Palavras-chave: Recursos hídricos; participação comunitária.

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1 Título: Recursos Hídricos: a participação social como requisito para o financiamento de projetos Tema: Recursos Hídricos Autora: Luciana Cibelle Araujo dos Santos Co-autoras: Marize Castro e Isabela dos Reis Responsável pela Apresentação do Trabalho: Luciana Cibelle Araujo dos Santos Assistente Social da CPRM - Serviço Geológico do Brasil (SGB).Mestra em Serviço Social pela UFPE, Coordenadora das Ações Sociais do Projeto PROALUV/ SGB Superintendência Regional de Recife. Endereço: Avenida Sul, 2291 Afogados / Recife PE. CEP: Fone: (81) R-205 Fax: (81) Palavras-chave: Recursos hídricos; participação comunitária.

2 Título: Recursos Hídricos: a participação social como requisito para o financiamento de projetos Autora: Luciana Cibelle Araujo dos Santos Co-autoras: Marize Castro e Isabela dos Reis Introdução Historicamente a questão da participação social sempre se fez presente na agenda pública governamental - excetuando-se os períodos ditatoriais - ocupando lugar de destaque, seja para a manutenção do status quo em governos de base populista; seja como um instrumento de transformação das condições de sobrevivência, das populações mais pobres. Trata-se de um tema que nos leva a refletir sobre o papel que ocupa a população na tomada de decisões, sobretudo acerca das políticas públicas a ela endereçadas. No Brasil, a Constituição de 1988, em seu Art. 14, faz menção à soberania popular, através do sufrágio universal e do direito ao voto. Há uma ampliação do controle social com a garantia do direito à participação popular na gestão e fiscalização dos recursos públicos nas mais diversas esferas políticas, e que aparecem de forma bastante clarificada no capítulo que trata da seguridade social - saúde, previdência e assistência social. No que se refere à gestão de recursos hídricos os anos 80 demarcam no Brasil a incorporação da discussão sobre a necessidade de mudanças no setor, sobretudo visando por em prática as recomendações da Conferência das Nações Unidas sobre a Água, realizada em Mar del Plata, no ano de 1977, que já apontava a nível internacional para o surgimento de uma demanda pela modernização e pela gestão participativa dos recursos hídricos. Destacam-se também, a Carta de Salvador (1987) e a Carta de Foz do Iguaçu (1989), como documentos que delineiam os princípios básicos da Política Nacional de Recursos Hídricos (PNRH), onde aparecem de forma objetiva e clara os fundamentos para a implantação de uma gestão descentralizada, com participação das comunidades envolvidas. Além disso, temos ainda como referência a Declaração de Dublin (1992), que traz como um dos seus princípios: que o desenvolvimento e a gestão da água devem ser baseados na participação de todos, quer sejam usuários, planejadores e decisores políticos. A PNRH Lei 9.433/97 estabelece o Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos, no qual a participação de usuários e sociedade civil é garantida em todos os plenários por ele constituídos, desde o Conselho Nacional de

3 Recursos Hídricos até os Comitês de Bacias Hidrográfica, a fim de legitimar decisões e possibilitar a implementação e o controle social das ações. Ou seja, a exigência de participação popular na implementação de planos, programas e projetos voltados à implantação de sistemas de abastecimento d água e gerenciamento de recursos hídricos encontra respaldo na lei e assume lugar de destaque, como condição sine qua non, por parte das agências financiadoras de políticas institucionais para a área. Neste sentido cumpre-nos apresentar neste trabalho duas experiências de desenvolvimento de projetos de pesquisas de água subterrânea, desenvolvidos pela CPRM/SGB, onde a intervenção social com participação comunitária foi a condição exigida pelos agentes financiadores para a liberação de recursos. A CPRM Serviço Geológico do Brasil, empresa pública vinculada ao Ministério de Minas e Energia, responsável pela geração de levantamentos geológicos e hidrológicos básicos no território nacional, tem na pesquisa técnica a sua principal atividade. O desenvolvimento de projetos de pesquisa com intervenção social assume caráter desafiador e inusitado, uma vez que a empresa não tem como missão a execução de ações sociais dentro dos seus projetos. A experiência é recente e conta com o desenvolvimento de dois projetos da área de Recursos Hídricos voltados para a pesquisa de alternativas viáveis de disponibilidade de água subterrânea para populações residentes na região do semiárido nordestino. Ambos com financiamento externo, onde o desenvolvimento de uma área social para interface direta com a população, foi condição básica para a aprovação das propostas. Desenvolvimento A primeira experiência da CPRM de desenvolvimento de um projeto de pesquisa com intervenção social junto às comunidades foi vivenciada a partir de um acordo de cooperação técnica internacional para transferência de tecnologia entre o Brasil e o Canadá. O Projeto Água Subterrânea no Nordeste do Brasil (PROASNE) foi financiado com recursos da União e da CIDA Agência de Desenvolvimento Internacional Canadense, através dos Serviços Geológicos dos dois países. A CIDA exigiu da CPRM, já na concepção da proposta, que um dos eixos principais do projeto fosse a intervenção social, com destaque para as questões de gênero. A pesquisa tinha como foco, o estudo sobre a ocorrência de água subterrânea em rochas cristalinas e as formas possíveis de captação dessa água para abastecimento de pequenas comunidades rurais no semi-árido. Além da pesquisa técnico-científica, havia a possibilidade de investimento em pequenas

4 obras comunitárias para a melhoria das condições de vida dessas populações no que se refere ao acesso à água e aos seus usos. Atualmente a empresa desenvolve o projeto de pesquisa de Caracterização Regional das Aluviões do Semi-árido Nordestino (PROALUV). Ele visa caracterizar os aqüíferos aluvionares, objetivando o aproveitamento destes para a implantação de barragens subterrâneas em pequenas comunidades rurais, que possam garantir o acesso da população à água para os mais diversos usos, sobretudo durante os períodos de estiagem. Este projeto é desenvolvido através de um convênio com a FINEP Financiadora de Estudos e Projetos, que também exigiu da CPRM o desenvolvimento de ações sociais junto às comunidades residentes nas localidades onde as barragens fossem locadas. Para a implementação de ambos os projetos, a empresa teve a necessidade de contratar profissionais de serviço social, realizar parcerias com outras instituições governamentais e não-governamentais com experiência de trabalho comunitário, para que a área social pudesse se desenvolver e dar respostas às demandas postas tanto pelos agentes financiadores, como principalmente pelas populações. As atividades desenvolvidas pela área social dentro dos projetos são realizadas em várias etapas diferentes e interdependentes entre si, que vão desde o levantamento de dados da realidade vivenciada nas comunidades através de diagnóstico sócio-econômico-cultural; atividades de educação ambiental e uso racional da água; até o apoio à criação e/ou fortalecimento de associações comunitárias que possam co-participar do gerenciamento dos recursos hídricos já existentes e/ ou disponibilizados a partir da implementação dos projetos. Para tanto, um trabalho de mobilização e organização, monitoramento e avaliação comunitária se dá desde o primeiro momento em que a equipe social entra em contato com as comunidades. Resultados Alcançados Os resultados obtidos com o desenvolvimento destes projetos têm sido ainda incipientes, sobretudo porque os desafios postos pela realidade são grandes, principalmente no trato com comunidades rurais do semi-árido nordestino que ainda têm como marca uma cultura clientelista muito presente no seu cotidiano. Historicamente as comunidades são chamadas a se mobilizar /organizar e a participar de planos, programas e projetos sociais que têm como propósito o atendimento de necessidades imediatas. Que não as levam a uma mudança real e concreta de suas vidas. Concorre ainda para isto, por parte dos gestores públicos locais, a falta de investimentos em infra-estrutura básica, saúde, educação, trabalho

5 e renda. Quando há investimentos, estes na maioria das vezes estão atrelados a uma relação político-partidária das comunidades com o poder local instituído. Ou seja, o critério de investimentos vincula-se ao maior ou menor apoio das comunidades à gestão local. Apesar das adversidades, destacam-se os resultados alcançados junto às comunidades durante o processo de implementação dos projetos, na medida em que a população é envolvida e passa a assumir parte da responsabilidade que lhes cabe, com vistas à continuidade das ações, mesmo após o término dos projetos e a saída da equipe técnica do campo. Entretanto, a CPRM não teve ainda a possibilidade de acompanhar as comunidades beneficiadas pelo PROASNE/Canadá-Brasil, o qual foi finalizado em 2003, para saber o que de fato ocorreu nas comunidades após o fim do projeto. Uma das questões que parece merecer atenção diante da exigência dos agentes financiadores por participação popular nos projetos é a adequação entre tempo cronológico, recursos financeiros e o tempo da comunidade, os quais nem sempre são possíveis de equilibrar para se ter retornos mais positivos no sentido do desenvolvimento sustentável. Principalmente, se se depara com áreas onde a população é totalmente desmobilizada e desorganizada. Nestes casos, a maior contribuição parece ser a articulação de parcerias com outras entidades que queiram e possam assumir os projetos; e, a garantia de informação, para que as comunidades possam refletir de modo mais crítico sobre as possibilidades de melhoria das suas condições de vida. Internamente, no que se refere a resultados positivos apontamos o surgimento de um processo de transformação interna dentro da CPRM no que se refere à concepção e execução dos projetos técnicos, uma vez que estes passam a ter como meta o atendimento de necessidades mais concretas para a sociedade; à possibilidade de avanços no sentido da formação interna de equipes multiprofissionais para atuar nos diversos campos de pesquisa em que a empresa trabalha; e, ao estabelecimento de parcerias internas e externas, contribuindo sobremaneira para a qualidade dos trabalhos desenvolvidos pela empresa. Referências Bibliográficas AGÊNCIA NACIONAL DE RECURSOS HÍDRICOS (ANA). A Evolução da Gestão dos Recursos Hídricos no Brasil. Brasília; ANA, BRASIL.Constituição da República Federativa do Brasil. Atualizada com a Emenda Constitucional nº 45. Editora Nossa Livraria. Recife/ PE, 2005.

6 FEITOSA, Fernando A.C. GUERRA, Sérgio M. e SANTOS, Luciana C. A. dos. Projeto Caracterização Regional e Difusão Tecnológica para uso sustentável dos Recursos Hídricos das Aluviões do Semi-Árido Brasileiro. CPRM /Serviço Geológico do Brasil, abril de 2005.

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