A CHINA COMO MODELO POLÍTICO-ECONÔMICO PARA O SÉCULO XXI 1?

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1 A CHINA COMO MODELO POLÍTICO-ECONÔMICO PARA O SÉCULO XXI 1? LEITE, Alexandre César Cunha 2 Doutorando em Ciências Sociais PUC-SP Resumo Este trabalho verifica as condições de inserção chinesa no mercado global e rechaça a possibilidade da experiência chinesa se tornar paradigmática para os países em desenvolvimento. As características do exemplo chinês, composto por suas reformas internas e um ambiente externo peculiar, impossibilitam a adoção de seu caso como exemplo a ser seguido. Ademais, vale destacar, seu sistema político não se aproxima daquele de qualquer outro país em vias de desenvolvimento, o que cria mais um entrave à concepção paradigmática. Palavras-chave: China; desenvolvimento; estratégia de inserção internacional. Abstract This paper verifies China s insertion conditions in the global market and denies the possibility of the Chinese experience to become a paradigmatic one for development countries. The characteristics of the Chinese example, marked by its domestic reforms and its peculiar external environment, prevent it to be adopted as a model to be followed. Moreover, it must be stressed that the Chinese political system is not close to those of any other developing countries, what constitutes another block to the conception of its paradigmatic condition. Key-words: China; development; international insertion strategy. Introdução A China ganhou destaque como um importante ator regional já no final do século XX e levanta discussões fervorosas sobre a possibilidade de se tornar uma potência global capaz de ameaçar a liderança norte-americana neste século. Independente de vir ou não a assumir o posto de maior potencia mundial, o fato é que a China chega ao século XXI com uma estratégia bem sucedida de crescimento 1 O autor agradece aos pareceristas anônimos que contribuíram com suas avaliações, críticas construtivas e proposições sobre o tema tratado. Sou especialmente grato ao Professor Henrique Altemani de Oliveira, que muito contribuiu na reflexão a respeito de certas assertivas presentes na primeira versão do texto. Agradeço a Sylvia Marque da UFU que contribui para a construção de uma primeira versão deste artigo. Como é de praxe, todas as opiniões expressas neste artigo são de inteira responsabilidade do autor. 2 Economista, Mestre em Economia Política pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, Especialista em Relações Internacionais pela PUC-MINAS. Disponível em: 1

2 econômico, que aparece como modelo a ser seguido pelos países em vias de desenvolvimento. Sendo assim, este artigo se dedica a compreender os motivos que permitiram à China alcançar níveis tão elevados nas taxas anuais de crescimento para averiguar a possibilidade de adoção paradigmática do modelo. Para tanto, primeiramente, realiza uma breve revisão da estratégia chinesa de modernização 3 sob o comando de Deng Xiaoping. Em seguida, faz-se uma verificação do ambiente externo a partir da revolução chinesa, em especial após as reformas de Posteriormente, o artigo descreve as principais reformas internas e as principais interpretações destas - realizadas pelo governo chinês na criação das condições que possibilitaram à China o salto quantitativo e qualitativo que a tornou um grande player global na economia política internacional. Por fim, o estudo identifica como as políticas internas e externa heterodoxas chinesas, que se contrapõem às políticas determinadas pelo mainstream, propiciaram a possibilidade de investimentos na montagem de uma infra-estrutura que diferencia a China dos principais países emergentes. A estratégia Chinesa de Modernização Em 1978, a China iniciou seu processo de reformas econômicas assentadas em um processo de descentralização das decisões econômicas. Deng Xiaoping objetivava legitimar o Partido Comunista Chinês (PCCh), que se encontrava abalado após as tentativas de reformas feitas durante o período compreendido entre a condução de Mao Zedong até a transição para a transformação de Xiaoping. Como em todo caso bem-sucedido de industrialização tardia 4, o planejamento, a intervenção, a escolha e o dirigismo estatal são peças fundamentais da estratégia adotada pela China na busca pela modernização da economia. Os objetivos estratégicos formulados por Deng Xiaoping buscavam, concomitantemente, a promoção das exportações e a proteção e desenvolvimento do mercado interno. A criação das Zonas Econômicas Especiais (ZEE) destinou-se à promoção de exportações e a política de portas abertas liberalizou o acesso aos 3 Neste trabalho, os termos modelo de desenvolvimento, de modernização e de crescimento, são usados de modo intercambiável. 4 Vide os casos da Alemanha e Rússia no século XIX e da Coréia do Sul no século XX. Disponível em: 2

3 investimentos externos antes da liberalização das importações protegendo o mercado interno. A posteriormente denominada economia socialista de mercado tinha como objetivo acelerar o crescimento da economia como um todo, assim como, expandir e diversificar a indústria chinesa. A combinação entre economia de mercado e economia planificada é a característica fundamental encontrada na via chinesa de desenvolvimento a partir de Por um lado, empresas coletivas de vilas e municípios (EVC), como também os camponeses ganharam maior autonomia na produção e comercialização a preço de mercados; foi dada maior liberdade de investimento, importação e exportação nas ZEE; e o número de itens sem controle de preços apresentou aumento progressivo. Por outro, o planejamento voltado à maior integração do mercado interno foi intensificado através de empresas estatais; a divisão internacional do trabalho foi ampliada; o controle sobre o câmbio e o monopólio estatal sobre as importações prevaleceram; e os preços dos insumos básicos e alimentos foram mantidos sob controle administrativo. Além da originalidade da economia dual, a China se inseriu na economia política internacional de modo único, aproveitando uma conjuntura internacional singular. Os Condicionantes Externos da Inserção Chinesa A estratégia chinesa de modernização foi altamente condicionada por fatores políticos e de poder. As ações da China no pós-ii Guerra Mundial foram delineadas de forma tal que a permitisse responder com destreza aos desafios impostos pela bipolaridade. Acontecimentos políticos como a Revolução Comunista em 1949, o rompimento com a União Soviética (URSS) em 1960, e a reaproximação com os Estados Unidos (EUA) nos anos 70 fizeram da China peça-chave na política internacional das duas superpotências da época. Situação sobre a qual a China soube tirar grande proveito: assumindo o posto da segunda maior economia do mundo em 1999, considerando seu PIB pela paridade do poder de compra. 6 Essa grande virada começou a se consolidar a partir de 1978 com um programa de reformas, pragmático e cauteloso, no qual se manteve a estrutura política e o 5 Medeiros, CIA Central Intelligence Agency. Disponível em: 3

4 sistema econômico foi gradualmente modificado. Nesse período, a tensão internacional baixou e, como aponta Maddison (1998), a China ganhou em status, poder, e posicionamento geopolítico mundial. De fato, as estratégias internacionais - estratégias de condução da política externa, ou relações exteriores estratégicas adotadas na Era Mao Zedong e na Era Deng Xiaoping foram determinantes para a condução dos assuntos domésticos e externos da China. Sob o comando de Mao Zedong, as relações exteriores estratégicas da China assumiram três contornos diferentes: a política estratégica do yibiandao de aliança à URSS nos anos 1950; a política estratégica do liangee quantou daren de oposição simultânea aos EUA e à URSS nos anos 1960; e a política estratégica do yitiaoxian de aproximação aos EUA nos anos Já sob o comando de Deng Xiaoping, as relações exteriores estratégicas da China se distinguem em três fases distintas, embora mantenham uma certa continuidade de abertura para o mundo exterior: a fase duli zhizhu de heping waijiao da estratégia da diplomacia pacífica e independente de 1982 a 1989; a fase taoguang yanghui da estratégia de adoção de um low profile de 1989 a 1995; e a fase shijie duojihua da estratégia da multipolarização mundial a partir de A mudança na política exterior estratégica chinesa quanto à URSS A política estratégica do Yibiandao inclinando para um lado dominou as relações internacionais estratégicas da China desde a revolução comunista em 1949 até o final dos anos Dessa forma, sob o comando de Mao Zedong, a política externa chinesa nos anos 1950 se caracterizou pela oposição aos EUA e aliança com a URSS. Era uma política estratégica voltada para a segurança calcada na relação com um inimigo fixo. Conforme afirma Franklin (1998: 8), a estratégia de inclinação para um lado estabeleceu a estrutura básica das relações exteriores estratégicas chinesas nos anos 1950: cooperação com União Soviética na luta contra os Estados Unidos, e assim colocando a China como um membro-chave do bloco socialista contra o campo imperialista na era bipolar da Guerra Fria (tradução livre). 7 Franklin, Franklin, Disponível em: 4

5 Contudo, a China mantinha, simultaneamente à estratégia de inclinação para um lado, a premissa da independência. Estar do lado da União Soviética não significava estar submissa a ela. Na dialética entre a independência e a aliança com a URSS, o desejo pela primeira acabou falando mais alto e a aliança sino-soviética se desfez ao final dos anos Nos anos 1960, a política estratégica do Liangee Quantou Daren lutando com dois punhos, guiou o comportamento externo chinês. Neste período a China adotou um posicionamento antiamericano e antisoviético na política internacional. Identificando as atitudes soviéticas como ameaça à soberania chinesa, Mao Zedong e outros líderes políticos chineses se opuseram à Moscou, que respondeu com atitudes no campo político, econômico e militar. A URSS cancelou acordos e contratos com a China; cessou a assistência dada aos chineses; retirou especialistas do território chinês; incentivou que a população fronteiriça passasse para o lado soviético, etc. Como afirma Franklin (1998: 10), China e URSS substituíam a aliança por confrontação e forte suspeita mútua. Mesmo após o rompimento sino-soviético, os americanos não alteraram a política de isolamento da China. Conforme aponta Franklin (1998), para os EUA a China continuava a ser uma ameaça, pois era identificada como um Estado socialista imaturo e subdesenvolvido, semelhante à União Soviética na Era Stalinista. Portanto, agressiva e aventureira. E, poderia ser ainda mais perigosa caso se tornasse uma potencia nuclear. 10 A estratégia de Mao Zedong de independência e não alinhamento, opondo-se simultaneamente aos EUA e à URSS, nos anos 1960, pôs a China em uma posição estratégica desfavorável e não rendeu muitos frutos aos chineses. Como expõe Franklin (1998:10), a estratégia de lutar com os dois punhos levou a China a confrontar as duas superpotências ao mesmo tempo. Tal posição estratégica desfavorável fez o pesadelo chinês se tornar realidade, isto é, EUA e URSS cooperarem para conter a China (tradução livre). Nos anos 1950, as relações comerciais chinesas estavam concentradas na URSS e em outros países comunistas (ver Tabela 1). De acordo com Maddison (1998), este fato se explica pelas relações estreitas entre URSS e China e o conseqüente embargo econômico imposto aos chineses pelas principais economias 9 Ibid. 10 Franklin, 1998, p.10. Disponível em: 5

6 capitalistas. 11 Após a revolução comunista na China, Stalin e Mao assinaram um acordo no qual a URSS se comprometia a financiar a compra chinesa de bens de capitais, bem como fornecer técnicos e apoio na implementação do modelo soviético. O acesso aos bens de capital advindos do bloco comunista permitiu à China desenvolver projetos importantes não só no campo econômico, como no campo da segurança. No entanto, com o estremecimento das relações sinosoviéticas, em 1960 os empréstimos soviéticos à China cessaram e os técnicos soviéticos foram removidos do território chinês e as relações foram cortadas. Conforme Maddison (1998) o rompimento se deu em um momento doméstico delicado, uma vez que ocorreu em meio a desorganização e caos criado pelo Grande Salto à Frente, causando um impacto ainda maior sobre o projeto de desenvolvimento industrial chinês. Em razão da catástrofe do Grande Salto à Frente, a China se viu obrigada a importar uma grande quantidade de grãos da Austrália e Canadá para suprir a falta de comida interna, comprometendo ainda mais a capacidade de importar bens de capital. 12 Nos anos 1960, as relações comerciais chinesas deterioram. A mudança na política exterior estratégica chinesa, na qual a China passou a se opor às duas superpotências da época, colocou o país numa posição de isolamento. Conforme pode ser observado na Tabela 1, em 1959 antes do rompimento com a URSS a União Soviética recebia 49,30% das exportações chinesas; a União Soviética supria 46,40% das necessidades chinesas; e não havia relações comerciais com os Estados Unidos. Em 1970 período de oposição simultânea à URSS e aos EUA - a União Soviética respondia pela absorção de 1,10% das exportações chinesas; apenas 1,10% das importações chinesas vinham da União Soviética; e permanecia a não existência de relações comerciais sino-americanas. Isolada na economia internacional, a China viu seu comércio de bens cair e o acesso ao credito internacional ficar bastante restrito. A participação no comércio internacional melhorou ao longo da década subseqüente com uma nova alteração da estratégia internacional. 11 As economias européias, japonesa e americana impuseram um embargo à economia chinesa ao final de 1950, após o envio de tropas chinesas para expulsar as forças da ONU da Coréia do Norte. Em 1957, o embargo foi suspenso por muitos países, inclusive Grã-Bretanha e Japão, mas mantido pelos Estados Unidos. Cf. Maddison, Maddison, 1998; Medeiros, Disponível em: 6

7 DESTINO DAS EXPORTAÇÕES TABELA 1: EVOLUÇAO DOS PARCEIROS COMERCIAIS CHINESES - em % do total URSS/ RUSSIA OUTROS COMUNISTAS ESTADOS UNIDOS HONG KONG JAPÃO AUSTRALIA E CANADÁ EUROPA OCIDENTAL Ano ORIGEM DAS IMPORTAÇÕES URSS/ RUSSIA OUTROS COMUNISTAS ESTADOS UNIDOS HONG KONG JAPÃO AUSTRALIA E CANADÁ EUROPA OCIDENTAL Ano Fonte: Maddison, 1998 e Asian Development Bank. A política estratégica chinesa de aproximação aos EUA Nos anos 70, os confrontos fronteiriços com os soviéticos fizeram com que a China buscasse uma reaproximação com os americanos. Os EUA, que estavam preocupados com o aumento de poder dos soviéticos, mostraram-se interessados em ajudar a China a conter o expansionismo soviético. Com o interesse comum de deter o expansionismo soviético, as relações sino-americanas foram restabelecidas em e a política exterior estratégica que passou a guiar o comportamento chinês foi a Yitiaoxian uma frente unida. A estratégia da fronte unida consistia em 13 Vale destacar que a partir de 1971 já era possível observar melhorias nas relações internacionais entre EUA e China. Neste ano os EUA deram o aval para que a República da China retomasse seu status como membro da ONU e assumisse o assento no Conselho de Segurança. O (re) estabelecimento de relações diplomáticas com o ocidente também faz parte deste processo que culmina em 1978/79 com o estabelecimento de relações diplomáticas com os EUA. Disponível em: 7

8 unir todas as forças que pudessem ser unidas para lutar contra a hegemonia soviética. 14 Em vista que os EUA eram o mais importante país na frente unida chinesa, a estratégia do yitiaoxian significava aliar com os EUA para lutar contra a União Soviética 15 (Franklin, 1998:11). Esta estratégia rendeu bons frutos à China, que conseguiu realizar não só seu objetivo de segurança, como conseguiu restabelecer relações com muitos outros países graças à reaproximação com os EUA. Sendo assim, a China conseguiu sair do isolamento internacional e fincou as bases para a próxima fase da política exterior estratégica de abertura para o mundo exterior levada adiante por Deng Xiaoping, durante e após o período da Guerra Fria. As relações exteriores estratégicas da China sob Deng cobrem tanto a era da Guerra Fria e a era pós Guerra Fria; na qual a China tinha uma agenda ampla, incluindo a construção econômica e abertura para o mundo exterior, reunificação nacional, assegurar segurança global e regional, e o estabelecimento de uma nova ordem política e econômica (Franklin, 1998:12. Tradução livre.). A política estratégica chinesa de abertura para o mundo exterior Na tentativa de estabelecer um ambiente internacional mais estável para a realização das Quatro Modernizações 16, Deng Xiaoping reatou relações diplomáticas com diversos países e usou a luta contra o comportamento hegemônico como bandeira nas relações internacionais da China. 17 As declarações chinesas contra o hegemonismo tinham implicitamente um sentido duplo: procurava evitar o expansionismo dos soviéticos sobre seu território e evitar que um incremento de poder pela China fosse percebido como uma ameaça internacional, sobretudo pelos EUA. E, o apoio retórico a uma nova ordem econômica mundial aproximou os laços da China com os demais países do terceiro mundo. Na promoção da política estratégica da China de abertura econômica e maior integração à economia política internacional, Deng Xioping adotou, de 1982 a 1989, 14 Franklin, A aliança sino americana se fortaleceu com a invasão soviética ao Afeganistão em Núcleo da estratégia de desenvolvimento que buscava transformar a China em uma nação relativamente avançada até o fim do século XX, as Quatro Modernizações dizem respeito à agricultura, indústria, ciência & tecnologia, e defesa nacional. 17 A partir de 1979, a estratégia chinesa de modernização foi guiada politicamente pela reunificação do território e pela luta contra o hegemonismo, sobretudo da União Soviética. Disponível em: 8

9 independência e paz como guias da política externa chinesa. Esse comportamento se enquadra na estratégia de Duli Zhizhu De Heping Waijiao - independência e diplomacia pacífica. Tendo em vista que em 1989 a China teve que lidar com as críticas mundiais e as sanções econômicas decorrentes da condução chinesa no protesto da Praça de Tiananmen, e com a sucumbência da URSS e o fim do comunismo da Europa, a política estratégica chinesa sofreu alguns ajustes. De 1989 a 1995, o comportamento externo chinês passa a ser guiado pela estratégia do Taoguang Yanghui adoção de um low profile, na qual a China perseguia um menor grau de exposição publica para não perturbar o andamento da política de modernização chinesa. Assim, o objetivo dessa estratégia era evitar confrontos e buscar cooperação com todos os países. 18 A cooperação e parceria com outras potências mundiais foram incentivadas ainda mais após 1995, pela estratégia do Shijie Duojihua multipolarização mundial. Tendo em vista a mudança de atitude dos EUA para com a China após o colapso da URSS adoção de uma política de contenção do poderio chinês e identificação da China como um inimigo potencial -, a China acreditava que com a promoção da multipolarização, as outras potências mundiais iriam enxergá-la como um possível amigo e poderiam cooperar. Essa estratégia estava calcada em três pilares: a não-aliança; a não-confrontação; e oposição à nenhuma terceira parte. (Franklin, 1998: 15). Dessa forma, a multipolarização mundial buscava também um melhor ambiente para a condução da política de modernização da China, dentro da política estratégica de abertura econômica e maior integração à economia política internacional. A China procurou não incorrer novamente em erros do passado, como a aliança com a URSS; a oposição aos EUA; e a confrontação nas duas frontes que a levou ao isolamento. Entrelaçando essa rede [os três pilares], a China tem conseguido alcançar uma posição favorável pujante competição e ajustamento entre as grandes potências no contexto da busca pela primazia no século XXI (Zemin Jiang apud Franklin, 1998:15) Como demonstrado, as relações entre os EUA e a URSS ditaram os rumos de desenvolvimento da economia chinesa. Para se entender os resultados alcançados pela China é preciso olhar para dois momentos distintos da política internacional a ordem bipolar caracterizado pela Guerra Fria e o pós-guerra Fria 18 Franklin, 1998, p. 14. Disponível em: 9

10 com a extinção da URSS pois, a política estratégica internacional chinesa com relação aos EUA foi fundamental para o sucesso chinês na promoção do crescimento econômico. Em 1971 a China entrou na Organização das Nações Unidas, em 1972 as relações sino-japonesas 19 foram restabelecidas e em 1978/79 acontece o mesmo com as relações sino-americanas. Além da suspensão dos embargos econômicos resultado do restabelecimento das relações com os EUA iniciados em 1971 e concretizados em 1979, a China abandonou as taxas fixas de cambio, promovendo uma desvalorização significativa do Yuan frente ao dólar; descentralizou as decisões de comercio exterior para empresas e autoridades provinciais; e removeu gradualmente as barreiras nos preços, deixando o comércio mais suscetível às forças de mercados; bem como criou as zonas especiais para a promoção do comércio internacional. 20 Como resultado, a década de 1970 mostrouse um ponto de inflexão na inserção chinesa na economia política internacional. Têm-se duas formas de vislumbrar o cenário. Uma que considera a década de 70 como um período de grande alteração no processo de inserção internacional da China. Esta se encontra marcada pelo i) seu retorno ao sistema internacional; ii) sua aproximação aos EUA; iii) retorno das suas relações diplomáticas com um número expressivo de países ocidentais, desenvolvidos e não desenvolvidos; e, iv) a conseqüente ampliação das relações econômico-comerciais com estes países. Conforme mostra Maddison (1998), o volume de exportação chinesa dobrou de 1970 a 1978 e as exportações passaram a ter uma participação cada vez maior no produto interno bruto chinês. A segunda visão, que toma um ponto de vista mais global, considera que tal inflexão no campo político-diplomático seja parte constituinte de um projeto de inserção internacional e ao longo da década, especialmente, pós-1978, temos uma clara inserção da China no cenário econômico internacional o que coincide com as reformas implementadas na China e com a mudança do cenário da economia política internacional. 19 O Japão reconhece a RPC em 29/09/ Maddison, 1998 Disponível em: 10

11 Não mais isolada, a China buscou nos investimentos externos diretos uma fonte de transferência de tecnologia e nos empréstimos de médio e longo prazo uma complementação à poupança doméstica. 21 De fato, o atual desempenho de sucesso da China na economia internacional, com elevadas taxas de crescimento econômico com inserção internacional (ver Tabela 2 e Tabela 3), pode ser melhor compreendido se, como sugere Medeiros (1999), o processo chinês de industrialização colocado em curso a partir de 1978 por Deng Xiaoping for dividido em duas etapas: a primeira etapa correspondendo à reaproximação das relações entre China e Estados Unidos nos anos 70 e se estendendo até 1991; a segunda datando da extinção do Bloco Socialista Soviético até os dias atuais 22. TABELA 2: TAXA DE CRESCIMENTO DO PIB CHINÊS (TOTAL E SETORIAL) - em % Ano PIB AGRICULTURA INDÚSTRIA SERVIÇOS Fonte: Asian Development Bank, Ano TABELA 3: INDICADORES DE COMERCIO EXTERIOR em % do PIB TOTAL DE COMÉRCIO BALANÇA COMERCIAL TRANSAÇÕES CORRENTES Fonte: Asian Development Bank, Idem. 22 Deve-se ressaltar que existe outra versão que aponta como fundamental o fato de Deng Xiaoping ter obtido apoio político interno para a real inserção econômica chinesa: o período marcado pelo protesto em Tiannamen. Este marcaria o processo de eliminação da esquerda do PCC que se opunha à abertura, abrindo espaço para um novo discurso e um novo curso de ações dentro do PCC. Com o apoio dos governadores das províncias costeiras ao processo e a simbologia representada pela visita de Deng, em 1992, a estas províncias, criou a possibilidade da introdução, neste momento, do conceito de economia socialista de mercado. Disponível em: 11

12 Conforme Medeiros (1999), na primeira etapa, os EUA facilitaram e incentivaram as exportações chinesas e a China aproveitou a oportunidade tendo em vista que os americanos atendiam seus interesses de contenção da antiga URSS e de modernização da economia doméstica. Nesta etapa, considerações estratégicas levaram os EUA a darem importância secundária às características políticas e institucionais da China. O posicionamento geopolítico no confronto entre as superpotências, EUA e URSS, foi decisivo para arrancada das exportações chinesas. O restabelecimento de relações diplomáticas, nos anos 70, pôs fim ao embargo econômico e a China teve acesso ao mercado internacional de bens e de crédito. Os EUA logo se afirmaram como importante parceiro comercial da China e passaram, em 1979, a adotar o tratamento de Nação Mais Favorecida. Em 1980, a China também integrou o Fundo Monetário Internacional e o Banco Mundial, e em 1986, passou a ser membro do Banco Asiático de Desenvolvimento. Segundo Arrighi (2008), Ao contrário do que se acredita, a característica mais atraente da RPC para o capital estrangeiro não foi apenas sua imensa reserva de mão-de-obra barata; há muitas reservas como esta pelo mundo afora, mas em nenhum lugar atraíram tanto capital como na China. A característica mais atraente,..., foi a elevada qualidade dessa reserva em termos de saúde, educação e capacidade de autogerenciamento, combinada à expansão rápida das condições de oferta e demanda para a mobilização produtiva desta reserva dentro da própria China.... essa combinação não foi criada pelo capital estrangeiro, mas sim por um processo de desenvolvimento baseado em tradições nativas inclusive revolucionária que deu origem à RPC. O capital estrangeiro interveio tarde no processo, sustentandoo em certas direções, porém minando-o em outras. (ARRIGHI, 2008: 357) Dada a expansão das exportações e o acesso a credito em condições favoráveis, a China conseguiu planejar e colocar em prática um programa de importação de máquinas e equipamentos, necessários para a modernização da indústria pesada, sem prejudicar o crescimento da indústria leve e da agricultura. Nos anos 80, a China, assim como os demais países asiáticos, se beneficiou do crescimento japonês que desvalorizou o câmbio das economias regionais. O capital produtivo japonês se deslocou para as economias regionais acelerando o investimento direto e comercial nesses países. O extraordinário crescimento Disponível em: 12

13 econômico da China nos anos 1980 se deve aos canais de comercialização que mantinha com Hong Kong. Os fluxos de investimentos nesses países eram voltados para os setores intensivos em mão-de-obra, em especial para têxteis e calçados; exatamente os setores em que a China desfrutava as maiores quotas de exportação nos países da OCDE. 23 Assim, o crescimento das exportações chinesas se deve à reexportação por meio de Hong Kong. No final da década de 80 e início dos anos 1990, os investimentos diretos mudaram seus destinos para o continente. O crescimento do mercado interno e as condições especiais das ZEE atraíram empresas americanas, japonesas e européias para a China. Com o fim da Guerra Fria inicia-se a segunda etapa e os EUA começam a ver o sucesso chinês como uma ameaça. Sendo assim, os americanos passam a buscar a contenção econômica e política da China. Considerações sobre direitos humanos, regime de partido único, ideologia comunista, etc., passaram a fazer parte da retórica norte-americana, no intuito de convencer os demais países ocidentais a apoiarem as políticas defendidas pelos EUA que dificultavam uma maior integração da China à arena internacional. Com o fim da ameaça ao capitalismo, os EUA mudaram as atitudes de favorecimento à China. No entanto, a China já havia conseguido alcançar uma estrutura econômica respeitável grande receptor de investimento estrangeiro direto, participação significativa no comércio internacional, e detentora de enorme reserva internacional (ver Tabela 4). Assim, o dinamismo chinês em atrair capitais estrangeiros tem conseguido contrabalançar as políticas comerciais e diplomáticas norte-americanas prejudiciais à China. 24 É compulsório, neste ponto do texto, observar que em seu texto Medeiros enfatiza excessivamente EUA. Não há dúvidas que em toda situação no que concerne o sistema internacional, o aval político dos EUA foi fundamental. Entretanto, não se pode desprezar que o dinamismo da economia do leste Asiático beneficiava sobremaneira a economia da China. Considerando esta afirmação, pode-se inverter a análise passando a vislumbrar os investimentos estrangeiros diretos como resultado da política econômica chinesa e os EUA como grande importador de mercadorias asiáticas. Por fim, duas observações são importantes: a primeira que no período citado, a China apresentava déficit em seu balanço 23 Medeiros, Medeiros, Disponível em: 13

14 comercial dom os demais países do leste Asiático e em um segundo momento, pode-se compreender que os EUA preocupavam-se realmente com a economia asiática, tendo como foco de suas críticas o Japão e não a China. Assim, pode-se ter como certo um efeito positivo da disputa entre Japão e EUA na economia chinesa. TABELA 4: INDICADORES INTERNACIONAIS DA CHINA IED¹ RESERVAS INTERNACIONAIS EXPORTAÇÕES IMPORTAÇÕES BALANÇO COMERCIAL Ano Em US$ milhões em US$ milhões Variação anual em % Variação anual em % Variação anual em % , , , , , , , , , , , , , , Fonte: Asian Development Bank, ¹ Fluxo Líquido de Investimento Externo Direto Conforme mostra Maddison (1998), desde 1991 a China vem recebendo fluxos intensos de investimentos externos diretos e, após entrar para o Banco Mundial e para o Banco Asiático de Desenvolvimento, o país China se tornou um dos maiores tomadores mundiais de empréstimos. No entanto, a dívida chinesa não representa fonte de muita preocupação, pois a China possui uma ampla reserva internacional e o perfil de sua dívida é de médio e longo prazo. Quanto ao comércio exterior, as exportações chinesas, assim como seus parceiros comerciais, sofreram significativa diversificação (ver Tabela 1 e Tabela 5). Disponível em: 14

15 TABELA 5: DIREÇÃO DO COMÉRCIO EXTERIOR CHINÊS em % do total EXPORTAÇÕES DE BENS IMPORTAÇÕES DE BENS Região/Ano ASIA EUROPA AMÉRICA DO NORTE E CENTRAL ORIENTE MÉDIO AMÉRICA DO SUL ÁFRICA OCEANIA RESTO DO MUNDO Fonte: Asian Development Bank, Obs.1: Dados retirados do Key Indicators for Asia and Pacific Obs.2: Na fonte utilizada constam os dados para o ano de Entretanto, a metodologia foi alterada, fato este que fez com que os dados relativos ao ano de 2007 fossem omitidos na tabela. A China vem apresentando um superávit estrutural na Balança Comercial em suas relações com o exterior, esse saldo se verifica, especialmente, em suas trocas com Hong Kong e com os EUA; embora em suas relações com o Japão e Europa ocidental o saldo se revele negativo 25 (ver Tabela 6). Maddison (1998) ressalta que a China tem mostrado uma resistência cultural em importar grãos e cereais dos americanos. A lembrança dos anos de embargo econômico faz com que a China recorra à Austrália e Canadá sempre que há a necessidade de importação de grãos e cereais 26. Assim, a atitude chinesa reforça a tendência desfavorável na balança comercial americana em suas relações com a China e incentiva as críticas dos norte-americanos às praticas comerciais chinesas, nessa segunda fase. No entanto, embora os EUA tenham sido os mais ávidos críticos da entrada da China na Organização Mundial do Comércio (OMC), a China integrou a instituição em A adesão da China à OMC somente ocorre de fato em A retomada do controle sobre Hong Kong em 1997 só permite que a China 25 Maddison, Mais atualmente, parcela desta importação tem como origem o Brasil. 27 Ibid. Disponível em: 15

16 participe por intermédio do retorno do território até então sob domínio britânico por mais de 150 anos. TABELA 6: COMÉRCIO EXTERIOR COM OS PRINCIPAIS PARCEIROS CHINESES EXPORTAÇÕES Em US$ milhões Em % do total ESTADOS UNIDOS HONG KONG JAPÃO CORÉIA DO SUL ALEMANHA IMPORTAÇÕES Em US$ milhões Em % do total SALDO COMERCIAL Em US$ milhões Fonte: Asian Development Bank, Obs.: Na fonte utilizada constam os dados para o ano de Entretanto, a metodologia de mensuração foi alterada. Este fato foi relevante para a opção de omitir os dados relativos ao ano de A política estratégica chinesa contemporânea De modo geral, os objetivos das políticas exteriores estratégicas da China no período comandado por Mao Zedong ( ) podem ser assim sumarizados: Disponível em: 16

17 garantir a segurança nacional; assegurar a soberania e a integridade territorial da China; e incrementar o status internacional chinês. Já no período comandado por Deng Xioping ( ), os objetivos chineses foram além da manutenção dos objetivos anteriores, manter um ambiente internacional pacífico para se buscar as Quatro Modernizações; e promover o estabelecimento de uma nova ordem econômica e política mundial, na qual a China jogasse com papel de destaque. Portanto, na época de Mao, a política exterior estratégica da China era guiada por uma lógica de segurança, na qual a preocupação com a sobrevivência da China era uma constante. No entanto, como resultado das políticas estratégicas adotadas por Mao, a China acabou isolada política e economicamente. Com a mudança na orientação das políticas estratégicas tirar vantagens da oposição entre as duas superpotências - iniciadas por Mao e levadas adiante por Deng, a China começou a se inserir na economia política internacional. Por sua vez, a política exterior estratégica da China sob o comando de Deng era guiada por uma lógica pragmática, que além de considerar a dimensão militar, considerava também as dimensões políticas e econômicas sob a óptica da política de modernização. Ou seja, buscava os caminhos que propiciariam à China uma melhor inserção política e econômica na economia política internacional. Apesar da morte de Deng Xiaoping em fevereiro de 1997, a condução da política exterior estratégica chinesa manteve a continuidade da Era Deng. A política de abertura para o mundo exterior tem sido aprofundada, os meios pragmáticos têm sido colocados em prática e os fins têm sido alcançados: a China tem crescido em prestígio político e econômico na arena internacional no século XXI. O feito chinês em conseguir manter um crescimento expressivo no mercado global por mais de duas décadas tem sido objeto de inúmeras reflexões. As Teses Sobre o Sucesso do Modelo Chinês. O modelo de desenvolvimento chinês após a reforma econômica iniciada em 1978 vem sendo analisado exaustivamente. Durante a década de 1980, as reformas foram implantadas em termos graduais, tendo como foco a gestão harmônica entre as forças de mercado e a existência da planificação de origem estatal. Pode-se afirmar que foram privilegiados dois setores: o setor agrícola, passando por uma Disponível em: 17

18 reforma na distribuição das terras e na modernização do processo de produção e o setor industrial, concentrado nas reformas da gestão das empresas públicas, e posterior privatização de algumas destas empresas e o concomitante lançamento das TVE s pequenas e médias empresas que possuem gerenciamento local. Já na década de 1990 cabe destacar que sua base de sustentação econômica tem fundamento no volume de investimentos efetivos em estrutura - sejam investimentos estrangeiros sejam investimentos públicos nacionais - e na elevação constante do coeficiente de exportação do país 28. Uma particularidade do caso chinês, que pode facilmente ser observada na análise dos dados divulgados por Instituições Internacionais 29, é que os resultados positivos das exportações têm elevada correlação com a presença de capital estrangeiro naquele país. A participação de empresas chinesas, perante os dados de empresas de capital estrangeiro, é secundária, quando dispostos em ordem de importância. Daí surge uma variável de relevância anteriormente avaliada, a saber: o processo de inserção internacional da China. Cabe destacar que o crescimento observado nos últimos dez anos, além da base de sustentação supracitada, tem como característica a super-utilização dos fatores de produção disponíveis, com notável evolução de dois dados relevantes: a evolução do capital humano e a melhoria nos níveis educacionais e de qualificação de mão-de-obra 30. Quando se verifica o arcabouço teórico que sustenta as análises do sucesso chinês, chega-se a três grandes grupos de analistas: os institucionalistas, os ortodoxos, e os internacionalistas. O primeiro grupo de autores, atualmente capitaneado por Stiglitz e Singh 31, que poderiam, seguindo um critério de linha de pensamento, serem denominados de institucionalistas, argumentam que a atual posição chinesa deve-se, sobretudo, a um sistema gradual, planejado e contínuo de reformas que transmutaram suas instituições em fator decisivo para seu salto para 28 Os investimentos totais realizados na China chegaram, no período de 2000 a 2004, ao nível de 45 % do PIB. Os dados de comércio exterior podem ser visualizados na tabela Tais dados podem ser encontrados nos sites do Fundo Monetário Internacional (www.imf.org), do Centro de Informação na Internet da China China Internet Information Center ( e do Banco Mundial (www.worldbank.com). 30 Neves, Estes autores seguem um argumento sustentado na existência de um mercado de informações imperfeitas, incerteza e custos de transação (Ronald Coase). Para o caso da China, o ponto a ser acrescentado é a necessidade de se completar o processo de reforma de mercado iniciado nos anos Disponível em: 18

19 frente. O argumento sustenta-se na idéia de que a China realizou um processo planejado de adaptação das inovações institucionais à sua peculiaridade históricopolítico. Tal argumentação enfatiza a presença e o importante papel de coordenação e planejamento exercido pelo PCCh. Sem a existência deste, a hierarquização e, posterior, coordenação das ações planejadas para o desenvolvimento chinês seriam inviáveis, principalmente, frente ao ambiente internacional de elevada concorrência entre os principais players globais. Já autores mais ortodoxos 32, que avaliam o crescimento de economias menos desenvolvidas sustentam o argumento de que as condições internas chineses eram favoráveis a um crescimento elevado. Isto se deve a tendência natural de crescimento de uma economia com baixo nível de renda, com excedente de mãode-obra, especialmente no meio rural e distribuída de maneira desigual ao longo de seu território. Economias com estas características, quando submetidas a um choque de acumulação de capital, tendem a apresentar um ritmo de crescimento ascendente com inclinação superior às demais economias que já se encontravam em fases posteriores do processo de desenvolvimento. Na década de 60 do século XX, um conjunto de modelos de crescimento de cunho ortodoxo teve grande aceitação no meio acadêmico. Modelos como o proposto por Solow, Shaw, Mankiw, entre outros, demonstravam que qualquer alteração estrutural na economia destes países causaria uma alteração na inclinação das suas curvas de crescimento, colocando-os em uma nova posição entre os demais países em desenvolvimento. Por fim, mas não menos importante, cabe citar a tese defendida pelos internacionalistas. Estes preferem analisar o processo de crescimento chinês e, sua posterior inserção na economia globalizada, por intermédio da sua posição como um importante locus geopolítico mundial. Segundo estes autores, a transformação chinesa deve-se a três vetores, todos ligados a uma posição estratégica dos EUA para enfraquecer seus potenciais competidores pelo poder, seja político, seja econômico, no cenário mundial 33 : a estratégia de isolamento da ex-urss como forma de reduzir a zona de influência do socialismo, a transformação da China em um novo pólo produtor na Ásia, fazendo com que o Japão encontrasse um 32 Basicamente, estão contidos neste secundo grupo, autores ligados aos FMI e ao Banco Mundial, com argumento baseado na liberalização dos mercados. 33 Medeiros, Disponível em: 19

20 concorrente comercial regional e, por último, a estratégia da China em construir um sistema forte que desse sustentação à posição soberana do Estado, possibilitando assim uma estratégia planejada de condução da população e do seu território com fins explícitos de atingir níveis superiores de desenvolvimento econômico. Os internacionalistas apóiam suas análises na definição estratégica de políticas exteriores adotadas pela China descritas em tópico anterior. Uma crítica que deve ser adicionada a este modelo é a posição central dos EUA em detrimento do papel da economia asiática. Esta crítica é bem visualizada quando se toma como referência o livro de Giovanni Arrighi Adam Smith em Pequim. Independentemente da corrente analítica, todas apontam características singulares da China como responsáveis pelo crescimento extraordinário alcançado no final do século XX. No entanto, apontam elementos que não podem ser facilmente copiados por outros países em desenvolvimento, como i) a forte intervenção estatal na coordenação e planejamento econômico facilitado enormemente pela existência de um governo autoritário e déspota -; ii) a existência de um grande excedente de mão-de-obra, inclusive rural, que combinado com um choque acumulação de capital promove as alterações estruturais que levam ao crescimento; iii) o posicionamento chinês no tabuleiro geopolítico americano; iv) a relevância da China dentro do cenário político e econômico asiático; e v) a adoção de um modelo próprio que não seguia, conforme visto em citação anterior de Arrighi (2008), as determinações do mainstream economics e o caráter gradual de suas ações. Embora as interpretações para o crescimento sejam muitas, o resultado é apenas um: só a China tem conseguido sustentar uma taxa média de crescimento anual altíssima desde Os Fatores Internos que Sustentam o Crescimento Chinês Os dados recentes da economia chinesa são surpreendentes. Sua economia apresentou uma taxa média de crescimento no período 1978 a 2004 de 9,5% ao ano. Seus dados de comércio externo são ainda mais impressionantes: neste mesmo período, seu fluxo de comércio externo cresceu 30 vezes. Em termos de volume do fluxo de comércio, a China obteve no ano de 1978 o montante de U$ 20,6 bilhões como resultado. Em 2003, o valor passou para U$ 851,2 bilhões, em 2005 Disponível em: 20

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