Apresentação. Prof. Vicente Jr. ( Doutorando em Literatura Brasileira pela UFPB )

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1 Apresentação Um dia, quando as coisas melhorarem... quando o Brasil for um país decente, quando não houver mais trabalho escravo, quando os preconceitos forem superados, quando não existir mais vestibular, quando vocês entenderem que literatura não se decora, pois é coisa de sentir... eu vou me deitar em alguma praia deserta, à noite, com a lua me namorando... nesse dia... eu vou morrer de achar graça. Prof. Vicente Jr. ( Doutorando em Literatura Brasileira pela UFPB ) 1

2 1- Inocência 2 D. Guidinha do poço 3 Os bruzundangas 4 Contos da Montanha 5 Rosa, vegetal de sangue 6 - Agosto 7 Dizem que os cães vêem coisas... 8 A Casa 9 A palavra e a palavra 10 - Palimpsesto 11 Luneta Mágica 12 - Helena 13 - Lucíola 14 Os sertões 15 Balé do pato 16 Beira-sol 17 - Desafio 18 Dora - Doralina 19 Memórias de um sargento de milícias 20 Laços de Família 21 Os verdes abutres da colina 22 - Estorvo 23 O sertanejo 24 Esaú e Jacó 25 A Bagaceira 26 Memórias de um sargento de milícias. 27 A Normalista 28 Fogo Morto 29 Seara Vermelha 30 O sorriso do lagarto 31 O cabeleira 32 O cortiço 33 O ateneu 34 Luzia-Homem 35 Capitães da Areia 36 O Quinze 37 O Guarani 38 Aves de Arribação 39 Poesias Incompletas 40 A casa ÍNDICE 2

3 41 Cordéis e outro poemas 42 Entre a boca da noite e a madrugada 43 Três peças escolhidas 44 O mundo de Flora 45 Dias e Dias 46 Dos valores do inimigo 47 O Gaúcho 48 Moça com flor na boca 49 A vinha dos esquecidos 50 São Bernardo 51 Primeiras estórias 3

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5 TEORIA LITERÁRIA Para um melhor aprendizado dos elementos que compõem uma obra narrativa (contos, romances, crônicas etc), segue uma lista deles com um pequeno, mas adequado esclarecimento. a) Quanto ao Foco Narrativo : pode ser em 1 a ou 3 a pessoa. Em 1 a pessoa quando temos um narrador-personagem, e em 3 a pessoa quando o narrador, via de regra, conta o que se passa com outra pessoa. O narrador ainda pode ser Onisciente ( quando interfere na narrativa ) ou Observador ( quando apenas relata o que vê ). b) Quanto ao Tempo: o tempo em literatura pode ser Cronológico (quando há indícios e predominância de marcação temporal como hora, dia, mês, ano, estações do ano etc) ou Psicológico (quando não há registro de tempo físico, apenas a angústia da personagem manifestada em digressões temporais como por exemplo em analepses vulgarmente conhecidas como flash-back. c) Quanto ao Espaço: o espaço no qual se passa a narrativa pode ser amplo ou reduzido, de segurança ou angústia. Veja as situações: 1. Você foi para os E. U. A a trabalho, mas não fala nada em inglês. Espaço: amplo, de angústia. 2. Você volta de uma guerra e é recebido, em seu país, como herói. Espaço: amplo, de segurança. 3. Você está preso, numa cela, por um crime que não cometeu. Espaço: reduzido, de angústia. 4. Você perde a chave do quarto, fica trancado lá dentro, mas com a pessoa que você mais gosta ( namorado ou namorada ). Espaço: reduzido, de segurança. d) Quanto às Personagens: são divididas em protagonista (principal personagem) antagonista (opõe-se às vontades do protagonista) e secundários ( sem relevância). 5

6 Podem ser: Planas ou estáticas quando não se modificam no decorrer da narrativa, são lineares. Esféricas ou dinâmicas quando se modificam, ou sofrem com as diversas situações 1 - Inocência Visconde de Taunay "Pensando por vezes e sempre com saudades daquela época, quer parecer-me que essa ingênua índia foi das mulheres a quem mais amei." Visconde de Taunay, sobre a jovem interiorana que, possivelmente, motivou a escritura do romance. Autor e Obra Nascido Alfredo d`éstragnolle Taunay, em 1843, não apenas provinha de origem francesa como foi criado em ambiente de refinada educação artística,, filho do pintor Antoine Taunay, tendo sua formação balizada pelo francesismo que tomava conta do mundo na época. Dono de um nacionalismo sincero, o autor não se contentava com a vida comum da cidade. Embrenhou-se em sítios e fazendas, pois fez-se mais soldado que bacharel. Ainda assim, cursou Belas Artes, Ciências Físicas e Matemáticas na Escola Militar, seguindo depois para o Mato Grosso no começo da Guerra do Paraguai, o que lhe deu matéria suficiente para fazer o texto A Retirada da Laguna (1871). Na volta, foi deputado, senador e presidente da província de Santa Catarina. Faleceu no Rio de Janeiro em Tinha como pseudônimo Silvio Dinarte. Deixou obra vária e irregular. Romance: A mocidade de Trajano(1872); Lágrimas do coração (1873); Inocência(1872); Ouro sobre azul(1878); O Encilhamento e No declínio. Narrativas: A retirada da laguna; Cenas de viagem (1868); Narrativas militares; Histórias brasileiras(1874);ao entardecer,(1901). Teatro: Amélia Smith; Da mão à boca se perde a sopa; Crítica: Estudos Críticos; Reminiscências(1907) e Memórias ( 1948). Momento Em 1836, com a publicação de Suspiros Poéticos e Saudades, o Romantismo instala-se no Brasil. Isso fez com que houvesse uma divisão de nossa escola romântica em obras de Prosa e Poesia, havendo posteriormente, o englobamento do gênero Dramático, o teatro de Martins Pena. O Romantismo, porém, dividia-se em vertentes: Indianista ( Iracema e Ubirajara ); Histórica ( Guerra dos Mascates ); Urbana ( Senhora e Lucíola ) e Sertanista ( O sertanejo, O cabeleira e Inocência). Visconde de Taunay pertence ao momento final do nosso romantismo, quando a escola já se encontrava em declínio, principalmente porque já havia indicações de outras estéticas se manifestando ao longo da narrativa. No caso de Inocência, encontramos até um certo toque naturalista. Resumo Sempre iniciando os capítulos com uma citação de proveito, moralizante, o narrador começa com uma descrição do espaço onde se desenvolverá a narrativa, a confluência entre o sertão de Goiás, Minas e Mato Grosso, numa região de capões, cerrados altos, seca e queimadas, mas que a chuva 6

7 transforma tudo ao redor em paraíso verdejante. Assim, faz descrições da fauna e da flora falando de buritis, gaviões e araraúnas. Abrem os capítulos excertos inteiros de grandes romances ou peças teatrais de Menandro, Shakespeare, Goethe, Chausser, Scott, Hugo, Hoffman e Cervantes, além de pensadores como Russeau e Saint-Pierre dentre outros. No capítulo intitulado O viajante, é apresentado Cirino, jovem bonito, que encontra na estrada o sr. Martinho dos Santos Pereira. Cirino se identifica como curador de maleitas e feridas brabas. Pereira fala que foi sopa no mel, pois está precisando de seus conhecimentos e bruxarias. Tem uma filha que adoeceu de maleita. Disse que até o vizinho, o Coelho, está doente, pode dar-lhe um bom dinheiro se for curado. Cirino confessa ter uma dívida ( 300 mil réis ) que precisa pagar urgentemente. Continuam caminhando em direção ao rancho de Pereira. No capítulo o doutor, temos a descrição e a história de Cirino, paulista, filho de boticário, que foi enviado a Ouro Preto para morar com um tio. O tio morreu e não deixou nada para ninguém. Cirino foi expulso do colégio. Virou boticário e começou a estudar farmacologia. O diploma não vinha. Resolveu ganhar experiência. Saiu viajando pelo sertão e graças aos livros que tinha passou a receber o tratamento de doutor. ( curandeiro, simples curandeiro, enfatiza o narrador onisciente). Bom rapaz, bom coração, mas no caminho do charlatanismo ( facilitado por ser orgulhoso ) Um médico é um tipo de messias, principalmente no sertão necessitado e crente. Ao chegarem ao rancho de Pereira, temos a descrição da casa e dos costumes da gente do sertão, principalmente dos mineiros. Descansam e depois comem. Cirino deseja ver a filha de Pereira urgentemente. O rosto do velho fica sombrio. Cirino se prepara para conhecer Inocência que se encontra enferma. O quinto capítulo inicia-se com uma frase de Menandro ( Onde há mulheres, aí se congregam todos os males a um só tempo ). Nesse capítulo Pereira conduz Cirino ao quarto de Inocência, sempre advertindo sobre os modos do boticário, zelando por sua filha, comparando-a com as mulheres em geral que, na sua opinião, têm algo a ver com o demônio. Cirino rebate dizendo que não concorda, que não pensa assim sobre as mulheres, que são tão boas ou mais quanto os homens. O que acontecia era um tipo de aviso prévio por parte do pai. No capítulo Inocência, Cirino tem seu primeiro contato com a doente, jovem débil e abatida que repousa numa cama de couro. Entre os dois já surge um tipo de compreensão. Inocência é alva e linda. Cirino conhece também Tonico, ou Tico, um anão ( um tipo de Quasímodo ), capaz de qualquer coisa para proteger a moça. Cirino receita os remédios, frutas e banhos, e diz que Inocência ficará boa em 3 dias. No meio da mata, surge outro viajante, um alemão naturalista de nome Guilherme Meyer. Cirino é apresentado como doutor. O alemão, zoólogo e botânico, olha esquisito. Cirino toma o pulso e medica novamente Inocência. Não consegue mais resistir e sente-se apaixonado. Pelos olhares, os gestos e outras impressões o leitor percebe que o boticário é correspondido em sua paixão. Em certos momentos, o texto ganha um tom naturalista pela bestialidade de Tico e pelo uso de certas expressões científicas. Cirino e Pereira conversam com o alemão. O alemão entrega a Pereira uma carta de seu irmão ( Chico ). Preparando-se para o almoço, Meyer e Cirino conversam sobre a vida, sobre ciência e sobre Inocência. Nos capítulos XII e XIII, Meyer é apresentado a Inocência. Sem conhecer os instintos de defesa de Pereira, e nem a rusticidade dos costumes sertanejos, o alemão faz rasgados elogios à jovem que ruboriza. Pereira fica furioso e diz a Cirino que ficará sempre de olho no alamão. Diz que Manecão, o noivo, não deixará barata aquela afronta, Cirino o apóia. Meyer confidencia a José, seu ajudante, a beleza de Inocência. Pereira continua de cara fechada. À medida que a desconfiança em Meyer se generaliza, a confiança em Cirino aumenta, Pereira o tem como um amigo. O narrador, novamente onisciente, discute sobre isso. Pereira e os pesquisadores saem. Cirino alegra-se pensando em ficar só com Inocência. Cirino, finalmente, tem uma chance de conversar com Inocência. Na hora em que vai ministrar-lhe o remédio ( mezinha ), o anão Tico, aparece e faz cara feia. Entre o médico e a doente 7

8 surge uma certa cumplicidade. Inocência, que não costumava ver homem sempre, agora estava confusa, e encantada, com os carinhos do doutor. Horas depois, o alemão chega cheio de calombos, fora atacado por formigas. Em seguida, todos riem das aventuras e desventuras do pesquisador que, às vezes, sofre em busca de seus insetos. Pereira passa a dormir na sala, perto do quarto da filha, para vigiar o alemão. Chega à casa do Pereira o sr. Coelho, fazendeiro, homem de muita posses. Pereira diz a Cirino que o homem tem um tipo de doença que se for curada o mesmo pagará muito bem., Coelho entra e Cirino dá-lhe logo um diagnóstico. Coelho fica abismado com a precisão do doutor. Cirino receita ervas a Coelho e lhe cobra cem mil réis em duas prestações. Coelho, depois de relutar sobre o preço, diz que vai fazer tudo que o médico mandar, pois tudo o que quer é ficar curado da maldita doença. No capítulo O morfético, um dos mais tristes da narrativa, chega à fazenda um certo senhor Garcia, acometido de lepra, o que o fazia detestado por todos do local, inclusive o Pereira, que é o primeiro a mostrar cara de nojo. Cirino sai, conversa com o homem e diz-lhe que seu mal não tem cura. Garcia diz que vai desaparecer para São Paulo, atrás de gente lazarenta igual a ele. Todos entristecem com a despedida. Os dias passavam sem nenhuma novidade. Inocência se restabelecia e Cirino só tinha olhos para ela. A cabeça pensava em Manecão, o noivo desgraçado que estava sempre por chegar. Uma noite, sem conseguir dormir por causa do sofrimento que o amor, às vezes, traz, Cirino encostou-se à janela da jovem, onde vira seu vulto, e começou a chamar baixinho por ela. Inocência demorou, mas acabaram conversando madrugada a dentro. Falam de amor, do que sentem, vivendo um verdadeiro idílio amoroso até o momento em que um barulho estranho assusta o casal. Em seguida vem uma pedrada e o casal se esconde. Um assobio fino ecoa ao redor. Cirino investiga o terreno, mas não encontra nada. Assombração? No capítulo Cálculos e Esperanças Inocência e Cirino trocam confidências. Ela lhe conta como passou a ver a vida melhor depois de conhecê-lo. Ele fala de sua extrema felicidade por ter encontrado o amor. Conversam sobre seu futuro juntos. Os capítulos XX e XXI são dedicados ao alemão Meyer, na desconfiança que Pereira tem de seu carinho por Inocência, o que favorecia em muito a proximidade de Cirino com a paciente, e principalmente a descoberta de um exemplar raríssimo de borboleta à qual o alemão, muito polidamente, resolveu dar o nome de Papilio Innocentia, num tipo de homenagem à beleza sem igual da filha de Pereira. O fazendeiro ficou injuriado. Meyer resolve continuar sua viagem para depois voltar para a Alemanha e registrar seu grande feito. Pereira ficou mais aliviado. Depois da partida de Meyer, as atenções de Pereira voltam-se para Cirino. Pereira passa a achar que talvez tenha sido duro demais com o alemão. Cirino arma uma última entrevista com Inocência, pois percebe que precisa acabar com o noivado de sua amada com Manecão. Precisa falar com o pai da jovem sobre o seu amor, mas não tem coragem. Por outro lado, sabe que a honra daquele sertanejo, manifestada em sua palavra, dificilmente seria quebrada ( pátrio poder ). Inocência é quem lhe dá uma idéia, bastando-lhes pedir a ajuda do padrinho, Antônio Cesário, a quem o pai devia favores. Cirino resolve viajar o quanto antes. Na Vila de Santana, depois de escapar ao falatório e às perguntas da gente da região, Cirino tem seu primeiro encontro com Manecão, embora não se conheçam. Falam-se rapidamente, e por intermédio dos outros que passam a avaliar os dois dizendo: Aí tem dente de coelho!. Durante a viagem, entrando no sertão dos Gerais, Cirino imagina como Inocência precisaria lutar pela felicidade ao lado dele. Avalia como Manecão é grande. Valei-me, nossa Senhora da Cana Verde!. No quarto dia de viagem, Cirino encontra Antônio Cesário. Do outro lado, chegava Manecão à casa do futuro sogro. Na chegada, Manecão é recebido com muita alegria pelo Pereira. Inocência não estava em casa, foi ao riacho e sua demora deixou o pai mais impaciente que o noivo. Conversam sobre o casamento e a festa descomunal que haveria de acontecer. Entram e esperam a moça. 8

9 No capítulo Cenas Intimas, Inocência chega em casa e encontra Manecão. Imediatamente, abate-se sobre ela um tremor, um nervosismo fora do comum que a impele para o quarto sem querer nem olhar para o noivo. O pai fica aflito, pensa que é uma recaída da doença. Pereira e Manecão passam dias na esperança de melhora da jovem. Um dia, quando o pai entra no quarto da moça ela lhe diz que teve um sonho, sonhou que sua mãe, já falecida, descia do céu toda de azul e dizia que ela não se casasse, pois a desgraça tomaria conta daquela casa. O pai estava quase acreditando quando lembrou-se de que a esposa morrera cedo, e a filha nunca lhe vira o rosto. Inocência arrepende-se da mentira e pede desculpas. O pai diz que ou ela aceita o noivo ou morre. Inocência pensa na idéia da morte e silencia. Depois de ter chegado à casa de Cesário, padrinho de Inocência, Cirino tenta cativar sua simpatia. Curou escravos, animais, fez remédios e tudo mais, mas o fazendeiro não lhe dava confiança. Desesperado, o boticário pede-lhe um momento em particular. Marcam em um lugar ermo. ( Nesse momento, a natureza reflete o ânimo da personagem ficando também sombria.) Cesário chega e Cirino conta-lhe toda a história. O padrinho percebe a verdade nas palavras do boticário, mas relembra-lhe que ninguém pode contornar a palavra empenhada ( honra sertaneja e romântica ). Cirino revela que a própria Inocência mandou-lhe ali porque só o padrinho, que muito a amava, poderia salvá-la. O padrinho se sensibiliza e, depois de fazer Cirino jurar pela própria vida, pede que aguarde dois dias enquanto pensa na questão. Cirino concorda. No capítulo XXIX, Inocência, com forças dadas pelo próprio amor, sentada à mesa, diz ao pai e ao noivo que prefere morrer a ter que casar com semelhante criatura. O pai fica possesso; o noivo tem ódio no olhar. Pereira empurra a filha que bate a cabeça na parede e fica prostrada no chão. Tico a socorre. Pereira desabafa com Manecão dizendo que o culpado de tudo era um estrangeiro, um alemão chamado Meyer... Inocência vai para o quarto, mas Tico volta e, através de gestos simiescos, faz Pereira entender que estava enganado. O verdadeiro culpado era Cirino, o doutor que, traindo-lhe a confiança, seduzira-lhe a filha. Manecão traça um plano e os dois já idealizam a morte de Cirino. Manecão sai a cavalo. Depois de espreitar Cirino por dois dias, prazo que Cirino esperava por Antônio Cesário, Manecão encontra-se com o boticário no local marcado pelo padrinho. Cirino não o reconhece imediatamente, mas Manecão, chamando-o de cachorro e ladrão, aviva-lhe a memória. Insultado pelo vaqueiro, Cirino mostra a arma que traz no coldre. Manecão não teme e, num relance, saca a garruncha e atira à queima roupa. Cirino cai no chão e, em vez de maldizer sua hora, perdoa o homem que o atacou. Manecão se descontrola, pois não esperava aquilo. As palavras de Cirino doem-lhe na alma. Cirino implora por água, mas o vaqueiro foge com a chegada de outro cavaleiro. O padrinho de Inocência chega para abençoar a união dos dois, mas já era tarde, encontra Cirino caído e sangrando. Arquejante, Cirino mostra-se honrado. Pede a Cesário que pegue o dinheiro que acumulara na função de médico e pague todas as suas dívidas e seus carregadores. Em seguida, morre chamando por Inocência. Cesário enterra o corpo do médico enfeitando o túmulo com uma cruz improvisada. No epílogo, sem mais esclarecimentos sobre a união ou não de Inocência com o vaqueiro, o narrador nos conta da pomposa festa realizada na Alemanha para homenagear o famoso pesquisador Guilherme Meyer, destacando-lhe como maior feito a descoberta de uma esplendorosa borboleta, batizada de Papilio Innocentia em homenagem a uma jovem, conhecida no interior de Mato Grosso Brasil, por sua indescritível formosura... Era também o mesmo dia em que a morte de Inocência completava dois anos. Crítica O romance Inocência, enquadra-se corretamente no Romantismo brasileiro, pois encaminha-se para uma das vertentes mais significativas dessa escola m nossa literatura: o Sertanismo ( 9

10 regionalismo). É um livro no qual o narrador procura mostrar todas as nuanças da gente habitante dos sertões de Mato Grosso e Minas Gerais. Durante a leitura, entramos em contato com a fauna, a flora, o povo e, principalmente, com os costumes da região. É um romance no qual o autor, além de aludir a uma experiência amorosa ( uma jovem que conheceu em suas viagens pelo sertão do Brasil ), demonstra um acurado senso de observação. O livro tem traços românticos na idealização da protagonista, seu nome já indica isso; na retidão de caráter do jovem Cirino, comprovada no desfecho; no patriarcalismo imperante no país, o pátrio poder ( até hoje? ); no forte apelo à natureza, nem sempre cúmplice da personagem romântica; na recorrência ao Quasímodo, de Victor Hugo, personificado no jogo do Feio e do Belo, entre as personagens Tico e Inocência, dentre outras situações. No entanto, por ser um livro de transição ( o Romantismo encontrava-se decadente), já podemos identificar traços de outras estéticas em sua composição: o Realismo ( na postura, às vezes, racional de Cirino ) e o Naturalismo, representado por Meyer, um cientista, e pelo tom meio determinista de personagens como Pereira, Tico e Manecão. Em suma, na linha de autores como Alencar ( O sertanejo e O Gaúcho ), B. de Guimarães ( O Garimpeiro ) e F. Távora ( O Cabeleira ), Visconde de Taunay escreveu, com muito talento, mais uma importante página da literatura brasileira. Resumindo, Inocência é um romance romântico com forte inclinação sertanista, mas que abria possibilidades para as novas estéticas que surgiriam a partir de D. Guidinha do Poço Oliveira Paiva Autor e Obra Autor dos mais renomados da Literatura Cearense e da intelectualidade em geral, Manuel de Oliveira Paiva, nascido em Fortaleza no dia 02 de julho de 1861, só entrou para a Literatura Brasileira em 1952, graças aos esforços da prof. Lucia Miguel-Pereira, com a publicação oficial deste romance, D. Guidinha do Poço. Estudou no Seminário do Crato e cursou a Escola Militar do Rio de Janeiro quando publicou seu primeiro texto Zabelinha. Participou do Clube Literário publicando muitos artigos e contos no suplemento A Quinzena sob o pseudônimo de Gil-Bert. Atacado de tuberculose procurava tratamento em climas mais amenos, por isso viajava sempre de um lugar a outro, não conseguindo sucesso, pois faleceu a 29 de setembro de 1892, depois de fazer a revisão de seu último romance: D. Guidinha do poço. Obras: Zabelinha ou a Tacha Maldita ( 1883 )/ Vinte e cinco de março de 1884 ( poemas ) Romances: A Afilhada ( 1889 ) / D. Guidinha do Poço ( 1899 ); Teatro: Tal filha, tal esposa e Contos: O ar do vento, ave-maria!, Corda Sensível, A melhor cartada, dentre outros, relançados pela ACL em Momento Manuel de Oliveira Paiva com seu romance D. Guidinha do Poço deve ser enquadrado no Realismo, muito propriamente, principalmente pelo fato de ter sido influenciado por escritores como Eça de Queiros e Machado de Assis, autor do romance Dom Casmurro. O Realismo cearense, que de forma alguma pode ser considerado atrasado, ainda tem como representantes Rodolfo Teófilo - A Fome, Antônio Sales - Aves de Arribação e Domingos Olímpio - Luzia-Homem. No entanto, diferentemente do que aconteceu com Domingos Olímpio, Rodolfo Teófilo e Adolfo Caminha, Oliveira Paiva em D. Guidinha do Poço não se ateve simplesmente à vertente oitocentista do naturalismo ( de Aluisio de Azevedo ) ou seja, é uma obra mais voltada para o realismo machadiano, tanto que trata também de um adultério e de um crime passional. Isso não quer dizer que a obra não possua nenhum traço naturalista, ou seja, há um momento em que o narrador chama Guidinha de fêmea, e isso é uma postura naturalista. Ao final, fala-se de óvulo, incesto e masturbação, palavras 10

11 que também marcam o apelo ao naturalismo, mas isso não é suficiente para chamar a obra de naturalista.resumindo, D. Guidinha do poço é um romance realista, pois a temática do adultério e a ambigüidade sobre o comportamento das personagens é que prevalece. Resumo LIVRO I A historia começa com o narrador ( em 3 ª pessoa ) explicando onde era o Poço da Moita e quem era a D. Guidinha do Poço, por isso, fala do avô da moça, Reginaldo Venceslau de Oliveira, português trabalhador que desbravou aquela região. D. Guidinha casou-se com um pernambucano, o Major Joaquim Damião de Barros, comprador de cavalos que passava pelo Ceará e ficou apaixonado por Margarida. O tempo é a transição entre Monarquia e República. Em seguida, o narrador apresenta em forma de balanço-testamento os bens de D. Margarida. Num rápido flash-back, o narrador nos conta as proezas de D. Guidinha ainda menina, andando a cavalo e botando cabresto em quem a desafiasse. Com 14 anos atravessou um rio a nado, de braça, como homem, só porque outra menina a desafiara. Seguindo a narrativa, o presente é um tempo de seca, dezenas de retirantes passam pedindo uma colocação. D. Guidinha, que manda mais que o marido, trata a todos muito bem, dá-lhes água e comida, mas não permite que fiquem. Mas uma única família, conhecida do Major Quinquim, gente do Rio Grande do Norte, acaba conseguindo moradia. D. Guidinha inicialmente não concorda, mas deixa para ver no que vai dar a besteira do marido. Agregou-se a família de Antônio Silveira. Um dia, D. Guidinha estava nos afazeres da casa, em cima de um galpão, quando avistaram um cavaleiro, cheio de malas. Era o Sr. Secundino, sobrinho do Major que " coincidentemente " chegava por ali em visita ao tio. A verdade era que o rapaz fora acusado de um crime em Pernambuco e vinha procurar ajuda. Feitas as apresentações, ainda com um pouco de segredo, pois ninguém entendia aquela visita inesperada do sobrinho Secundino ao Major Quinquim, D. Guidinha não simpatizou muito com o viajante. Primeiro, porque era gente do marido, e isso só já bastava, depois pelo vexame que passara, pois teve que ficar enganchada no alpendre até que ele se afastasse. De qualquer forma, Secundino estava muito bem aboletado. Mesa, bacia de rosto com uma toalha e chinelos, e foi para o quarto de hóspedes. O tio não chegava. Enquanto aguardava, agora por coincidência, acabou encontrando a família do Silveira. Mataram as saudades contando cada um a sua historia. Silveira estava ali porque o pai fizera besteira e tinha vindido o sítio da família. Na verdade queimou, deu de graça. Agora estavam naquela pendura e na terra dos outros, o que era pior. Secundino acaba pedindo a Silveira que se for preciso aceite depor em um processo em seu favor, pois estão querendo prendê-lo injustamente. Combinam que tudo se arranjará da melhor forma possível. Secundino sai para tomar banho no rio. Age como hóspede ilustre. Logo, se faz de dentro, passa a ser tratado como sobrinho do dono. Guida mantinha-se distante, à espera do marido. E no fim da tarde, junto com várias compras da capital, o tio chegou. O encontro foi deveras emocionante. E depois de muita comida, e pouca cerimônia de Secundino, o Major mandou preparar uma casa que tinha na Vila para o sobrinho se estabelecer, e tudo vinha a calhar porque nas andanças Dino ( apelido de infância ) de comprador de cavalos acabou se tornando mascate. Iria montar um negócio com a chancela do tio enquanto a historia do processo se desenrolava. Silveira partiu para as praias com os cargueiros do patrão. Secundino ia ficando cada vez mais de dentro. A vida na fazenda era muito agradável e o convívio entre os parentes se dava de forma harmoniosa, seja num café da manhã tomado em conjunto, seja numa roda de conversa ou mesmo em uma dança típica como por exemplo a 11

12 quadrilhada. Silveira agora é mandado à Goianinha ( RN ) por ordem de D. Guidinha. Secundino entende que por ordem dela é que Silveira deporia no processo em seu favor. Começa a simpatizar mais ainda com a tia. E numa partida de baralho começa a achar a esposa do tio realmente muito bondosa. Chega o inverno em Poço da Moita e os planos de Secundino de colocar uma loja na Vila são agradavelmente adiados. Na fazenda todos estão felizes com o inverno e com o ambiente familiar. A fartura é uma constante. Findo o período de chuvas, Secundino se manda para a cidade; o negócio dessa vez sai do papel. No Poço da Moita, D. Guidinha conversa com a mulher de Silveira e deixa transparecer uma certa saudade de Secundino. O ponto interessante do Livro I é que encerra com um traço cultural do sertão, a contação de história, hábito sertanejo que muito enobrece a nossa cultura. Temos um tipo de desvio do foco narrativo ( uma história dentro da outra ) quando a mulher de Silveira conta um causo na tentativa de dizer a um peão metido a importante que sertanejos, apesar de retirantes sofridos, são gente e merecem respeito. LIVRO II O livro II trata de uma festa, o casamento da filha do Miguelzinho do Vaváu, Secundino compareceu e lá mostrava felicidade ao lado da filha do juiz chamada Lalinha. Quando Guida fica sabendo começa a desfazer do sobrinho e rebaixar a moça. Dias depois, Guida convida Lalinha para passar uns dias na fazenda, ficam amigas, e Guida pergunta sobre uma pedra que Lalinha traz consigo. A jovem diz que foi presente de Secundino, que é o bem mais precioso que possui, um presente de seu amado. Guida chama de Tolice. Secundino passa três dias no Poço da Moita. Chega carta de Natal dizendo que Secundino tem que se apresentar para o julgamento. Guida diz que ele não tenha medo, pois tudo será resolvido, e ali, nas terras dela, ninguém tocará em um fio do seu cabelo. É dada uma festa no Poço da Moita e os violeiros ( traço cultural ) fazem improviso para a dona da casa e o sobrinho ilustre. Todo branco quer ser rico Todo mulato é pimpão Todo cabra é feiticeiro Todo caboclo é ladrão Viva Seá Dona Guidinha Senhora desse sertão. No meio da festa, quando o forrobodó ficava quente, ( homens e mulheres se melando ) Guida pede a Secundino que a acompanhe até a casa. Os dois saem por uma veredinha no escuro... LIVRO III No livro III o fato mais importante fica por conta do poder de D. Guidinha do Poço que manda o delegado da cidade soltar os homens que havia prendido numa festa, entre eles o Silveira, que não se demorou para agradecer a soltura. Depois disso, não se falava noutra coisa a não ser na coragem da filha do capitão-mor. Todos se preparam para a Missa Cantada. Guida toma banho no rio ( Banabuiú ) com outras moças, ela pensa em encontrar Secundino, se arruma toda. O narrador faz várias sugestões sobre a atração de Guida pelo sobrinho, mas não transmite nada que possa concretizar a traição. Guida se decepciona, pois Secundino é tão safado que não olha só para ela e nem só para a namorada Lalinha. Fica sugerido até que D. Guidinha do Poço já pulava a cerca ó... há tempos. 12

13 É melhor Margarida que tu deixes de abusões. Aquele rapaz é um peralta, pois tu não estás vendo, mulher, com teus olhos? Tarde chorarás o teu pecado, Margarida. Vê como aquilo se baba com a tal de Lalinha! Pois uma coisa assim merece lá um coração como o teu? E ele nem tem lá essas belezas que julgas! Repara. Espia. Compara aquele todo com o viço dos teus matutos. É farinha de barco, os outros são farinha da terra... A polícia do RN continua atrás do Secundino, D. Guidinha diz que vai protegê-lo. Os negócios de Secundino vão mal; sua maior cliente era a própria Guida que comprou de um tudo e vestiu toda a molecoreba da terra. Aceitam a sugestão de ceder uma das fazendas para Secundino. O major Quinquim cuida da transação; o sobrinho agora é fazendeiro. Tomada de ciúmes, Guidinha, ajudada por Aninha Balaio ( prostituta ) começou a inventar coisas arranjando um modo de fazer confusão entre Secundino e o pai de Lalinha para que não houvesse jeito de ficarem juntos. Passou a inventar fofocas, alguma coisa do tipo Eu limpo é o fioto com diploma de juiz de direito!, como se fossem palavras de Secundino remetidas ao Juiz. E a briga continuou. Dia da Missa de Bom Jesus, no alto, na entrada do povoado. Lalinha e Guida ( falsa que só o cão ) passeiam pelas ruas do povoado. Nesta hora o narrador começa a avaliar certas atitudes sentimentais. Assim, dedica uma página inteira às atitudes de Lalinha, que amava desesperadamente Secundino. Na fazenda de Secundino, o novo criador da região, a discussão é sobre a marca que o seu gado deve ter. O peão, usando a inteligência do povo, depois de discutir com o patrão diz: Se amarra o burro onde o dono manda. Secundino começa a considerar o afeto que tem pela tia com quem já até sonhara... se bem que nada tinha de parecida com a Lalinha. Uma hora achava-a gorda, a cara grande, o cabelo assanhado. Outra hora achava-a interessante. Volta a cultura popular Quem ama o feio bonito lhe parece. Morre a D. Anginha, avó de Guida. Guidinha pensava mais ainda em Secundino, tanto que passou a evitar o marido Quinquim. A velha Corumbá, personagem mística, avisava: Ninguém se livra da inoração do povo, Sinhá. Chegou o tempo das eleições e o resultado foi imprevisto; os poderosos amigos de Guida foram exonerados. Agora ficava difícil defender Secundino. Eleições representavam, na crítica do autor, apenas sinônimo de barulho salseiro e desordem. Guida se revolta, mas não adianta, seu partido não ganha. O que a consolava era a paixão. Passou a agir como adolescente. Lia novelas, tinha o ABC dos namorados e muitos versinhos que, de imediato, mandava ao Secundino Meu pensamento ligeiro Botai-me aonde eu quero Lá junto com meu benzinho A quem eu tanto venero Chega uma carta de Natal dizendo que o Secundino foi absolvido. Guida fica muito contente, pois já imagina que o sobrinho passará todo o mês de maio no Poço do Moita, ao lado dela... LIVRO IV Um belo dia, D. Guidinha pede, ou seja, ordena ao marido que organize uma vaquejada, uma brincadeira para os homens da fazenda. A festança é geral, todos começam a ajudar. O local é um pouco afastado da casa e por isso precisa ser limpo. Preparam o gado, as bebidas e, principalmente, o churrasco. Secundino e Guida são os convidados de honra. O narrador desvia um pouco o foco narrativo para a figura de Lalinha e tenta descrevê-la como pura, sentimental e sonhadora que espera 13

14 um amor, mas que, no momento, pela rivalidade do pai com o pretendente vai ter que esperar. Em resumo, consola-se no terço, rezar passa a ser o seu maior prazer. Nisso, o narrador também acaba criticando a Igreja. A preparação para a festa continua e Secundino visita o Poço da Moita. Conhece um professor, Joaquim Ribeiro, mostra-se interessado em aprender latim. O professor não liga para o entusiasmo do rapaz. Começa enfim a vaquejada. Vários vaqueiros estão no páreo, os melhores animais da fazenda estão correndo. Ao final, acontece um acidente: o vaqueiro Manchico fica muito ferido depois de bater-se com outro cavaleiro. Fim da vaquejada. Todos caminham para a casa. O major Quinquim fica um pouco para trás por causa de uma precisão... Quando se aproxima, escuta um bando de vaqueiros que também parara e conversava. Se fosse cumigo eu mitia bala. Só bala é que lava a honra. Mais hõmi quem jura qui o tal Secundino faça isso com u majó? Quinquim ficou estupefato. Avermelhou-se. Perdeu o compasso. E agora? Todos zombando dele... Que a Guida não era muito santa ele já sabia, mas o Secundino... Pensou até em suicídio, principalmente quando a galhofa dos vaqueiros aumentou. Desistiu. Morre o vaqueiro Manchico. Guidinha deu dinheiro para o enterro e chorou um pouco. Quinquim afastou-se da mulher. Sofria calado. Um dia, ao passear à noite pela beira do rio, ouviu um barulho...imaginou logo... Assombração, visage! Pegou a espingarda e meteu bala. Ouviu apenas a disparada do espectro. Contou para Miguelzinho do Vavau que disse que devia ter atirado mais, assim poderia ter acertado logo nos dois, na Guida e no camarada que estava com ela. Quinquim não concordou, disse que era mesmo uma visagem. Continuou triste. Guida achava que era pela morte do vaqueiro, pois eram amigos. A vida continuava assim no Poço da Moita. Secundino, vez em quando visitando a tia. Lalinha, por causa disso, também voltou a freqüentar a casa da amiga. Secundino corta o pé e passa uns dias ausente. Guida falava de Secundino para a menina. Aquilo, minha filha, depois que se meteu de fazendeiro não liga mais é pra ninguém. E você ainda fica metida com semelhante vasilha? Aquilo nunca valeu foi nada! Lalinha ouvia espantada. Uma noite, depois de muito milho e café, começam a contar histórias ( causos ) na beira da fogueira. Todos se revezam contando. Volta o assunto da aparição da beira do rio. Dias depois, acontece uma missa pela alma da irmã do vigário e na volta o pai de Lalinha visita o Poço da Moita. Ela vai junto na tentativa de ver o Secundino, mas até ele andava distante. O interessante é o major Quinquim que agora anda calado, arredio e com manhas de vaqueiro, todo empacotado em roupas de couro. O tempo passava sem maiores assombros. LIVRO V Agora a Guida estava feliz. Secundino ficou bom do pé e voltou a freqüentar a fazenda. O major é que não estava feliz. Guida percebe, mas continua flertando com o sobrinho e fazendo sei lá mais o quê. Um dia, por baixo da mesa, dá um beliscão na coxa do sobrinho e pede ao marido que vá buscar o baralho para jogarem uma bisca. Desta forma, seguem de namorico. Quinquim começa a mexer os pauzinhos na tentativa de afastar o sobrinho da região. Fala com o vigário que pode interceder para que o Secundino seja recrutado pelo partido. O padre diz que é quase impossível, pois agora, graças ao próprio major, o Secundino tem fazenda e fortuna. Quinquim pensa em acusar Secundino de um defloramento, para ver se a polícia de Natal manda buscá-lo de novo. O padre diz que o caso é complicado. A conversa encerra. Acontece no vilarejo um caso de traição. O marido, Lulu Venâncio, mata a mulher. O caso é notícia. Guida esconde o assassino em suas terras em troca de um possível favor... O Major está meio doente, diz que pensa em viajar. Guida dá a maior força. Diz que ele não deve brincar com a saúde, tem mais é que ir... para Natal, para o Rio de Janeiro... arruma até as malas do marido. Guida reflete sobre a possibilidade de o marido estar maquinando alguma vingança... Secundino começa a rarear. Antes de viajar, Quinquim bota Secundino para fora da fazenda. O capataz Antônio pede para ir embora. Quinquim recebe um bilhete que o ameaça de morte. Pensou: Ali tem dedo da Guida. Viajou. 14

15 Quinquim fica na cidade e diz que não voltará para casa. Quinquim procura o escrivão, o juiz e quer saber dos seus direitos na partilha de bens ao separar-se por adultério. Guida chama Lulu Venâncio para um serviço importante...o homem sai com um punhal antigo pertencente à família da Guida. Na hora de matar o major ele desiste. No entanto, dias depois o Major é assassinado. A cidade fica em polvorosa. Quem matou o Major? Quem mandou matar? Tudo acontece muito rápido. O que se sabe é que pela boca dos outros, o assassino foi um tal de Naiú, quase afilhado do major que, a mando da esposa, D. Guidinha, deu fim à vida do pacato fazendeiro com o mesmo punhal oferecido a Lulu Venâncio enquanto o fazendeiro se barbeava. A população se revolta, querendo linchar o Naiú. O Juiz manda prender Secundino e D. Margarida Reginaldo. Ela é presa. Atravessa a cidade com arrogância e coragem. Na prisão, enquanto observa as avoantes livres no céu, chora pensando no que vão fazer quando pegarem o Secundino. Ao final, o crime não é totalmente esclarecido, mas nesse ponto é como a própria história que motivou o romance, ou seja, aos olhos de todos, Guida ficou sendo responsável pelo assassinato do marido. Crítica: D. Guidinha do Poço é um romance inspirado em fatos reais, ou seja, ao fazer essa história, Oliveira Paiva teve como base o estranho caso policial ocorrido em Quixeramobim por volta de 1885, a incrível história da mulher ( Marica Lessa ) que mandou matar o marido ( Coronel Domingos de Abreu ) para ficar com o sobrinho ( Sinhorinho Pereira ). A mulher foi presa, julgada e condenada, mas ninguém nunca teve certeza total do fatos, o que não é totalmente incrível tamanhas as injustiças que acontecem ainda hoje por culpa do judiciário brasileiro. Assim, originado de um caso sobre o qual pairam ainda hoje muitas dúvidas, era natural que o próprio romance ficasse envolto em mistério. No final do texto, com um, final em aberto, pois não há a solução de todo o caso, temos a Guida presa e considerada culpada de toda a acusações, mesmo que as principais testemunhas ainda não tenham sido ouvidas. Por conta disso, a narrativa ganha em imprecisão e ambigüidade, elementos essenciais do Realismo, tanto que pode ser um romance aproximado do que se passa em D. Casmurro de Machado de Assis. Outras observações importantes sobre o livro estão embutidas no caráter regionalista da obra ( a linguagem, as danças, as missas, a vaquejada... ), no teor naturalista ( muito pouco ) de algumas considerações do narrador onisciente. 3 - Os Bruzundangas Lima Barreto Bruzundanga: O mesmo que Burundanga. ( Algaravia; mixórdia; coisa complicada, confusa; ninharia. In. Dicionário Brasileiro Contemporâneo. ) Coloquialmente, diz-se do que é imprestável. Autor e Obra De vida infeliz e desgraçada, pode-se dizer que Lima Barreto ( 1881) foi um autor da marginália. Na infância, em suas brincadeiras, teve como cenário um asilo de loucos onde o pai trabalhava como zelador. Na adolescência, por conta das péssimas condições econômicas da família, foi impedido de fazer a faculdade que desejava: engenharia. Sobrevivia fazendo contos e artigos para os jornais, já demonstrando um talento para a ironia à moda Machado de Assis. Em seguida, a bebida passou a dominar-lhe os sentidos. Assim mesmo, lia muito, instruía-se a cada instante. Em seus artigos a nota social era sempre viva, os dramas do homem mestiço e outros problemas sociais não passavam despercebidos, tome-se como exemplo, Clara dos Anjos. Interessantemente, não fez sucesso em sua época, sendo como autor, o mesmo homem que era, sempre à margem da sociedade, um artista com paixão por sua cidade, sobretudo os bairros pobres, subúrbios de funcionários, retocados por dramas humildes, tragédias de classe média ao som de 15

16 serenatas de violão, a boêmia carioca. Também soube retratar com agudeza e sarcasmo os políticos, literatos e jornalistas de seu tempo mostrando aspectos curiosos e dolorosos. No entanto, enquanto perdia a estima de seus contemporâneos, ganhava para sempre a admiração dos homens póstumos inscrevendo seu nome como um dos mais significativos das letras brasileiras. Faleceu em Obra: Romances: Recordações do escrivão Isaias Caminha ( 1909 ); Triste fim de Policarpo Quaresma ( 1915); Numa e a Ninfa ( 1915 ); Vida e morte de M. J. Gonzaga de Sá ( 1919); Clara dos Anjos ( 1923 ); Conto: Histórias e sonhos ( 1920 ); Contos Argelinos ( 1952 ); Aventuras do Dr. Bogoloff ( 1912 ); Crônicas: Os Bruzundangas ( 1922); Bagatelas ( 1923 ); Marginália ( 1953 ); Vida Urbana ( 1953 ); Feiras e mafuás ( 1953); Memórias: Diário íntimo (1953) e Cemitério dos Vivos ( 1953); Crítica: Impressões de Leitura ( 1956). Momento Afonso Henriques de Lima Barreto pertence ao Pré-Modernismo, um período de transição em nossa literatura que vai dede a publicação de Os Sertões ( 1902), Euclides da Cunha, a 1922 com o advento da Semana de Arte Moderna. A seu lado, podemos destacar as presenças do próprio Euclides da Cunha, Monteiro Lobato, Graça Aranha e Augusto dos Anjos. O Pré-modernismo é um momento em que os autores, por não pertencerem a nenhuma estética, e a todas ao mesmo tempo, não podem ser enquadrados como velhos ( tradicionais) nem como novos ( modernistas ). Resta-lhes a alcunha de pré-modernistas, marcando com suas obras o período de vinte anos que antecede a Semana de Arte Moderna, em fevereiro de 22. Resumo Crítico O livro Os Bruzundangas(1922), de Lima Barreto, é, primeiramente, uma coletânea de crônicas, cujo título remete a ninharias e confusão, popularmente a coisas imprestáveis. Na obra em si, o que temos é principalmente um supra-sumo de tudo o que o autor quis dizer ao longo de sua vida sobre aqueles que por ele passaram, sobre as situações que vivenciou e, principalmente, sobre o país que tanto adorava e com o qual se decepcionava. Antes de tudo, a Bruzundanga é o Brasil, o Brasil dos políticos desonestos, dos literatos sem talento, dos jornalistas inescrupulosos, dos engenheiros e advogados mal formados, da intelectualidade superficial e inútil. O tempo todo, temos o Lima Barreto crítico da sociedade que o evitava, na qual não podia ser inserido, fosse por sua condição financeira pouquíssimo favorável, fosse pelo tipo de texto que produzia, sempre acintoso, sempre irônico. O livro é aberto com um capítulo especial dedicado à literatura corrente na Bruzundanga. O que temos, na verdade, é um narrador que se coloca como estrangeiro avaliando tudo o que se passa no país tropical da Bruzundanga. Os Samoiedas, sem muito esforço, não podem ser outros que não os poetas da escola que se processava na época, os adeptos da imitação clássica, os remanescentes da Grécia Antiga. Neste capítulo especial, e nos demais que seguem, tudo o que vemos é um posicionamento analítico, irônico, sarcástico, de quem entende de arte e literatura. Em seguida, na ordem dos capítulos, a crítica é distribuída a cada elemento constituinte da Bruzundanga. Avalia-se então: o grande financeiro, de conhecimento superficial e equivocado; a nobreza, de origem mais que humilde, gente que tem sobrenome e nenhum centavo no bolso, gente que se julga importante; a política do favorecimento e do apadrinhamento, mais atual que nunca; as riquezas, vilipendiadas e enviadas ao exterior por ninharia e sendo compradas de volta por preços absurdos; o ensino equivocado professado na Bruzundanga, seguramente o mesmo de hoje baseado no anel e no papel ; a diplomacia, a política da boa vizinhança; a Constituição falha e tendenciosa do país; os manda-chuvas, que não fazem falta no Brasil; a Força (des)armada, a mesma de hoje, incapaz de invadir uma favela quanto mais declarar guerra a outro país; Os ministros, chupando nas tetas do 16

17 governo; os heróis, que tanto fazem falta; a sociedade em geral burra e hipócrita; as eleições, palhaçada supersticiosa; a religião e outras observações dignas de nota sobre esse estranho país. O que temos é uma visão interessantíssima de um brasileiro que precisa disfarçar-se de estrangeiro para falar sobre as nossas mazelas porque, ainda que não se concorde plenamente, quem está de fora vê melhor que aquele que está dentro, ninguém melhor para analisar uma sociedade que o indivíduo que se encontra fora dela. Assim fizeram José de Alencar, Adolfo Caminha e, logicamente, Lima Barreto. Em Os Bruzundangas, obedecendo ao gênero semi-jornalistico, a crônica, o autor ficcionalizou a maior de toda as verdades: a deficiência constante do Brasil e do povo brasileiro, fazendo isso de forma bem humorada e, acima de tudo, metafórica, em subentendidos que só não perceberá aquele que for mais inoperante que o próprios samoiedas tão criticados na introdução. Fica ainda uma grata surpresa que é a presença de uma digressão especialíssima na inserção do texto Sua Excelência, um bom exemplo de Literatura Fantástica reforçando a crítica do autor aos políticos brasileiros, vaidosos e incompetentes, e os bruzundanguenses de forma geral. 4 Contos da Montanha Miguel Torga Autor e Obra Pseudônimo de Adolfo Correia da Rocha. Nasceu em S. Martinho de Anta ( Trás os Montes Portugal ) em 12 de agosto de A família sempre imaginou o filho padre, principalmente pela falta de perspectivas que tinham por serem camponeses, por isso, enfiaram o menino em um mosteiro, mas o jovem Miguel Torga nunca se enquadrou no regime eclesiástico. Na adolescência, passou cinco anos numa fazenda em Minas Gerais, onde foi apanhador de café, vaqueiro e caçador de cobras ( no bom sentido ). Voltando a Portugal em 1925, formou-se em medicina pela Universidade de Coimbra. Durante os anos de estudante, fez parte da revista Presença, grupo literário representante do ideário modernista em Portugal. Desligando-se da revista, em 1930, juntamente com Branquinho da Fonseca, lançou os periódicos Sinal e Manifesto. Terminados os estudos superiores, passou a dedicar-se à clínica e a sua obra literária. Morreu em Coimbra, a 17 de janeiro de 1995 e, segundo consta, uma das maiores injustiças cometidas contra ele foi o não recebimento de um Prêmio Nobel por sua obra. Escritor bastante versátil, Miguel Torga fez uma incursão em vários gêneros. Na Poesia seus principais textos são: Ansiedade O outro livro de Job Lamentação Nihil Sibi Cântico do Homem Orfeu Rebelde Câmara Ardente Poemas Ibéricos. Na Prosa de ficção, destacou-se com: Pão Ázimo A criação do mundo Bichos Contos da Montanha ( 1941 ) Novos Contos da Montanha ( 1944 ) Vindima. Para o teatro contribuiu com: Terra firme e Mar; Sinfonia e O Paraíso. Momento Depois de Fernando Pessoa, maior nome do Modernismo português, representante do Orfismo, surge o Presencismo. O Grupo da Presença era constituído por alguns estudantes da universidade de Coimbra e tinha como líderes José Régio, João Gaspar Simões e Branquinho da Fonseca, primeiros fundadores da Revista Presença, da qual participava, com alguns escritos, o jovem Adolfo Correia da Rocha ( Miguel Torga ). O Presencismo adota Fernando Pessoa e Mário de Sá-Carneiro ( Geração de Orpheu * ) como mestres que devem ser seguidos, mas ao mesmo tempo valoriza os quesitos de criação, invenção e descoberta ( originalidade ) coisas que fazem grande a arte Moderna. Para alguns, havia nisso uma certa contradição e a dissidência foi inevitável. Com a saída de Branquinho da Fonseca, Torga também se afastou caracterizando-se uma desavença entre o grupo numa contradição 17

18 de seus ideais. A revista é parcialmente interrompida em 1938, último número da primeira fase, para em 1939 editar os dois últimos. O fim da revista coincide com o começo da Segunda Grande Guerra e o avivamento revolucionário do Neo-realismo. * Geração de Orpheu Caracterizado pelo mito de Orpheu e Eurídice, tinha como principal integrante Fernando Pessoa. Resumo Crítico de alguns contos 1. A Maria Lionça Utilizando analepses ( flash-back ) e prolepses ( antecipações ) este conto, ambientado em Galafura, apresenta a história de uma mulher de muita coragem. Maria Lionça, mulher que nasceu pobre, viveu pobre e morreu pobre, tanto que nem ler sabia. Respeitada por todos no lugar, era o exemplo de presteza, trabalho e correção. O texto começa com a morte de Maria Lionça e a comoção de todos e principalmente da terra Galafura, que é personificada pelo telurismo torguiano. Na juventude, Lionça era a mais bonita de todas as cachopas ( moças ) e por isso muito desejada, mas impunha respeito. Casou com Lourenço Ruivo e começava a ser feliz. Neste momento, o narrador, através de uma prolepse, antecipa informações que ainda virão na narrativa diz: Só o destino, fiel às misérias do mundo, sabia que fora reservado a Maria Lionça um papel mais significativo: ser ali a expressão humana dum sofrimento levado aos confins do possível. Logo que lhe nasceu o filho Pedro, o marido acovardou-se e partiu para o Brasil. Viúva de marido vivo, pensava em um dia receber notícias e todos no lugar também achavam o mesmo ou perguntavam por notícias só para aumentar-lhe a ferida. Fiel ao amor mirrado, Lionça não quis mais homem algum, preferiu perder os encantos. Um dia o marido voltaria. E voltou, doente, apenas para ver o filho e morrer. A esposa e a terra ( mãe) receberam pacientes a ovelha desgarrada. Lionça não chorou nem botou luto, ficou apenas apiedada. E quando tudo parecia normalizar-se, o filho Pedro, envergonhado da vida e do pai, mandou-se para Lisboa. Mais sofrimento viria. O tempo passava e ela envelhecia sem notícias do filho que não voltava. Um dia chegou-lhe a notícia de que o filho estava mal em uma cidade vizinha. Lionça viajou e foi buscar o filho. Trouxe-o morto, nos braços como em A Pietá, para enterrar-se em Galafura, mãe dele e também de Maria Lionça, a próxima a ser enterrada. 2. Um Roubo Novamente, em forma de flash-back, o narrador nos contará a história de Faustino, morador de Abaças, também atacado pela miséria, que vê como solução, ao menos temporária, para os seus problemas assaltar a caixa de esmolas de Nossa Senhora da Saúde. Imediatamente, o plano estava traçado e parecia haver determinação suficiente no pobre ladrão de galinhas que agora se preparava para um roubo maior. No entanto, a coragem diminuía, e o ato sacrílego que estava prestes a cometer passou a perturbá-lo. Entrou em crise e não sabia mais o que fazer. Mas ver a falta de coisas em casa e a fome da mulher o impeliam para o herege ato. À noite, com a esposa dormindo e encoberto pelas sombras, Faustino tomou coragem e saiu. Enfrentou o tempo ruim, vento e chuva para chegar à igreja. No caminho, ao passar pelo túmulo de um conhecido, também ladrão, mas de roletas, compara-se com ele e vê-se em desvantagem. Continua, questiona-se o tempo todo, mas segue. Nessa hora, Miguel Torga coloca na boca de suas personagens um pouco de seu conflito existencial marcado pela teologia. 18

19 A situação do roubo a uma santa já é sacrílega, o ladrão pensando em rezar um pai-nosso antes do assalto é sacrílega e parodística, mas apenas aos olhos da igreja e de gente que acredita nela. Torga não parece acreditar, por isso age com essa liberdade. Momentos depois, Faustino chega, todo molhado, ao templo. Entrou e acendeu um castiçal. Volta a agressão torguiana A igreja nem sequer o ar atônito de há pouco conservava, e o resto, francamente, sem nenhum ar divino. Toalhas, bancos, jarras... o trivial. Tanta mortificação inútil! Ao abrir a caixa, descobriu que estava vazia. Conclusão: ou o dinheiro havia sido roubado antes ou não havia mais fé nesse amaldiçoado mundo. Com muita raiva, de castiçal em punho, atirou-se em direção ao altar. O sacrário não tinha nada, o calix e os outros apetrechos de missa não estavam lá. Mais raiva. Mais profanação. tocos de círio, um crucifixo partido... Que cambada! Larápios! Canalhas! Faustino amaldiçoava o padre por ter levado consigo os objetos de valor. Voltou indignado para casa. A chuva era tanta que lhe banhava a alma. Entrou em casa às quatro da manhã, tremendo de frio e foi para as cobertas. De manhã, ardia em febre. Seis dias depois estava a morrer. Chamaram o padre para dar-lhe a extrema unção. Quando o padre chegou e pegou-lhe na mão para o responsório, o semimorto acordou histérico. E com a voz rouca da pneumonia gritou para todos: - Ladrão! Prendam-no que é ladrão! 3. A Ressurreição No conto A Ressurreição, Miguel Torga descarrega sobre o leitor mais uma dose de seus conflitos teológicos. Temos a história não de uma pessoa, mas de um lugar, Saudel, e de todo o povo que lá vive. Mais uma vez, sob a ótica inflexível da miséria analisa: Aquilo nem são casas, nem lá mora gente. São tocas com bichos dentro. O tom naturalista da comparação é apenas parte da verdade que o narrador deseja apresentar. Basta ver pela atitude do Pe. Unhão, o pároco do lugar, que diz no sermão que os pais não restam, que as filhas são porcas, que os filhos são brutos, que é tudo uma miséria. Mas mesmo assim, para espanto do narrador Jesus Cristo ainda insiste em visitar aquela gente, na figura de padre. É uma gente sem perspectivas, com as mulheres parindo como a Virgem quiser, os gajos e as raparigas criados como gado. A coisa é tão ruim que nem o padre tem mais coragem de fazer algo. Nessa hora, a partir de um flash-back, o narrador nos conta da tentativa do padre em congregar as pessoas e salvar-lhes a alma quando fez representar, à força, ali, em Saudel, as endoenças, a Paixão de Cristo, ao ar livre. Cada morador tomou parte da encenação. Um como Herodes, outro como Judas, outra como Madalena... e assim ia-se dando os papéis a cada um. Um pouco a contragosto, mas ia-se. No entanto, para um dos personagens, o Coelho, toda a Saudel olhou com assombro. Um homem que não valia dez réis... o Cristo!? Depois de arranjados, a coisa começou a andar. Logo, Saudel era Jerusalém, e cada um no seu papel fazendo-o tão bem que, estranhamente, passaram a tomar gosto naquilo. Estavam todos transfigurados e nenhum deles tinha mais segurança de sua própria realidade. A cidade vivia mesmo a Paixão de Cristo, estavam todos tomados, tão diferentes e compenetrados em seus papéis que até o Coelho começava a sentir-se outro. Coitado. Depois de muito martirizado, carregou uma cruz e enorme e foi amarrado a ela, em jejum total. A cidade mantinha-se empenhada na representação, mas a mulher do Coelho ao saber que o marido seria colocado em um túmulo, foi falar com o padre, pediu para ao menos alimentar o marido que ainda não tinha tomado um caldo. O padre irredutível: - Começou, tem de acabar!. Finalmente, a encenação já se acabava. O Coelho, quer dizer, o Cristo havia sido posto no túmulo e esperava-se o momento de glória. Começaram as aleluias, e quando abriram o túmulo, irônica e milagrosamente, não estava lá o Coelho. A multidão indignada, voltou-se contra os algozes, os fariseus. E a igreja transformou-se num campo de guerra, o povo vingava como podia a injustiça cometida. Lá fora, o sino tocava animadamente anunciando a Ressurreição. 19

20 4. O Lugar de Sacristão Nesse conto, brilhantemente engendrado, Torga leva sua revolta ao extremo. Cria a história de um amor frustrado pelas condições miseráveis de vida a que se submetem as personagens. Esta é a história de Felisberto ( nome ironicamente contraditório ) que assume a função de sacristão-coveiro. Morre de amores por uma moça chamada Deolionda ( irônico quanto à beleza incontemplável de Deus ). O jovem Felisberto assumiu na verdade o lugar do pai, que morrera no oficio. O padre precisou insistir muito porque o jovem estranhamente pressentia que aquela profissão não lhe traria boa ventura. De fato, pois no dia em que resolveu abrir seu coração, falar de seu amor a Deolinda recebeu como resposta um não redondo. A moça disse que não o queria. Isso dava até para compreender, mas quando ela fez questão de deixar bem claro que não o queria porque o homem que ficasse com ela não seria o mesmo a abrir-lhe a cova Felisberto desmoronou. Passou a sofrer calado. Guardou para si o amor que tinha e nunca mais falou sobre o assunto com ninguém. O tempo passava e foi ainda ele quem ajudou a casar Deolinda e tornar-lhe os filhos cristãos. Doía-lhe quando o padre dizia: - No domingo temos o baptizado de mais um crianço da Deolinda. O padre tentava em sua própria solidão fazer-se amigo e perguntava-lhe por que não casava. A resposta ficava-lhe na garganta. Envelhecemos para aqui, ambos como dois infelizes, o padre dizia. Os anos continuavam a correr e vinham com eles as doenças, as gripes, as tuberculoses e os reumatismos. O sacristão resistia, sem saber por qual motivo. Um dia, a notícia fatal: a morte da Deolinda. Recebeu a notícia e foi tocar o sino para anunciar a desgraça. Pegou a pá e começou cedo o serviço que teria que fazer de qualquer jeito. Começou a cavar a sepultura da mulher que tanto quis e nunca teve. Estava abrindo a cova da que não quisera ser sua mulher justamente por esta razão. Começou a cavar sem ânimo, mas depois veio-lhe uma energia não se sabe de onde e cavou, cavou e cavou... Quando o coração se acalmou a campa lhe dava pelo pescoço. Pousou a pá e encostou-se na trincheira. Pronto! Acabou-se o fadário... Tentou olhar para fora e viu apenas pontas e cruzes, cruzes e mais cruzes. E sem forças para sair do buraco, aninhou-se. Esta é para mim. A dela que lha faça quem quiser. 5. Um Filho Neste conto, apesar de ainda enxergar pelo olho da miséria, Torga aborta seu pessimismo. É um texto interessantíssimo, de muita tensão, mas que trata de valores muito fortes no que diz respeito ao ser humano. O lugar chama-se Provezende onde até o ar parece chegar por favor. Temos o casamento de Rebel e Júlia. Ele nascido para o trabalho do campo e as dificuldades da vida; ela filha de pai alcoólatra avesso aos bons princípios. O casamento segue a contento com pouco, mas suficiente. As dificuldades são muitas, até que vem a boa notícia: Um filho! E logo entrou a imaginar o menino pulando pela montanha a danar-se como um cabrito. O nascimento da criança exigia dele mais trabalho, mais lençóis, faixas, cueiros... precisa de algumas compras. O menino nasceria em janeiro, no pino do inverno. E chegou o dia. Júlia, a passar mal em cima da cama, pedia ajuda a Rebel que saiu desesperado. Tinha que ir de uma vila a outra à procura de alguém que pudesse ajudar. O pior era a neve. E foi. Depois de muito caminhar, não encontrou ajuda. Voltou. E durante o trajeto, como incentivo, só repetia: Um filho! Um filho! Cresce a tensão e junto com ela o medo de um final trágico. A personagem está desesperada e o leitor atônito e esperançoso. De mãos vazias, o Rebel torna a casa. Silêncio. Até o gado parara de berrar. O Rebel empurra a porta com medo. Na boca, sem muita força... Um filho... Neste momento, Torga surpreende. Em vez de pessimismo ou autocomiseração, intrigantemente neste conto, há um final feliz. O Rebel encontra a mulher adormecida e já com o filho no colo, simples, natural, sem precisos, sem faixas, sem cueiros, sem nada. E teve a alegria 20

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