Distribuição Física. A distribuição física de produtos é realizada com a participação de alguns componentes, físicos ou informacionais, a saber:

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1 Distribuição Física Objetivo da aula: Apresentar e discutir o conceito e os componentes do sistema de distribuição física, dentro do processo logístico. O objetivo geral da distribuição física, como meta ideal, é o de levar os produtos certos, para os lugares certos, no momento certo e com o nível de serviço desejado, pelo menor custo possível. COMPONENTES DO SISTEMA DE DISTRIBUIÇÃO A distribuição física de produtos é realizada com a participação de alguns componentes, físicos ou informacionais, a saber: instalações fixas (centros de distribuição, armazéns); estoque de produtos; veículos; informações diversas; hardware e software diversos; custos; pessoal. As instalações fixas fornecem os espaços destinados a abrigar as mercadorias até que sejam transferidas para as lojas ou entregues aos clientes. São também providas de facilidades para descarga dos produtos, transporte interno, e carregamento dos veículos de distribuição (plataformas de carga/descarga, carrinhos, empilhadeiras, transelevadores etc.). O segundo elemento, "a raiz de todo o mal na empresa" nas palavras de Victor Fung, é formado pelo estoque de produtos ao longo do processo. O custo do capital dos produtos acabados que permanecem estocados no depósito da fábrica, nos centros de distribuição dos atacadistas, distribuidores e varejistas, nas lojas de varejo, e nos veículos de transporte, passou a ser um encargo elevado para as empresas. Isso porque a oferta de produtos se abriu num leque de opções muito grande, com variedade de tipos, capacidade, acabamento e cores nunca vistos, ocasionando um acréscimo expressivo nos níveis de estoque.

2 A competição entre as empresas e os níveis de juros praticados no mercado financeiro, por outro lado, fizeram com que o custo do capital de giro influísse significativamente na disputa pelo mercado. Como conseqüência, hoje se nota uma busca constante na redução de estoques, seja na manufatura, com MRP, MRP II, ERP e JIT, seja no varejo, com ECR e Quick Response. Uma vez que os produtos são normalmente comercializados em pontos diversos dos locais de fabricação, sua distribuição implica o deslocamento espacia] das mercadorias, requerendo veículos para efetuá-lo. Na transferência de produtos do fabricante até o centro de distribuição do varejista, ou depósito do atacadista, são geralmente empregados veículos maiores, com lotação plena. Já no abastecimento das lojas, normalmente são empregados veículos menores, pois as condições de trânsito e de manobrabilidade nas regiões urbanas não permitem o uso de caminhões de grande porte. Outro condicionante é a necessidade de maior freqüência nas entregas de produtos às lojas, o que favorece a escolha de veículos menores. Para operar um sistema de distribuição é necessário dispor de informações variadas. Por exemplo, no caso de distribuição para vários pontos de varejo, como é o caso de bebidas, cigarros, biscoitos e outros produtos, é fundamental se dispor de um cadastro de clientes, composto pela razão social, endereço, coordenadas geográficas (para uso de GRIS e/ou software de roteirização), e demais elementos considerados importantes para a operação logística. Outros tipos de informação utilizados na operação de distribuição são: as quantidades de produtos a serem entregues a cada cliente, condições (horários para entrega, tipo de acondicionamento), roteiros de distribuição (seqüência dos clientes a serem atendidos), além de outros. Hoje, grande parte das atividades de distribuição é planejada, programada e controlada por meio de softwares aplicativos, que ajudam na preparação dos romaneios de entrega, roteirização dos veículos, controle dos pedidos, devoluções, monitoramento da frota, além de outros. Esses softwares funcionam em computadores (hardware) especificamente instalados para isso ou, seguindo tendência moderna, centralizados num sistema computacional abrangente, muitas vezes como parte de pacotes de gerenciamento amplos, do tipo genericamente denominado de ERP (Enterprise Resource Planning). Outros tipos de hardware são também empregados na distribuição de produtos, tais como sistemas do tipo 2

3 GPS para monitoramento da frota de veículos, computadores de bordo, scanners, coletores de dados de rádio-freqüência, entre outros. O sexto elemento necessário para operar de forma competitiva um sistema de distribuição física é a disponibilidade de uma estrutura de custos adequada e constantemente atualizada. Tradicionalmente no Brasil, as transportadoras, de um lado, e os departamentos de transporte das indústrias e das empresas comerciais, de outro, estavam mais acostumados a trabalhar com uma situação muito específica de deslocamento de carga, situação essa denominada de transferência de produtos, ou seja, um carregamento de produtos, em lotação completa, é deslocado de um ponto A para outro ponto B. Nesses casos, e para distâncias entre A e B não muito curtas, o custo do transporte, para um determinado tipo de produto, é quase que totalmente explicado pela distância e pela quantidade de carga deslocada. Mesmo no caso de carga fracionada, em que os lotes despachados não lotam o veículo, levando à consolidação da carga no depósito da transportadora, é comum se cobrar o frete em função da distância e da quantidade de carga. Na distribuição física, por outro lado, são bastante comuns roteiros compartilhados por vários clientes, com o veículo realizando uma seqüência de entregas numa única viagem. Há clientes que demoram muito tempo para receber a mercadoria, forçando o veículo e sua equipagem a esperar em fila por longos períodos, ou empregando rotinas excessivamente burocráticas na recepção do pedido. Essas práticas não implicam nenhum aumento na quilometragem percorrida pelo veículo, mas oneram o custo do serviço como resultado das horas inativas do pessoal e do equipamento alocado à distribuição física. Finalmente, para que um sistema de distribuição física funcione a contento e de forma competitiva, é necessário dispor de pessoal devidamente capacitado e treinado. Com a sofisticação dos equipamentos e do tratamento da informação nas atividades logísticas nos dias de hoje, torna-se necessário reciclar o elemento humano em todos os níveis. O motorista e seu ajudante, ao fazerem uma entrega, têm contato direto corn o cliente e, se mal orientados ou mal treinados, podem transmitir imagem negativa sobre a empresa para a qual trabalham. Da mesma forma, os empregados que trabalham no centro de distribuição e noutras atividades correlatas precisam estar a par dos conceitos básicos de Logística, de forma a desempenhar suas tarefas em sintonia com os objetivos estratégicos da empresa. A própria administração da empresa deve se reciclar de forma permanente, devido às mudanças constantes que se observam na estratégia e nas operações das empresas. 3

4 SISTEMA DE DISTRIBUIÇÃO "UM PARA UM" Muito embora possa ocorrer, na prática, um número razoável de situações diversas na distribuição física de produtos, podemos resumi-las em duas configurações básicas, a saber: Distribuição "um para um" em que o veículo é totalmente carregado no depósito da fábrica ou num CD do varejista (lotação completa) e transporta a carga para um outro ponto de destino, podendo ser outro CD, uma loja, ou outra instalação qualquer. Distribuição "um para muitos", ou compartilhada em que o veículo é carregado no CD do varejista com mercadorias destinadas a diversas lojas ou clientes, e executando um roteiro de entregas predeterminado. Na distribuição "um para um", o carregamento do veículo é realizado de forma a lotálo completamente. Ao carregar o caminhão, vai se acomodando a carga nos espaços disponíveis, visando o melhor aproveitamento possível de sua capacidade. Esse aspecto é importante, pois na distribuição "um para muitos", não se consegue, com freqüência, um bom aproveitamento do espaço dentro do veículo. Isso porque se é obrigado a carregá-lo na ordem inversa das entregas, o que impede a otimização do arranjo interno da carga no caminhão. Na linguagem do pessoal de transportes, este tipo de distribuição "um para um" é denominado transferência de produtos. Pontos que influenciam os sistemas de distribuição Distância entre o ponto de origem e o ponto de destino Velocidade operacional Tempo de carga e descarga Tempo porta a porta Volume do carregamento Disponibilidade de carga de retorno Densidade da carga Dimensões e morfologia da carga Valor unitário Forma de acondicionamento (solta, paletizada, a granel) Grau de fragilidade Grau de periculosidade 4

5 Compatibilidade entre produtos de natureza diversa custo global Distribuição um para muitos ou compartilhada: o veículo é carregado no centro de distribuição do varejista com mercadorias destinadas a diversas lojas ou clientes, e executando um roteiro de entregas predeterminadas. Pontos que influenciam os sistemas de distribuição Divisão da região a ser atendida em zonas ou bolsões de entrega Distância entre o centro de distribuição e o bolsão de entrega Velocidades operacionais médias Tempo de parada por cliente Tempo para completar o roteiro e retornar ao depósito Freqüência de visitas aos clientes Quantidade a ser entregue por cliente Densidade da carga Dimensões e morfologias das cargas Valor unitário Forma de acondicionamento Grau de fragilidade e periculosidade Compatibilidade entre os produtos Custo global Visões dos canais de distribuição na distribuição física Visão funcional Relaciona-se com os modelos interorganizacionais que se focam nos mecanismos que regulam as relações entre organizações Tem como idéia principal espalhar as funções no canal de distribuição, com base em mínimo custo Visão da utilidade do consumidor Enfatiza o papel de funções de marketing diferenciadas de acordo com um segmento de mercado. Esses modelos baseiam-se em paradigmas microeconômicos, cujo ponto focal é a alocação de recursos. 5

6 A análise é feita baseada nas variáveis de marketing: preço, produto, promoção e praça. Modelo de postergação e especulação Postergação permite que a diferenciação de um produto seja adiada, acumulando estoque o mais tarde possível A especulação envolve a transformação do produto o mais cedo possível, a fim de atingir economias de escala. A escolha por fazer isso envolve assumir risco econômico Operadores logísticos e logística terceirizada: A terceirização das operações de frete, estocagem, preparação de pedido, entrega final, atividades de pré e pós-montagem preenchem duas necessidades: aumenta os níveis de serviços, mediante a melhoria em flexibilidade e gestão de estoques, levando assim a uma maior disponibilidade; e em muitos casos, reduz custos. Terceirização da distribuição física Vantagens: Penetrar em novos mercados Reduzir os riscos de investimento financeiro inerentes associados à propriedade dos ativos logísticos, como caminhões e armazéns Coordenar produtores e distribuidores dentro de uma visão global Ter acesso a novas tecnologias e soluções inovadoras Desvantagens Risco estratégico - A empresa de serviço pode oferecer o mesmo serviço ao concorrente do fabricante com o objetivo de cobrir custos de investimento Risco comercial - A imagem do fabricante irá inevitavelmente ser ligada à de uma empresa de serviços Risco gerencial - Os custos e o real nível de serviços oferecidos devem ser visíveis para o produtor e para o provedor logístico Quando terceirizar a distribuição física? 1. Necessidades da empresa (a logística é uma competência básica?) 2. Valores tangíveis (existem quaisquer vantagens mensuráveis?) 6

7 3. Comprometimento da gerência 4. Capacidade do operador REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Textos extraídos de: NOVAES, A. G. Logística e Gerenciamento da Cadeia de Distribuição. Rio de Janeiro: Campus, (capítulo 6) DORNIER, P.P.; et alii. Logística e Operações Globais: textos e casos. SP: Atlas, (capítulo 6) 7

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