Autonomia Médica na Adolescência. Marta Serra, Nikita Khmelinskii, Teresa Jerónimo

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1 Autonomia Médica na Adolescência Marta Serra, Nikita Khmelinskii, Teresa Jerónimo

2 Introdução Menores de 18 anos não eram considerados competentes para tomar qualquer decisão. Expansão dos direitos dos menores. Aborto e DST ainda muito controversos.

3 Introdução

4 Introdução

5 Adolescência OMS Período entre os anos Idade (UN) Criança idade < 18 anos Maioridade Penal Lei Portuguesa Maioridade Legal

6 Adolescência Adolescentes Emancipados (Equivalente a > 18 anos): Casados; Encarcerados; Alistados nas Forças Armadas; Financeiramente Auto-Suficientes. Adolescentes em situações de emergência Dispensam consentimento parental. Mature Minors.

7 Mature Minors Conceito clínico de menores (>16 anos) considerados capazes de tomar decisões livres de coerção. Principais contextos: Sexualidade Saúde mental Distúrbios do comportamento alimentar Abuso de substâncias

8 Princípios Éticos Autonomia Não-maleficiência Acção Médica Beneficiência Justiça Distributiva

9 Princípios Éticos Confidencialidade Autonomia Consentimento Informado Não-maleficiência Acção Médica na Adolescência Beneficiência Justiça Distributiva

10 Autonomia Reconhecimento dos direitos dos doentes; Obrigação médica de informar; Autonomia Autor da sua própria lei Consentimento Informado Compreensão dos riscos, dos benefícios e das alternativas, e autorização de livre vontade Respeito pelas ideias, escolhas e decisões do doente que sejam verdadeiramente Ter informação autónomas e livres. intervenção médica. Ser competente Protecção da confidencialidade; de uma forma autónoma duma Respeito pela privacidade; Não ser coercível Consentimento do doente.

11 Quem Decide? Compete aos pais, no interesse dos filhos, velar pela segurança e saúde destes, prover ao seu sustento, dirigir a sua educação, representá-los, ainda que nascituros, e administrar os seus bens. Artigo 1878º (Conteúdo do Poder Paternal), Código Civil Português Os filhos estão sujeitos ao poder paternal até à maioridade ou emancipação.. Artigo 1877º (Conteúdo do Poder Paternal), Código Civil Português Os pais conhecem bem os filhos e estão em melhor posição para decidir qual será o melhor interesse da criança.

12 Quem Decide? Compete aos pais, no interesse dos filhos, velar pela segurança e saúde destes, prover ao seu sustento, dirigir a sua educação, representá-los, ainda que nascituros, e administrar os seus bens. Artigo 1878º (Conteúdo do Poder Paternal), Código Civil Português Os filhos estão sujeitos ao poder paternal até à maioridade ou emancipação.. Excepções: Abuso; Negligência; Crianças idiossincrática. Artigo 1877º (Conteúdo do Poder Paternal), Código Civil Português Os pais conhecem bem os filhos e estão em melhor posição para decidir qual será o melhor interesse da criança.

13 Quem Decide? Os filhos devem obediência aos pais; estes, porém, de acordo com a maturidade dos filhos, devem ter em conta a sua opinião nos assuntos familiares importantes e reconhecer-lhes autonomia na organização da própria vida. Artigo 1878º (Conteúdo do Poder Paternal), Código Civil Português Ao respeito pela sua liberdade e autonomia. Será necessário obter o seu consentimento (caso os pacientes tenham idade e competência suficiente) ou permissão Carta Europeia dos Direitos da Criança e do Adolescente relativamente à Pediatria Ambulatória, Comité de Ética (2003) Transferência de responsabilidade dos pais para os filhos?? Conceito de maturidade e competência muito abstracto.

14 Autonomia Argumentos contra a autonomia dos adolescentes: Subjectividade na avaliação clínica Conceito demasiado restrito Competência dos adolescentes Pouco experiência de vida Responsabilidade unilateral Autonomia noutras áreas Respeito pelas boas e más decisões Recusa Right to accept. Wrong to refuse. *5

15 Confidencialidade Confidencialidade Autonomia Justiça Distributiva Não maleficiência Beneficiência Respeito pelos desejos, ideias e escolhas do doente. A protecção da confidencialidade, suporta e deriva da autonomia. Acordo Não fazer bilateral o mal. de que a informação não será partilhada sem Não respeitar o consentimento a privacidade do doente. adolescente ou honrar um acordo de confidencialidade pode causar dano. Dificuldade em determinar o que pode ser prejudicial (diferentes níveis de maturidade, comportamentos e relações Fazer o bem. dos adolescentes). A protecção da confidencialidade permite o benefício. Encoraja a abertura total dos sintomas e circunstâncias de vida, Permitir permitindo aos adolescentes uma melhor a oportunidade acção do médico. de receber cuidados de saúde apropriados. A não protecção da confidencialidade impede o acesso dos adolescentes aos cuidados de saúde.

16 Confidencialidade Aquilo que no exercício ou fora do exercício da profissão e no convívio da sociedade, eu tiver visto ou ouvido, que não seja preciso divulgar, eu conservarei inteiramente secreto. Juramento de Hipócrates, c430ac Eu respeitarei os segredos que em mim forem confiados, mesmo após a morte do paciente. Declaração de Genebra, O médico deve conservar segredo absoluto, mesmo depois da morte do doente, de tudo o que lhe tenha sido confiado. Código Internacional de Ética Médica, Ponto 9

17 Confidencialidade Quem sem consentimento, revelar segredo alheio de que tenha tomado conhecimento em razão de seu estado, ofício, emprego, profissão ou arte é punido com pena de prisão Artigo 195º (Violação de Segredo), Código Penal Português O segredo profissional impõe-se a todos os Médicos e constitui matéria de interesse moral e social. Artigo 67º (Segredo Profissional), Estatuto da Ordem dos Médicos Existem excepções!! Segredo médico e restantes segredos profissionais com natureza relativa.

18 Limites da Confidencialidade Legalmente Justificáveis Ideação suicida ou homicida Abuso sexual Paternalismo justificado Doenças de declaração obrigatória (Chlamydia, gonorreia, TB, VIH)

19 Limites da Confidencialidade Eticamente Justificáveis Autonomia Não-maleficiência Acção Médica Beneficiência Justiça Distributiva

20 Limites da Confidencialidade Eticamente Justificáveis Sério Dano Físico Benefício Real Eticamente Justificados Procedimento Generalizável Último Recurso 4 condições têm de ser preenchidas

21 Limites da Confidencialidade Como lidar? Respeitar o adolescente: Explicar as razões de quebra de confidencialidade. Decidir em conjunto como e a quem revelar a informação.

22 Notificação Parental Envolver ou não Envolver? A decisão de envolver os pais é mais frequente quando: Sexualidade Contracepção sexual Comunicação familiar Livre decisão sobre a sua actividade sexual

23 Notificação Parental Envolver ou não Envolver? A decisão de NÃO envolver os pais Medo de uma reacção adversa/violenta Má Comunicação Familiar Relação problemática ou inexistente Medo de estragar a boa relação/decepcionar os pais

24 Notificação Parental Alternativas Se a lei requer consentimento paternal incluir adultos alternativos Profissionais de saúde e/ou Familiares Profissionais de saúde Aconselhamento Permitir ao menor a autoridade final sobre a decisão

25 Conclusão Política de Saúde no Adolescente Deve ser garantida a confidencialidade e promovida a autonomia para que o adolescente se sinta responsável pela sua saúde de forma integral. Carta Europeia dos Direitos da Criança e do Adolescente relativamente à Pediatria Ambulatória, Comité de Ética (2003)

26 Conclusão A tríade ideal Adolescente Questões; Factos; Opiniões; Decisões. Melhor Interesse do Adolescente Pais Contexto cultural; Perspectiva familiar. Médico Informação; Parecer Médico.

27 Conclusão Artigos doctors may believe strongly in facilitating children s participation but struggle to enact this principle in certain situations due to parental demands. in Children s participation in consultations and decision-making at health service level: A review of the literature. *1 When it comes to decisions that permit more deliberate, reasoned decision making,, and where there are consultants, adolescents are likely to be just as capable of mature decision making as adults, at least by the time they are 16. in Are Adolescents Less Mature Than Adults?: Minors Access to Abortion, the Juvenile Death Penalty, and the Alleged APA Flip Flop *5

28 Bibliografia 1. Children s participation in consultations and decision-making at health service level: A review of the literature. ; Imelda Coyne; International Journal of Nursing Studies 45, 2009, Confidential Health Care For Adolescents: Position Paper of the socienty for adolescent medicinew; Ford et Al; Journal of Adolescent Health, vol. 35, Nº1 3. Choosing Abortion: Teeens Who Make the Decision Without Parental InvolvementW; J. Shoshanna Ehrlich; Gender Issues, Spring Requisitos Para o Atendimento ao Adolescente ; Consenso da Secção de Medicina do Adolescente da Sociedade Portuguesa de Pediatria 5. Are Adolescents Less Mature Than Adults?: Minors Access to Abortion, the Juvenile Death Penalty, and the Alleged APA Flip Flop ; Laurence Steinberg Et Al; American Psychologist, October APA Newsletter; Fall 2002, vol. 02, Nº 1 7. Practical Ethics for Medical Residents; Junkerman e Schidermayer; Código Deontológico 9. Estatuto da Ordem dos Médicos 10. Código Civil 11. Código Penal 12. Carta Europeia dos Direitos da Criança e do Adolescente relativamente à Pediatria Ambulatória; Comité de Ética, 2003

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