Prioridades estratégicas da AMNISTIA INTERNACIONAL PORTUGAL

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1 Prioridades estratégicas da AMNISTIA INTERNACIONAL PORTUGAL

2 VISÃO Prioridades estratégicas Breve enquadramento e contextualização O mundo não muda sozinho - é um dos mais conhecidos motes da Amnistia Internacional enquanto movimento global de membros, apoiantes e ativistas pelos direitos humanos em todo o mundo. A Amnistia Internacional Portugal (AI Portugal) quer estar na primeira linha dos que contribuem para uma mudança efetiva na vida das pessoas. Assim, com o propósito de aumentar o seu impacte em matéria de direitos humanos, em linha com o que é habitual entre as secções do movimento, propõe-se apresentar linhas estratégicas de médio prazo, que orientem o trabalho da secção portuguesa para os próximos 3 anos. Este planeamento para o triénio permite definir objetivos mais concretos, desde logo faseados e mensuráveis, bem como potenciar a atuação da AI Portugal através da aplicação estratégica dos seus recursos humanos e financeiros, com o objetivo de fortalecer e consolidar a secção portuguesa, interna e externamente. Participação e Cultura de Direitos Humanos E porque volvidos 51 anos, a Amnistia Internacional é sobretudo uma organização de voluntários, cremos também que só desta forma poderá intensificar-se a mobilização e o ativismo em torno de uma visão comum, com propósitos comuns: promover e proteger os direitos humanos, em particular de grupos mais vulneráveis, e contribuir para o empoderamento, participação e ativismo dos cidadãos e cidadãs - incluíndo as vítimas de abusos e os titulares de direitos - e capacitando-os para a criação de uma cultura e para a integração de uma comunidade de direitos humanos, primeiramente em Portugal, mas também a nível global. O planeamento estratégico a médio prazo permite também aumentar a capacidade de antecipação e introduzir mais segurança e previsibilidade nos processos de decisão e de atuação, contribuindo para a criação de procedimentos mais rigorosos, mais céleres e eficazes, bem como para uma definição mais estratégica das parcerias a estabelecer com as outras organizações da sociedade civil, quer 2

3 para a promoção das campanhas do movimento internacional, quer para a abordagem de temas de índole nacional. Estas Prioridades Estratégicas para o triénio , que submetemos à apreciação da Assembleia Geral de 6 de abril de 2013, resultam de um processo de reflexão, consulta e discussão, liderado pela atual Direção, pelas Diretora Executiva e Vice-Diretora Executiva - com o contributo da Equipa Executiva - e alargada a membros e ativistas, nomeadamente através da participação em dois workshops organizados em novembro de 2012 e em janeiro de 2013, respetivamente sobre Planeamento Estratégico e Crescimento e Direitos Económicos, Sociais e Culturais e Relevância Local, ministrados por elementos do Secretariado Internacional e do Escritório Europeu da Amnistia Internacional (o primeiro) e por um elemento da secção espanhola (o segundo). Um outro workshop sobre Governança e Planeamento Organizacional promovido em outubro de 2012 também por um elemento do Secretariado Internacional e dirigido sobretudo aos orgãos sociais, resultou também em interessantes contributos para a AI Portugal, sob o ponto de vista da sua capacitação interna. Impacte em Direitos Humanos Tendo por referência as campanhas internacionais do movimento adaptadas ao atual contexto nacional, a AI Portugal decidiu para o triénio focar-se no impacto da crise económica em matéria de direitos económicos, sociais e culturais (Campanha Exija Dignidade ), bem como no impacte em matéria de direitos humanos de eventuais casos de violência policial, no contexto das atuais políticas de austeridade. Tal como recomenda o movimento, será dada prioridade a grupos vulneráveis. Esta temática assume tanto maior importância porquanto o Estado português acaba de ratificar um instrumento que o submeterá a um maior escrutínio internacional em matéria de Direitos Económicos, Sociais e Culturais 1, cabendo à AI Portugal pugnar por um maior envolvimento nos processos de consulta à sociedade civil, bem como nas iniciativas das entidades públicas portuguesas tendentes à sua aplicação e concretização. Estando prevista a entrada em vigor do referido protocolo já este ano 2, caberá também à AI Portugal zelar pelo seu cumprimento - desde logo em Portugal - bem como questionar o Governo português e contribuir para a sua eventual responsabilização, sempre que tal se 1 Protocolo Facultativo ao Pacto Internacional sobre Direitos Económicos, Sociais e Culturais (PFPIDESC), ratificado em janeiro de 2013 pelo Estado português. 2 Entrará em vigor a 5 de maio de

4 justifique. No que toca aos países prioritários para a AI Portugal, e por óbvias razões de proximidade com os Estados da Comunidade de Países de Língua Portuguesa, será dada maior atenção a violações de direitos humanos ou a casos individuais relativos a estes países. Todas as prioridades atrás enunciadas deverão constituir as linhas mestras de uma Educação para os Direitos Humanos, alinhada com as prioridades estratégicas do movimento internacional e da AI Portugal, e contribuindo para ampliar não só conhecimento mas também a cultura sobre temáticas de direitos humanos em Portugal. Por fim, temas de direitos humanos não considerados prioritários nestas Prioridades Estratégicas não deixarão de ser abordados, quando necessário. Desenvolvimento e Crescimento Para melhor alcançar o impacte desejado, determina-se como igualmente estratégico o fortalecimento e consolidação da AI Portugal, a nível interno e externo, através da formação contínua dos seus corpos, orgãos e estruturas (Direção, Equipa Executiva, Estruturas, Membros, Apoiantes e Ativistas) bem como a sua regular monitorização e avaliação. E porque a participação dos seus membros, apoiantes e ativistas é fundamental, o sucesso da AI Portugal será tanto maior quanto mais integrado for o seu envolvimento nas campanhas. Estas serão projetadas tendo primeiro do que tudo em vista a retenção dos seus atuais membros, apoiantes e ativistas, mas também o seu crescimento em número e diversidade, em linha com as determinações do movimento internacional e simultaneamente como forma de suster economicamente o desejado aumento em visibilidade, influência e ação. É justamente com a participação estratégica dos seus membros, apoiantes e ativistas que a AI Portugal conta para poder contribuir para uma cidadania mais ativa e crítica e para uma maior consciencialização para os direitos humanos, bem como para a denúncia mais eficaz de abusos e violações dos mesmos. Ou, por outras palavras, e invocando outro célebre mote, para se tornar a mudança que se deseja alcançar. Victor Nogueira, Presidente Teresa Pina, Diretora Executiva 4

5 AMNISTIA INTERNACIONAL PORTUGAL ESTRATÉGIA direitos com justiça + responsabilização + conhecimento sobre DESC em contexto de crise + empoderamento + Impacte na vida das pessoas + Relevância local + Crescimento + visibilidade + capacidade de intervenção + influência + participação democrática + ativismo + sociedade civil 5

6 1. IMPACTE EM DIREITOS HUMANOS A AI Portugal contribuirá para as prioridades e campanhas internacionais definidas pelo movimento internacional, conferindo-lhes maior relevância local e adaptação ao contexto nacional, com especial enfoque para os direitos económicos, sociais e culturais. O objetivo é alcançar um maior impacte em direitos humanos em Portugal, sobretudo de indivíduos e grupos mais vulneráveis. Objetivos até 2015: Atuar a nível nacional sobre os temas prioritários do movimento internacional atribuindo-lhes relevância local e dando prioridade aos direitos económicos, sociais e culturais (DESC) e ao impacte da atual crise económica nos direitos humanos. Será dado especial destaque aos grupos mais vulneráveis (crianças, jovens e mulheres, entre outros), exigindo ao Estado português que assuma as suas responsabilidades nacionais e internacionais no que toca à proteção dos DESC (ex: PFPIDESC). Integrar ações sobre Indivíduos em Risco nas campanhas da AI Portugal, com especial enfoque na sua relevância local e em casos relativos a países com quem Portugal tem relações político-diplomáticas e culturais de maior proximidade, como é o caso dos países da CPLP, ou em relação aos quais existam grupos temáticos na secção portuguesa (China, Crianças, Pena Morte). Contribuir para um maior conhecimento e cultura de direitos humanos, em linha com as prioridades estratégicas do movimento internacional e da AI Portugal, através da Educação para os Direitos Humanos. 6

7 2. PARTICIPAÇÃO E CULTURA DE DIREITOS HUMANOS A AI Portugal contribuirá para um melhor conhecimento sobre direitos humanos e para uma cidadania mais consciente, exigente e ativa, tanto a nível local como global, dando mais visibilidade às suas prioridades com vista a uma promoção mais eficaz dos direitos humanos. Objetivos até 2015: Apoiar e estimular o ativismo e um maior envolvimento e participação dos membros, apoiantes e ativistas nas campanhas e nas atividades da AI Portugal. Estabelecer relações e/ ou parcerias estratégicas com organizações e movimentos da sociedade civil para potenciar o impacte das campanhas e ações da AI Portugal. Continuar a criar oportunidades para a participação ativa dos titulares de direitos, especialmente os de grupos vulneráveis, dando-lhes voz e capacitando-os para poderem exigir os seus direitos. 7

8 3. DESENVOLVIMENTO A AI Portugal será uma organização mais capaz, democrática, diversa e dinâmica, trabalhando de forma mais eficaz e inovadora. Objetivos até 2015: Desenvolver maior conhecimento em direitos humanos, promover melhores capacidades de governança, de gestão, de resolução de conflitos e de prestação de contas perante membros, apoiantes e ativistas e com vista à criação de futuras lideranças. Aplicar, de forma mais regular e sistemática, formas de monitorizar os resultados e o impacte da atuação da AI Portugal, bem como ferramentas de avaliação de desempenho da Direção, da Equipa Executiva e dos Ativistas. Incorporar os Core Standards ( Princípios Fundamentais ) do movimento internacional na governança e na gestão da AI Portugal com vista a uma maior harmonização com as práticas do movimento e um melhor funcionamento da AI Portugal. 8

9 4. CRESCIMENTO A AI Portugal investirá no crescimento, através da angariação de novos membros e apoiantes e da sua retenção, e alargando a sua diversidade, para uma melhor integração e participação. Objetivos até 2015: Aumentar a fidelização de membros e de apoiantes, envolvendo-os mais no trabalho e nas campanhas da secção. Até 2015: Aumentar 8% o número de membros e de apoiantes que se mantém na organização. Aumentar o número de membros e de apoiantes da AI Portugal, explorando e diversificando métodos de captação de novos membros e apoiantes mas também de angariação de fundos. Até 2015: Aumentar 20% o número de membros e apoiantes. Garantir a sustentabilidade financeira da secção, aplicando estrategicamente os recursos e melhorando os métodos já existentes. Até 2015: Aumentar as receitas 16%. IMPLEMENTAR ESTRATÉGIA = Retenção + Crescimento 2013: Investimento na retenção; coordenação do V2V; melhorar resultados V2V e D2D; Teste Major Donors; 2014: Aumentar investimento na retenção; aumento de uma equipa no Face to Face; melhores resultados no V2V e D2D; 2015: Manter investimento e estratégias de

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