ARTIGO APRESENTADO NO 17 O CONGRESSO INTERNACIONAL DE EDUCAÇÃO FÍSICA FIEP/ REALIZADO EM FOZ DO IGUAÇU DE 12 A 16 DE JANEIRO DE 2002

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1 ARTIGO APRESENTADO NO 17 O CONGRESSO INTERNACIONAL DE EDUCAÇÃO FÍSICA FIEP/ REALIZADO EM FOZ DO IGUAÇU DE 12 A 16 DE JANEIRO DE 2002 TÍTULO: NÍVEL DE ATIVIDADE FÍSICA E BARREIRAS PARA A ATIVIDADE FÍSICA EM UNIVERSITÁRIOS DO CENTRO DE CIÊNCIAS HUMANAS E SOCIAIS DA UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO DO SUL Ana Janice Piovesan 1, Bruna Machado Simões 2, Elinton Altair Sanches 3 Elisângela Rodrigues Furtado 3, Jane Amaral de Castro 2, Juliana F. Metzker 2, Kelly de Oliveira Silva 2, Graziela Silva de Barros 2, Renato Shoei Yonamine 4 Programa Agita Campo Grande Universidade Federal de Mato Grosso do Sul 1 Mestre em Saúde Coletiva 2 Acadêmico do Curso de Educação Física 3 Professor de Educação Física 4 Docente do Mestrado em Saúde Coletiva RESUMO A inatividade física é fator de risco importante para diversas doenças crônicas não transmissíveis, e tendo sido observado o aumento da prevalência destas doenças em função principalmente do estilo de vida sedentário, programas de informação e incentivo à prática da atividade física vem sendo desenvolvidos no Brasil e no mundo. O objetivo deste estudo foi avaliar o nível de atividade física e as barreiras para a prática da atividade física em universitários do Centro de Ciências Humanas e Sociais (CCHS) da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS). Para tanto foram avaliados por 143 indivíduos sendo 63 do sexo masculino e 80 do sexo feminino universitários matriculados no ano de 2001 nos cursos de economia, artes visuais, direito, pedagogia, educação física, administração e jornalismo.o instrumento utilizado para avaliação do nível de atividade física e barreiras para a prática de atividade física foi o questionário de conhecimento e atividade física (1999). A classificação do nível de atividade física foi realizada com base nas atividades física moderadas e vigorosas, considerando a duração da atividade e a freqüência semanal. Pode-se concluir que um percentual maior de mulheres demonstraram ser irregularmente e regularmente ativas enquanto que percentual maior de homens encontram-se em nível muito ativo, embora se considerarmos a soma de regularmente e muito ativos, valores percentuais similares serão encontrados nos dois sexos (39,7% no masculino e 38,8 no feminino). Pode-se então dizer que em ambos os sexos a maioria dos avaliados estão em níveis insuficientes de atividade física, No que diz respeito às barreiras para a prática da atividade física, a falta de tempo foi o fator mais citado, seguido por preguiça. É necessário então um trabalho de informação no sentido de superar a barreira falta de tempo através do incentivo da prática da atividade física de forma acumulada ou contínua por pelo menos 30 minutos por dia. (67)

2 INTRODUÇÃO Os avanços tecnológicos trouxeram ao homem moderno muitos benefícios, mas em conseqüência também surgiram problemas ligados à inatividade física, já que se quisermos, podemos viver nossas vidas com um mínimo de esforço físico. De acordo com o Aerobics Center Longitudinal Study Cooper, de 1900 a 1990 as pessoas deixaram de gastar em torno de 500 kcal/dia em atividades físicas do cotidiano, o que significa uma redução de kcal/ano. Esta economia energética diária, além de gerar um acúmulo de tecido adiposo corporal com o passar dos anos, pode provocar muitas doenças chamadas hipocinéticas (MANUAL DO PROGRAMA AGITA SÃO PAULO, 1998). Este comportamento sedentário na vida moderna contribui para o aumento da prevalência e incidência de doenças crônicas não transmissíveis como a hipertensão arterial, doenças cardiovasculares, diabetes mellitus, doenças do aparelho locomotor e doenças pulmonares. De acordo com HASKELL (1988) o estilo de vida é responsável por 54% do risco de morte por cardiopatia, 50% pelo risco de morte por acidente vascular cerebral, 37% pelo risco de morte por câncer e no total por 51% do risco de morte de um indivíduo. O estilo de vida sedentário é um fator de risco independente para enfermidade coronariana e acidente vascular, principais causas de morte em todo mundo. O risco de doença cardíaca para as pessoas menos ativas e menos condicionadas pode ser o dobro comparado às pessoas mais ativas e condicionadas. Evidências científicas recentes confirmam o papel decisivo da prática da atividade física regular na prevenção e no controle de doenças crônicas não transmissíveis e na promoção da saúde e qualidade de vida dos indivíduos. ATIVIDADE FÍSICA NA PROMOÇÃO DA SAÚDE De acordo com CASPERSEN et al., (1985) atividade física é qualquer movimento corporal decorrente de contração muscular, com dispêndio energético acima do repouso; entendida como um comportamento humano complexo, voluntário e autônomo, com componentes e determinantes de ordem biológica e psico-sócio-cultural; e exemplificada por esportes, exercícios físicos, danças e determinadas experiências de lazer e atividades utilitárias. A atividade física pode ajudar atingir e manter o peso corporal apropriado e contribui positivamente na mudança de outros fatores de risco de doença coronariana como perfil de lipídeos, a resistência a insulina e a hipertensão. Desta forma contribui no controle do Diabetes, colesterol alto e hipertensão arterial e outros problemas como a impotência sexual. Pesquisadores da Escola de Medicina da Universidade de Boston, Estados Unidos demonstraram que a atividade física num nível de pelo menos 200 calorias por dia - o equivalente a andar rapidamente uns três quilômetros - pode reduzir o risco de um homem desenvolver impotência. O estudo, publicado pela revista Urologia, é o primeiro a mostrar que os homens que praticam exercícios, mesmo os que começam já na meia-idade, têm risco menor de ficar impotentes do que os homens sedentários. Foram relatados ainda efeitos positivos no tratamento primário ou complementar da arteriosclerose, da enfermidade venosa periférica, da osteoporose, assim como benefícios psicológicos a curto prazo, (diminuição da ansiedade e do estresse), e a longo prazo (alterações na depressão moderada, no estado de humor, auto-estima, atitudes positivas). Mais recentemente temse demonstrado uma importante relação entre a intensidade de exercício e a resposta imunológica, e ainda diversos estudos que evidenciam a menor

3 prevalência de alguns tipos de câncer em grupos de pessoas mais ativas (MANUAL DO AGITA SÃO PAULO, 1998). As doenças coronárias, diabetes e obesidade custam aos norteamericanos perto de 300 bilhões de dólares por ano. A maioria desses problemas está relacionada ou é agravada pela falta de exercícios. Um estudo conduzido por pesquisadores do CDC - Centros para Prevenção e Controle de Doenças do governo norte-americano, mostra que se os 88 milhões de americanos que não praticam exercícios resolvessem levantar de suas cadeiras e ter alguma atividade física regular, poderiam economizar mais de 76 bilhões de dólares a cada ano. O estudo liderado pelo dr. Michael Pratt analisou dados sobre os gastos com saúde nos Estados Unidos nos anos de 1987 e De acordo com o levantamento, as pessoas ativas maiores de 15 anos economizaram 330 dólares por ano em média com visitas ao médico, custos de hospitalização e remédios, quando comparadas às pessoas sedentárias. Para esse trabalho, as pessoas ativas foram definidas como aquelas que praticavam algum tipo de exercício meia hora por dia. Portanto, praticar atividades físicas moderadas por pelo menos 30 minutos por dia podem trazer muitos benefícios à saúde das populações, e para que se possa iniciar um trabalho de incentivo à prática de atividades físicas se faz necessário um diagnóstico inicial do nível de atividade física e as barreiras para a sua prática, para que se realize então um programa de intervenção para a mudança do comportamento dos indivíduos. O Programa Agita Campo Grande vem desenvolvendo ações na comunidade campo-grandense desde setembro de 2000, e têm buscado informar a população sobre os benefícios da atividade física, bem como incentivar a prática de pelo menos 30 minutos de atividade moderada por dia, no mínimo 5 vezes por semana. Iniciado a partir de uma parceria com o CELAFISCS, o Agita Campo Grande conta com o apoio da Prefeitura Municipal de Campo Grande, da Fundação Municipal de Cultura Esporte e Lazer e da Secretaria Municipal de Saúde Pública além da parceria de 17 instituições públicas e privadas. Uma das atividades do Agita Campo Grande inclui o diagnóstico do nível de atividade física das comunidades. Então, objetivou-se através desta pesquisa avaliar o nível de atividade física de universitários e analisar as barreiras para a prática de atividade física. MATERIAL E MÉTODO A população deste estudo constituiu-se de universitários matriculados no ano de 2001 nos cursos pertencentes ao Centro de Ciências Humanas e Sociais da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul. A amostra foi constituída por 143 indivíduos sendo 63 do sexo masculino e 80 do sexo feminino com idades entre 17 e 39 anos. O instrumento utilizado para avaliação do nível de atividade física e barreiras para a prática de atividade física foi o questionário de conhecimento e atividade física (1999). A classificação do nível de atividade física foi realizada com base nas atividades física moderadas e vigorosas, considerando a duração da atividade e a freqüência semanal. Inativos foram considerados os indivíduos que não realizam nenhuma atividade física por no mínimo 10 minutos em qualquer intensidade, os irregularmente ativos foram considerados os indivíduos que realizam atividades físicas moderadas por menos que 5 vezes por semana e/ou menos que 30 minutos por sessão, já os regularmente ativos foram considerados os que realizam atividades físicas por 5 ou mais vezes por

4 semana e 30 minutos ou mais de atividades moderadas, e os muito ativos foram considerados os que realizam atividades vigorosas por 5 vezes ou mais por semana e 30 minutos ou mais por sessão. A coleta de dados foi realizada nas salas de aula e nos corredores do Centro de Ciências Humanas e Sociais da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, onde procurou-se avaliar amostra aleatória de universitários de todos os períodos de cada curso. O número de universitários avaliados por curso e por sexo está apresentado na tabela 1. Tabela 1 - Número de avaliados por curso e por sexo Curso Sexo feminino Sexo masculino Economia 9 12 Artes Visuais 11 7 Direito Pedagogia 15 7 Educação Física 8 5 Administração 11 9 Jornalismo 10 8 Total RESULTADOS E DISCUSSÃO A média de idade dos universitários do sexo feminino foi de 22,39 ± 4,97 e do sexo masculino de 22,38 ± 5,54. O nível de atividade física por sexo está apresentado na tabela 2: Tabela 2 - Nível de atividade física por sexo Nível de atividade física Sexo feminino Sexo masculino n % n % Inativo 9 11,2 9 14,3 Irregularmente ativo 40 50, ,0 Regularmente ativo 27 33, ,0 Muito Ativo 4 5,0 8 12,7 Total Na tabela 2 pode-se observar que um percentual maior de mulheres demonstraram ser irregularmente e regularmente ativas enquanto que percentual maior de homens do que mulheres encontram-se em nível muito ativo, embora se considerarmos a soma de regularmente e muito ativos, valores percentuais similares serão encontrados nos dois sexos (39,7% no masculino e 38,8 no feminino). Pode-se então dizer que em ambos os sexos a maioria dos avaliados estão em níveis insuficientes de atividade física, sendo 14,3% e 11,2% nos sexos masculino e feminino respectivamente considerados inativos, isto é, não realizam nenhum tipo de atividade física no seu dia a dia por mais de 10 minutos. No que diz respeito às barreiras para a prática da atividade física, a falta de tempo foi o fator mais citado (com 61,9% das respostas no sexo masculino e 63,8% no feminino), seguido por preguiça (com 18,8% das respostas no sexo feminino e 12,7% no masculino).

5 CONCLUSÃO Através da análise dos dados obtidos pode-se concluir que na amostra avaliada, a maioria dos universitários de ambos os sexos demonstraram não realizar atividades físicas de acordo com as atuais recomendações da Organização Mundial de Saúde (OMS), do Conselho Internacional de Ciências do Esporte e Educação Física (ICSSPE), do Centro do Controle e Prevenção de Doença-USA (CDC), entre outros, que concordam que sessões de 30 minutos por dia, na maior parte dos dias da semana, desenvolvidas continuamente ou mesmo em períodos cumulativos de 10 a 15 minutos, em intensidade moderada, podem representar um grande benefício para a população em geral. A maior barreira encontrada, ou seja, a falta de tempo disponível para a prática da atividade física pode ser superada através do esclarecimento sobre os benefícios que podem ser obtidos também através de sessões acumuladas de 10 ou 15 minutos e do incentivo à prática da atividade física de forma acumulada. Nos dias atuais, a consciência do binômio atividade física e saúde leva a necessidade de melhor informar e educar a população acerca da prática regular da atividade física, como fator de promoção a saúde e prevenção de doenças. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS CASPERSEN, C. J.; POWELL, K. E.; CHRISTENSEN, G. M. Physical activity, exercise, and physical fitness: definitions and distinctions for health-related research. Public Health Reports, v. 100, n. 2, p , , FARIA JÚNIOR, A. G. Atividade física, saúde e ambiente. In: FARIA JÚNIOR, A. G.; CUNHA JÚNIOR, C. F. F.; ROCHA JÚNIOR, C. P.; NOZAKI, H. T. (org). Uma introdução à Educação Física, p Niterói: Corpus, HASKELL, W. Physical activity and the diseases of techonologically advanced society. In The American academy of physical education papers: Physical activity in early and modern populations 21, pp:73-87, MANIFESTO DE SÃO PAULO PARA A PROMOÇÃO DA ATIVIDADE FÍSICA NAS AMÉRICAS, MANUAL DO PROGRAMA AGITA SÃO PAULO. Programa Agita São Paulo. 2 a ed, CELAFISCS, São Paulo, MANUAL DO PROGRAMA AGITA CAMPO GRANDE. Programa Agita Campo Grande. Campo Grande, MINISTÉRIO DA SAÚDE. Carta de Ottawa. Disponível em: <. Acesso em 21 de setembro SIMÃO, P. Norte-americanos não conseguem mudar hábitos sedentários. Publicado em: 12 de Março de Disponível em: < > Acesso em: 07 de outubro de 2001.

6 Notícias de Medicina e Saúde: Exercício pode reduzir o risco de impotência Acesso em 05 de outubro de 2001.

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