Coordenação-Geral de Tributação

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1 Fl. 35 Fls. 1 Coordenação-Geral de Tributação Solução de Consulta Interna nº 26 - Data 14 de novembro de 2014 Origem DELEGACIA ESPECIAL DE INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS EM SÃO PAULO ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO PARCELAMENTO DA LEI Nº , de COMBINAÇÃO DAS MODALIDADES DE PAGAMENTO OU PARCELAMENTO. CONVERSÃO EM RENDA DE DEPÓSITOS VINCULADOS E LIQUIDAÇÃO DOS DÉBITOS REFERENTES A MULTAS E JUROS COM UTILIZAÇÃO DE PREJUÍZO FISCAL E BASE SE CÁLCULO NEGATIVA. POSSIBILIDADE. ORDEM DE UTILIZAÇÃO. É possível a extinção de débitos mediante conversão em renda da União de depósitos judiciais ou administrativos, na forma do art. 10 da Lei nº , de 2009, combinada com a liquidação dos valores correspondentes a multa, de mora ou de ofício, e a juros moratórios, utilizando-se de prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa de CSLL (PF/BCN-CSLL), de que trata o 7º do art. 1º da mesma Lei, sendo esta última utilizada somente após o esgotamento do depósito, ou seja, quando constatada eventual insuficiência deste na amortização de parte das multas e juros, cujo saldo residual deve ser atualizado até a data da consolidação tratada no art. 16 da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 6, de DISPOSITIVOS LEGAIS: art. 1º da Lei nº 9.703, de 1998; arts. 1º, 6º e 10 da Lei nº , de 27 de maio de 2009; e art. 32 da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 6, de 22 de julho de Relatório e-processo nº / Trata-se de consulta interna formulada pela Delegacia Especial de Instituições Financeiras em São Paulo Deinf/SP, com respeito à correta interpretação a ser conferida ao art. 10 da Lei nº , de 27 de maio de 2009, e do art. 32 da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 6, de 22 de julho de 2009, a fim de questionar sobre a possibilidade de 1

2 Fl. 36 Fls. 2 extinção de débitos através da conversão em renda da União de depósitos judiciais, na forma do art. 10 da Lei nº /2009, combinada com a liquidação dos valores correspondentes a multa, de mora ou de ofício, e a juros moratórios, com a utilização de prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa da CSLL, na forma do art. 1º, 7º, da Lei nº11.941/ A consulente sinaliza que os 3º, 6º, 10, 11 e 13 do art. 32 da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 6, de 2009, parecem permitir a utilização de prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa da CSLL para liquidar os juros moratórios e a multa, de mora ou de ofício, dos débitos garantidos por depósitos judiciais, mas, em contrapartida, a Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 2, de 3 de fevereiro de 2011, ao disciplinar a utilização de prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa da CSLL nas diversas modalidades da Lei nº , de 2009, não previu essa utilização de forma conjunta com depósitos judiciais, bem como os programas disponibilizados aos contribuintes não permitiam a indicação de depósitos judiciais para liquidar os tributos cujos acréscimos legais juros moratórios e multa, de mora ou de ofício seriam liquidados com a utilização de prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa da CSLL. 3. A consulente entende pela impossibilidade da utilização de prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa da CSLL para liquidar os juros moratórios e a multa, de mora ou de ofício, dos débitos garantidos por depósitos judiciais, sob o fundamento de que o art. 1º, 7º, da Lei nº , de 2009, dispõe que a possibilidade de utilização de prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa da CSLL se limita às empresas que optarem pelo pagamento ou parcelamento dos débitos nos termos do art. 1º da Lei nº /2009, o que não incluiria, portanto, os casos de depósitos judiciais disciplinados no seu art. 10; que o referido 7º do art. 1º é taxativo em restringir o uso de prejuízos fiscais e base de cálculo negativa da CSLL à forma de quitação de que trata o caput do art. 1º da Lei nº , de 2009, como se depreende da expressão nos termos deste artigo contida em sua redação; e ressalta que conforme o art. 111, inciso I, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), interpreta-se literalmente a legislação tributária que disponha sobre exclusão do crédito tributário. 4. Por fim, a consulente pontua que, na hipótese de se concluir pela possibilidade da utilização de prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa da CSLL em conjunto com os depósitos judiciais, como parece permitir a Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 6, de 2009, resta a dificuldade acerca da metodologia de cálculo a ser adotada, pois a data de atualização dos depósitos judiciais, para fins de aplicação dos benefícios fiscais da Lei nº , de 2009, não coincide com a data de apuração do prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa da CSLL. 5. Submetida a análise à Divisão de Tributação da Superintendência Regional da Receita Federal da 8ª Região Fiscal Disit08, esta entendeu pela coexistência das formas de extinção, com espeque no necessário valor semântico da expressão nos termos desta Lei inscrito no art. 10 da Lei nº , de 2009, contido em sua Seção III, que versa sobre Disposições Comuns aos Parcelamentos. Quanto às disposições do 13 do art. 32 da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 6, de 2009, entende que devem ser interpretadas como fazendo alusão à confirmação dos valores de prejuízo fiscal e base de cálculo negativa de CSLL porventura utilizados pelo contribuinte para fins de quitação de débitos outros, não garantidos por depósitos judiciais ou administrativos. Com isso, em obediência ao comando do art. 10 da Lei nº , de 2009, a utilização de eventuais saldos de prejuízos fiscais e base negativa de CSLL para liquidação de multas e juros deveria se dar apenas em momento posterior à conversão da totalidade dos depósitos vinculados aos débitos objeto de pagamento ou parcelamento. 2

3 Fl. 37 Fls. 3 Fundamentos 6. É consabido que a edição da Lei nº , de 27 de maio de 2009, em decorrência da conversão da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008, teve por objetivo instituir programa de regularização de débitos tributários federais mediante regime especial de parcelamento de débitos, com anistia e remissão parcial de multa e de juros de mora, em nome de uma política de incremento da arrecadação tributária. 7. Os artigos 1º a 13 da referida lei estabeleceram as condições para pagamento à vista e parcelamento dos débitos administrados pela RFB e pela Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN). O 3º do art. 1º determinou que a RFB e a PGFN editariam, no prazo máximo de sessenta dias a contar da data de publicação da Lei nº , de 2009, os atos normativos necessários à execução do parcelamento nesta disciplinado. 8. Especificamente no 7º do art. 1º da Lei nº , de 2009, foi prevista a possibilidade de liquidação dos valores correspondentes a multa, de mora ou de ofício, e a juros moratórios, com a utilização de prejuízo fiscal e base de cálculo negativa da CSLL próprios das empresas que optassem pelo pagamento à vista ou parcelamento dos débitos nos termos do caput. Já o art. 10 da referida lei estipula que os depósitos existentes vinculados aos débitos a serem pagos ou parcelados nos termos da Lei nº , de 2009, serão automaticamente convertidos em renda da União: Art. 1º Poderão ser pagos ou parcelados, em até 180 (cento e oitenta) meses, nas condições desta Lei, os débitos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e os débitos para com a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional,. 7º As empresas que optarem pelo pagamento ou parcelamento dos débitos nos termos deste artigo poderão liquidar os valores correspondentes a multa, de mora ou de ofício, e a juros moratórios, inclusive as relativas a débitos inscritos em dívida ativa, com a utilização de prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa da contribuição social sobre o lucro líquido próprios. Art. 10. Os depósitos existentes vinculados aos débitos a serem pagos ou parcelados nos termos desta Lei serão automaticamente convertidos em renda da União, após aplicação das reduções para pagamento a vista ou parcelamento. (Redação dada pela Lei nº , de 2009) Parágrafo único. Na hipótese em que o valor depositado exceda o valor do débito após a consolidação de que trata esta Lei, o saldo remanescente será levantado pelo sujeito passivo. (grifou-se) 9. Conforme já exposto, a unidade local entende, com esteio nas prescrições do art. 111, inciso I, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN), que a previsão contida no 7º do art. 1º da Lei nº , de 2009, se limitaria às empresas optantes pelo pagamento ou parcelamento dos débitos nos termos do seu caput, o que não incluiria a extinção de crédito tributário por meio da conversão de depósitos em renda da União, disciplinada no art. 10 da mesma lei. Utilizando-se de uma interpretação literal, a Deinf/SPO julga que o 7º do art. 1º é taxativo em restringir o uso de prejuízos fiscais e base de cálculo negativa da CSLL à forma de 3

4 Fl. 38 Fls. 4 quitação do caput do art. 1º, considerada a expressão nos termos deste artigo constante da redação daquele dispositivo. 10. Como bem fundamentado pela Disit08, tal posicionamento não merece prosperar, uma vez que, quando o art. 10 da Lei nº , de 2009, dispõe que os depósitos a serem convertidos em renda estão vinculados aos débitos a serem pagos ou parcelados nos termos desta Lei, remete o intérprete à necessária conclusão da legalidade de coexistência da extinção do crédito tributário pela conversão em renda de que trata com o pagamento ou parcelamento na forma do art. 1º da mesma Lei, inclusive com a possibilidade de utilização de prejuízos fiscais e base de cálculo negativa da CSLL para liquidação de multas, de mora ou de ofício, e juros moratórios, conforme a prerrogativa expressamente estabelecida na forma do 7º do art. 1º, respeitada a ordem de utilização, como se verá a seguir. 11. Antes, pois, faz-se necessário transcrever os 3º e 13 do art. 32 da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 6, de 2009, com a redação dada pela Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 10, de 5 de novembro de 2009, os quais disciplinam que, após a conversão em renda ou transformação em pagamento definitivo, o sujeito passivo poderá requerer o levantamento do saldo remanescente, o que só será possível após a confirmação pela RFB dos montantes de prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa da CSLL utilizados na forma do art. 27 da citada portaria: Art. 27. A pessoa jurídica que optar pelo pagamento à vista ou pelo parcelamento nos termos desta Portaria poderá liquidar valores correspondentes a multas, de mora ou de ofício, e a juros moratórios, inclusive relativos a débitos inscritos em DAU, com utilização de créditos decorrentes de prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa da CSLL próprios. Art. 32. No caso dos débitos a serem pagos ou parcelados estarem vinculados a depósito administrativo ou judicial, a conversão em renda ou transformação em pagamento definitivo observará o disposto neste artigo. (Redação dada pela Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 10, de 5 de novembro de 2009) 3º Após a conversão em renda ou transformação em pagamento definitivo de que trata o 2º, o sujeito passivo poderá requerer o levantamento do saldo remanescente, se houver, observado o disposto no 13. (Incluído pela Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 10, de 5 de novembro de 2009) 13. Na hipótese de que trata o 3, o saldo remanescente somente poderá ser levantado pelo sujeito passivo após a confirmação pela RFB dos montantes de prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa da CSLL utilizados na forma do art. 27. (Incluído pela Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 10, de 5 de novembro de 2009) 12. As considerações da Disit08, já expostas o relatório, se coadunam com as conclusões da Coordenação-Geral da Dívida Ativa da União (CDA) da PGFN emitidas no Memorando-Circular nº 220, de 28 de outubro de 2011, no qual, além de tratar de formas de utilização de eventual saldo remanescente de depósito para fins de quitação de outros débitos do sujeito passivo, porventura existentes, afirma que só caberá a utilização de prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa da CSLL após o esgotamento do depósito, ou seja, quando constatada eventual insuficiência deste na amortização de parte das multas e juros, sob o 4

5 Fl. 39 Fls. 5 argumento de que o art. 10 da Lei n /2009 determina a sua utilização imediatamente após a aplicação das reduções pertinentes, não após a incidência de todos os benefícios da lei. 13. O 3º do art. 1º da Lei nº 9.703, de 1998, que dispõe sobre os depósitos judiciais e extrajudiciais de tributos e contribuições federais, traz duas hipóteses: Art. 1o Os depósitos judiciais e extrajudiciais, em dinheiro, de valores referentes a tributos e contribuições federais, inclusive seus acessórios, administrados pela Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda, serão efetuados na Caixa Econômica Federal, mediante Documento de Arrecadação de Receitas Federais - DARF, específico para essa finalidade. 3o Mediante ordem da autoridade judicial ou, no caso de depósito extrajudicial, da autoridade administrativa competente, o valor do depósito, após o encerramento da lide ou do processo litigioso, será: I - devolvido ao depositante pela Caixa Econômica Federal, no prazo máximo de vinte e quatro horas, quando a sentença lhe for favorável ou na proporção em que o for, acrescido de juros, na forma estabelecida pelo 4º do art. 39 da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, e alterações posteriores; ou II - transformado em pagamento definitivo, proporcionalmente à exigência do correspondente tributo ou contribuição, inclusive seus acessórios, quando se tratar de sentença ou decisão favorável à Fazenda Nacional. (grifou-se) 14. Verifica-se que o dispositivo é taxativo. Pelo inciso I do 3º acima transcrito, a devolução ao depositante do valor depositado somente ocorrerá se a sentença transitada em julgado lhe for favorável, mesmo que proporcionalmente. Do contrário, o depósito será convertido em renda da União. 15. Por sua vez, o art. 6º da Lei nº , de 2009, é claro ao dispor que o sujeito passivo deverá, como condição para valer-se das prerrogativas dos arts. 1º, 2º e 3º desta Lei, desistir da respectiva ação judicial e renunciar a qualquer alegação de direito sobre a qual se funda a referida ação, protocolando requerimento de extinção do processo com resolução do mérito, nos termos do inciso V do caput do art. 269 da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil, até 30 (trinta) dias após a data de ciência do deferimento do requerimento do parcelamento. 16. Tem-se, assim, que necessariamente haverá trânsito em julgado da sentença favorável à Fazenda Nacional, cujo depósito somente pode ter uma consequência, nos termos do inciso II do 3º do art. 1º da Lei nº 9.703, de 1998, a sua transformação em pagamento definitivo - observadas tão somente as reduções afirmadas no art. 10 da Lei nº , de 2009, sem que haja qualquer outro dispositivo legal que permita procedimento diverso. 17. Dessa forma, os 3º, 6º, 10, 11 e 13 do art. 32 da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 6, de 2009, devem ser interpretados em conformidade com o disposto nas normas legais que lhe dão sustentação, de modo a interpretação mais consentânea é a de que eventual saldo remanescente favorável ao sujeito passivo após a conversão do depósito em renda somente poderia ser por ele levantado após a confirmação pela RFB dos montantes de prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa da CSLL utilizados na forma do art. 27, para compensação de outros débitos que não aqueles discutidos na ação judicial, como exposto pela Disit08 em sua manifestação. Mas de nenhuma forma poderia haver a interpretação de que o sujeito passivo poderia utilizar o prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa da CSLL, e assim 5

6 Fl. 40 Fls. 6 ter o depósito vinculado àquela ação a ele liberado, sob pena de desrespeito 3º do art. 1º da Lei nº 9.703, de 1998, e ao art. 269 do CPC. Conclusão 18. Pelo exposto, soluciona-se a consulta interna dispondo que é possível a extinção de débitos mediante conversão em renda da União de depósitos judiciais ou administrativos, na forma do art. 10 da Lei nº , de 2009, combinada com a liquidação dos valores correspondentes a multa, de mora ou de ofício, e a juros moratórios, utilizando-se de prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa de CSLL, de que trata o 7º do art. 1º da mesma Lei, sendo esta última utilizada somente após o esgotamento do depósito, ou seja, quando constatada eventual insuficiência deste na amortização de parte das multas e juros, cujo saldo residual deve ser atualizado até a data da consolidação tratada no art. 16 da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 6, de Propõe-se o encaminhamento da presente Solução de Consulta à Delegacia Especial de Instituições Financeiras em São Paulo Deinf/SP, para ciência desta solução. SÉRGIO AUGUSTO TAUFICK Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil De acordo. À consideração da Coordenação de Contribuições Previdenciárias, Normas Gerais, Sistematização e Disseminação - Copen. EDUARDO GABRIEL DE GÓES VIEIRA FERREIRA FOGAÇA Chefe da Divisão de Normas Gerais Dinog De acordo. À consideração do Coordenador-Geral de Tributação. MIRZA MENDES REIS Coordenadora da Copen Aprovo a Solução de Consulta e o encaminhamento proposto e divulgue-se na internet, tendo em vista que já foi cumprido o disposto no 3º do art. 7º da OS nº 1/2013. Encaminhe-se o e-processo à consulente. FERNANDO MOMBELLI Coordenador-Geral de Tributação 6

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