PIONEIROS SCALABRINIANOS NO RIO GRANDE DO SUL CAPÍTULO I. O Planalto Gaúcho e as Primeiras Incursões

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1 1 PIONEIROS SCALABRINIANOS NO RIO GRANDE DO SUL CAPÍTULO I O Planalto Gaúcho e as Primeiras Incursões A emigração italiana no Rio Grande do Sul, promovida pelos governos estadual e federal, teve início oficialmente no ano de 1875 e estendeu-se até 1914, acusando dois refluxos após as duas grandes guerras. A parte mais consistente foi inserida na Região da Serra e na Encosta Superior da Serra. O acentuado fluxo deste movimento migratório ocupou em pouco tempo todos os lotes disponíveis nas colônias de Conde D Eu (Garibaldi), Princesa Isabel (B. Gonçalves) e Campo dos Bugres (Caxias do Sul). Por isso, a Comissão de Imigração e Colonização começou a voltar a atenção para o território ao norte do Rio das Antas e, em 1884, na antiga localidade chamada Roça Reiuna, fundou o novo núcleo colonial de Alfredo Chaves, que os colonos chamaram de Paese Novo. Antes daquela data, esse vasto planalto fazia parte do enorme município de Lagoa Vermelha que, começando ao norte do Estado, encunhava-se entre os rios Carreiro e Prata, até o Rio das Antas. A região estava quase totalmente ocupada pela mata. Ao lado dos pinheirais que dominavam soberanos as curvas do horizonte, vicejavam numerosas outras espécies de árvores, muita madeira de lei, uma riqueza fabulosa mas sem valor, devido às distâncias e à falta de transporte. Como a flora, também a fauna era abundante. Animais e aves das mais variegadas espécies povoavam aqueles rincões, enchendo a florestas de vozes, de urros, miados, guinchos, silvos, misturados com o melodioso trinado das aves. A presença do homem era escassa. Tinha-se notícia de tribos indígenas que viviam na floresta e nos Campos acima da Serra, especialmente ao longo dos rios, a quem se atribuíam algumas clareiras abertas na mata. Testemunha segura de sua presença eram as numerosas cerâmicas que mais tarde aflorariam sob a ação dos arados dos imigrantes. Mas os índios só em caso isolados apareceram na história dos pioneiros que colonizaram a região, porque o Governo os havia induzido a se retirarem para o norte, onde lhes tinha assegurado as reservas e os toldos não sempre respeitados, mas que ainda hoje existem. O homem branco quase não havia marcado presença nesta região selvagem, a não ser para incursões de exploração ou de caça. Única e precária via de comunicação era uma picada que cortava a selva e o campo, em sentido norte-sul, e servia para dar passagem às tropas que desciam de Lagoa Vermelha para São João de Montenegro. De longe em longe

2 2 esta picada desembocava em clareiras, onde existiam abrigos rudimentares que os tropeiros ocupavam para pernoitar. Tem-se conhecimento de algumas destas pousadas: a primeira, vindo do norte, era Capoeiras, a atual Nova Prata, cujo nome se ligava a uma extensão de mato rasteiro que existia ainda antes da colonização, e fora provocada pelos índios ou, segundo outra versão, por um vendaval que devastara a floresta. Outra, mais a sul, era Roça Reiuna; estava localizada no rincão onde mais tarde surgiria a sede da Colonização de Alfredo Chaves. A sul do Rio das Antas, nas proximidades de Bento Gonçalves, existia a pousada da Cruzinha, que tinha este nome por causa de uma cruz fincada sobre o túmulo de um infeliz tropeiro que perdera a vida pelos caminhos do sertão. A zona de campo, a norte do Rio das Antas, era povoada por abastados fazendeiros cujas propriedades às vezes se estendiam floresta a dentro. Entre estes figurava um certo Antônio Silvério de Araújo, que era proprietário de larga faixa de terras entre os rios da Prata e o Carreiro. Essas terras foram desapropriadas quando a Comissão de Imigração e Colonização, estimulada pela política migratória do governo federal, abriu a Colônia de Alfredo Chaves. Encarregado desse empreendimento foi o Dr. Júlio da Silva Oliveira, o qual, nos primeiros tempos, não querendo sujeitar-se ao desconforto da nova colonização, preferiu fixar sua sede em Princesa Isabel (Bento Gonçalves). Embora tendo como ofício zelar pelos colonos e trabalhar com eles, o Dr. Júlio não lhes dedicava muita simpatia. Desde sua chegada recorda Júlio Lorenzoni, um emigrante que exerceu o ofício de escrivão por longos anos em Bento Gonçalves - havia-se mostrado não somente indiferente, mas claramente hostil para com a população desta sede (...). Chefiando mais de sessenta pessoas, engenheiros, escrivães, pessoal de escritório, fiscais e outros subalternos, muitos destes verdadeiros capangas, mostrou em seguida ao povo ser prepotente, um verdadeiro déspota. Devido às suas arbitrariedades revoltou os colonos, que publicaram um artigo violento no jornal La Voce del Popolo, solicitando providências urgentes do governo imperial. Para esconjurar possíveis medidas superiores nos seus confrontos, o Dr. Júlio desceu imediatamente a Porto Alegre. Quando voltou, teve a desagradável surpresa de encontrar a Vila ornada com arcos forrados de largas listas de tecido branco e preto. Convencido de que os ares de Bento Gonçalves já não eram saudáveis para ele, resolveu transferir o escritório para Alfredo Chaves (1). O loteamento da nova colonização começava nas ribanceiras do Rio das Antas e, a partir da estrada Buarque de Macedo, que dividia o território pelo meio, alargava-se em duas seções: a Primeira Seção Leste, que se dirigia para as bandas do rio da Prata, e a Primeira Secção Oeste, que se espraiava na direção do rio Carreiro. No fim da década de 1880, quando os lotes destas duas seções já tinham sido ocupados, a Comissão de Terras começou a lotear os terrenos mais a norte, e assim surgiram a Segunda Seção Leste e a Segunda Seção Oeste. Esta, partindo do Barro do Cento, atual Fagundes Varela, estendia-se a norte por doze Linhas, descrevendo uma espécie de trapézio no meio das terras particulares do Sr. Antônio Silveira de Araújo, entre os campos de Lagoa Vermelha e as ribanceiras do rio Carreiro. 1) Lorenzoni Júlio.Memórias de um Imigrante...

3 3 Uma das primeiras preocupações dos diretores da Colônia foram as vias de comunicação. Apenas iniciado o núcleo colonial de Alfredo Chaves, procedeu-se ao prolongamento da estrada Buarque de Macedo que, antes do fim da década de 1880, já alcançava os campos de Lagoa Vermelha. Outra estrada, a Visconde de Pelotas, foi aberta pouco mais tarde, para ligar Alfredo Chaves à colonização de Guaporé; passando pelo Barro do Cento (Fagundes Varela), atravessava o rio Carreiro e subia pela Linha 2ª. Uma terceira, a Ernesto Alves, dirigia-se para leste e ia dar em Antônio Prado. A situação das vias de comunicação, naqueles tempos, era muito precária. Referindo-se à Buarque de Macedo, Júlio Lorenzoni apresenta este quadro impressionante: O leito da estrada era um lamaçal, da altura em certos lugares de meio metro, intercalado por buracos em que ao cair por desgraça alguém poderia afundar até a cintura; grossas pedras misturadas ao barro, pontes em estado deplorável, deixando dúvidas quanto à segurança ao se atravessar. Contudo o trânsito era contínuo, para conseguir transportar os produtos principais: trigo, feijão, carne de porco, banha e outras mercadorias menos o milho que, pelo seu preço mínimo não comportava a despesa (2). A sede da colonização de Alfredo Chaves, desde o início, manifestou vocação ao progresso. Em março de 1887, recebeu o primeiro capelão, na pessoa do Pe. Mateus Pasquali, de Vicenza, o qual celebrou a primeira missa no dia 16 de julho. Por iniciativa do Dr. Júlio da Silva Oliveira, em 1887 surgiu a primeira igreja de alvenaria, benta aos 15 de agosto do ano seguinte. Antes desta data, as funções religiosas eram celebradas no Barracão dos Imigrantes ou em casas particulares (3). Nos anos de 1891 e 1892, trabalhou em Alfredo Chaves, como coadjutor do Pe. Mateus, o Pe. Josué Bardin. Em 1892, este sacerdote foi nomeado capelão de Capoeiras e lá e- xerceu seu ministério, assistindo os colonos até a chegada dos Missionários de São Carlos. Capoeiras tinha recebido os primeiros imigrantes em 1888, logo após a conclusão da estrada Buarque de Macedo. No ano seguinte, o Sr. Antônio Silvério de Araújo doara ao patrono, São João Batista, uma colônia que foi dividida em lotes para a formação de um centro. Logo foi construída a primeira igrejinha de madeira e a localidade passou a ser denominada São João do Herval. Mais ou menos na mesma época, haviam surgido também as capelas de Monte Vêneto (Cotiporã) e Barro do Cento (Fagundes Varela). A colônia de Nova Bassano, em vez, só foi povoada alguns anos mais tarde, a partir de Segundo o Pe. Carlos Porrini, um dos primeiros missionários de S. Carlos a trabalhar na região, o primeiro grupo de emigrantes a alcançar as colônias da II Seção Oeste, teve que enfrentar uma longa e penosa odisséia. Em 1890, um certo Molon, de Montecchio Maggiore, da Linha Eulália de Bento Gonçalves ex Dona Isabel e antiga Cruzinha (...) - tinha escrito a um seu patrício, Leopoldo Gorlin, convidando-o a emigrar para o Brasil onde dizia havia todo o bem de Deus e o milho e o feijão eram colhidos duas vezes ao ano, e havia tanto terreno que o Governo dava de graça aos emigrados. Fascinado por esta miragem de terra prometida, Gorlin partiu junto com a esposa Teresa, o filho Luís, Clara e Marietta, aquela Luzia que se tornaria mais tarde a empregada do Pe. Colbachini. Aos Gorlin, em 1892, associaram- 2) Júlio Lorenzoni, obra citada, pág... 3) D. José Barea, em Cinqüentenário da Imigração Italiana.

4 4 se outras 18 famílias, entre as quais se encontravam os Massignan, Feron, Bragalda, Ottavio Vanzo e Bianchetti.. Embarcaram em Gênova, no vapor Java (...). Viagem regular: o mar assim, assim... Tratamento bom. Depois de 34 dias de travessia, chegaram ao Rio de Janeiro e ali foi preciso lidar bastante para resgatar os pertences dos emigrados (...). A família Gorlin, de Rio de Janeiro passou para Pinheiros, em São Paulo, não possuindo todos os documentos para dirigir-se ao Rio Grande do Sul. Conseguida a ficha de chamada, voltou para o Rio e embarcou num navio costeiro (...). Diante de Florianópolis, no estreito de Santa Catarina, aquela barcaça foi destroçada pela fúria dos ventos. Foi um verdadeiro milagre se todos puderam sair com vida...(4). Quando chegaram a Porto Alegre, foram hospedar-se no grande barracão da Emigração, onde dias antes tinham morrido muitos poloneses (...). Vinte dias penosos e tristes, depois dos quais partiram rumo a São João de Montenegro, onde passaram o Santo Natal (...). Quando Deus foi servido, chegaram as carretas que deviam transportá-los para Alfredo Chaves, a antiga Rossa Leona (sic!), denominada também Paese Novo pelos emigrados. Gorlin tomou uma casa em aluguel de um certo Montagna, cremonês, na Linha 3ª. Mais tarde, recebeu a colônia do Governo, na Linha 10ª (...). Além de Gorlin, tinham vindo para as Linhas 9ª e 10ª, muitas outras famílias, além das que tinham viajado com ele (5). A Linha 8ª tinha sido povoada, ao longo de 1891 e 1892, por um grupo de bergamascos e brescianos e era, por isso, conhecida como a Linha dos Bergamascos. Em 1892, tomou posse do lote 37 da Linha 9ª o Sr. Giuseppe Seganfredo, que liderou o movimento daqueles moradores para conseguir um sacerdote. Algum tempo mais tarde, juntou-se às famílias já estabelecidas na região o Sr. Giuseppe Faedo, que parte tão importante haveria de tomar na história religiosa da região. O início da colonização das últimas Linhas da II Seção Oeste coincidiu com a revolução dos Maragatos, que iniciou na primavera de 1893 e terminou em agosto de As hostilidades haviam começado com a invasão dos municípios da Fronteira gaúcha pelos maragatos de tendência monárquica e contrários ao governo do presidente Floriano Peixoto. Eram constituídas em grande parte por mercenários argentinos e uruguaios. Seus comandantes, Gomercindo Saraiva e Joca Tavares, mancomunados com as forças da marinha que se haviam rebelado contra o presidente Floriano, pretendiam restaurar o regime monárquico derrubado em A revolução se fez presente também nas colônias italianas. Júlio Lorenzoni recorda que na Vila de Alfredo Chaves, então ainda colônia não emancipada, achava-se aquartelado o general Palmeiro, comandante de um grupo de forças revolucionárias de cerca de quinhentos homens, dos quais faziam parte muitos italianos, comandados pelo coronel Vi- 4) Segundo Adolfo Feron, velho emigrado em Nova Bassano, em Paranaguá o grupo se dividiu. Várias famílias foram acometidas de epidemias e tiveram que parar para uma quarentena, numa ilha defronte ao porto de Paranaguá (ilha do Mel). Feron re corda que ali foi sepultada, na areia, uma moça que havia morrido de mal da gar ganta. 5) Porrini, Pe. Carlos. Memórias sobre o Pe. Pedro Colbachini escrito guardado no Arquivo Geral da Congregação Scalabriniana (AGCS), em Roma.

5 5 cente de Cusati, os quais estavam acampados no passo do Rio das Antas, e ao longo da 3ª Seção, à margem esquerda do Rio das Antas(...). Alfredo Chaves foi atacada e assediada por duas vezes, de março a setembro de 1894 e só ficou livre aos 12 de janeiro do ano seguinte, depois de um combate entre os revolucionários e os republicanos, perto do Rio das Antas. As forças de combate, a qualquer partido que pertencessem, apropriavam-se dos animais para seu sustento, os cavalos para suas marchas e oposição alguma podia ser-lhes feita. Grande parte conhecia pela marca os animais e os matava por mero capricho, deixando-os abandonados no meio do campo, para servirem de pasto aos abutres (6). Capoeiras, embora não tenha sido teatro de particulares feitos de armas, suportou por muito tempo a presença de um pelotão de maragatos comandados por Pedro Xaxá, que havia instalado seu quartel general pelas bandas de Nova Paris (Rio Branco), perto do Mato do Silvério (7). Também no interior das colônias marcavam presença os troços armados, pertencentes a um ou outro partido. Na Linha 10ª de Nova Bassano, havia um piquete acampado nas vizinhanças da colônia do Sr. Giuseppe Faedo, às ordens de um certo capitão Paiva. Lá dançavam lembra Adolfo Feron divertiam-se, pintavam o sete. Mas eles não vinham para cá. Ficavam retirados lá fora. Lá no fundo, perto do Antonioli, havia um pequeno cemitério feito pelos revolucionários. Um dia levaram para lá dois elementos, um italiano e um espanhol. um velho e um jovem. Estavam lá meu falecido tio Giovanni Bregalda, Francesco Basso e outros, e perguntaram: - O que estão fazendo aí? Estamos construindo um campo santo! Contavam que, terminada a escavação das fossas, agarraram os prisioneiros, jogaram-nos no chão, botaram-lhe a faca na garganta e os degolaram aí, diante de todos... Eh, existiam tantas cruzes ao longo das estradas...! (8) Neste ambiente geográfico e histórico teve início a colonização da Segunda Seção Oeste de Alfredo Chaves. E foi entre os colonos desta região, cheios de coragem, mas abandonados à própria sorte, que foram arquitetados os planos que haveriam de trazer às Colônias Italianas do RS, os primeiros Missionários de São Carlos. 6) Lorenzoni, Júlio. Obra citada, pág ) Cfr. Porrini, Pe. Carlos. Um Colono que Viu Pe. Colbachini Chorar. Manuscrito conservado no AGCS, Roma. 8) Feron, Adolfo. Entrevista concedida ao Pe. Davi Fontana, em 1967.

6 6 CAPÍTULO II Apelos e Respostas Apenas tomou posse do lote 37 da Linha 9ª, Giuseppe Seganfredo, executando um projeto arquitetado pouco tempo antes de se transferir da Colônia Dona Isabel para lá, iniciou uma campanha junto aos colonos da região, visando conseguir um sacerdote. Ele fora aconselhado a se transferir para aquelas bandas por seu irmão Antônio, o qual, no fim da década de 1880, depois de viver longos anos na colonização de Dona Isabel, voltara à Itália com o propósito de seguir a carreira eclesiástica. Ide dissera ele ao irmão e conterrâneos e (...) podereis estar certos de que, quanto mais adiante fordes, melhores terras havereis de encontrar. E depois, quando eu for ordenado sacerdote, também virei para lá (9). Este projeto dos irmãos Seganfredo inspirava-se no desejo de reunir em terras brasileiras também os familiares que haviam permanecido na Itália. Certos de que não faltariam dificuldades pela frente, os irmãos acertaram um programa a ser realizado calmamente, com o passar dos anos. Enquanto Antônio freqüentasse os estudos eclesiásticos, Giuseppe, daria vida a um movimento popular, objetivando a criação de uma paróquia na região. E, quando as coisas tivessem amadurecido, lá estaria o novo sacerdote para assumir a comunidade religiosa. Se os acontecimentos viessem a se desenrolar conforme o projeto, num futuro não muito remoto toda a família Seganfredo poderia transferir-se para a colônia Italiana da Segunda Secção Oeste de Alfredo Chaves. Fiel a estes entendimentos, Giuseppe Seganfredo, logo que tomou posse de seu lote, informou os conterrâneos das Linhas 8ª, 9ª, 10ª, 11 e 12 sobre a bela oportunidade que tinham pela frente, e os convenceu a se movimentarem a fim de preparar o terreno. Feitas as devidas consultas, e colhida ampla adesão, os líderes da comunidade escreveram a D. José Gonçalves Ponce de Leão, Bispo do Rio Grande do Sul, com sede em Porto Alegre, pedindo-lhe o envio de um sacerdote fixo, o qual, estabelecendo-se entre eles, pudesse dar vida a uma nova paróquia (10). Como era de se prever, o Bispo não atendeu ao pedido. Não existiam problemas de fundo, pois a paróquia contaria com cerca de 350 famílias, agrupadas em 5 Linhas. Formaria uma comunidade entre as Linhas 5ª e 6ª, ocupadas por poloneses, e o Mato do Senhor, ainda dominado pela floresta. Além disso, ficaria a uma distância respeitável de Alfredo Chaves. Mas, como atender ao pedido destes colonos recém-assentados, quando existiam dezenas de outras comunidades com mais de 5, 10 e até 15 anos de vida, ainda desprovidas de sacerdote? A reanimar as esperanças, chegavam de vez em quando à Colônia cartas de Antônio Seganfredo, então estudante de Teologia no Instituto Cristóvão Colombo, em Placência (Itália). Numa destas, comunicou aos colonos que o Instituto dos Missionários de São Carlos, no qual entrara, tinha como finalidade a assistência dos emigrantes italianos, e que seu fundador, Dom João Batista Scalabrini, bispo Placência, estava disposto a enviar aos emi- 9) Cfr. Gorlin, Madre Lucia. Memórias. Manuscrito conservado no AGCS, Roma 10) Não encontramos este documento, mas os próprios colonos mencionam esta carta numa outra que escreveram a Dom Scalabrini, a

7 7 grados que solicitassem missionários para garantir-lhes assistência religiosa. Isto batia perfeitamente com o projeto dos colonos. Eles, portanto, deveriam tomar a iniciativa, e bater às portas do Bispo de Placência. Frente a estas notícias alvissareiras, os líderes da colônia não tiveram dúvidas: escreveram a Dom Scalabrini, contando sua história e solicitando o envio de um sacerdote (11). Desta vez as coisas caminharam com relativa rapidez. Dom Scalabrini respondeu que haveria de enviar, sim, um de seus missionários, mas que era antes necessário receber a autorização do Bispo do Rio Grande do Sul. Sugeriu, portanto, que eles obtivessem uma autorização do Bispo e lha remetessem. Quando tudo estivesse pronto, haveria de enviar o sacerdote. Os colonos, então, dirigiram-se ao Bispo de Porto Alegre e, a 1º.º de novembro de 1894, remeteram uma carta lavrada nos seguintes termos: Nós, abaixo assinados, moradores da Colônia Alfredo Chaves, Linhas 8ª, 9ª, 10ª, 11 e 12, solicitamos de S. Ex.a Il.ma e Rev.ma D. João Batista Scalabrini, bispo de Placência (Itália), o envio de um de seus missionários. Sua Ex.a respondeu que não nos manda o missionário sem o consentimento e a aprovação de V. Ex.a Il.ma e Rev.ma. Portanto, nós lhe pedimos respeitosamente que nos queira favorecer com a aprovação por escrito, sem a qual não nos é possível alcançar o nosso objetivo. Queira benignamente enviá-la aqui para a Colônia e nós a despacharemos imediatamente a S. Ex.a o Sr. bispo de Placência (12). A este documento foi anexada uma carta do Pe. Giosuè Bardin, então vigário paroquial de Alfredo Chaves, mas residente em Capoeiras: Julgo procedente o pedido de um sacerdote para as Linhas mencionadas, que compreendem cerca de trezentas e cinqüenta famílias, entre brasileiros e italianos, no meio dos quais pode-se escolher um centro e sede cômoda para os colonos, como V. Ex.a pode observar na planta da Colônia de Alfredo Chaves. Isso não impede que um outro sacerdote resida em São João do Herval (Capoeiras), a cujo capelão ora pertencem os colonos mencionados. Incluo a carta do futuro sacerdote (13). Tudo indica que a carta a que se refere o Pe. Giosuè Bardin não era senão a última despachada pelo nosso amigo Antônio Seganfredo que, no ano de 1894, estava cursando o segundo ano de Teologia e que, pensando no futuro, manifestava ao irmão e patrícios a disponibilidade de vir a trabalhar no meio deles. Quando Dom Cláudio Ponce de Leão recebeu o documento dos colonos, com anexa a recomendação do Pe. Giosuè Bardin, endossou-o, acrescentando de próprio punho: Aceitarei o sacerdote enviado pelo Bispo e concedo a minha aprovação a este novo centro. Existem ainda outros lugares nas colônias italianas muito necessitados de bons padres. Vivem nesta diocese mais de cento e cinqüenta mil italianos (14). Depois, de acordo com o 11) Não conseguimos descobrir este documento, mas os colonos fazem menção dele na carta que escreveram ao Bispo de P. Alegre, a 17/11/1894, AGCS.. 12) Esta carta, datada de 01/11/1894 é assinada por Giuseppe Dal Pra, Giuseppe Da Re, Nicola Balzan e Francesco Maroso, moradores da Linha 9ª. 13) O original encontra-se no AGCS, em Roma. 14) O documento encontra-se no AGCS, Roma.

8 8 pedido dos colonos, devolveu os papéis, formulando os melhores auspícios. Ocioso é dizer que os colonos despacharam imediatamente o material recolhido para Placência, confiando num pronto atendimento. Mas, passaram os meses e o missionário não se fazia ver. A alimentar as esperanças, chegou em vez outra carta do então já padre Antônio Seganfredo, animando os colonos a insistir e a solicitar dois padres, porque as regras do Instituto dos Missionários de São Carlos não permitiam a nenhum membro da Congregação viver sozinho (15). Os colonos resolveram, então, voltar à carga e, aos 28 de agosto de 1895, escreveram a Dom Scalabrini: Nós, abaixo assinados, fabriqueiros representantes de uma sociedade de quatrocentas e mais famílias, todos patrícios italianos, vendo a grande necessidade para a cura e custódia de nossas almas, há cerca de três anos, apresentamos uma instância coletiva a S. Ex.a o Sr. Bispo Diocesano do Rio Grande, em Porto Alegre, para conseguir a graça de que tanto necessitamos... Ficamos plenamente satisfeitos, tendo obtido a licença de construir uma nova igreja de material,onde seria instalada nova capelania que receberia inclusive um padre para fazê-la funcionar. Não sem inauditos sacrifícios, a igreja foi levantada, mas, devido à grandíssima escassez de clero, ficamos até agora sem sacerdote. Mas agora parece que Deus, do alto dos céus, se tenha movido a compaixão de nós, fazendo sentir a nossa grande necessidade além-mar, em nossa pátria de origem. Dizemos isto, porque, apoiados numa carta que nos foi enviada pelo Pe. Antônio Seganfredo, de Mason Vicentino, atualmente no colégio de Placência, soubemos que se nós enviarmos o dinheiro necessário para a viagem, V. Ex.a nos fará a graça tão desejada, enviando um de seus religiosos, o Pe. Natal Pigato, igualmente de Mason Vicentino. Diante de tal notícia, cheios de entusiasmo nos apresentamos ao Diretor (da Colonização de Alfredo Chaves) para sabermos o que fazer e, orientados por ele, tomamos a nossa decisão. Não nos parecendo viável a idéia de enviar dinheiro par a Europa, julgamos melhor inserir o nome do Pe. Natal Pigato no requerimento para a viagem gratuita do Pe. Antônio Seganfredo e família. Assinamos a presente todos nós, responsáveis pela manutenção e por outras despesas inerentes à vinda do mencionados sacerdotes (16). Tão bons sentimentos e tão boas disposições impressionaram positivamente os superiores de Placência, os quais já estavam inclinados a abrir uma missão no Rio Grande do Sul, para consentir que o Pe. Seganfredo voltasse para junto de sua gente. As últimas dúvidas caíram quando, no segundo semestre de 1895, o Sr. Giuseppe Faedo, residente Linha 10ª, apresentou-se na Casa-Mãe para fazer, em nome dos conterrâneos, os derradeiros acertos (17). Giuseppe Faedo era um agricultor que, em 1893, havia decidido viajar para o Brasil em companhia de seu pai, a fim de examinar a situação das colônias de Alfredo Chaves e 15) A carta do Pe. Seganfredo é citada pelos colonos em seu escrito a D. Scalabrini, de 28/08/ ) Esta carta leva a data de 18/08/1895, e é assinada por Cristiano Simonato, Giovanni Conte, Valentino Presotto, Frederico Difant, Giovacchino Fiore, Agostino Miglia, Antonio Rigo e Filippo Giuriati. 17) Ao que tudo indica, Faedo encabeçava um terceiro grupo (o da Linha 10ª) e se apresentou em Placência com o propósito de vencer os outros concorrentes e levar o

9 9 verificar a possibilidade de conseguir um padre para a assistência religiosa do seu rincão. Pretendia também verificar se era o caso de transferir a família para lá. Hospedara-se inicialmente na Linha 9ª, em casa de Leopoldo Gorlin, quarteirão da localidade. Vista a conveniência, comprou uma colônia que cultivou com a ajuda do pai e, depois da colheita voltou imediatamente para a Itália e, de acordo com a família, vendeu os poucos bens que tinha (18). Antes de voltar ao Brasil, conforme entendimento com os patrícios da colônia, dirigiu-se a Placência, a fim de conhecer o Pe. Seganfredo e tratar com os superiores a próxima viagem dos missionários. Foi acolhido amigavelmente pelos superiores e, com um fio de desconfiança, pelo Pe. Antônio Seganfredo que, se de um lado exultava por ver um colono do Rio Grande do Sul em Placência, de outro sentia-se perplexo porque ele não pertencia ao grupo liderado por seu irmão Giuseppe. É de se notar que os assinantes desta última carta não eram os mesmos da carta anterior, o que sugere que tenha havido dois grupos a pleitear a vinda dos missionários. Ademais, o estilo da carta (inclusive alguma inverdade, como a existência de uma igreja de material), levam a crer que a minuta tenha sido lavrada pelo próprio Pe. Seganfredo o qual, conhecendo as exigências de Placência, buscando influenciar na escolha do companheiro, e estando ao par da possibilidade de conseguir que a Direção da Colônia financiasse a viagem, não deixava de instruir os colonos para que tocassem nas cordas mais sensíveis ao coração dos responsáveis pelo envio dos missionários. Em Placência, o Faedo encontrou uma surpresa: O Reitor da Casa-Mãe. Pe. Giuseppe Molinari, apoiando-se no regulamento do Instituto, fez presente que só seria possível concluir os acertos, se viesse salvaguardado o princípio da vida comum, que exigia a presença de três missionários em cada missão. Faedo ficou embaraçado. Sabia que seus conterrâneos de Nova Bassano haviam pedido um padre. Tinha também ouvido dizer que estavam dispostos a acolher dois. Mas três... troppa grazia, Santo Antonio! Não estava preparado para esta novidade! Ficou por um instante perplexo. Mas, depois, considerando a escassez de clero que afligia a região colonial, a disputa de mais grupos para conseguir o próprio cura e, especialmente, dispondo de uma soma de 13 a 14 mil liras (19), conseguida com a venda de suas propriedades na Itália, resolveu fechar o negócio. Depositou liras para financiar a viagem dos três missionários e mais liras para a compra de paramentos, cálices, ostensórios, candelabros e todo o material necessário para o avio de uma nova igreja paroquial. Confiava fazer-se reembolsar pelos colonos, quando voltasse para suas terras da Segunda Seção Oeste de Alfredo Chaves. Acertadas as coisas da melhor maneira, empreendeu a viagem de volta, e chegou à sua Linha 10 no início de ) Gorlin, Madre Lucia. Memórias, manuscrito existente no AGCS, Roma. 19) Entrevista de Adolfo Feron a Pe. Davi Fontana, 1967.

10 10 CAPÍTULO III A Escolha dos Candidatos Depois da visita do Faedo à Casa-Mãe, o compromisso do Instituto dos Missionários de São Carlos com os colonos de Alfredo Chaves estava selado e o envio dos missionários era somente uma questão de tempo. Faltava, porém, escolher os candidatos. Ninguém punha em dúvida que o Pe. Antônio Seganfredo seria um dos integrantes da equipe. Além de conhecer a região e de ter envolvido nela o Instituto, antes de emitir promessas de fidelidade, ele pusera a condição de poder voltar para o Rio Grande do Sul (20). Mas o problema para os superiores era encontrar uma pessoa de confiança e capacidade que pudesse encabeçar a expedição. Exigia-se uma atenção especial, pois a nova missão estava longe das outras existentes no Brasil, e ninguém tinha um conhecimento detalhado daquelas paragens. O Pe. Seganfredo era prático e singelo. Mas não parecia o tipo talhado para dirigir a missão. Nascido em Mason Vicentino, a 12 de junho de 1851, após uma juventude laboriosa para ajudar a família no seu ganhar-pão, na década de 1880, com mais de 30 anos de idade, resolvera emigrar para o Brasil. Arrumara emprego como cozinheiro dos trabalhadores que abriam a estrada Buarque de Macedo, nos morros do Rio das Antas. Aos domingos, deixava de lado as panelas e empunhava o terço, dirigindo a reza da turma. O zelo com que desempenhava esta missão era tal que os companheiros passaram a chamá-lo de capelão. Longe de se sentir ofendido com isso, ele amadureceu o propósito de se fazer padre e, quando ajuntou o dinheiro necessário, largou o serviço e voltou para a Itália, com o propósito de seguir a carreira eclesiástica. Tendo entrado em 1890 no Instituto Mander, de Oné di Fonte, perto de Bassano del Grappa, lá freqüentou dois anos de liceu. Quando, em 1890, sufocado pelas dívidas, o Instituto fechou as portas, Antônio Seganfredo transferiu-se para Placência e iniciou os estudos teológicos, acompanhando-os com o ritmo que lhe era consentido pela respeitável idade de 40 anos. Desta maneira, aos 31 de março de 1895, durante o terceiro ano de Teologia, ajudado pela benévola compreensão dos superiores, foi ordenado sacerdote. Quando, no fim do mesmo ano, os superiores escolhiam os missionários para o Rio Grande do Sul, ele estava freqüentando o quarto ano de Teologia, dividindo o tempo entre os livros e as panelas da cozinha (20). Era opinião comum que ele não era o homem indicado para assumir a chefia da missão. Ele conhecia a região, mas seu caráter otimista levava-o a pintar a realidade com tonalidades tão róseas que, às vezes, o expunha à chacota dos companheiros, que jocosamente o 20) Cfr. Carta de Seganfredo a Molinari, Paraná, 09/09/1896, AGCS, Roma.

11 11 chamavam de Barba Toni, (tio Antônio). Ademais, ele ainda não tinha ainda completado os estudos. Portanto era preciso procurar outra pessoa. Sabendo que os missionários de Dom Scalabrini deviam viver numa comunidade de ao menos dois religiosos, Seganfredo apresentara aos superiores a proposta de levar, como companheiro de missão, o Pe. Natale Pigato (21). Entre os alunos do Instituto Mander, transferidos a Placência, não havia ninguém mais afim a ele pela idade, pela experiência de vida e pelo regime de formação. O Pe. Natale era vocação adulta. Entrara no seminário quando beirava os 30 anos, depois de ter assistido à morte de uma filhinha e da esposa com que vivera alguns anos. Não obstante as qualidades do Pe. Natale, porém, a idéia de enviá-lo ao Rio Grande do Sul com o Pe. Seganfredo não foi aceita pelos superiores, que não achavam oportuno juntar na mesma missão os dois veteranos. Desta maneira, a questão da escolha dos candidatos permanecia aberta. Encontrava-se então na Itália, por um período de férias, um experimentado missionário que havia retornado pouco antes dos Estados Unidos, onde trabalhara durante os cinco anos previstos então pelas regras do Instituto. Era o Pe. Domenico Vicentini. Vicentini era natural de Pescantina, província de Verona, onde nascera aos 06 de julho de Abraçara a carreira sacerdotal e se ordenara sacerdote na Congregação dos Estigmatinos, em Depois de ocupar cargos de responsabilidade na Itália, em 1882, partira para as Missões da África Central. Mas, em 1888, depois que sua missão fora destruída pelos revolucionários do Mahdi, havia regressado à Itália. Sensível aos apelos de Dom Scalabrini, que então fazia conferências sobre a emigração nas cidades mais importantes da Península, pedira licença para entrar no Instituto dos Missionários de São Carlos, sendo admitido a 16 de outubro de A 10 de dezembro do mesmo ano, partira para os Estados Unidos e, inserindo-se na Little Italy de Nova Iorque, assumira a paróquia de São Joaquim, cargo ao qual somara, em 1892, aquele de superior provincial. Esgotado o qüinqüênio de provincialato, no fim de 1895, voltou para a Itália, buscando um pouco de descanso, após as tensões e as lutas que o trabalho de superior lhe havia proporcionado. O Pe. Domenico apresentava sem dúvida as qualidades necessárias para encabeçar a nova missão, tanto mais que excluía terminantemente a hipótese de voltar para os Estados Unidos. Tinha, porém, uma limitação: não conhecia nem o Brasil e nem a língua portuguesa. Avaliados os prós e os contra, os superiores se convenceram de que não havia partido melhor. Dom Scalabrini chamou então o padre, convenceu-o a renovar o compromisso de fidelidade no Instituto por mais um qüinqüênio, e fez-lhe a proposta de assumir o projeto do Rio Grande do Sul. Esclarecidas algumas reservas, o bom padre aceitou. Então, a 21 de janeiro de 1896, o Reitor da Casa-Mãe, Pe. Giuseppe Molinari, escreveu ao Bispo do Rio Grande, comunicando a próxima partida dos missionários. Feliz com a notícia, Dom Cláudio respondeu imediatamente Dom Scalabrini: Com a mais viva satisfação recebi a carta que, em data de 21 de janeiro e em nome do V. Ex.a Rev.ma, me escrevia o Rev.mo Superior do Instituto Cristóvão Colombo. Obrigado, infinitamente obrigado por esse primeiro socorro que V. Ex.a se digna enviar-me e obrigado pelas promessas que me faz de enviar algum outro, em breve. 21) Cfr. Carta dos Colonos a D. Scalabrini, 01/08/1895, AGCS, Roma.

12 12 É preciso estar aqui e conhecer as necessidades de tanta pobre gente para apreciar a grandeza do favor que acaba de fazer a mim, sobre quem, pesa o dever de garantir ao rebanho guardiães vigilantes e zelosos, e o benefício que dispensa em favor de tantos seus compatriotas, muitos dos quais, na abundância de pão corporal, vivem famintos do pão da al ma por falta de padres. Oh, se pudesse enviar para estas bandas uns vinte missionários zelosos, como encontrariam aqui vinha vastíssima a cultivar, terreno amanhado e messe abundante! Mas, embora sozinho por enquanto, o Pe. Domenico Vicentini será sempre bemvindo aqui entre nós, onde chegará esperado e desejado. Não terá o título de pároco (pois o lugar ainda não cultivar, terreno amanhado e messe abundante! Mas, embora sozinho por enquanto, o Pe. Domenico Vicentini será sempre bem-vindo aqui entre nós, onde chegará esperado e desejado. Não terá o título de pároco (pois o lugar ainda não está erigido como paróquia), mas não faltará nenhum dos poderes atribuídos a um pároco para uma boa administração. Tenho também intenção de erigir mais três ou quatro curatos nas cercanias e desejo confiá-los aos seus, os quais desta maneira poderão ser dirigidos e ajudados pelo veterano e experimentado missionário que constituirá como que um centro de união e ao qual obedecerão como a um superior. A ereção de curatos em lugares diferentes é exigida pela numerosa população e pelos rios de não fácil travessia que dividem os lugares. Espero que o Pe. Domenico possa, logo que chegar, escrever a V. Ex.a muitas coisas bonitas a respeito de nosso belo céu, do clima salubre, da fertilidade das terras e da índole boa e religiosa dos colonos, e assim apressar o envio dos outros esperados (22). A carta do Bispo indicava que os tempos estavam maduros. De fato, pouco tempo depois, o Pe. Domenico Vicentini partiu para o Novo Mundo. Mas a escolha do pessoal não estava completa. Faltava encontrar o terceiro membro da expedição, que partisse em companhia do Pe. Seganfredo. Vivia então no recém-aberto Seminário Menor de Placência, um jovem sacerdote, oriundo de Seren del Grappa, que, como a maioria dos clérigos ordenados naquela época, tinha iniciado os estudos no Instituto Mander, de Oné di Fonte. Chamava-se Antônio Serraglia. Pelo caráter dócil e equilibrado, pela inteligência e bondade, havia sido escolhido para acompanhar um grupinho de rapazes reunidos na Casa-Mãe para freqüentar os estudos seminarísticos. Essa tarefa, embora o encontrasse disponível e pronto, não o entusiasmava sobremaneira. Para ele, montanhês acostumado ao ar livre e à liberdade, a vida fechada entre quatro paredes, ali às margens nevoentas do Rio Pó, geladas de inverno e tórridas no verão, era um tormento que comprometia sua saúde. Em vista destas dificuldades, os superiores pensaram em propor-lhe as missões do Brasil. O jovem sacerdote ficou entusiasmado: podia enfim dar asas ao seu ideal missionário e acompanhar o velho amigo Seganfredo, o seu querido Barba Toni, rumo às decantadas colônias do Rio Grande do Sul! Com a escolha do Pe. Serraglia estava completo o quadro do pessoal, e fixou-se a data da partida. Em junho de 1896, o reitor da Casa-Mãe escreveu ao Bispo de Porto Alegre, comunicando que, no dia 20 de julho seguinte, os padres Antônio Seganfredo e Antônio Serraglia embarcariam para o Brasil. 22) D. Cláudio Ponce de Leão a Dom Scalabrini. 28/02/1896, AGCS, Roma.

13 13 Os planos, entretanto, não se realizaram conforme o previsto. De fato, apareceu em Placência o Pe. Pietro Colbachini, pleiteando a chance de voltar ao Brasil, não obstante a saúde mal-segura, e os superiores acharam conveniente convidar o Pe. Serraglia a retardar sua viagem, a fim de acompanhá-lo. Madre Lúcia Gorlin, em suas memórias sobre a chegada dos primeiros missionários a Nova Bassano, recorda: Enquanto aquele núcleo de colonos do Rio Grande do Sul passava os dias na incerteza, o Rev.do Pe. Colbachini, de Bassano del Grappa, dirigiuse para Placência a fim de conferenciar com Dom Scalabrini, no intuito de obter um missionário que partisse com ele rumo ao Brasil, e deteve-se alguns dias na Casa-Mãe de Placência. Tendo, desta maneira, conhecido os missionários mais de perto, Dom Scalabrini deixou-lhe a escolha do companheiro, e ele preferiu um certo Natale Pigato. Mas, depois não sei por que razão, mudou de idéia e então a escolha caiu sobre o Pe. Serraglia (23). Madre Lucia merece crédito, pois teve ocasião de viver longos anos com o Pe. Colbachini, enquanto trabalhava como doméstica na casa paroquial de Nova Bassano. Mas, no que se refere aos acontecimentos de Placência, ela provavelmente se refazia ao que havia escutado do padre. Assim, não tinha condições de precisar os detalhes. Não consta, por e- xemplo, que de fato Colbachini tenha pensado em levar consigo o Pe. Natale Pigato. Consta, pelo contrário, que tal proposta fora levantada anteriormente pelo Pe. Antonio Seganfredo. No que se refere ao Pe. Antônio Serraglia, sabe-se que a proposta de o encaminhar para as missões do Rio Grande partira do Reitor da Casa-Mãe. É bem possível que conforme assevera Madre Gorlin o Pe. Colbachini tenha concorrido para tirar as últimas dúvidas. Provavelmente ele havia exprimido a Dom Scalabrini o desejo de contar com um companheiro de viagem; e o Bispo lhe deixara a possibilidade de escolher entre o Pe. Serraglia e o Pe. Natale Pigato. Colbachini, então, escolheu o Pe. Antônio Serraglia. Seja como for, o certo é que os planos iniciais foram alterados. O Pe. Seganfredo teve que se resignar a viajar sozinho, e o Pe. Serraglia permaneceu em Placência, a fim de acompanhar o Pe. Pietro Colbachini. 23) Gorlin, Madre Lucia. Memórias, manuscrito existente no AGCS, Roma.

14 14 CAPÍTULO III As Surpresas do Pioneiro Como previsto, o primeiro missionário a tomar o rumo do Rio Grande do Sul foi o Pe. Domenico Vicentini, que fora escolhido para abrir e chefiar a missão. Encontramos uma rápida descrição de sua viagem numa carta que ele escreveu a um velho amigo de Nova Iorque: Passados dois meses na pátria, entre parentes e amigos, embarquei em Gênova, no dia 25 de fevereiro, num navio carregado com cerca de dois mil emigrantes, apinhados como sardinhas em lata. Durante a travessia, eu exercia as funções de capelão: houve 11 mortos, 09 crianças e 02 adultos. Mas no seu conjunto a viagem foi boa. Não paramos no Rio de Janeiro por causa da febre amarela; mandaram-nos, porém, à assim chamada Ilha Grande, para fazer um dia de quarentena; e de lá, prosseguindo a viagem, no dia 22 de março, chegamos a Santos, porto do estado de São Paulo. Aqui desembarcaram os emigrantes, e o navio devia voltar para a Itália (24). A viagem para Porto Alegre só aconteceu no dia 02 de abril. Dispondo de bastante tempo, Pe. Domenico procurou hospedagem junto a uma família brasileira, um certo Daniel Ferreira, que morava à rua do Rosário, 146 (25). E levando consigo somente uma mala de roupas e objetos pessoais, tomou o trem para S. Paulo, a fim de visitar o confrade, Pe. Giuseppe Marchetti, que se encontrava ali desde o início do ano anterior e que, não obstante a exigüidade de tempo, já havia iniciado as obras do Orfanato Cristóvão Colombo. Durante a estadia, o Pe. Domenico pôde admirar as obras do Orfanato que então já abrigava uns 50 moleques e o convento das irmãs que prestavam o serviço da casa. Este era formado pela mãe do Pe. Marchetti, uma irmã freira, outra irmã viúva de alguns meses mas em estado de avançada gravidez, e duas filhas desta, uma de 09 e outra de 03 anos(26). Com a prudência característica de quem havia exercido longamente o cargo de superior, o bom padre voltou para Santos com a convicção de que o colega era um herói e estava fazendo milagres, mas que o convento não era propriamente um modelo de organização. Em Santos, quando se dirigiu à alfândega para recuperar a bagagem, teve uma amarga surpresa: os objetos de culto que levava para os colonos estavam onerados por uma taxa assombrosa, absolutamente superior às suas possibilidades. Segundo informações dos fiscais, somente com um recurso escrito do Bispo ao Ministro do Exterior seria possível liberar tais objetos sem taxas. O pobre missionário sentiu-se perdido: O que fazer? A quem recorrer? Em S. Paulo não tinha conhecido algum! E depois, quanto tempo haveria de demorar o recurso ao Ministro do Exterior? Realmente a situação era escabrosa! Teve então uma idéia: Se era preciso recorrer ao Bispo, por que não fazer a alfândega em Porto Alegre? Quando o pessoal do porto o informou que isso não era possível, mas que seria possível deixar as bagagens 24) Carta de Vicentini a Molinari, Encantado, 26/10/1896, AGCS, Roma. 25) Vicentini ao Sr. Pia, escrita de Encantado, RS, a 03/08/1896, AGCS, Roma. 26) Carta de Vicentini a Molinari, Santos, 30/03/1896, AGCS, Roma.

15 ali e valer-se da ajuda do bispo de Porto Alegre para retirá-las, não teve dúvidas: mandou armazená-las em Santos, até que tivesse a possibilidade de as retirar. Após 10 longos dias de espera e de trepidação por causa da febre amarela que grassava no interior, finalmente chegou o suspirado dia 02 de abril, dia da partida. Era Quinta-Feira Santa. O navio costeiro fez escala em todos os portos, carregando e descarregando, sem preocupação com o tempo. Assim o missionário teve que passar a Páscoa a bordo, sem poder celebrar, recordando com saudade as belas páscoas de outros tempos. Chegando o porto de Rio Grande, permaneceu 02 dias de quarentena. Na noite do dia 12 de abril, tomou o vapor para Porto Alegre, onde chegou na manhã do dia 13. Ao desembarcar, o bravo missionário provava a alegria de quem chega ao porto suspirado, mas ao mesmo tempo sentia a ansiedade de quem vai ao encontro de pessoas desconhecidas e de um futuro nebuloso. Além disso, o atenazava a pergunta: que seria de sua rica bagagem deixada em Santos? Poderia alimentar a esperança de recuperá-la algum dia? Terminados os controles de rotina, foi bater às portas do Bispado, onde Dom Cláudio José Gonçalves Ponce de Leão o acolheu festivamente. O Bispo fez-lhe grande festa, cumulou-o de atenções e se desdobrou para fazê-lo sentir-se a vontade. Quanto ao problema da bagagem, do qual fora imediatamente informado, que não se preocupasse. Ele mesmo haveria de fazê-la chegar e se encarregaria de a retirar, sem pagar taxas! Esta calorosa acolhida foi particularmente apreciada pelo Pe. Domenico, que desde a partida de Gênova não passara uma hora de intimidade com gente amiga. À noite do mesmo dia 13, ele escreveu ao Superior da Casa-Mãe de Placência: Esta manhã cheguei aqui felizmente, embora os baús, por causa da alfândega, ainda estejam viajando, coisa que me deixa muito apreensivo pelo temor de que alguma coisa se extravie. Aqui, porém, me garantem que, com algum atraso, tudo vai chegar. O Sr. Bispo me diz que ele se encarregará de encontrar o jeito para não pagar a alfândega. Graças a Deus, estou bem! O Sr. Bispo acolheu-me de braços abertos e, apenas me viu, exclamou: Deus seja louva e agradecido! O Sr. estava sendo tanto desejado e esperado! Até aqui tudo bem, mas... e aqui chega o mas!!! O Bispo começa a exaltar-me a colônia onde irei eu e meus futuros companheiros: a colônia está situada em magnífica posição, ao longo de um rio; a gente vai para lá de vapor até Estrela, (cerca de 07 ou 08 horas) e depois, cerca de 05 horas a cavalo, etc., etc. Eu caí das nuvens, percebendo que a descrição era bem diferente daquela da colônia de Alfredo Chaves, distante cerca de 04 dias de viagem, situada em alta montanha, ou pelo menos num planalto. O Bispo me disse que já escreveu aos colonos, comunicando minha chegada, e me mostrou uma carta em que um dos chefes da colônia se expandia em mil agradecimentos, porque o céu havia finalmente ouvido as orações de tanta gente, etc., etc. Não é a colônia de Alfredo Chaves, e sim a colônia de Encantado, Encantado pelo encanto de sua posição e fecundidade. Mas, Excelência, disse eu, aqui há um equívoco! O Sr. deve saber que os colonos de Alfredo Chaves, Linha 8ª, 9ª, etc. pediram a Dom Scalabrini um sacerdote, ou melhor, três sacerdotes e, para tanto, desembolsaram dinheiro, e tudo isso com o seu consentimento! - Mas eu não estava informado disso, retrucou ele e, por outro lado, D. Scalabrini, quando escreveu que mandaria o missionário, não me falava de Alfredo Chaves. Em todo o caso, eu vou acertar tudo com o pessoal de Alfredo Chaves, também no que tange o dinheiro que desembolsaram! 15

16 Na verdade ele sabia que os colonos de Alfredo Chaves tinham pedido (o missionário) e que me esperavam. Mas vê-se que desejava contentar uma colônia mais antiga daquela, e que de desde muito tempo pedia o sacerdote; tanto é verdade que sabia disso, que alguns dias atrás, a um jovem padre que enviou para as bandas de Alfredo Chaves (27) contou que havia resolvido enviar os missionários de Placência para a colônia de Encantado. E o padre lhe disse: pelo amor de Deus, Excelência, não faça isto porque aqueles colonos vão fazer uma revolução! O Bispo respondeu: Você cale a boca! Se encontrar alguém daquela colônia, não diga nada, e eu vou ajeitar tudo! Hoje à noite voltei ao assunto com o Bispo, mas ele não arredou pé e insiste em nos enviar para a colônia de Encantado. E assim seja! Não tem jeito! É preciso amarrar o burro onde quer o patrão! Ele deve saber o que está fazendo. Nós fizemos quanto estava a nosso alcance para contentar os colonos de Alfredo Chaves. Que o Bispo se avenha lá com eles! Na conversa pude perceber que ele não quer que os colonos lhe amarrem as mãos. E disse-me também de escrever a Dom Scalabrini que cuidasse para não deixar-se amarrar por ninguém. Disse-me ainda que não pedisse e nem fixasse um estipêndio para ficar sempre livres e independentes, e que a imposição de taxas sobre as famílias, um tanto por ano, é ocasião de muita confusão. E, note que eu não lhe tinha dito nada que a Colônia de Alfredo Chaves se tinha taxado com a quota de 05 mil réis ao ano para cada família. Vamos ver o que vai acontecer (28)! Esta carta, escrita quando o assunto estava ainda quente, mostra que, entre gentilezas e gestos amáveis, o Bispo havia reservado ao Pe. Vicentini uma surpresa desafiadora. Talvez indisposto com os entendimentos lavrados entre a Casa-Mãe de Placência e os colonos de Alfredo Chaves, propunha que ele esquecesse o compromisso assumido com eles e abraçasse outro projeto, para o qual não estava autorizado. Evidentemente isto não entusiasmava o pobre missionário, que passou a noite a cismar sobre os motivos que haviam levado o Bispo a tomar aquela estranha atitude. Por quê tal reviravolta? Não existem documentos que expliquem a atitude do Bispo. Porém, lendo nas entre linhas, é possível fazer uma reconstrução. Em primeiro lugar está fora de dúvida que Dom Cláudio conhecia a iniciativa dos colonos da Segunda Secção Oeste de pleitearem a vinda de um missionário. Entretanto, segundo o relato de Vicentini, ele afirmava não saber que o padre estava destinado à colônia de Alfredo Chaves: Eu não sabia disto (...) e, por outro lado, Dom Scalabrini, quando me escreveu sobre o envio do missionário, não me falava de Alfredo Chaves. Provavelmente o problema surgiu por causa da participação de três interlocutores: D. Cláudio, Dom Scalabrini e o Pe. Giuseppe Molinari, reitor da Casa-Mãe. A 21 de janeiro de 1896, Dom Cláudio fora informado de que o Pe. Vicentini estava prestes a zarpar rumo ao Brasil. Nesta carta, escrita em nome de D. Scalabrini, não se fazia nenhum aceno à destinação do missionário, pois, para os superiores de Placência estava claro que ele devia ir para Alfredo Chaves. Dom Cláudio, em vez, interpretou o silêncio como se fosse a liberação para enviar o padre aonde melhor entendesse. A alimentar a convicção de D. Cláudio poderia ter concorrido uma eventual correspondência de D. Scalabrini, não registrada em arquivo, mas lembrada mais vezes por D.Cláudio (29). 27) Tratava-se, provavelmente do Pe. Giosuè Bardin. 28) Carta de Vicentini a Molinari, Porto Alegre, 13/04/1896, AGCS, Roma. 29) Cfr. Vicentini a Molinari, Porto Alegre, 23/05/1896, AGCS, Roma 16

17 17 Nesta correspondência D. Scalabrini sublinhava o empenho dos missionários de trabalhar em estreita união com os bispos. A partir daí surgiu um equívoco que não pode ser posto em dúvida se não se quer questionar a boa fé de D. Cláudio. Mas provavelmente a decisão de enviar Vicentini para Encantado inspirava-se também em motivos particulares do Bispo e em conveniências pastorais. Sabe-se que D. Cláudio era cioso de sua autoridade e não gostava de dar o braço a torcer quando se tratava de distribuir o clero em sua diocese. O Pe. Vicentini recorda muitas vezes esta inflexibilidade, sublinhando que ele fazia questão de pagar a viagem dos padres que vinham da Europa, para não se amarrar a ninguém e manter sua liberdade de ação. Dentro desta linha, o Bispo não podia estar satisfeito com os entendimentos levados a efeito entre os colonos e o Instituto dos Missionários de S. Carlos, embora os tivesse endossado. Para livrar-se do vínculo com os colonos, não só se prontificou a pagar as despesas da viagem de Vicentini, como também dos outros missionários que estavam para chegar. É preciso, depois, recordar que a Colonização de Encantado era anterior à de Nova Bassano e desde tempo estava pedindo um sacerdote. Suas reivindicações eram endossadas pelos Jesuítas de Estrela, que atendiam as colônias de Encantado e Guaporé, e se faziam ouvir com mais força e credibilidade do que as dos colonos do planalto. Além disso, as colônias de Alfredo Chaves tinham assistência religiosa assegurada. Na sede, desde 1886, trabalhava o Pe. Matteo Pasquali e em S. João do Herval encontravase o Pe. Giosuè Bardin, que assistia as comunidades da redondeza, inclusive aquelas para as quais estava destinado o Pe. Vicentini. Pelo contrário, as colônias de Encantado e Guaporé estavam praticamente abandonadas, e deviam contentar-se com as esporádicas visitas do jesuíta alemão, Pe. Bernardo Bolle, que de vez em quando, a partir de Estrela, percorria o planalto, em longas e estafantes peregrinações. A razão definitiva parece ter sido a chegada dos Padres Capuchinhos, com notável potencial humano, aos quais D. Cláudio deixara a liberdade de fixar a sede em Conde d Eu ou em Alfredo Chaves (30). Evidentemente, três meses após esta oferta aos Capuchinhos, ele não se sentia a vontade enviando para os mesmos lugares outro Instituto religioso. Por todos estes motivos, D. Cláudio mostrou-se inabalável diante das resistências do Pe. Vicentini e, no dia 14 de abril, assinou o decreto que o nomeava capelão de São Pedro de Encantado, por um ano. E assim seja! - desabafou impotente o bom missionário. - Não tem remédio! É preciso amarrar o burro onde quer o patrão! Poucos dias depois, visto que os colonos de Alfredo Chaves, a quem havia escrito de Santos, não davam os ares de sua graça, ele se despediu de D. Cláudio e tomou o vapor para o novo e nebuloso destino. Era o dia 17 de abril. 30) Cfr. Bernardin d Apremont e Bruno Gillonay, em Comunidades Indígenas e Brasilei ras,...

18 18 CAPÍTULO IV Um Missionário de Férias Enquanto Vicentini amargava as primeiras experiências em terras gaúchas, em Placência estavam em andamento os preparativos para o envio dos outros missionários. Como dito, os candidatos eram três: o Pe. Antonio Seganfredo, o Pe. Antonio Serraglia e o Pe. Pietro Colbachini. Entre estes, Serraglia fora convidado a retardar a partida para acompanhar ao Pe. Colbachini. Mas quem era o Pe. Pietro Colbachini? Está na hora de voltar a atenção para este personagem de primeira plana na história das missões scalabrinianas no Rio Grande do Sul. Com suas qualidades e defeitos, com suas atitudes temperamentais e sua santidade, com sua fraqueza e sua força, com sua humildade e grandeza, este missionário poderá ser discutido, poderá provocar avaliações contrapostas, mas nunca poderá ser esquecido! O Pe. Colbachini nasceu em Bassano del Grappa, aos 20 de agosto de Aos 13 anos, entrou na Companhia de Jesus e freqüentou os estudos até entrar no noviciado, em Sigmaringen, na Alemanha. Devendo retirar-se, por motivo de saúde, voltou para a Itália e foi aceito no Seminário diocesano de Vicenza, onde foi ordenado sacerdote, em Começou a atividade sacerdotal no curato de Santa Corona, em Vicenza, mas pouco depois, teve que se retirar ainda por causa da saúde, e submeter-se a um sério tratamento. Sendo um homem muito ativo, não tolerava o ócio e ocupava o tempo pregando missões populares. No exercício desta atividade, deu-se conta da pasmosa incidência da emigração nas paróquias do Vêneto e arquitetou o propósito de se juntar aos Salesianos a fim de viajar para o Brasil e pôr-se a serviço daquela pobre gente. Chegou a se entrevistar com Dom Bosco, mas não aceitou a proposta de se fazer salesiano, preferindo dirigir-se por conta própria ao Brasil. Embarcou no dia 1º de novembro de 1884, mas só chegou ao Brasil em fevereiro de 1885, após uma permanência de 40 dias em Montevidéu, devido ao fechamento dos portos brasileiros por causa de um surto de cólera, na Itália. Aos 24 de maio, chegou a São Paulo, seguindo depois para Curitiba, onde empreendeu intensa atividade entre os colonos italianos. Em 1888, sabendo que Dom Scalabrini havia fundado um instituto para assistir os emigrantes, abandonou um projeto análogo que vinha alimentando e entrou no Instituto dos Missionários de São Carlos. Durante a revolução dos Maragatos, em 1893 e 94, encabeçou uma grande campanha para manter os colonos fora das hostilidades, levando alguns incautos que haviam sido recrutados, a desertar dos grupos armados. Por este motivo, teve que fugir dos revolucionários, porque procuravam eliminá-lo e se refugiou por longo tempo na clandestinidade (31). Não obstante a saúde precária, o Pe. Colbachini tinha um impressionante espírito de iniciativa e uma admirável resistência ao trabalho e às adversidades. Era inteligente e preparado, escrevera artigos e relatórios sobre a emigração italiana no Brasil, sendo por isso muito quotado nas altas esferas do governo italiano. Levado por seu zelo impetuoso, e 31) Cfr. Francesconi, Mario. Storia della Congregazione Scalabriniana, CSER, Roma, 1973, pág. 53.

19 19 querendo realizar no Paraná e São Paulo as experiências que os co-irmãos scalabrinianos lhe referiam estar realizando nos Estados Unidos, lutou muito para conseguir a ereção de uma paróquia pessoal de onde pudesse atender a todos os italianos residentes nas cercanias de Curitiba, inclusive nas paróquias vizinhas, e isto sem depender da autoridade de seus párocos. Esta figura jurídica era desconhecida no Brasil e, por isso, tanto os párocos como os administradores diocesano, acostumados ao regime de paróquias territoriais, opunham forte resistência. O conflito de idéias e de interesses criou profunda divergência entre o missionário e o vigário geral de Curitiba, Pe. João Evangelista Braga, que representava o Bispo de São Paulo, então responsável também pelo estado do Paraná. Nem a substituição do Pe. João Evangelista pelo Pe. Alberto Gonçalves, nem a posterior criação da diocese do Paraná, em cuja chefia foi colocado Dom José Camargo Barros, amainaram os contrastes e remediaram a situação. Diante destas dificuldades, Pe. Pietro sentiu-se dolorosamente vencido e resolveu voltar para a Itália, inclusive para cuidar de sua saúde abalada. Lá chegando, dirigiu-se para a sua querida Bassano del Grappa e submeteu-se a um intenso tratamento. Mas ele não era homem de ficar de braços cruzados. Apenas sentiu-se em condições, tomou o trem para Roma, visando realizar uma série de encontros com representantes do governo e expoentes da hierarquia vaticana. Seus objetivos eram dar apoio às propostas que D. Scalabrini encaminhara para modificar a legislação sobre a emigração, apresentar relatórios sobre a situação dos emigrados no Brasil e especialmente pleitear patrocinadores para um projeto de colonização-modelo, que ele havia planejado com muito carinho, para o qual buscava financiamentos junto ao governos da Itália e do Brasil. De volta a Bassano, retornou à velha atividade de pregar retiros e missões populares. Ao mesmo tempo resolveu participar de um concurso que D. Scalabrini havia lançado para preparar um manual de orientações espirituais e práticas para os emigrantes. O trabalho ficou pronto em poucos meses e, apresentado à Comissão Julgadora, foi declarado vencedor. Aos 04 de julho de 1896, cheio de júbilo, escreveu a D. Scalabrini: Comunico-lhe, antes de mais nada, que o Manual estará pronto até o dia 20 do corrente. O Pe. Beccaro faz dele os mais risonhos prognósticos e me disse que, a esta altura, ele teria feito duas substanciosas edições, tão certo está do bom êxito (32). Pouco mais tarde emendava: Estou agora no fervet opus para a divulgação do Manual. Dei ordens ao editor de enviar cópia a muitos bispos e aos principais jornais católicos. Hoje devem ter sido enviadas as três cópias a Roma, para o Santo Padre, o Cardeal Rampolla e Mons. Cavagnis. Creio que, se o Santo Padre dedicar um momento de atenção ao livro, ficará contente que os emigrados possam servir-se dele... (33). Mas as preocupações com o Manual não absorviam todas as energias e atenções do dinâmico missionário. Em sua cerrada correspondência com D. Scalabrini, arriscava-se a dar sugestões e a fazer propostas tais como a transferência do Pe. Franceso Brescianini de Santa Felicidade, a volta do Pe. Domenico Vicentini para assumir a direção da Casa-Mãe, a publicação de um periódico interno do Instituto, a abertura de seminários scalabrinianos no exterior, etc. 32) Colbachini a Scalabrini, Bassano del Grappa, 04/07/1896. AGCS, Roma. 33) Colbachini a Scalabrini, Bassano del Grappa, 15/07/1896, AGCS.Roma.

20 20 Com o passar do tempo, também sua saúde melhorou, permitindo que alimentasse novamente a esperança de voltar à missão. Mas este capítulo não era nada fácil, pois o Pe. Cobachini temia justamente a oposição que haveria de sofrer do Vigário Geral de Curitiba: A diocese de São Paulo(...) parece fechada ao meu apostolado pelas insinuações hostis do mesmo Pe. Alberto Gançalves, de Curitiba, o qual no passado, para vingar-se das sombras que minha pessoa lhe fazia no Paraná (...), me pintou junto àquele Bispo, então auxiliar, como um fanático, um insubmisso à autoridade eclesiástica, e, desta maneira o outro se preveniu a meu respeito. E à carta que lhe enviei 06 ou 07 meses atrás, para consultar suas disposições, respondeu que não podia valer-se de mim em favor dos italianos, pelas dificuldades que haveriam de surgir no futuro (34). Na realidade, em vez do convite do Bispo, chegou de Curitiba a carta de um jesuíta, certo Pe. Gisbeo, o qual denunciava junto a D. Scalabrini uma série de irregularidades que o Pe. Pedro teria cometido durante os anos de permanência no Paraná. Preocupado mas leal, D. Scalabrini remeteu a carta ao interessado para que a lesse e lhe fizesse uma avaliação. Pe. Colbachini escreveu imediatamente ao Bispo, apresentando apaixonada defesa (35). No dia seguinte, não satisfeito, volto à carga com outra carta ainda mais contundente: Tenha paciência comigo mais uma vez. Diz-se que o sono amadurece e aclara as idéias. Assim eu, despertando hoje de manhã, com as apreensões que suscitou em mim a carta dope. Gisbeo, que lhe reenviei ontem, enxerguei clara a minha situação frente aos Bispos do Brasil. Não tenho coragem de os acusar, porque podem ter sido seduzidos ou mal informados, mas não tenho dúvidas de que as acusações, que talvez não teriam coragem de pronunciar contra minha pessoa, são as seguintes: 1) Ter eu por carta e a viva voz comunicado ao Bispo de São Paulo, D. Lino Rodrigues de Carvalho, o comportamento negativo de alguns sacerdotes, especialmente napolitanos, que trabalhavam no Paraná (minha denúncia não teve outro resultado se não atrairme uma severa admoestação!); 2) Ter eu recorrido, com o mesmo intuito, por meio do Sr. Inter-núncio e através de V. Ex.a diretamente à Santa Sé e de ter por isso conseguido a proibição aos Bispos do Brasil de admitir em suas dioceses sacerdotes italianos que não fossem enviados por V. Ex.a ou munidos de um mandato da Congregação de Propaganda Fide, além da reforma imposta pelo Sr. Inter-núncio Cocchia; 3) Ter dado hospitalidade em minha residência de Água Verde a Mons. Inter-núncio Spolverini, que por seu zelo não era excessivamente aceito no Brasil; 4) Ter solicitado à Santa Sé a criação de uma diocese no Paraná e Santa Catarina, subtraendo aquele estado da jurisdição de São Paulo, coisa que desagradou àquele Bispo (embora não o mostrasse com palavras) e parece que desagradará a seu sucessor, D. Arcoverde. 5) Ter-me oposto à promoção do Rev.mo Vigário Geral, Alberto Gonçalves, a bispo do Paraná,embora tivesse sido indicado pelo Bispo de São Paulo como o mais indicado para o cargo. (Daí suas iras furiosas!); 6) Ter-me empenhado junto à Santa Sé para que a sede do bispo fosse estabelecida na 34) Colbachini a Scalabrini, Bassano del Grappa, 24/05/1896, AGCS, Roma. 35) Colbachini a Scalabrini, Bassano del Grappa, 20 07/1896, AGCS, Roma

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