Análise de causalidade dentro e entre os mercados BRIC e G8

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1 Análise de causalidade dentro e entre os mercados BRIC e G8 Felipe Franco Mendes 1 Hiron Pereira Farias² 1 Introdução Em consequência da globalização financeira, inúmeras são as oportunidades de novos investimentos e de novos negócios. A intensificação da interação econômica entre os países, sobretudo na última década, vem proporcionando uma expansão das oportunidades. Tendo em vista as recentes quedas das restrições ao capital internacional que, atualmente movimenta-se com maior liberdade - e o crescente processo de intensificação das relações de trocas comerciais e de serviços entre os diversos países, os investidores começaram a perceber a possibilidade de expandir seus negócios para além de suas fronteiras domésticas, ampliando o seu horizonte até mesmo para os mercados emergentes. 2 Material e métodos A partir dos dados originais foram obtidas as séries retornos, porque são séries que em geral são estacionárias. Os dados utilizados referem-se aos principais índices de fechamento diários das bolsas de valores do mundo, que foram coletados no banco de dados dos sites Yahoo e RTS Stock Exchange. Nas datas e que as bolsas estiverem fechadas em razão de feriados nacionais ou quaisquer outros motivos, os índices utilizados, para o dia em questão, foram aqueles referentes ao último dia de negociação antes da paralisação. A amostra compreende o período de 07/11/2008 a 30/03/2012 constando de 889 observações em cada uma das séries. Os índices a serem analisados assim como a respectiva sigla, Ibovespa IBOV (São Paulo), RTS Index RTS (Moscou), Hang Seng HS (Hong Kong), Dow Jones DJ (Nova York), Nikkei-225 NIK (Tóquio), FTSE-100 FTSE (Londres). As séries de índices foram divididas em dois grupos denominados BRC e ERJ em que as componentes de cada grupo são respectivamente {IBOV, RTS, HS} e {DJ, FTS, NIK}. 3 Resultados e discussões 1 Graduando de Estatística do Instituto de Matemática e Estatística UFG 2 Professor do Instituto de Matemática e Estatística UFG 1

2 3.1 Análise dos índices econômicos dos países do grupo BRC O índice RIBOV (Retorno do índice IBOV) causa no sentido de Granger os índices de retornos RRTS (Retorno do índice RTS) e RHS (Retorno do índice HS), com nível de significância 10%. O índice RRTS também causa no sentido de Granger os outros dois índices retornos. Já o RHS só causa no sentido de Granger o índice de retornos RIBOV. A previsibilidade do retorno do índice HS sofreu influência dos retornos das Bolsas do Brasil e Rússia, mas influencia apenas na previsibilidade dos retornos do índice IBOV. FIGURA 1: Gráficos das funções respostas a impulsos dos retornos do grupo BRC devido a um choque de 1 desvio-padrão nos retornos, no eixo das abcissas (X) tem-se o tempo em dias e no eixo das ordenadas (Y) a mudança em desvio-padrões. Fonte: Elaborada pelos autores Observa-se que o índice de retorno RRTS causa no sentido de Granger os índices de retornos HS e IBOV. Pode-se observar, pela Figura 1, que em razão de um choque unitário no RIBOV, os retornos RRTS e RHS reagem positivamente nos dois primeiros dias. Em seguida, têm uma pequena reação negativa e estabilizam-se posteriormente. Em razão de um choque no índice RRTS, o índice RIBOV mantém-se praticamente estável, o RHS reage positivamente e estabiliza-se no dia seguinte. Os índices RIBOV e RRTS mantêm-se praticamente constante quanto ao choque no índice de retorno RHS. 3.2 Análise dos índices econômicos dos países do grupo ERJ A previsibilidade do retorno americano RDJ sofreu influência apenas do mercado do Reino Unido, e ajudou a melhorar significativamente a previsibilidade dos retornos dos índices RFTSE e RNIK. 2

3 A previsibilidade do retorno do índice NIK sofreu influência dos retornos das Bolsas do EUA e Reino Unido, mas não influenciou na previsibilidade dos retornos de nenhum desses mercados. A partir dos resultados observados do teste de causalidade de Granger, a seguinte ordenação para estimar o modelo VAR é proposta: RDJ RFTSE RNIK. FIGURA 2: Gráficos das funções respostas a impulsos dos retornos do grupo ERJ devido a um choque de 1 desvio-padrão nos retornos, no eixo das abcissas (X) tem-se o tempo em dias e no eixo das ordenadas (Y) a mudança em desvio-padrões. Fonte: Elaborada pelos autores Na Figura 2, pode-se observar que decorrente de um choque unitário no RDJ uma reação positiva em torno de 1,0% do mercado financeiro do Reino Unido, em sequencia uma pequena reação negativa nos dois próximos dias e entra em equilíbrio. Na bolsa do Japão há uma reação positiva durante o primeiro, segundo e terceiro dia, posteriormente reage negativamente até o quinto dia quando entra em equilíbrio. Em razão de um choque unitário no RFTS, há uma pequena reação positiva de RDJ e entra em equilíbrio no segundo dia. Já o RNIK tem uma reação positiva durante dois dias, no dia subsequente entra em equilíbrio. No entanto com um choque unitário em RNIK não há reação dos RDJ e RFTSE. 3.3 Análise dos índices econômicos dos países do grupo G4 Os resultados apresentados do teste de causalidade de Granger sugerem que a direção de causalidade RDJ RIBOV RRTS RHS, e pelo critério de informação de Schwarz, selecionou-se ordem p=1 para ajustar o modelo VAR. Apesar dos mercados brasileiro e chinês influenciarem no mercado americano opta-se por essa ordem, pois o deseja-se verificar a influência do RDJ no grupo dos países emergentes. 3

4 FIGURA 3: Gráficos da funções respostas a impulsos dos retornos do grupo G4 devido a um choque de 1 desvio-padrão nos retornos, no eixo das abcissas (X) tem-se o tempo em dias e no eixo das ordenadas (Y) a mudança em desvio-padrões. Fonte: Elaborada pelos autores Na Figura 3, apresentam-se no primeiro gráfico as respostas ao impulso de RDJ, RIBOV, RRTS e RHS, respectivamente, para um choque de uma unidade de desvio-padrão em RDJ. Observa-se que RIBOV reage positivamente nos três primeiros dias e entra em equilíbrio, o RRTS também tem uma reação positiva no primeiro e segundo dia e estabiliza-se e o RHS tem uma reação positiva inicialmente, após o segundo dia tem uma pequena reação negativa, posteriormente volta a reagir positivamente e estabiliza-se no dia seguinte. 4 Conclusões O mercado brasileiro mostrou ter influência sobre os mercados russo e chinês, mas diferente do período anterior a 2008, quando o mercado brasileiro não era afetado pelos mercados russo e chinês. Atualmente esses mercados exercem pequena influência no mercado brasileiro. Outra diferença entre o período anterior a 2008 e o atual é a diminuição da 4

5 influência do mercado brasileiro sobre o mercado russo. Quanto ao chinês não houve mudanças significativas. O mercado americano mostrou ter influência na previsão dos índices dos mercados inglês e japonês, o mercado inglês também influencia nos mercados americano e japonês, e o mercado japonês não influencia esses mercados. Do período anterior a 2008 para o período atual pouca coisa mudou, a diferença mais notada é a menor influência do mercado americano sobre o mercado japonês. O índice Dow Jones continua sendo importante para estimar os retornos dos índices dos mercados brasileiro, russo e chinês, pois estes mercados são influenciados pelo mercado americano, a maior diferença que possivelmente exista entre o período anterior 2008 e o período atual é que o mercado americano sofre influência também desses países emergentes, não tendo mais a explicação da variância do seu índice explicado apenas pelo seu próprio índice. 5 Referências bibliográficas [1] ASSAF NETO, A. Mercado financeiro. 4. ed. São Paulo: Atlas, [2] Bolsa de Valores de São Paulo. Disponível em: < Acesso em: 10 abr [3] CRYER, J.D.; CHAN, K. Times series analysis: with applications in R. 2. ed. New York: Springer, [4] LAMOUNIER, W.M.; NOGUEIRA, E.M. Causalidade entre os retornos de mercados de capitais emergentes e desenvolvidos, Revista de Contabilidade Finanças, São Paulo, v.18, n. 43, p , jan./abr [5] LEITE, H. de P.; SANVICENTE, A.Z. Índice Bovespa: um padrão para os investimentos brasileiros. São Paulo: Atlas, [6] MORETTIN, P.A. Econometria financeira: um curso em séries temporais financeiras. São Paulo: E. Blucher, [7] O NEILL, J. O mapa do crescimento: Oportunidades econômicas no BRICs e além deles. São Paulo: Ed. Globo, [8] RTS Rússia Stock Exchange. Disponível em: < Acesso em: 30 mar [9] ZIVOT, E.; WANG, J. Modeling financial time series with S-plus. 2. ed. New York, NY: Springer,

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