no recetor, é chamado o método start- MediaSessions() que inicia o sistema de captura/reprodução, codificação/descodificação, criação e transmissão dos dados no meio físico conforme os parâmetros (IP e porta RTP, codecs suportados, etc) acordados no estabelecimento da chamada através do protocolo SDP. Aquando algum dos peers pretender terminar a comunicação, notifica a camada DHT e esta gera a mensagem de BYE. Quando obtida a resposta, esta camada é notificada e ambos os peers utilizam o método stopmediasessions() a fim de fechar os vários sockets utilizados. A classe denominada deprincipal é apresentada de novo ao utilizador, para possibilitar novas interações. 5.3 Implementação da camada de transporte adaptada Anteriormente foi apresentada a organização das camadas referentes à chamada e encaminhamento de dados. Consequentemente a implementar o algoritmo de encaminhamento apresentado no capítulo anterior foi necessário acrescentar uma camada na API que dá suporte à comunicação. Essa camada situa-se entre a camada de transporte do MjSIP e a rede IP. A esta camada chamamos de transporte adaptado e tem como função receber datagramas de voz do MJSip e enviá-los para o próximo nó conforme a tabela de encaminhamento. Além disso também recebe datagramas da rede IP tratando-os conforme o seu tipo. Tipos de mensagens Para dar suporte às funcionalidades do algoritmo de encaminhamento, fazer a medição da qualidade da chamada e manter a tabela de distancias atualizada em cada um dos peers, criaram-se vários tipos de mensagens devidamente identificadas para cada um dos propósitos, sendo elas:

79 Capítulo 5. Implementação 58 warning - contem apenas um byte com um W que o identifica, é gerado pelo recetor e tem como propósito alertar o emissor que o atraso fim-a-fim da ligação excedeu os 150ms. probe - o primeiro campo é o seu identificador P com tamanho de um byte, o segundo campo N tem o tamanho de um byte e tem como função indicar a profundidade máxima que um peer pode fazer probe, 4 bytes para o endereço IP destino e por ultimo 2 bytes para o RTT acumulado. Estes datagramas tem o propósito de pedir a um peer vizinho para verificar qual o RTT da sua conexão direta para um determinado destino. response - o primeiro byte é o identificador R, 4 bytes para o endereço IP destino pedido e 2 bytes para o RTT Total desde o emissor até ao recetor. Este tipo de datagrama tem como objetivo responder ao peer que fez um probe caso uma série condições tenham sido cumpridas e que vão ser devidamente apresentadas e explicadas posteriormente. ping - o primeiro byte é o identificador P e o segundo byte é o tipo de ping, isto é, stateless ou statefull. Este datagrama tem como função fazer um pedido de uma mensagem de echo a um determinado peer de forma a calcular o RTT. echo - o primeiro campo tem o tamanho de um byte no qual se encontra o identificador E e o segundo campo Timestamp tem o tamanho de 8 bytes a fim de auxiliar o cálculo do RTT no recetor desta mensagem. voice - o primeiro byte é o identificador V, o segundo campo tem o tamanho de 4 bytes no qual se encontra o IPDestino, o terceiro campo contém o timestamp 1 em que o datagrama de voz foi enviado no emissor(permite calcular o OWD no recetor) e tem o tamanho de 8 bytes. Os últimos dois campos deste datagrama tem o tamanho de 332 bytes (dependendo do codec utilizado, neste caso foi o G.711) e contêm a media com os respetivos cabeçalhos RTP Reencaminhamento de dados Cada peer tem presentes várias tabelas, nomeadamente, uma tabela de encaminhamento para saber qual o próximo nó para um determinado endereço e uma tabela de distâncias que contem uma lista de peers vizinhos e o respetivo RTT até eles. Além disso, tem uma tabela de pings que é necessária para auxiliar o cálculo do RTT até os vizinhos. Esta tabela armazena o timestamp inicial e o endereço destino. Cada peer tem também 1 embora o timestamp esteja no RTP, este é um timestamp relativo que e necessário para o processamento RTP, o qual não é o pretendido para o calculo do OWD

80 Capítulo 5. Implementação 59 uma tabela de respostas para saber a que peer deve responder quando recebe um probe ou aquando de uma resposta de um outro peer. De modo a ser possível o reencaminhamento de dados foram implementadas as classes ExternalRelay, InternalRelay, melhorcaminho, StatefulPing, fazping, StatelessPing e ReceivePingResponse nas quais as suas interações estão ilustradas na figura 5.6. Figura 5.6: Entidades principais na implementação do reencaminhamento de dados Receção de dados - ExternalRelay Esta classe é uma thread invocada pela classe principal quando iniciada e tem como função receber datagramas da rede IP e tratá-los conforme o seu tipo. Para se ligar à rede IP é criado um socket na porta na qual capta os vários tipos de mensagens. Quando recebida uma mensagem, é analisado o primeiro byte que é onde se situa o seu identificador e caso este seja do tipo P, verifica se é do tipo ping ou do tipo probe. Se a mensagem for do tipo probe, é criada uma nova instância da classe melhorcaminho (que está preparada para tratar este tipo de mensagens) e iniciado o algoritmo de verificação de potencial encaminhador, senão verifica no segundo byte da mensagem se é um ping do tipo stateless ou statefull, constrói a mensagem de echo e envia-a para o endereço IP que originou a mensagem ping. No ponto de vista do ExternalRelay a única diferença entre ser um ping do tipo stateless ou statefull é o número da porta para qual a mensagem echo é enviada (porta para stateless pings e para stateful pings). Nesta classe quando são recebidos echos é criada uma nova instância da classe ReceivePingResponse passando-lhe o datagrama recebido como argumento. Quando recebida uma mensagem do tipo warning significa que o recetor detetou que o OWD quebrou a barreira de 150ms. Então deve ser encontrado um caminho alternativo

81 Capítulo 5. Implementação 60 para a media transitar. Para isso, é criada uma nova instância da classe melhorcaminho, que é a classe responsável por tratar este tipo de mensagens, passando-lhe como argumento a mensagem recebida. Caso a mensagem seja do tipo response, retira-se o endereço IP e RTT total lá contidos e verifica-se se aquele endereço já existe na tabela de encaminhamento. Se existir, verificase se o RTT total recebido é inferior ao RTT contido na tabela e caso seja, o próximo nó passa a ser o peer cujo endereço IP é o que originou a mensagem response. Se o endereço IP contido na mensagem não existir, é adicionada uma nova entrada na tabela com esse endereço, tendo como próximo nó o endereço do peer que originou a mensagem de response e com o RTT total extraído da mensagem. A última verificação feita é se o datagrama recebido é do tipo voice e se entrar nesta condição, a próxima ação é extrair o endereço IP lá contido e comparar com o endereço local do peer. Caso não coincidam significa que não é para ele a mensagem, verifica-se na tabela de encaminhamento se é conhecido o próximo nó para esse endereço, reencaminhando a mensagem. Caso o endereço IP coincida com o endereço local, é extraído o timestamp da mensagem, subtrai-se o timestamp atual ao obtido da mensagem e compara-se se o valor obtido é inferior a 150ms e caso esta condição se verifique retiramse os cabeçalhos do algoritmo de reencaminhamento e passa-se o datagrama RTP para a camada superior para posterior reprodução. Caso contrário é construída uma mensagem de warning e enviada para o endereço IP no qual se encontra o peer que estabeleceu a chamada. Para melhor compreensão foi criado um fluxograma geral e que está ilustrado na figura 5.7. O cálculo do OWD foi efetuado desta forma em vez de usar as potencialidades que o RTCP oferece [9] devido à biblioteca adotada não implementar este protocolo, logo, esta foi uma forma simples de contornar o problema. Requer porém um sincronismo de relógio em todos os peers. Procura de caminho alternativo - melhorcaminho A classe melhorcaminho tem como função tratar mensagens do tipo warning ou probe a fim de encontrar caminhos alternativos (no caso de receber um warning) ou testar se é um potencial encaminhador para um determinado endereço IP destino. Então, esta classe é criada quando a classe ExternalRelay recebe um destes dois tipos de mensagens. O algoritmo começa por verificar o primeiro byte da mensagem a fim de saber se é do tipo warning ou do tipo probe. Se for do tipo warning, significa que o recetor detetou uma má qualidade de chamada, então, o emissor para se certificar faz uma medição do RTT utilizando os stateful pings, que foram implementados na classe StatefulPing, e caso o RTT exceda os 300ms é chamado o método ProbeVizinhos. No caso de ser um probe, é extraído o endereço para qual deva testar a ligação, qual o RTT acumulado e

82 Capítulo 5. Implementação 61 Figura 5.7: Fluxograma da classe ExternalRelay

83 Capítulo 5. Implementação 62 qual o número de saltos possíveis. O primeiro passo é verificar se o endereço IP destino é um vizinho conhecido e caso seja não é necessário voltar medir a ligação uma vez que essa informação é constantemente atualizada. Caso não se encontre na tabela de vizinhos, faz-se uma medição da ligação com auxilio da classe StatefulPing. Somando o RTT obtido com o RTT acumulado, se este for inferior a 300ms, significa que é um potencial reencaminhador para a media, então, adiciona uma nova entrada à tabela de encaminhamento e notifica o peer que lhe enviou a mensagem através do método RespostaProbe. Caso o RTT total exceda os 300ms, envia mensagens de probe para vizinhos através do método probevizinho. De forma a entender melhor o algoritmo, na figura 5.8 está ilustrado o fluxograma com o seu funcionamento. Os métodos probevizinhos e respostaprobe foram implementados como auxilio, de forma a não existir código repetido dentro da classe. Segue-se o objetivo de cada um deles, respetivas implementações e funcionamento. public void probevizinhos(int RTTAcumulado, InetAddress ipdestino, int saltos) - este método tem como função construir mensagens do tipo probe com os devidos campos e enviá-la para vizinhos que são vistos como potenciais encaminhadores da media. Recebe como argumento o RTT acumulado até ao momento, o endereço IP destino e o número de saltos que a mensagem probe pode ser propagada. O método começa por confirmar que o número de saltos é superior a zero. Depois, são escolhidos aleatoriamente cinco vizinhos (definimos um máximo de cinco vizinhos para não gerar demasiados probes), para os quais a mensagem probe será enviada. Permite-se assim que para cada probe que se tenha de efetuar não sejam sempre os mesmos cinco vizinhos os escolhidos. Para gerar os números aleatórios foi utilizada uma classe nativa do java denominada por Random, em que cada número gerado tem de ser diferente dos anteriores obtidos, como a classe Random não tem essa funcionalidade implementada foi criada uma lista de forma a poder fazer a comparação entre o número gerado e os números já obtidos. Quando obtido o número, compara-se na tabela de distâncias qual o correspondente, verifica-se se o somatório do RTT acumulado com o RTT até ao vizinho é inferior a 300ms e caso seja, a mensagem probe é enviada para ele, pois, sendo este somatório inferior a 300ms significa que o vizinho ainda tem a hipótese de atingir o destino com o RTT dentro do limite definido. Na figura 5.9 está ilustrado o fluxograma com o funcionamento deste método. private void respostaprobe(int rtttotal, InetAddress ipdestino) - este método tem como função construir a mensagem do tipo response com os devidos campos e enviá-la para o endereço IP contido na tabela de respostas correspondente a um determinado endereço IP destino. O seu fluxograma ilustra-se na figura 5.10

84 Capítulo 5. Implementação 63 Figura 5.8: Fluxograma da classe melhorcaminho

85 Capítulo 5. Implementação 64 Figura 5.9: Fluxograma do método probevizinhos presente na classe melhorcaminho

86 Capítulo 5. Implementação 65 Figura 5.10: Fluxograma do método respostaprobe presente na classe melhorcaminho Medição do RTT - StatelessPing e StatefulPing Para efetuar a medição do RTT de uma determinada ligação foram criados dois tipos de pings, tal como anteriormente explicado. Foram então criadas duas classes para tal, denominadas StatelessPing e StatefulPing. A classe StatelessPing tem como objetivo enviar datagramas do tipo ping periodicamente para os peers vizinhos. Esta classe é uma thread instanciada pela classe principal quando iniciada, portanto está sempre em funcionamento, mesmo quando o utilizador não se encontra numa chamada. A thread começa por abrir um socket na porta para o envio das mensagens, depois percorre a lista de vizinhos e para cada um deles cria a mensagem ping como sendo do tipo zero. Isto porque as mensagens de echo para este tipo de pings têm de ir para a porta 50001, uma vez que é onde se encontra a thread ExternalRelay que instancia a classe que calcula o RTT com base no echo recebido. Após enviar a mensagem, guarda na tabela de pings qual endereço IP para quem enviou e qual o timestamp atual. Na figura 5.11 está ilustrado o fluxograma com o seu funcionamento. Tal como referido, a classe que trata das mensagens echo para este tipo de pings é instanciada pela classe ExternalRelay e é denominada por ReceivePingResponse. Esta classe é uma thread e por cada echo recebido é instanciada esta classe, portanto uma thread por cada echo. A classe começa por verificar se o endereço IP que originou a mensagem ping existe na tabela de pings e caso exista, para obter o RTT, subtrai o timestamp contido na mensagem echo ao timestamp armazenado na tabela de pings (assim obtém o OWD) e multiplica por dois. Obtido o RTT, atualiza na tabela de distâncias o RTT para aquele vizinho e remove da tabela de pings a entrada correspondente ao pedido que foi tratado. Na figura 5.12 está ilustrado o fluxograma com o seu funcionamento. A classe StatefulPing é uma thread instanciada pela classe melhorcaminho quando esta precisa de saber qual o RTT de uma ligação instantaneamente. De forma a ser possível que mais que um StatefulPing efetue pedidos ping em simultâneo num só socket, foi

87 Capítulo 5. Implementação 66 Figura 5.11: Fluxograma da classe StatelessPing Figura 5.12: Fluxograma da classe ReceivePingResponse

88 Capítulo 5. Implementação 67 necessário implementar uma classe denominada por fazping na qual está à escuta na porta e todos os pedidos de ping provenientes das várias threads são feitos de forma sincronizada, sequencialmente. Tal é necessário para não tornar o comportamento do sistema imprevisível. Como objetivo geral, a classe fazping tem de enviar um ping, esperar a respetiva mensagem de echo, calcular o RTT, repetir o processo n vezes e fazer a média do RTT tendo em conta o número de amostras obtidas, assim se obtém uma medição com maior precisão. Para melhor compreensão, nas figuras 5.13 e 5.14 estão ilustrados os fluxogramas da sua implementação. Figura 5.13: Fluxograma da classe StatefulPing Envio de media - InternalRelay Esta classe é uma thread instanciada quando é feita o estabelecimento de uma chamada e tem como objetivo receber a media provenientes do MjSIP, acrescentar-lhe os cabeçalhos necessários para o reencaminhamento de dados e cálculo do OWD no recetor, e enviar para o próximo peer de acordo com a tabela de encaminhamento. Para isso, a classe começa por abrir um socket na porta no qual fica à espera de receber media, depois adiciona-lhe o endereço IP do peer a que se destina a mensagem e o timestamp atual, procura na tabela de encaminhamento qual o próximo nó e caso o RTT total contido na tabela seja inferior a 300ms a mensagem é enviada, caso contrário e até que o RTT seja modificado mais nenhum datagrama será enviado. Na figura 5.15 está ilustrado o fluxograma com o seu funcionamento. Considerações finais Existem parâmetros que é necessário ajustar e que só após com a devida avaliação se poderão definir de forma correta, como por exemplo, o número de pings, tempos de espera e número de saltos.

89 Capítulo 5. Implementação 68 Figura 5.14: Fluxograma da classe fazping

90 Capítulo 5. Implementação 69 Figura 5.15: Fluxograma da classe InternalRelay

91 Capítulo 6 Testes e Resultados Os testes efetuados focam-se no desempenho e validação do algoritmo de encaminhamento da media em situações que o volume de tráfego entre dois pontos é muito grande. Os testes ao software foram efetuados numa rede emulada, onde foram desenhados cenários reais, com testes de carga muito exigentes. 6.1 Ambiente de teste Os testes foram feitos numa máquina na qual se utilizou o Common Open Research Emulator (CORE) [32] que é uma ferramenta que permite emular redes, redes essas se que podem ligar a outras redes emuladas e/ou redes reais. Os testes efetuados no CORE, serviram para obter os parâmetros das métricas consideradas e validar a implementação do algoritmo e das restantes componentes desenvolvidas. Foi criada uma topologia composta por 4 Routers, 4 Switches e 30 Hosts. A figura 6.1 mostra como os vários componentes se encontram ligados. Os testes efetuados ao software dividem-se em dois universos distintos, testes de funcionalidade e testes de desempenho. Nos testes de funcionalidade, foram arquitetados os seguintes três cenários: Chamada direta - foi simulada uma chamada entre dois hosts pertencentes à rede P2P, em que um envia o INVITE e outro aceita a chamada automaticamente, com o objetivo de testar a comunicação. Chamada com encaminhamento da media num peer intermédio - foram simuladas cinco chamadas em simultâneo entre os peers ligados ao router n1 e os peers ligados ao router n2, em que a largura de banda da ligação direta entre n1 e n2 foi de 70

92 Capítulo 6. Testes e Resultados 71 Figura 6.1: Topologia Teste 256kbps com um atraso de propagação (delay 75ms) resultando num RTT de 150ms. As restantes ligações entre os routers tiveram uma largura de banda de 10Mbps com um atraso de propagação (160µs) resultando num RTT de 320µs. Chamada com encaminhamento da media em n peers intermédios - foram simuladas cinco chamadas entre os peers ligados ao router n1 e os peers ligados ao router n2 em simultâneo, em que a largura de banda da ligação direta entre n1 e n2 foi de 256kbps com um atraso de propagação (delay 75ms) resultando num RTT de 150ms e a ligação entre n2 e n3 uma largura de banda de 64kbps com um atraso de propagação (delay 160ms) resultando num RTT de 320ms. Este cenário de teste está representado na figura 6.1. Nos testes de desempenho, foram obtidos valores para as métricas consideradas em três diferentes cenários: Chamadas diretas - foram feitas tentativas de até 12 chamadas em simultâneo entre os peers ligados ao router n1 e os peers ligados ao router n2, em que a largura de banda da ligação direta entre n1 e n2 foi de 256kbps com um atraso de propagação (delay 75ms) resultando num RTT de 150ms e com largura de banda de 512kbps com atraso de propagação (delay 50ms) resultando num RTT de 100ms.

93 Capítulo 6. Testes e Resultados 72 Chamada com encaminhamento da media num peer intermédio - foram feitas até 12 chamadas em simultâneo entre os peers ligados ao router n1 e os peers ligados ao router n2, em que a largura de banda da ligação direta entre n1 e n2 foi de 256kbps com um atraso de propagação (delay 75ms) resultando num RTT de 150ms e com largura de banda de 512kbps com atraso de propagação (delay 50ms) resultando num RTT de 100ms. As restantes ligações entre os routers tiveram uma largura de banda de 10Mbps com um atraso de propagação (160µs) resultando num RTT de 320µs. Chamada com encaminhamento da media em n peers intermédios - foram feitas até 12 chamadas em simultâneo entre os peers ligados ao router n1 e os peers ligados ao router n2, em que a largura de banda da ligação direta entre n1 e n2 foi de 256kbps com um atraso de propagação (delay 75ms) resultando num RTT de 150ms e com largura de banda de 512kbps com atraso de propagação (delay 50ms) resultando num RTT de 100ms. A ligação entre n2 e n3 teve uma largura de banda de 64kbps com um atraso de propagação (delay 160ms) resultando num RTT de 320ms. Para melhor compreensão segue-se uma tabela detalhada com as características das ligações para cada um dos testes efetuados: Directo (funcionalidade) Directo (desempenho) Um peer intermédio N peers intermédios (funcionalidade) Um peer intermédio (desempenho) N peers intermédios (funcionalidade) L.B. n1-n2 RTT n1-n2 L.B. n2-n3 RTT n2-n3 L.B. n3-n4-n2 Número de chamadas(simultâneo) ilimitada zero kbps 512kbps 256kbps 256kbps 256kbps 512kbps 256kbps 512kbps 150ms 100ms 150ms 150ms 150ms 100ms 150ms 100ms Mbps 64kbps 10Mbps 10Mbps 64kbps 64kbps 320µs 320ms 320µs 320µs 320ms 320ms - ilimitado - - ilimitado ilimitado Máximo permitido pela L.B 5 5 Aumento sucessivo de 1 a 12 chamadas Aumento sucessivo de 1 a 12 chamadas Tabela 6.1: Tabela com vários testes efetuados Para a execução da aplicação desenvolvida nesta topologia, uma vez que as chamadas tinham de ser executadas numa linha de comandos e de forma automática a aplicação gráfica com interação com o utilizador teve de ser modificada para receber os parâmetros de configuração como argumentos e sem interação gráfica. A inicialização dos peers e das chamadas VoIP em cada um dos testes foi efetuada recorrendo a um script desenvolvido no qual inicia a aplicação JAVA em cada um dos peers com os vários parâmetros de acordo com o host onde vai ser executado e com o modo que deve iniciar (direto, um peer

94 Capítulo 6. Testes e Resultados 73 intermédio ou n peers intermédios). As aplicações JAVA recebem vários parâmetros que permitem configurar os vizinhos, ficheiros de saída, URI, peer a contactar entre outros. Os testes foram efetuados numa máquina com um processador intel i7 1.6GHz com 6Gb de RAM, o que limitou a 12 o número máximo de chamadas em simultâneo (testado na prática, por aumento sucessivo do número de chamadas até deixar de funcionar). 6.2 Métricas Os parâmetros analisados foram o número total de datagramas voz recebidos, o total de datagramas com OWD menor que 150ms, o RTT médio referente ao número de datagramas recebidos e o RTT médio referente ao número de datagramas com OWD menor que 150ms. Todos eles foram medidos no recetor. O número de datagramas recebidos com OWD menor que 150ms auxiliaram o cálculo da taxa de transferência e, bem como os restantes parâmetros, para analisar e comparar o desempenho da rede nos cenários de teste. 6.3 Testes de funcionalidade Para formar o overlay foi escolhido como bootstrap peer o host c1. Seguem-se os testes efetuados assim como os resultados obtidos e respetiva justificação. Chamada direta No teste mais básico efetuado, foi simulada uma chamada entre os hosts c1 e c2 e capturados os datagramas à saída da interface f0/0 do router n1. Na figura 6.2 está ilustrado o diagrama de I/O da interface. Como se pode verificar pelo gráfico, a largura de banda que uma chamada full-duplex ocupa é sensivelmente 150kbps. Isto deve-se ao facto do codec utilizado ser o G.711 que utiliza uma frequência de amostragem de 8kHz e cada amostra é de 8 bits. Isto significa que o bitrate é de 64kbps (constante). Em cada datagrama transmitido vão contidos 320 bytes (2560 bits) da media, o que implica que a cada segundo devem ser transmitidos 25 datagramas para totalizar os bits. Cada um deles inclui os cabeçalhos das várias camadas em que 12 bytes são para o RTP, 13 bytes para o cabeçalho extra necessário no algoritmo de encaminhamento, 8 bytes UDP, 20 bytes IP e 14 bytes da camada 2 que faz um total de 67 bytes adicionais (17 por cento de overhead). Adicionando estes 67 bytes aos 320 bytes de voz faz um total de 387 bytes, temos que o bitrate ideal para uma chamada é 77.4kbps. Como se trata de uma comunicação bidirecional a largura de banda ocupada é o dobro, ou seja, 154.8kbps.

95 Capítulo 6. Testes e Resultados 74 Figura 6.2: Simulação de uma chamada Chamada com um peer intermédio Para verificar o funcionamento do algoritmo de encaminhamento em um peer intermédio foi utilizado o wireshark para capturar os pacotes no router n1 na interface f0/0 e no router n3 na mesma interface. As figuras 6.3 e 6.4 representam o cenário em que são feitas 5 chamadas em simultâneo. Na figura 6.3 está representado o diagrama de I/O da interface f0/0 do router n1. Como se pode verificar o valor médio é sensivelmente 150kbps que é a largura de banda ocupada por uma chamada full-duplex. Isto significa que na ligação direta entre n1-n2 está a passar o tráfego de uma chamada e as restantes chamadas estão a ser reencaminhadas por um peer intermédio. Neste caso o peer é o host n19 que está ligado ao router n3 e cujo diagrama de I/O está representado na figura 6.4. A largura de banda ocupada pelas 4 chamadas reencaminhadas é de 619.2kbps(154.8*4) tal como se verifica na figura em que o seu valor médio é um pouco superior a 600kbps. Chamada com n peers intermédios Para verificar o funcionamento do algoritmo de encaminhamento com n peers intermédios foram capturados os pacotes no router n1 na interface f0/0, no router n3 na mesma interface e no router n4 na interface f0/1. Nas figuras 6.5, 6.6 e 6.7 estão os gráficos de I/O obtidos na simulação. Como a ligação entre o router n3 e o router n2 tem uma largura de banda de 64kbps com RTT de 320ms que não cumpre os requisitos mínimos para uma chamada, a media foi reencaminhada por um peer com ligação ao router n4 e que neste caso foi o host n16. Como se pode verificar na figura 6.5, a ligação

96 Capítulo 6. Testes e Resultados 75 Figura 6.3: Captura em n1 na interface f0/0 dos pacotes na simulação de 5 chamadas em simultâneo - um peer intermédio (uma chamada) Figura 6.4: Captura em n3 na interface f0/0 dos pacotes na simulação de 5 chamadas em simultâneo - um peer intermédio (quatro chamadas)

97 Capítulo 6. Testes e Resultados 76 direta transporta os dados de uma das 5 chamadas efetuadas. As restantes 4 estão a ser encaminhadas pelo router n3 e n4, tal como se verifica nas figuras 6.6 e 6.7. Figura 6.5: Captura em n1 na interface f0/0 dos pacotes na simulação de 5 chamadas em simultâneo - n peers intermédios (uma chamada) Figura 6.6: Captura em n3 na interface f0/0 dos pacotes na simulação de 5 chamadas em simultâneo - n peers intermédios (quatro chamadas)

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