UTILIZAÇÃO DE VÍDEO, COMO ESTRATÉGIA DIDÁTICA, EM AULA DE QUÍMICA SOBRE MODELOS ATÔMICOS

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1 UTILIZAÇÃO DE VÍDEO, COMO ESTRATÉGIA DIDÁTICA, EM AULA DE QUÍMICA SOBRE MODELOS ATÔMICOS Priscila da Silva Ramos 1 ; Maria Daiane da Silva Monteiro 1 ; Bruno de Souza Ribeiro 1 ; Rayssa Suane de Araújo Lima 1 ; Arnaldo Rabelo Carvalho 2 ; Marília Gabriela Menezes Guedes 3 e Daniela Maria do Amaral Ferraz Navarro 2 1 Bolsistas do Projeto Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência do Departamento de Química Fundamental da Universidade Federal de Pernambuco; 2 Professor(a) de Química da Escola EREM Martins Júnior; 3 Departamento de Química Fundamental da Universidade Federal de Pernambuco; 4 Departamento de Métodos e Técnicas de Ensino da Universidade Federal de Pernambuco. INTRODUÇÃO Desde muito tempo, a química é vista como uma ciência chata e de difícil compreensão, devido à utilização de cálculos para resolução de problemas específicos e metodologias tradicionais adotadas pelos docentes da área. [1] Desse modo, muitos alunos tratam a química como uma ciência abstrata e sem aplicabilidade, o que resulta em um afastamento desses das aulas de química, antes mesmo de estabelecerem algum contato com essa ciência. [2] Além disso, um dos principais motivos que resultam no desinteresse do alunado são as aulas conteúdistas, ou seja, aquelas em que os professores são os detentores de todo conhecimento e os alunos são agentes passivos no processo de ensinoaprendizagem, absorvendo apenas os conteúdos transmitidos pelo professor. [3] Nesse sentido, a química é vista como uma ciência apenas teórica, o que não é verdade, em que o professor realiza uma série de cálculos metódicos no quadro negro e os alunos exercem o papel de decorarem as fórmulas e a metodologia utilizada pelo mesmo para resolução desses cálculos. É isso que caracteriza o ensino tradicionalista, no qual o centro do processo de ensino-aprendizagem é o professor. [4] É importante destacar, também, a falta de preparação e motivação advinda dos professores de química uma vez que, devido a grande escassez de docentes formados na área, professores de outras áreas assumem o papel de professores de química. Dessa forma, muitos deles acabam passando informações errôneas, não possuem domínio do conteúdo e muito menos conseguem contextualizar o conteúdo abordado em sala de aula, uma vez que desconhecem o lado experimental da química, assim como sua aplicabilidade. [5]

2 Pensando nisso, é de extrema importância destacar a aplicação de recursos didáticos no ensino de Química, uma vez que com a utilização destes, a aula torna-se bem mais atrativa e dinâmica, o que proporciona uma melhor compreensão dos conteúdos pelos alunos, desenvolve sua criatividade, resultando, assim, na construção do conhecimento. Desse modo, a ideia de que a química é uma ciência sem graça e sem utilidade vai sendo desfeita e o raciocínio crítico e reflexivo do aluno vão se desenvolvendo. [6] Neste sentido, o uso de vídeos em sala de aula surge como uma alternativa para auxiliar tanto os professores quanto os alunos no processo de ensino aprendizagem, uma vez que, de forma clara e objetiva, as imagens, os personagens, a narração tendem a deter a atenção dos estudantes. Entender que o recurso por si só não fará milagres é fundamental. O bom aproveitamento do mesmo se dará a partir da sua adequação ao contexto da aula, assim como à metodologia aplicada para sua utilização. [7] O objetivo desse trabalho consiste em avaliar qual a melhor maneira de se utilizar um vídeo numa aula de química sobre modelos atômicos. METODOLOGIA A prática metodológica utilizada dividiu-se em três sequências didáticas e foi aplicada na Escola de Referência em Ensino Médio Padre Machado e na Escola de Referência em Ensino Médio Joaquim Távora localizadas no município de Recife PE, através dos bolsistas do PIBID UFPE. A etapa inicial referente a primeira aula, correspondeu a aplicação de uma dinâmica denominada modelo da caixa no laboratório de química. A dinâmica consistiu em fazer com que grupos de alunos descrevessem as características de um objeto previamente colocado no interior de uma caixa fechada e desconhecida, utilizando apenas o contato com a superfície da caixa e a audição dos ruídos resultantes da movimentação do objeto. Após os grupos concluírem um modelo representativo para o objeto, o mesmo foi revelado. A questão foi refletida com os alunos, com o intuito de demonstrar que na maioria das vezes os modelos apresentam falhas. A partir das conclusões obtidas, introduzimos o assunto de modelos atômicos fazendo uma analogia a dinâmica vivenciada em sala de aula.

3 O segundo momento compreendeu a exposição de um vídeo dinâmico temático na sala de aula com o objetivo de retratar os modelos atômicos mais conhecidos e seus autores. Na Escola Padre Machado o vídeo foi exibido com as luzes da sala de aula acesas, enquanto na Escola Joaquim Távora as mesmas foram apagadas. Desta forma temos as seguintes metodologias aplicadas em cada escola, referentes à terceira etapa da sequência didática: Escola Padre Machado - O vídeo foi aplicado juntamente com um questionário que remetia às principais informações apresentadas no vídeo. A medida que o vídeo era exibido, os monitores do PIBID pausavam o vídeo para que os alunos respondessem as perguntas. Escola Joaquim Távora - O questionário foi aplicado após a exibição do vídeo. Pela inviabilidade de imprimir os questionários, os alunos tiveram que anotar as cinco perguntas em seus cadernos, e em seguida, respondê-las. RESULTADOS E DISCUSSÕES Na primeira etapa da sequencia pedagógica, houve uma participação efetiva dos alunos, onde ao adentrarem em suas conclusões utilizaram um conjunto de ideias e conhecimentos, somados a um senso científico, para elaborar um modelo que representasse o objeto desconhecido. O método utilizado possibilita ao aluno construir uma teoria sobre a realidade a partir da descrição de fenômenos que observa, portanto, esse meio oferece uma aproximação entre o aluno e a vivência do cientista, despertando nele a compreensão e a valoração pela historicidade científica. Quando a caixa foi aberta pelos bolsistas, os estudantes se mostraram satisfeitos, pois a maioria chegou muito próximo do que havia dentro dela, deixando de retratar apenas os detalhes propositais do objeto. Tanto a dinâmica da caixa quanto a discussão que foi feita posteriormente sobre o que é um modelo, serviram para conscientizar os alunos de que os modelos atômicos foram construídos a partir de hipóteses baseadas em conclusões fruto de estudos teóricos ou experimentais, mas que por mais que se aproximem da realidade, não, obrigatoriamente representam o real.

4 No segundo momento, os alunos reagiram de maneiras diferentes em cada escola. Na Escola Padre Machado, todos ficaram atentos ao vídeo, se interessaram em responder a ficha e por várias vezes pediam para que os bolsistas pausassem o vídeo para que eles pudessem anotar informações como nome dos cientistas, características do modelo, etc. Até mesmo os alunos do fundão se mostraram participativos e aqueles que tinham vergonha em perguntar ou pedir para pausar o vídeo, procuraram os colegas para auxiliá-los na resolução do exercício. Na Escola Joaquim Távora, um fato chamou atenção. Enquanto uma média de seis alunos de uma mesma fileira da sala debruçava-se sobre as cadeiras e utilizavam o momento para cochilar, outra parte se deteve em prestar atenção ao vídeo. Em meio a movimentação dos alunos que haviam prestado atenção do vídeo, chamamos a atenção de todos para responder o questionário, inclusive daqueles alunos sonolentos que tinham perdido a exibição do vídeo. Logo, esses alunos que haviam se dispersado na etapa anterior, pediam que o vídeo fosse reexibido, entretanto, deixamos claro que o momento já havia passado e que naquele momento a atividade consistia em responder o questionário com o conhecimento próprio de cada um. Os gráficos 1 e 2 revelam o resultado da avaliação obtido a partir da correção do questionário. O gráfico 1 mostra o rendimento dos estudantes das turmas de 1 ano do ensino médio da Escola Padre Machado e o gráfico 2, o da Escola Joaquim Távora. Gráfico 1. Rendimento das turmas da Escola Padre Machado.

5 Gráfico 2. Rendimento das turmas da Escola Joaquim Távora. Comparando os resultados expostos nos gráficos, do ponto de vista quantitativo, observa-se que o rendimento dos alunos nas duas escolas, em relação ao questionário, não foi tão distinto assim. A maioria dos alunos apresentou um bom rendimento, acertando mais de cinquenta por cento das questões. A diferença no resultado da turma C da Escola Padre Machado pode ser justificada pelo fato de a aula ser a última do dia, onde, geralmente, os alunos já estão cansados e dispersos. No entanto, a resolução do questionário não pode e nem deve ser a única forma de avaliação neste caso, uma vez que os alunos poderiam simplesmente perguntar aos colegas a resposta certa e transcrevê-las. Por este motivo, outros fatores, além do exercício foram levados em consideração, como por exemplo, a participação da turma no decorrer da atividade. Pausar o vídeo para questionar ou responder a questionamentos e deixar o exercício ser respondido durante a exibição do mesmo, aumentaram significativamente a interação entre alunos e destes com o conteúdo da aula. É preciso valorizar as interações que ocorrem durante uma atividade. Segundo Vygotsky, a aprendizagem desencadeia-se entre o sujeito e os outros indivíduos. Ao interagir uns com os outros, os alunos desenvolvem ações relacionadas a zona de desenvolvimento proximal (ZDP) que é onde está centrada a aprendizagem, pois é nela que ocorre o processo de maturação [8]. Assim quanto maior as interações, maior são ações desenvolvidas na ZDP, e consequentemente, maior será o aprendizado.

6 O fato de alguns alunos da Escola Joaquim Távora terem dormido, é bastante corriqueiro em aulas onde se utilizam recursos áudio visual, seja por esta prática ser uma rotina em sua escola, ou pelo mau uso do recurso. Portanto, é necessário que o professor haja como facilitador do processo de aprendizagem, se preocupando com a produtividade da aula e promovendo entre os alunos uma didática diferenciada e objetivada. Ter ciência de como e quando aplicar o audiovisual é essencial, pois, em alguns casos, o tempo de execução deste pode acabar tomando muito espaço numa aula, cansando os estudantes e fazendo com que o conteúdo do mesmo torne-se desinteressante para eles. Sendo assim, as propostas abordadas pelos professores precisam ser previamente pensadas e estudadas para que a utilização de vídeos não se torne algo vicioso, comprometendo assim, o interesse dos alunos. CONCLUSÃO A metodologia de aplicação de vídeos precisa transpassar o assistir. A interpretação das informações, assim como as discussões extraídas dos fatos visualizados é fundamental quando o objetivo é a real aprendizagem dos estudantes. Fazer indagações e promover discussões, à medida que se utiliza um recurso áudio visual, resulta numa maior interação entre alunos e professores e entre aluno-aluno, além de facilitar a construção do conhecimento e consequentemente a compreensão do assunto. É importante que o educador saiba usar a ferramenta pedagógica a seu favor, lembrando que tal ferramenta é complemento da sua aula e jamais pode ser usada para substituí-lo. REFERÊNCIAS [1] COSTA NETO, J.de J.G.da, et al. JORNAL DE QUÍMICA: UMA FORMA MULTIDISCIPLINAR, LÚDICA E CONTEXTUALIZADA DE DESMISTIFICAR A QUÍMICA COMO CIÊNCIA DIFÍCIL E ABSTRATA. Disponível em T1.htm. Acessado em novembro de 2014.

7 [2] LIMA, M. B., LIMA NETO P. de. Construção de modelos para ilustração de estruturas moleculares em aulas de química. Disponível em Acessado em novembro de [3] PIRES, Romulo de Oliveira, et al. Proposta de ensino de química com uma abordagem contextualizada através da história da ciência. Disponível em Acessado em novembro de [4] COSTA,Thiago Santangelo, et al. A Corrosão na Abordagem da Cinética Química. Disponível em Acessado em novembro de [5] VEIGA, Márcia S. Mendes, et al. O ENSINO DE QUÍMICA: algumas reflexões. Disponível em UIMICA.pdf. Acessado em novembro de [6] LIMA FILHO, Francisco de Souza, et al. A IMPORTÂNCIA DO USO DE RECURSOS DIDÁTICOS ALTERNATIVOS NO ENSINO DE QUÍMICA: UMA ABORDAGEM SOBRE NOVAS METODOLOGIAS. Disponível em Acessado em novembro de [7] BRASIL, Robledo de Moraes, et al. ELABORAÇÃO DE VÍDEOS DIDÁTICOS COMO UMA FERRAMENTA NO ENSINO-APRENDIZAGEM DE QUÍMICA. Disponível em Acessado em novembro de [8] LEITE, Cristiane Luiza Köb, et al. A APRENDIZAGEM COLABORATIVA NO ENSINO VIRTUAL. Disponível em 167.pdf. Acessado em novembro de 2014.

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