Mudanças na forma de organização do trabalho

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1 Mudanças na forma de organização do trabalho Jaqueline Lopes 1 Resumo: A importância de falar sobre as mudanças que vem ocorrendo ao longo dos séculos no mundo do trabalho, é que essas mudanças têm como conseqüências algumas alterações nas relações sociais, econômicas, na relação do capital e trabalho e, principalmente no comportamento dos indivíduos inseridos no mundo do trabalho. Essas mudanças repercutem decisivamente na forma de organização dos trabalhadores e nas exigências de um novo modelo de qualificação dos mesmos. Nessa perspectiva, faremos uma revisão de cada uma das formas clássicas de gerenciamento da produção, para entendermos o que cada uma delas representou nas transformações que ocorreram e continuam ocorrendo no mundo do trabalho, e na vida dos trabalhadores. Palavras Chaves: gerenciamento científico, Taylorismo, Fordismo, Toyotismo e Reestruturação Produtiva. Introdução: O presente artigo é composto de três partes: a primeira intitulada de Modelos clássicos de gerenciamento da produção, no qual iremos retratar os três modelos de produção capitalistas Taylorista, Fordista e Toyotista, dando ênfase às condições de trabalho e a exploração da mão de dos trabalhadores em cada um desses modelos. A segunda parte As fases de Reestruturação Produtiva no Brasil tentaremos resgatar momentos históricos vividos pelo Brasil em cada fase da reestruturação produtiva. E por último Crescimento dos postos de trabalho ligados à comunicação, onde tentaremos mostrar as transformações tecnológicas que a reestruturação produtiva trouxe para o mundo. Como ocorreu a inserção de novos postos de trabalho, ligados ao setor de serviços, como a comunicação. Nessa fase de reestruturação a forma de especialização dos trabalhadores mudou, com maior exigência em se especializar e se adaptar as novas tecnologias. Iremos discutir as vantagens que a inserção do mercado eletrônico trouxe e continua trazendo para a lucratividade das empresas que se utilizam dessas tecnologias, principalmente 1 Graduando em Ciências Sociais da Universidade Estadual do Ceará-UECE

2 no setor de telemarketing que tem contribuído bastante para o aumento econômico nas empresas que se utilizam desses serviços para realizar a negociação. Modelos clássicos de gerenciamento da produção As formas de organização da produção do trabalho nas fabricas surgiu no início do século XX e se chamava Taylorismo e Fordismo. O primeiro modelo de gerenciamento da produção foi criado pelo engenheiro mecânico Frederick Winslow Taylor ( ), que propunha uma produção de mercadorias mais rápida, onde se tinha o controle do tempo, e uma divisão do trabalho, ou seja, cada operário exercia uma única função, havendo assim uma repetição exaustiva dos trabalhadores. O modelo taylorista, tinha como objetivo acabar com desperdício e a ociosidade dos operários, por isso criou a divisão de tarefas para cada operário, onde cada um deles teria que seguir o ritmo das máquinas que operavam. Por isso Taylor recebeu varias criticas, pois estava robotizando os operários, e impedindo que eles participassem do processo produtivo, utilizando sua criatividade, e sendo cada vez mais alienado do processo de criação. O criador do Fordismo foi Henry Ford ( ), não era um sistema de produção tão diferente do Taylorismo, se mantinha na mesma lógica de especialização dos trabalhadores em uma só função, e da exploração intensa do trabalho, para atingir um objetivo, o aumento do lucro capitalista. O modelo de gerenciamento científico denominado fordismo foi aplicado nas indústrias automobilísticas, para atender um aumento do consumo em massa, se tornando, assim, uma das primeiras características do fordismo: a produção em massa. Esse fato aumentaria o número de empregos, mas teria como conseqüência uma redução nos salários. Com isso, surge outra característica do fordismo, que é um trabalho parcelado em condições de precariedade. As condições precárias do trabalho, a exploração excessiva da mão de obra, o trabalho mal remunerado e outros fenômenos, resultam em uma crise estrutural do capital, a queda na taxa de lucro causada pelo aumento do preço da força de trabalho, pelo desemprego estrutural, através do modelo fordista. E foi do advento dessa crise que surgiu outro modelo de produção de mercadorias chamado então de Toyotismo. Durante o modelo fordista vigorou o desrespeito pela força de trabalho humana, e pela redução da vida útil dos mesmos. Além de tudo isso, podemos encontrar inserido nessa lógica do Taylorismo/Fordismo, o raciocínio da alienação desenvolvida por Marx, em sua obra Manuscritos Econômicos e Filosóficos, onde a industrialização, a propriedade privada e o assalariamento separavam o

3 trabalhador dos meios de produção- ferramentas, matéria-prima, terra e máquina, que se tornam propriedade privada do capitalista. Separava, ou alienava o trabalhador do fruto do seu trabalho, que também é apropriado pelo capitalista. No sistema atual trabalhador produz bens que não lhe pertencem e cujo destino, depois de prontos, escapa ao seu controle. O trabalhador, assim, não pode se reconhecer no produto de seu trabalho; não há a percepção daquilo que ele criou como fruto de suas capacidades físicas e mentais, pois se trata de algo que ao trabalhador não terá utilidade alguma. A criação (o produto) se apresenta diante do mesmo como algo estranho e por vezes hostil, e não como o resultado normal de sua atividade e do seu poder de modificar livremente a natureza. Isso acentua cada vez mais a separação entre a execução do trabalho e a reflexão acerca do que se faz, acentuando o estranhamento (a alienação) do sujeito em relação ao que ele faz. As mudanças ocorridas no capitalismo durante o período dos anos 1970 e 1980, ligadas pela à crise do modelo Keynesiano-Fordista e ao aparecimento do modelo de acumulação Flexível, essas mudanças ocorrem por consequência do aumento da demanda de produção em países da Europa Ocidental e do Japão. Mas o que veio a intensificar a crise foram os gastos com a energia, já que houve uma diminuição na oferta do petróleo, levando a uma intensificação a Crise do Petróleo em A Europa Ocidental e o Japão, regiões centrais do capitalismo, passaram a oferecer produtos de gênero manufaturados a preços e custos mais competitivos em seus pólos industriais, assim forçando a demanda em nível mundial. Tornou-se mais difícil para o modelo Fordista conter as contradições referentes ao capitalismo, e por isso as bases do modelo Keynesiano- Fordista começaram a ser questionadas, já que era um sistema rígido que não conseguiu dar respostas rápidas para que os obstáculos fossem superados frente ao novo contexto. A estrutura sobre a qual se construiu a acumulação e a reprodução do capital eram: através da produção em escala, divisão do trabalho, linha de escala, produção e consumo em massa, organização hierárquica, fragmentação do processo, redução do tempo na linha de montagem, disciplina e racionalização do processo de trabalho etc. O principio fundamental da economia era o lucro, que tinham reflexos na política, e em aspectos culturais e sociais. Na década de 80 profundas transformações afetaram os países de capitalismo avançado, onde houve uma grande inserção de tecnologias, microeletrônica e a robótica nas fábricas, e como conseqüência modificações nas relações de trabalho e de produção do capital. Ricardo Antunes mostra que essas profundas transformações afetaram a classe-que-vive-do-trabalho,

4 mas não afetou somente sua materialidade, mas teve profundas repercussões na sua subjetividade e, no íntimo inter-relacionamento destes níveis, afetou a sua forma de ser. (Antunes, 1998; p15). Mas o processo de produção em massa é substituído por novas buscas de produtividade, e o que vem a atender a nova lógica da produção no mercado é a flexibilização da produção. E na busca de novos padrões de gestão, onde a qualidade total e a gestão participativa tiveram bastante expressão no mundo japonês e até mesmo no Terceiro Mundo Industrializado, o Toyotismo se insere em várias partes do capitalismo globalizado. A acumulação flexível é caracterizada pelo surgimento de novos setores, novas maneiras de fornecimento de serviços financeiros, novos mercados e o aumento nas taxas de inovação do comércio. Mas também provou e continua a provocar mudanças nas formas de desenvolvimento desigual, ocorridas nos setores; e nas regiões geográficas, atingindo assim os países subdesenvolvidos. Para Harvey: A acumulação flexível é uma forma própria do capitalismo, e segundo ele mantém três características essências: onde o primeiro é que acumulação flexível é voltada para o crescimento; a segunda, é que esse crescimento se apóia na exploração do trabalho vivo no universo da produção; e por último e terceiro, o capitalismo tem uma profunda dinâmica tecnológica e organizacional. (Harvey, 1992; p175) O nascimento do Toyotismo ocorreu nas empresas automobilísticas do Japão, onde o trabalhador operava com várias maquinas ao mesmo tempo, onde se aumentava a produção nas indústrias sem aumentar o número de empregados, e, além disso, produzir somente o necessário em menor tempo. O toyotismo fundamentava-se no modelo seguido pelos supermercados, que os produtos só eram recolocados após sua venda, chamado de método Just in time, esse método se expandiu para as empresas subcontratadas e fornecedoras. As características do Toyotismo se resumem em: A produção é conduzida pela demanda; sustenta-se a existência de um estoque pequeno, diferente do fordismo; produtos são produzidos em diversifidade e variedade, para suprir o consumo; Aproveitamento do melhor tempo possível, incluindo-se também o transporte e o estoque, mas uma melhor qualidade. Outro ponto característico e fundamental para esse aproveitamento do tempo de produção no toyotismo era o kanbon, eram placas que se utilizava para a reposição das peças, que ao final da venda dos produtos que se iniciava a reposição de estoque, portanto o Kanbon era uma sinalização a necessidade da troca das peças ou produtos. O Kanbon estava associado ao modelo dos supermercados, que só repunham os produtos na prateleira após a venda. Essa era uma forma bem diferente do Fordismo, e era também uma forma de não estocar tantos

5 produtos, para não haver a perda de alguns deles, ao invés de produzir tantos produtos do mesmo modelo, e estocá-los, era bem melhor para os empresários produzir produtos variados que atendessem ao mercado, pois assim venderiam mais e teriam poucos estoques. (Gounet, 1992; p 40 e Coriat, 1992; p 43-45) Outro fator importante que fez com que o modelo flexível introduziu-se em muitas empresas foi a polivalência, que consiste em o trabalhador operar varias máquinas ao mesmo tempo, que tinha como resultado atender melhor às exigências do mercado individualizado. Aqui a ideia que se tem, é que o trabalhador é explorado com mais intensidade que no Fordismo, já que opera várias máquinas ao mesmo tempo, e que no trabalho das empresas toyotistas o trabalhador seja menos alienado, porque resgata a dimensão criativa do mesmo, porém, as tensões relacionadas a metas a serem cumpridas, a competição com outros trabalhadores e consigo mesmo, são algumas características que levam o trabalhador a agravos mentais importantes. É no toyotismo que também o trabalho aparece como uma forma bastante vantajosa, já que não teria mais o esforço repetitivo e desmotivante. Mas não é bem assim, foi na introdução do toyotismo que se reduziu o número de trabalhadores, e houve o aparecimento de empresas terceirizadas; bem como outras formas de contratação mecanizada. No fordismo tínhamos a uma verticalização na produção, já no Toyotismo a produção é horizontal, aqui há a redução na produção de montadora e contratam-se empresas terceirizadas. Um ponto bastante importante, é que o modelo japonês tinha sua estrutura a partir de poucos funcionários, esse número reduzido de trabalhadores, que aumentava com as horas extras, trabalhadores temporários e a subcontratação. O que temos com o toyotismo é um trabalhador que exerce suas funções com uma equipe, participa de treinamentos oferecidos pela empresa, e participa dando sugestões no controle de qualidade (CCQ). Mas se agora o funcionário trabalha em equipe, a organização autônoma desaparece, e o que temos é uma maior preocupação, pois terá o funcionário de se preocupar com todo o trabalho de uma equipe. Se houver a falha de um deles todos perderam o aumento pela produtividade, esse tipo de controle acontece também no absenteísmo, ou seja, a falta do trabalhador ou a perca de tempo. Nessa forma de funcionamento das empresas que se inseriram no modelo japonês, encontramos também a noção de mais-valia que Marx discute em seu Livro O Capital. Para ele é a fonte de lucro que se realiza na produção, ou seja, no chão das fabricas, e não somente na sua circulação de produtos. E isso porque ocorre o consumo da força de trabalho superior ao necessário para produzir valores, e o que facilita esse acontecimento é a organização do trabalho e a introdução

6 de novas tecnologias, assim o capitalista consome mais força de trabalho, e, portanto, tem uma maior lucratividade. Todos esses treinamentos e horas extras, que até hoje estão introduzidos nas empresas brasileiras e de outros países, são formas de mais-valia, de consumo da força de trabalho de alguma forma, já que a remuneração do trabalhador dificilmente corresponde ao que a empresa aufere em lucro. O modelo japonês provocou tantos impactos, a começar pela revolução técnica causada nas empresas japonesas, e por ter tomado uma grande potencialidade para propagar-se, em alguns pontos, mundialmente. Em suas dimensões mundiais, teve impactos inacreditáveis, em termos de um processo rápido e lucrativo de produção de mercadorias. (Gounet, 1991; p 50) A acumulação flexível em que o toyotismo como maior exemplo, tem relação direta com a lógica Neoliberal, e não com um conceito social democrático, ou seja, esta ligada com o desenvolvimento ocasionado pelas novas tecnologias e pela competitividade, dando, assim, liberdade para ao mercado. O que importa, para a acumulação flexível, é a expansão da produtividade e do mercado consumidor, e não como a sociedade esta se adaptando a essa nova forma. Não esta preocupada também com a questão do desemprego estrutural, que é outro resultado devastador em vários países, inclusive no Japão, provocado pelo modelo japonês. Essas concepções nos levam a acreditar que o Toyotismo é uma aquisição do capital, e contra o trabalho e também contra uma sociedade mais igualitária. Nessa lógica de competitividade é que se insere a exclusão, e como resultado a individualização, a desigualdade social. Encontramos na obra de Antunes Adeus ao trabalho (1998: 33), onde o autor vai falar sobre a substituição do Fordismo pelo Toyotismo:...julgamos pertinente afirmar que a substituição do fordismo pelo toyotismo não deve ser entendida, o que nos parece óbvio, como um novo modelo de organização societária, livre das mazelas do sistema produtor de mercadorias e, o que é menos evidente e mais polêmico, mas também parece claro, não deve nem mesmo ser concebido como um avanço em relação ao capitalismo da era fordista taylorista. A lógica seguida pelo modelo toyotista, que é uma lógica de integração dos trabalhadores, ou seja, do ser que trabalha ao espírito Toyota ou família Toyota, possibilita ao capital apropriar-se do sabre e do fazer do trabalho. Todas essas transformações afetam diretamente o operariado industrial tradicional, e como conseqüência ocorre mudanças no ser do trabalho. Essa crise atinge também a consciência da subjetividade do trabalho, e as formas de representação. Outro ponto importante

7 é o efeito que essas transformações causaram nas formas de expressão do sindicalismo, afastando assim o sindicalismo dos movimentos sociais classistas dos anos de 1960 e 1970, que lutavam pelo controle social de produção, a luta pelo socialismo, pela emancipação do trabalho, todas essas perspectivas foram abandonadas pelo sindicalismo. Desaparecendo assim o sindicalismo que visava o controle social da produção, através de movimentos sociais anticapitalistas. As ações do sindicalismo mudaram agora para movimentos dentro dos valores fornecidos pela sociabilidade do mercado e do capital. O que podemos concluir desses sistemas de gerenciamento de produção, é que todos eles tinham por interesse promover aumento de lucratividade para o empresário por meio da exploração da mão de obra humana, e de criar estratégias para a expansão do capitalismo em todo o mundo, e não estavam interessados em saber se esses sistemas estavam provocando a transformação dos trabalhadores em apêndices de maquinas, de produzir lucro para os grandes capitalistas. E também não estavam interessados com a saúde dos seus empregados. As fases de Reestruturação Produtiva no Brasil O Brasil viveu no final dos anos 1970 uma crise econômica, que provocou algumas modificações nas características do mercado e nos padrões de concorrência das indústrias, essas modificações geraram condições para instalações de novas tecnologias. A crise econômica no Brasil ocorreu devido às pressões do mercado interno para o aumento das exportações, e também pela necessidade de acrescentar o superávit da balança comercial para o pagamento da divida externa. O aumento da exportação foi possível através do processo de modernização e da introdução de automação microeletrônica. A primeira fase de reestruturação produtiva no Brasil se encontra no final dos anos 1970 e início dos anos 1980, onde algumas propostas inovadoras são adquiridas pelo sistema de indústrias no Brasil, que é o Círculo de Controle de Qualidade, que significava o investimento em novas tecnologias e equipamentos microeletrônicos. Ao mesmo tempo ocorre a organização sindicalista dos trabalhadores dentro das empresas. Os CCQs procuravam envolver os trabalhadores nos objetivos das empresas, e trazer os trabalhadores para aumentar a lucratividade. Segundo Carvalho (1987) a disputa entre a instalação dos CCQs e o sindicalismo dos trabalhadores favoreceu uma nova filosofia de administração de pessoal, mais participativa que confia no homem com o objetivo de poder contar com uma mão de obra com maior

8 escolaridade. (Carvalho 1987: 197). Mas os limites são dados pelos gerentes, é quem vai definir a participação no CCQ. A implantação do CCQ no Brasil este mais ligado ao interesse do controle gerencial, e de submeter à iniciativa dos trabalhadores. Devido à resistência das empresas brasileiras de aceitação da contribuição intelectual dos trabalhadores, é que o CCQ fracassa, e também devido à oposição sindical dos operários. Nesse sentido as empresas permanecem na cultura organizacional de autoritarismo e de chefias. O ano de 1984 marca a retomada do crescimento econômico, na segunda fase de reestruturação produtiva vivenciada pelo Brasil. É nesse período que ao mesmo tempo em que havia a difusão dos equipamentos de base microeletrônica, iniciava-se também a busca de novas formas de organização do trabalho, baseada nas técnicas japonesas. Mas essas mudanças ocorreram primeiramente em um setor produtivo das montadoras de veículos automobilísticos. Esses setores de produção se tornaram líderes na introdução de inovações tecnológicas nas indústrias brasileiras. No Brasil ocorreu à introdução dos principais elementos que caracterizava o modelo japonês, por esse motivo alguns autores afirmam que a Reestruturação Produtiva no Brasil é apenas japonização de ocasião (Fleury, 1993). A japonização de ocasião justifica-se por uma relação entre a resistência do patronato em transformar as políticas de gestão da mão de obra e a outra dificuldade de aceitar uma maior participação dos trabalhadores nas decisões do processo de produção (Wood, 1993). O inicio dos 1990 foi marcado por muitas transformações na economia do Brasil, onde o presidente Fernando Collor de Mello foi quem iniciou essas transformações, através de uma política industrial baseada na abertura de comércios, nas privatizações, na criação de programas de iniciativa à modernização da indústria através do incentivo de competitividade das indústrias. Nessa terceira fase, as empresas estão buscando novas formas de estratégia organizacional, e estão interessados em incentivar os trabalhadores em participar da qualidade e produtividade na fabricação de mercadorias, portanto, as empresas teriam então que adotar novas formas de gestão na mão de obra dos trabalhadores para haver esse envolvimento na produtividade. Com a crise econômica de 1990 se intensificando, com a retratação do mercado interno, motivo esse que levou as empresas a voltar o mercado ao exterior, e a nova política do governo Collor, que obrigou as empresas a tornar as estratégias de produtividade e qualidade melhores.

9 Foram esses fatores que obrigaram as empresas a adotarem estratégias mais organizadas de reestruturação produtiva. As montadoras de automóveis apresentaram ao governo Collor uma nova estratégia, ao invés de produzir carros com o padrão mundial para competir com o mercado internacional, agora as empresas brasileiras concorrem internacionalmente com o mercado brasileiro, que foi agravado pela recessão econômica. Com a recessão econômica, e a abertura do mercado, promovido pelo governo Collor, as empresas se organizaram para se defender dessa crise, e a primeira atitude a ser tomada pela empresas é a promoção do desemprego, a redução nos investimentos, terceirização de atividades, redução da produção de diferentes produtos, e o fechamento, como conseqüência, de algumas unidades e outros. Todo esse processo de reestruturação produtiva no Brasil, só vem a confirmar que a classe trabalhadora foi a mais afetada pelas crises econômicas, primeiro pelo modelo taylorista/fordista, onde havia a exploração, com baixos salários, e a repetição exaustiva de uma só função, devido à divisão de tarefas. E por outro lado a introdução do modelo japonês, que exigia dos trabalhadores uma maior qualificação e habilidade para manobrar as máquinas da nova tecnologia, e que teve como conseqüência desse processo o desemprego. É no modelo japonês que o mundo globalizado espera que o trabalhador seja cada vez mais polivalente, multifuncional, criativo, flexível, comprometido e pronto para atender às necessidades do mercado. Então o objetivo das empresas é trazer o trabalhador para uma lógica do capitalismo, para que as empresas possam atingir seus objetivos, o empregado tem que estar empenhado em atingir os objetivos do lucro, e em fazê-lo através do trabalho em equipe, e da especialização exigida pelo mercado capitalista. Portanto o mundo do trabalho transforma e adéqua o trabalhador a sua necessidade. Crescimento dos postos de trabalho ligados à comunicação. Durante o processo de Reestruturação produtivo muitos dos serviços de ponta e até mesmo tradicional não foram inseridos ao emprego das fábricas, ao invés disto, passam a serem realizadas por empresas terceirizadas, empresas que prestam serviços a outras, como conseqüência desse fato o setor de serviços cresceu e se espalhou mundialmente.

10 Mas foi em 1990 que o setor de serviços passou por algumas transformações, isso ocorreu por que estas transformações estão ligadas a introdução de novas tecnologias da informação, que provocaram algumas mudanças como: a introdução de novos produtos, o aumento da produtividade, redução de custos, e principalmente a alteração das exigências funcionais e educacionais na forma de trabalho. Após o aparecimento de novos serviços ligado às atividades industriais, as exigências por um nível de educação maior e de treinamentos, o trabalhador passou a ser mais cobrado para que se tornasse cada vez mais especializado. O que vem permitindo a reestruturação do setor industrial e o aumento na produtividade e na eficiência na forma operacional, esse fato se deve à introdução da informática e da microeletrônica, e que como consequência levou ao desaparecimento de alguns postos de trabalho e a criação de outros, porém houve aumento na lucratividade dos prestadores de serviço. As transformações ocorridas nos serviços dos bancos demonstram bem como as tecnologias mudaram a forma de atendimento aos clientes, como por exemplo: o aparecimento dos caixas eletrônicos, a utilização da internet para efetuar transações e pagamentos, a introdução do código de barras, inclusão dos cartões de débito. Todas as introduções desses serviços eletrônicos causaram o desaparecimento de trabalhadores que antes intermediavam esses serviços. As tecnologias como os aparelhos de fax, celulares e a internet permitiram a realização de negócios com rapidez e eficiência que pode ser feita de qualquer lugar, o que promove à redução de postos fixos de atendimento, e consequentemente a redução do número de postos de trabalho. O crescente processo de automação, de base microeletrônica, acompanhada das praticas de organização flexível do trabalho, tem redefinido os locais de trabalho constituídos, por um lado, por trabalhadores qualificados, valorizados pelo seu saber técnico individual e, por outro, por trabalhadores sem qualificação, subcontratados com baixos níveis de salariais (DRUCK, M. G; 1999; p. 43) O setor de serviços utiliza-se de algumas alternativas de contratos de trabalhos, como os contratos por tempo determinado, contratos temporários, banco de horas, dentre outros meios para conseguir obter flexibilidade da mão-de-obra, em contratos e também nos salários. A comercialização de produtos e serviços sofreu fortes modificações, por conta do surgimento de modalidades de comércio de fácil acesso e com maior rapidez, que é o telemarketing e a internet comércio eletrônico.

11 O trabalho de telemarketing tem várias características que tem beneficiado as empresas, isso porque viabiliza um contato direito com clientes, é um canal aberto para oferecer produtos e serviços, podendo até mesmo receber criticas e sugestões de clientes, para alcançar um melhor atendimento, servindo ainda como veículo de propaganda para a divulgação de produtos e serviços. Todas essas características fizeram com que esse modelo de atendimento, mais rápido e eficaz, tem sido adotado em larga escala por varias empresas. Podemos dizer que as vantagens que esse mercado eletrônico pode oferecer são: a onipresença, facilidade de acesso à informação e o baixo custo das transações. (FERNANDES, S. R. P 2004; p. 04). Por essas vantagens é que o mercado encontra facilidade para lucrar mais, utilizando-se desses serviços, que viabiliza a fácil comunicação para negociar produtos e serviços. Foi na indústria Ford que surge à primeira campanha por telefone, que aconteceu no ano de 1970, com objetivo de identificar clientes para oferecer automóveis. Mas o processo de trabalho em telemarketing surge na década de 80, com o advento do cartão de crédito internacional e também com as facilidades das telecomunicações. O aumento dos custos de marketing se tornou uma ótima estratégia para atender a esse aumento. Toda a expansão do telemarketing deve-se a credibilidade oferecida pelo crédito direto ao consumidor, e também pelas mudanças culturais de mercado, por uma estratégia rápida e econômica de fazer contatos com o cliente, e até mesmo de alcançar resultados imediatos. O telemarketing vem se expandido bastante até hoje, e, portanto tem contribuído bastante para o aumento econômico nas empresas que se utilizam desses serviços para realizar a negociação. Atualmente empresas de vários tipos utilizam-se desse serviço, seja para realizar a venda de produtos e serviços, seja para efetuar cobranças, e também para prestar qualquer tipo de serviço para empresas particulares e instituições do governo.

12 Referências ANTUNES, Ricardo. (1998) Adeus ao trabalho? Ensaio sobre as Metamorfoses e a Centralidade do mundo do trabalho 5ª ed. São Paulo: Cortez/ Unicamp. CARDOSO, Fernando Henrique. FALETTO, Enzo. Dependência e Desenvolvimento na América Latina: Ensaio de Interpretação Sociológica. 7ªed. Rio de Janeiro: editora LTC, CARVALHO, Ruy Quadros. Tecnologia e Trabalho Industrial: As Implicações Sociais da Automação Microeletrônica na Indústria Automobilística. São Paulo, L&PM, DRUCK, M. G. Globalização e Reestruturação Produtiva: O Fordismo E/Ou Japonismo. Revista de Economia Política, São Paulo, v. 19, p , MARX, K. Manuscritos econômicos- filosóficos de (primeiro e segundo) in FROM, E. Conceito marxista do homem. O Capital. Vol.l, Livro l, Tomo l. SP: Nova Cultural, col."os economistas, MÉSZAROS, I. Marx: A Teoria da alienação. RJ: Zahar, HARVEY, David. (1992) A Condição Pós-Moderna, São Paulo Ed. Loyola. SILVA, Silvio Cesar. Câmara regional de desenvolvimento do abc: emprego e inclusão social. Tese de Doutorado. Pontifícia Universidade Católica de São Paulo-PUCSP/ Programa de Estudos Pós Graduados em Ciências Sociais. São Paulo, 2002.

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