PARTICIPAÇÃO, A DIFERENÇA QUE VOCÊ PODE FAZER!

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1 1 PARTICIPAÇÃO, A DIFERENÇA QUE VOCÊ PODE FAZER! AUTOR E APRESENTADOR: Cristina Garvil Diretora da Superintendência de Água e Esgotos de Ituiutaba SAE Arquiteta, Mestranda em Engenharia de Produção com Ênfase em Gestão da Inovação Tecnológica e Ambiental Apresentadora do Trabalho: Cristina Garvil Endereço: Rua 33, 474 Setor Sul Ituiutaba-MG - CEP: Telefone para contato: (34) Fax: (34)

2 2 SÍNTESE: A participação EFETIVA dos colaboradores nos trabalho e em equipe é fundamental para os resultados da organização na comunidade. A dificuldade de se conseguir a harmonia nas ações muitas vezes está nas diferenças de pensar e agir de cada ser humano e na sua diversidade cultural. No momento que o colaborador participa de atividades com o mesmo existe a possibilidade de compartilhar competências, experiências e conhecimentos que abrem novos canais de comunicação e identificação de seus componentes. Essa abertura possibilita um relacionamento e enriquecimento diferenciado do dia a dia da sua função. O sistema de gestão da Superintendência de Água e Esgotos de Ituiutaba - SAE oferece atividades para os colaboradores vivenciarem, na perspectiva do seu trabalho, a oportunidade de desenvolvimento de sua vida profissional e pessoal. A da atitude (ação) de cada colaborador é fundamental para o resultado de suas atividades, bem como para sua própria vida. O trabalho mostra quais as ferramentas e práticas gerenciais foram usadas para estabelecer a participação da equipe com o comprometimento da sua atitude individual com o grupo e o resultado do objetivo comum da comunidade. METODOLOGIA: O sistema de gestão está baseado na soma de esforços que se traduz na participação de todos como Pasmore (apud Boyett e Boyett, 1999, p. 83) descreve: Que as pessoas que ajudam a tomar decisões sobre o futuro de suas organizações aprendem a pensar na organização de forma diferente, a manifestar suas opiniões, a lidar com conflitos dentro da equipe tornam-se cidadãos cidadãos ativos, poderosos, bem informados e conscientes. Tendem a melhorar o sistema no qual vivem e trabalham. Para a gestão da Superintendência de Água e Esgotos de Ituiutaba - SAE, a participação é fundamental para mudar como Boyett e Boyett (1999, p. 83) descrevem: A participação torna-se o método obrigatório para implementar a mudança, uma característica essencial a todo processo de mudança. As atividades implantadas na SAE que estão diretamente relacionadas à participação individual, bem como a do grupo, são as seguintes:

3 3 As atividades receberam a nomenclatura sempre relacionada a palavra ação para lembrar que a atitude depende de cada indivíduo para ser efetiva e são as seguintes: ComunicAção: A importância e necessidade de comunicação no tempo real, se criou a ComunicAção. A ComunicAção é uma reunião de uma hora com todos e acontece duas vezes por semana durante uma hora. Existe tempo para o jornal falado com notícias diversas, espaço para parabenizar os aniversariantes, palestras, comemorações e discussões de assuntos de interesse comum, entre outras atividades. Este diferencial de comunicação é o contato mais informal e mais importante entre as áreas estratégica, tática e operacional. É o tempo também é usado pôr estas áreas para pequenos treinamentos, ou para informação sobre os programas internos, reconhecimentos de bom desempenho da equipe, divulgação da performance da autarquia e apresentação de novos funcionários, parceiros ou visitantes. A reunião de ComunicAção é a uma práticas espontânea e participativa que permite que todos compartilhem informalmente, se divirtam e convivam prazerosamente. Fleury e Fleury (2000 p.32) afirmam que o conhecimento precisa circular rápida e eficientemente pela organização e concluem que novas idéias têm maior impacto quando são compartilhadas coletivamente. Na reunião de ComunicAção os resultados confirmam esse pensamento e quando Lawler (apud FLEURY e FLEURY p.180) explica que na formação de equipes ele está convencido de que nada substitui o contato direto, e que a quantidade de contato interpessoal necessária depende do tipo da equipe, para a Equipe SAE o diferencial está justamente neste contato direto freqüente de todas as áreas. Aos poucos esta prática tornou-se a mais significativa para o sistema de gestão e para o fortalecimento da identidade dos funcionários com o seu trabalho e a autarquia. IntegrAção: É uma prática de benchmarking interno que ao mesmo tempo que reconhece a função e o indivíduo valoriza se o grupo, na sua identidade operacional. Quando um novo membro vai ser integrado na equipe ou mesmo entre os membros das diversas áreas que às vezes ficam meses sem visitar setores ou serviços da SAE, foi criada a prática chamada IntegrAção. A proposta é levar grupos de colaboradores para visitar e tomar conhecimento de como e onde estão trabalhando os colegas dos diversos setores da SAE. A visita é feita em período determinado e,

4 4 ao encerramento de cada visita é feita uma confraternização onde os componentes avaliam o programa, bem como a importância de cada setor visitando para desempenho da SAE. Segundo Fleury e Fleury (2000) entre os processos reativos de aquisição de conhecimento e desenvolvimento de competência está a experiência realizada por outros. O colaborador ao entrar em contato com outros campos funcionais podem aprender novas formas de trabalho, valorizar e repensar sua função e o próprio desempenho. Para a prática de IntegrAção são reunidas dez pessoas dos diversos setores, o que já promove a oportunidade de um colega passar algumas horas alegremente descontraídas, conversando e vivienciando a SAE com outros colaboradores e que dificilmente estariam juntos no dia-a-dia. Um outro resultado desta prática foi a visão crítica, para melhorias, onde alguns setores servem de exemplo a ser copiado pelos demais. Todos podem ajudar a todos na melhoria contínua da autarquia. Na visão de um colaborador sobre um setor ou trabalho pode estar a solução de muitos problemas ou até mesmo como evitar outros. ArrumAção: O programa 5S internacionalmente conhecido serviu de base para a prática chamada ArrumAção, A conquista do bem estar. A proposta desta prática é que os ambientes de trabalho estejam sempre produzindo o bem estar de quem se encontra neles e que evite acidentes ou impactos ambientais. A arrumação é a prática de partilhar com os demais colaboradores e comunidade o ambiente agradável e funcional da autarquia. A gerência desta prática é responsabilidade de cada colaborador. A transformação está em conseguir o bem estar com o próprio ser a partir de suas recíprocas influências advindas da relação com o ambiente que o cerca. O colaborador pode desenvolver a arrumação a partir do seu sistema de valores e os do ambiente que trabalha baseado nos princípios do bem estar coletivo e da vida partilhado. Esta prática também se fundamenta na integração do OJT (on-the-job-training) o treinamento no local de trabalho, que Senge (1999 p.33) explica: a aprendizagem mais importante ocorre no contexto do nosso dia-a-dia, nas aspirações que perseguimos, nos desafios com que nos deparamos e nas respostas que produzimos.

5 5 Para a Equipe SAE a busca constante da harmonia alinhou valores e criou maior confiabilidade, enquanto o bem estar promoveu também a concórdia. Para a equipe é cada colaborador e todos ao mesmo tempo buscando a excelência, que extrapola os cinco sensos, e alcançam o bem-estar que é maior que os limites físicos pois se revelam na vida compartilhada. InterAção: A interação é uma prática valorosa que promoveu um grande salto na evolução de toda a equipe da SAE, em todos os sentidos. Ao observar que as visitas em outras empresas proporcionavam experiências únicas, diferenciadas de todo outro tipo de conhecimento, o desafio foi reproduzir esta prática e multiplicá-la a todos funcionários da autarquia. A experiência direta se apresentou então para a equipe SAE uma insubstituível forma de conhecimento. Usando o benchmarking como ferramenta para repensar a própria organização segundo Fleury e Fleury (2000 p.31-32) é baseada na observação das experiências realizadas por outras organizações para o caminho para a aprendizagem organizacional a equipe SAE se desloca em visitas com todos os colaboradores As visitas são divididas em quatro missões de quarenta pessoas, devidamente uniformizadas e com todas as despesas pagas sustentadas pelo processo de treinamento e capacitação. O resultado foi maior que o esperado em todos os sentidos e fortaleceu a equipe de maneira distintiva. Durante a viagem pôde se observar que a evolução dos colaboradores no sentido da identidade com a autarquia resultou na união de esforços e objetivos. A mudança da cultura, a evolução para uma maior flexibilidade, e o entendimento do contexto se mostraram como importantes resultados desta prática que vem se aprimorando e repetindo uma vez por ano. Na operacionalização da autarquia, algumas idéias foram propostas ou melhoradas pela equipe imediatamente no retorno da missão, uma nova comunicação se instalou, no desempenho das funções, enfim a equipe se supera em todos os sentidos a cada missão de InterAção.

6 6 HumanizAção: O programa está baseado em encontros voluntários com entidades beneficentes, e tem como objetivo a partilha do tempo de cada pessoa com os que dependem da dedicação de outros para ter uma vida mais digna e íntegra de ser humano. O programa incentiva o colaborador, como dono de suas ações, poder ajudar voluntariamente os colegas mais necessitados, oferecendo horas de seu trabalho na construção de suas casas ou na separação de material reciclável de sua residência para ser trocado por materiais de construção para ser doado. O desenvolvimento do voluntariado produziu a liberdade do ser e promoveu no colaborador o entendimento do livre arbítrio e do poder de sua decisão como diferencial na sua vida e na dos outros. Ao se sentir servindo desprendidamente, o colaborador fortalece a extensão e compreensão de suas funções e competências. O resultado para a gestão foi colaboradores mais conscientes de seu papel e do seu poder de modificação da realidade que se manifesta no servir ao público e mesmo ao ambiente com mais consciência e compromisso. Esta prática apesar de inspirada na responsabilidade social transcende a ferramenta quando o que se incentiva a partilhar é a própria vida com os demais seres humanos. VisitAção: A visitação é a prática de recepcionar e apresentar a SAE, os seus processos a todos os visitantes, estudantes, cidadãos, parceiros, fornecedores, enfim, todas as pessoas ou organizações que se interessam por conhecê-la O que se tem observado é o resultado positivo que com as visitas de outras organizações ou de outros segmentos são de importância inestimáveis tanto para a autarquia como para cada colaborador e seu desempenho. A prática prevê uma palestra da diretora sobre a missão e visão política e princípios da SAE bem como um vídeo institucional mostrando as áreas de atuação da autarquia e logo após, a visita nas instalações previamente agendadas. Os participantes da prática são as pessoas responsáveis pelas áreas a serem visitadas e colaboradores, que são convidados e que podem participar ouvindo e trocando informações com pessoas que, muitas vezes, dificilmente poderiam ter oportunidade de conversar. Os colaboradores, ao demonstrar suas funções e operações da SAE com transparência, atitude fundamental para o desempenho do setor público, reforçam sua confiança e comprometimento com o desempenho da autarquia.

7 7 Esta prática é o resultado das demais práticas da ação como relata Fleury e Fleury (2000 p.40) à medida que as empresas aprendem como organizar seus próprios recursos podem avaliar as vantagens e desvantagens de buscar novas relações interempresariais. Os autores explicam que os arranjos intra-organizacionais são a base para os demais relacionamentos empresariais. A autarquia é mostrada como bem público e o visitante tem contato. Se percebe participante da organização ao mesmo tempo que compromissado com a defesa do seu próprio patrimônio. CONCLUSÃO: A oportunidade de participação de todos os colaboradores em vários tipos de práticas participativas tem feito a diferença no resultado do sistema da gestão da SAE e tem refletido na sua evolução enquanto autarquia municipal. O comprometimento da equipe leva a SAE a ousar e se integrar com outros municípios da região e formando uma cadeia de valores e vivenciando o seu lema: Um por todos, todos por um. Nós a Serviço da Vida! Referência Bilbiográfica BOYTT, Joseph H. & BOYTT Jimmie. O guia dos gurus: Os melhores conceitos e prática de negócios. Trad. Ana Beatriz Rodrigues e Priscilla Martins Celeste. 4ª Edição. Rio de Janeiro. Campus, Fleury, Afonso e Fleury, Maria Tereza Leme. Estratégias Empresariais E formação de Competências. Editora Atlas, São Paulo-SP, SENGE, Peter: A dança da mudança, 1999, Editora Campos. 3ª Edição, Rio de Janeiro.

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