Relatório do Ministério das Relações Exteriores sobre a COMIGRAR

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1 Relatório do Ministério das Relações Exteriores sobre a COMIGRAR Realizou-se no âmbito da 1ª Conferência Nacional sobre Migrações e Refúgio (São Paulo, 30 de maio a 01 de junho) módulo sobre apoio aos imigrantes brasileiros retornados. As sessões de trabalho, coordenadas pela Diretora do Departamento Consular e de Brasileiros no Exterior (DCB/MRE), Ministra Luiza Ribeiro Lopes, com apoio do Chefe e de assessor da Divisão das Comunidades Brasileiras no Exterior (DBR/MRE), transcorreram em atmosfera de grande cordialidade e com espírito construtivo, permitindo ampla troca de ideias e busca de consensos. Contou-se com a participação de 16 representantes brasileiros vindos do exterior, além de participantes de plenárias realizadas no Brasil, de órgãos governamentais e de outras entidades. O módulo sobre retorno foi um dos quinze grupos de trabalho organizados no âmbito da Conferência, sendo todos os demais focados prioritariamente nos pleitos dos imigrantes estrangeiros no Brasil. 2. Relação completa das demandas apresentadas estará disponível no Portal Brasileiros no Mundo (www.brasileirosnomundo.itamaraty.gov.br) e fará parte do documento final da 1ª Conferência Nacional sobre Migrações e Refúgio, a ser brevemente disponibilizado no Portal COMIGRAR (www.migrantes.gov.br), inclusive a título de orientação para a criação de políticas públicas e como embasamento para o encaminhamento de Projeto de Lei sobre Migrações. a) Educação e Cultura A reunião sobre este tema contou com a participação da Sra. Auriana Diniz, servidora da Assessoria Internacional do MEC, que fez exposição sobre as diferentes ações adotadas por aquele órgão, nos âmbitos nacional e internacional, que já podem beneficiar as comunidades brasileiras no exterior e os retornados. Além de sanar dúvidas específicas, a Sra. Diniz salientou a importância da divulgação de informações úteis na área educacional, pois muitos dos questionamentos e das propostas trazidas pelas comunidades brasileiras no exterior já estão contempladas em projetos, ações governamentais, sítios eletrônicos e políticas públicas. Ressaltou ser necessário haver difusão desse conhecimento para que se possa ter acesso aos diferentes mecanismos existentes. Informou que o MEC planeja lançar a página eletrônica "Comunidades dos Brasileiros no Mundo", vinculada em seu Portal, de modo a reunir informações dispersas pela rede mundial de interesse para a educação, a exemplo do Portal Domínio Público (http://www.dominiopublico.gov.br) e TV Escola (http://tvescola.mec.gov.br). Seguem as principais propostas do grupo nesta área.

2 a1) crianças e jovens - Dar seguimento ao programa do MRE de qualificação de professores de língua portuguesa de herança no exterior; - Dar atenção ao tema do retorno das crianças, preparando-as para a volta do exterior e a readaptação ao Brasil; utilizar as escolas de português no exterior, para o repasse de informações às famílias; - Apoiar projetos culturais direcionados a crianças brasileiras no exterior; - Desenvolver programa para acolhimento e adaptação de crianças e jovens retornados do exterior no sistema educacional brasileiro, se possível com currículo integrado, em regiões de maior concentração destes brasileiros, facilitando sua (re)adaptação, com ênfase no fortalecimento do português; - Promover a aceitação de matrícula em escolas infantis ou creches no Brasil em qualquer período do ano; Obs.: Com relação à readaptação da criança brasileira na escola, foi esclarecido por representante do MEC que as secretarias municipais e estaduais de educação têm autonomia para montar seus currículos e programas nos cursos de ensino fundamental e de ensino médio, respectivamente. Nessas condições, acordou-se submeter o assunto ao CONSED e ao UNDIME. a2) jovens e adultos - Incentivar jovens brasileiros que residem no exterior a cursarem no Brasil parte de sua graduação, mediante disponibilização de bolsas de estudos; - Examinar medidas necessárias à eventual extensão do ENEM ao exterior, a exemplo do que já ocorre com o ENCCEJA, com vistas ao ingresso dos jovens em universidades brasileiras após o seu retorno; (Obs.: Após esclarecimentos recebidos do MEC, verificou-se que a eventual aplicação do ENEM e exames seletivos para concursos públicos federais requererá alterações nos procedimentos e regulamentação vigentes.) - Ampliar a rede de escolas técnicas no Brasil; - Capacitar professores brasileiros no exterior para cursos de preparação ao ENCCEJA;

3 a3) Manutenção da cultura brasileira - Organizar no exterior cursos de cultura brasileira e de língua portuguesa brasileira; - Promover projetos itinerantes de divulgação da cultura brasileira em igrejas, escolas e locais de consulados itinerantes, com o objetivo de atingir um número maior de brasileiros; b) Saúde/Apoio social e psicológico/temas de Gênero - Agilizar a expansão do Disque 180 internacional para países adicionais, no âmbito da parceria MRE/SPM/DPF; - Estabelecer protocolo de atendimento social específico para os retornados nos Centros de Referência CREAS; - Prover acompanhamento dos imigrantes brasileiros retornados nos campos social, educacional e psicológico por parte dos agentes de serviço social; desenvolvimento, pelos profissionais que prestam atendimento de serviços médicos e sociais para que desenvolvam uma ética de acolhimento dos retornados e migrantes; - Desenvolver programa de prevenção da depressão e bem estar da saúde feminina, voltado para imigrantes brasileiros retornados; c) Previdência Social As prolongadas discussões sobre este tema revelaram que as preocupações das comunidades brasileiras não se limitam à ampliação do rol de países-alvo para celebração de acordos. Com a experiência adquirida na implementação dos instrumentos já em vigor, surgiram demandas novas, visando à facilitação das contribuições a partir do exterior e à melhor compreensão das consequências financeiras dos acordos para seus beneficiários. Esta última demanda se deve à constatação, pelos brasileiros no Japão, de que os brasileiros que optaram por receber suas contribuições naquele país recebem hoje menos do que receberiam no Brasil. Seguem as principais propostas de consenso nesta área. - Prever meios de permitir ao brasileiro contribuir para a Previdência Social brasileira a partir do exterior (usando canais oficiais ao invés de empresas terceirizadas, conforme serviço oferecido atualmente em alguns países); permitir que as Repartições Consulares brasileiras abram postos de recebimento de contribuições previdenciárias para o INSS; alternativamente, a contribuição poderia ser feita por meio de um "cartão cidadão" ou similar;

4 - Organizar simulações prévias à negociação de acordos previdenciários, de modo a permitir o conhecimento antecipado das condições exatas dos benefícios e eventuais dificuldades que poderão advir da aplicação do acordo; - Incluir, nos futuros acordos internacionais de previdência social, a possibilidade de o brasileiro no exterior optar pela contribuição no Brasil, no país de acolhimento ou em ambos os países; - Desenhar soluções específicas, destinadas a prover de assistência previdenciária e cobertura médica aos retornados mais idosos que se encontrem em situação precária; - Possibilitar contribuição retroativa para aposentadorias; d) Trabalho/Capacitação/Empreendedorismo/Comércio Exterior As discussões sobre este tema se beneficiaram de palestra de servidora do SEBRAE/Minas Gerais na oficina temática realizada na tarde do dia 31, sobre o apoio prestado por aquele órgão a empreendedores brasileiros retornados. A discussão do tema levou a amplo consenso quanto à importância de ampliar-se o trabalho do SEBRAE, em todos os estados brasileiros, bem como de se sensibilizar o órgão nacional para a conveniência de incorporar à sua agenda o apoio mais sistemático aos brasileiros retornados). Seguem as principais propostas discutidas. - Estabelecer diretriz para que os órgãos dos Sistemas "S" (SEBRAE/SENAI/SENAC/SESI/SENAR), nacionais e estaduais, incluam, entre suas funções, o apoio, capacitação e orientação específicos e diferenciados aos brasileiros retornados; - Ampliar as parcerias com os órgãos nacionais do "Sistema S", incluindo o SENAR (Serviço Nacional de Aprendizagem Rural), além de cooperativas e outros órgãos, com vistas à realização de palestras e cursos profissionalizantes, presenciais e a distância, para brasileiros no exterior; - Criação de programas específicos do SEBRAE sobre empreendedorismo para emigrantes retornados, incluindo noções básicas sobre negócios e finanças, documentação necessária para abertura de pequenos negócios, órgãos e entidades que prestam apoio; - Prever gratuidade para os cursos de capacitação do Sistema "S" para brasileiros retornados em situação de vulnerabilidade; - Divulgar informações sobre o crédito rural e o empreendedorismo no agronegócio para o brasileiro retornado ou em vias de retorno;

5 - Facilitar o acesso de empresas brasileiras no exterior a incubadoras; - Criar um sistema de informação (dados sócio-econômicos e outros) para pequenos e médios investidores, sob a forma de cartilha, impressa ou eletrônica, com informações básicas sobre o Brasil e seus estados e indicadores que possam respaldar a tomada de decisões para investimentos em pequenos e médios negócios; - Criar programas e ações, incluindo linhas de crédito, para que os bancos brasileiros ofereçam suporte ao empreendedor brasileiro no exterior; - Desenvolver programas de economia solidária pela Secretaria Nacional de Economia Solidária aos brasileiros retornados; - Obter o reconhecimento pelo SINE (Sistema Nacional de Emprego do MTE) de homologação, a ser efetivada por órgãos brasileiros no exterior (Consulados, Embaixadas, e, no caso do Japão, pelo ETB), dos cursos de qualificação profissional e da experiência laboral efetivada no exterior; - Estimular órgãos técnicos brasileiros a fazerem exames de proficiência técnica para brasileiros retornados, para atestar experiência de trabalho e identificar diferenciais de capacitação/proficiência adquiridos a partir do trabalho desempenhado no exterior; - Prever isenções fiscais para brasileiros no exterior que importem produtos brasileiros típicos para que promovam produtos brasileiros; e) Remessas/ Questões Bancárias/ Financiamentos - Facilitar a abertura de conta em bancos brasileiros a partir do exterior e permitir que o histórico de crédito no exterior seja considerado pelas instituições brasileiras; - Divulgar informações sobre meios a partir do exterior de remeter recursos ao Brasil de forma segura; - Divulgar e facilitar o programa da Caixa Econômica Federal de financiamento para a compra da casa própria pelos brasileiros residentes no exterior; - Divulgar informações sobre a obtenção de financiamento para a compra da casa própria, inclusive sobre legislação, fiadores ou seguro-fiança, e sobre acesso ao Programa Minha Casa, Minha Vida; - Reduzir os impostos para a transferência das poupanças dos brasileiros no exterior ao Brasil, quando haja retorno definitivo;

6 f) Associativismo - Prever o reconhecimento e certificação das associações brasileiras no exterior, de modo a permitir que o governo brasileiro e os governos estrangeiros lhes deem maior apoio; permitir que associações brasileiras no exterior possam obter CNPJ; g) Estabelecimento de Estruturas de Apoio a Migrantes Brasileiros Os debates apontaram para a importância de que sejam criados núcleos estaduais de apoio a imigrantes brasileiros retornados. Os núcleos poderiam ser estruturas físicas nos estados para onde retornam maiores números de brasileiros ou, alternativamente, centrais de atendimento telefônico gratuito call center de número único com acesso a partir do Brasil e do exterior - com atendentes capacitados para prestar informações e orientações sobre ampla gama de temas de interesse dos retornados. Seguem as principais propostas recebidas. - Criar um Centro de Atendimento do Emigrante no Brasil para constituição de um banco de dados sobre os fluxos de migração; - Realizar campanhas de sensibilização junto aos governos estaduais brasileiros para a importância de criação de centros de acolhimento e apoio a emigrantes brasileiros retornados e implementação de políticas em seu benefício; - Ampliar atuação do NIATRE (Núcleo de Informação e Apoio a Brasileiros Retornados do Exterior), de forma conjunta com o Espaço do Trabalhador Brasileiro; - Criar fórum virtual para integrar e catalisar as diferentes experiências, potencialidades e dificuldades que essas pessoas trazem ao regressar ao Brasil; - Incentivar a formação de rede profissional entre mulheres retornadas em situação de vulnerabilidade, oferecendo espaço para a realização de encontros e divulgação das reuniões; - Criar "call center" de número único com acesso gratuito a partir do Brasil e do exterior, com atendentes capacitados para prestar informações e orientações sobre ampla gama de temas de interesse dos retornados; - Multiplicar os Centros de Atendimento Humanizado nos aeroportos com a atribuição de prestar assistência a imigrantes brasileiros retornados. 3. A pauta do evento incluiu ainda oficina temática sobre retorno voluntário assistido, moderada pelo Diretor do Escritório da OIM em Buenos Aires e pela Diretora do DCB.

7 Representantes da OIM e da OEI (Organização dos Estados Iberoamericanos) fizeram explanação sobre seus respectivos programas de apoio ao retorno voluntários de imigrantes brasileiros a partir de Portugal, Espanha e outros países europeus participantes do projeto, conforme consta do Portal do Retorno desta SERE. Foi de especial interesse o depoimento do coordenador da ONG Projeto Resgate, que é o braço da OIM para o apoio personalizado prestado a cada imigrante brasileiro que retorna ao estado de Goiás ao amparo do programa. Contou-se ainda com palestra de representante do SEBRAE/MG sobre a assessoria prestada aos imigrantes retornados àquele estado que manifestam interesse em abrir um pequeno negócio. Por fim, representante da Fundación Internacional y para Iberoamérica de Administración y Políticas Públicas (FIIAPP) mencionou projeto em curso desenvolvido entre a União Europeia e a América Latina e Caribe (EU-CELAC) para o estabelecimento de modelos de gestão sobre migração e políticas de desenvolvimento, implementado pela OIM/FIIAPP, e cujo objetivo é o de incrementar o potencial das remessas, aumentando seu impacto sobre o desenvolvimento das comunidades de origem por meio dos investimentos dos imigrantes, educação financeira e filantropia. Explicou as linhas do projeto-piloto em curso com o Brasil e sua diáspora no Reino Unido, que consistirá na realização de oficinas sobre educação financeira e empreendedorismo e elaboração de uma cartilha educativa sobre o tema. Uma das conclusões do painel foi a necessidade de se fomentarem maiores sinergias entre os parceiros atuantes nos programas de retorno voluntário assistido, verificando-se modos de ampliar o alcance dos programas e incrementar o apoio dos órgãos governamentais brasileiros; para isso, acordou-se realizar reunião em Brasília nas próximas semanas com as partes envolvidas.

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