O USO DA TI COMO FERRAMENTA PARA COLETA DE DADOS: UM ESTUDO SOBRE A COLETA DE DADOS DA FIPE PARA FORMULAÇÃO DO ÍNDICE IPC

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1 O USO DA TI COMO FERRAMENTA PARA COLETA DE DADOS: UM ESTUDO SOBRE A COLETA DE DADOS DA FIPE PARA FORMULAÇÃO DO ÍNDICE IPC Resumo Renato de Moraes Fukuyama (FACEQ) * Teodoro Malta Campos (UNINOVE) ** Este artigo tem a finalidade de estudar como a FIPE - Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas de São Paulo - faz a coleta de dados para formulação do Índice IPC-FIPE, bem como a utilização de ferramentas de Tecnologia da Informação para obter dados mais consistentes e rápidos para divulgação, além de estabelecer um pequeno comparativo entre décadas passadas quando não havia tecnologias de automação de alguns processos utilizados, e assim comparar o desempenho desses períodos. Na metodologia, foi adotada a pesquisa exploratória, em que se utilizou questionário e cruzamento de dados provenientes do site da FIPE. Os dados obtidos indicam que a equiparação de tecnologias recentes proporciona um melhor desempenho em toda estrutura que vai desde a coleta dos dados até o fornecimento deles para a Fundação. Palavras-chave: Coleta de Dados. FIPE. IPC-FIPE. Tecnologia da Informação. Abstract This work aims to study how the FIPE - Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas de São Paulo collected data in order to formulate the index IPC-FIPE. It is also aiming to demonstrate the use of Information Technology tools for data consistency and rapid analysis and to establish a direct comparison between previous decades when few automation technology processes were used, and thus compare the performance between these periods. The methodology that was adopted included exploratory research which used both questionnaires and comparison data from the FIPE site. The data indicates that the use of * Formado em Informática, especialista em Tecnologia educacional pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, MBA em Estratégia Empresarial pela Universidade Nove de Julho, professor da Faculdade Eça de Queirós e Faculdade Sudoeste Paulistano. ** É doutorando em administração no PPGA da Uninove. Tem mestrado em administração obtido no PPGA da Uninove. É professor de cursos de tecnologia voltada para gestão, administração e MBA na Uninove. 1

2 recent technologies provides better performance across different structures, in both the supply and the collection of new data. Keywords: Data Collection. FIPE. IPC-FIPE. Information Technology. 1 Introdução Atualmente existem diversas maneiras de se executar uma coleta de dados, com várias metodologias disponíveis, em todas elas há a necessidade de se fazer o seu devido armazenamento, podendo ser da maneira tradicional, o papel, em que temos uma série de desvantagens como deterioração de material, grande volume físico, dificuldade de se manipular os dados, por exemplo, e os meios digitais, através do uso de ferramentas de Tecnologia da Informação (TI). Observa-se que o uso de certas tecnologias, como os sistemas ERP (Enterprise Resource Planning) proporcionam um aumento na velocidade de execução de tarefas rotineiras, além de se evitar desperdícios e principalmente minimizar erros operacionais (SACOLL et al., 2002). McGee e Prusak (1994) afirmam que o uso da TI não deve ser enxergado como um solucionador de todos os problemas, mas sim uma ferramenta que está disponível para melhor conduzir a resolução deles. Diante dessa afirmação, podemos enxergar o uso da TI como uma ferramenta que pode aperfeiçoar alguns processos na condução de uma pesquisa de campo, a fim de reduzir o tempo gasto do registro à análise dos dados coletados. Pesquisas de campo para captação de dados de preços no mercado de varejo são amplamente utilizadas por diversos setores de pesquisas para obtenção de variações de mercado. A maioria dessas pesquisas implicava em deslocamento de uma região para outra, transporte de pessoal e equipamentos para a coleta de dados, em seguida havia a necessidade de concentrar todos esses dados em um único lugar, digitalizá-lo e em seguida fazer a tabulação e consequente análise. Atualmente existem diversas tecnologias disponíveis capazes de executar essas tarefas. O mercado de tecnologia da informação em hardware, com o passar dos anos, vem se convergindo principalmente em dispositivos móveis (mobile). Podemos observar a evolução desses dispositivos no que se refere à computação, cronologicamente como: PDA's, Smartphones, e mais recentemente Tablets (em que se agregam diversos recursos computacionais e de telefonia). Essa característica de mobilidade é de grande valia quando 2

3 falamos de pesquisa de campo, em que o deslocamento geográfico é constante e a utilização do recurso de telecomunicação, como redes 3G, é de suma importância para atualização de dados de forma online e principalmente para consistência de dados. Nesse contexto surge o interesse por esse estudo, a utilização da Tecnologia da Informação como ferramenta de coleta de dados, de forma que os principais problemas a serem abordados são: Como a FIPE articula a coleta de dados para análise com uso de ferramentas computacionais? E Como a consistência desses dados influencia na geração do índice IPC-FIPE? O presente artigo é dividido em: Referencial Teórico em que são apresentados os temas Tecnologia da Informação, dispositivos móveis, arquitetura cliente/servidor, um breve histórico sobre a FIPE e como é formulado o índice IPC-FIPE; Método de Pesquisa; Dados; Comparações de Desempenho nos anos 90 e atual; e seguidas das considerações finais. 2 Referencial Teórico 2.1 A Tecnologia da Informação A Tecnologia da Informação, aqui identificada pela sigla TI, tem desempenhado uma tarefa crucial para o alcance dos objetivos das instituições (ALAVI & JOACHIMSTHALER, 1992; BERGERON, BATEU & RAYMOND, 1991). O crescente desenvolvimento tecnológico tem tido um enorme impacto nos diversos setores da economia. Dessa maneira há uma crescente necessidade de se buscar alternativas tecnológicas mais adequadas às diversas rotinas (automatização de processos) a fim de alcançar um melhor desempenho. Para entendermos melhor como funcionam os mecanismos da TI, temos que observar que ela é composta por uma série de itens como pessoas, hardware, software, dados e telecomunicações. Para Rezende (2008), a TI não pode ser entendida como uma parte isolada, alheia às empresas, ela deve envolver sempre todo o negócio e fazer parte dele, e não ser simplesmente computadores ou softwares, embora existam empresas que usam um determinado tipo de tecnologia como motor para os seus negócios como é o caso da telecomunicação, mais especificamente em dispositivos móveis, que será tratado logo a seguir. 3

4 2.2 Dispositivos Móveis Dispositivos Móveis são aparelhos versáteis, que atualmente possuem capacidade de comunicação sem fio, seu processamento e armazenamentos são menores se comparados a computadores desktops, por exemplo. Nessa categoria encontramos netbooks, smartphones, tablets e os já obsoletos PDA s(personal digital assistants), mostrados da Figura 1. Antigamente (início dos anos 2000), os dispositivos móveis mais comuns para coleta de dados eram os PDA s (Personal digital assistants). Com o processo natural de evolução tecnológica, esse tipo de aparelho se tornou obsoleto, tendo como principal substituto os smartphones e tablets, que são dispositivos que integram o serviço de telefonia celular, internet e computação móvel, há de se notar também a presença de GPS, câmera digital, sensores de movimento, bússola, entre outros. Esses dispositivos são utilizados, além de computador móvel pessoal, como coletores de dados, pois sua facilidade de conexão com a internet permite que sejam utilizados servidores remotos para sincronização de dados, para posterior análise, sendo um sistema que reduz o risco de perda de dados por roubo do dispositivo ou mesmo mau funcionamento. Em síntese, podemos afirmar que esses dispositivos vêm ocupando um grande espaço tanto no que se refere a uso profissional quanto doméstico, seus sistemas operacionais na grande maioria são Android, sistemas de código aberto ou ios de propriedade da gigante de tecnologia Apple. FIGURA1 Tipos de dispositivos móveis Fonte: Elaborado pelo autor 4

5 2.3 Arquitetura cliente servidor A maioria das aplicações existentes na internet utiliza a arquitetura cliente-servidor, essa arquitetura funciona baseada na idéia de que na rede mundial de computadores existem dois tipos de equipamentos: aquele que fornece o serviço (servidor) e aquele que faz as solicitações desse serviço (cliente), como mostrado na FIGURA 2. Nesse caso o cliente é qualquer software que faz a conexão com um serviço pela internet, como exemplos temos os browsers Internet Explorer ou Google Chrome do outro lado, temos o serviço propriamente dito, como os servidores de , servidores de armazenamento de dados, etc. As principais vantagens nesse tipo de arquitetura de funcionamento (SALEMI, 1993) podemos observar a seguir: - Maior nível de confiabilidade: se um dos dispositivos da rede apresentar algum problema, parte do sistema continuará em funcionamento; - Capacidade de processamento: este tipo de arquitetura provê meios para que as tarefas sejam feitas sem a monopolização dos recursos; - Usuários finais podem trabalhar localmente; - O sistema cresce facilmente: na maioria dos casos é possível realizar atualizações no próprio servidor, com isso é mais fácil fazer um upgrade remoto; - O Cliente e o Servidor possuem ambientes operacionais, com isso, uma mesma rede de computadores (o que acontece com a internet) pode se misturar com várias plataformas para atender às necessidades individuais de diversos usuários. FIGURA 2 Arquitetura Cliente/Servidor Fonte: Elaborado pelo autor 5

6 2.4 Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (FIPE) A FIPE foi fundada em 1973 inicialmente para assessorar o Departamento de Economia da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo (FEA-USP). Suas atribuições sempre foram ligadas ao ensino e atividades acadêmicas como pesquisa. Atualmente a FIPE tem como objetivo estudar a sociedade brasileira no que se refere a fenômenos econômicos, e a partir disso, propor soluções econômicas e sociais sustentáveis, além de avaliar a importância de políticas públicas econômicas para o fortalecimento do sistema produtivo, o aumento da competitividade do país, a melhor distribuição da renda e a eliminação da pobreza (FIPE, 2013a). Dentre as atividades da FIPE, destacam-se a formulação de tabelas de preços de automóveis, TABELA FIPE, os índices de preços de imóveis anunciados, ÍNDICE FIPEZAP, o indicador da evolução do custo unitário de prestação de serviços de asseio e conservação no Estado de São Paulo, IPCA, o indicador da evolução do custo dos serviços prestados pelas empresas de segurança privada no Estado de São Paulo, IPSEG, o Indicador de Liquidação Antecipada que é calculado com base no histórico de liquidações antecipadas de contratos de financiamento de veículos dos bancos Bradesco, Itaú, Santander e Votorantim, ILA, e o índice de Preços ao Consumidor do Município de São Paulo, IPC, no qual este estudo está pautado. 2.5 O índice IPC-FIPE É um índice calculado desde 1939 na cidade de São Paulo, e tem como objetivo formular um indicador da evolução do custo de vida das famílias na cidade de São Paulo. De 1968 a 1973 a coleta de dados para formulação desse índice esteve a cargo do IPE Instituto de Pesquisas da USP, em 1973 ficando a cargo da FIPE. A metodologia para o cálculo do IPC-FIPE é basicamente a mesma desde os anos 70. A coleta é realizada diariamente é feito um comparativo das variações dos preços médios das últimas quatro semanas. Assim, são apresentadas prévias, chamadas de variações quadrissemanais. Semanalmente é divulgado para a imprensa o resultado do índice de variação do custo de vida das famílias de São Paulo, sendo compreendidas nessa variação as pessoas que possuem renda de 1 até 20 salários mínimos. (FIPE, 2013b). 6

7 O índice IPC-FIPE é apresentado em forma de percentual, em muitas ocasiões é divulgado para imprensa um comparativo de anos anteriores como mostrado na FIGURA 3. FIGURA 3 Índice percentual FIPE 3 Métodos de Pesquisa Azevedo (1999) mostra que o tema de um trabalho deve ter relevância social e científica, o qual está ao alcance do pesquisador e com áreas novas a explorar. A presente pesquisa tem o objetivo de identificar como a FIPE faz coletas e análises de dados para formulação do índice IPC, tendo em vista que o assunto tem um impacto social direto, pois estamos tratando de uma coleta que resultará em um índice de inflação na cidade de São Paulo, porém nesse estudo nota-se um foco maior nas ferramentas tecnológicas utilizadas para essa coleta. A pesquisa desenvolvida é a exploratória, este tipo de pesquisa envolve: (a) levantamento bibliográfico; (b) entrevistas com pessoas que tiveram experiências práticas com o tema pesquisado; e (c) análise de exemplos que estimulem a compreensão (GIL, 2007). As entrevistas foram efetuadas com profissionais das áreas Financeira e de Tecnologia da Informação, tendo em vista que ambos mantém parceria com a FEA - Faculdade de Economia Administração e contabilidade da Universidade de São Paulo (USP) - e que trabalham em projetos ligados ao IPC-FIPE. 7

8 A fim de obter informações consistentes de como funciona todo o processo de coleta e análise, foram elaboradas questões para que se entendesse o contexto e a evolução da coleta com o passar dos anos, observando o desenvolvimento tecnológico e a situação econômica do país. As perguntas foram divididas em 2 blocos, Tecnologia e Economia, como mostrado na TABELA 1. A primeira envolve aspectos que estão ligados diretamente com a Tecnologia da Informação, mais precisamente as ferramentas envolvidas no processo de coleta, e o segundo item nas áreas do setor de economia que lidam diretamente com os dados obtidos para a análise, onde segundo Bardin (1977, p. 42), a análise de conteúdo compreende: [...] um conjunto de técnicas de análise das comunicações, visando obter, por procedimentos, sistemáticos e objetivos de descrição do conteúdo das mensagens, indicadores (quantitativos ou não) que permitem a inferência de conhecimentos relativos às condições de produção/recepção (variáveis inferidas) dessas mensagens. TABELA 1 - Entrevista Tecnologia - Como foi a evolução da informatização (s software) da coleta de dados? - Como e quando foram implantados os dispositivos móveis na coleta de dados? - Houve modificações da metodologia aplicada na coleta e análise de dados nos últimos anos? Quais foram as mais significativas? - Nos últimos anos houve aumento ou diminuição considerável no número de pessoas envolvidas em campo? Economia - - Como era feita a coleta e análise de dados no início dos anos 90 (na época da alta inflação)? -- - Como é feita a análise dos dados atualmente? - Existe um ponto da análise onde ela é efetuada de forma automática? Fonte: Elaborado pelo autor 8

9 As informações obtidas através dos questionários citados foram complementadas com informações apresentadas em mídias impressas e virtuais, assim como o homepage da própria FIPE. 4 Dados 4.1 Dados da Metodologia de coleta de dados Existem basicamente dois grandes grupos de pesquisa, as pesquisas do tipo qualitativo e as pesquisas do tipo quantitativo (MALHOTRA, 2001). A FIPE utiliza o tipo de pesquisa de característica quantitativa, que é uma pesquisa estruturada, com uma amostragem de grande abrangência e considerada conclusiva. Os dados são levantados em diferentes estabelecimentos, como supermercados de vários portes e feiras, por exemplo, nesse sentido é utilizado o método de observação, que segundo Malhotra (2001) e Aaker et al. (2001), registra sistemicamente os padrões de objetos e eventos para obter informações sobre o fenômeno de interesse, que no caso são os preços de determinadas mercadorias. Os dados são coletados semanalmente na seguinte sequência: o entrevistador X tem o estabelecimento A e B na semana 1, C e D na semana 2, E e F na semana 3, G e H na semana 4 e assim sucessivamente. Os produtos a serem pesquisados são os mais variados e são confrontados com preços de várias regiões da cidade de São Paulo. A FIPE utiliza em média 8 pesquisadores de campo, distribuídos geograficamente como mostrados da FIGURA 4. FIGURA 4 Distribuição geográfica dos pesquisadores 9

10 Fonte: elaborado pelo autor 4.2 A TI no auxílio da Coleta e Análise de dados No início dos anos 90, o Brasil estava passando por um momento turbulento no que se refere as taxas inflacionárias, e a cidade de São Paulo acompanhava esse mesmo problema. A FIPE tinha a preocupação de fazer a coleta correta para analisar esse índice, porém havia alguns entraves, como a limitação tecnológica inerente a época, que resultava em uma falta de precisão dos dados, deficiência fundamentalmente ocasionada pelo fato dos registros serem efetuados em papel, que além do problema físico (deteriorar-se, perder-se) era recorrente a falha operacional, pois o pesquisador poderia errar no registro. Foi observado que os problemas maiores eram ocasionados devido ao tempo gasto para a pesquisa, pois a FIPE contava com processos e procedimentos manuais, demandando 10

11 muito tempo para a análise. Destacaram-se uma série de itens que favoreciam esse problema, tais como: - Distribuição das áreas por entrevistadores realizadas manualmente; - Supervisores das áreas imprimiam os materiais de coleta para os pesquisadores; - Cerca de páginas eram gastas por semana; - Entrevistadores coletavam os preços no papel e entregavam o material preenchido para seus supervisores; - Supervisores entregavam os materiais para os digitadores que incluíam os preços, possibilitando erros de digitação e escrita; - Supervisores realizavam uma crítica dos preços inseridos, comparando a média geométrica dos preços do mês anterior com o mês atual, emparelhados por estabelecimento, onde os maiores relativos eram analisados para serem excluídos se fosse detectado erro de digitação. Conforme Gonçalves (2000, p.7) processo é qualquer atividade ou conjunto de atividades que toma um input, adiciona valor a ele e fornece um output a um cliente específico. Davenport (1994, p.7) afirma que um processo é uma ordenação específica das atividades de um trabalho no tempo e no espaço, com um começo, um fim, e inputs e outputs claramente identificados: uma estrutura para a ação, esses processos foram revistos e mapeados, para que o sistema tivesse não só mais consistência como também uma velocidade de coleta e análise compatíveis com a evolução econômica. Nesse sentido houve a necessidade latente de se desenvolver processos, utilizando de forma eficaz a TI, além disso, a grande inovação que aconteceu baseada em TI foi com a introdução da Internet. De Sordi (2008, p.97) afirma que: [...] a padronização de interfaces homem-máquina no ambiente Internet facilitou a coleta e a entrega de informação em qualquer localidade, atendendo públicos abrangentes de usuários, independentemente de restrições de plataformas tecnológicas. Este cenário estava propício para introduzir dispositivos móveis em substituição aos processos manuais (papéis). Neste período, que compreende os anos 2000, a FIPE introduziu a utilização de PDA's para coleta, porém ainda não havia a integração necessária com a internet, pois esses dispositivos não contavam com redes de conexão wi-fi e tão pouco com as tecnologias de internet que temos hoje como o 3G ou 4G. Com a evolução tecnológica natural o projeto mais recente utiliza tablet s, que são equipamentos mais eficientes para coleta, pois dispõe de um display maior do que os antigos 11

12 PDA's, que segundo Friedman (1997) a implementação de tecnologias modernas não devem ter apenas foco em funcionamento da máquina em si, mas principalmente como ela interage com seu utilizador, e nesse sentido o display maior embora possa ser apenas um detalhe estético é fundamental para a interação com o pesquisador, que terá maior facilidade em incluir os dados, como mostrado na FIGURA 5. Além disso, esses dispositivos possuem tecnologia de redes wi-fi e sistema 3G, que permite conexão com redes sem fio. Outro item importante que se nota nesses dispositivos é que ele utiliza o sistema operacional Android 2.2, a opção por esse tipo de equipamento se deve principalmente à sua popularização, o que facilita a manutenção e desenvolvimento de sistemas futuros. FIGURA 5 Comparativo de displays Fonte: Elaborado pelo autor Na prática o pesquisador faz toda a coleta de forma offline, ao inserir os preços nos dispositivos é realizado uma pré-crítica dos valores comparando com a média geométrica do mês anterior, evitando erros de digitação, se o preço estiver muito fora da normalidade o pesquisador insere uma observação de PM para promoção ou PC para preço correto. Após a coleta ser efetuada ele deve conectar a uma rede wi-fi para conectar-se a internet, na própria interface do sistema, que é um sistema baseado na arquitetura Cliente/Servidor. Ele clica em sincronizar, direcionando os dados por webservice até a base de dados, como mostrado na FIGURA 6 e ao receber o material o sistema realiza uma validação e faz uma checagem se todos os dados realmente foram enviados, ao finalizar a checagem o sistema deleta do tablet os dados enviados. Outra checagem verifica se todos os produtos foram coletados, se sim, o pesquisador recebe a próxima semana e deleta a antiga. 12

13 FIGURA 6 Arquitetura cliente/servidor, sistema webservice Fonte: Elaborado pelo autor 5 Comparações de Desempenho anos 90 e atual Tendo em vista as ferramentas de TI implementada ao longo dos anos, podemos estabelecer uma comparação de como era feita a pesquisa nos anos 90 e início dos anos 2000 com os tempos atuais, no que se refere a pessoal envolvido e tempo demorado para coleta, como mostrado na TABELA 2. TABELA 2: Comparativo Pessoal envolvido Numero de etapas até análise dos dados. Erros comuns Anos 90 - início dos anos Atualmente Mais de 16 pesquisadores de 8 pesquisadores e 2 supervisores campo, 6 digitadores e 5 supervisores Falha no registro no papel; - Falha na conversão de medidas, Kg para gramas por exemplo; - Falha na digitação; - Demora na divulgação para imprensa. Não observado. 13

14 6 Considerações Finais Com esse estudo foi possível observar o quanto a FIPE se preocupa com a melhoria contínua em seus processos, e que entende que esses processos são muito mais consistentes e confiáveis quando implementadas ferramentas de TI atuais, além de acompanhar tendências para continuar mantendo todo o sistema funcionando e facilitar a implementação de novos sistemas. A comparação de como eram feitas as pesquisas nos anos 90 e anos 2000, mostra que sempre houve a preocupação em alinhar a pesquisa com ferramentas computacionais, desde a implementação dos PDA S, até os recentes Tablet s equipados com sistema operacional Android conectados a uma rede sem fio para sincronizar os dados com um servidor remoto. A consistência dos dados é fundamental para manter informações precisas e principalmente rápidas em sua divulgação, falhas humanas sempre dificultam o trabalho de qualquer coleta e a ideia é automatizar o máximo possível os processos, para que a análise dos dados seja mais rápida e com menor índice de erro, no que tange valores econômicos. Em trabalhos futuros pode-se investigar se a instituição de pesquisa utiliza, ou tem a intenção de fazer uso de ferramentas de inteligência corporativa para ajudar na consistência dos resultados obtidos. Vale ressaltar que o presente trabalho tinha a intenção de analisar apenas como a FIPE faz suas pesquisas e como utiliza a TI para obter melhores resultados, e como os mesmos auxiliam na consistência dos dados obtidos, por isso fez-se necessário estabelecer um comparativo com décadas passadas. Referências bibliográficas AAKER, D. A; KUMAR, V. et al. Pesquisa de marketing. São Paulo: Atlas, AZEVEDO, Israel Belo de. O prazer da produção científica. 7. ed. Piracicaba: UNIMEP, BARDIN, Laurence. Análise de conteúdo. Edições 70, CAMPBELL, B. J. Understanding information system: foundations of control. Massachusetts: Wintrop Publishes,

15 DAVENPORT, Thomas H. Reengenharia de processos. Trad. Waltensir Dutra. Rio de Janeiro: Campus, DE SORDI, José Osvaldo. Gestão por Processos: uma abordagem da moderna administração. 2ª. Ed. São Paulo: Saraiva, FIPE 2013a. Disponível em: < > Acesso em: 09/03/2013. FIPE 2013b. Disponível em: < r> Acesso em: 09/03/2013. FREITAS, H.M.; BECKER, J. L.; KLADIS, C. Informação para a decisão. Porto Alegre: Ortiz, FRIEDMAN, B. Human values and the design of computer technology. Cambridge: Cambridge University Press, GIL, A. C. Como elaborar projetos de pesquisa. 4. ed. São Paulo: Atlas, GONÇALVEZ, José Ernesto Lima. As empresas são grandes coleções de processos. In: REA Revista de Administração de Empresa. São Paulo: vol. 40, N.1, p. 6-19, Janeiro-Março LAKATOS, Eva Maria; MARCONI, Marina de Andrade. Fundamentos de metodologia científica. São Paulo: Atlas, MALHOTRA, N. K. Pesquisa de Marketing: uma orientação aplicada. 3. ed. Porto Alegre: Bookman, MCGEE, J. V.; PRUSAK, L. Gerenciamento estratégico da informação: aumente a competitividade e a eficiência de sua empresa utilizando a informação como uma ferramenta estratégica. Rio de Janeiro: Campus, O`BRIEN, J. A. Sistema de informação e as decisões gerenciais na era da internet. São Paulo. Tradução da 9a ed. São Paulo: Editora Saraiva, REZENDE, D. Tecnologia da informação aplicada a sistemas de informação empresariais: o papel estratégico da informação e dos sistemas de informação nas empresas. 5 ed. São Paulo: Atlas, SACCOL. A.; MACADAR, M. A.; LIBERALI, G.; PEDRON, C.; CAZELLA, S. O. Algum tempo depois... como grandes empresas brasileiras avaliam o Impacto dos sistemas ERP sobre suas Variáveis Estratégicas. Anais do 26º Encontro da ANPAD. Salvador (BA), Set/2002. SALEMI, Joe. Banco de Dados Cliente/Servidor. IBPI Press,

16 STAIR, Ralph M. Princípios de sistemas de informação uma abordagem gerencial. LTC Editora. Rio de Janeiro, TAPSCOTT, D. Economia digital: promessa e perigo na era da inteligência em rede. São Paulo: Makron Books

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