UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU INSTITUTO A VEZ DO MESTRE

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1 UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU INSTITUTO A VEZ DO MESTRE O MERCADO FINANCEIRO E SEUS INSTRUMENTOS DE CRÉDITO: UM ENFOQUE NO TÍTULO DE CRÉDITO - CÉDULA DE CRÉDITO BANCÁRIO Por: Murilo Romero de Oliveira Orientador Prof. Ivan Garcia Rio de Janeiro 2011

2 UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU INSTITUTO A VEZ DO MESTRE O MERCADO FINANCEIRO E SEUS INSTRUMENTOS DE CRÉDITO: UM ENFOQUE NO TÍTULO DE CRÉDITO - CÉDULA DE CRÉDITO BANCÁRIO Apresentação de monografia à Universidade Candido Mendes como requisito parcial para obtenção do grau de especialista em Direito Empresarial e dos Negócios. Por: Murilo Romero de Oliveira.

3 METODOLOGIA A pesquisa quanto aos meios é de caráter é bibliográfico, de cunho descritivo. É bibliográfica, pois será desenvolvida com base em doutrinas, legislações, rede eletrônica e demais materiais científicos afins a esta temática. A metodologia usada para o tratamento dos dados abrangerá o levantamento das medidas provisórias, leis e dados do CETIP e sites correlacionados, objetivando obter elementos para, posteriormente, efetuar a elaboração dos capítulos constituintes deste trabalho. Este estudo terá uma abordagem qualitativa, pois, buscará responder a questões muito particulares, permitindo investigar a complexidade das interpretações e conceituações. O método escolhido para o estudo, ou seja, a CCB como instrumento alavancador de crédito privado no Brasil, apresenta certas limitações, em virtude da escassez das informações e dados científicos, uma vez que a temática é muito recente, existindo poucas publicações sobre o referido tema. Ainda assim, é o método adequado aos propósitos da investigação, porque se sabe que nenhum trabalho científico é capaz de extinguir um tema em sua totalidade, havendo sempre brechas para sugestões de novos estudos.

4 RESUMO O objetivo deste estudo é analisar se Cédula de Crédito Bancário é um instrumento capaz de impulsionar as operações de crédito privado, contribuindo para que o mercado brasileiro tenha um grau de alavancagem compatível com outros países. Esta pesquisa também encontra-se segmentada em três grandes partes, das quais a primeira descreve sobre o Sistema Financeiro Nacional. A segunda parte aborda os Títulos de Crédito e seu papel na economia moderna. E a última parte comenta a Cédula de Crédito Bancário como avalancador do crédito privado no Brasil. Conclui-se que não há, pois, a menor sombra de dúvida de que a cédula de crédito bancário é título de crédito com força executiva, criada por lei, portanto típico, que representa direito certo, líquido e exigível por expressa disposição legal. E a iniciativa do Executivo tem a inegável virtude de dotar as operações de intermediação de recursos financeiros realizadas no bojo do Sistema Financeiro Nacional da máxima segurança e liquidez, criando títulos de crédito líquidos, certos e exigíveis para o retorno célere do capital mutuado. Palavras-chave: Cédula de Crédito Bancário; Sistema Financeiro; Crédito Privado.

5 SUMÁRIO INTRODUÇÃO 5 CAPÍTULO I SISTEMA FINANCEIRO NACIONAL 7 CAPÍTULO II TÍTULOS DE CRÉDITO E SEU PAPEL NA ECONOMIA MODERNA 20 CAPÍTULO III A CÉDULA DE CRÉDITO BANCÁRIO COMO ALAVANCADOR DO CRÉDITO PRIVADO NO BRASIL 36 CONSIDERAÇÕES FINAIS 48 BIBLIOGRAFIA CONSULTADA 50 ÍNDICE 54

6 INTRODUÇÃO 5 O objetivo deste estudo é analisar se Cédula de Crédito Bancário é um instrumento capaz de impulsionar as operações de crédito privado, contribuindo para que o mercado brasileiro tenha um grau de alavancagem compatível com outros países. Passados mais de dezessete anos após a implementação do Plano Real, os benefícios surgidos com a estabilização macroeconômica não foram suficientes para a economia brasileira alcançar um ciclo virtuoso de crescimento, onde a expansão sustentada da demanda agregada e investimentos é gerada, e realimentada a partir de um ambiente com inflação controlada, que permita a queda consistente das taxas de juros e do custo crédito, resultando em um aumento do consumo, da produção e nível de emprego. Para atingir tal condição, o Brasil necessita de uma série de reformas macro e microeconômicas que, na essência, tornem o ambiente para os negócios menos hostis. Entre os ajustes necessários, sem dúvida, um dos obstáculos a superar seria reduzir a atrofia do mercado de crédito privado e um dos principais fatores por seu alto custo e a escassez na oferta de crédito, é a alta carga de riscos jurídicos embutidos em contratos financeiros. Além da menor disponibilidade de instrumentos financeiros com respaldo legal para delimitar previa e adequadamente, direitos e garantias, a execução destes termos contratuais pode enfrentar o risco de longos processos judiciais. Uma das etapas necessárias para que esta realidade seja transformada, seria o surgimento de novos instrumentos financeiros, que incorporem garantias e permitam reduzir os efeitos das condições vigentes nos processos judiciais. Portanto, a principal justificativa deste trabalho é a possibilidade de que a criação da CCB tenha representado este passo inicial. Sendo um

7 6 título de crédito autoexecutável, permite agilizar a cobrança judicial e reduzir seus custos. Adicionalmente, por ser negociável, possibilita a securitização de créditos bancários. O presente trabalho apresentará a CCB através de uma retrospectiva legislativa, desde sua implantação no SFN, chegando à análise de sua capacidade, enquanto instrumento alavancador de crédito privado no Brasil. A apresentação da evolução histórica tem o objetivo de contribuir no entendimento dos principais problemas existentes em relação à CCB nos dias atuais. O trabalho não tem como objetivo apresentar um estudo minucioso do CCB, com todos os aspectos jurídicos explorados. Optou-se por focar os fatores que representam o diferencial deste título de crédito em relação aos demais, abrangendo os principais pontos controversos que regem este título. Portanto, o estudo pretendeu abordar as questões conflitantes que decorrem da utilização da Cédula de Crédito Bancário. Sendo assim, o estudo ficará restrito a questão da utilização da CCB como instrumento alavancador de crédito privado no Brasil. Teve como problema de pesquisa: a Cédula de Crédito Bancário (CCB) é um instrumento capaz de impulsionar as operações de crédito privado, contribuindo para que o mercado brasileiro tenha um grau de alavancagem compatível com outros países? Supõe-se que o advento da CCB, pelas características intrínsecas do título, contribua para a expansão do mercado nacional de crédito privado. Apesar da dificuldade de mensurar objetivamente o peso desta contribuição, há a expectativa de que através da análise comparativa da evolução dos volumes de negociação e dos estoques de CCB registrados na Câmara de Custódia e Liquidação (CETIP), correlacionadas a variação do volume de crédito total no Sistema Financeiro Nacional (SFN) e a variação do PIB, no mesmo período, encontrar evidências suficientes que possam sustentar esta hipótese.

8 CAPÍTULO I SISTEMA FINANCEIRO NACIONAL 7 O objetivo deste capítulo é apresentar a origem e estrutura funcional do Sistema Financeiro Nacional (SFN), descrevendo as principais características das instituições que o compõe. 1.1 Conceitos e funções básicas do Sistema Financeiro Nacional O Sistema Financeiro Nacional compreende o conjunto de instituições e instrumentos financeiros que tem como função principal possibilitar, a realização e manutenção do fluxo de recursos entre os agentes econômicos superavitários e os deficitários (FORTUNA, 2005). Os agentes econômicos deficitários ou tomadores finais são aqueles que gastam ou pretendem gastar em consumo ou investimentos, valores mais altos que suas rendas, enquanto os agentes superavitários, ou doadores finais, caracterizam-se por gastar em consumo ou investimento, menos que a renda obtida, gerando um excedente de poupança (ARAGÃO, 2000). Os tomadores precisam de capital adicional e estão dispostos a pagar juros por estes recursos e os doadores estão dispostos a emprestá-los mediante a uma remuneração. No entanto, para esta convergência de interesses se materializar, é necessário a existência de um ambiente organizado, fiscalizado e controlado por vários órgãos, que permita estabelecer um mínimo de segurança nas relações entre os agentes econômicos. Neste ambiente, denominado mercado financeiro, destaque para os intermediários financeiros, que são instituições financeiras componentes do Sistema Financeiro Nacional, que se dedicam, de

9 8 alguma forma, ao trabalho de promover o encontro de doadores e tomadores (ARAGÃO, 2000). A importância destas instituições na economia fica evidenciada a quando se conclui que todo fato econômico, seja ele de transformação, circulação ou consumo, é suficiente para gerar uma movimentação no mercado financeiro. E qualquer movimentação de compra, venda ou troca de mercadorias e serviços, resulta em uma operação de natureza monetária, envolvendo algum intermediário financeiro: depósito ou recebimento de um cheque, desconto de uma duplicata, transferência de valores entre contas ou uma operação de crédito para antecipar a realização de um negócio (FORTUNA, 2005). Portanto, a importância do Sistema Financeiro Nacional para um país está associada ao fato que todo o processo de desenvolvimento econômico requer a mobilização de capital e alocação da poupança disponível em poder dos agentes econômicos superavitários para os setores produtivos carentes de recursos, mediante a intermediários e instrumentos financeiros. E para garantir a continuidade e aperfeiçoamento deste processo de distribuição de recursos no mercado, é fundamental que o sistema que interliga estas operações mantenha-se sólido e estável. Entretanto, antes de apresentar a estrutura e as condições atuais do Sistema Financeiro Nacional, é importante conhecer o histórico de sua formação (FORTUNA, 2005). 1.2 A origem e evolução do Sistema Financeiro Nacional A primeira experiência de organização de um sistema financeiro brasileiro, surgiu com a criação da Superintendência da Moeda e do Crédito - SUMOC, em A partir de então, e até 1965, as autoridades monetárias brasileiras eram a SUMOC, o Banco do Brasil, e o Tesouro Nacional, que em conjunto, exerciam as funções típicas de um banco central, paralelamente ao desempenho de suas atribuições próprias (ARAGÃO, 2000).

10 9 A criação da SUMOC (Decreto número 7.293, de 20/02/45) decorreu da necessidade de maior controle das instituições financeiras por parte do Governo Federal. Subordinada ao Ministério da Fazenda, funcionava como um órgão conselheiro, não possuía estrutura de controle monetário satisfatório e seu poder de decisão era muito limitado (FORTUNA, 2005). Nesse período o número de estabelecimentos de intermediação bancária, matrizes e agências, alteraram-se em face de um processo de fusões e de incorporações. Caiu o número de matrizes de 404 (1951) para 336 (1964), ampliando-se, entretanto, de forma considerável, o número de agências por matriz, em virtude de instalação de novas agências não só nas áreas urbanas em expansão, como também em regiões mais distantes, que iam sendo incorporadas à dinâmica do crescimento econômico interno (ARAGÃO, 2000). 1.3 A criação do Sistema Financeiro Nacional Os órgãos de aconselhamento e gestão da política monetária, da política de crédito e das finanças públicas, concentrados no Ministério da Fazenda (Tesouro Nacional), na Superintendência da Moeda e do Crédito- SUMOC e no Banco do Brasil S/A, constituíam uma estrutura que não correspondia aos crescentes encargos e responsabilidades na condução da política econômica. Era necessário organizar um Sistema Financeiro, dotado de uma estrutura racional e adequada às necessidades e carências da sociedade brasileira. Para isso, a partir de 1964 foi editado um conjunto de normas que possibilitaram o reordenamento jurídico do sistema, entre as quais a Lei 4.595, de , conhecida como a Lei da Reforma Bancária. Assim, no período de 1964, foram introduzidas profundas alterações na estrutura do Sistema Financeiro Nacional pela promulgação de uma série de leis, devidamente justificadas pelas autoridades monetárias. São elas (MATTOS, 2006):

11 10 A Lei número 4.380, de 21 de agosto de 1964, que instituiu a correção monetária nos contratos imobiliários de interesse social, criou o Banco Nacional de Habitação BNH e institucionalizou o Sistema Financeiro de Habitação SFH. Sua necessidade, justificou-se pelo fato de que a recessão econômica dos anos 1960 aumentava a massa de trabalhadores com pouca qualificação e o Estado não tinha condições de criar ou fomentar diretamente postos de trabalho para essa mão-de-obra. A alternativa que se vislumbrava era a criação de emprego na construção civil e a solução encontrada foi a edição dessa Lei do Plano Nacional da Habitação. A Lei 4.595, de 31 de dezembro de 1964, que constituiu a base de uma verdadeira reforma bancária, reestruturando o sistema financeiro nacional, definindo as características e as áreas específicas de atuação das instituições financeiras e transformando a SUMOC e seu Conselho, respectivamente no Banco Central do Brasil e no Conselho Monetário Nacional. Os órgãos de aconselhamento e gestão da política monetária, da política de crédito e das finanças públicas não vinham correspondendo aos crescentes encargos e responsabilidades na condução da política econômica do país. Essa foi a principal justificativa para a edição dessa Lei, que, além de ter criado as referidas instituições, estabeleceu as normas operacionais, as rotinas de funcionamento e os procedimentos de qualificação aos quais as entidades do Sistema Financeiro deveriam subordinarse. A Lei número 4.728, de 14 de julho de 1965, que disciplinou o mercado de capitais e estabeleceu medidas para seu desenvolvimento. Justificada na oportunidade pelo fato de que o processo de popularização de investimentos estava contido em função da preferência dos investidores por imóveis de renda e de reserva de valor.

12 11 Porém, interessava ao governo a evolução dos níveis de poupança internos e o seu direcionamento para investimentos produtivos. Esse foi o primeiro conjunto de instrumentos legais que deu origem à estrutura do atual Sistema Financeiro Nacional (MATTOS, 2006). Mais tarde, ainda no contexto da reforma do Sistema Financeiro, a Lei 6.385/75 criou a Comissão de Valores Mobiliários CVM, transferindo do Banco Central para essa Comissão a responsabilidade pela regulamentação e fiscalização das atividades relacionadas ao mercado de valores mobiliários (SILVA, 2003). 1.4 Estrutura atual do sistema financeiro nacional Uma grande parte da estrutura do Sistema Financeiro Nacional (SFN), alterou-se em uma ampla reforma do setor a partir de 1964 quando, até então, era composto por bancos de desenvolvimento, nacionais ou estaduais, como o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), o Banco do Nordeste (BN) ou, ainda, o Banco da Amazônia (BA), Caixas Econômicas, Federal (CEF) e Estaduais (CEE), além de bancos comerciais, cooperativas de crédito financiadoras e de capitalização, distribuidoras e bolsas de valores. A função de Banco Central era exercida pela Superintendência da Moeda e do Crédito (SUMOC), instituição que funcionava junto ao Banco do Brasil (BB), acumulando, assim, as funções de banco comercial e banco do governo (MATTOS, 2006). Nessa reestruturação, foram criados, o Banco Central do Brasil (BACEN), o Conselho Monetário Nacional (CMN), o Banco Nacional de Habitação (BNH), a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), além de bancos de investimento e empresas corretoras de valores. Até 1986, o Banco do Brasil (BB) era, ao lado do BACEN, CMN e CVM, uma das autoridades monetárias, perdendo essa condição após o Plano

13 12 Cruzado que, dentre outras medidas, retirou sua conta movimento, que lhe dava a prerrogativa de sacar dinheiro contra o Tesouro Nacional (TN) sem custo algum, atendendo às demandas de crédito do setor estatal. Também nesse ano, o Banco Nacional de Habitação (BNH), foi extinto, alterando-se sensivelmente a configuração do sistema habitacional (SILVA, 2003). Depois dessas transformações, a configuração atual do SFN pode ser dividida em dois subsistemas: o subsistema normativo e o subsistema de intermediação Subsistema normativo O subsistema normativo é responsável pelo funcionamento do mercado financeiro e de suas instituições, controlando, fiscalizando e regulamentando suas atividades, determinando diretrizes de atuação das instituições financeiras operativas ou pertencentes ao subsistema de intermediação. Compõe este subsistema, o Conselho Monetário Nacional (CMN), o Banco Central do Brasil (BACEN), e a Comissão de Valores Mobiliários (CVM). O CMN é órgão do Poder Executivo, enquanto que o BACEN e a CVM são autarquias, com a obrigação de operacionalizar as diretrizes políticas do Governo Federal, conferindo agilidade e dinamismo à sua atuação em matéria econômico-financeira (SILVA, 2003). Criado pela Lei n , de 31 de dezembro de 1964, o CMN é, segundo o art. 16, VII da Lei n /98, órgão máximo do Sistema Financeiro Nacional (SFN), integrante da estrutura do Ministério da Fazenda, presidido, por disposição legal dada pela Lei n /95, em seu art. 8º, pelo Ministro dessa pasta. Os objetivos e a competência de sua política são ditados nos arts. 2º e 3º da Lei de 64, em conjunto com o art. 3º, I e II, da Lei n /76. Tem como finalidade, a formulação de políticas de crédito, monetária e cambial, objetivando o progresso econômico e social do país, além

14 13 de disciplinar as demais instituições do sistema, exercida segundo diretrizes estabelecidas pelo Presidente da República, embora alguns dos seus atos dependam da autorização ou homologação pelo Poder Legislativo. O BACEN, também criado pela Lei n , de 31 de dezembro de 1964 é, na letra do art. 8º, uma autarquia federal, com competência, definida nos arts. 9º e 10 e em normas expedidas pelo CMN, que tem atribuição, pelo art. 14, de escolher sua diretoria e designar seu diretor. Nos termos do art. 1º do Dec. n de 19 de dezembro de 1985, todos os membros da diretoria serão nomeados pelo Presidente da República, sendo possível sua demissão a qualquer tempo (VASCONCELOS, 2000). Compete ao BACEN cumprir e fazer cumprir as disposições que lhe são atribuídas pela legislação em vigor e as normas expedidas pelo CMN, através de resoluções, circulares e instruções. É órgão executor da política monetária, além de exercer a regulamentação e fiscalização de todas as atividades de intermediação financeira do país. (MOREIRA, 2000, p. 95-7). Por fim, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), instituída pela Lei n de 07 de dezembro de 1976 é, segundo os arts. 5º e 6º, 1º de sua lei instituidora, uma autarquia vinculada ao Ministério da Fazenda, cuja diretoria e presidente são nomeados pelo Chefe do Executivo, podendo ser demissíveis, a exemplo do BACEN, a qualquer tempo. Esta instituição destina-se, pelos arts. 1º e 3º, a disciplinar e fiscalizar atividades relativas ao mercado de capitais, segundo política e regulação definidas pelo CMN, muitas delas em coordenação com o BACEN. Segundo Moreira (1999): Suas principais atribuições, segundo o art. 8º são a de regulamentar, as matérias expressamente previstas nesta Lei e na Lei de Sociedades Por Ações, e fiscalizar as bolsas de valores e a emissão de valores mobiliários negociados nessas instituições, como ações, debêntures, partes beneficiárias, os cupões desses títulos, os bônus

15 14 de subscrição e os certificados de depósito de valores mobiliários. (MOREIRA, 1999, p. 157). A CVM, também exerce funções de regulação, fiscalização e supervisão dos mercados de títulos e contratos de investimentos coletivos. Tanto o Conselho Monetário Nacional (CMN), quanto o Banco Central do Brasil (BACEN), ou ainda a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), são partes integrantes de um mesmo todo, estruturado de forma a promover o desenvolvimento equilibrado do país e a servir aos interesses da coletividade, portanto, nada mais natural que possuam muitas características comuns, relativas ao controle hierárquico, à estabilidade no cargo de diretor, a competência regulamentar e de fiscalização. Quanto ao controle hierárquico, são diretamente subordinadas ao Presidente da República e ao Ministro da Fazenda, cumprindo determinações da administração direta de maneira imediata, acatando as diretrizes da presidência, ou mediata, com o CMN definindo políticas e regulando atividades, tanto do BACEN, quanto da CVM (MOREIRA, 1999). Os cargos diretivos são dotados de competência regulamentar, diferenciando-se, apenas, o grau e o conteúdo de tais outorgas, o mesmo em relação à fiscalização, controlando as áreas de sua atribuição, podendo apurar irregularidades e impor sanções Subsistema da intermediação financeira Este subsistema, também denominado operativo, é composto pelas instituições que atuam em operações de intermediação financeira. Pode ser subdividido em cinco grandes grupos de instituições: Bancárias, Não Bancárias, Sistema de Poupança e Empréstimo, Auxiliares e Instituições Não Financeiras (MOREIRA, 1999).

16 15 As Instituições Bancárias abrangem os bancos comerciais, bancos múltiplos e as caixas econômicas. Bancos Comerciais são instituições financeiras obrigatoriamente constituídas sob a forma de sociedades anônimas. No desenho do Sistema Financeiro Nacional, tem a função básica de realizar operações de crédito de curto prazo, satisfazendo, desta forma, às necessidades de recursos para capital de giro das empresas (MOREIRA, 1999). Segundo Moreira (1999): A atividade bancária compreende as funções de recepção de depósitos e efetuação de empréstimos. São obrigados, por lei, a manter reservas obrigatórias iguais a um certo percentual dos depósitos a vista, fixado pelo BACEN, fazendo parte dos investimentos que essa instituição dispõe para controlar os meios de pagamento, além disso, esses órgãos mantêm um certo volume de títulos federais, estaduais e, municipais, com o intuito de atender a desequilíbrios momentâneos de caixa, em geral, provocado pelo serviço de compensação de cheques. (MOREIRA, 1999, p. 157) A principal característica dos bancos comerciais é a autorização de receber depósitos a vista. Como parte destes depósitos podem ser aplicadas pelos bancos sob a forma de empréstimos, que irão, retornar ao sistema financeiro, gerando novos depósitos e novos empréstimos, as instituições passam a influenciar na quantidade de moeda em circulação (MOREIRA, 1999). Este mecanismo é conhecido criação de moeda escritural e seu efeito multiplicador. O volume de recursos captados que podem ser emprestados depende basicamente do nível de reserva voluntária dos bancos que não serão aplicados e por regulamentações das autoridades monetárias quanto ao nível de depósitos compulsórios, que representam um percentual do

17 16 volume de recursos captado que obrigatoriamente são recolhidos pelos bancos comerciais em uma conta de depósito exclusivo. Esta capacidade de criação de moeda também é compartilhada por bancos múltiplos que possui carteira comercial. Os bancos múltiplos são instituições financeiras que realizam operações ativas (crédito), passivas (captação) e serviços, por intermédio de no mínimo duas das seguintes carteiras, sendo que uma delas, necessariamente, comercial ou de investimento: comercial; de investimento; de desenvolvimento (exclusiva para bancos públicos), de crédito imobiliário; de crédito, financiamento e investimento; de arrendamento mercantil (leasing). Segundo Assaf Neto (2003): A criação de bancos múltiplos surgiu como reflexo da própria evolução dos bancos comerciais e crescimento do mercado. A tendência de se formarem conglomerados financeiros no mercado, também foi consequência dos interesses dos bancos em promover a sinergia em suas operações, permitindo que uma instituição completasse sua atividade de intermediação. (ASSAF NETO, 2003, p. 85). As Instituições classificadas como não Bancárias, são aquelas que não possuem capacidade de emitir moeda escritural ou meios de pagamento. As instituições que compõe este grupo são: Bancos de Investimentos, Bancos de Desenvolvimento, Sociedades de Crédito, Financiamento e Investimento, Sociedades de Arrendamento Mercantil, Cooperativas de Crédito, Sociedades de Crédito Imobiliário e as Associações de Poupança e Empréstimos. Os Bancos de Investimentos têm a função básica de fornecer créditos de médio e longo prazo, efetuando para isso, operações de maior escala, como repasses de recursos oficiais de crédito, repasses de recursos captados no exterior, operações de subscrição pública de valores mobiliários

18 17 (ações e debêntures), lease-back, financiamento de bens de produção a profissionais autônomos, securitização de recebíveis (MOREIRA,1999). Suas fontes principais de recursos de terceiros são a colocação de certificado de depósito bancário (CDB) e empréstimos contratados no país e no exterior. Os Bancos de Desenvolvimento constituem-se em instituições públicas estaduais que tem como finalidade estimular o desenvolvimento econômico e social da região onde atuam, através de empréstimos e financiamentos, arredamento mercantil para empresas privadas. As Sociedades de Crédito, Financiamento e Investimento, mais conhecidas como financeiras, dedicam-se ao financiamento de bens duráveis às pessoas físicas por meio de instrumento denominado Crédito Direto ao Consumidor (CDC). Além de recursos próprios gerados por suas operações, a principal fonte de recursos para estas instituições consiste no aceite e na colocação de letras de câmbio no mercado (MOREIRA, 1999). As Sociedades de Arrendamento Mercantil têm como objetivo realizar operações de arrendamento mercantil de bens nacionais. Como principal fonte de recursos, estas instituições contam com a emissão de debêntures e obtenção de empréstimos. As Cooperativas de Crédito são instituições são voltadas a viabilizar créditos para seus associados, enquanto as Sociedades de Crédito Imobiliário, dedicam-se ao financiamento de imóveis (MOREIRA, 1999). As Associações de Poupança e Empréstimos também são instituições financeiras que atuam na área habitacional, por meio de financiamentos imobiliários. Com a extinção do Banco Nacional da Habitação (BNH), o sistema financeiro da habitação no Brasil passou a ser constituído pelas instituições do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimos, ou seja, a Caixa Econômica Federal, Sociedades de Crédito Imobiliário, Associações de Poupança e Empréstimos e Bancos Múltiplos. A captação de recursos deste

19 18 grupo de instituições se dá principalmente pelas cadernetas de poupança e pelos fundos provenientes do FGTS (MOREIRA, 1999). As Instituições Auxiliares são aquelas instituições que se especializam na intermediação financeira no mercado de capitais, sem o poder de emitir o seu próprio passivo.. Entre estas instituições, destaque para as sociedades corretoras que são instituições financeiras que efetuam, com exclusividade, a intermediação financeira nas Bolsas de Valores e as sociedades Distribuidoras, que podem realizar quase todas as operações das corretoras, exceto atuar na Bolsa de Valores. Das Instituições não financeiras que pertencem ao Sistema Financeiro Nacional (SFN), é importante citar as Sociedades de Fomento Comercial (factoring) que são empresas comerciais não financeiras que operam por meio de negociação de duplicatas, cheque, atuando de forma similar ao um desconto bancário (MOREIRA, 1999). Também devem ser consideradas nesta classificação as companhias seguradoras, que são incluídas no SFN por terem obrigação de aplicar parte de suas reservas técnicas no mercado de capitais. 1.5 O mercado de crédito Além de classificação apresentada no item anterior, as instituições financeiras podem ser agrupadas segundo a característica das suas funções de crédito, como descritas a seguir (FORTUNA, 2005): Instituições de crédito de curto prazo: bancos comerciais, caixa econômica, bancos cooperativos, cooperativas de créditos, bancos múltiplos de carteira comercial. Instituições de crédito de médio e longo prazo: bancos de desenvolvimento, bancos de investimentos, caixa econômica, bancos múltiplos com carteira de investimentos e

20 19 desenvolvimento, sociedades de credito ao microempreendedor, agencias de fomento. Instituições de crédito e financiamento de bens de consumo duráveis: sociedades de crédito, financiamento e investimentos financeiros, caixa econômica, bancos múltiplos com carteira de aceite. Instituições de credito imobiliário: caixa econômica, associações de poupança e empréstimos, sociedades de crédito imobiliário, companhias hipotecárias, bancos múltiplos com carteira imobiliária Instituições de intermediação no mercado de capitais: sociedades corretoras, sociedades distribuidoras, bancos de investimentos, bancos múltiplos com carteira de investimentos e agentes autônomos de investimentos. Instituições de seguro e capitalização: seguradoras, corretoras de seguros, entidades abertas de previdência complementar, entidades fechadas de previdência complementar e sociedades de capitalização. Instituições de arrendamento mercantil: sociedades de arrendamento mercantil e bancos múltiplos com carteira de arrendamento mercantil. Nesta última classificação, algumas instituições, pertencem a dois ou mais subgrupos, já que podem atuar em diferentes funções de crédito. Entretanto, o mercado de crédito tem um significado mais restrito, sendo aquele que tem como finalidade principal, suprir as necessidades de recursos no curto e médio prazo dos agentes econômicos, concedendo crédito às pessoas físicas e jurídicas.

21 20 CAPÍTULO II TÍTULOS DE CRÉDITO E SEU PAPEL NA ECONOMIA MODERNA O presente capítulo tem por objetivo apresentar os títulos de crédito, suas características e seu papel na economia dos dias atuais, onde o segmento econômico bancário funciona basicamente como um intermediário entre os poupadores e os tomadores de empréstimo, dinamizando, assim, a economia nacional. 2.1 Aspectos Conceituais Crédito O crédito é um desses artifícios que atestam a inventividade humana. Inexistente na realidade física concreta, os seres humanos, ao longo de sua evolução histórica, estabeleceu o conceito de crédito e sua prática social, percebendo não apenas a necessidade de solucionar problemas relativos à circulação de recursos, mas ainda a oportunidade de otimizar essa circulação (MAMEDE, 2005). Em linhas gerais, essa evolução tem por marco inicial o desenvolvimento há milhares de anos de uma prática revolucionária entre os humanos: em lugar de simplesmente disputar fisicamente o domínio de bens que não se tinha, tentando subtraí-los dos que os detinham, negociá-los. Foi deixado assim o estado de natureza, no qual impera a força física, a conquista, para se ingressar em estágios mais afetos ao Direito; nesse novo período, os seres humanos, individualmente ou coletivamente, aproximam-se na confiança

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