CARLOS EDUARDO GAVANSKI SILVA

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1 UNIVERSIDADE CASTELO BRANCO INSTITUTO QUALITTAS INSTITUTO DE PÓS-GRADUAÇÃO EM MEDICINA VETERINÁRIA CARLOS EDUARDO GAVANSKI SILVA CINOMOSE GUARAPUAVA / PR 2007

2 ii UNIVERSIDADE CASTELO BRANCO INSTITUTO QUALITTAS INSTITUTO DE PÓS-GRADUAÇÃO EM MEDICINA VETERINÁRIA CARLOS EDUARDO GAVANSKI SILVA CINOMOSE Trabalho apresentado à banca examinadora do curso de pós-graduação em medicina veterinária da universidade Castelo Branco em conjunto com o instituto Qualittas, como exigência para obtenção do titulo de especialista em Clínica médica e cirúrgica de pequenos animais UCB. GUARAPUAVA / PR 2007

3 iii UNIVERSIDADE CASTELO BRANCO INSTITUTO QUALITTAS INSTITUTO DE PÓS-GRADUAÇÃO EM MEDICINA VETERINÁRIA CINOMOSE AUTOR: CARLOS EDUARDO GAVANSKI SILVA ORIENTADORA: FLÁVIA REZENDE EUGÊNIO APROVADO, / / GUARAPUAVA / PR 2007

4 iv RESUMO O presente trabalho tem como objetivo a descrição da cinomose, uma doença altamente contagiosa e que possui várias formas de manifestação, com alta letalidade e também debilitante em animais que sobrevivem à mesma. O mesmo também tenta mostrar que a melhor maneira de combatê-la ainda é a prevenção.

5 v SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO CINOMOSE Etiologia Epidemiologia Patologia Diagnóstico clínico Animais selvagens Cães Encefalite dos cães jovens Encefalite multifocal secundária a cinomose em cães adultos Encefalite dos cães velhos Necropsia Laboratorial Sangue Líquor Pesquisa das inclusões Sistema nervoso central Encefalite dos cães jovens Encefalite multifocal secundária a cinomose em cães adultos Encefalite dos cães velhos Encefalite pós-vacinal Sorologia Diagnóstico diferencial Parainfluenza Broncopneumonia verminótica Estrongiloidose Dipilidiose Toxoplasmose Isosporose Intoxicações por clorados e clorofosforados Prognóstico Terapêutica Imunidade Profilaxia CONCLUSÃO REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS... 24

6 1 1 INTRODUÇÃO Neste trabalho a intenção é mostrar detalhes e informações sobre a cinomose, especialmente a canina, uma doença infecto-contagiosa comum e freqüente na rotina das clinicas veterinárias e que ainda é geralmente letal na maioria dos animais afetados.

7 2 2 CINOMOSE A cinomose é moléstia febril altamente contagiosa de cães e outros carnívoros, com distribuição mundial. Esta é a moléstia viral mais prevalente em cães há apenas alguns poucos cães isolados que não foram expostos ou infectados com o vírus. O vírus da cinomose (CDV) causa maiores morbidade e mortalidade que qualquer outro vírus que infecte os cães. A incidência da moléstia é maior em cães jovens, com 3 a 6 meses de idade, depois que desapareceu a imunidade passiva derivada da mãe. A morbidade varia de 25 a 75% a relação fatalidade/casos chega freqüentemente a 50-90%, dependendo da cepa do vírus (ETTINGER e FELDMAN, 1997). A natureza contagiosa da cinomose já era reconhecida desde meados do século XIX, porém, foi Carré quem após uma série de estudos, considerou-a como enfermidade causada por vírus. Os estudos de Carré não foram aceitos por todos os pesquisadores e profissionais, pois se atribuía grande valor ao papel patogênico da B. bronchiseptica. Após os trabalhos de Laidlaw e Dunkin, 1926, foi aceita a etiologia a vírus da enfermidade (CORRÊA e CORRÊA, 1992). A forma clínica da cinomose foi descrita primeiramente por Jenner, 1809, em seu trabalho sobre vacinação contra a varíola humana e a partir de 1930, a enfermidade passou a ser perfeitamente conhecida em suas formas clínicas e etiológicas (CORRÊA e CORRÊA, 1992). 2.1 Etiologia O vírus da cinomose está classificado na família Paramyxoviridae, estando intimamente aparentado, tanto antigenicamente quanto biofisicamente, ao vírus do sarampo dos humanos, e ao vírus da peste bovina (peste do gado) dos ruminantes. Os três vírus são agrupados em conjunto no gênero Morbillivirus. Os morbilivírus são vírus de ARN relativamente grandes (diâmetro de 150 a 250 nm), apresentando simetria helicoidal; possuem invólucro lipoprotéico. (ETTINGER e FELDMAN, 1997). O vírus persiste viável por várias semanas entre 0º e 4ºC e a -76ºC ou liofilizado por sete anos ou mais (CORRÊA e CORRÊA, 1992). Segundo Greene (1984) citado por CORRÊA e CORRÊA (1992) é inativado com formol a 0,5% em quatro horas, com fenol a 0,75% em 10 minutos a 4ºC e com desinfetantes constituídos por amônia quaternária a 0,3% em 10 minutos. A desinfecção rotineira de hospitais e canis com estes compostos é usualmente efetiva. Estes agentes virais são relativamente lábeis, e sua infectividade é destruída pelo calor, dessecamento, detergentes, solventes de lipídios, e desinfetantes. Procedimentos rotineiros de limpeza e desinfecção são eficazes na destruição do CDV em superfícies duras e objetos usados em clínicas veterinárias e canis. Em climas quentes, CDV não persiste nos canis, depois que os cães infectados foram removidos. O vírus sobrevive por mais tempo em ambientes frios e durante os meses de inverno. Ele pode permanecer viável por algumas semanas em temperaturas ligeiramente acima do congelamento, sendo estável durante meses a anos no estado congelado, a temperaturas ultrafrias.

8 3 Embora CDV seja susceptível à radiação ultravioleta, as lâmpadas germicidas têm pouca valia no controle da disseminação da cinomose em hospitais veterinários (ETTINGER e FELDMAN, 1997). Tanto nos cultivos celulares quanto em membranas corioalantóides, e em diversos órgãos de cães afetados, o vírus de cinomose forma inclusões acidófilas, geralmente circulares ou alongadas, elipsoidais e bastonetiformes, homogêneas, quase sempre no citoplasma das células, entretanto, podem ser encontradas também nos núcleos celulares. Nestas inclusões, a microscopia eletrônica e a imunofluorescência mostram os virions (CORRÊA e CORRÊA, 1992). 2.2 Epidemiologia A enfermidade tem distribuição mundial e é endêmica. Já foi descrita nos animais das famílias Canidae (cão doméstico, dingo, raposa, coiote, lobo e chacal); Mustelidae (furão, vison, doninha, texugo e lontra); Procyonidae (guaxinim, coati); Viverridae (cuíca). Mais recentemente, grandes felinos (leões, leopardos e tigres) na califórnia em 1992, e leões na Tanzânia em 1994 foram encontrados susceptíveis e desenvolvendo a infecção pelo CDV. Adicionalmente, o CDV foi isolado dos cérebros de javalis com sinais clínicos de encefalite (APPEL e SUMMERS, 1999). A taxa de infecção é maior do que o número dos animais que adquirem a enfermidade, estimando-se em até 75% de cães suscetíveis que se tornam subclinicamente infectados e eliminando o vírus, sem sinais clínicos da enfermidade (CORRÊA e CORRÊA, 1992). O vírus da cinomose canina é transmitido principalmente por aerossóis e gotículas infectantes provenientes de secreções do organismo de animais infectados, e a infecção dissemina-se rapidamente entre jovens cães susceptíveis. A produção recidivante de cãezinhos durante todo o ano mantém a infecção na população de cães jovens. Existe apenas um sorotipo da CDV, mas há cepas biologicamente diferentes de CDV virulento. Algumas cepas de CDV são levemente virulentas e comumente causam infecções inaparentes. Algumas linhagens causam a doença aguda com elevada freqüência de encefalite, e elevada mortalidade. Outras cepas são mais viscerotrópicas, e causam uma moléstia debilitante com mortalidade elevada, mas com baixa freqüência de encefalite. Um aspecto comum de todas a linhagens virulentas de CDV consiste nos efeitos imunossupressivos em cães (ETTINGER e FELDMAN, 1997). A imunossupressão decorrente da multiplicação viral no tecido linfóide durante o período de incubação é fator importante na determinação do desfecho da infecção pelo CDV. Sinais típicos da cinomose comumente ocorrem apenas em cães imunossuprimidos pelo CDV. Os cães que ganham a batalha entre o vírus e o hospedeiro desenvolvem imunidade e superam a infecção inaparente sem que surjam sinais de cinomose aguda, exceto pela ocorrência de encefalite numa percentagem relativamente pequena de cães. As infecções bacterianas secundárias decorrentes dos efeitos imunossupressivos do CDV são freqüentemente responsáveis por muitos dos sinais clínicos associados à cinomose, contribuindo para o aumento da mortalidade. Além das infecções bacterianas secundárias, a toxoplasmose, coccidiose, enterite viral e infecções micoplásmaticas ficam reforçadas pelos efeitos imunossupressivos da infecção concomitante pelo CDV (ETTINGER e FELDMAN, 1997).

9 4 2.3 Patologia A via de ingresso mais comum é a respiratória, entretanto, o vírus pode ingressar pela via digestiva ou conjuntival, por contato direto; as fontes de infecção mais comuns são o ar, os fômites, água e alimentos contaminados por secreções de cães enfermos (CORRÊA e CORRÊA, 1992). Segundo Braund (1980) citado por CORRÊA e CORRÊA (1992), para estudar a patologia deste vírus expôs 56 cães a aerossol de vírus virulento e acompanhou por meio de anticorpos fluorescentes a localização do antígeno em diversas partes do organismo, a partir do primeiro dia de inoculação. Verificou-se que no 1º dia as células afetadas são os macrófagos do trato respiratório alto e das amígdalas. No 2º e 3º dias o vírus faz viremia e é encontrado nas células mononucleares do sangue. Do 3º ao 6º dias o vírus se replica no sistema linfóide de todo o organismo, tais como medula óssea, timo, baço, linfonodos mesentéricos, placa de Peyer, células mononucleares ao redor dos vasos e brônquios dos pulmões. Entre o 2º e 6º dias ocorre o primeiro pico febril, e entre o 6º e 9º dias as células mononucleares com o vírus são vistas em todo organismo. Nos animais que não demonstram anticorpos a partir do 9º dia, há invasão das células epiteliais pelos vírus. Nestas células epiteliais há replica do vírus. Ocorre então o segundo pico febril e aparecem os sintomas e sinais clínicos. Se estes anticorpos estiverem com título igual ou maior que 100 USN (unidades soroneutralizantes), o animal se recupera e não há invasão das células epiteliais; isto demonstra que a produção destes anticorpos é fator que influencia na disseminação ou no desaparecimento do vírus nos tecidos linfóides e epiteliais. Quando há disseminação para os epitélios após o 9º dia, o vírus foi encontrado: nos epitélios das mucosas conjuntiva e nasal; epitélio traqueal, bronquial, glândulas mucosas, conjuntiva, trato urinário e trato reprodutor (pelve renal, ureter, uretra, bexiga, oviduto, útero, cérvix e vagina). Num período de três dias mais comumente, segundo Gillespie e Karzon, 1981, Kovacs, 1975, Kristensen e Vandevelde, 1978, ou, mais tardiamente, o vírus também alcança o sistema nervoso central (CORRÊA e CORRÊA, 1992). O vírus é então encontrado nas grandes células mononucleares da pia-meninge, nas células gliais principalmente oligodendroglia e astrócitos, nas células de Purkinje, do cerebelo, nos neurônios do córtex cerebral, do gânglio basal, hipocampo e medula óssea. Os animais com esta distribuição do vírus podem ou não ter sinais de encefalite devido ao comprometimento ser mais ou menos intenso. Se os vírus alcançarem em pequena quantidade as células epiteliais, tais como as epidérmicas ou neurônios, antes que os níveis de anticorpos estejam altos, estes vírus podem persistir nestas células, a menos que as mesmas sejam destruídas. Esta permanência explicaria a encefalite tardia e o hard pad disease (onde o vírus está restrito a neurônios e a células dos coxins plantares). A forma de coxins plantares fibrosados, em que o cão não quer apoiar, ou chora e não se levanta, costuma ser progressiva, e, comumente, só é notada no mínimo três a seis meses depois da infecção aguda, podendo surgir até anos após a fase clínico (CORRÊA e CORRÊA, 1992).

10 5 Os sinais neurológicos podem apresentar-se tardiamente, semanas ou meses após a recuperação de cinomose infecções inaparentes, ou após a recuperação de cinomose aguda. Cães que apresentam sinais neurológicos de surgimento tardio em geral têm imunidade contra CDV, o que sugere que o vírus pode ter escapado à eliminação pela resposta imune, em decorrência dos efeitos protetores da barreira hematoencefálica. Os sinais clínicos observados no caso de encefalite cinomósica subaguda são similares aos da encefalite da cinomose aguda; o sinal mais característico é a mioclonia ou espasmo dos flexores, mas qualquer dos sinais acima relacionados poderá surgir. O vírus da cinomose é considerado como a causa mais comum de convulsões em cães com menos de 6 meses de idade. Patologicamente, a desmielinização é achado consistente nos casos de encefalite cinomósica aguda e subaguda, além das alterações no neurônios, gliose, necrose tecidual, edema e infiltração de macrófagos. Os cães sobreviventes podem ficar com seqüelas neurológicas permanentes, envolvendo espasmos dos flexores e disfunções visuais e olfatórias (ETTINGER e FELDMAN, 1997). Infectados os vários órgãos e células, o vírus passa novamente a replicar-se, causando lesões próprias e predispondo órgãos como os pulmões e intestinos a sofrerem invasão bacteriana secundária. Se a fêmea estiver grávida, pode haver infecção transplacentária e neonatal. Na infecção transplacentária os cãezinhos desenvolvem sinais neurológicos, durante as quatro a seis primeiras semanas de vida. A cadela pode apresentar enfermidade de gravidade mediana ou mesmo inaparente. Dependendo do estágio da gestação em que se dê a infecção podem ocorrer abortos, neonatos mortos ou neonatos vivos fracos. Durante a infecção neonatal, podem ocorrer hipoplasia do esmalte dentário e lesões cardíacas e oftálmicas. Cãezinhos que sofram a enfermidade antes do nascimento da dentição permanente podem ter lesões severas no esmalte dentário. O vírus age diretamente sobre as células da membrana ameloblástica, causando hipoplasia do esmalte dentário (CORRÊA e CORRÊA, 1992). As lesões cardíacas são representadas por degeneração das células do miocárdio com necroses e calcificações multifocais. As lesões oculares são representadas por lesões que o vírus causa no nervo óptico, gerando cegueira com pupilas dilatadas e que não reagem aos estímulos luminosos. Na retina, se traduzem por degeneração e necrose com descolamento focal ou total da mesma. Há também o aparecimento de lesões crônicas, circunscritas, hiper-reflexivas, atróficas da região fúndica retiniana e que são chamadas de medalhões dourados. Estas lesões são características da cinomose (CORRÊA e CORRÊA, 1992). As principais lesões macroscópicas durante a fase aguda da cinomose são: conjuntivite, rinite e faringite catarrais ou catarropurulentas, broncopneumonia catarropurulenta, enterite catarral ou catarropurulenta, principalmente no intestino grosso; baço aumentado de volume e, com freqüência, congesto; fígado muitas vezes congesto. Atrofia do timo é comum nos casos graves. Às vezes encontram-se pústulas rodeadas por halo eritematoso na pele do ventre. Este quadro é o de cinomose aguda, podendo desenvolver-se em 10 a 20 dias (CORRÊA e CORRÊA, 1992). Microscopicamente, nas mucosas afetadas e nos pulmões, encontra-se infiltração leucocitária predominantemente neutrofílica, com presença, em maior ou menor número, de linfócitos e macrófagos; nos pulmões há formações sinciciais, que se apresentam como células gigantes. Nos órgãos linfóides, principalmente amígdalas, linfonodos e baço, é possível observar acentuada degeneração linfocitária

11 6 com cariorrexis e mesmo necrose total de folículos linfóides. Nos órgãos do encéfalo, principalmente no cerebelo, ponte e véu bulbar que recobre o 4º ventrículo, podem se observar manguitos linfóides perivasculares e, no cérebro, edema perivascular e congestão; todas estas lesões localizadas principalmente na substância branca dos giros cerebelares, ponte e véu bulbar, vistas em pequeno aumento, oferecem o aspecto de esponja (estado esponjoso do SNC). A partir da 2º viremia, é comum o aparecimento de inclusões acidófilas citoplasmáticas e mais raramente nucleares nas células epiteliais, nas células reticuloendoteliais do baço, linfonodos, nos leucócitos circulantes, nos astrócitos, nos neurônios, nas células da glia epitelial dos ventrículos do SNC; estas inclusões são denominadas de inclusões de Lentz ou de Sinigaglia-Lentz. Estudos realizados por imunofluorescência e por microscopia eletrônica mostram a passagem do vírus de neurônio a neurônio, e sua ação desmielinizante (CORRÊA e CORRÊA, 1992). As manifestações oculares da cinomose são, em freqüência decrescente: conjuntivite, coriorretinite, ceratoconjuntivite seca (CCS), e lesões do nervo óptico. Sempre está presente conjuntivite, numa forma aguda. Os olhos exibem corrimento seroso e, em seguida, mucopurulento ou purulento; em alguns casos, a secreção das lágrimas está evidentemente diminuída e o corrimento mucopurulento adere à córnea. A ceratoconjuntivite seca pode resultar em úlcera e perfuração da córnea. A causa da CCS nesta afecção é atribuída a dacrioadenite induzida por vírus. O exame citológico da conjuntiva revela reação predominantemente mononuclear. Depois de alguns dias, a população celular é progressivamente substituída por células polimorfonucleares. Corpos de inclusão (inclusões de Lentz) podem ser encontrados nas células epiteliais após 6 dias. Embora um achado positivo seja conclusivo, um achado negativo é inconclusivo. Foram publicados resultados diagnósticos superiores, concernentes a técnica de anticorpos fluorescentes utilizando macrófagos (ETTINGER e FELDMAN, 1997). A conjuntivite aguda responde bem à aplicação local de gotas oculares contendo antibiótico de amplo espectro, em seguida a limpeza ocular de rotina. Caso esteja presente CCS, haverá necessidade da reposição das lágrimas por meio de soluções umectantes artificiais. Comumente a secreção de lágrimas retorna em 3 a 6 semanas (ETTINGER e FELDMAN, 1997). Coriorretinite, lesões do nervo óptico, e lesões do trato óptico resultam do neurotropismo do vírus da cinomose. Estas complicações podem ocorrer concomitantemente com a afecção geral; ou, aparentemente podem surgir de forma isolada, como ocorre em cães mais idosos. A incidência publicada da retinite clinicamente ativa é variável, embora se tenha afirmado que 60% dos cães com cinomose podem exibir sinais de retinite. Podem ser observadas lesões inflamatórias retinianas ativas, tanto na zona tapetal quanto não-tapetal. As lesões retinianas agudas decorrentes da cinomose caracterizam-se por áreas nubladas de retinite e infiltração perivascular. Depois de diversas semanas, esta região se torna atrofiada, ficando assinalada por lesões hiper-reflexivas brilhantes na retina tapetal. Na área não tapetal, surgem manchas despigmentadas e áreas de coloração cinzento-clara. Raramente são observados edema de nervo óptico e papiledema. Oftalmoscopicamente, não são observadas lesões do trato óptico (ETTINGER e FELDMAN, 1997). A histopatologia da retinite aguda se caracteriza por edema congestivo da camada de fibras ópticas e camada plexiforme interna. Em alguns casos, podem ocorrer formação de bainhas

12 7 perivasculares (em torno de veias) e neurite óptica acompanhada de gliose e degeneração (ETTINGER e FELDMAN, 1997). 2.4 Diagnóstico clínico Animais selvagens Os primeiros sintomas da infecção são freqüentemente hiperemia da pele e da mandíbula, ao redor dos olhos, das orelhas e dos coxins plantares. Há corrimento ocular mucoso. Ao progredir a enfermidade, ocorrerá inflamação das zonas descritas e também do focinho e da região anal (CORRÊA e CORRÊA, 1992). Formam-se pápulas nos lábios, e há exsudação serosa das áreas inflamadas da pele, com formação de crostas muito secas. A seguir, o corrimento ocular torna-se purulento com inflamação das pálpebras, ocorrendo o fechamento das mesmas. Há depilação ao redor dos olhos, com formação de crostas, dando aspecto de óculos. As patas tornam-se muito inflamadas e recobertas com exsudato seco, semelhante a botas (CORRÊA e CORRÊA, 1992). A dermatite pode estender-se para a maior parte do corpo, especialmente para a área ventral, determinando o espessamento das pregas da pele. Finalmente, ocorre diarréia, e também podem ocorrer sinais nervosos: gritos, tendência para morder objetos e ataques epileptiformes (CORRÊA e CORRÊA, 1992) Cães Após um período de incubação de seis dias, ou um pouco mais, surge o primeiro período clínico da cinomose, que corresponde ao primeiro pico febril e a localização do vírus nos órgãos linfóides. Nesta fase da enfermidade, encontramos hipertermia até 41ºC, anorexia, congestão conjuntival discreta e corrimento seroso ocular e nasal. Geralmente, esta fase passa despercebida ao proprietário, e o animal não é levado ao veterinário. Seguem-se dois a três dias, em que tudo parece voltar à normalidade. Entretanto, se houver progresso do vírus por falta de anticorpos, haverá disseminação para as células epiteliais, e aí teremos o segundo pico febril com sintomas característicos. Podemos ter cinomose aguda com ou sem sintomatologia nervosa (CORRÊA e CORRÊA, 1992). Poderão ocorrer sintomas digestivos, respiratórios ou nervosos. Geralmente aparecem primeiro os sintomas digestivos ou sintomas respiratórios, que depois progridem para os sintomas nervosos. As vezes já aparecem os sintomas nervosos, diretamente, mas isto não é o comum. Os sintomas e sinais mais característicos são: hipertermia de 40,5 a 42ºC (às vezes não há temperatura elevada), anorexia, conjuntivite e rinite purulentas, vômitos, broncopneumonia catarropurulenta e diarréia, que às vezes é sanguinolenta e algumas vezes pústulas abdominais (CORRÊA e CORRÊA, 1992). O exame oftalmoscópico pode detectar coriorretinite com áreas irregulares cinzentas e rosadas de degeneração, tanto no fundo tapetal quanto no não-tapetal, no caso da moléstia aguda, além de

13 8 evidencias de atrofia retiniana e formação cicatricial caracterizadas por áreas de hiperreflexividade da luz, que surgem como lesões em medalhões de ouro intensamente coloridas no cães com infecções crônicas com o CDV, ou que se recuperaram de prévia infecção. Podem estar presentes irregularidades na superfície dos dentes, em decorrência da hipoplasia do esmalte, resultante da lesão direta do CDV à camada ameloblástica dos dentes em desenvolvimento. Linfopenia é achado consistente nos casos de cinomose aguda, podendo apoiar o diagnóstico clínico. Trombocitopenia pode estar presente no meio do curso da moléstia. O diagnóstico definitivo pode ser firmado pela detecção do CDV nas células epiteliais, por meio do exame do exame dos anticorpos fluorescentes, ou pelo isolamento do vírus. Os testes sorológicos podem, ou não, ter utilidade no diagnóstico da cinomose aguda, porque os cães com cinomose comumente não respondem imunologicamente. Os cães que se recuperam da cinomose aguda apresentam títulos mais baixos de anticorpo do que os cães com infecções inaparentes ou com imunidade induzida pela vacina, mas a relação entre IgM/IgG especifica para CDV é mais elevada no cão em processo de recuperação (ETTINGER e FELDMAN, 1997). O teste de anticorpos fluorescentes (AF) é geralmente efetuado com base em células epiteliais coletadas da conjuntiva ou outras membranas mucosas, ou esfregaços sanguíneos ou de células provenientes do tampão leucocitário, visto que o CDV infecta linfócitos e trombócitos. As células podem ser coletadas mediante raspagem suave da membrana mucosa, usando para tal a extremidade romba do cabo de bisturi esterilizado ou outro instrumento rombo adequado, e transferindo as células para a lâmina limpa por meio de laquê (decalque) da lâmina. Devemos tomar o cuidado para que o material não seja esfregado ou riscado na lâmina, o que poderia causar ruptura das células intactas. As células podem ser coletadas de membranas mucosas mediante uso de cotonete esterilizado ou aplicador com ponta de Dacron, e as células serão aplicadas numa lâmina limpa, rolando o cotonete ou aplicador sobre a lâmina; ainda uma vez, deve-se evitar que o material seja esfregado ou riscado ao coletar células epiteliais conjuntivais, é importante primeiramente limpar o olho, para remoção do exsudato, que poderá complicar a coleta e exame das células epiteliais. A interpretação do teste AF baseia-se na detecção do antígeno do CDV apenas no interior de células epiteliais intactas. O êxito do teste AF, traduzido pela detecção de células positivas para CDV, é positivo durante os primeiros dias dos sinais agudos da cinomose. Comumente o teste AF é negativo nos casos de encefalite cinomósica subaguda, de surgimento tardio, ou crônica, porque os cães com estes distúrbios geralmente possuem o anticorpo neutralizador que eliminou o vírus, ou que bloqueia a reação AF. O antígeno viral persiste por mais tempo nos macrófagos de células epiteliais no trato respiratório inferior e nas células epiteliais dos coxins plantares de cães que se recuperaram da cinomose sistêmica (ETTINGER e FELDMAN, 1997). Um teste AF negativo para CDV não elimina categoricamente a possibilidade da cinomose, no diagnóstico. Um teste positivo para CDV indica que foi detectado o antígeno de CDV nas células observadas, e os resultados devem ser interpretados em conjunção com os sinais clínicos. As cepas atenuadas do CDV usado nas vacinas VVM (vírus vivo modificado) não se disseminam do tecido linfóide até as células epiteliais, não sendo, pois, detectadas pelo teste AF. Um teste AF positivo para CDV foi detectado em cães sem sinais clínicos de cinomose e, em alguns casos, em cães que tenham títulos do anticorpo neutralizador que seriam considerados como protetores. A exposição aos aerossóis contendo

14 9 CDV pode resultar em infecção localizada, com multiplicação limitada do vírus, quando quantidades inadequadas do anticorpo estão presentes nas secreções mucosas ou lacrimais. A imunidade sistêmica impede a disseminação do vírus, enquanto vai se desenvolvendo a imunidade local, para a eliminação do vírus. É este tipo de multiplicação limitada e resposta imune que mantém a imunidade nos cães adultos com exposições freqüentes ao CDV (ETTINGER e FELDMAN, 1997). Na fase nervosa da cinomose, o sinal mais comum é constituído pelo aparecimento de mioclonias em grupos musculares determinados, por exemplo, só auriculares, só temporais, só mesentéricos, só flexões de algum membro, ou então em numerosos grupos musculares. A localização destas mioclonias está ligada às áreas lesadas do cérebro e medula, com conseqüente irritação e estímulo neuronal, ou depressão de áreas bloqueadoras dos núcleos da base, deixando assim livres os estímulos irritativo-inflamatórios corticais que dão origem às mioclonias (CORRÊA e CORRÊA, 1992). Há casos em que os animais, devido à meningoencefalite, estão agressivos, simulando raiva, e outros, devido à mioclonia dos músculos mastigadores, apresentarão sialorréia. Isto ocorre devido à polioencefalomalácia dos lobos temporais. Esta forma especifica de encefalite causada pelo vírus da cinomose afeta principalmente o córtex piriforme, o hipocampo e as estruturas profundas dos lobos temporais e seria resultante de isquemia bilateral simétrica seguida de necrose (CORRÊA e CORRÊA, 1992). Podem ainda ocorrer profunda apatia, marcha cambaleante, paresias e finalmente paraplegia flácida dos membros posteriores, simulando traumatismo lombar. Há casos ainda com perda do tônus muscular ou com movimentos incoordenados, causados por lesões cerebelares que determinam ataxia e, em alguns animais, há tremores e convulsões que sugerem a epilepsia (CORRÊA e CORRÊA, 1992). Durante a fase nervosa a anorexia se mantém, pode haver hiper ou hiporreflexia de reflexos auditivos, dolorosos e tendinoso-musculares. Há cães que se sobressaltam se batermos palmas repentinas, outros nem se voltam para ver de onde vem o som. Há animais que choram, ao serem manuseados ou palpados, ou ao menor pinçamento da membrana interdigital, outros não reagem; há animais com excessivo patelar, outros o têm muito deprimido (CORRÊA e CORRÊA, 1992). Quanto à encefalite, podemos ter três apresentações: Encefalite dos cães jovens É acompanhada de sintomas sistêmicos. Os sinais neurológicos são muito variáveis e usualmente sugerem uma distribuição multifocal das lesões. Os sinais corticais e subcorticais incluem os espasmos semelhantes aos da epilepsia, e muitas vezes há mudança da personalidade, tais como depressão e desorientação (CORRÊA e CORRÊA, 1992). Sinais de localização no tronco cerebral incluem incoordenação, hipertermia, quedas, cabeça inclinada e nistagmo. Ocasionalmente, há monoplegia ou paraplegia. O sinal característico desta encefalite é a mioclonia ou espasmos flexores. Usualmente, estas mioclonias persistem durante o sono. Distúrbios visuais são freqüentes e estão associados geralmente com reflexos pupilares anormais (CORRÊA e CORRÊA, 1992).

15 Encefalite multifocal secundária a cinomose em cães adultos Aparece freqüentemente entre os quatro e seis anos, e esta encefalite tem curso crônico. Esta enfermidade não é precedida nem coincidente com os sinais sistêmicos que são vistos nos cães jovens. Não é inusual que esta enfermidade lenta e progressivamente permaneça clínica e patologicamente estática (CORRÊA e CORRÊA, 1992). Os sinais neurológicos incluem fraqueza dos membros pélvicos, incoordenação generalizada e quedas ocasionais. Estes sinais freqüentemente progridem para a tetraplegia. Ataques epileptiformes e mudanças de personalidade não são freqüentes. Pode haver reflexos pupilares normais ou anormais. Alguns animais apresentam paralisia facial e nistagmo. Tremores na cabeça podem ser vistos e as mioclonias podem ou não estar presentes (CORRÊA e CORRÊA, 1992). Ocasionalmente, os cães afetados podem cair, e o distúrbio poderá progredir até eventual paralisia. Podem ocorrer períodos intermitentes de ocorrência de patamar clínico e patológico, seguido pela progressão da moléstia. Os cães afetados permanecem mentalmente alertas. Convulsões generalizadas e mudanças de personalidade não são características desta moléstia (ETTINGER e FELDMAN, 1997) Encefalite dos cães velhos È uma panencefalite esclerosante e comumente observada em cães com mais de seis anos, porém já foi encontrada em animais com menos idade. É subaguda ou crônica. Não há sintomas sistêmicos. O mais comum sinal neurológico é a diminuição visual. É uma enfermidade progressiva e acompanhada pelo desenvolvimento de depressão mental, andar compulsivo em círculos, hipercinesia e obstinada vontade de querer manter a cabeça pressionada contra paredes ou objetos (CORRÊA e CORRÊA, 1992). Em geral os sinais clínicos são as deficiências visuais e respostas bilaterais deficientes às ações de ameaça. Com a progressão da moléstia, os cães afetados ficam mentalmente deprimidos, começam compulsivamente a andar em círculos ou a comprimir a cabeça contra objetos, e manifestam mudanças da personalidade, de uma espécie semelhante ao estupor ou à mudez, e não reconhecem mais os seus donos, e nem respondem aos estímulos normais em seu ambiente. O curso clínico pode ter progressão subaguda, e as alterações patológicas foram descritas como encefalite esclerosante difusa subaguda (ETTINGER e FELDMAN, 1997). O animal afetado pode manifestar uma mudança de personalidade e falha em reconhecer pessoas, objetos e outros animais. Sinais de envolvimento do tronco cerebral são raros. Fundamentalmente, há desmielinização, gliose e fibrosamento, e pode haver sinais de atividade recente, com infiltração mononuclear perivascular. Nem sempre o vírus da cinomose tem sido demonstrado nesses casos, mas em vários já o foi, seja por imunofluorescência, seja por microscopia eletrônica, seja por isolamento e caracterização sorológica (CORRÊA e CORRÊA, 1992).

16 11 A morte na forma nervosa ocorre por coma, ou durante convulsões, ou por razões secundárias à neuropatia, como ataxia, anorexia prolongada, decúbito favorecendo grave pneumonia hipostática, paresia e paralisia entérica e/ou vesical, perturbação metabólica geral e outros numerosos estados decorrentes das lesões nervosas primárias (CORRÊA e CORRÊA, 1992) Necropsia Segundo CORRÊA e CORRÊA (1992) as lesões geralmente são pouco significantes e algumas delas são resultados da infecção bacteriana secundária. Podemos encontrar lesões em: timo com atrofia desde parcial até completa, principalmente em cães novos; pulmões broncopneumonia catarropurulenta ou simplesmente congestão; baço - aumentado de volume e congesto; fígado aumentado de volume e congesto; intestinos com enterite catarropurulenta ou catarro-hemorrágica; meninges - podem estar congestas nos casos de meningite e encefalite (CORRÊA e CORRÊA, 1992). Na necropsia, confirma-se melhor o diagnóstico clínico por meio das lesões histológicas e/ou por meio do ensaio de imunofluorescência do antígeno viral nos tecidos (FRASER et al, 1991) Laboratorial Sangue A linfopenia absoluta causada por depleção dos tecidos linfóides é dependente da amostra do vírus ser mais ou menos imunossupressora e ocorre principalmente em cães muito novos, e estes desenvolvem rapidamente enfermidade sistêmica ou já sinais neurológicos. Trombocitopenia e anemia regenerativa foram encontradas em neonatos experimentalmente infectados com menos de três semanas de vida. Entretanto, em cães adultos infectados espontaneamente, isto não ocorre com freqüência (CORRÊA e CORRÊA, 1992). Quanto à diminuição dos linfócitos, McCullough et al., 1973, verificaram que ela pode ocorrer, e os animais que não conseguem voltar à normalidade em contagem linfocitária circulante, até doze semanas pós-infecção, desenvolvem lesões do sistema nervoso central e vêm a morrer (CORRÊA e CORRÊA, 1992) Líquor Há aumento de proteína (maior que 25 mg/dl), principalmente representada por IgG antivírus da cinomose e aumento de células (maior que 10/dl) com predominância de linfócitos. Este aumento evidencia encefalite crônica causada pelo vírus da cinomose. Não é verificado em cães vacinados contra a cinomose e nem nos que tenham tido cinomose sistêmica sem encefalite (CORRÊA e CORRÊA, 1992).

17 Pesquisa das inclusões As inclusões descritas por Lentz, em 1907, em núcleos e citoplasmas de neurônios de cães que morreram com cinomose, e por Sinigaglia, em 1912, em células de outros órgãos podem ser coradas pelo método de Seller, no qual apresentam coloração acidófila e não têm a mesma freqüência nos diversos órgãos, e nestes órgãos têm variações individuais muito grande. Entretanto, pode-se considerar que esteja presente em 78% na bexiga, 72% nos brônquios, 68% no parênquima pulmonar, 62% na terceira pálpebra, 32% no hipocampo, 26% no cerebelo, 17% no fígado, 6% no córtex cerebral e 6% na medula oblongata (CORRÊA e CORRÊA, 1992). Na pele particularmente no abdômen, pode ocorrer uma dermatite vesicular e pustular. As vesículas e pústulas estão confinadas à de Malpighi da epiderme, mas é comum alguma congestão da derme subjacente, e ocasionalmente ocorre uma infiltração por linfócitos. Corpos de inclusão nucleares ou citoplasmáticos podem estar presentes no interior das células epiteliais, especialmente as das glândulas sebáceas (JONES et al, 2000). O epitélio do trato urinário, particularmente da pelve renal e da bexiga, pode conter vasos congestos e corpos de inclusão citoplasmáticos ou intranucleares que podem ser evidenciados ao microscópio. O estômago e intestinos podem conter grande número de inclusões citoplasmáticas e algumas inclusões intranucleares no epitélio de revestimento. Afora essas inclusões, poucas lesões são observadas. No intestino grosso, com freqüência o exsudato mucoso é excessivo; podem ser demonstradas congestão e infiltração (por linfócitos) da lâmina própria. Ocorre necrose nas áreas de linfócitos T e B dos linfonodos e baço. Raramente, estão presentes células gigantes multinucleadas, contendo corpos de inclusão (JONES et al, 2000). De particular relevância no diagnóstico clínico da cinomose é o achado que as inclusões citoplasmáticas surgem em alguns neutrófilos circulantes dos cães afetados. A ocorrência dessas inclusões em leucócitos é evidência de que o vírus está presente, mas sua ausência tem pouco valor na determinação da ausência do vírus (JONES et al, 2000). Estas inclusões têm de 1 a 15 nm de diâmetro, podem variar muito na forma: ovais, redondas, cilíndricas, piramidais em bastonete. Muitas destas inclusões encontram-se rodeadas por halos claros. As intranucleares dos neurônios e astrócitos podem ocasionalmente ter cor violeta-acinzentada (CORRÊA e CORRÊA, 1992). À microscopia eletrônica mostram ser estruturas aparentemente sem membrana limitante. Nos menores aumentos apresentam-se como estruturas filamentosas, e nos altos cada filamento corresponde a um túbulo de 10 nm de diâmetro. Estes túbulos são os nucleocapsídeos víricos (CORRÊA e CORRÊA, 1992). Estas inclusões podem ser coradas pelos corantes de base Romanowsky, tais como o de Giemsa e o de May Grunwald e são encontradas também em pequeno número nas células do sangue. Seu número é pequeno em linfócitos e ainda menor em neutrófilos e hemácias. Nos linfócitos e neutrófilos têm mais ou menos 3 nm de diâmetro, quase sempre ovais e são acidófilas ou acinzentadas.

18 13 Nas hemácias (principalmente nos policromatófilos) são arredondadas, periféricas e com coloração azul brilhante. O significado morfológico da inclusão do vírus da cinomose não é completamente conhecido. Histoquimicamente ele é composto por agregados de nucleocapsídeos e debris celulares resultantes da ação vírica (CORRÊA e CORRÊA, 1992). Segundo GREENE (1984) CITADO POR CORRÊA e CORRÊA (1992) é necessária precaução para confirmar absolutamente o diagnóstico de cinomose, baseado somente na presença de inclusões, pois inclusões típicas citoplasmáticas têm sido identificadas na bexiga de cães normais. Ainda segundo aquele autor infortunadamente as inclusões não somente são inespecíficas como também aparecem tardiamente para serem usadas rotineiramente, e o uso, somente, do encontro da mesma para detectar a enfermidade não é o suficiente, pois em cães onde ela não foi encontrada em pulmões pneumônicos este resultado falso-negativo, pois os mesmos animais tiveram o diagnóstico de cinomose confirmado pelo método de imunoperoxidase, que é muito sensível Sistema nervoso central Encefalite dos cães jovens Presença de: bainhas de células mononucleares perivasculares; gliose (reação de astrócitos caracterizada por proliferação ou hiperplasia); proliferação da microglia, infiltração de células inflamatórias na pia e aracnóide (CORRÊA e CORRÊA, 1992). Em muitos casos há edema ependimário e subependimário, com vacuolização evidente e proliferação de células gliais subependimárias. É comum encontrar-se proliferação das células adventícias e edema endotelial. Encontram-se mudanças neuronais, inclusive picnose nuclear e cromatólise e neuronofagia principalmente no córtex cerebral, na substância cinzenta da junção pontemedula oblongata, nas células de Purkinje e na medula (CORRÊA e CORRÊA, 1992). Na substância branca, as lesões variam de acordo com a intensidade e duração da infecção. Há aparente predileção para a substância branca do cerebelo, pedúnculos cerebelares, nervo óptico e medula, que apresentam lesões de desmielinização focal, isoladas ou confluentes (CORRÊA e CORRÊA, 1992). As fibras nervosas podem ter degenerações resultantes das alterações axonais: aparecimento de grandes massas circulares ou ovóides, que são caracterizadas por acúmulo de estruturas vesicutubulares. Quando estas estruturas estão em grande número podem causar distrofia neuroaxonal. Quando as lesões são muito severas, é evidente também a necrose dos tecidos, edema e infiltração macrofágica, estando estas lesões quase sempre situadas nos pedúnculos cerebelares. Também podem ser encontradas estas lesões na substância branca cerebral. As inclusões são encontradas em grande número em muitos dos casos (CORRÊA e CORRÊA, 1992) Encefalite multifocal secundária a cinomose em cães adultos

19 14 Encontram-se lesões multifocais e necrozantes mais freqüentemente no ângulo bulbopontino, adjacente ao quarto ventrículo; nos pedúnculos cerebelares e cerebrais, na substância branca cerebelar e nos tratos ópticos. Na substância cinzenta de todo o cérebro encontram-se lesões císticas e grande astrogliose(corrêa e CORRÊA, 1992). As lesões focais podem estar associadas com finos manguitos de células mononucleares perivasculares. Pequenas placas de desmielinização podem ser encontradas na cápsula interna e na corona radiata. Geralmente não são encontradas lesões no córtex cerebral. As inclusões são raras e quando estão presentes estão usualmente localizadas nos núcleos dos astrócitos (CORRÊA e CORRÊA, 1992) Encefalite dos cães velhos Caracteriza-se principalmente por ser uma panencefalite (inflamação difusa envolvendo substância branca e cinzenta). As lesões são restritas ao sistema nervoso central e caracterizadas por infiltração perivascular disseminada com linfócitos e plasmócitos, proliferação difusa da microglia, astrogliose, degeneração neuronal ou neurofagia. Estas lesões estão distribuídas em todo o córtex cerebral e também no núcleo basal, tálamo, hipotálamo (CORRÊA e CORRÊA, 1992). Os manguitos perivasculares de células mononucleares também se estendem para o espaço de Virchow-Robin. Há desmielinização difusa nas áreas subcorticais, na cápsula interna, nos pedúnculos cerebrais, na área pontina e nos pedúnculos cerebelares medianos (CORRÊA e CORRÊA, 1992). São encontradas grandes inclusões acidófilas no núcleo e citoplasma dos neurônios e das células da glia. Lesões necróticas podem estar presentes no córtex cerebral, caracterizadas por diminuição de células neuronais com substituição do parênquima por astrócitos fibrilares (CORRÊA e CORRÊA, 1992). Percebe-se que a old dog encephalitis é patologicamente diferente da encefalite cinomótica multifocal dos cães adultos pela natureza das lesões (necrose difusa versus necrose multifocal) e sua localização topográfica córtex cerebral e tronco cerebral alto versus tronco cerebral baixo e medula, respectivamente. Em contraste com a encefalite cinomótica multifocal dos cães adultos, o cerebelo é geralmente poupado na old dog encephalitis (CORRÊA e CORRÊA, 1992). O interesse gerado pela old dog encephalitis, por causa de seus sinais clínicos, patológicos e imunológicos é devido a sua semelhança com a panencefalite subaguda esclerosante do homem (CORRÊA e CORRÊA, 1992) Encefalite pós-vacinal Há degeneração neuronal multifocal, com neuronofagia, degeneração axonal, presença de manguitos de células mononucleares perivasculares, mediana a moderada gliose. As lesões são vistas em todos os níveis, mas tendem a ser mais severas na área pontina ventral, onde pode ser encontrada

20 15 malácia. As células de Purkinje freqüentemente não estão afetadas, e em muitos neurônios são encontradas inclusões citoplasmáticas (CORRÊA e CORRÊA, 1992). Pode ser distinguida da encefalite espontânea, causada pela enfermidade, pela presença de malácia pontina e grandes degenerações axonais ovóides e pela ausência de desmielinização do ângulo cérebro-pontino (CORRÊA e CORRÊA, 1992) Sorologia Os testes utilizados são os de soroneutralização em ovos embrionados e cultivo de tecidos; soros pareados, somente naqueles que se recuperam, pois os que morrem na forma aguda nunca desenvolvem anticorpos; fixação de complemento indica infecção recente e os anticorpos persistem por pouco tempo; imunofluorescência e imunoperoxidase; imunodifusão pelo método de Ouctlerlony; ELISA (enzyme-linked immunosorbent assay) descrito por Noon et al., 1980, detecta IgG e IgM anticinomose, é o método mais sensível. O método de Krakowka et al., 1978, baseado no estímulo linfocitário. Este teste é quantitativo e específico para medir a imunidade mediada por células e é baseado na inibição da indução de sincícios linfocitários pelo vírus. Esta propriedade do vírus de formar sincícios linfocitários é reconhecida durante a fase virêmica da enfermidade e persiste por oito a dez semanas após esta (CORRÊA e CORRÊA, 1992). 2.5 Diagnóstico diferencial Em um ou mais sinais ou sintomas, e em parte de suas fases clínicas, podem confundir-se com a cinomose, pelo menos as seguintes enfermidades: Parainfluenza Esta enfermidade não costuma dar hipertermia acima de 40ºC; geralmente a temperatura está abaixo deste ponto; com freqüência formam-se aros de óculos de serosidade dessecada ao redor dos olhos; comumente não dá pneumonia, mas só rinofaringite com exsudato nasal seroso ou seromucoso, e só quando há enfermidade secundária por bactérias, como Bordetella bronchiseptica, é que se desenvolve pneumonia, às vezes com tosse dos canis. A cinomose costuma dar temperatura acima de 40,5ºC, porém há muitos casos sem hipertermia; o corrimento conjuntival e nasal comumente é catarropurulenta; a pneumonia é precoce e sem tosse (CORRÊA e CORRÊA, 1992) Broncopneumonia verminótica Nesta, o exame microscópico de fezes comumente revela numerosos ovos de Toxocara sp. e, ou de estrongilídeos, tipo Ancylostoma sp. Lembrar que pode haver verminose acentuada que predispõe os cães jovens a desenvolverem cinomose grave. Ancilostomose grave pode ocasionar diarréia e

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