ESTADO ATUAL DA LEGISLAÇÃO COMERCIAL BRASILEIRA

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1 ESTUDO ESTADO ATUAL DA LEGISLAÇÃO COMERCIAL BRASILEIRA Guilherme J. Falcão Consultor da Área VII- Sistema Financeiro, Direito Comercial, Econômico, Defesa Do Consumidor ESTUDO ABRIL/2012 Câmara dos Deputados Praça 3 Poderes Consultoria Legislativa Anexo III - Térreo Brasília - DF

2 SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO EVOLUÇÃO DA LEGISLAÇÃO COMPLEMENTAR AO CÓDIGO COMERCIAL BRASILEIRO COMENTÁRIOS ACERCA DA LEGISLAÇÃO ESPARSA CONCLUSÃO Câmara dos Deputados. Todos os direitos reservados. Este trabalho poderá ser reproduzido ou transmitido na íntegra, desde que citados(as) o(a) autor(a) e a Consultoria Legislativa da Câmara dos Deputados. São vedadas a venda, a reprodução parcial e a tradução, sem autorização prévia por escrito da Câmara dos Deputados. Este trabalho é de inteira responsabilidade de seu(sua) autor(a), não representando necessariamente a opinião da Câmara dos Deputados. 2

3 ESTADO ATUAL DA LEGISLAÇÃO COMERCIAL BRASILEIRA Guilherme J. Falcão 1 INTRODUÇÃO O Código Comercial Brasileiro (Lei nº 556), datado de 25 de junho de 1850, é considerado muito anacrônico diante da modernidade e da dinâmica que caracterizam as relações sócio-econômicas no mundo contemporâneo, especialmente aquelas decorrentes das práticas comerciais entre as empresas, seja no âmbito interno ou internacional. Desde o início de sua vigência no século XIX, não houve alterações substanciais no texto do Código Comercial Brasileiro, mas, em contrapartida, foi sancionado um grande número de leis esparsas no Brasil com o propósito de aprimorar e regular as novas técnicas mercantis e os novos institutos do direito comercial, com seus variados efeitos e diversas tendências. Com o advento do Código Civil, em janeiro de 2002 (Lei nº ), foi revogada toda a Parte Primeira do vetusto Código Comercial, que tratava Do Comércio em geral. De outro modo, a despeito do disciplinamento de alguns temas e institutos do direito comercial (v.g: direito societário, contratos comerciais e títulos de crédito) que foi feito no corpo do Código Civil desde de 2002 e criticado por muitos juristas, é certo que o Direito Comercial - ou na sua terminologia mais contemporânea Direito das Empresas - tem sofrido contínua transformação e carece de um processo de sistematização e atualização de uma ampla gama de leis esparsas que cuidam das relações privadas na economia brasileira. Nesse cenário de uma economia em franca evolução, cabe ao Legislador se ajustar às novas instituições e práticas comerciais a exemplo do comércio eletrônico, surgido com o incremento da internet no mundo -, que vão provocando um maior desenvolvimento econômico em decorrência do dinâmico processo de mudança das estruturas sociais e do advento de significativas inovações tecnólogicas, tão presentes nas últimas décadas. 3

4 Nos últimos vinte anos, o Congresso Nacional aprovou uma série de leis que se voltaram a atualizar as práticas comerciais e buscaram regular as novas modalidades de sociedades empresariais e contratos comerciais que surgiram nas relações privadas contemporâneas, a exemplo da legislação de franchising (franquia comercial), de propriedade industrial (marcas e patentes) e da proteção aos direitos autorais de programas para computadores (softwares), dentre tantas outras. O formato original do Código Comercial Brasileiro contemplava três partes e catorze títulos, que posteriormente foram reduzidos a duas partes, vez que a parte relativa a Quebras foi revogada pelo Decreto-lei nº 7.661, de 21 de junho de 1945, que, por sua vez, já foi revogado pela Lei nº , de Atualmente, o Código Comercial continua vigente tão somente em sua Parte Segunda, que trata do Comércio Marítimo, que compreende os arts. 457 ao 796 (sendo que os arts. 731 a 739 foram revogados pela Lei nº 7.542, de 26 de setembro de 1986). 2 EVOLUÇÃO DA LEGISLAÇÃO COMPLEMENTAR AO CÓDIGO COMERCIAL BRASILEIRO É mister relembrar que alguns capítulos do Código Comercial Brasileiro (CCB) já foram totalmente superados (a maior parte revogada expressamente, outras tacitamente) pelas legislações esparsas posteriores, que vieram suprir a necessidade de se regulamentar as novas práticas comerciais e adequar as normas aos novos conceitos decorrentes da evolução econômica das últimas décadas. Neste sentido, podemos citar como exemplos inequívocos dessa revogação tácita os títulos que tratam: - Do Comércio em Geral (Parte primeira), expressamente revogada pelo Código Civil em 2002; pela Lei nº 4.595, de 31, de dezembro de 1964; - Dos Banqueiros (Título V), que atualmente está regulada - Do Escambo ou Troca Mercantil (Título IX); - Da Locação Mercantil (Título X); - Do Mútuo e dos Juros Mercantis (Título XI); - Das Companhias e Sociedades Comerciais (Título XV); 4

5 - Das Letras Notas Promissórias e Créditos Mercantis (Título XVI), neste caso houve uma revogação expressa 1 pelo Decreto nº 2.044, de 1908, e; A Segunda Parte do Código, na qual estão dispostas as normas sobre o comércio marítimo, é seguramente a única parte remanescente do vetusto Código que ainda encontra dispositivos vigentes, em que pese também muito defasados e dissonantes da realidade do comércio marítimo atualmente praticado no Brasil e no mundo. A grande maioria dos dispositivos legais ali referidos também já foram, de algum modo, forçosamente atualizados em leis supervenientes para rapidamente ajustar as leis à realidade do mercado e regulamentar a modernização do comércio marítimo. Aliás, ressalte-se que o comércio marítimo apresentou uma rápida evolução do seu modus operandi e de seus contratos, evidenciando uma tônica nas práticas comerciais que caracterizam esse forte segmento do transporte de cargas que viabiliza o expressivo e maciço volume de troca de mercadorias entre as grandes economias industrializadas do mundo. Deste modo, sem obedecer uma ordem cronólogica, buscou-se elencar, a seguir, as principais normas contidas em leis esparsas que ainda estão vigentes, as quais têm sido constantemente objeto de proposições legislativas com o objetivo de atualizar seus textos e aprimorá-los, sempre com o propósito de acompanhar a dinâmica dos mercados, que é inerente à evolução das relações sócio-econômicas entre as Nações: dá outras providências ; - Lei nº 5.474, de 18 de julho de 1968, que Dispõe sobre as duplicatas e sociedades por ações ; dá outras providências ; - Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, que Dispõe sobre as - Lei nº 7.357, de 2 de setembro de 1985, que Dispõe sobre o cheque e - Lei nº 8.078, de 11 de setembro de 1990 (Código de Defesa do Consumidor), que Dispõe sobre a proteção do consumidor e dá outras providências ; 1 O Decreto nº 2.044, de 31 de dezembro de 1908, Define a letra de câmbio e a nota promissória e regula as operações cambiais e foi complementado, ao longo dos anos, pelas seguintes leis: Decretolei nº 286, de 28/2/67 (regularização de emissões ilegais de títulos); Decreto-lei nº 697, de (disciplina o registro de títulos em cartórios); Decreto nº , de (promulgou as convenções para adoção de uma Lei Uniforme em matéria de letras de câmbio e notas promissórias); Lei nº 6.268, de (determinou a averbação do pagamento de títulos protestados); Lei nº 6.690, de (disciplina o cancelamento de protesto de títulos cambiais) e o Decreto-lei nº 1.700, de (disciplina a extinção do registro de letras de câmbio e notas promissórias). 5

6 - Lei nº 4.728, de 14 de julho de 1965, que Disciplina o mercado de capitais e estabelece medidas para o seu desenvolvimento ; - Lei nº 6.313, de 16 de dezembro de 1975, que Dispõe sobre títulos de crédito à exportação ; - Lei nº 9.279, de 14 de maio de 1996, que Regula direitos e obrigações relativos à propriedade industrial ; - Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, que Institui o Estatuto Nacional da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte ; - Lei Complementar nº 128, de 19 de dezembro de 2008, que Alterou a Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, para instituir a figura do Microempreendedor Individual MEI ; - Lei nº 6.385, de 7 de dezembro de 1976, que Dispõe sobre o mercado de valores mobiliários e cria a Comissão de Valores Mobiliários ; - Lei nº 7.542, de 26 de setembro de 1986, que Dispõe sobre a pesquisa, exploração, remoção e demolição de coisas ou bens afundados, submersos, encalhados ou perdidos em águas sob jurisidição nacional, em terreno de marinha e seus acrescidos e em terrenos marginais, em decorrência de sinistro, alijamento ou fortuna do mar, e dá outras providências ; - Lei nº 8.934, de 18 de novembro de 1994, que Dispõe sobre o Registro Público de Empresas Mercantis e Atividades Afins ; - Lei nº 8.955, de 15 de dezembro de 1994, que Dispõe sobre o contrato de franquia empresarial ( franchising ) e dá outras providências ; - Lei nº 9.457, de 5 de maio de 1997, que Altera dispositivos da Lei nº 6.404/76 e da Lei nº 6.385/76 ; - Lei nº 9.492, de 10 de setembro de 1997, que Define competência, regulamenta os serviços concernentes ao protesto de títulos e outros documentos de dívida e dá outras providências ; 6

7 - Lei nº , de 2 de agosto de 2004, que Dispõe sobre o patrimônio de afetação de incorporações imobiliárias, Letra de Crédito Imobiliário, Cédula de Crédito Imobiliário, Cédula de Crédito Bancário ; - Lei nº , de 30 de dezembro de 2004, que Dispõe sobre o Certificado de Depósito Agropecuário CDA, o Warrant Agropecuário WA, o Certificado de Direitos Creditórios do Agronegócio CDCA, a Letra de Crédito do Agronegócio LCA e o Certificado de Recebíveis do Agronegócio CRA ; - Lei nº , de 9 de fevereiro de 2005, que Regula a recuperação judicial, a extrajudicial e a falência do empresário e da sociedade empresária (Lei de Falências); - Lei nº , de 11 de julho de 2011, que Altera a Lei nº , de 10 de janeiro de 2002 (Código Civil), para permitir a constituição de empresa individual de responsabilidade limitada - Eireli ; - Decreto-lei nº 116, de 25 de janeiro de 1967, que Dispõe sobre as operações inerentes ao transporte de mercadorias por via d água nos portos brasileiros, delimitando suas responsabilidades e tratando das faltas e avarias ; - Decreto-lei nº 167, de 14 de fevereiro de 1967, que Dispõe sobre os títulos de crédito rural e dá outras providências ; - Decreto nº , de 7 de janeiro de 1966, que Promulga as Convenções para adoção de uma Lei Uniforme em matéria de cheques ; - Decreto nº , de 24 de janeiro de 1966, que Promulga as Convenções para adoção de uma Lei Uniforme em matéria de letras de câmbio e notas promissórias ; - Decreto nº 1.240, de 15 de setembro de 1994, que Promulga a Convenção Interamericana sobre Conflitos de Leis em Matéria de Cheques, adotada em Montevidéu, em 8 de maio de 1979 ; - Decreto nº 2.044, de 31 de dezembro de 1908, que Define a letra de câmbio e a nota promissória e regula as operações cambiais ; 7

8 - Decreto nº 3.708, de 10 de janeiro de 1919, que Regula a constituição de sociedades por quotas de responsabilidade limitada ; nos contratos e dá outras providências ; - Decreto nº , de 7 de abril de 1933, que Dispõe sobre os juros - Decreto nº 2.181, de 20 de março de 1997, que Dispõe sobre a organização do Sistema Nacional de Defesa do Consumidor (SNDC), estabelece as normas gerais de aplicação das sanções administrativas previstas na Lei nº 8.078/90, revoga o Decreto nº 861, de 9 de julho de 1993, e dá outras providências. 3 COMENTÁRIOS ACERCA DA LEGISLAÇÃO ESPARSA. Na extensa relação de leis esparsas, que foram editadas ao longo dos últimos vinte anos para complementar e atualizar muitos artigos do CCB, podemos destacar algumas que são mais importantes, especialmente pelo fato de disciplinarem segmentos expressivos da economia nacional e que sofreram uma evolução mais drástica nos últimos anos no Brasil e noutros países do mundo: - as relações de consumo entre fornecedores e os consumidores; - o tratamento jurídico diferenciado para as microempresas e empresas de pequeno porte (Lei Complementar nº 123, de 14/12/2006, Estatuto Nacional da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte); /05); - a Lei de Recuperação e Falência de Empresas (Lei nº - as normas do direito cambiário relativo aos títulos de crédito contidas nos arts. 887 ao 926 do Código Civil (Lei nº , de 10/01/2002) 2 ; - os novos títulos de crédito do agronegócio, como o Certificado de Depósito Agropecuário CDA, o Warrant Agropecuário WA, o Certificado de Direitos Creditórios do Agronegócio CDCA, a Letra de Crédito do 2 Que vieram complementar os termos, especialmente, da Lei Uniforme (Decreto nº , de 24/1/1966) e do Decreto nº 2.044/08, que ainda regem as letras de câmbio, as duplicatas e as notas promissórias no País. 8

9 Agronegócio LCA e o Certificado de Recebíveis do Agronegócio CRA, introduzidos pela Lei nº /2004; sociedades anônimas; - as sociedades por cotas de responsabilidade limitada e as - a lei de propriedade industrial que veio regular os direitos e obrigações relativos à propriedade industrial (marcas e patentes); - as leis que instituiram a figura do Microempreendedor Individual (MEI) e a Empresa de Responsabilidade Limitada (Eireli), que trouxeram milhares de empreendedores para a economia formal e permitiram um novo e importante impulso na economia de muitos Municípios brasileiros. Algumas dessas leis, acima relacionadas, merecem maior destaque pela importância que exercem no disciplinamento de atividades rotineiras das empresas e dos empresários, especialmente aquelas relativas à recuperação de empresas e falência, aos títulos de créditos, às modalidades de sociedades, à propriedade industrial e ao comércio marítimo. A nova Lei de Falências e Recuperação de Empresas no Brasil, que entrou em vigor em junho de 2005, substituiu o superado Decreto-lei nº 7.661, que vigorava desde O entendimento predominante entre os juristas e agentes econômicos é o de que a nova lei trouxe avanços significativos para a preservação das empresas nacionais, com claros reflexos na manutenção de milhares de empresas e de células produtivas na economia nacional. Há doutrinadores que advogam a necessidade, apenas, de alguns ajustes pontuais em alguns dispositivos da Lei nº /05, sem, no entanto, haver necessidade ainda de uma substancial reformulação que venha, precocemente, alterar seus bons e novos princípios e institutos. A Lei nº 6.404/76, conhecida como Lei das Sociedades Anônimas, também sofreu importantes alterações nos últimos anos, que se mostraram necessárias para atualizar a normatização sobre novas transações e proteger os direitos dos acionistas minoritários, previstos nos novos contratos que surgiram com a democratização e expansão do mercado de capitais no Brasil. A esse respeito, deve-se citar como relevante a sanção da Lei nº , publicada em 31 de outubro de 2001, que trouxe substanciais alterações e acrescentou importantes dispositivos à Lei nº 6.404/76, na medida em que estendeu às sociedades de grande porte as disposições legais relativas à elaboração e publicação de 9

10 demonstrações contábeis, dispondo também sobre os requisitos de qualificação de entidades de estudo e divulgação de princípios, normas e padrões de contabilidade e auditoria como organizações da sociedade civil de interesse público. Por intermédio da Lei nº /01 também foram concedidos novos poderes à Comissão de Valores Mobiliários (mediante alterações e acrescimos no texto da Lei nº 6.385/76), permitindo-lhe maiores condições de melhor supervisionar as instituições captadoras e as operações cada vez mais modernas das bolsas de valores, mercadorias e futuros, envolvendo inclusive o sofisticado e complexo mercado de contratos de derivativos. No tocante à lei de propriedade industrial, Lei nº 9.279, de 14 de maio de 1996, é certo que veio regular os direitos e obrigações relativos à propriedade industrial, revogando o antigo Código de Propriedade Industrial, de Esta lei reflete o disciplinamento das formas de proteção de invenções, desenho industrial e marcas baseado no Acordo sobre os Aspectos dos Direitos de Propriedade Intelectual Relacionados com o Comércio (TRIPs), que foi firmado no âmbito do GATT. As principais inovações introduzidas pela Lei nº 9.279/96 são: a) as dilatações das validades de uma patente (de 15 para 20 anos) e dos registros de desenho (de 10 para 15 anos); b) repressão a falsas indicações geográficas e concorrência desleal; c) patenteabilidade de produtos alimentícios, medicamentos e respectivos processos de obtenção, e de microorganismos transgênicos. Em que pese estar doutrinariamente apartado da legislação comercial, também merece destaque o bom Código de Proteção e Defesa do Consumidor CDC (Lei nº 8.078, de 11 de setembro de 1990), que estabelece as bases da Política Nacional de Relações de Consumo e institui a Política Nacional das Relações de Consumo, a qual tem por objetivo o atendimento das necessidades dos consumidores, o respeito à sua dignidade, saúde e segurança, a proteção de seus interesses econômicos, a melhoria da sua qualidade de vida, bem como a transparência e harmonia das relações de consumo, atendidos importantes princípios descritos em seu art. 4º. Portanto, a lei consumerista, vigente no País desde 1990, estabelece os direitos básicos dos consumidores, determina padrões para as práticas comerciais em que participam e estabelece as sanções administrativas aplicáveis (art. 56). Além disso, o CDC criminaliza determinadas condutas, nos termos de seu art. 66 e seguintes, na medida em que estabelece penas de privação de liberdade, impõe multas aos infratores, define normas para a 10

11 defesa do consumidor em juízo e para as ações de responsabilidade do fornecedor de produtos ou serviços. Assim, apesar do CDC não estar inserido no rol das leis que se situam no âmbito do direito comercial, compreende-se que sua coexistência com o ordenamento jurídico composto pelas demais leis comerciais, ao lado da constante e periódica revisão legislativa, é fundamental para o fortalecimento e higidez das milhões de relações comerciais que se estabelecem diariamente no Brasil, sobretudo com o advento do comércio eletrônico. 4 CONCLUSÃO Diante desse rol extenso de leis, constata-se que, de fato, há uma grande quantidade de normas que foram sancionadas nas últimas décadas, configurando-se inadiável a tarefa de iniciar-se um criterioso trabalho de consolidação das normas atinentes ao Direito Comercial em nosso país, especialmente diante do cenário de fortalecimento e expansão das relações comerciais que caraterizam o incremento das relações do Brasil com alguns países da União Europeia e com as fortes economias do mundo asiático. Entretanto, cumpre ressaltar que, apesar da importância de um eventual trabalho de consolidação de normas na área do Direito Comercial, há matérias que, em virtude de estarem relacionadas com alguns segmentos especiais da economia nacional (a exemplo dos setores do agronegócio e de transporte e logística de cargas marítimas), demandam uma maior flexibilidade e menor rigidez em sua forma de normatização. Tais setores, por serem muito dinâmicos e sensíveis às frequentes mundanças no cenário das práticas internacionais, necessitam de constantes e rápidos aperfeiçoamentos, razão pela qual torna-se prudente que o Legislador tenha cuidados ao inseri-las no bojo de um novo código comercial. Isto posto, entende-se que é necessário segmentar as normas em seus diversos campos temáticos de disciplinamento, sob pena de dificultar-se sobremaneira a indispensável atualização de algumas leis esparsas, diante das peculiaridades acima já comentadas. Por último, lembra-se ainda que deve estar presente nesse valoroso trabalho a preocupação de se perseguir, dentro do possível, a harmonização da nova legislação com aquelas vigentes no âmbito dos países parceiros comerciais do Brasil e membros do Mercosul, sempre tendo o zêlo de acolher os dispositivos constantes de antigos (mais ainda vigentes) Acordos e Tratados Internacionais, nos quais o Brasil figura como signatário e aderiu formalmente às suas cláusulas e condições. 11

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