A AUDITORIA INTERNA COMO FERRAMENTA DE GESTÃO NAS COOPERATIVAS DE CRÉDITO.

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1 UNIVERSIDADE ESTADUAL DO OESTE DO PARANÁ UNIOESTE CENTRO DE CIÊNCIAS SOCIAIS APLICADAS CCSA PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU EM GESTÃO DO COOPERATIVISMO SOLIDÁRIO A AUDITORIA INTERNA COMO FERRAMENTA DE GESTÃO NAS COOPERATIVAS DE CRÉDITO. ELIANA VEDOVATTO Francisco Beltrão 2009

2 ELIANA VEDOVATTO A AUDITORIA INTERNA COMO FERRAMENTA DE GESTÃO NAS COOPERATIVAS DE CRÉDITO. Monografia apresentada como requisito parcial à obtenção do título de Especialista no curso de Pós-Graduação lato sensu em Gestão do Cooperativismo Solidário da Universidade Estadual do Oeste do Paraná-UNIOESTE, campus de Francisco Beltrão. Orientador(a): Neron Alípio Cortes Berghauser Francisco Beltrão 2009

3 2 ELIANA VEDOVATTO A AUDITORIA INTERNA COMO FERRAMENTA DE GESTÃO NAS COOPERATIVAS DE CRÉDITO. TERMO DE APROVAÇÃO Esta monografia foi julgada e aprovada como requisito parcial para obtenção do título de Especialista, pós-graduação em Gestão do Cooperativismo Solidário, da Universidade Estadual do Oeste do Paraná - Unioeste, campus de Francisco Beltrão-Pr. Francisco Beltrão, 15 de outubro de 2009 Profª Ms Ivanira Correia de Oliveira Coordenadora do Curso BANCA EXAMINADORA Neron Alípio Cortes Berghauser Orientador

4 3 RESUMO VEDOVATTO, Eliana. A auditoria interna como ferramenta de gestão nas cooperativas de crédito. 2009, 38 f. Monografia (Especialista) Curso de Pós-Graduação em Gestão do Cooperativismo Solidário. UNIOESTE, Campus de Francisco Beltrão. Este estudo está voltado para as cooperativas de crédito do sistema Cresol Baser devido a sua importância para a inclusão ao crédito dos agricultores familiares dos estados do Paraná e Santa Catarina. O presente trabalho foi desenvolvido com o intuito de verificar o papel da auditoria no auxílio aos gestores das cooperativas singulares. De forma geral, o objetivo desta pesquisa foi analisar a importância do relatório de auditoria no processo de gestão de uma cooperativa de crédito do sistema Cresol. Especificamente, avaliar a utilização das informações prestadas pelo relatório de auditoria para o planejamento de gestão de uma cooperativa, identificar os fatores que contribuem para a não solução dos problemas identificados pela auditoria e levantar sugestões de melhorias para o método utilizado no processo de auditoria da Central Cresol Baser. A metodologia utilizada no estudo contemplou a pesquisa bibliográfica em livros, revistas, artigos, entre outros, fazendo desta forma uma revisão dos principais estudos desenvolvidos nesta área; estudo de caso através de questionário aplicado aos diretores executivos das 76 cooperativas singulares da Central Cresol Baser. Por meio do estudo exploratório foi possível verificar a utilização do relatório de auditoria e sua importância no processo de gestão de uma cooperativa, além de sugestões de melhorias para os procedimentos aplicados às cooperativas pela auditoria interna. Os resultados da pesquisa apontam para a importância do relatório de auditoria como ferramenta de apoio aos gestores, contudo ainda sendo de pouca utilização como pode ser observar no resultado deste trabalho. Auditoria, Gestão, Cooperativa e Cresol

5 4 LISTA DE FIGURAS Figura 1 Organograma genérico de um sistema cooperativo Figura 2 - Gráficos relativos a idade da cooperativa e tempo de direção Figura 3 - Gráficos relativos ao perfil do entrevistado Figura 4 - Gráficos relativos à importância do relatório de auditoria e sua utilização Figura 5 Gráfico relativo a área de análise da auditoria de maior importância Figura 6 Graficos relativo a frequência das inspeções e reflexo dos fatores internos Figura 7 Gráfico relativo aos fatores de contribuição às reincidências... 30

6 5 SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO Tema e Problema Objetivos Objetivo geral Objetivos específicos Justificativa Estrutura do Trabalho CARACTERIZAÇÃO DA ORGANIZAÇÃO Informações gerais e histórico Estrutura organizacional O Sistema Cresol FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA Cooperativismo Cooperativismo de Crédito Auditoria Objetivos e Formas de Auditoria Controles Internos Auditoria de Gestão METODOLOGIA Classificação da pesquisa Universo e amostra da pesquisa Técnicas de coleta de dados ANÁLISE E INTERPRETAÇÃO DOS DADOS CONSIDERAÇÕES FINAIS REFERÊNCIAS APÊNDICES

7 6 1 INTRODUÇÃO Partindo-se do pressuposto de que controle significa verificar, fiscalizar, conferir, inspecionar, o foco de controles internos estará presente em todas as áreas e atividades de uma cooperativa. Os métodos de controle têm uma abrangência ampla, muito maior do que geralmente se entende em uma análise superficial. Desta forma, uma análise aprofundada na busca de conhecimento em relação ao ambiente econômico e financeiro, de oportunidades e ameaças, em que atuam as cooperativas é um fator de controle significativo. Dessa análise resultarão as ações de gestão delimitando os objetivos a serem alcançados pela instituição. O crescimento constante nas cooperativas do sistema Cresol quer em quantidade e tamanho, quer em diversificação de produtos e serviços disponibilizados aos seus associados, necessariamente desencadeará complexidades nos sistemas de controles internos e procedimentos de gestão. O auditor interno por sua vez pretende responder as expectativas dos gestores sobre os riscos internos da instituição, observando, aconselhando e esclarecendo os responsáveis envolvidos, possibilitando a implantação de novas ações corretivas e necessárias para o bom andamento dos negócios. Atualmente a auditoria interna constitui uma função de apoio a gestão, podendo o gestor recorrer para realizar verificações nas rotinas de trabalho e na confirmação da consistência física e técnica. 1.1 Tema e Problema O entendimento de que a auditoria está estabelecida para ser a mais importante ferramenta de avaliação dos procedimentos e aplicação dos controles está confirmado por Attie (2007, p.34) que comenta: A auditoria Interna compreende os exames, análises, avaliações, levantamentos e comprovações, metodologicamente estruturados para a avaliação da integridade, adequação, eficácia, eficiência e economicidade dos processos, dos sistemas de informações e de controles internos integrados ao ambiente e de gerenciamento de riscos, com vistas a assistir à administração da entidade no cumprimento de seus objetivos.

8 7 Ainda para Franco, (2001, p.26) Para mensurar a adequação e confiabilidade dos registros contábeis, a contabilidade utiliza-se também de uma técnica que lhe é própria, chamada de auditoria. Diante do exposto o presente estudo, teve como tema: a auditoria interna como ferramenta de gestão nas cooperativas de crédito. O estudo foi realizado nas cooperativas de créditos filiadas à Central Cresol Baser estabelecidas nos estados do Paraná e Santa Catarina, objetivando avaliar a contribuição da auditoria interna no processo de gestão das cooperativas singulares. O estudo se deu também pela pesquisa bibliográfica sobre auditoria, controles internos e procedimentos de gestão aplicáveis nas cooperativas de crédito, além de análise às normas do Banco Central do Brasil. Diante disso o presente trabalho visa responder a seguinte pergunta: Qual a contribuição do relatório de auditoria no processo de gestão de uma cooperativa singular da Central Cresol Baser? 1.2 Objetivos De forma geral ou específica os objetivos de um trabalho de pesquisa consistem em ser os passos que se deve seguir para conseguir responder o problema proposto. Segundo Dmitruk (2004), o objetivo é linha de chegada da pesquisa, mostrando a contribuição que o trabalho visa atingir, mas é possível ter seu objetivo alcançado se todas as fases da pesquisa forem vencidas Objetivo geral Demonstrar a importância do relatório de auditoria interna no processo de gestão de uma cooperativa de crédito do sistema cresol.

9 Objetivos específicos a) Demonstrar a importância do processo de auditoria em uma cooperativa de crédito do sistema cresol. b) Avaliar a utilização das informações prestadas pelo relatório de auditoria para o planejamento de gestão de uma cooperativa. c) Identificar os fatores que contribuem para a não solução dos problemas identificados pela auditoria. d) Levantar sugestões de melhorias para o método utilizado no processo de auditoria da Central Cresol Baser. 1.3 Justificativa As cooperativas de crédito, assim como outras instituições do sistema financeiro, são reguladas pelo Conselho Monetário Nacional e pelo Banco Central do Brasil, utilizando-se da contabilidade e suas ferramentas para poder evidenciar fraudes. Estabelece a obrigatoriedade da realização de auditorias, para que possa verificar e garantir que as regras e procedimentos das operações realizadas estejam de acordo com o estabelecido na legislação vigente e os princípios de contabilidade. O cooperativismo e as organizações cooperativas vêem se destacando na região sul do Brasil contribuindo de forma significativa para a economia local, além de proporcionar inclusão ao crédito a pessoas muitas vezes ainda excluídas no ramo financeiro. Nos últimos anos houve uma expressiva expansão nas cooperativas do sistema Cresol, no entanto os procedimentos aplicados a gestão das singulares não conseguiu evoluir na mesma proporção, por este fato, nota-se a grande contribuição que a auditoria interna através de seus mecanismos de verificação e análise pode fornecer aos nossos gestores. Com base nos fatos expostos justifica-se a importância do tema a ser estudado, como forma de permanente auxílio aos nossos gestores.

10 9 1.4 Estrutura do Trabalho A estrutura deste trabalho monográfico é iniciada pela introdução na qual são apresentados o contexto, os objetivos e a justificativa para a sua realização. O capítulo 2 descreve o objeto de estudo, ou seja, a Cooperativa de Crédito Solidário Cresol. O capítulo 3 descreve conceitos teóricos sobre temas relacionados com o assunto na revisão bibliográfica. Em seguida apresentam-se os procedimentos metodológicos usados para a realização da pesquisa, a análise e interpretação dos dados pesquisados. Ao final do trabalho são feitas as considerações conclusivas e proposições para futuros estudos, encerrando-se a monografia.

11 10 2 CARACTERIZAÇÃO DA ORGANIZAÇÃO Este capítulo apresenta informações acerca do objeto de estudo escolhido para esta monografia, ou seja, a Cooperativa de Crédito Solidário CRESOL, que foram obtidas junto a fontes da própria instituição. Pode-se, portanto classificá-lo como um descritivo documental sobre a instituição estudada, no qual é exposta a história e a estrutura organizacional. 2.1 Informações gerais e histórico No fim dos anos 1980 e início dos anos 1990, desafios assumidos por Movimentos sociais, ONGs e Organizações sindicais, resultou na criação do Sistema Cresol, que atua na organização de crédito como um instrumento para alavancar processos de desenvolvimento local e sustentável, a partir da agricultura familiar. O Sistema Cresol começou sua história com a fundação da primeira cooperativa em 24 de junho de 2005, na cidade de Dois Vizinhos/PR. Posteriormente, ainda no mesmo ano, foram constituídas as cooperativas de Marmeleiro, Pinhão, Laranjeiras e Capanema, onde ambas eram no Paraná e possuíam entre seus membros grande identificação com a agricultura familiar. No início de suas atividades, cada cooperativa funcionava de forma isolada, tornando muito difícil atender e resolver as diversas situações e demandas que foram surgindo. Portanto em 22 de junho de 1996, as cinco cooperativas decidiram constituir a Cooperativa Central Base de Serviços Ltda - Cresol Baser, para que esta realizasse as articulações financeiras, e prestasse serviços de apoio. Neste momento nasce o sistema cooperativo, incorporando definitivamente como segmento de mercado a agricultura familiar. No entanto, no ano de 2000, o Banco Central do Brasil passou a orientar os sistemas cooperativos a se organizarem através de centrais de crédito, delegando a elas grande parte das responsabilidades de fiscalização e controle sobre as cooperativas singulares. Portanto em 31 de março de 2000 a Cresol Baser passa a atuar como Cooperativa Central de Crédito Rural com Interação Solidária (Central Cresol Baser), respondendo a partir deste momento também pelo controle financeiro, das Cooperativas Singulares.

12 11 Com a criação da Central Cresol Baser, os trabalhados reforçaram a missão, os princípios e estratégias do Sistema Cresol, fortalecendo-o e consequentemente ocorre a expansão do Sistema. Devido o grande aumento de número de cooperativas, houve a necessidade da criação de uma nova Central. Portanto, em 2004 o Sistema divide-se em duas Centrais, a Cresol Central (Chapecó/SC) com singulares filiadas no Rio Grande do Sul e parte de Santa Catarina, e a Central Cresol Baser (Francisco Beltrão/PR), com singulares no Paraná e parte de Santa Catarina. 2.2 Estrutura organizacional O formato institucional do Sistema Cresol compreende: cooperativas singulares, bases regionais de serviços e duas cooperativas centrais. A Cooperativa Central de Crédito Rural com Interação Solidária Central Cresol Baser, rege-se pelas Leis nos 4.595, de e 5.764, de , pelas demais disposições legais e normativas aplicáveis às cooperativas de crédito e por um Estatuto Social. Possui sua sede e administração, na cidade de Francisco Beltrão, Estado do Paraná, na Rua Nossa Senhora da Glória, 52 A Bairro Cango. A Central Cresol Baser, é o órgão de representação legal do Sistema Cresol junto ao Banco Central do Brasil e de representação política junto aos organismos de sociedade civil, tendo como objetivos, organizar serviços administrativos, financeiros, econômicos, creditícios e educativos em benefício de suas cooperativas associadas, e a integração financeira do cooperativismo de crédito na região Sul do Brasil, com o propósito de cumprir sua missão no fortalecimento das práticas de agricultura familiar e do desenvolvimento sustentável. Para os trabalhos de acompanhamento e fiscalização junto às cooperativas singulares a Central Cresol Baser conta com uma equipe de auditores composta atualmente por 6 integrantes. A área de auditorias conta com regulamentações externas e internas específicas para o desenvolvimento e correta aplicabilidade de suas funções. Para a execução dos trabalhos a equipe conta com a contribuição de um sistema informatizado, possibilitando aplicar a mesma proporção de análise a todas as singulares e garantindo um resultado padrão e unificados das inspeções. A apresentação da conclusão dos trabalhos resulta em relatório o qual fica a

13 12 disposição da cooperativa singular, conselho administrativo e fiscal da Central e ao Banco Central do Brasil (BACEN). 2.3 O Sistema Cresol O Sistema Cresol de Cooperativas de Crédito Rural com Interação Solidária é resultado da luta de famílias agricultoras por acesso ao crédito e pela participação, como sujeitos, num projeto de desenvolvimento local sustentável. No final da década de 80, as dificuldades de acesso ao crédito rural, a necessidade de financiar experiências alternativas da agricultura e a luta dos assentados da reforma agrária nas regiões Sudoeste e Centro-Oeste do Paraná, levaram algumas organizações a estruturar um fundo de financiamento para a agricultura familiar o Fundo de Crédito Rotativo (FCR). Esse fundo, financiado pela cooperação internacional, era administrado por entidades/movimentos pastorais, sindicais, não governamentais, associativas e sem terras, nas regiões Sudoeste e Centro-Oeste. A partir dessa experiência ficou evidenciada a necessidade de criar uma instituição que pudesse acessar, canalizar e desburocratizar o crédito rural, além de administrar os recursos de poupança dos agricultores e prestar outros serviços financeiros que eles demandassem. No final de 1994 e início de 1995, começam a ser realizados dois importantes seminários sobre fundos rotativos e cooperativismo de crédito, na Fundação Rureco, em Guarapuava/PR e na Assesoar (Associação de Estudos, Orientação e Assistência Rural), em Francisco Beltrão/PR. Além disso, três intercâmbios, com visitas às cooperativas de crédito de Quilombo, Caçador e Itapiranga, no Oeste catarinense, apoiadas pela Apaco (Associação dos Pequenos Agricultores do Oeste Catarinense). Estes intercâmbios contribuíram para consolidar o projeto de um sistema de cooperativas de crédito independentes e autônomas, geridas pelos próprios agricultores, com crescimento horizontal e inclusão social. Desta forma, em meados de 1995 surge a primeira cooperativa do modelo Cresol, sediada no município de Dois Vizinhos PR, sendo que no mesmo ano foram formadas também, as cooperativas nos municípios de Marmeleiro, Pinhão, Laranjeiras do Sul e Capanema, todas no Paraná. Após a constituição das 5 primeiras cooperativas, sentiu-se a necessidade de criação de uma base de serviços, a qual foi denominada de Base Central de Serviços (Baser), visando

14 13 efetuar a coordenação do processo, dar suporte às singulares nas áreas de formação, normatização, contabilidade, informática e efetuar a interlocução com outras organizações, como bancos, governos e outras entidades da sociedade civil. Em 1998 foram constituídas as primeiras cooperativas do Sistema Cresol nos estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul. A expansão para outros territórios foi resultado da atuação de organizações da agricultura familiar desses estados, que se identificaram com a proposta do Sistema Cresol. Em 2000, a Cresol Baser, por orientação do Banco Central, foi transformada em cooperativa central, com sede em Francisco Beltrão/PR. Em 2004, conforme o princípio da descentralização e crescimento horizontal, foi criada a segunda cooperativa central de crédito, a Cresol Central, com sede em Chapecó/SC, tendo como filiadas as cooperativas do Rio Grande do Sul e Santa Catarina, enquanto a Central Cresol Baser possui como filiadas as cooperativas singulares do Paraná e também de Santa Catarina. [...] o Sistema Cresol pretende ser muito mais do que simplesmente um instrumento para facilitar o repasse de créditos oficiais a agricultores excluídos do sistema bancário. Ele se liga a um conjunto de outras organizações voltadas à promoção de uma agricultura respeitosa do meio ambiente, capaz de gerar renda com base em produtos diferenciados e de contribuir para o fortalecimento das unidades familiares de produção (BITTENCOURT; ABRAMOVAY, 2003, s.p.). A palavra interação, contida na razão social do Cresol, sinaliza que a solidariedade buscada pelas cooperativas se manifesta via um modelo de auto-ajuda que privilegia a autonomia, a descentralização e o equilíbrio entre as partes componentes do Sistema. Por sua vez, o conceito interação solidária expressa a idéia de responsabilidade compartilhada, pela qual o Sistema procura manter as cooperativas num tamanho suficientemente adequado, para que os associados e dirigentes possam acompanhar o seu crescimento e controlar o seu funcionamento. O quadro social do Sistema Cresol é composto exclusivamente por agricultores e agricultoras familiares, que são responsáveis pela administração das cooperativas. Na maioria dos casos, os diretores e conselheiros conciliam o trabalho na propriedade e na cooperativa. Ou seja, ao mesmo tempo em que mantém o vínculo com a atividade rural, estão fazendo a gestão de uma instituição de crédito. Com isso o Sistema visa o fortalecimento do controle social para, mesmo com o seu crescimento, garantir que a gestão das cooperativas fique nas mãos dos agricultores. São os associados e associadas que discutem e definem os rumos do Sistema Cresol, inseridos na dinâmica das organizações da agricultura familiar.

15 14 Para um sistema como o Cresol, é fundamental que haja de fato uma difusão do conhecimento tanto do funcionamento do sistema quanto da inserção deste no contexto regional e nacional, bem como de todo o seu processo de gestão. Atualmente a Central Cresol Baser possui 76 cooperativas singulares distribuídas nos estados do Paraná e Santa Catarina, além de 76 postos de atendimento cooperativo (PAC), atendendo um quadro social de agricultores e agricultoras, nos 372 municípios de sua abrangência.

16 15 3 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA A fundamentação teórica tem por objetivo efetuar revisão bibliográfica e abordar, dentro das possibilidades, os principais estudos já realizados na área em questão, por outros autores. 3.1 Cooperativismo Foi em Rochdale, em 21 de dezembro de 1844 que se originou o cooperativismo através de 27 tecelões e uma tecelã, fundando a "Sociedade dos Probos Pioneiros de Rochdale". Tendo o homem como principal finalidade - e não o lucro, os tecelões de Rochdale buscavam naquele momento uma alternativa econômica para atuarem no mercado, frente ao capitalismo ganancioso que os submetiam a preços abusivos, exploração da jornada de trabalho de mulheres e crianças, que trabalhavam até 16h diárias, e do desemprego crescente advindo da revolução industrial. A constituição naquele momento, de uma pequena cooperativa de consumo no então chamado "Beco do Sapo" (Toad Lane) estaria mudando os padrões econômicos da época e dando origem ao movimento cooperativista. A iniciativa apresentada tornou-se motivo de deboche por parte dos comerciantes, contudo, logo no primeiro ano de funcionamento o "Armazém de Rochdale" já contava com cooperantes. O sucesso dessa iniciativa passou a ser um exemplo para outros grupos. O cooperativismo, desta forma, evoluiu e conquistou um espaço próprio, definido por uma nova forma de pensar o homem, o trabalho e o desenvolvimento social. O movimento cooperativista teve seu início no Brasil em 1847, quando o médico francês Jean Maurice Faivre, adepto das idéias reformadores de Charles Fourier, fundou, com um grupo de europeus, ns sertões do Paraná, a colônia Tereza Cristina, organizada com bases cooperativas. No país, o cooperativismo passou por ciclos distintos, ora apoiado pelo setor público, ora combatido, ora controlado. Contudo, foi o mais importante instrumento para o desenvolvimento rural que os governos puderam contar para organizar o produtor rural e sua produção, o crédito e a renda, transferir tecnologia, processar industrialmente o produto e coloca-lo no mercado. (www.portaldocooperativismo.org.br, acesso em 18/05/2009)

17 16 Com base na Lei 5.764/71, Art. 4 que define a Política Nacional do Cooperativismo e institui o sistema das sociedades cooperativas, pode-se definir: Cooperativas são sociedades de pessoas, com forma e natureza jurídicas próprias, de natureza civil, não sujeitas a falência, constituídas para prestar serviços aos associados. Cooperativa é formada pela união de pessoas, sendo de livre ingresso, por iniciativa própria visando interesses em comum, sejam eles de produção, comercialização, prestação de serviços, objetivando ganhar mais competitividade no mercado. Cooperativa é a união de trabalhadores ou profissionais diversos, que se associam por iniciativa própria, sendo livre o ingresso de pessoas, desde que os interesses individuais em produzir, comercializar ou prestar um serviço não sejam conflitantes com os objetivos gerais da cooperativa. (CRUZIO, 2000 p.13) Conforme definido por Cruzio (2000), as cooperativas são organizações abertas a todas as pessoas, não fazendo diferenciação racial, social, política ou religiosa, bastando que estas estejam dispostas a aceitar as responsabilidades de sócios e aptas a utilizar os serviços prestados. Um fator que diferencia as cooperativas das demais organizações empresárias está no fato da participação ativa do quadro social na tomada de decisões, sendo que cada associado possui o direito de voto de forma igual (um sócio = um voto). cooperativas: Cruzio (2000) expressa claramente sobre o caráter democrático vigente nas As cooperativas são organizações democráticas, controladas por seus sócios, que participam ativamente no estabelecimento de suas políticas e na tomada de decisões. Homens e mulheres, eleitos como representantes, são responsáveis para com os sócios. Nas cooperativas, os sócios tem igualdade na votação[...]. (CRUZIO, 2000, P.28) Uma vez que todos os sócios possuem direito de participação na tomada de decisão, todos também têm responsabilidades sobre esta administração, devendo contribuir no pagamento de possíveis perdas no exercício ou receber sobras em caso de resultados positivos. Nas cooperativas existem órgãos internos que atuam na sua administração, entretanto, a hierarquia é formada da seguinte forma: assembléia geral, sendo órgão de poder máximo, contando com a participação de todos os associados, em seguida pelo conselho fiscal que possui poder fiscalizador e pelo conselho de administração constituído pelos cargos de presidente, vice-presidente, secretário e conselheiros que atuam com base no organograma. A Figura 1 apresenta uma estrutura hierárquica geral para um sistema cooperativo.

18 17 Assembléia Geral dos Sócios (Poder Máximo) Presidente (Associado) (Poder deliberativo) Conselho Fiscal (Associado) (Poderes fiscal e consultivo) Diretor (Associado) (Poder deliberativo) Secretário (Associado) (Poder deliberativo) Função (Contratado) (Poder Executor) Função (Contratado) (Poder Executor) Função (Contratado) (Poder Executor) Função (Contratado) (Poder Executor) Figura 1 Organograma genérico de um sistema cooperativo. Fonte: Adaptado pelo autor. 3.2 Cooperativismo de Crédito As cooperativas de credito são instituições financeiras com o objetivo de propiciar crédito e prestar serviços aos seus associados. Rege-se pelo disposto nas Leis 5.764, de , de , Lei Complementar 130 de , pelos atos normativos emitidos pelo Conselho Monetário Nacional, Banco Central do Brasil e pelo respectivo estatuto social. Quanto sua estrutura podem ser classificadas em cooperativas singulares, Cooperativas Centrais e Federações e Confederações, conforme estabelecido na Lei 5.764/71, art. 6: Art. 6º - As sociedades cooperativas são consideradas: I - singulares, as constituídas pelo número mínimo de 20 (vinte) pessoas físicas, sendo excepcionalmente permitida a admissão de pessoas jurídicas que tenham por objeto as mesmas ou correlatas atividades econômicas das pessoas físicas ou, ainda, aquelas sem fins lucrativos; II - cooperativas centrais ou federações de cooperativas, as constituídas de, no mínimo, 3 (três) singulares, podendo, excepcionalmente, admitir associados Individuais; III - confederações de cooperativas, as constituídas, pelo menos, de 3 (três) federações de cooperativas ou cooperativas centrais, da mesma ou de diferentes modalidades.

19 18 O órgão normatizador das cooperativas de crédito é o Banco Central do Brasil, conforme estabelece a Lei 4.595/64: Art. 9º Compete ao Banco Central da República do Brasil cumprir e fazer cumprir as disposições que lhe são atribuídas pela legislação em vigor e as normas expedidas pelo Conselho Monetário Nacional. Art. 10. Compete privativamente ao Banco Central da República do Brasil: [...] VI - Exercer o controle do crédito sob todas as suas formas; IX - Exercer a fiscalização das instituições financeiras e aplicar as penalidades previstas; X - Conceder autorização às instituições financeiras, a fim de que possam: a) funcionar no País; b) instalar ou transferir suas sedes, ou dependências, inclusive no exterior; c) ser transformadas, fundidas, incorporadas ou encampadas; [...] f) alterar seus estatutos. [...] XI - Estabelecer condições para a posse e para o exercício de quaisquer cargos de administração de instituições financeiras privadas, assim como para o exercício de quaisquer funções em órgãos consultivos, fiscais e semelhantes, segundo normas que forem expedidas pelo Conselho Monetário Nacional;[...] Conforme relatado por Pinheiro (2005, p.27): [...] foi constituída em 28 de dezembro de 1902 a primeira cooperativa de crédito brasileira, na localidade de Linha Imperial, município de Nova Pretópolis (RS): a Caixa de Economia e Empréstimo Amstad, posteriormente batizada de Caixa Rural de Nova Petrópolis. Essa cooperativa, do tipo raiffeisen, continua em atividade até hoje, sob a denominação de Cooperativa de Crédito Rural de Nova Petrópolis.[...] A partir desta cooperativa de crédito foram surgindo tantas outras, sendo que no ano de 1995 no município de Dois Vizinhos no estado do Paraná, foi fundada a primeira cooperativa do sistema CRESOL Sistema de Cooperativas de Crédito Rural com Interação Solidária. Um sistema recente, com princípios inovadores no cooperativismo de crédito rural, trabalhando no desenvolvimento local e sustentável e objetivando a melhoria da qualidade de vida de seus associados, fatores que contribuíram para o rápido crescimento do sistema, espalhando-se pelos três estados do sul do Brasil. 3.3 Auditoria O primeiro relato dos indícios de trabalhos de auditoria foram no antigo Oriente na civilização suméria, em que pessoas guardavam e conferiam bens de outras. Os primeiros indícios da existência de funções de auditoria com o sentido similar ao atual datam de muitos séculos, no tempo da civilização suméria (povo do Antigo

20 19 Oriente, do Vale do Rio Eufrates) em que os proprietários que confiavam seus bens a guarda de terceiros e que conferiam ou mandavam conferir os rendimentos auferidos com as suas atividades econômicas estavam, na verdade, praticando função de auditoria. (MOTTA, 1988, p.13) Almeida (1996) traz um pouco da historia da auditoria. Segundo o autor o surgimento da auditoria se deu pelo crescimento do sistema capitalista após a Revolução Industrial. Com o desabrochar das empresas do grupo do sistema familiar fechado para o sistema de empresa aberta. As empresas começaram a buscar novos mercados, competindo por espaço, assim expandidos tanto o mercado como as próprias empresas. Com esse desenvolvimento, precisaram rever as formas de controles e procedimentos da empresa, visando à redução de custo. Com a expansão, as empresas tiveram que buscar novos recursos, abrindo assim o seu capital social para Bancos e acionistas. Os investidores por sua vez, tiveram a necessidade de informações da empresa sobre os aspectos patrimoniais e financeiros, e com isso as demonstrações contábeis passaram a ter importância para os futuros aplicadores de recursos. As preocupações de fraude contra os investidores exigiam que as demonstrações contábeis fossem analisadas por um profissional independente da empresa e com capacidade técnica reconhecida. Após isso, com a modernização da indústria e início da produção em escala, os proprietários passaram a não mais estar presentes nas operações das fábricas, necessitando então, de certeza que não havia desvios de recursos. Segundo Hernandes (1998) a auditoria consiste em examinar todos os procedimentos utilizados nas empresas para controle, verificando as demonstrações e conferindo se estão de acordo com os princípios fundamentais de contabilidade e se estes estão sendo aplicados uniformemente. A técnica contábil que, através dos procedimentos específicos que são peculiares, aplicados nos exames de registros e documentos, inspeções, e na obtenção de informações e confirmações relacionadas com o controle do patrimônio de uma entidade, objetivar obter elementos de convicção que permita julgar se os registros contábeis foram efetuados de acordo com os princípios de contabilidade geralmente aceitos, e se as demonstrações contáveis deles decorrente refletem adequadamente a situação econômico-financeira do patrimônio, os resultados do período administrativos examinado e as demais situações nelas demonstradas. Franco (1982 apud BECKER, 2004, p.18). Para Franco (2001 p. 26). "Para mensurar a adequação e confiabilidade dos registros contábeis, a contabilidade utiliza-se também de uma técnica que lhe é própria, chamada de

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