PROPOSTA DE PROGRAMA E DE TEMAS PARA DISCUSSÃO

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1 PROPOSTA DE PROGRAMA E DE TEMAS PARA DISCUSSÃO 2. INOVAÇÃO E INTERNACIONALIZAÇÃO O objectivo está adquirido, como está adquirida a consciência da sua importância. O que não está adquirido é a forma de o prosseguir: medidas a tomar, e apoios concretos a adoptar para a consecução desse objectivo, incluindo a discussão da margem de manobra que nos é consentida tanto pela UE - União Europeia como pela própria OMC - Organização Mundial do Comércio. Incluiríamos, neste tema: PAPEL DA INOVAÇÃO NA ACELERAÇÃO DA INTERNACIONALIZAÇÃO DA ECONOMIA PORTUGUESA, EM PARTICULAR DAS PME Internacionalização. Parcerias internacionais. Diplomacia económica. Fundo para a Internacionalização. Parcerias para as Exportações. Incentivos fiscais e financeiros. Outros mecanismos de apoio: Lojas de Exportação; Programas Inov. PROJECTOS MOBILIZADORES Projectos com forte impacto na economia, em termos de valor acrescentado e criação de emprego, bem como nas exportações. Pólos e Clusters de Competitividade e Tecnologia CONTRIBUTOS PARA A DISCUSSÃO: EXPORTAR MAIS O objectivo está, de facto, adquirido: porque tem de crescer num contexto de procura interna muito retraída, e porque tem de vencer um défice persistente da balança de transacções correntes da ordem dos 10% do PIB cuja raiz é um défice da balança de mercadorias de, pelo menos, mais três ou quatro pontos percentuais, a Economia Portuguesa tem de exportar mais. Sem isso, não só não crescerá, e não criará emprego, como não conseguirá libertar-se dos graves problemas de financiamento que a afligem, neste momento. Adquirido o objectivo, falta saber como concretizá-lo, convindo começar por deixar claro que não trataremos do problema do financiamento através do reforço dos capitais próprios das empresas, objecto de uma outra discussão no âmbito deste mesmo exercício. Algumas precisões: exportar não se confunde com vender nos mercados externos. Só contam como exportação os produtos produzidos em território nacional e daqui expedidos para mercados terceiros (em suma: os produtos produzidos nas filiais estrangeiras de empresas portuguesas não são exportação); exportar não se confunde com vender mercadorias ao exterior, exigindo que essas mercadorias sejam portadoras de valor criado em território nacional, tanto na

2 empresa exportadora como na sua cadeia de fornecedores (em suma: mais do que produtos, exporta-se valor); é indiferente, para o efeito, exportar mercadorias ou serviços (incluindo a venda de mercadorias e de serviços a estrangeiros no mercado interno, de que é expoente o turismo). Há muitas outras actividades das empresas meritórias, e que talvez devam ser apoiadas ou, pelo menos, estimuladas por enquadramentos favoráveis. Aqui, trata-se, apenas, de vender a residentes no exterior, dentro ou fora de portas, valor acrescentado em território nacional; tudo o mais está, aqui e agora, fora de questão. Também proponho que não misturemos coisas. Por exemplo: todos conhecemos o potencial do Investimento Directo Estrangeiro para promover exportações; mas talvez seja melhor deixar esse assunto para outra sede; todos sabemos o potencial de exportação das empresas que ainda não existem, e que terão de ser criadas, sobretudo as de maior intensidade tecnológica, e coisas assim; mas talvez seja melhor deixar também isso para outro contexto (tratar, primeiro, de criar essas empresas, e, depois delas criadas, tratar de potenciar as suas exportações); proponho, em suma, que nos fixemos, pelo menos para já, nas empresas que existem, e nas exportações que estas empresas já fazem, e podem vir a fazer. O que é que pode fazer-se, da forma mais cirúrgica e mais focada possível, para estimular as exportações das empresas que, hoje, operam em Portugal: a UE e a OMC permitem incentivos fiscais e financeiros oferecidos directamente às empresas exportadoras, de forma discriminatória? Ou, para apoiarmos as empresas exportadoras, temos de apoiar todas as empresas residentes (com o que todo o exercício se torna muito mais caro)? apoiar a exportação de produtos parece, hoje, fora de questão; mas, com maior ou menor dificuldade, deve haver forma de podermos apoiar as empresas residentes que exportam; um prémio, concedido de alguma forma, a quem apresentar maior peso das exportações no seu volume de negócios (por comparação, por exemplo, com a média do sector de actividade a que pertence); e seguir, nesta matéria, orientações já seguidas noutros âmbitos: premiar as exportações (peso das exportações no volume de negócios) e, mais do que isso, premiar o crescimento das exportações (do seu peso no volume de negócios): lógica incremental; mas, como referimos atrás, não basta exportar, e apoiar exportações. É necessário apoiar empresas que exportem valor acrescentado, e que exportem cada vez mais

3 valor acrescentado em território nacional. Algumas hipóteses de variáveis a considerar para uma métrica consistente: i) peso do VAB (EBITDA + Encargos com pessoal) nas vendas; ii) peso do VAB e das compras a fornecedores nacionais nas vendas; iii) uma parte do incentivo ligada aos volumes e outra parte do incentivo ligada ao crescimento dos mesmos volumes; iv) vamos admitir uma estratégia de segmentação, apoiando mais o que evidencie maior intensidade tecnológica (medida, por exemplo, para não complicar, pelo salário médio de todos os trabalhadores que operam na unidade em questão)? as parcerias internacionais e as parcerias para as exportações fazem o quê? Alguém as conhece? E, se fazem alguma coisa, e são conhecidas, e apreciadas, que mais podem fazer? e o Fundo para a Internacionalização? e as Lojas de Exportação? e aos Programas INOV? alguma coisa a fazer em matéria de diplomacia económica e de abertura de novos mercados? e em matéria de promoção externa, seja do País como um todo seja de produtos e sectores de actividade em particular? Algum enquadramento para este tipo de despesas? Algum limite? Alguma forma de benchmark? Alguma boa prática ou algum caso de sucesso de terceiros que deva ser considerado? o que estão a fazer os Pólos e os Clusters de Competitividade e de Tecnologia em matéria de promoção das exportações? Algum destes Pólos e Clusters incluiu o aumento das exportações entre os seus indicadores de desempenho? Há algum resultado que mereça, desde já, ser destacado, e alavancado? e em matéria de serviços de apoio, nomeadamente crédito bancário e seguros? Alguma boa prática que deva ser replicada? Algo que deva ser especialmente estimulado ou corrigido? uma questão fracturante, sobretudo no plano das relações internacionais: a maior parte das nossas empresas exportadoras são também grandes importadoras. A questão já está abordada, a partir do momento em que nos propomos apoiar sobretudo valor acrescentado nas exportações, valorizando, por exemplo o peso do VAB e das compras a fornecedores nacionais. Mesmo assim: justifica-se uma acção dirigida aos grandes exportadores nacionais no sentido de estes realizarem campanhas (sessões de informação e de divulgação, com consequência) dirigidas a fornecedores e potenciais fornecedores nacionais (nomeadamente PME) junto de quem divulguem as oportunidades de sourcing decorrentes das suas compras? Se tudo correr bem, no final, não teremos mais exportações mas teremos menos importações, com consequente aumento de exportações líquidas e de valor acrescentado em território nacional (VAB/PIB).

4 2.2. CONTRIBUTOS PARA A DISCUSSÃO: UMA INTERVENÇÃO MAIS A MONTANTE Mais a montante porque estamos a pensar, agora, nas empresas que ainda não existem, ou nos produtos que ainda não estão no mercado mas que podem vir a existir, e a chegar ao mercado, mais depressa, se as oportunidades surgirem. Refirome aos resultados de projectos de investigação e de desenvolvimento levados a cabo no País (que a AdI - Agência de Inovação conhecerá bem), em relação aos quais, ou a alguns dos quais, poderá justificar-se um roadshow internacional de acções de demonstração de carácter acentuadamente voluntarista em busca seja de potenciais investidores (esperemos que no País) seja de potenciais clientes. Trata-se, no fundo, de pôr em prática, junto dos mercados internacionais, e com impacto esperado ou pelo menos desejável nas exportações, a tese de que, sobretudo no caso das PME, o Estado deve prolongar para a fase de utilização/comercialização do conhecimento os apoios que começou por conceder à fase de geração do conhecimento CONTRIBUTOS PARA A DISCUSSÃO: INTERNACIONALIZAR EXIGE MUITO MAIS DO QUE EXPORTAR Se estivéssemos a trabalhar a agenda de inovação de uma empresa e, nesse contexto, a internacionalização da referida empresa, começaríamos precisamente por aqui: exportar é o primeiro degrau da internacionalização; não há internacionalização consequente, e sólida, que, em algum momento, não tenha de chegar ao momento de reconhecer que se lhe torna imprescindível a instalação de alguma capacidade e de algum conjunto de funções (para além das estritamente comerciais) no exterior. Acontece que a Agenda de Inovação de que estamos a tratar é a do Governo Português e que esta não poderá deixar de se ocupar de um conjunto de objectivos do Estado Português, e de linhas de acção a serem por este prosseguidas, e, em algum momento, os objectivos do Estado Português (valor acrescentado em território nacional; emprego criado em território nacional e remunerações que lhe são devidas, para já não falar em impostos arrecadados) poderão não se mostrar inteiramente concordantes com os objectivos e com as linhas de acção das empresas hoje instaladas no mesmo território nacional. Esta dificuldade tem de ser assumida, com todas as suas consequências: a partir de determinado momento, o Estado Português não poderá continuar a apoiar o esforço de internacionalização das empresas portuguesas, por contrário ao que poderíamos considerar de interesse nacional ; foi por aqui que começámos, e é aqui que nos propomos acabar. Mesmo assim: há mais alguma coisa que o Estado Português possa fazer pela internacionalização das empresas portuguesas, para além do apoio que deve e lhes possa prestar na promoção das exportações? Por exemplo, o apoio à criação de redes de distribuição no exterior (linha de acção já prosseguida, no passado, com resultados que não parece terem sido os melhores)? Ainda por exemplo, o apoio à aquisição de empresas no exterior, para efeitos de expansão e de consolidação, desde que não acompanhado por destruição de capacidade e por diminuição de postos de trabalho

5 em território nacional? E, se é para continuar ou mesmo iniciar este tipo de intervenção, vamos fazê-lo como, com que meios, com que instrumentos? E, chegados aqui, por que não fazer tudo o que esteja ao nosso alcance, nomeadamente no plano fiscal, para contrariar formas de internacionalização espúrias, mas em pleno desenvolvimento, como as que consistem na transferência para o exterior de muitas sedes de actividade empresarial, nomeadamente holdings, e de muitas empresas de sourcing, com o único objectivo de gerar e fazer surgir os resultados onde estes são tributados de forma mais favorável? Não poderá fazer-se nada, neste domínio? Não seria desejável que o fizéssemos? Porto, 19 de Janeiro de 2011 Na sequência de um trabalho conjunto envolvendo o Gabinete do Senhor Secretário de Estado da Energia e da Inovação, e a AdI - Agência de Inovação, em que, pese embora o elevadíssimo nível de acordo conseguido, não temos de estar todos, sempre, de acordo com tudo casos em que, a verificarem-se, a responsabilidade do que fica escrito cabe única e exclusivamente ao signatário. Daniel Bessa Director-Geral da COTEC Portugal

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